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História A Mulher Ao Lado - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Convite


Julian abriu a porta do escritório calmamente, cedendo espaço para que Saori fosse a primeira a entrar. Quando notou que estavam sozinhos, o herdeiro Solo fechou o escritório. A anfitriã ofereceu o sofá e ele pediu que ela se acomodasse primeiro.

— Obrigado por me receber, Saori. Pelo que reparei, seus amigos não estão muito satisfeitos com a minha presença.

Ela sorriu confiante.

— Acredito que seus amigos também estejam desconfiados.

Julian sorriu.

Sim, os generais estavam sobre o telhado da mansão neste exato momento.

Ele pensou, bebeu, mas não disse nada.

A dama Kido mirou seriamente.

— Qual o propósito da sua visita?

O jovem Solo franziu a testa.

A neta de Mitsumasa era objetiva.

— Fui extremamente rude no passado. — Colocou a taça sobre a mesa de centro. — Mal nos conhecíamos e fiz uma proposta repentina demais.

Ela sorriu.

— Fala de nos casarmos?

— Sim. — Assentiu. — Eu era apenas um garoto mimado, acreditava que poderia comprar a todos. Fui educado dessa maneira, o que eu quisesse, teria, bastasse pedir ou mandar.

Constrangida, Saori sorriu.

Julian descreveu não apenas ele, mas ela também.

— Compreendo perfeitamente. — Bebeu.

— Gostaria que pudéssemos ser amigos desta vez, com todo o respeito. — Cruzou as pernas.

Ela sorriu, mas nada disse, se mantinha indiferente e calada.

Julian continuou a proposta.

— Quero esquecer o passado, e poder ser amigo de uma dama tão adorável quanto você.

Atena bebeu mais uma vez, mirando o restante do conteúdo da taça.

Deveria aceitar?

Sentia-se sozinha nos últimos tempos, seus leais defensores estavam tentando levar vidas normais, e ela nunca possuía amigos que lhe pudessem fazer companhia. Não encontrava muitos milionários na sua idade, e quando o fazia, nem todos pareciam ser pessoas agradáveis para se manter por perto.

Julian era parecido com ela.

Talvez…

Igual?

— Você tem razão. — Saori abandonou a taça também. — Temos que esquecer o passado.

Ele sorriu, e ela levantou.

— Vamos descer, ainda sou a aniversariante e preciso recepcionar meus convidados.

Ele levantou e assentiu.

Sorriu.

Uma das batalhas já estava vencida.

 

 

 

 

Aldebaran já havia terminado o jantar quando observou a luz do carro de Shina entrar pela janela. Com a barra das calças molhada e cabelo esvoaçado, ela abriu a porta e sorriu.

— Desculpe a demora.

— Iria esfriar tudo, acabei jantando. — Riu.

— Sem problemas. — Se aproximou, segurou o rosto dele e beijou.

O guerreiro de ouro percebeu o comportamento estranho.

— Está tudo bem, querida?

— Claro! — ajustou a franja para atrás das orelhas, puxou uma cadeira e se serviu da comida fria.

As mãos dela tremiam levemente.

— Por que está tremendo?

Encarou assustada.

Merda!

Ele percebeu.

Tentou disfarçar.

— Não é nada, fiquei nervosa na fila do supermercado. Muita gente! Crianças gritando… — serviu uma colher de arroz. — Às vezes, tenho que me segurar para não agredir civis.

Aldebaran riu, levantou e passou a lavar a louça que havia utilizado.

De costas para ela, pôde visualizar pelo vidro da janela, sua mulher estava prestes a chorar e tentava disfarçar as lágrimas enquanto jantava.

 

 

 

 

 

 

Bebendo mais uma taça de champanhe, Seiya esperava apoiado no final do corrimão da escada. Shiryu se aproximou, já não estava mais bebendo e a esposa não estava ao lado.

— Onde está a Shunrei?

— Estava cansada, resolveu pegar o carro e ir para casa.

— Por que não foi com ela?

Shiryu franziu a testa como se o estivesse repreendendo. O Pégaso compreendeu imediatamente, suspirou e bebeu sem o encarar.

— Não vou fazer nenhum escândalo.

O dragão sabia que o amigo era o que mais se enfurecia quando algo acontecia com Atena, ele seria capaz de mover o mundo por ela, e não importava a hora ou o lugar, Seiya definitivamente faria uma cena.

Shiryu agora estava de braços cruzados, tranquilo, o Pégaso se irritou com a atitude do amigo.

— Não vai dizer que confia nesse homem?!

— Não podemos baixar a guarda, mas ele parece ter mudado. — Deu de ombros.

Sacudiu a cabeça em indignação, até perceber que Saori e Julian desciam a escada.

Braços dados.

Não gostou nada daquilo.

— Pensei que já havia ido embora, Seiya. — Ela sorriu.

— Não, a festa recém começou, não é verdade? — animado.

A deusa sorriu e segurou mais uma taça de champanhe, Julian mirou-a.

— Pelo que percebi, a biblioteca da mansão é vasta de renomados escritores.

Seiya revirou os olhos, não entendia nada de literatura.

— Meu avô era um leitor assíduo. — Ela passou a caminhar em direção à biblioteca, os três a seguiram.

— Acredito que Shiryu e Seiya já tenham lido muitos dos exemplares dessa biblioteca. — O deus dos mares mirou-os.

O dragão assentiu em confirmação, parou em frente à grande estante, e retirou um exemplar de Fiódor Dostoiévski. Já havia lido, e comentou como a obra era interessante e de grande relevância.

Entediado, Seiya apenas bebia, enquanto Julian, Saori e Shiryu, iniciaram um debate sobre as obras do autor. O jovem sagitariano escorou-se em um dos sofás, enquanto os três sentaram em frente à estante.

Seiya mirou Saori, ela estava linda, só os deuses sabiam o que ele era capaz de fazer por ela.

Os minutos passaram e os três iniciaram um debate sobre as obras de Johann Wolfgang von Goethe.

— Você realmente aprecia o teatro, Julian. — Saori sorriu, bebendo da taça.

Seiya mirou chateado, ela estava confortável com ele.

— Você não gosta de teatro, Seiya? — o herdeiro Solo mirou com ironia. Sabia que ele não entendia nada do que estavam discutindo.

— Não muito. — Mentiu, bebendo mais uma vez.

Atena sorriu.

— Você nunca foi um apreciador das artes não é, Seiya?

Sorriu constrangido, deveria ter prestado atenção quando Shun lhe convidava para assistir aquelas peças de teatro chatas.

Shiryu também parecia encantado com a cultura que emanava daquele homem.

Julian era o centro das atenções.

O guerreiro de Pégaso bebia, na esperança de que ele fosse embora de uma vez por todas.

— Está na hora de ir. — O herdeiro milionário levantou do sofá, Shiryu e Saori o acompanharam.

Seiya suspirou aliviado, caminhou até a janela e fingiu observar o jardim.

Atena ofereceu a saída para o novo amigo.

— Eu lhe acompanho.

O sagitariano mirou irritado.

Como?

O Pégaso estava prestes a interromper, porém, Shiryu fez sinal de pare com a mão. Suspirou, mas resolveu obedecer, voltando a mirar o jardim. Quando Atena e Poseidon não estavam mais presentes, Seiya furiosamente encarou o amigo.

— Qual seu problema, Shiryu?!

— Eu que pergunto! É aniversário da Saori e você quer fazer cena?

— Só estou preocupado, não sabemos o que aquele homem quer! — jogou a taça sobre o chão, fazendo com que se espatifasse.

— Depois diz que não vai fazer cena. — Sacudiu a cabeça. Shiryu se ajoelhou e tentou recolher os pedaços. — Não sei o que ele quer, só me parece estar mudado.

Seiya apoiou as mãos na janela e debochou.

— Se encantou com ele também?

O dragão mirou boquiaberto, jogou os pedaços que tinha em mão sobre o chão, levantou e advertiu.

— Limpe isso!

Indignado, ele permaneceu em frente à janela, enquanto o amigo libriano abria a porta e deixava o escritório.

Mirou o tapete coberto de pedaços de vidro.

Depois ele limpava.

 

 

 

 

 

Parados em frente à porta de entrada da mansão, Julian segurou a mão de Saori e a beijou.

— Obrigado por me receber.

— Obrigada pelo colar. — Sorriu.

— Podemos nos ver mais uma vez?

Saori suspirou, não se livraria tão fácil dele.

— Julian… não sei se…

— Não estou lhe pedindo em casamento desta vez. — Riu.

Ela riu também.

— Gostaria de convidá-la para um jantar na minha residência.

Ela hesitou por um instante, ele continuou.

— Por favor, considere em nome de seu avô e meu pai. Tenho certeza que onde quer que eles estejam, estariam felizes por sermos amigos.

Saori sorriu.

— Está bem.

Julian assentiu, desceu as escadas e entrou na limusine estacionada. Atena observou o carro ir embora, suspirou, virou as costas e entrou na mansão.

Seiya observava pela janela do andar de cima.

Cerrando os punhos.

 

 

 

 

 

Abriu a porta da casa do caís em fúria, tirando o blazer do terno e a gravata, jogando as peças sobre a cadeira da escrivaninha.

Seiya se jogou sobre a cama.

Encostou a cabeça contra o travesseiro.

Suspirou.

Não podia crer que Saori havia deixado aquele homem a visitar e muito menos a presentear!

O que Julian queria agora?

Amizade?

Haviam várias mulheres disponíveis para serem amigas dele, mas a Saori tinha que ser a escolhida?

Virou para o lado, socou o travesseiro e fechou os olhos.

 

 

 

 

Acordou no dia seguinte com uma batida na porta, ergueu a cabeça e mirou ao redor, notando que frestas de sol entravam pela janela.

Já devia ser tarde.

Levantou ainda sonolento, camisa e calças amassadas.

Caminhou até a porta e abriu.

Miho.

Ela sorriu constrangida.

— Desculpe, Seiya. — Segurando uma caixa de doces. — Trouxe de sobremesa, mas pelo visto você nem almoçou ainda…

Franziu a testa, ainda sentia o gosto do álcool e a cabeça latejava, coçou a nuca e bocejou.

— Nem café da manhã… — Riu. — Entre. — Cedeu espaço para que ela passasse.

Ela entrou observando, haviam roupas jogadas sobre o chão, a pia estava com uma pilha de louça suja, e sacos de lixos que já deveriam ter sido jogados fora estavam em frente à geladeira.

Seiya realmente precisava que alguém cuidasse dele.

— Você anda bem ocupado.

— Por quê? — franziu a testa. — Não estou.

Ela sorriu constrangida, dando de ombros.

— Só um palpite.

Ele abriu a geladeira para pegar uma garrafa de água. Segurou, abriu e bebeu direto dela. Caminhou até a escrivaninha, puxou a cadeira e ofereceu para que ela sentasse.

A professora sentou desconfortável e ainda segurava a caixa de doces.

Seiya mirou e se desculpou envergonhado.

— Me desculpe. — Aceitou o presente. — Levantou e guardou na geladeira. — Cheguei tarde e bebi demais. — Riu.

Ela sorriu chateada, sabia que ele havia ido ao aniversário de Saori Kido.

Só deus sabia como ela odiava aquela mulher.

— A festa estava boa?

— Sim, o de sempre… Gente rica, sabe como é… Assuntos que não entendo nada. — Deu de ombros, bebendo da garrafa.

Ela riu.

— Também não saberia o que conversar com pessoas assim.

Os dois sorriram, combinavam muito nesse sentindo, eram pessoas simples, que não precisavam de bens materiais para serem felizes.

O Pégaso mirou a moça à sua frente, se ela veio até aqui, era melhor ser educado ao menos.

— Vamos almoçar?

Ela sorriu.

— Eu…

— Você já almoçou?

— Não… eu… não! — mentiu, já havia almoçado.

— Então vamos a um restaurante aqui perto, a comida é muito boa! — levantou.

Miho sorriu animada, ele a havia convidado poucas vezes para sair, e quando o fazia, era apenas para caminhar pela praia.

— Claro!

— Vou tomar um banho.

Ela assentiu, enquanto Seiya caminhava até o banheiro, entrava e fechava a porta.

Levantou dando pulos de alegria, mas logo parou com medo de que ele a pegasse na celebração.

Se contenha, Miho.

Resolveu esperar lá fora na varanda, observando o dia ensolarado. As gaivotas cantavam, e pareciam celebrar o momento que ela teria com Seiya. Segurou firme o corrimão da escada, fechou os olhos e sorriu, levantando a cabeça para o céu.

Não demorou muito para que ele saísse trajando uma roupa esportiva, e oferecendo o braço para que ela se apoiasse.

Os dois desceram a escada sorrindo e conversando.

Atrás de uma árvore, Shina observava os dois caminhando pela calçada.

Sentindo-se péssima pela ideia que acabara de ter.



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