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História A Mulher da Casa do Lago - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo - 06


Fanfic / Fanfiction A Mulher da Casa do Lago - Capítulo 6 - Capítulo - 06

A cicatriz coçava em meu pulso direito, raspei a unha várias vezes sob a pele me sentindo desconfortável, fraca e ansiosa. O lugar avermelhado, minha garganta seca, as pernas encolhidas na poltrona onde eu abraçava meu próprio corpo; deitada com a cabeça sob meus joelhos. Eu havia tido uma noite péssima, não dormi direito mesmo tomando os remédios, estava exausta.

Quando o dia amanheceu a primeira coisa que fiz foi ligar para minha psicóloga, precisava dela desesperadamente, ou sabia que não aguentaria mais uma crise e faria o que fiz novamente. Ela era paciente, fez suas recomendações pelo telefone e me garantiu que chegaria aqui em menos de 2 horas; cumpriu o que disse.

Sentada a minha frente - como todas as nossas consultas - Louise me olhava esperando que eu falasse. Tinha receio de contar sobre certas coisas, acontece que meu tratamento precisa dessas informações e me sinto como uma cobaia em um laboratório onde apenas faço as coisas e anotam tudo em um papel.

- Amy!

- Sei o que disse a você da última vez, eu nunca mais tinha pegado a gilete, juro. - Espero que acredite em mim, era verdade, juro que sim. -

- Não deveria nem ter isso em casa, é perigoso no seu estado.

- Eu só deixei guardado porque eu acreditava que se batesse a vontade eu seria mais forte e resistir. Ontem foi péssimo, me senti mal e lembrei de algumas coisas... - Deixei a frase no ar, sabia que ela compreenderia. -

- Está se torturando, não é assim que vai superar tudo, precisa de paciência e seguir os cuidados que lhe receitei. Como é morar aqui? - A olhando de lado devido a posição pensei por uns minutos, o silêncio em todo ambiente dava calafrios em mim. -

- É bom. Não tem a agitação da cidade, tem privacidade e muitas pessoas legais.

- Não está mentindo, não é? - As sobrancelhas franzidas, o olhar desconfiado, Louise era mais esperta do que eu gostaria que fosse. - Eu reparei que como está acanhada, não vejo você assim desde que saiu do hospital. Tem algo incomodando por aqui? Algo que prejudique seu bem estar?

Pensei em contar sobre Bella, Julian, e as coisas que soube em poucos dias por aqui. Do assassinato da jovem, da falta de empatia nessa cidade, ou sobre meus desejos que aumentaram me obrigando a me enfiar no meio da Floresta a noite atrás de um estranho.

- Não. Estou bem, apenas foi uma recaída...por causa da bebida. - Mordi o lado esquerdo dos lábios, uma dor fina, enquanto a mulher me olhava; o sermão. -

- Sabe que não pode beber, não misturou os remédios com álcool não foi? - Neguei. - Você está se descuidado demais, se continuar assim vou aumentar as dosagens, é o que quer?

- Não! Eu já fico dopada o suficiente, quero ter ao menos minha consciência instável. - Ela suspirou. -

- Para o seu bem, não se meta em nada que deixe seus nervos aflorados, que a deixe irritada. Eu vejo uma melhora em você, se quiser sair dessa tem que se esforçar e cuidar de si mesma. Sei que é difícil.

- Irei me cuidar, não se preocupe. Consegui controlar a vontade ontem, joguei as giletes fora mais cedo.

- Que bom, continue assim, logo terá sua vida de volta.

- Isso é impossível. - Indaguei seca. - Não se pode ter, o que lhe foi tirado.

- Não tiraram ela de você, sei que o quanto é difícil, mas está viva.

- Tiraram de mim tudo o que eu tinha, qual foi a vantagem em sobreviver?

- Ver o quão forte é. - Disse-me séria e sem espaço para discordância. -

*

- Hoje eu fico para almoçar com você, então trate de fazer algo gostoso que estou faminta. - O sorriso de Louise iluminou a casa. Era como se trouxesse o sol com ela todas as vezes que vinha, por isso gostava dela. -

- Vou fazer minha especialidade; macarrão com queijo. - Pisquei indo pegar os ingredientes no armário. -

- Porque não me disse que tinha um vizinho? E tão gato. - Levantei o olhar a vendo parada na parede transparente da casa. Olhei para a mesma direção vendo de quem se tratava: Julian. -

- Não é meu vizinho, é apenas um cara que mora dentro da Floresta.

- Isso não anula o fato dele ser lindo, puxa que corpo, e ainda é pescador, rústico. - Continuei focada no preparado do almoço, quebrei o macarrão jogando na água, o raspador para ralar o queijo. - Qual o nome dele?

- Julian. Prepara um delicioso bolo de cobertura de sangue como ninguém. - Louise girou seu corpo olhando-me. A boca em formato de O, os olhos arregalados. -

- Esta brincando não é? - Uma sombra de sorriso surgiu em meu rosto, voltei a atenção para as panelas a ignorando. - Pelo menos você tem uma vista agradável para observar todos os dias.

- Por um acaso falta homens onde mora?

- Não! O que falta são homens que queiram alguma coisa séria. - Sentou-se no banco de madeira apoiando os cotovelos sobre a bancada e me observou. - Está morrendo de tédio aqui não é?

- Como adivinhou? Esse lugar não tem muitas opções se não reparou.

- Precisa de uma distração para sua mente, trouxe algo. - Descendo de onde estava foi até a caixa que havia trago hoje pela manhã. Com um sorriso a colocou sobre ilha da "mesa". - Pode ser uma boa ideia recuperar alguns hábitos.

- Louise, não... - Eu não sabia o que dizer encarando aquele presente. Tocando-me seu olhar era carinhoso. -

- Vai fazer bem, gostava disso e distraia você. Pode recuperar um pouquinho de quem era, Amy, não precisa se sentir morta. - A caixa era média, sabia o que tinha ali dentro e meu coração se encheu de alegria por uma vez em meses. -

- Obrigada. Por tudo.  - Segurando em sua mão lhe disse sincera. -

- Disponha. - Piscou. - Agora preste atenção na comida ou vamos almoçar macarrão queimado.

Me afastando, mexi a massa testando se chegou ao ponto. Escorrir o macarrão, derreti o queijo, e fiz nossos pratos. Eu gostava de cozinhar, acho que já contei isso, mas sim eu gosto. É um pouco acolhedor, e agradável quando se tem alguém para apreciar o que faz; Uma boa comida, preenche a alma. Ouvi minha mãe dizer isso por anos.

Almoçamos com ela contando as novidades. Louise tinha uma vida bem agitada fora do consultório; divorciada a alguns anos, sem filhos, gosta de festas e vive nos aplicativos de namoro na Internet. Me contou que saiu com um cara, era divertido, lindo, bem de vida, mas que só queria uma noite. Louise queria uma família, alguém precisa urgentemente avisa-lá que por apps não irá encontrar o que procura. Mas, eu sempre acabo me sentindo bem quando ouço as histórias, tento sorrir às vezes, queria um pouco dessa vitalidade.

Quase 15:30 da tarde é quando Louise decide ir. A acompanho até o carro parado perto do meu. Reparo que Julian já se foi, o lago agora é um completo infinito azul com águas calmas.

- Me promete que vai se cuidar, nada de bebida e estresse.

- OK! Vou seguir as regras.

- É para o seu bem, Amy. Volto na quinta para mais uma sessão, tudo bem? - Concordo com um aceno. - Ótimo.

Entrou em seu carro, acenou para mim e partiu. A vi se afastar cada vez mais até sumir da minha vista na curva que levava para a cidade. Soltei o ar pesadamente, o vento balançando meus cabelos, abri os olhos voltando para dentro de casa.

*

Com os meses que se passaram e eu não tive nenhuma melhora em meu estado, eu passei a fazer coisas que antes eu achava inúteis. Exemplo: Arrumar a casa, ler, assistir filmes e etc. Eu odiava o hábito da leitura, detestava perder tempo vendo filmes -  é tudo mentira - e arrumar a casa, tinha quem fizesse. Isso passou a ser tornar uma forma deu não enlouquecer e ocupar a mente, que as vezes parecia uma madeira oca.

Retirei os lixos os levando para fora. Atravessando a ponte, caminhei pela estradinha de terra até onde uma caçamba ficava, não sei se o caminhão de lixo passa por essas bandas, espero que sim. Joguei os sacos dentro da caixa verde escura, e me afastei voltando para casa. O dia estava se pondo, e a noite fazia muito frio por aqui. Um barulho me fez parar, olhei ao redor vendo em silêncio, não tinha ninguém, nem uma alma viva por ali. Continuei andando e mais uma vez o barulho agora mais alto, seguido de um choro baixinho.

Voltei alguns passos querendo descobrir de onde aquele som vinha, meu coração acelerou um pouco com medo e mesmo assim segui em frente. Avistei algo no acostamento, e apressei os passos até identificar o que era: Um cachorro. Deitado no chão, um pouco machucado. Seus pelos eram caramelos, os olhos cor de mel me olhavam esperançosos e ao mesmo tempo medo, parecia ter sido maltratado e abandonado.

Olhei a minha volta procurando ajuda, ninguém, absolutamente ninguém. Ele precisava de cuidados, iria morrer se ficasse aqui. Cocei minha cabeça e sem pensar muito me abaixei para pega-lo no colo, ele gemeu de dor e então me dei conta que sua pata estava machucada. Mostrou os dentes para mim, afaguei sua cabeça para que entendesse que estava tudo bem, não iria machuca-lo. Agora eu precisava encontrar uma forma de ajudá-lo, como?

*

Bati na porta com força, várias e várias vezes. Até que a mesma foi aberta e a pessoa me olhar com cara de poucos amigos, sem simpatia como sempre, e parecia aborrecido. Seus cabelos estava bagunçados, sem camisa - Será que ele tem uma? - e as calças amarrotadas, havia o acordado. Esperava que eu dissesse o que queria, encostado na porta olhou para o animal em meus braços.

- Tem um veterinário nesse fim de mundo? Ele precisa de ajuda. Está machucado, chora de dor e não sei o que fazer. - Sua expressão suavizou. Pegou o cachorro entrando e o segui. Eu não sabia para quem mais pedi ajuda, e o Julian entendia de animais. -

- Onde o encontrou?

- No acostamento, quem faria isso com um animal? É crueldade. - Me sentei em um banco vendo ele avaliar o bichinho. A todo momento os olhos cor de mel brilhantes me olhavam e parecia não mais assustados. -

- Está com a pata quebrada, só enfaixar e cuidar direitinho que logo, logo sara. - Afagou os pelos do animal que parecia gostar da presença masculina. - O que aconteceu com sua mão? Se machucou?

Avaliei minha mão com a faixa lembrando do ocorrido no dia anterior. Era um assunto que eu não queria conversar.

- Foi um acidente doméstico. - O assunto morreu. O vi se esticar até uma caixa debaixo da cama e pegar tesoura, esparadapo e um rolo branco como se fosse tecido. -

Com todo cuidado limpou os machucado, em seguida enfaixou a pata sempre acariciando o animal que parecia relaxado em sua presença. Terminando se levantou do chão sendo seguido pelo bicho que conseguia ficar - com dificuldades - de pé.

- Vai ficar tudo bem, tudo o que é preciso é de cuidados e muito carinho. - Fez cafune na cabecinha dele que em resposta esfregou seu fucinho em sua mão. - E é uma fêmea.

- Uma mocinha, muito bonita. Só precisa de um banho. - Me ergui. Fiz um leve afago na cachorrinha de tamanho médio e fui em direção a porta, até sentir algo tocando minha perna, seguindo-me. -

- Acho que ela prefere uma presença feminina, ao invés de um caçador bronco. - Brincou com um sorriso lateral. -

- Não posso ficar com ela. Nunca criei um cachorro antes, e eu não posso cuidar, é melhor você ficar.

- Ela escolheu você, um animal sabe quando encontra alguém que vai amá-lo. - Olhando para a cadelinha que balançava o rabo, fiquei de joelhos vendo sua empolgação querendo cheira-me e lamber. -

- Você é muito danada, sabia? - Um latido. - Tem um nome? Jack? Katy? Pérola? - A cachorra não tinha nenhuma reação. Julian apenas nos observava, achando divertido. - Lois? - O rabo balançou com mais força, lambeu minha mão com mais precisão. - OK, seu nome será Lois.

- A onde arrumou esse nome? Parece que ela amou.

- É o nome de uma personagem de filme que assisti. Obrigada por ter cuidado dela, não sabia a quem mais pedi ajudar.

- Não agradeça, ela é legal. - Apontou para a cachorra. A peguei no colo, indo para a porta. - Amy! - O olhei - Acabou de salvar a vida dela.

Não disse nada, apenas fui embora sem me dá o trabalho de olhar para trás. Está na presença dele era desconfortável, para não dizer que morro de vergonha depois do ocorrido a duas noites atrás. A cachorrinha em meus braços precisava de cuidados básicos como banho, comida, carinho. Podemos começar pela comida, ela deve está morrendo de fome.

A distância da casa do Julian para a minha não era gigantesca, mas a floresta e o caminho fazia parecer que sim. O dia havia partido quando abri a porta e entrei. Um bilhete - mais um - no chão, com a mesma letra, o vermelho chamativo e um pouco borrado.

"Eu sei quem é você"

Quem me mandava essas coisas? Se fosse uma brincadeira era de péssimo gosto, estava começando a me sentir acuada em minha própria casa. Amassei o papel com força, e na penumbra da escuridão avistei um corpo, alguém estava aqui dentro, uma pessoa, eu não via o rosto. Se aproximava cada vez mais de mim, meu coração acelerou, meu corpo gelou de medo, a figura me alcançava cada vez mais, pensei em gritar, mas eu não conseguia, parecia que tudo dentro de mim havia paralisado, e quando ele me alcançou, meus olhos se arregalaram em espanto ao ver aquela imagem em minha frente...

[...]



Notas Finais


Capítulo novinho, e tentando decidir se ele foi fofo, um pouco cómico, tenso, vocês decidem amores 😊

Edit1 - Eu alertei na sinopse, também coloquei todos avisos e quero ainda sim deixar claro que a história tem gatilho. Caso não gostem de violência, sexo, e afins (não posso dizer que vai ser bem pesadooooooo, mas pretendo ao menos ser verdadeira no que passar na história).

Edit2 - Bizarro o nome da cachorra ser Lois, é Lois Lane mesmo gente. Eu tinha visto uma publicação no Facebook em um grupo do wattpad onde a menina havia encontrado um cachorrinho de rua e cuidado dele. Eu achei que seria legal para a Amy uma companhia, e a cachorrinha citada é uma homenagem a minha cachorra que também se chama Lois e eu amo muito ela. ✊❤️

Espero que estejam gostando da história, as coisas não acontecem com rapidez, mas quando acontecer vai ser difícil para nossa protagonista.

Obrigada a todos que lêem ❤️✊🦋


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