História A Música que rege meu coração - Capítulo 1


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Bertolt Hoover, Connie Springer, Eren Jaeger, Erwin Smith, Grisha Yeager, Historia Reiss, Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman, Reiner Braun, Sasha Braus
Visualizações 4
Palavras 3.793
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa fanfic me deu um trabalho dando pra fazer. Mas eu gostei do resultado, espero que gostem também *-*

Capítulo 1 - O significado de desistir


Fanfic / Fanfiction A Música que rege meu coração - Capítulo 1 - O significado de desistir

Essa fanfic foi inspirada na música Worst Day Of My Life, de Alec Benjamin.

Cambaleava em linha reta pela rua movimentada, absorto da confusão que ocorria no meio da rua por causa de uma batida recente, ou da discussão que algumas mulheres faziam em frente a uma loja de roupas.

A consciência pairava bem longe daquela realidade. E a frase de seu chefe ainda ressoava em sua mente, como um martelo, martelando seus erros e falhas.

Havia sido demitido. A razão? Quebra de contrato. Apenas porque não conseguiu se conter, quando aquele maldito repórter fez um elogio *nada sutil* para Jean, e o amigo ainda foi idiota ao ponto de retrucar na mesma altura.

Na verdade sabia que aquilo havia sido uma crítica disfarçada de elogio, e uma bem pesada. A típica estratégia de camuflar o lobo em meio aos cordeiros. E ficou até aliviado, do amigo ter lhe defendido tão intensamente daquele modo.

Sabia que suas atitudes na juventude poderiam não ser as mais inteligentes. Vender os direitos autorais de sua primeira música foi um erro, ainda mais para um cantor tão desprezível como Reiner.

E a mídia não perdoava, eles sempre lhe atacavam no mesmo ponto, remoendo o erro e pondo mais sal na ferida. Era uma questão de tempo até ele explodir, seu chefe sabia disso, era conhecido por ser impulsivo e cabeça quente.

Por isso não se conteve quando Jean levou o primeiro soco, ou quando Armin foi empurrado pelo cinegrafista. Sairá de olho roxo, com arranhões e talvez sem um dente, mas o estado de seu agressor havia ficado pior. Julgando que ele saiu da exposição em uma ambulância. E, ainda por cima, foi acusado de começar a confusão.

Não teve chance nem de se defender diante do chefe, ele apareceu em sua sala com a suposta "prova" de sua briga em mãos. Um vídeo gravado pelo maldito repórter. As frases que o repórter usava para atiçar Jean e lhe humilhar, não apareciam.

Apenas aparecia o amigo lhe defendendo, e Armin tentando se interpor na briga que começava. Com o áudio ruim, e a câmera sem foco, um sinal de montagem! Como seu chefe não via isso?

"Você não é o tipo de pessoa que queremos, você suja a imagem da nossa empresa. Está demitido." Foi a frase que seu chefe tinha usado, e conseguia capturar os resquícios de mágoa contidos nela.

Sempre adorou Erwin, ele era um excelente homem, sócio de uma gravadora de prestígio. E o único que acreditou em si quando foi acusado de plágio. Teve até vontade de ceder quando ele ofereceu sua ajuda para ser seu empresário.

Mas, para a sua infelicidade, já havia assinado contrato com Felipe. O homem mais carrancudo e mal humorado que havia conhecido.

Erwin estaria rindo dele agora, o loiro havia avisado que aquele homem não era de confiança, e a sua maldita intuição estava certa.

Quem dera tivesse lido as letras miúdas do contrato aos 16 anos. Foi vítima de um golpe muito bem elaborado, onde o direito autoral de todas as suas músicas iriam para Felipe, e uma parte do dinheiro que tinha conseguido com elas.

Erwin não poderia ajudar a manter seu emprego, não era apenas ele que estava na gerência da gravadora. E só poderia vir em seu socorro quando retornasse da viagem de negócios, daqui a quatro meses.

Não poderia mais bancar o aluguel da casa, e não sabia o que fazer. Estava faminto, não tinha tomado café da manhã naquele dia, depois de toda a correria. A cabeça latejava, e a sensação de enjoo pela falta de alimento já começava a surgir. Eclipsando seus pensamentos, e tornando suas decisões confusas.

Sentou no banco da praça, aproveitando os raios de sol naquele dia de inverno.

As noites em claro apareciam involuntariamente em sua mente, onde seu sono não vinha, deixando o espaço aberto para a criatividade correr solta. E assim no outro dia ter mais uma peça de seu trabalho pronta.

As vezes que deixava de almoçar para economizar dinheiro do ônibus. E as ligações repetitivas da mãe, quando ia para turnês, abrir shows de artistas famosos. Os sorrisos dos pais quando mostrou o vídeo de seu primeiro show, e o áudio de sua primeira música oficial.

Os dias que sua mãe quase morria de tanto trabalhar, apenas para que pudesse comprar um violão. Ou quando seu pai passava noites em claro, tentando lhe conseguir um lugar para que pudesse fazer um show.

A dor e frustração não era por ter falhado, mas sim decepcionado os pais, e feito todo seu suor e esforço terem sido em vão.

As lágrimas já apareciam, escorrendo pelo rosto, sofridas. Cintilando como diamantes em meio a neve branca, e sem cor.

Como iria encarar os pais e dizer que seu sonho havia esmorecido?

Foi acordado de seu devaneio quando sentiu o celular vibrar no bolso. Olhou a hora e se assustou, duas da tarde, não era à toa que estava faminto.

Uma mensagem de Armin, duas ligações perdidas da mãe e uma de Jean. Desligou o celular.

Não queria falar com ninguém, não queria ouvir os "sinto muito", ou as palavras de conforto e consolo. E muito menos lidar com o desespero da mãe e a culpa de Jean.

Tinha aguentado as horas de trabalho pesado no interior da fazenda. Não iria se render para o primeiro contratempo que surgia na cidade grande.

Olhou ao redor, as diversas lojas, com um fluxo de clientes imenso. As ruas lotadas de pedestres e pessoas atrasadas para o trabalho, buzinas ressoavam e tomavam todo o ambiente. O cheiro constante de fumaça fazia o nariz arder, desconfortável.

Seu corpo nascido no interior, jamais se acostumaria com os costumes peculiares da cidade grande.

Os olhos percorrem a calçada, vasculhando o interior dos restaurantes e cafés, em busca de um lugar tranquilo onde pudesse relaxar e espairecer.

Conectou os fones de ouvido. Nada melhor que música para aliviar a dor de cabeça que estava tendo, e esquecer por um momento, essa vida tão cansativa e difícil.

Entrou no primeiro café que viu, sem se importar com o slogan ou as pessoas que estavam nele.

Sentou na cadeira perto da janela, e buscou o cardápio na mesa. Observando os pingos da chuva começaram a cair, e as pessoas do lado de fora correrem desesperadas de um lado para o outro.

A cabeça balançava, acompanhando o ritmo da música, o pensamento se perdia nas letras e a imaginação voava pelos lugares que eram citados na canção.

"Eu amo música, quero ser cantor quando crescer".

A frase de quando descobriu sua vocação, ainda no ensino fundamental, apareceu repentinamente na mente. No momento que ouviu a palavra "Love" na música.

Segurou a xícara de café que a garçonete tinha colocado a pouco tempo na mesa.

Lhe partia o coração, o simplório pensamento de se afastar dos palcos, desistir de compor e abandonar a música de vez.

- Não há nada como um bom café, em um dia frio como esse não é? - Uma voz feminina ressoou do seu lado.

Deu um sobressalto, o café quase escapou de suas mãos. E se engasgou com o que já tinha bebido.

- Ah, meu Deus, me desculpe! - A garçonete deu tapinhas em suas costas, apavorada.

- Cof, tudo bem, cof, cof. - Recuperou a compostura e retirou os fones de ouvido, antes de erguer a cabeça para encarar a jovem.

Os olhos se arregalaram gradualmente, e o ar faltou aos pulmões.

A moça tinha belos olhos escuros que relembravam uma ônix negra. A pele pálida, os cabelos cortados até a altura do ombro, uma altura consideravelmente alta, um corpo coberto de curvas, e um sorriso sedutor e inocente reinava em seus lábios. Tinha uma pequena bandeja em mãos, e usava o uniforme do café.

O coração se apertava, a boca se movia sem autorização, e o nome saltava de seus lábios.

- M-Mikasa... - Sussurrou, tão baixo que apenas ele tinha ouvido.

A jovem colocou uma mecha morena para trás da orelha, e lhe encarou curiosa.

- Meu nome é Mikasa, muito prazer, qual o seu?

Se pudesse teria dito que ouviu o som do coração se quebrar no peito.

Sabia que era Mikasa, tinha a certeza! O modo como seu sorriso esbanjava carinho, e lhe cativava tão intensamente era a prova viva disso.

A mesma Mikasa com quem viveu uma vida de romance na oitava série, até o segundo ano do ensino médio. A mesma garota que havia trocado votos e declarações de amor, e a única que fazia o coração acelerar daquela maneira.

É a mesma que havia causado uma enorme cicatriz. Uma que ainda estava aberta, e dolorida. Feita pelo término brutal que tiveram, a distância, a saudade, todos se colidindo. Resumiram em um namoro mal resolvido, onde o amor ainda reinava, sublime e inabalável.

- Você é muito calado, por acaso é tímido? - Sorriu. E sentou na cadeira um pouco a frente, apoiou a cabeça nas mãos e começou a analisar o homem à sua frente.

Eren poderia dizer que estava enganado, ou mentir para si mesmo que estava imaginando coisas. Mas não estava, o coração não se enganava, nunca se enganou.

Então por que alguém que foi tão especial para ele em sua juventude, agora aparecia a sua frente, como se nada tivesse acontecido entre eles?

- Você não se lembra de mim? - Perguntou receoso.

- Hum? - A morena pendeu a cabeça para o lado, e o encarou confusa. - Desculpe, eu deveria?

- Ah. - Suspirou, e bebeu mais um gole de café, ainda mais frustrado do que estava quando entrou no estabelecimento. - Não, não deveria.

- O que o traz à Sina? Parece tão deslocado nessa cidade. - A Ackerman brincou com a colher do café, batendo incessantemente no prato onde estava a xícara.

- Mesmo? Bom... - Se ajeitou na cadeira. - Eu não sou daqui. Confesso que nunca vou me acostumar com a movimentação da cidade. Sou de Maria.

- Mesmo? - A garota se exaltou. Se apoiando na mesa e aproximando seu rosto, do rapaz. - Eu também!

- Eh? Não me diga. - Forçou um sorriso. Bebeu o restante do café.  - O que a traz aqui?

- Bom. - Voltou ao seu lugar e endireitou a saia. - Meus pais estão passando por dificuldades, então vim aqui a procura de emprego para tentar ajudar financeiramente, e... - Levantou da cadeira quando ouviu o barulho do sino da porta de entrada. - Também estou procurando alguém. - Curvou o corpo e pegou a xícara vazia, colocando ela de volta na bandeja.

- Uma pessoa em especial? - Ergueu uma sobrancelha desconfiado, e uma certa parte sua estaria até magoada. Tinha passado cinco anos, ambos agora teriam 21 anos, muitas coisas teriam mudado.

Era óbvio que Mikasa não esperaria tanto tempo por ele, e esse pensamento, pesava em seu peito. Porém, não era mais doloroso que o esquecimento dela a mercê da sua pessoa.

- Meu namorado. - Anunciou subitamente. Se despediu com uma reverência, e se foi.

Se Eren não tinha certeza que o coração havia quebrado recentemente, agora tinha a confirmação disso.

Embora pensasse que choraria, não chorou. Apenas engoliu em seco e sentiu o nó se formar na garganta, as lágrimas simplesmente não vinham. Guardadas na garganta, sufocando-o, em silêncio.

Retomou a música, colocou os fones de ouvido e voltou a observar o gotejar da chuva no vidro.

Seu pequeno minuto de paz foi encerrado pela retirada brusca dos fones.

- Veja só o que temos aqui, se não é o pequeno caça encrencas ambulante. Como vai seu dia hoje, compositor falsificado?

Este é o pior dia da minha vida.
É o pior, é o pior dia da minha vida.

- Está ótimo Reiner, tudo perfeito, algum problema? - Retrucou ríspido.

- Que bom, isso é perfeito! - Comentou irônico. - Então sabe algum que poderia melhorar o seu dia? Dá uma olhada nas notícias, elas estão quentes hoje. - O loiro pegou o celular e mostrou para ele, emanado alegria.

- Hum... Está bem. - Segurou o celular apreensivo. Deu uma longa olhada na tela, e seus olhos se arregalaram incrédulos.

A raiva já se alastrava por todo o seu corpo, em cada fibra e músculo, as mãos tremeram enraivecidas. Queria fazer Reiner seu saco de pancadas ali mesmo.

Devolveu o celular, a expressão continuava a mesma, indiferente.

- Que ótimo, parabéns.

- Sim, estou muito feliz, muito mesmo. - Enfatizou a frase, e uma expressão apática surgir em seu rosto.

- Reiner, não acredito que é você! Sou sua fã! - Exclamou uma jovem que estava sentada em uma mesa próxima a eles.

- Opa, fui descoberto. - O loiro deu de ombros, cumprimentando a jovem com um enorme sorriso.

Logo um aglomerado de pessoas se formaram ao redor dele, cada uma mais icterícia que a outra.

Ia voltar para seus fones de ouvido se uma mão não tivesse tocado seu ombro.

- Você e Reiner parecem próximos. - A garçonete mostrou uma pequena folha. - Poderia pedir o autógrafo dele para mim?

O que uma garota como ela, veria em um cara asqueroso como aquele?

- Desculpe, eu não sou tão íntimo dele. - Pegou a carteira e tirou o dinheiro, depositando na mesa. - Você teria mais sorte que eu. - Levantou e se direcionou para a saída.

Assim que os dedos tocaram a porta, sentiu algo gelado escorrer pelo cabelo, e molhar sua roupa e rosto. Virou a cabeça, descrente.

- Você é o compositor que plagiou o Reiner, não é mesmo? - Uma garota ruiva acusou. Ela tinha um copo vazio em mãos.

- Não devia fazer isso, Reiner trabalha duro e se esforça na sua arte! Você é apenas um invejoso. - Agora uma loira exclamava.

Observou as duas garotas, jovens, julgando pelas roupas, a típica filhinha de papai. Aquelas fãs que seguiam os ídolos igual cachorro sem dono, idolatrando-os como deuses, nunca errados.

Estava encharcado em um dia onde a temperatura passava dos sete graus negativos, e agora tinha que lidar com uma crise de fãs do Reiner?

Moveu o maxilar pronto para dar uma bela resposta, e mandar elas embora com o rabo entre as pernas. Mas foi surpreendido quando ambas as garotas " tomaram um banho".

- Sinto muito, mas nesse estabelecimento o silêncio deve sempre ser mantido. - A morena lançou um sorriso horripilante para ambas, antes de abrir a porta - Agora por favor queiram se retirar.

- Você estragou minha chapinha! - A loira bateu os pés, os saltos altos faziam um chiado agudo contra o piso.

- Que vergonha, não tem bons modos não? - A ruiva agora cruzava os braços.

- Eu disse agora! - Exclamou. Uma aura sombria oscilava pelo restaurante, fazendo todo o ambiente ficar tenso.

As duas garotas obedeceram de imediato, mas, sem antes lhe lançar vários olhares acusadores, e alguns até de nojo.

Lembranças, era tudo que tinha agora. As lembranças da infância, quando a amiga o protegia, o primeiro beijo, o pedido de namoro, os presentes, as madrugadas viradas apenas para ficarem conversando no celular.

Lembranças preciosas, e que ainda tinha o gosto doce marcado no coração. Agora apenas pareciam longínquas, de um passado muito distante.

E no meio daquela tempestade que estava sendo seu dia, Mikasa mesmo que não intencional, acabou sendo sua luz.

-Obrigado. - Sussurrou no ouvido da garota, vendo os pelos da nuca se arrepiarem.

- N-Não há de que. - A morena desviou o olhar em direção ao chão, vermelha.

- Sabe. - Encarou o céu nublado, tão escuro que era difícil captar os raios do sol. - Uma amiga minha costumava sempre fazer chacota da minha altura, eu era mais baixo que ela na juventude. - Bagunçou o cabelo da garota, desalinhando os fios negros. - Mas parece que eu acabei ficando maior que ela na fase adulta.

A Garota o encarou surpresa, as pernas fixas no lugar e o corpo inerte, o olhar focado nele. Como se estivesse se recuperando de um choque.

- Bem. - Coçou a nuca. - Eu vou indo. - Passou por Mikasa e foi na direção de casa.

- E-Espera! - A morena piscou os olhos, acordando de sua letargia. - Qual o seu nome....? - Encarou a rua deserta. Apenas o barulho das gotas reinava na cidade, sem cor, sem brilho, apenas cinza e fria.

A mão foi em direção ao peito, apertando o tecido do local. No coração, um sentimento nostálgico começava a se disseminar, tão quente e reconfortante, mais ao mesmo tempo melancólico. E sabia que aquela sensação, era graças ao estranho homem que havia encontrado naquela tarde, mais seria ele, um velho conhecido?

🌺🌸🌸🌺🌸🌸🌺🌸🌸🌺

Bateu a porta com força, ouvindo o ranger da madeira.

Tirou o casaco molhado e o jogou na cadeira, pegou uma toalha e começou a secar o cabelo. Foi na direção da cozinha abrindo a geladeira, nada, foi até o armário, nada. Como poderia não ter nada para comer?

Deslizou o corpo na cadeira e suspirou, estava cansando, e seu corpo suplicava por descanso. Mas se encontrava tão ansioso que não teria sono.

Segurou o celular com força, queria ligar para mãe. Mas a coragem não vinha.

O que faria agora que não podia seguir na correria de músico? Teria que arrumar uma outra paixão?

Discou o número da mãe rapidamente antes que a coragem se esvaísse.

- Alô? Mãe! - Levantou subitamente da cadeira e passou a segurar o celular com ambas as mãos, aflito.

- Querido? É você? Ó céus, como está? - A mãe perguntava afobada, transbordando preocupação.

- Bem... - Estremeceu, os soluços não puderam mais ser contidos, as lágrimas saltaram dos olhos. E diante da voz tão terna da mãe, desabou. - M-mãe, esse foi o pior dia da minha vida! Passei um inferno hoje! - Choramingou.

- Querido, acalme-se! - O tom da mulher se alterou, soando mais autoritária, enquanto os soluços do garoto roubava o lugar das palavras.

- Isso tudo foi um erro! Essa escolha! Essa paixão, eu definitivamente não nasci para ser músico! - Agora culpava a si mesmo, era miserável, quem iria negar? Perdeu tudo que levou anos para conseguir, em um único dia, tem algum pior?

Sua carreira destruída, seu nome sujado pela mídia, seu sonho arruinado, sua namorada agora iria se casar com Reiner. A garota que foi seu amor durante a juventude, nem lembrava dele e já se encontrava comprometida.

Sua música roubada, seu sonho destroçado, e o coração estilhaçado em cacos tão finos, que nem mesmo ele conseguia identificá-los, para que pudesse recolher e montar novamente.

Agora mais que tudo queria voltar para o colo da mãe, ouvir suas palavras de consolo, e esquecer os demônios que rondavam os arredores.

Esquecer as responsabilidades e dificuldades da vida adulta, e voltar a ser criança, onde sua única preocupação era qual brincadeira faria no dia.

- Eren Jeager! - A voz soou fria, diferente do habitual. - Meu filho, pare de chorar agora mesmo! E claro que não iria desistir, ou pensa que as noites que eu e seu pai passamos em claro serão em vão?

Eren logo sentiu o peso da culpa recair em seus ombros, como a mãe poderia ser tão baixa? E atingir logo em um ponto fraco?

- Você é um excelente músico! Compositor incrível, coloca alma e coração em suas músicas. Faz seu trabalho com paixão, tem uma voz maravilhosa! Não vai desistir apenas porque um mero vigarista te passou para trás, ou porque um cantor invejoso usou golpes baixos! Erga a cabeça meu filho! Lute por tudo que conquistou. E jamais, jamais abaixei a cabeça para ninguém, jamais desista do que é seu por direito! Enquanto outros passaram por cima de muitos para chegar onde estão, você foi verdadeiro, e honrado. Não pagou para ter sua carreira, conquistou ela! - Anunciava orgulhosa. E Eren não pode evitar que um sorriso surgisse em seus lábios.

- Obrigado mamãe.

- Me agradeça me dando boas notícias amanhã de manhã!

- Eu.... Poderia passar algum tempo na sua casa? Terei problemas com o aluguel se ficar aqui. - O silêncio do outro lado da linha fazia sua ansiedade aumentar, o ar escapou pelos lábios em forma de um suspiro no momento que ouviu a voz do pai do outro lado da linha.

- Alô? Eren?- A voz do pai soava arrastada.

- Alô, pai. - Sentiu a tensão se formar entre os músculos, e o som da respiração sendo puxada com força do outro lado da linha, aumentava a preocupação que já tinha.

- Meu velho, o que faz em pé? Lembre do que o médico falou, você não pode passar por estresse ou fazer força. - Conseguia ouvir a voz fina da mãe e sua tentativa de tomar o celular da mão de seu parceiro.

- Hora pare com isso Carla, eu estou doente, não caduco!

Abafou a risada que viria, e ouviu a discussão dos pais em silêncio.

- Eren? Alô, ainda ta aí? - A voz parecia longe, e quase não dava para ouvir-la.

- Seu velho idiota, está segurando o celular ao contrário. - A mãe ralhou.

- Pare de me chamar de velho Carla! Alô, Eren?

- Alô, pai.

- Diga-me, meu garoto, que história é essa de que você levou um golpe?

Eren massageou a têmpora e jogou o cabelo para trás, pedindo silenciosamente por paciência, para poder aturar a futura bronca do pai.

- Na minha época não tinha essa coisa de gente enganando gente pra conseguir dinheiro não, todos se respeitavam e possuíam amadurecimento. Além de que as pessoas não eram tão idiotas como você para - O celular foi tomado de suas mãos.

- Já chega querido, Eren teve um dia cheio, não precisa de um puxão de orelha agora. O que está feito, está feito, certo?

- Obrigado mãe. - Nunca amou tanto a mãe naquele momento. Ela tinha o poupado de mais uma dor de cabeça.

- Sobre sua volta, não tem nenhum problema, seu quarto ainda está do jeito que deixou.

- Obrigado, mamãe. - Sorriu para o celular e ouviu a mãe rir do outro lado da linha.

A chamada foi interrompida por uma dúzias de mensagens do melhor amigo, algumas até mesmo contendo uma boa dose de desespero.

- Mãe, eu preciso desligar agora, mais tarde eu ligo.

- Está bem filho, tenha um bom dia, e fique bem.

Desligou a chamada e clicou nas mensagens de Armin. Algumas perguntavam como ele estava, outras o porquê estava sumido, e muitas de desculpas.

Sabia que Armin se sentiria culpado quando descobrisse que foi despedido, por isso queria contar pessoalmente, mas infelizmente o namorado do loiro havia estragado seus planos. Foi ideia de Armin levar Jean para a exposição, e Eren sabia que iria dar ruim, mas o amigo nunca escutava ele.

Respondeu de imediato sem pensar muito, com um simples e reles tudo bem.

A resposta do amigo não demorou para chegar. Ele lhe enviou um áudio de 12 minutos.

Pulou algumas partes do áudio desnecessárias, onde o amigo pedia desculpas e falava sobre a atitude do namorado, até que chegou em uma parte que chamou sua atenção.

Uma pequena reunião de classe para, como o loiro havia dito, "matar a saudade".

Averiguou se não deveria ir, e chegou à conclusão que precisava de um pouco de diversão naquele dia. Rever os velhos companheiros de sala e ver em que se tornaram seria ótimo.



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