História A N I M A L S (mitw) - Capítulo 12


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Categorias TazerCraft
Tags D4rkmorgs, Misticismo, Mitw, Reencarnação, Romance, Tazercraft, Vampirismo
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Palavras 2.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - Lendas


capítulo 12

Lendas

A consciência de Tarik voltava aos poucos, mas hesitou em abrir os olhos ou se mover. Após alguns segundos ciente de que estava vivo, forçou as pálpebras já avistando a assombração há alguns metros de si, distraído enquanto lia um livro e bebia algo de uma xícara de chá vitoriana.

Mikhael estava sentado em uma poltrona, ao lado, uma cômoda com um simples abajur empoeirado, tal como todo o quarto. A cama era grande e alta, com quatro postes e dossel de cortina cinza escuro. Lençóis da cor preta, e as paredes não eram de uma cor diferente. Tarik sentia-se em um cenário de um livro que ilustrava alguns séculos passados, e a decoração vitoriana retratava perfeitamente isto. Era um clássico. Teias de aranha no alto, oh, que agonia!

— Mmm… — gemeu mesmo contra sua vontade, virando-se na cama, de barriga para cima. Alguns raios de sol invadiam a janela que iluminava onde o Drácula estava assentado, este ergueu o rosto, fitando o homem que acabara de acordar.

— Ah, você está vivo. — Brincou. Linnyker soltou o livro velho, assim como a xícara, e se levantou, dando passos calmos até Pac, colocando a mão na testa dele — Você desmaiou, acho que o baque do susto não te fez bem. Você nunca tinha se sentido mal nos vôos que fazíamos juntos. — sentou-se na borda do colchão, ainda com os olhos nos do outro. Após ter certeza de que não tinha febre, tirou sua mão dali.

— O que você fez comigo? — disse tentando se sentar na cama — Você não abusou de mim enquanto eu dormia, né? — seu olhar avaliador fez Mikhael rir.

— Eu nunca te tocaria sem teu consentimento, Pac. Você saberia disso se lembrasse de tudo. — suspirou triste. Gostaria de que seu namorado se recordasse de tudo o que passaram. Mas se ele lembrasse, talvez o odiasse por ter sido queimado na fogueira por culpa de Mikhael. Ele era o culpado de tudo. E era culpado também do amor.

— Posso tocar nas suas asas? Me recuso acreditar que elas são reais. — pediu de forma educada, fitando as mesmas. Mike estranhou o jeito impassível de Pacagnan, acreditou que este acordaria gritando e querendo lhe matar.

— Claro.

Link virou-se de costas, ainda encarando o mais novo — literalmente mais novo — por cima de seu ombro. Tarik encarou aquilo com certa fascinação, apesar da confusão que se fazia em sua cabeça. Seus dedos cuidadosamente se ergueram e tocaram a asa direita do vampiro, deslizando pela superfície.

— Então, você é um vampiro de verdade? — afastou seu toque, olhando nos olhos de Mikhael — Sabe… Aquele vôo me pareceu real.

— E ele foi. — virou-se totalmente para Pac — Escuta… Eu sei que te assustei muito no início. Já esperava que você não fosse receber a ideia de braços abertos, mas saiba que para todas as suas perguntas, eu tenho as respostas. — a mão de Mike dirigiu-se ao pescoço à mostra de Pac, já que ele tinha retirado todos os casacos extras e o deixado apenas com a camisa do pijama que ele usava na noite anterior — Eu tenho certeza que você tem dúvidas sobre essas marcas de perfurações em você.

— S-sim. — assentiu, incentivando Mikhael a ir direto ao ponto. O Drácula apenas abre um pouco a boca, apontando para suas presas — Você me mordeu na minha vida passada? — franziu o cenho — Nos meus dois pulsos, nas mãos, e nos dois lados do meu pescoço?

— Você era minha bolsa de sangue quando não podíamos ir caçar. E você adorava me deixar te sugar. Dizia que gostava da sensação de fraqueza e sono que vinha depois, você dormia rapidinho. — sorriu, e Pac percebeu que havia resquícios de algo vermelho em seus lábios e dentes.

— Você me mordeu? — Pacagnan passou ambas mãos em seu pescoço, procurando por buracos.

— Oh, não, eu estava bebendo sangue de um cervo que cacei durante a madrugada, enquanto dormias aqui. — explicou apontando para a xícara sobre a cômoda, passando a manga de seu moletom preto pelos beiços, envergonhado.

Tarik percebeu que ele já usava roupas normais, diferente da noite passada, onde ele parecia ter saído de uma ilustração caótica de um vampiro. Pac se levantou ainda fraco, caminhando até a xícara e checando o conteúdo. Era sangue, não precisou olhar muito para constatar.

— Você estoca sangue? Igual o Drácula do meu livro?

— Não conheço o Drácula do seu livro. Talvez você devesse me dar para ler, e eu te diria tudo o que temos em comum. — o morcego levantou-se, escondendo as asas, e as presas.

Tarik viu os olhos de Mikhael voltarem ao normal e a pele ganhar cor, fazendo as veias escuras desmarcarem de seu rosto, e suas unhas também perderam a imagem negra e afiada de garras.

— Você consegue controlar sua forma de vampiro? — questionou arqueando a sobrancelha. Seu peito estava disparado, não sabia dizer se era por medo, ou por agitação de um dos seus seres místicos favoritos realmente existirem. Não estava louco. Viu Mikhael se transformar em sua frente.

— Demorei muito tempo para evoluir a ponto de conseguir manter minha forma anterior de me tornar vampiro adulto. Você infelizmente não se recorda, mas quando namorávamos, eu tinha problemas de auto-estima por causa da aparência mortificada. Só parei de me importar tanto porque você dizia que nada mudaria o que sentia por mim, e que eu era bonito naturalmente, de uma forma ou de outra. — resolveu ocultar a parte em que Pac tinha um fetiche em Mike por ser um vampiro, aquele não era momento para comentários mais íntimos.

— Olha… — Tarik bufou, passando as mãos pelo rosto, não sabia como sair daquela situação desconfortável — Eu preciso ir embora. Eu realmente preciso ir. Minha família e a minha namorada devem estar preocupados com meu sumiço. — a expressão de Linnyker morre instantaneamente, enquanto mirava o olhar de desinteresse de Tarik. Ele parecia indiferente com tudo.

— N-namorada? — perguntou com a voz falha.

— É, Mikhael. — assentiu — Me dê meus casacos, eu preciso sair logo daqui. — olhou ao seu redor de forma negativa, como se não aprovasse nada que vinha do vampiro.

— Eu devia saber que você não ia ser o mesmo Pac de antes. — andou até a cômoda, pegando seus óculos e caminhou até o porta-casacos perto da porta do quarto, tirando dali dois moletons e o casaco longo de Tarik — Estão aqui. — estendeu após falar em um tom frio.

Pacagnan percebeu que já não era mais bem-vindo e deu graças a Deus mentalmente. Não queria ficar perto daquele maluco nenhum minuto a mais. Agora, assumia que seu sentimento era de medo. Nem de curiosidade, nem de surpresa. Era só medo, e ele queria se livrar de tudo aquilo o mais rápido possível.

— Como volto pra casa? — perguntou vestindo seus casacos.

— Seu carro está há uma hora e meia de caminhada daqui. — sua voz soou dolorida, mas o vampiro parecia ainda querer manter sua postura firme.

— Ei, você me trouxe contra minha vontade! — Tarik expressou raiva — Por que não me leva de volta onde me pegou?

— Você vai desmaiar de novo se eu voar com você até a praça. Além do mais, está dia. Eu não saio de Drácula por aí. Não quero que as desgraças daquela época voltem a se repetir. E mantenha seu conhecimento sobre mim em segredo, ou eu terei que sugar seu espírito vital e te fazer perder a memória. — Mike acaba expressando um misto de mágoa e raiva em seu tom de voz.

Tarik bufa, abrindo a porta dupla de madeira pesada e fechando-a na mesma intensidade. O som estrondoso é ouvido pela batida, mas o rapaz não dá a mínima, caminhando até as escadas no fundo do enorme corredor. Não sabia onde estava, ou de como sair daquele casarão, apenas estava com pressa.

No entanto, não deixava de notar a decoração antiga do local, e de como deve ter sido reformado poucas vezes, isso se alguma vez foi. Desceu inúmeros degraus, dando em outro corredor, e outro, e outro, até descer em um que também o levava há vários locais. Precisaria escolher. Olhando para sua direita, uma entrada para uma grande cozinha, e ao lado, outra entrada para uma grande sala de jantar. Móveis velhos, não deviam ser limpados há anos.

Olhando para sua frente, várias outras entradas no longo corredor, e à sua direita, uma grande sala de estar, com outra escadaria mais ao fundo que subia de novo. Deu alguns passos adiante, bisbilhotando as portas adiante.

Teve a visão perturbadora de um grande salão, dois tronos reais ao fundo e ao centro do local, um caixão de madeira escura sobre uma base como uma mesa, onde seus pés deviam ter apenas 15 centímetros, não mais que isso. Sua tampa estava aberta, deixando aparente os tecidos vermelhos escuros, e um travesseiro fino da mesma cor. Pac se arrepiou, virando-se e desistindo de sua exploração.

Andou para a sala em passos apressados. Mirou uma escultura que era conectada à parede, ao alto da porta dupla de metros de altura e largura. Era de um quadrúpede, lembrava um lobo, mas estava sem pele, e se pudesse, estaria rugindo com sua boca aberta e dentes afiados à mostra. Tinha asas de morcego, e estava sentado sobre uma pedra, talvez.

Pacagnan segurou firme na maçaneta da porta, puxando e falhando em abrir. Tentou com violência, fazendo bastante barulho, não se importando se o Drácula iria se incomodar.

— Engraçado — quase saltou ao ouvir a voz de Mike atrás de si, e se virou bruscamente para encarar o outro —, naquela época, você era melhor em abrir essa porta do que eu. — levantou o dedo médio e indicador, movimentando a mão e fazendo ambas as portas se abrirem totalmente — Feliz Natal, Tarik. — disse simplista, juntando as duas mãos atrás de seu corpo — Se te é de ajuda, basta seguir a estrada larga de terra em linha reta. — piscou, ainda de forma fria.

Pac resolveu não lhe responder, e seguiu andando para fora do local. Só então se deu conta de que era um palácio no alto de uma colina. Correu até os portões enferrujados, puxando um dos lados e saindo de vez do palácio do vampiro. Olhou para o horizonte, e bufou irritado. Conseguia ver a cidade de longe, e sabia que seria uma longa caminhada.

— Tarik, onde você estava? — Beatriz correu ao encontro do namorado, se jogando em seus braços e o apertando forte. Pac segurou firme as chaves de seu carro em sua mão, aliviado por ter finalmente chegado em casa.

Andou muito até chegar à cidade, pelo caminho indicado pelo Drácula, e por seguinte, na praça, onde seu carro estava estacionado. Deu graças aos céus por não ter sido roubado ou algo do gênero.

— Eu acabei dormindo no carro e perdi totalmente a hora e noção de tudo. — justificou falsamente, se separando do abraço, fitando seus pais aliviados ao seu redor — Saí para terminar meu livro e peguei no sono, perdão.

— Eu suspeitei que teria sido algo assim, mas querido, nunca mais faça de novo. Essa cidade é muito perigosa à noite. — Hellen diz acariciando as costas do filho.

— Eu li algumas notícias, e há moradores que acreditam na existência de vampiros na redondeza. — Beatriz dizia, ajudando Pacagnan a tirar seu casaco — Muitos animais das fazendas aparecem com marcas.

— São apenas histórias que mantém a reputação da cidade, querida. — Hellen alivia a tensão da moça, acariciando suas costas — Não há nada para se preocupar nesse sentido.

Tarik permanece calado, retirando os tênis e suspirando em seguida.

— Vou subir para um banho. — olhou para sua mãe — Pode me preparar algo para comer, fazendo o favor, mãe? Sinto que vou desmaiar de fraqueza a qualquer momento.

— Claro. — sorriu, observando seu filho correr escadas acima.

— Eu te ajudo. — Bea diz sorridente, seguindo com Hellen na direção da cozinha.

Lúcio permanece encarando os degraus por onde seu filho passou segundos atrás, absorto entre ideias. Balança a cabeça, indo para a sala.

Tarik acariciava as marcas supostamente feitas por Mikhael em seu pescoço. Não conseguia acreditar em tudo aquilo. Desde pequeno, seu pai lhe incentivava à crer nos seres ocultos, em magia, em feitiços, e depois de adulto, já com 22 anos, se tornava difícil manter-se naquilo. No entanto, Linnyker tinha lhe trazido todas as histórias de seu pai à tona.

Mas, seu medo não o deixava tentar ter contato com o Drácula. E se ele o atacasse? Primeiro que, devia ser mentira todo o papo de sua vida passada. Tarik nem tinha como optar por acreditar em seres ocultos, já que eles simplesmente existiam e não havia como questionar, mas ainda não acreditava em reencarnação.

Suspirou, fitando a janela de seu quarto. Ele tinha ferido os sentimentos do vampiro, e sabia, pois havia feito de propósito para o outro se afastar.

Dali, conseguia ver uma sombra no alto de uma colina. O castelo de Mikhael. As pessoas não tentavam invadir o local? Explorar a velha construção? Link devia morar realmente há milhares de anos lá.

Talvez ele teve um antigo amor muito parecido com Pac, e por isto tanta agitação de sua parte. Todavia, ele sabia de detalhes particulares de Tarik, como de suas cicatrizes inexplicadas. E disse ter respostas para qualquer dúvida do mais novo. Poderia ser bobagem, mas tudo coincidia de forma azucrinante e específica. Não dava para ser obra do acaso.

— Pac… — Beatriz murmura entrando no quarto, desviando a atenção do mais velho para si — Você não conversou durante o dia todo, e está trancado no seu quarto faz um bom tempo. O que aconteceu?

— Nada demais, amor. — forçou um sorriso, andando até a jovem e a abraçando, acariciando os cachos de seus cabelos longos e beijando sua testa — Eu só estou tendo ideias já para um próximo livro.

— Oh não, nem pensar. Você me prometeu que tiraria umas férias de escrever para focar em férias e outras coisas. — protesta, olhando para Tarik — Lembra que iríamos passar umas duas semanas no Havaí?

— Não sei se é uma boa ideia, ainda não temos dinheiro o suficiente guardado. — tenta procurar alguma desculpa, mas ela percebe.

— Mas vamos ter quando publicar sua história sobre o infortunado Drácula. — sorriu doce, dando um beijinho no queixo de Pac — Eu sei que as coisas estão difíceis entre a gente, Tarik. — disse ficando mais séria e se afastando — Há muito tempo não há mais o aquilo que tínhamos no início. Você nem ao menos me toca mais direito, e isso é tão cansativo e monótono! Eu estive esperando pelas suas férias por muito tempo, Pac. Eu não quero que tudo isso se embole e continue nessa rotina desgastante.

— Monótono? Eu quase não te toco? — franze o cenho, se aproximando com um olhar divertido.

— Tarik… — Bea revira os olhos, com um sorriso envergonhado no rosto.

— U-hum. — Pac nega, balançando a cabeça negativamente, empurrando a moça contra a cama e observando ela cair — Vamos ver se você vai ter coragem de me repetir isso depois… — engatinhou sobre o colchão, beijando a namorada.

— Seus pais estão no andar debaixo, agora definitivamente não é o momento, Pac. — segurou nos ombros de Pacagnan, tentando afastá-lo.

— Você feriu meu orgulho praticamente insultando minhas táticas românticas e sensuais.

— Você não é nada sensual e romântico. — afirmou, afastando Pac de vez, que fica de joelhos — Não faremos nada aqui. Tire suas férias.

Ela se levanta, saindo do quarto em seguida. Não parecia zangada, parecia magoada e tímida sobre as intenções de Tarik, contudo, ao mais velho, aquilo só lhe serviu para mostrar que aquela relação estava perdida. O que ocorria, é que ele não tinha mais ânimo para seguir em frente, e estava puxando um relacionamento com Beatriz nas costas apenas para não desperdiçar o quão boa ela era para ele.

Não havia mais amor, paixão, ou atração. Eram apenas duas pessoas forçadas a agirem como namorados. Estava decidido a terminar com ela depois do feriado do Natal.



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