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História A nerd e o popular - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Capitulo 10


||Akin||

Eu tinha de fato esquecido que ia para o projeto hoje e sim o perfume do Callum atacou minha rinite, mas eu também queria que eles ficassem sozinhos. Eu senti que estava rolando um clima entre eles e se eu fosse embora com eles nada iria acontecer. Assim que passei pela entrada do projeto avistei minha mãe e fui em sua direção.

- Oi mãe. – Deixei um beijo em sua bochecha.

- Oi meu filho.

- Tem gente cheia da grana aqui hoje – Dona Neide uma senhora que é moradora daqui falou.

- Onde eles estão? Não vi ninguém diferente por aqui.

- Saíram para tirar umas fotos por aí. Sabe como esse pessoal é quando veem aqui querem tirar foto de tudo e com todo mundo que encontram na rua. – Assenti eu sabia que era exatamente assim que eles faziam. Murmurei um “já volto” e fui em direção ao Gustavo um garoto que mora algumas ruas acima do lugar onde ficava o projeto. Ele estava sentado em frente a um dos computadores todo de branco como sempre ele ficava nas sextas, puxei uma das cadeiras que estavam ali e me sentei ao seu lado.

- Oi carinha.

- Fala Akin. – Gustavo é um menino negro e bem magrinho a alguns meses ele viu as fotos que um garoto famosinho no Instagram e resolveu que queria deixar o Black crescer a mãe dele ainda era contra, mas não o fez cortar o cabelo nesse momento o cabelo dele já tinha crescido uns três dedos desde quando ele resolveu que queria ter o cabelo grande.

- Teu cabelo está enorme.

- Está né? – Pela primeira vez desde que eu cheguei aqui ele olhou na minha direção, seu olhar parecia animado ele adorava quando elogiávamos seu cabelo. – Ele está crescendo rápido né, eu estou fazendo o cronograma direitinho.

- Estou vendo seu cabelo está bem hidratado. O que você está fazendo?

- Eu estou tentando achar um emprego no jovem aprendiz.

- Você não estava trabalhando no mercadinho?

- Estava, mas o seu Claudio me demitiu logo depois do meu aniversário e agora que eu já tenho idade to tentando achar um outro emprego.

- E os seus estudos?

- Eu to estudando para passar em algum concurso público para fazer o ensino médio em um lugar melhor.

- Você quer ajuda?

- Eu vou fazer o cursinho do projeto, mas eu não tenho material.

- Eu posso te arranjar uns livros você quer?

- É claro, eu ia adorar.

- Cadê seu par de jarro? – Gabriela é a irmã gêmea do Gustavo, os dois vivem juntos onde você vê um lá está o outro.

- Saiu com a minha mãe, minha mãe quer fazer uma festa de 15 anos para ela então elas foram no centro olhar algumas coisas, eu sei que pode parecer meio idiota gastar toda essa grana com uma festa, mas a minha mãe quer muito fazer a minha irmã passou a anos em um concurso eu tenho certeza que ela vai conseguir entrar em uma universidade.

- Você também vai conseguir entrar vamos nós dois vamos ser os primeiros da família a ter um diploma da graduação. – Gabriela já chegou soltando sorrisos e se jogando em cima do seu irmão, seus cabelos cheios e cacheados estavam presos em um rabo de cavalo e como seu irmão ela também estava de branco, mas ela carregava uma guia em seu pescoço.

- Você é a inteligente da dupla. – Ambos falaram juntos, mas Gabriela falava em um tom de deboche, Akin torceu o rosto para irmã.

- Akin. – Gabriela gritou ignorando a careta do irmão e se jogou em cima de mim também me dando um forte abraço. – Eu estava com tantas saudades de você.

- Eu também estava com saudades sua Gabi. – Gabriela se sentou no meu colo e ali ficou. Eu tenho um carinho muito grande por esses dois, desde o dia que conhecemos eu criei um laço muito forte com eles hoje eu os vejo como se fossem irmãos de outra mãe.

- Quem é aquela menina ali? – Discretamente Gabi apontou na direção a uma garota que estava próximo a porta eu a reconheci no mesmo instante sendo sincero era bem difícil não reconhecer ela se destacava.

- Eu a conheço, ela estuda comigo nós estamos fazendo um trabalho em dupla.

- Só trabalho? – Gabriela falou de forma sugestiva.

- Gabi você sabe que eu não gosto desse tipo de brincadeira. – Repreendi a mais nova. Ela soltou um sorriso se desculpando. Não sei se a Amara ouviu minha voz ou se foi o acaso, mas Amara se virou na nossa direção nesse instante, ela sorriu ao olhar para a gente e caminhou na nossa direção.

- Oi! – Amara falou parando do meu lado.

- Oi! – respondeu Gabriela toda tímida e ela se encolheu em meu colo. Gabriela geralmente é muito espontânea e sorridente desde que esteja na sua área de conforto conhecer outras pessoas não fazia parte da sua área de conforto.

- Eai, nunca te vi por aqui é nova? Ou você nunca as sextas? Ou será que fui eu que nunca te vi? Não, não. Eu teria me lembrado, você é bem bonita não teria passado despercebida. Ou será que passou, você sempre esteve aqui e eu nunca te vi, foi isso?

- Não, eu nunca estive aqui. – Respondeu rindo, eu devo confessar que adorei o som de sua risada. Eu nunca fui uma pessoa que repara em risadas, mas a dela é aquelas que te contagia e que te faz querer fazer a pessoa rir mais só para poder aquele som mais uma vez. – Meus pais vieram aqui para... enfim e eu vim com eles para ajudar no projeto. – Ela ficou meio sem graça em falar dos seus pais, mas eu não achei que fosse nada demais.

- Suas tranças são tão bonitas. – Gabriela falou baixinho, mas alto o suficiente para a Amara ouvir.

- Eu não sei fazer igual a essa daqui. Me desculpa, mas se você eu posso fazer outra.

- Não precisa, eu sei fazer outras tranças, mas obrigada. – Gabriela se levantou do meu colo e foi em direção a mesa onde sua mãe estava montando as cestas básicas. Ficou obvio que a Gabriela ficou triste, Gustavo olhou para a irmã, para o computador, para a irmã e novamente para o computador, ele soltou um suspiro frustrado e se levantou indo atrás da irmã. Eu sabia que ele tinha sua irmã como prioridade, mas achar um emprego o quanto antes para a família dele era algo fundamental, por isso me sentei na cara cadeira que ele estava e continuei a pesquisa que ele antes fazia.

- Ela ficou chateada comigo? – Olhei na direção da Amara e ela me parecia apreensiva.

- Não! Não mesmo, ela só quer muito fazer essas tranças, mas como você deve saber não é tão barato e a mãe não tem como pagar.

- Nossa que triste, eu não sabia. – Ouvimos um barulho muito alto e quando me virei para ver vi que uma pilha de latas tinha caído no chão.

- Já não me bastava aquele garoto, agora isso. – Seu Clemente dono de uma padaria que tem aqui falou, sua cesta de pão havia ido ao chão, porem somente dois ou três tinham caídos da cesta. Seu Clemente é conhecido por ser reclamão, todo vez que eu me encontro com ele ouço reclamações. Algumas das pessoas que estavam pelo salão se levantaram para ajudar a recolher o conteúdo que estava no chão.

- Clemente se esse seu corpo gordo tiver amassado uma das minhas latas eu vou te bater homem. – Dona Neide, que também é esposa do seu Clemente gritou da mesa onde estava.

- Que isso minha Neide, pra que toda essa agressão. Essas latas apareceram no meu caminho. – Seu Clemente é reclamão de tudo e com tudo, menos com sua esposa nem parece que ele é o mesmo homem quando está falando com ela. – Você não sabe o que me aconteceu hoje, você acredita que aquele garoto deixou uma fornada de pão queimar? Uma fornada inteira Neide. Onde já se viu? Tenho certeza que ele ficou conversando com algum rabo de saia pelo celular e esqueceu dos pães. Meus pães Neide.

- Quantas fornadas de pães nós não já deixamos queimar para nos engalfinharmos por aí.

- Você ficava me distraindo, a culpa era sua. Ele bem que tinha que ser seu filho mesmo.

- Meu filho? Só meu? Ta achando que ele é filho de quem? Do padeiro?

- Exatamente! Esse filho de um padeiro. Se não me bastasse seu filho queimando meus pães ainda me parece um homem de terno e uma moça toda grã-fina na padaria fazendo vídeo de tudo, chegou querendo filmar cara da Dona Maria se convidou para casa dela. Ela já chegou falando vou fazer uma adoção pro projeto da rua 3 e queria mostrar um pouco da vida de quem vive aqui. – Seu Clemente afinou a voz para fazer a voz da tal mulher.

- Eu não gosto dessas grã-fina que vem aqui por causa disso, você acha que o Dona Maria ia negar? Ainda mais falando do projeto, como é que nega algo assim? O pessoal já morre de medo de negar algo pro patrão e ser demitido, aí vai negar algo pra dondoca que tá dando coisa de graça. – Solange uma moradora falou.

Amara se encolheu com a fala da Solange, eu não sabia se devia fazer algo ou não, quer dizer ela parecia bastante desconfortável, mas eu sou a pessoa certa para tentar lhe trazer algum conforto? Por que eu seria a pessoa ideal para isso? Talvez dentre todas as pessoas que tinham aqui ela só me conhecia, pelo menos é o que eu acho. E se for algo pessoal que ela não quer conversar sobre? Mas prestar apoio não é invadir seu espaço pessoal, ou é? Droga! Em um gesto de impulso peguei em sua mão.

- Você tá bem? – Ela fez um gesto que eu não sabia muito bem dizer o que queria dizer. Que droga eu sabia que não deveria ter perguntado, quem sou eu para achar que ela ia querer falar comigo? Ela deve ter tantos amigos muito mais legais e inteligentes do que então por que ela querer falar sobre algo que a incomoda. Não é só porque eu sou um idiota que fala coisas que eu nunca conto a ninguém no primeiro dia que passamos juntos que ela vai querer fazer o mesmo.

- Onde tem água? – No meio do meu surto mental, eu ouço sua voz chamando minha atenção e pela primeira vez eu noto que antes era só minha mão que segurava a sua agora a sua mão aperta a minha de volta.

- Eu busco pra você. – Soltei sua mão e me levantei. Os mais velhos já tinham mudado de assunto agora eles estavam brincando com a reclamações do seu Clemente e o cara nele nesse é impagável.

- Eu posso ir com você? É que eu não quero ficar aqui sozinha.

- É claro. – Fomos até a cozinha passando despercebidos por todos, não que estivesse tentando esconder de alguém, digo de todos menos da Gabriela ela tem esses olhos que tudo veem e nem preciso dizer que ela deu um sorrisinho, ela tem essa mania de querer me juntar com qualquer pessoa que ela me vê perto. Enquanto Amara bebia a agua seu celular vibrou em seu bolso, ela o tirou e viu a notificação que tinha nele.

- Eu tenho que ir. – Falou e eu assenti a acompanhando para o lado de fora. - Me desculpa te tirar do meio dos seus amigos. Eu não queria causar transtorno, eu não sabia que isso causava algum transtorno para vocês. Me desculpa e peça desculpa a eles por mim. E diz para aquela menina que mandei um tchau.

Eu não entendia o que ela falava, por que eu tinha que desculpar ela e por que eu tinha que pedir desculpas para alguém. Para a Gabriela talvez? Eu não achava que ela devia alguma desculpa para a Gabi, ela não fez nada de errado. Eu não entendi sobre o que ela estava falando até pararmos na frente de um carro preto enorme, ela me dá um abraço rápido e entrar rapidamente no carro olhando para o chão.

Nesse momento eu entendi do que ela falava, ela estava se desculpando pelo seus pais, se desculpando por eles invadir as casas dos moradores do daqui, por eles gravarem todo os moradores como se isso fosse um direito deles. Eu entendi que não foi culpa dela, mas ainda assim eu senti meu coração ficar mais pesado.


Notas Finais


Boa madrugada meu povo, sem muita notas hoje só vim pedir o de sempre.

Não lembram qual o de sempre?

Pois eu digo, curte, comenta, favoritem e se vocês gostarem me divulguem por aí.


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