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História A Nossa Canção - Capítulo 4


Escrita por: llostgirl e llostgirl2

Capítulo 4 - Blank Space


Capítulo quatro: Blank Space

Musa Kimura | 🎶


— Deveria ir para o acampamento de verão, é sério! — Stella insistiu pela milésima vez. Apenas rolei na cama, tentando dormir por mais alguns minutos enquanto ela estava tão inquieta quanto uma criança. 

O dia mal havia amanhecido, mas eu tinha feito grandes avanços: havia decidido o que fazer em relação a Riven, isso graças ao fato de eu negar as chamadas de Sky oito vezes e não responder nenhuma das mensagens que o loiro me mandou.

— Já disse que não! — Rebati, virando-me para ela.

Sentei sobre a cama, analisando os movimentos da loira que não havia se dado por vencida. Eu já não iria naquela porcaria antes, agora com as músicas por aí que não iria mesmo.

— Qual é? Que o Brandon não me ouça dizendo isso, mas lá tem tantos gatinhos de Linphea!

— Vai dormir, vai Ste! — Sugeri, a vendo negar.

Stella estava certa de que aquilo era o melhor para mim. E eu estava certa que seria a pior decisão da minha vida. Quando acompanhei seus olhos que remetiam ao o mel, o vi pousar sobre o quadro da minha mãe. A encarei, tentando supor o que iria fazer. 

— Sabe que ela vai amar ver você lá de cima, se divertindo. 

— Dá para não falar da minha mãe como se ela estivesse viva? — Perguntei, desviando o olhar.

Vi Stella encolher o corpo, sem saber o que dizer. Eu conhecia minha irmã. Conhecia cada parte dela. Conhecia cada gesto, e esse era claramente arrependimento. Mas como ela, me senti culpada pela forma que reagi. Ainda assim, apenas deitei novamente.

— Me desculpa, eu não queria… — Sua voz falhou ao ver o próprio celular tocar. A loira suspirou, desligando o aparelho. Fechou os olhos, respirando fundo.

Sentei novamente, tentando compreender o porquê daquilo. Encarei o telefone, logo voltando o olhar para a minha irmã mais velha.

— O que foi? — Indaguei, indicando o celular. Eu havia conseguido ver a foto do contato, sabia exatamente quem era: sua mãe. No entanto, preferi fingir que não fazia ideia do que poderia ser. 

— Era minha mãe… — Stella disse. Sua voz havia perdido totalmente o ânimo e eu tinha certeza que não era pela minha resposta mal dada. — Ela anda impossível ultimamente.

— Por quê?

— Nada de importante.

Eu jurei ter visto lágrimas se acumularem em seus olhos, mas ela piscou inúmeras vezes, até dispensá-las sem ter que deixar uma gota sequer escorrer. Ela deu ombros e logo pude notar que não estava a fim de falar sobre aquilo. Stella levantou, forçando seu sorriso mais brilhante enquanto caminhava até minha penteadeira.

— Me empresta aquele bracelete?

— Stella, está tudo bem, mesmo? — Perguntei, mas sua resposta demorou para vir.

— É claro que está! — Respondeu, abrindo a caixinha de jóias para pegar o bracelete. A vi mexendo entre meus pertences até encontrá-lo e colocar no pulso. — Sabe, ele fica bem melhor em mim — Começou, me fazendo ver que a velha Stella estava ali. — E se fosse oficialmente meu?

— Nem sonha! — Ri, me levantando para tomá-lo de volta, uma vez que eu sabia que se passasse pela porta do seu quarto nunca mais estaria em minhas mãos.

Stella correu, me obrigando a ir atrás dela. Eu sabia que essa era apenas uma forma que ela achou de fugir do assunto, mas ver um sorriso realmente sincero em seu rosto, me bastou.


• • • • •


Já estava sentada sobre a arquibancada vendo a coisa toda acontecer. Os garotos corriam de um lado para o outro, tendo Aisha como única mulher entre eles. A capitã liderava o time com êxito, dando sempre o melhor de si. Um sorriso se estampou em meu rosto ao lembrar de tudo que Aisha superou para chegar naquele posto. Qualquer um notava sua lealdade aquilo que acreditava e a forma que agarrava seu objetivo a todo custo. 

Honestamente, ela era a garota mais forte que eu conhecia e aquilo nada seria capaz de mudar. 

O treinador interrompeu, chamando Sky de lado, dando um pequeno intervalo ao restante do grupo. Minha melhor amiga sentou ao meu lado e automaticamente lhe estendi sua garrafinha de água. O líquido gelado fora ingerido tão rápido quanto ela começou seu interrogatório. 

— Jura mesmo que vai aceitar isso? — Eu sabia a que ela referia -se. Se referia a Riven. A sua proposta, especificamente. A garota sentou, abanando as mãos como um leque. 

Eu não tinha nada a perder. Na verdade, eu só iria ganhar. Não seriam necessárias explicações a ninguém, pois tudo ficaria claro para qualquer um. Assim que ninguém estivesse precisando de uma satisfação e no momento que Darcy explodisse em ciúmes, tudo seria terminado.

Eu realmente não tinha o que perder.

É claro que ontem, assim que Hélia comentou sobre o acontecimento no carro, fiquei com tanta raiva que minha vontade foi ligar para Riven e xingá-lo de todos os nomes que eu conhecia. E esse foi meu primeiro instinto. Mas assim que o telefone começou a chamar, o desliguei. Riven foi tão impulsivo quanto eu fui quando lhe beijei, isso era incontestável. Todavia, contei tudo ao meu irmão mais velho que preferiu se abster de opiniões. Mas eu sabia exatamente o que queria dizer. 

Queria dizer que a ideia era péssima. Queria dizer que eu estava ficando louca. 

— Qual é, não conhece mesmo aquele conceito de fingir algo que acaba se tornando real? — Aisha perguntou, erguendo as sobrancelhas. — Você não vai aguentar uma semana com ele. Mas se dissesse a verdade a Jared… 

— Isso está fora de cogitação. — Interrompi, antes que ela pudesse me persuadir a abandonar a decisão que custei a tomar. 

— Esse lance não vai dar certo.

Eu sabia disso. No fundo, eu sabia. Parte de mim gritava para ouvi -la, mas eu não era capaz de olhar Jared nos olhos e dizer toda a verdade sem gaguejar, transpirar ou ficar vermelha como um pimentão. Eu só iria passar vergonha para depois desistir de dizer.

Riven pareceu notar eu ali. Vi um sorriso discreto dançando em seu rosto, mas era algo que eu não pretendia questionar. Gesticulei para que viesse até mim, mas o garoto deu ombros. "É a mesma distância." Consegui ler através do movimento que fez com os lábios. Bufei, cruzando os braços. Riven iria me fazer surtar antes mesmo de conseguir dizer qual foi minha decisão. Ainda assim, forcei meus pés a caminharem até ele. Pude ver os garotos espalhados pela quadra, falando com algumas meninas que viam o treino. Outros discutiam. Outros, apenas mexiam em seus celulares. O fato era: tinha gente. Gente até de mais.

Parei frente a o rapaz que levou as mãos até o cabelo bagunçado apenas para tirar o fio tingido de roxo dos olhos, o que apenas bagunçou ainda mais a cabeleira. Respirei fundo antes de lhe estender a mão.

— Negócio fechado, Fernández.

Riven segurou minha mão, mas ao invés de apertá-la como em um acordo, me puxou para si, soltando-a para repousar sua mão por minha cintura. Estávamos próximos. Muito próximos. Minha única vontade foi empurrá-lo, o que não faria o mínimo sentido a julgar pelos pares de olhos curiosos que pararam para assistir a cena vergonhosa. Riven depositou um selinho em meus lábios antes de eu decidir se mandaria ou não a mentira por água abaixo. A única alternativa que tive, então, foi esconder minha raiva, sabendo que Sky, Jason e Jared ao menos estavam ali.

Eles estavam ali.

Todo o time estava.

Aquilo estava começando de fato.

Fiz o possível para não entrar em contato com o suor infinitamente nojento que com toda certeza tomava conta dele.

— Então era verdade — Sky murmurou se aproximando. Apontou para Riven, e então para mim. — Seu dedo podre escolheu isso.

— Ah, bom dia para você também, Sky. Pensei que estava com o Codatorta. — A falsa justificativa por não cumprimenta-lo foi proferida por mim. A verdade é que eu realmente não queria. — Mas caso esteja se referindo a Riven…  é. É verdade, sim. 

— Estão saindo a quanto tempo, mesmo? — Sky levou o indicador e o polegar até sua orelha, mexendo com ela. Eu sabia o que aquilo significava: incerteza, nervosismo. 

— Não estamos só saindo, estamos namorando — Corrigi, sentindo o braço de Riven passar por meus ombros. Revirei os olhos, vendo todo esforço que fiz para evitar o suor ser desfeito. — Mas não faz tanto tempo. — Afirmei, saindo dos braços de Riven. — Você está pingando, não vai tocar em mim se não tomar um banho. — Garanti, antes de minha paciência findasse ali.

— Eu deveria dizer o que acontece agora que namora minha melhor amiga? — Aisha surgiu de repente, impedindo qualquer um deles de dizer qualquer coisa. Hélia estava ao seu lado, com os braços cruzados. "Papai não vai gostar nada disso." Era isso que queria dizer, e eu sabia perfeitamente. Tentei decifrar o que ela diria, pois sabia que tudo era falso. — Saiba que meu chinelo é mais rápido que você. Pode apostar que dói!

— O da sua mãe deve superar, então, né? — Riven perguntou, fugindo do tapa que Aisha acabou desferindo no ar. — Essa foi sua primeira tatuagem, não foi? "Havaianas", uau, eu adorei.

Aisha conseguiu socar o braço de Riven, mas isso não tirou sua satisfação por tirar sarro dela. Um riso escapou de mim, antes de sentir o olhar de Sky sobre mim. Virei-me para ele, sentindo o arrependimento me atingir. Eu deveria me sentir confortável ao ser sincera com meu melhor amigo, mas por que era tão difícil dizer simplesmente: "Sabe, isso foi no passado. Eu te superei e alguém te enviou, mas não fui eu. Inclusive, mais quatro dessas estão por aí." 

Eu confiava nele. Confiava de verdade. Confiava a ponto de me abrir sobre quase tudo. As únicas pessoas no mundo que eu confiava mais eram Aisha e Hélia, talvez Stella quando era um assunto verdadeiramente sério. Mas não sabia porque era tão difícil dizer as coisas para ele.

— Por que não me contou quando começou a ficar com ele? Achei que eu era seu melhor amigo. Eu te conto tudo.

Eu sabia, literalmente, cada pedacinho da vida de Sky. Sabia o como era insuportável viver na sua casa; Sabia que desde que sua mãe pediu o divórcio o inferno em que ele morava apenas piorou e então foi morar com seu primo Thoren e minha prima Daphne que casaram recentemente — onde por acaso, também é a casa da Bloom; sabia seus segredos, seus medos e arrependimentos mais profundos.

Eu sabia tudo. E essa grande parcela de conhecimento fez minha consciência pesar. Não estávamos tão próximos desde que o namoro com a Bloom começou, mas eu ainda era a sua confidente. Eu tinha conhecimento sobre coisas que até hoje ela não imagina. 

— Eu não disse para ninguém.

— Certo, ninguém. — Sua expressão apenas piorava. — Agora eu sou ninguém para você? É sério, ele só vai te machucar.

Ambos eram amigos, isso eu tinha certeza. Mas demonstravam a afinidade um pelo outro de uma meneira peculiar. De fato, eram rivais, em tudo. Competiam para superar o outro, mesmo todos sabendo que isso teve início a partir de Riven. O loiro respirou fundo. Eu tentei lhe entender. Até comparei a Riven a Darcy e a sensação foi péssima.

— Você realmente ama ele, Musa? — Perguntou, por fim.

— Eu… acho que sim. Eu gosto dele. — Era isso. Não conseguia falar sobre amor sem realmente sentir.

— Sabe que tem uma diferença bem… — Sky abriu um espaço enorme entre os braços — assim!

Não pude conter a risada antes de mandá-lo deixar de bobeira. Mas vi que seus lábios se curvaram num pequeno sorriso, pelo menos, eu não "amava" Riven. De todo jeito, Sky estava certo. Havia uma grande diferença.


Então, vai ser para sempre
Ou vai acabar em chamas?
Você pode me dizer quando terminar
Se os momentos bons superaram a dor
Tenho uma longa lista de antigos amores 
Eles te dirão que sou maluca
Porque você sabe que eu adoro os jogadores
E você ama o jogo

Pois somos jovens e imprudentes
Vamos levar isso longe demais
Vai te deixar sem fôlego
Ou com uma cicatriz horrível
Tenho uma longa lista de antigos amores
Eles te dirão que sou maluca
Mas eu tenho um espaço em branco, querido
E vou escrever seu nome

Blank Space ‐ Taylor Swift


Notas Finais




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