1. Spirit Fanfics >
  2. A Nossa História >
  3. Capítulo 2

História A Nossa História - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Capítulo 2


A manhã de terça feira estava fria demais. Amy lutava contra a sua vontade de ficar em sua cama quentinha, mas infelizmente dera a sua palavra a Margareth. Tranquilamente foi se levantando indo em direção ao banheiro. Não gostou do que vira no espelho, aquela não era a mesma Amy de sempre. Sua aparência era cansada, acabada e sem graça. Lavou seu rosto com a água fria na intenção de diminuir o inchaço. Precisava aguentar todo aquele esforço. Sua vida dependia de cada um deles, não tinha ninguém para ajudá-la. Todos os dias era um novo desafio a ser conquistado.

Foi até o seu guarda roupas e pegou uma roupa confortável, afinal pegar condução naquele horário da manhã exigia um pouco mais dela. Assim que se aprontou, Amy ligou para sua amiga Demetria. Sempre iam juntas para as aulas. Não demorou muito para que as duas se encontrassem. Demetria era sempre muito alegre, não importava o momento. Conseguia deixar a vida das pessoas mais leve e desde que se conheceram tiveram uma conexão instantânea.

— Amy? — Chamava Demetria.

— Pode entrar, estou no quarto.

Demetria estava toda sorridente ao ver sua amiga arrumando sua mochila.

— Está ansiosa?

Amy a olhou estranhamente erguendo a sobrancelha.

— Pra quê?

— Vou fingir que não ouvi isso. — Disse Demetria simplesmente — Lembra daqueles cinco garotos que interromperam a nossa aula?

— Aqueles imbecis, sem educação. O que tem?

— Vão fazer parte da nossa turma.

Amy sorriu fraco. Nada daquilo estava fazendo sentido algum para sua cabeça, até mesmo porque iria criar um outro grupo dentro da turma, e já estava prevendo as futuras brigas que poderiam se suceder por causa deles. Afinal eles eram bonitos, mas nenhuma das outras meninas pareciam saber se controlar quando viam outros garotos.

— Você sabe que isso vai dar briga, não é? — Indagou Amy desapontada.

— E como! Espero não ser um dos alvos. — Brincou Demetria. — Está pronta para irmos?

Amy respirou fundo.

— Pronta!

Demetria sabia que sua amiga não estava bem, mas tinha de fingir que não sabia de nada, pois às vezes tocar no assunto poderia deixá-la ainda mais para baixo. Entendia como era a sua relação com a família e não era nada boa.

As duas garotas saíram de casa "animadas" entre uma conversa e outra. Era nítido que nada daquilo estava fazendo bem para Amy. Ela tinha de extravasar toda aquela energia acumulada. Pegaram o ônibus com facilidade, o motorista sempre conseguia ajudar Amy e Demetria, tentava ser pontual para que elas não se atrasassem em seus compromissos.

— Bom dia garotas! — Cumprimentou o motorista.

— Bom dia, Liam.

— Meu filho está louco para te ver, Amy.

Demetria deu uma leve cotovelada em sua amiga.

— Logo mais eu farei uma visita. Essa vida que levo é muito complicada.

— Tudo bem, não se sinta forçada a nada.

Amy sorriu docemente e logo voltou sua atenção para sua amiga. Não havia nada demais que pudessem estar conversando, mas logo se puseram a compartilhar os fones de ouvido. Ela por sua vez gostava de ouvir as músicas mais calmas, com uma mensagem muito importante para a sua vida, tudo o que pudesse ser usado de maneiras positivas, mas muitas das vezes suas músicas se tornavam depressivas demais, principalmente quando seu lado pessoal não estava em ordem.

Amy gostava de prestar atenção nas paisagens que iam ficando para trás durante o seu percurso. Amava sempre chegar um pouco mais cedo na escola, pois gostava de andar na praça onde seus pais deram o seu primeiro beijo. Aquele lugar era muito especial para ela acima de tudo. No entanto quando descobriu que ficava perto de uma das escolas da qual sonhava fazer parte ali ganhara uma importância ainda maior para ela.

Num momento em que estava fora de si, quando achava que seu mundo estava completamente perdido uma luz clareou a sua mente. Havia muitas pessoas com plaquinhas, esperando para realizarem testes para conseguirem uma vaga na escola. Aquilo bastou para chamar a sua atenção, sem ter a mínima ideia do que poderia fazer, Amy colocou seu nome na lista. Algumas pessoas chegaram a encará-la de forma horrenda, desacreditando no que ela poderia fazer.

A maioria das pessoas que se encontravam para fazer o teste, vinham de outras escolas renomadas e Amy seria apenas mais uma candidata. Quando chegou a sua vez de demonstrar o que sabia, a professora Margareth perguntou se havia algum problema em algumas pessoas assistirem ao teste, confiante Amy respondeu que não. Não demorou e todos os olhares foram direcionados a aquela garota simples, mas com um coração gigante.

O teste consistia em fazer uma pequena encenação seguido depois de suas habilidades artísticas, dentre elas dançar e cantar. Margareth havia ficado encantada e impressionada com o talento da menina. Desde então, Amy havia se tornado uma de suas atrizes preferidas. Ganhara a bolsa de estudos por mérito e conquista.

— Chegamos meninas! — Anunciou Liam.

— Obrigado — Agradeceu Demetria — Vamos Amy?

Amy assentiu e desceram do ônibus. Ainda tiveram de caminhar um pouco. Momento perfeito para que Amy e Demetria tomassem um bom chá. Não queriam ficar esperando até que mais alguns alunos chegassem e logo foram para a escola. Por onde passavam todos as cumprimentavam.

Ao chegar na sua sala habitual, Amy estranhou ao ver que a sala estava praticamente vazia, exceto pela suas colegas que sempre chegavam cedo.

— Cadê a Margareth? — Perguntou Amy a Luciana.

— Ela vai se atrasar.

— Tudo bem.

Amy aproveitou enquanto a sala estava vazia e se pôs a trocar de roupa. Algumas das meninas a olhavam torto, pois Amy exibia um corpo bem estruturado e bonito acima de tudo. Suas belas curvas era de deixar qualquer outra garota com inveja. Com a sua devida roupa trocada, Amy deixou seus pertences longe da visão de qualquer pessoa que pudesse aparecer estragando a bela visão da sala espelhada.

Demetria ligou o rádio num volume considerável bom para Amy. Ela começou a ir para o meio da sala. Ao som da bela música de "Simple Plan - Untitled", Amy ia se alongando e aquecendo os músculos de seu corpo. Gostava da melodia da música, não demorou para que Demetria se juntasse a ela também. Movida pelo impulso, Amy começou uma coreografia, assim trabalhando melhor todo o seu corpo. Novamente a sala se tornou pequena para tantos movimentos delicados e simples, mas carregados de puro sentimento. Ela conseguia se manter conectada durante horas se necessário a aquela dança. Era mais do que dançar, significava uma vida inteira de lutas, de altos e baixos.

Ao se dar conta de que a música já havia acabado pela segunda vez, Amy fora pega de surpresa ao notar vários olhares em sua direção. Desta vez fora diferente, pois seu rosto inteiro queimava.

— Nossa! Estou impressionado com o que eu vi agora! — Exclamou Bruno — Dança muito bem.

— Agradeço o elogio, mas isso foi só um aquecimento. Devem ser os novos alunos.

— Sim — Respondeu Leonardo por todos — Estávamos ansiosos para começar.

— Como hoje é a primeira aula de vocês, não irei pegar pesado. O principio de uma boa dança é você sentir a música, deixar que ela te conduza, que ela demonstre o seu verdadeiro sentimento, mas que o seu corpo demonstre com verdade e intensidade.

— Isso não é fácil. É muita informação. — Comentou Marcus na tentativa de ter a atenção da garota só para ele.

— Olha só... uma pessoa que não acredita nas suas capacidades, isso é novo para mim. Sinto lhe dizer que todos são capazes de fazer o que quiserem com o corpo, mas desde que pratique sempre.

— Vou fazer o seu jogo — Declarou Marcus se dando por vencido — Façamos um trato.

— Pode falar. — Respondeu ela simplesmente.

— Se eu consegui te impressionar com o meu bom desenvolvimento em dança, você irá sair comigo.

— Caso você não consiga? — Indagou ela semicerrando os olhos.

— Eu faço o que você quiser!

— Boa sorte novato.

Demetria assistia tudo de longe. Achava engraçado a forma como eles estavam se relacionando. Amy quase não permitia que brincassem com ela. Sempre falava o básico com alunos novos, mas desta vez ela encontrou um adversário a altura. Primeiramente porque ele fora ousado demais a ponto de fazer um acordo ridículo, no qual ele nunca iria conseguir sair com ela. Havia uma certa barreira que a impediria de correr tal risco e mesmo que surgisse um certo interesse em sair com ele não haveria chances.

— Podemos começar a aula? — Perguntou Amy se colocando a frente da turma — Quero que se alonguem o máximo que puderem, mexam em todas as articulações do seus corpos. Trabalhem nos diferentes planos.

— Planos? — Perguntou Marcus.

— Sim, são eles o alto, médio e baixo. — Amy revirou os olhos.

Cada um dos alunos conseguiam se empenhar bem, principalmente alguns dos novatos. Toda vez que Amy pronunciava alguma palavra, Marcus fazia questão de fazer com que ela lhe desse atenção. Ela não estava de brincadeira. Não queria brincadeiras com ninguém. Logo chegou a vez dele demonstrar tudo o que tinha entendido da aula e das explicações severas que Amy havia lhe passado. Ele não fazia o típico aluno disciplinado e sério no qual estava acostumada a lidar.

À principio na performance ele estava brincando e fazendo todos os outros alunos rirem, o que bastou para que Amy ficasse irritada. Algumas coisas não são engraçadas, principalmente quando o sentimento está ligada na arte. Aos poucos ela foi se acalmando até notar que Margareth havia chegado. A presença daquela mulher era como um bálsamo. Margareth permitiu que Marcus terminasse sua demonstração para logo falar com a turma.

— Bom dia! Espero que tenham se comportado enquanto estive ausente.

— Nos comportamos bem. — Respondeu a sala em uníssono.

— E como você está, Amy? Sua aparência não está nada boa, como quem tivesse passado a noite chorando.

A garota tentou se controlar ao máximo que pode, mas suas lágrimas já começavam a rolar sobre o seu rosto. Margareth não aguentou ver Amy chorando e a abraçou fortemente.

— Pessoal estão dispensados.

A sala aos poucos foi ficando vazia, pois alguns preferiram dar privacidade as duas. Elas precisavam conversar bastante. Marcus sentiu uma leve pontada ao ver Amy chorando, se fosse mais intimo tentaria ajudá-la com um abraço e palavras que pudessem confortar seu coração.

Margareth conseguiu fazer com que Amy lhe contasse tudo o que estava acontecendo. Lhe dera todos os detalhes do acontecimento. Tinha de confiar naquela mulher. Era a única pessoa que poderia ajudá-la a ficar melhor.

— É triste saber uma coisa dessas, meu amor. Não quero que fique mal, preciso de você bem. Vou te dispensar, precisa colocar a cabeça no lugar, pensar em coisas boas. Essa escola precisa de você.

— Obrigado Margareth. Vou tentar ser forte de agora em diante.

Amy vestiu-se rapidamente e pegou suas coisas saindo da sala. Os meninos esperavam apenas o momento certo para falar com Margareth. Ao sair da sala, Marcus parou Amy no corredor, segurando uma de suas mãos.

— Você vai ficar bem?

— Sempre fico de um jeito ou de outro.

— Não quer sair pra conversar, sei lá? Falar com pessoas novas ajuda.

— Agradeço, mas eu só preciso ficar sozinha por um tempo. Não se preocupe. Já aprendi a levantar sozinha depois de tantas quedas.

— Espero que essas quedas um dia te leve aos meus braços.

Amy sorriu fracamente. Nunca ouvira nada parecido de algum garoto. Não falou mais nada e simplesmente saiu do prédio, deixando-o admirado e tocado com a sua personalidade. Ela possuía algo que o deixava curioso e diferente. O que será que Amy possui a ponto de deixar Marcus curioso de tal forma?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...