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História A Nova Rosa - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


Olá leitores! Sei que demorei, o numero de comentários foi mais baixo no ultimo capitulo (não sei se pq nao gostaram ou pq estao se vingando de mim) haha mas tudo bem, eu entendo. Estou aqui trancada em casa e sendo nada produtiva, ignorando tudo que tenho pra estudar e atualizando a história. Espero que estejam se protegendo também, aproveita o tempo livre e leiam bastante fanfics!
Esse capitulo é mais movimentado, eu adorei escrever ele, então, boa leitura!
(arte encontrada no Pinterest, créditos ao devido autor)

Capítulo 6 - As faces de uma rosa


Fanfic / Fanfiction A Nova Rosa - Capítulo 6 - As faces de uma rosa

Algo está errado, não posso explicar
Você sabe o que quero dizer, não é?
Algo que eu vi, ou algo que eu fiz que me deixou assim
Você poderia me ajudar?
Algo está errado, eu me sinto como um presa,
eu quero rezar

(Prey – The Neighbourhood)

 

O sol mal tinha nascido quando Albafica se levantou aquele dia. Por motivos que ele bem reconhecia, mas custava admitir, sentia-se ansioso. Sabia que não poderia bater à porta dos Catellan àquela hora, e precisava que o tempo passasse o mais depressa possível.  E foi assim que teve a brilhante ideia de limpar o quarto para receber sua discípula, caso ela aceitasse.

Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo no alto da cabeça e iniciou sua faxina. Estava tão imerso em seus pensamentos, que os movimentos saiam mais automáticos que os de uma máquina. Quando se deu conta, não havia mais o que arrumar, restava-lhe tomar o café da manhã e seguir para Rodório.

Ateou fogo em alguns restos de lenha da noite anterior e colocou água para ferver. Sentia algo como um nó no estômago, e isso o incomodava muito, pois sempre vivera de forma muito tranquila, e ultimamente estava sempre ansioso, como se tudo estivesse prestes a ser revirado de cabeça para baixo. A água começou a borbulhar e ele a jogou sob os grãos de café moídos, o cheiro familiar ocupando o pequeno cômodo o acalmou.

- Cheguei em boa hora! – uma voz masculina exclamou, fazendo com que o pisciano se virasse para checar de quem vinha.

- Manigold, bom dia. – disse com serenidade. Fazia alguns meses que não via o cavaleiro de câncer, o único a quem com certeza poderia chamar de amigo, além de Shion de Áries, mas este sempre se mantinha cordialmente distante – Posso ajudar em algo?

O cavaleiro sabia que não precisava de formalidades, e por isso sentou-se logo à mesa do anfitrião, que lhe passou uma caneca para o café que acabara de passar. Tomou um pedaço de pão da cesta e sorriu para o pisciano.

- Mestre Sage me chamou, vá saber para quê. O velho não pode me ver parado!

Albafica riu disfarçadamente, a relação entre Manigold e o Grande Mestre era estreita e eles se davam muito bem, apesar do canceriano nunca demonstrar o devido respeito, como os demais.

- Estive lá ontem de manhã. – disse o pisciano, queimando a língua com o café quente em seguida. Droga, não devia ter falado aquilo, mas ultimamente andava falando mais que de costume.

- Mesmo? – Manigold arqueou uma sobrancelha, curioso como só ele conseguia ser – Faz tempo que não te mandam em missão... E eu bem que ouvi uns burburinhos nos últimos dias...

- O que estão dizendo? – perguntou Albafica, subitamente incomodado, o Santuário estava se tornando um atentado à vida privada.

- Que uma mulher esteve hospedada aqui... – o olhar de Manigold era lascivo, e sua risada em seguida estrondosa – Peixinho, pensei que não me deixaria de fora de uma novidade dessas! – exclamou – É por isso que Sage te chamou? O velho deve estar mordido, ninguém esperaria uma coisa dessa logo de você!

Albafica sentia o rosto mais quente que o café entre suas mãos. Era isso que estava circulando pelo Santuário? E dele, um cavaleiro que sempre mantivera a postura e responsabilidade acima de tudo, como podiam ser tão... mexeriqueiros?

- Ei, Alba... – o amigo notara a vermelhidão que tomava conta do rosto alvo do pisciano, e cutucou-lhe a mão – Estou brincando, não é nada demais. Você sabe, tudo que envolve você vira um alvoroço, as pessoas tem muita curiosidade, porque você é uma incógnita. Mas eu sei que você é honrado demais para isso, amigo... – o tom sério logo foi substituído por uma risada – Se fosse comigo é que não seria nenhuma surpresa, haha!

De repente, Manigold parou de rir e levou a mão ao ouvido, incomodado, certamente era o Grande Mestre entrando em contato. Deixou a caneca, já sem nada ocupando-a, e comeu o resto do pão.

- Droga, o velho não gosta de atrasos. Obrigado pelo café, Albafica. Nos vemos mais tarde! – disse enquanto saia para o corredor principal – E se quer saber minha opinião, você devia mesmo trazer alguém pra cá! – gritou, já distante, e sua risada reverberou pela casa silenciosa.

Albafica riu consigo mesmo, gostava da companhia de Manigold e de seu humor. Terminou sua refeição sozinho e foi vestir um sobretudo, e enquanto o fazia, seus pensamentos oscilavam entre a semente plantada na tarde anterior, as palavras do grande mestre e os olhos de Alexia. Enquanto descia a escadaria das doze casas, conseguiu manter-se sob controle, mas ao ver a passagem para Rodório, sentiu um frio na barriga e apertou os punhos. Seja qual fosse a resposta, ele teria de estar preparado e devia mais que urgente parar de se sentir como um moleque de dezesseis anos.

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A tarde estava agradável e agitada em Rodorio, e Alexia ajudava a mãe a arrumar as louças que foram usadas no almoço. O pai estava fora, e as duas mulheres conversavam corriqueiramente. A morena acabou contando para sua mãe sobre o episódio da visita (sem mencionar o sonho esquisito), e ela ficara indignada. A menina ainda tentou amenizar, mas não tinha mais como mudar a opinião da senhora Marina, uma mulher de sangue quente – não muito diferente da filha, afinal.

Fazia já alguns dias que estivera no Santuário pela última vez, sentia-se desmotivada em continuar as entregas por lá, mas seu estoque de desculpas começava a se esgotar. Por vezes, quando se distraia, aqueles olhos azuis apareciam em sua mente, e ela se repreendia, pois não suportava a ideia de se afeiçoar à ele – seria um grande problema. Apesar da grosseria do último episódio, algo nele a fazia acreditar que era uma boa pessoa. E mais, ele cuidara dela, pôde ver que se preocupava, mas tinha aquele seu problema de não se aproximar muito, o porquê Alexia ainda não compreendia. Sua mãe dizia saber:

- Sempre de nariz em pé, aquele Albafica. Isso é arrogância, minha filha, a posição subiu pra cabeça! – dizia – Si è montata la testa!

Alexia deu de ombros, rindo do sotaque forte da mãe, e continuou a secar os copos. Sabia que ela era exagerada e que sua raiva não tinha fundamento. Ouviu-se algumas batidas na porta, e a mãe deixou suas tarefas – e a falação – para atender.

- Alexia, filha... – a voz de Marina estava fraca como quem tomou um susto, de um jeito que a morena estranhou – É visita para você.

A morena arqueou as sobrancelhas enquanto secava as mãos no pano de pratos. Quem poderia ser? Ela não tinha amigos na vila. Talvez fosse algum cliente insatisfeito com alguma entrega?

No entanto, assim que sua mãe, desconcertada, deixou a frente da porta e Alexia viu de quem se tratava, sentiu o chão lhe faltar aos pés subitamente. O cavaleiro de peixes estava à sua frente, com vestes negras e formais, a caixa de pandora dourada firmemente atada às suas costas, e uma rosa entre os dedos. O que ele fazia ali?

- Albafica? – perguntou surpresa – Em que posso lhe ajudar?

- Poderia me ceder um momento, por gentileza? – ele estava tão nervoso quanto ela, mas não demonstrava nada disso. Continuava impassível e elegante, de uma forma completamente irritante para Alexia.

- Claro, entre, por favor. – pediu, mas ele negou prontamente.

- Não, prefiro ficar aqui.

Sem entender e também sem saber o que fazer, Alexia saiu de casa e fechou a porta atrás de si, encostando o corpo nesta e cruzando os braços. Já não sabia como agir diante dele, e tentava mostrar-se tão indiferente quanto.

- Então, à quê devo a honra de sua presença?

Ele pareceu notar o sarcasmo em sua voz, e pigarreou antes de começar sua fala.

- Peço desculpas pela forma como falei com você aquele dia, esperava que entendesse minhas condições.

- A condição de não saber lidar com hóspedes? Tudo bem, posso superar. – respondeu a jovem, risonha, porém sem deixar de alfinetá-lo.

- Ora, você apareceu de surpresa, mentiu sobre o motivo da visita, o que poderia esperar? – antes que pudesse se refrear, Albafica pegou-se retrucando a moça. Como ela podia ser tão petulante e achar que tinha razão? Ele sabia que havia sido grosseiro, mas ela também tinha de admitir a própria inconveniência.

- Então estamos quites. – afirmou ela, com um bico de quem admitia o erro a contragosto – E então, é só por isso que me procurou?

Albafica sentiu o corpo retesar, o que não passou despercebido pela jovem, lembrando-se do motivo de estar ali. Suspirou, e girando a rosa que tinha entre os dedos, disse:

- Na verdade, vim por ordens do grande mestre. Ele me pediu para que lhe repassasse uma proposta.

A morena arqueou as sobrancelhas. Uma proposta do grande mestre? Albafica continuava nervoso, mas ele não deixaria isso se expressar, a fitava firmemente, então continuou a falar:

- Aquele pesadelo que você teve quando passou a noite no santuário... não foi um pesadelo, foi o despertar do seu cosmo. Deve se lembrar de ver alguma constelação.

Alexia assentiu com a cabeça, enquanto ligava os pontos   e recordava-se daquela noite e das coisas estranhas que vinha acontecendo desde então. Sabia que não podia ser apenas um sonho, mas ter um cosmo? Era por isso que sentia seu interior queimar e via aquelas estrelas nos olhos? Também sentia algo estranho sempre que se aproximava das plantas, e passou a evitar passar perto da floricultura da vizinha Agathia. Outra noite havia acordado febril de novo, e começava a se preocupar com aquele estado que parecia estar saindo de seu controle.

- Eu me lembro, mas não faço ideia de qual constelação seja. – respondeu, sentindo-se perdida com tantos pensamentos.

- Era a constelação de peixe austral, segundo o grande mestre, ela te escolheu. Por isso, mestre Sage propôs que você fosse para o santuário, onde receberia um treinamento por mim para poder reivindicar sua armadura.

Ao terminar de dizer, Alexia pôde ver que havia tirado um nó de sua garganta. Mas agora, esse mesmo nó encontrava-se em sua cabeça – o que faria? O que significaria aceitar aquele treinamento, a que teria de renunciar? É claro que gostaria de ser forte, de tornar-se alguém reconhecido como Albafica, mas qual seria o preço?

- Espera... ele quer que você me treine? – o cavaleiro fez que sim – E você concordou com isso?

- Bem... acho que não tive muita escolha. Depende mais da sua resposta, e eu a respeitarei.

Ah, claro que ele não aceitaria aquilo de bom gosto. Estava apenas cumprindo ordens, o que a deixara triste, não queria ter uma convivência forçada com ninguém. Talvez pudesse controlar aquela energia, e caso as coisas se complicassem, ir até o grande mestre e pedir outro tutor. Sim, alguém como Manigold ou Shion com certeza a acolheria melhor.

- Acho que irei recusar essa proposta no momento. – talvez estivesse sendo um pouco orgulhosa, mas também estava com medo.

O azulado não conseguiu conter a expressão de surpresa, e somente naquele momento percebeu que, no fundo, queria que ela aceitasse. Por que ela havia recusado? Talvez ele realmente não fosse uma boa companhia. Mas como ela faria para controlar aquele cosmo sozinha? Sabia que era uma decisão que não se tomava da noite para o dia, um treinamento para ser aspirante à amazona ou cavaleiro culminava em muitas responsabilidades, talvez ela precisasse de mais tempo. Assentiu, e estendeu a rosa que tinha consigo para ela.

- Entendo. Talvez seja melhor pensar com calma, é uma grande oportunidade, mas também uma grande responsabilidade. Sabe onde me encontrar caso precise de ajuda ou mude de ideia. – disse ele, então fez um maneio com a cabeça, se despedindo.

A Catellan ficou anestesiada à frente da porta de casa, observando o cavaleiro que se distanciava. Pensava em suas palavras, na proposta, na energia que borbulhava dentro de si e não sabia o que fazer. Por um momento, sentiu que havia tomado a decisão errada.

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Alexia corria mais do que suas pernas podiam aguentar, tentando despistar os bêbados que corria atrás de si. Não podia ir para casa antes de conseguir, ou eles quebrariam todo o imóvel. Virou um beco e escondeu-se no escuro, esperando que eles passassem por ela, e então correu pelo caminho contrário, voltando para casa enquanto secava as lágrimas que se formavam em seus olhos.

Não sabia o que estava acontecendo consigo mesma. Desde a visita do cavaleiro de Peixes, as coisas pioraram como que por karma. Dias atrás, quase apanhara de uma senhora por fazer suas mudas de orquídea crescer desenfreadamente. Segundo sua mãe, estranhos tremores aconteciam em casa durante a madrugada, e prova disso era o quarto da filha com os pisos todos rachados. Vez ou outra escutava vozes, conversas entrecortadas e achava que estava ficando louca. E agora, quando havia saído uma noite para jogar cartas e se distrair, aquela estranha energia formigou nas palmas de suas mãos e todos os copos da mesa estouraram na cara dos homens que jogavam. Aquilo não foi nada bem visto e eles ficaram furiosos.

Finalmente, ela viu sua casa e entrou pela porta da frente com um barulho estrondoso. Sua mãe estava na cozinha preparando o chá da noite para o pai, e assustou-se.

- Filha, o que aconteceu? – perguntou preocupada, mas a morena seguia para seu quarto sem olhar para os lados.

- Por favor mamãe, não se aproxime.

Fechou a porta do quarto sem olhar para a mãe, e deixou o corpo escorregar contra a madeira, sentando-se no chão. As panturrilhas queimavam e sua respiração era como a de um cachorro velho muito cansado. Deixou que as lágrimas molhassem seu rosto, estava com medo de si mesma. Os acontecimentos dos últimos dias a fazia sentir-se um perigo em potencial, para sua família e para qualquer um que se aproximasse.

Levantou o olhar, respirando fundo tentando se acalmar. Seus olhos pousaram sobre a rosa vermelha que o cavaleiro deixara com ela, que jazia em cima de seu criado mudo. Era assim então que Albafica se sentia, um perigo em potencial? Começava a entender os motivos dele sempre afastar as pessoas, e isso a assustava, não queria ficar sozinha – assim como não queria que ele fosse tão só. A rosa continuava bela, não havia murchado uma só pétala, era diferente das demais flores, Alexia podia sentir. Caminhou até a cama e pegou-a entre os dedos. Por um momento, sentiu-se segura, como se o próprio Albafica estivesse ali, dizendo que ela não estava sozinha.

Então aconteceu de novo. Sentiu a palma das mãos formigarem e o medo a inundou mais uma vez. Dizia a si mesma “pare, pare!”, mas a energia contida no centro de seu corpo continuava a ir para as mãos, e a rosa vermelha ficara negra como um ônix. Alexia gritou assustada e levantou-se para correr mais uma vez. Precisava de ajuda, precisava de Albafica, e não podia esperar mais um minuto.

Na saída do vilarejo de Rodorio, o cavaleiro de ouro parou sua caminhada de volta para casa. Algumas vezes por semana, fazia sua vigília em horário noturno, pois à noite sempre oferecia mais riscos. No entanto, tudo parecia tranquilo, até um cosmo diferente despontar. Era uma energia inexperiente e repleta de medo, os moradores do vilarejo eram pessoas comuns, o que significava que aquela cosmo-energia pertencia a um inimigo... ou à Alexia.

Não soube explicar a ansiedade que o acometeu, e começou a caminhar de volta para dentro da vila, seguindo o rastro do cosmo que ficava mais fraco e difícil de localizar. A ideia de Alexia estar em perigo o assustava, e ele mal prestava atenção nas ruas que virava, quando um vulto correu em sua direção, e ele só teve tempo de reconhecer os cabelos negros antes que ela se chocasse contra ele, escondendo o rosto em seu peito coberto pela armadura dourada. E pela primeira vez aquele gesto não o incomodara nenhum pouco, sentia-se aliviado de tê-la segura em seus braços.

- Albafica! – exclamou com o rosto encostado em seu peito, seu pequeno corpo estava trêmulo  – E-eu mudei de ideia. Preciso da sua ajuda!

- Fique calma, Alexia... – começou a dizer, mas foi interrompido.

- Não, você não está entendendo! – agora, ela havia se soltado de seus braços e o olhava atordoada – Olha a rosa que você me deu! Estou com medo!

Então ela mostrara a rosa negra. Albafica ficou estarrecido, aquilo era no mínimo assombroso. Ele tomou a flor dela, se perguntando como aquela garota que acabara de despertar o cosmo podia ter reproduzido um rosa piranha. Estava certo de que Alexia não era uma garota comum, seu despertar já havia sido um choque, agora isso...

- Não precisa ter medo. – ele tentava passar alguma calma à jovem de sangue quente, ele via que ela estava a ponto de ter uma síncope – Nós vamos dar um jeito nisso.

A Catellan respirou fundo, sem perder de vista os olhos azuis do cavaleiro, onde finalmente havia encontrado um ponto de paz. Podiam dizer o que quisessem dele, mas sentia que, desde que ele estivesse ao seu lado, nada poderia jamais lhe fazer mal. 



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