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História A Nova Rosa - Capítulo 7


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Notas do Autor


Olá queridos, eis-me aqui de novo. Como vai o confinamento de vocês? Espero que estejam se cuidando! Bora aproveitar mais um capitulo sz

Capítulo 7 - A Aprendiz


Fanfic / Fanfiction A Nova Rosa - Capítulo 7 - A Aprendiz

Depois do encontro naquela noite em que Alexia deixara a rosa negra, Albafica a levou até sua casa, não poderia fazer muita coisa àquela hora da noite. Durante o caminho, tentava acalmá-la e dizer que o treinamento a ajudaria controlar o cosmo e que aqueles acidentes não iriam acontecer mais. Ao chegarem à porta da casa da família Catellan, Alexia protestou:

- Mas e se eu machucar meus pais durante a noite? Não pode me deixar aqui.

- Não podemos começar um treino agora, Alexia. Você pode descansar tranquila, apronte suas coisas, amanhã eu voltarei para te buscar. É melhor que fique no Santuário até que seu cosmo se estabilize, e para que se acostume com a essência das rosas também... – pensar nessa última parte causava desconforto no pisciano, não sabia até que ponto Alexia poderia suportar a nocividade das rosas ou de seu sangue – Você estará segura lá.

Novamente, ele havia repetido aquela frase. Qualquer um que ouvisse aquilo diria que ela estava enlouquecendo, como poderia estar segura ao lado daquele cavaleiro tão perigoso? Mas ela sabia que ele não mentia.

- Certo. Estarei te esperando, mestre.

Mestre. Ele agora teria de se acostumar a tal título. Despediu-se dela e mais uma vez, deixou uma rosa com ela – dessa vez, uma branca. Queria que ela tivesse um pouco de paz.

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Alexia acordou sobressaltada, e antes de certificar-se se ela mesma estava viva e bem, olhou para a rosa no criado mudo, receando que ela tivesse mudado sua cor. Respirou aliviada ao ver que continuava alva como uma nuvem, e então pulou da cama, indo fazer sua higiene matinal. Depois, pegou uma mochila de pano que ela mesma havia costurado, e começou a colocar o máximo de roupas que conseguia. Separou alguns livros, sua ocarina, agulhas de tricô, coisas que a pudessem distrair caso ela tivesse algum tempo livre. Toda essa agitação logo pela manhã não passou despercebida pela dona Marina, que apareceu à porta do quarto com as sobrancelhas arqueadas.

- Filha, o que é isso? Pretende fugir de casa?

- Mãe! – a menina tentou esconder a mochila atrás do corpo. Pretendia ir falar com ela durante o café da manhã, mas não sabia como – Eu... Vou me mudar.

- Desde quando você faz as coisas sem me comunicar? Na verdade, desde quando acha que pode fazer isso, senhorita? – a mãe entrou no quarto, empurrando a filha e começando a desmanchar toda a bagagem.

- Deixa eu explicar! – exclamou a jovem, impedindo a mulher – Mãe, eu descobri que sou como as pessoas do Santuário, sabe... que tenho um poder! O Grande Mestre me ofereceu um treinamento.

- Pare de dizer absurdos, filha! – exclamou, continuando a desempacotar as roupas.

- Estou falando sério! Aqueles tremores durante a madrugada, as plantas da senhora Élia, foi eu quem fiz aquilo, e se não aprender a controlar meu poder, posso colocar vocês em perigo.

A cada palavra que escutava, Marina ficava mais paralisada de choque, tentando acompanhar o bombardeio de informações da filha. Deixou a mochila de Alexia de lado e sentou-se na cama de solteiro desarrumada, atônita.

- Que é isso agora, Dio mio...

- Vou passar um tempo na casa do senhor Albafica... Ele vai ser meu mestre.

Nessa última, a senhora não conseguia acreditar. Albafica, aquele metido de quem a filha reclamava dois dias atrás? Alexia sabia que era isso que se passava na cabeça da mãe, e tratou de convencê-la:

- Eu estava errada sobre ele, mamãe. Ele é gentil, compreensivo, e pode me ajudar... De alguma forma, nossa... cosmo energia é parecida. – falou Alexia, se acostumando àquelas palavras novas e esquisitas.

Mas Marina parecia distante, seus olhos se perdiam em algum lugar muito além do pequeno quarto da filha – pousavam sob a rosa branca, como se essa a levasse numa viagem no tempo.

- Que ironia... – murmurou, perdida em seus pensamentos.

- Mamãe... Não fique triste comigo. Estou tentando fazer o melhor, não posso colocar você e o papai em risco.

- Sim, sim... – a mulher de cabelos negros, que relutantemente tornavam-se grisalhos, finalmente deixou de fitar a rosa e olhou nos olhos da filha – Apenas me prometa que ficará bem, que não irá se machucar... e que não irá se esquecer de mim.

 Alexia teve vontade de rir, como sua mãe podia achar que ela se esqueceria dela? Se lhe fosse permitido, a visitaria todos os finais de semana, não seria nenhum sacrifício. Mas o olhar de sua mãe era triste e sério, sua dor era real, era a dor de alguém que já havia sido abandonada. Havia algo que Alexia não sabia sobre a história de sua mãe, e constatar isso a deixou incomodada, pensava que sabia sobre tudo. Desde sempre elas eram inseparáveis.

- Eu jamais me esqueceria de você, mamãe, que absurdo! Eu vou me tornar a melhor amazona que esse Santuário já viu, e vou proteger você e o papai.

A mais velha assentiu, com um sorriso orgulhoso de sua filha. Ia dizer mais alguma coisa, mas neste momento ouviram-se batidas na porta da frente.

- Ai, deve ser o mestre Albafica! Eu não terminei de arrumar as coisas! – exclamou Alexia, levando as mãos aos cabelos de forma atrapalhada.

- Você nem tomou café. Não vai sair de casa de barriga vazia! – dizia enquanto se levantava, toda a melancolia anterior se dissipando no ar. Assim era sua mãe, sempre inabalável.  – Eu irei atender.

- Mamãe, espere! – Alexia correu atrás da mãe, com medo dela enxotar o pisciano, mas ela não ouviu. Trombou contra o corpo dela que já estava pronta a abrir a porta.

Albafica estava novamente com as roupas formais, aquele longo sobretudo preto caindo por seu torso o deixava mais elegante que de costume. Ele arqueou as sobrancelhas, com vontade de rir diante da cena na porta: a mãe de Alexia com um olhar desconfiado de sobrancelhas arqueadas, e a própria Alexia atrás dela, com os cabelos despenteados, o rosto vermelho e... de pijamas.

- Bom dia, senhoras. – disse ele, não querendo deixar o clima pesar.

- Bom dia, senhor cavaleiro! – exclamou a mais velha, e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ela apertou a mão envolta de seu pulso e o puxou para dentro da casa – Alexia ainda não está pronta, por favor, tome café com a gente!

Albafica sentiu o rosto esquentar quando se viu dentro da cozinha dos Catellan. Fora de seu território, sentia-se como um gatinho vulnerável, e procurou os olhos de Alexia em busca de alguma instrução. Ela se encontrava tão desconcertada quanto ele, inclusive, seu rosto estava mais vermelho que nunca e ela tentara puxar disfarçadamente o pequeno vestido de pijama para cobrir as coxas que Albafica não conseguiu deixar de reparar.

- Eu vou... me trocar e terminar de arrumar minhas coisas e... já venho para o café. – disse sem jeito, enquanto saia para o quarto - Mamãe, não deixe o mestre Albafica desconfortável! – gritou depois de fechar a porta.

O azulado olhou para a mulher a sua frente e sorriu de canto, sem saber o que fazer, enquanto ela o fitava com cara de “então é você que veio roubar minha filha?”, com um sorriso duvidoso no rosto.

- Sente-se filho, está parecendo um poste. – riu a mais velha.

E realmente estava, Albafica podia sentir os músculos tensos. Tinha medo de encostar em uma xícara da casa, ou até de respirar. Puxou uma das cadeiras e tentou relaxar, enquanto Marina passava o café e tagarelava sobre a filha:

- Se vai viver com ela, vai ver o quanto é barulhenta, e um pouco desastrada – e então jogou a água quente nos grãos – Quem vai cozinhar para vocês? Cozinhar não é dos dons da minha filha, ela só sabe fazer bolo. Não diz pra ela que te contei isso.

Ela colocou o bule sobre a mesa, e então os pratos e xícaras, os pães e roscas que tinham guardados.

- Ela gosta de tomar chá antes de dormir, e tem uma alergia absurda a mosquitos e abelhas. – Albafica acompanhava as instruções e respondia a tudo com “sim senhora”. Era a filha dela que estava sob sua responsabilidade, afinal! – Ela também é muito chorona, é só abraça-la quando isso acontecer. Mas é uma menina muito boa! É uma ótima companhia, sabe cuidar da gente e conversa bastante! – depois dessa ultima frase, a senhora esmoreceu, como uma flor que murchara. Serviu o café na xícara do cavaleiro e tomou o dela em silêncio.

- Está tudo bem, senhora Catellan? – perguntou ele, para não ser indelicado.

- Sim... – respondeu ela, dando um sorriso anuviado – Ela vai me fazer muita falta, principalmente para conversar. Cuide bem da minha filha, por favor, Albafica.

- Cuidarei como a rosa mais preciosa de meu jardim. – afirmou ele, esforçando-se para passar confiança à mãe.

Nesse momento, pai e filha chegam à cozinha. O homem olha confuso para o cavaleiro, será que a exaustão do trabalho o estava fazendo ver coisas? Alexia sorriu e disse bom dia a todos, puxando uma cadeira para o pai.

- Jan, este é Albafica, do Santuário de Atena. – apresentou Marina – Será o mestre de Alexia.

- Mulher espere... eu mal acordei. – disse o homem, sentindo-se perdido – Minha filha está indo para o Santuário?

- Sim, papai. Receberei um treinamento diretamente de um cavaleiro de ouro, isso não é demais? – Alexia estava empolgada.

- Sim... É muita coisa mesmo... – a filha, o cavaleiro, as informações, eram realmente muito para a cabeça do pobre Jan – Está tudo bem para você, Marina? Acha seguro?

- Acho inevitável. – respondeu a senhora.

Aquela palavra pairou sob a mesa de café da manhã, enquanto cada um ocupava-se de comer seu próprio pãozinho. Mais uma vez, Alexia teve o sentimento de que sua mãe sabia de algo a mais, porém permaneceu calada. Albafica também refletiu sobre aquela palavra, não era como se Marina falasse da situação atual, mas sim como se soubesse de antemão que um dia sua filha teria de partir para o Santuário.

- Bem, então... Boa sorte filha, tome cuidado. Sei que nos trará muito orgulho. – concluiu Jan.

O homem esguio e grisalho dirigia um olhar sincero à Alexia, que sentiu o coração se aquecer. O pai sempre fora um homem muito calmo e passivo, vivia para as duas mulheres e as amava muito. Era com ele que aprendera o costume do chá antes de dormir – “precisa relaxar, filhinha”. Enquanto a mãe tinha o sangue quente dos italianos, o pai era quem a trazia equilíbrio.

- Cuide da mamãe. – pediu, estendendo a mão por cima da mesa para apertar a de Jan.

Acabado o café, Alexia pegou suas duas mochilas e aprontou-se para a mudança. Abraçou Jan e Marina com toda a força que tinha, e prometeu que os visitaria sempre que tivesse um tempo. Albafica se despediu cordialmente dos mais velhos, e pegou as mochilas da aprendiz – que estavam mesmo pesadas, ele não soube como ela conseguiu compactar tanta coisa ali. E por fim, desceram juntos ao Santuário.

A reação de todos era de completa surpresa ao ver Albafica subir pelas doze casas acompanhado de uma mulher, surpresa essa que se duplicava quando ele a apresentava oficialmente como sua discípula. Ninguém pensava que o cavaleiro de peixes fosse se despir tão cedo de sua mortalha de solidão para acolher um discípulo, e todos podiam perceber o quanto eram diferentes: enquanto Albafica caminhava sério e calado, Alexia olhava para todos os lados com uma empolgação infindável e cumprimentava qualquer um que cruzasse seu caminho – o que certamente não era o perfil de uma suposta sucessora de Peixes. Poderia isso dar certo? 


Notas Finais


Agora começa... Será que Alexia dará conta desse treinamento? E sua mãe, esconde algum segredo?


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