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História A Obra Prima de Eva - A Semente do Caos - Capítulo 7


Escrita por: Cahgs2

Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 7 - Capítulo Seis: Descontrole


Hinami estava irritada. Não havia nenhum motivo aparente para aquilo, mas ela estava extremamente irritada. As gracinhas de Haku não tinham a mínima graça para ela, apenas a deixavam mais nervosa. O garoto não sabia o que fazer, sua amiga estava tão estressada que ele estava até com medo de chegar perto.

Os dois estavam voltando da escola e Haku tentava não dizer nada para não piorar a situação. Mas não suportava ficar sem falar com a amiga. Pensou então num assunto aleatório para tentar descontrair:

— O que está achando da nova matéria? — Perguntou receoso e a ruiva o olhou com a falta de paciência estampada em seu rosto.

— Irritante. — Falou num tom nervoso.

— Que bicho te mordeu?! Você está assim o dia todo! Tudo te irrita! O que aconteceu? Você prometeu que me contaria tudo! — O garoto falava sem parar, Hinami nem sequer conseguia encontrar uma brecha para responder.

— Pelo amor da Mãe Terra, Haku! Pare de falar! — Gritou irritada fazendo gestos com as mãos.

            Sem querer ela acabou manipulando o vento, o que fez o garoto ser jogado para longe. Ele parou aproximadamente vinte e cinco metros de onde estava antes apenas por ter se chocado no tronco de uma cerejeira. O impacto foi tão grande que fez com que folhas e flores da árvore caíssem sobre si e a sua volta. Ele sentiu a dor se espalhando em seu corpo e soltou um grande grito. Hinami, horrorizada, olhou para as próprias mãos. A garota ficou um tempo encarando-as incrédula, como teria feito aquilo sem querer? Foi tirada de seus pensamentos quando Haku gritou com a voz fraca, mas completamente enfurecido:

Qual o seu problema?! — A dor que sentia em suas costas e nuca era tão gigantesca que sua visão estava turva e ele se sentia fraco.

            Hinami correu até o amigo extremamente desesperada. Ela não entendia o que havia acontecido. Nunca havia manipulado o vento ou feito o uso de qualquer uma de suas habilidades sem querer. Sua mente se tornou uma confusão e ela decidiu se focar apenas em Haku naquele momento.

— Por que você fez isso?! — Perguntou irritado ao ver a amiga se aproximar.

— E-eu... Não foi de propósito! Desculpa! Eu não queria! Não sei o que aconteceu! — Exclamava atropelando as próprias frases. — Por favor, acredita em mim...!

— Calma... — Pediu Haku já tendo em mente que não foi a intenção da garota. — Eu já entendi que você não quis me atacar, acredito em você...

— Deixe-me ver como você está. Eu posso te ajudar...! — Falou a garota sentindo as lágrimas se acumularem em seus olhos.

— Só se você se acalmar. — Falou sorrindo para tentar tranquilizar a amiga. — Se você continuar histérica dessa maneira não vai conseguir me ajudar.

— T-tá bom...! — Falou respirando fundo e contando até dez mentalmente enquanto segurava a mão de Haku.

            Ela conseguiu se acalmar um pouco e passou a pensar mais racionalmente. Hinami pediu para o amigo não se mexer, pois o impacto poderia ter danificado sua coluna e o mínimo movimento poderia agravar a situação. A garota lhe perguntou o que ele estava sentindo, e ele respondeu que era apenas muita dor e falta de ar. Hinami sabia como descobrir se o amigo havia quebrado algo, mas tal pensamento por si só fez com que as bochechas da menina corassem.

— Eu... tenho que verificar se você está bem... — Falou com vergonha tentando não olhar para Haku. — Desculpe-me por isso...

            O garoto não respondeu apenas a observou sem esconder o semblante confuso. Hinami se aproximou um pouco mais e colocou sua mão embaixo da blusa do amigo. Ela deslizou sua mão por suas costas causando arrepios e muita vergonha em Haku. Pressionou certos pontos do comprimento da coluna sempre atenta a o que o semblante do amigo lhe diria. Ao constatar que não havia dano na coluna, ela colocou sua outra mão embaixo da blusa e sentiu suas bochechas queimarem ainda mais. Ela começou a apalpar as regiões das costelas, percorrendo todas as saliências causadas pelos ossos das costelas e pressionando da mesma maneira que fizera com a coluna. Ao chegar à terceira costela, Haku não escondeu a dor tremenda que sentiu com o toque da amiga.

— É aqui que dói mais? — Perguntou só para ter certeza.

— Minhas costas inteiras doem...! — Disse tentando conter o gemido de dor. — Mas sim, é aí que dói mais.

            — Acho que você pode ter fraturado uma das costelas... — Informou Hinami se sentindo muito culpada.

            — Merda...! Como vou explicar isso para a minha mãe? — Se desesperou e acabou se mexendo, o que lhe causou mais dor,

            — Fique parado! — Ordenou a garota em tom de broca.

            Haku resmungou algo que a amiga não pôde ouvir e ela o olhou feio. Hinami pensava em como poderia resolver aquela situação, pois não poderiam simplesmente ir ao hospital e depois dizer para Toniko que ele quebrou uma das costelas. Algo brilhou na mente do garoto e ele se lembrou das habilidades curativas que a amiga tinha. Haku já havia a visto utilizando tais habilidades algumas vezes, inclusive nele próprio. Ele estranhou Hinami já não ter as usado naquele momento.

— Por que você não me cura? — Perguntou sentindo ainda mais falta de ar.

— Porque... eu não sei... — Respondeu baixinho, mas não o bastante para ele não escutar.

— Como não sabe? — Questionou confuso. — Eu já vi você fazendo isso! Até em mim você já fez!

— Eu também sempre soube manipular o vento e mesmo assim acabei te atacando sem querer! — Falou com um semblante chateado.

— Hinami...! — Exclamou impressionado, ele não havia reparado ou parado para pensar que ela deveria estar se sentindo mal por tê-lo atacado e que estaria insegura pela falta de controle repentina.

— Não posso arriscar te machucar mais! — Falou deixando as lágrimas, que tanto segurava, saírem.

— Ei...! Fica calma. — Pediu Haku pegando a mão da amiga. — Eu confio em você, sei que vai se sair muito bem.

— Mas e se eu... — Hinami pensava em milhares de más possibilidades que poderiam ocorrer.

— Só relaxa. — Sorriu para tentar acalmar a amiga. — Pense em coisas boas...

A voz de Haku ficava cada vez mais fraca por ele não estar conseguindo respirar direito e por toda a dor que ele sentia. Mas mesmo nesse estado agoniante ele manteve o sorriso no rosto e a voz doce para que a amiga ficasse mais tranquila e segura de si. Fazendo uso de todo o seu conhecimento em ervas medicinais, Hinami fez algumas folhas de plantas analgésicas para o amigo ingerir apenas para garantir que o desconforto e dor que ele sentia parassem.

A garota respirou fundo, fechou os olhos, colocou sua mão sobre a dele e seguiu seu conselho. Ela começou a pensar em coisas boas e logo se concentrou em todo o seu conhecimento para poder achar a melhor forma de restaurar a costela fraturada de Haku.

Hinami abriu os olhos e colocou novamente a mão abaixo da blusa do amigo, mas dessa vez foi direto ao ponto que precisava. Antes de fazer qualquer coisa, ela o lembrou de que ele não poderia fazer o mínimo movimento. Com a mão aberta sobre o local, ela se concentrou em fazer com que o processo calcificação se acelerasse drasticamente. Haku sentiu dor por tudo que estava acontecendo dentro de seu corpo, mas apenas deixou que fracos e baixos gemidos escapassem. Mesmo com tudo aquilo acontecendo, ele não pode deixar de pensar que sem as ervas que ingeriu, a dor poderia ser alucinante. Não demorou para que o osso se restaurasse por completo e a dor dele se tornasse apenas um incômodo.

Hinami escondeu ao máximo todo o cansaço que aquilo lhe causou, não queria seu amigo preocupado com ela naquele momento. Permaneceram sentados no chão por alguns minutos para se recuperarem e depois voltaram seu percurso para casa. A garota evitou falar sobre o ocorrido, queria primeiro entender o que havia acontecido para poderem conversar sobre.

🌱


Hinami passou a noite em claro, não parava de criar hipóteses para sua falta de controle em suas habilidades. Seria falta de treinamento? Mas não foi só isso que a manteve acordada. Ela estava sentindo a mesma dor no abdômen de dias atrás durante toda a noite. Só conseguia pensar mais uma vez em sua inutilidade, que havia alguém maltratando a natureza por pura diversão outra vez e ela não podia fazer nada.

            Outra vez irritada e também frustrada, Hinami ficou na forma humana e se levantou para ir ao banheiro. O percurso de seu quarto até o banheiro demorou mais que o normal, uma vez ela andava devagar devido à dor de seu abdômen, que parecia ter se espalhado por sua coluna e coxas, causando um enorme desconforto. Algum desgraçado deve estar se divertindo muito maltratando a natureza...!, pensou. Ela estava com tanta raiva que não percebeu já ter chegado à porta do cômodo. Ao adentrar o banheiro, ela viu seu estado acabado por não conseguir dormir e também pelo semblante nada bonito que estava em seu rosto devido o sono, a dor e os pensamentos que estavam perturbando sua mente.

            Ela abaixou a parte de baixo de seu pijama junto de sua roupa íntima e se sentou no vaso sanitário distraída com o nada. Quando finalmente foi dar atenção para si mesma, ela levou um grande susto. Viu sangue, muito sangue! Suas roupas, antes azul, estavam cobertas por aquele líquido vermelho escuro. Isso a fez entrar em desespero, um grande medo lhe percorreu. Mas ao perceber de onde vinha todo o sangue, ela se sentiu mais calma e entendeu tudo que estava acontecendo. Sua irritação e sensibilidade emocional eram por causa dos hormônios; a dor não era por alguém estar maltratando a natureza, como costumava acontecer sempre, mas sim por causa das cólicas pré-menstruais; e, provavelmente, suas habilidades estavam descontroladas por esse estado que modifica o corpo.

            Hinami estranhou não ter nada sobre aquilo no diário de sua mãe. Se tivesse, com certeza seria algo que lhe ajudaria muito. Com isso em mente, ela cogitou que talvez estivesse na hora de ir atrás do Senhor Kanui, pois não queria permanecer descontrolada, principalmente estando em meio aos humanos.

            Ela ficou tão distraída com seus pensamentos que até havia se esquecido de que ainda estava sentada no vaso sanitário. Ela se limpou e levantou-se para ir ao seu quarto buscar outro pijama, enquanto se questionava como não havia percebido que estava molhada. A garota adentrou o banheiro mais uma vez e foi se banhar. Ao sair, começou a procurar nos armários do banheiro o pacote de absorventes que Chyo havia comprado dois anos atrás, quando Hinami tinha apenas doze anos, para garantir que não seriam pegas desprevenidas quando acontecesse. Assim que acabou o que tinha que fazer no banheiro, desceu as escadas e foi à lavanderia da casa para lavar seu pijama no tanque.

            Enquanto estava lavando-o, Chyo, que foi despertada pela movimentação de Hinami pela casa, apareceu na lavanderia e perguntou para a filha o que ela estava fazendo ali naquela hora da madrugada. A chegada repentina da senhorinha causou um sobressalto em Hinami que, além de estar concentrada no que fazia, não esperava vê-la naquele momento.

   — Assustou, é? Estava fazendo algo errado para levar um susto? — Brincou a senhorinha com um semblante divertido.— Ai, mãe! Que susto! —Exclamou e quase levou a mão ao peito, mas se lembrou de que a mesma estavamolhada.

            — Apenas não esperava te ver agora. — Se explicou sorrindo.

            — Digo o mesmo, querida. O que está fazendo aqui numa hora dessas?

            — Estou lavando o meu pijama... — Falou sentindo certa vergonha.

            — Derramou algo nele? — Perguntou inocente.

            — Não... É que tinha um pouquinho de sangue nele... — Disse torcendo mentalmente para que a mãe entendesse para que ela não precisasse explicar mais.

            — Oh! — Exclamou Chyo se dando conta do que havia acontecido. — Está doendo? Você achou os absorventes?

            — Não está doendo. — Mentiu, pois a senhorinha iria querer lhe dar um remédio, mas ela não gostava. Preferia se cuidar com suas plantas. — Achei sim. Está tudo bem.

            — Ah, meu Deus...! Minha garotinha já é uma mocinha...! — Falou com os olhos marejados.

            — Ah, mãe... — Hinami sorriu constrangida.

            — Daqui a pouco já é uma moça adulta e independente...! — A senhorinha começou a fazer muito drama, o que causou várias risadas em Hinami.

            As duas passaram um tempo conversando sobre essa nova fase da vida da garota. Chyo lhe deu várias dicas, mas Hinami não sabia se poderia seguir todas as dicas da mãe, pois não sabia se havia alguma diferença entre os corpos dos Naturys e dos Humanos nesse requisito. Logo a senhorinha sentiu-se cansada e voltou para o seu quarto. Hinami criou algumas folhas para fazer um chá que acabaria com a sua cólica e lhe ajudariam a dormir. Depois voltou para o seu quarto e finalmente, após alguns poucos minutos, conseguiu dormir.

🌱


            Quando Hinami acordou já se passavam das nove horas e meia da manhã. Ela saiu da cama num pulo e foi ao encontro de sua mãe saber o porquê dela não a ter acordado para ir ao colégio. A senhorinha lhe respondeu que era porque a garota havia ficado muito tempo acordada na noite anterior e isso lhe deixaria com muito sono se acordasse cedo para ir estudar, portanto não daria a devida atenção à aula. Falou também para ela não se preocupar, pois já havia conversado com Haku e ele passaria depois da aula para entregar as anotações do dia.

            Como não daria mais para Hinami chegar ao colégio e assistir as aulas, ela deu de ombros e foi tomar um banho antes de ir comer seu café da manhã. Assim que saiu, viu seu desjejum na mesa da cozinha junto com um pedaço de papel. Era um recado de Chyo informando que havia saído:

"Hinami,


Saí para ir ao mercado comprar os ingredientes que estão faltando para fazer o almoço.


Volto logo, beijos."


            Isso deixou a garota um tanto chateada, gostaria de ter ido junto com sua mãe, uma vez que não teria o que fazer já que não foi ao colégio. Após terminar seu café, lavou as louças que estavam sujas e decidiu dar uma geral na casa para agradar e ajudar sua mãe. Começou pelo andar de cima, ou seja, quartos e banheiros. Depois limpou as escadas e foi para a sala de estar. Em pouco tempo arrumou a cozinha e limpou a sala de jantar. Assim que acabou olhou para o relógio, eram dez horas e quarenta e três minutos da manhã. Estranhou a senhorinha estar demorando tanto para chegar e decidiu colocar as roupas sujas para lavar.

            Hinami ficou esperando pacientemente o retorno de sua mãe, mas ela estava demorando muito. A garota pensou que ela tivesse encontrado algum conhecido na rua e perdeu a noção do tempo conversando. Ela estava entediada, não tinha mais nada para fazer e ninguém para conversar. A máquina de lavar roupa emitiu um som, avisando que havia acabado seu serviço e Hinami foi pegar as roupas para estendê-las no varal.

            Ela sentiu outra dor e ficou sem saber se era cólica ou se era alguém fazendo mal a uma de suas criações. Não se lembrava de como sabia ou como descobriu, mas desde que se lembra, a garota tinha conhecimento de que tudo que fosse criado por ela seria como se fizesse parte de si. Portanto, se alguém maltratasse suas criações ela sentiria dor como se o ataque tivesse sido nela própria. Quanto maior fosse a criação, mais dor ela sentiria. As dores sempre haviam se manifestado em seu abdômen, então ela não sabia diferenciar das cólicas menstruais. Ficar naquela dúvida estava a deixando louca.

            Hinami olhou o relógio e viu que já eram onze horas e meia da manhã. Ela ficou irritada pela demora da senhorinha para retornar e por não ter o que fazer. Então a garota decidiu que iria tentar encontrar o homem que seu pai mencionou na carta, Kanui. Ela já andava pensando em fazer isso há algum tempo, mas tinha certo receio. Além do mais, Haku iria querer ir junto, e Hinami não queria leva-lo, pois não sabia o que poderia acontecer. Ela não sabia proteger nem a si mesma, ter que proteger ambos caso algo ruim viesse a acontecer poderia ser o fim. Mas como o amigo estava no colégio haveria uma desculpa para não leva-lo.

            A garota foi até o seu quarto para pegar a carta e também para escrever um bilhete para sua mãe dizendo que tinha algo para fazer e que voltaria antes do fim da tarde.

"Mamãe,


Lembrei-me de algo que preciso fazer e vou aproveitar minha 'folga'. Acho que irei demorar um     pouco, mas volto antes do final da tarde.


Qualquer coisa me liga, beijos."


            Ela foi até o terraço de sua casa, uma leve brisa batia fazendo com que as roupas do varal se balançassem um pouco, olhou para cima e admirou por um tempo o hipnotizante céu azul para fazer sua mente se esvaziar. Hinami respirou fundo e pensou em coisas boas, assim como Haku havia sugerido no dia anterior. A garota planejava manipular o vento para fazê-la voar rapidamente até as montanhas do lado norte da cidade, pois de ônibus demoraria muito, e devido seu descontrole poderia ser perigoso. Mas ela se concentrou em não pensar nas más possibilidades para não desestabilizar seu controle mental. Se deu certo para curar o Haku, vai dar certo agora...!, pensou otimista.

Pensando positivo, ela manipulou o vento para fazê-la flutuar. Subiu devagar para não abusar da sorte olhando em volta para ter certeza que ninguém a veria. Ao chegar na altura nas nuvens mais baixas, ela abandonou a forma humana para poder usar melhor suas habilidades e voou em direção ao norte.



Notas Finais


Obrigada por ler ❤️
Espero que tenha gostado


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