1. Spirit Fanfics >
  2. A Obsessão >
  3. Recomeçar

História A Obsessão - Capítulo 4


Escrita por: ThaynaraPollyanna

Notas do Autor


oiii gentee!!
Aqui está mais um capítulo de A OBSESSÃO. Espero de coração que estejam gostando e se não for pedir muito eu peço que vocês comentem o que estão achando de cada capítulo - assim me ajudando a melhorar a minha historia e ajudando no crescimento dela.
Eu amo vocês - meus leitores.
Beijos.
BOA LEITURA!!!

Capítulo 4 - Recomeçar


Me assusto com a cacofonia irritante do meu despertador marcando exatamente cinco da manhã, me arrasto para fora da cama resmungando feito uma velha rabugenta, paro em frente ao espelho vendo meus cabelos despenteados e as olheiras profundas, resultado das horas de sono que eu perdi estudando até as três da manhã. Os últimos meses tem sido difíceis, mas não impossíveis, aos poucos estou juntando todos os meus cacos, tentando reconstruir toda a minha vida e deixar para trás o meu passado sombrio —pelo menos é o que eu acho que estou fazendo.

Escovo meus dentes, penteio meus cabelos e coloco minha roupa de sempre, calça jeans e regata, pego minha bolsa e desço as escadas correndo encontrando Jolie na cozinha passando o café.

—Bom dia, vamos sair hoje depois da aula de anatomia? —ela pergunta me oferecendo a xícara de café.

—Vamos, preciso mesmo de uma bebida —digo fechando os olhos ao sentir o sabor amargo e doce do café.

—Vou pegar vestidos —Jolie diz eufórica subindo as escadas correndo.

—Vai se machucar —grito para ela.

Pego as chaves do meu carro e vou para a sala, Jolie desce as escadas e me entrega um vestido preto colado e salto alto preto.

—Você sempre esquece o jaleco —ela diz o entregando para mim.

—O que seria de mim sem você, ei! Porque eu tenho que ficar com vestido colado?

—Porque você tem um corpão —ela diz rindo.

Nós duas entramos em meu carro e a primeira coisa que na minha amiga faz é ligar o som, estamos cursando medicina e eu me sinto tão feliz por estar realizando o meu sonho, eu sempre quis poder ajudar as pessoas de alguma forma.

—Quando vai me contar tudo o que aconteceu no Brasil? Você me disse apenas algumas coisas.

—Eu ainda não estou pronta, aconteceu tanta coisa... aquele país trouxe azar para a minha vida —digo fazendo uma careta.

—Você sabe que estou aqui por você —Jolie fala afagando meu joelhos de leve.

—Eu sei, senti muito a sua falta.

—Eu também, tudo o que eu queria quando meu pai morreu era um abraço seu.

—Acredite, eu também queria isso, eu sinto tanta falta dos meus pais —digo me lembrando do sorriso de meu pai, das vezes em que sentávamos para tocar piano juntos, sinto falta até mesmo das broncas de minha mãe.

—Aquela casa ficou tão triste sem vocês, era somente meu pai e eu e quando ele se foi a casa parecia mais um mausoléu, silenciosa. Tinha dias que eu daria tudo para ouvir você e seu pai tocando.

—Eu senti tanta falta disso também, acho que depois que ele morreu eu nunca mais toquei e nem cantei nada.

Meu pai e eu éramos unha e carne, ele era musico e amava tocar piano, violão, bateria, violino — ele me ensinou a tocar todos esses instrumentos, todos os domingos nós tocávamos o dia todo, eu sinto tanta falta dele que meu peito chega a doer. E minha mãe... sinto tanta falta dela, ela sempre foi uma pessoa rigorosa e séria, mas sempre saiamos para fazer compras, ela era a minha melhor amiga, assim como Jolie, perdi meus pais por um trágico acidente de avião, eu fui a única sobrevivente — todas as pessoas que estavam naquele avião morreram, perdi Jolie por um tempo. Ela é minha amiga dês de que sou criança, seu pai era nosso mordomo, nós o considerávamos da nossa família, tinha Jolie como irmã, pois minha mãe não podia ter mais filhos e ela foi como uma mãe para Jolie — a mãe de Jolie morreu quando deu a luz.

Tudo o que eu tinha, toda a minha família se foi somente Jolie e eu ficamos, eu não tenho nenhum parente vivo, quando meus pais morreram minha tia ficou com a minha guarda, ela morava no Brasil, mas um mês depois ela morreu — era terminal, tinha um tumor cerebral de grau IV um glioblastoma multiforme, é um dos tipos de tumores cerebrais mais agressivos, fiquei destruída quando eu a perdi.

 

---*---

 

No vestiário da faculdade coloco o meu vestido tubinho preto e o salto alto, faz exatamente sete meses que estou aqui e hoje é o primeiro dia que eu saio de verdade para uma balada — com tudo o que aconteceu eu não tive cabeça ara sair e para falar a verdade eu estava juntando os meus caquinhos, reconstruindo a minha sanidade mental — eu ainda acordo no meio da noite gritando por conta dos pesadelos horríveis, mas agora eles são menos frequentes. Termino de me maquiar me viro para as minhas amigas.

—E você kiarah? quando vai arrumar um namorado? — Kendal pergunta.

—Ainda não sei —digo estremecendo ao me lembrar de Christopher.

—Até hoje não me disse o que houve com você.

—Ela não gosta de falar sobre isso —Jolie diz repreendendo Kendal.

—Me desculpe —Kendal pede.

Kendal virou nossa amiga quando começamos a faculdade, ela é uma garota muito legal e uma ótima amiga.

Saímos da faculdade direto para o meu carro, as aulas hoje foram intensas e muito legais, dissecamos um cadáver, no começo a gente ficou um pouco impressionada, mas logo acostumamos, além do mais os professores tem muito respeito com os cadáveres e os alunos também.

—Você não sabe o quanto eu tive saudade de sair com você para aquelas baladas caríssimas —Jolie diz empolgada ao meu lado.

—É sério que vamos nas boates famosas? —Kendal pergunta do branco de trás.

—Sim! sempre encontrávamos artistas, chegamos a conhecer o Justin Bieber vez —Jolie conta empolgada virando de lado no banco, falando em como ele era lindo e educado e como sorriu para ela quando pediu uma foto para ele.

Ao chegamos a balada deixo meu carro com o manobrista e vamos direto para a entrada, pode parecer mentira, mas eu sou muito famosa em Los Angeles por conta da impressa de meu pai, ele já produziu vários músicos famosos, não sei como as pessoas vão reagir ao me verem novamente, pois eu fiquei um ano sumida. Os paparazzis estão doidos do lado de fora, com certeza deve haver algum famoso aí dentro.

—Kiarah Montgomery! —um dos paparazzis grita.

Meu coração acelera e eu jogo meus cabelos na frente no rosto — não posso deixar que ele descubra onde eu estou mesmo sabendo que ele provavelmente sabe que voltei para a minha cidade, contudo prefiro não aparecer nas câmeras. Do lado de dentro  da balada subimos direto para a área vip.

—Como os paparazzis conhecem você?  —Kendal pergunta impressionada.

—Por conta da empresa  de meu pai, ele lançou vários cantores —explico ainda com medo de que os paparazzis tenham conseguido alguma foto de meu rosto.

—Você está pálida, está tudo bem? — Jolie pergunta.

—Eu não posso ser vista, não posso revelar a minha localização em tempo real —digo olhando para os lados.

—Vou pegar bebidas, o que vocês querem? —Kendal fala animada.

—Whisky, dose dupla malte único —digo respirando fundo tentando acalmar o meu coração.

—Margueritas —Jolie diz.

Kendal sai para pegar as bebidas no bar, olho ao redor vendo pessoas dançando e bebendo, nada me chama atenção a não ser o homem recostado no balcão de forma casual com as mãos nos bolsos — eu o conheço! Meu coração se acelera ao vê-lo, ele é ainda mais lindo pessoalmente, é um cantor famoso em Los Angeles, suas músicas são lindas! Eu as ouvia todos os dias naquele inferno que eu passei no Brasil, o sigo no integram a muito tempo — não consigo evitar encara-lo, ele usa calça jeans preta estilosa com vários rasgados, coturnos marrons, camiseta preta, anéis por todos os dedos, unhas pintadas de preto e tatuagens sexys por seus braços.

—Ele está sorrindo para você —Jolie diz me fazendo sair de meus devaneios.

—O que é que tem?

—Não o achou bonito?

Passo os olhos por ele mais um vez vendo aquele sorriso lindo dançar em seus lábios provocativos.

—Muito bonito —falo hipnotizada.

—Vai falar com ele.

—Claro que não —faço uma careta.

—Tem que parar de se coração de pedra, seja lá o que houve com você deve ter sido horrível, mas não pode viver assim para sempre, tem que se permitir e aquele homem lindo e gostoso está dando bola para você.

—É difícil para mim.

Kendal volta nos entregando as bebidas.

Aimeudeus! Aquele é...  —Kendal grita histeria olhando para o cara de quem Jolie e eu estávamos fanado.

—Edward Klein —digo revirando os olhos.

Me assusto quando alguém cutuca meu ombro, me viro vendo um garçom, ele sorri para mim me estendendo uma rosa vermelha.

—Essa flor é de Edward Klein para você a mulher mais linda de Los Angeles —ele diz me entregando a flor.

Levo a rosa até o nariz sentindo o seu perfume, eu amo rosas vermelhas.

—Não acredito que ele deu uma rosa para você, vai falar com ele. —Kendal quase grita.

—Não vou falar com ele —falo nervosa fazendo uma careta quando a minha voz sai agudada demais.

—Porque não? Olha como ele sorri para você —Kendal diz indignada com a minha atitude.

—O problema é esse, olha como aquele sorriso é lindo e encantador, o coração chega a disparar. Está vendo isso? Já estou falando que o sorriso dele é lindo, eu não posso me apaixonar e não tem como não me apaixonar por ele, é simplesmente impossível, eu já o conhecia ele é meu crush —digo nervosa comigo mesma por admitir tudo isso.

—Você tem que se permitir —Jolie diz rindo para mim.

—Já chega! eu vou pegar outra  bebida —intervenho me levantando bruscamente quase derrubando a cadeira.

Passo por ele indo direto até o bar e pedindo uma garrafa de whisky, saio pela porta dos fundo dando em um beco silencioso — suspiro e me recosto na parede fechando os olhos  tomando um gole do whisky que faz a minha garganta queimar. Eu sei que Jolie e Kendal apenas querem me ver feliz, mas eu não sei se consigo confiar em outra pessoa novamente, isso é difícil para mim, eu tenho medo de me apaixonar — sei que provavelmente elas estão certas, mas tudo me lembra Christopher, me pego pensando nele e nas coisas ruins, sentindo falta dos coisas boas e o pior de tudo é a saudade que sinto dele as vezes, saudade do Christopher “bom”, do cheiro, do beijo, do sorriso sapeca e das covinhas fofas que me encantaram dês do primeiro dia.

—Porque foge de mim?

Abro os olhos com o coração acelerado levando um susto ou ouvir uma voz grave. Ele está perto, muito perto me encarando com esses olhos verdes lindos.

—É complicado. —Digo mais para mim do que para ele.

—Você é a garota mais linda que eu vi em toda a minha vida —Ele diz se aproximando mais, apoiando sua mão na parede bem ao lado de minha cabeça.

—Eu nem conheço você —Digo seduzida por sua beleza e sua voz sensual.

—Eu sei que me conhece, você me segue nas redes sociais e curte meus vídeos —Ele diz sorrindo olhando no fundo de meus olhos.

—Legal...—falo um pouco nervosa com o calor que emana dele.

—Eu quero beijar você —Ele diz baixo olhando para os meus lábios.

—Edward, eu não posso fazer isso, não tenho nada a lhe oferecer, sou uma pessoa machucada demais.

—Não precisa mais ser machucada, posso cuidar de você.

Olho para ele, para cada detalhe, dos cabelos loiro escuro ondulados caindo por sob a orelhas, os olhos verdes, para os lábios carnudos e avermelhados com um piercing sexy no lábio inferior, barba por fazer, maxilar definido e um sorriso hipnotizante — sinto sua energia, uma onda de paz e calmaria ou talvez seja o efeito do whisky.

—Não! Não pode —Digo ainda hipnotizada por ele por seu magnetismo.

Ele sorri e aproxima os lábios de minha orelha.

—Então porque não se move? —sussurra para mim com um sorriso lindo.

Saio de meus devaneios e me afasto dele tomando mais um gole de Whisky — se ele soubesse a ligação que tem comigo...

—Para de me seguir —eu falo olhando para ele por cima do ombro virando mais da bebida.

—Para onde vai? —ele pergunta caminhando calmamente atrás de mim.

—Não sei, estou andando sem rumo.

Levanto a garrafa para cima para dramatizar quase tropeçando em meus próprios pés — rio baixinho de mim mesma vendo a rua a minha frente oscilar.

—Vou com você.

Tudo a minha volta já roda por conta do efeito do álcool e depois de andar um pouco me sento em um banco sentindo meus pês doerem — maldito salto auto! Eu o vejo se sentar ao meu lado, continuo a beber até que ele pega a garrafa de minha mão e dá um longo gole.

—F-fugi... do Brasil —confesso com dificuldade enrolando as silabas.

—Porque você fugiu?

—Estava fugindo do meu ex-namorado, ele...ele era um psixiicopata —caio na gargalhada —viu o que eu disse? Pixiicopata.

Mas Edward continua sério olhando para mim.

—Ele machucava você?

—Essa é uma das muitas cicatrizes que ele me deu —digo lhe mostrando a marca do corte em meu braço e em minha perna.

—Eu sinto muito...

—Eu provavelmente vou me arrepender disso amanhã, na verdade nem sei porque estou contando isso a você que nem me conhece direito... mas a questão é que eu não sei se consigo confiar em outra pessoa novamente.

—Não sabia que tinha passado por tudo isso.

—Claro que não, você não me conhece —Eu reviro os olhos tirando a garrafa das mãos dele fazendo uma careta ao ver que ele tomou tudo.

—Sim, eu conheço —ele rebate.

—Sabe, a dor física não é nada comparada com a dor do coração, dói muito ser machucada pela pessoa que você gosta, por isso estou bebendo, você e minhas amigas me fizeram lembrar e me dói lembrar. Não porque eu o amo e sim porque foi horrível o que eu passei, dói tanto lembrar que as vezes me sufoca.

—Eu sinto muito mesmo —Ele diz com um suspiro.

Olho para ele, não quero mais falar, estou muito bêbada e mal consigo dizer as palavras corretamente — minha mente dá voltas e ele é tão lindo... isso é injusto.

—Só precisava de um abraço —Digo olhando em seus olhos balançando a cabeça quando vejo dois dele.

Fecho os olhos suspirando quando ele me abraça — eu esperei tanto por isso, passei tanto tempo sofrendo e teve dias que somente as musicas dele eram capazes de me trazem um pouco de esperança. A onda de calmaria percorre meu corpo e pela primeira vez em muito tempo eu me sinto segura.

—Vem —Ele diz se levantando e segurando minha mão.

—Para onde?

—Vou cuidar de você, não está bem.

Entramos em um carro que estou bêbada demais para identificar, estou cansada demais, triste demais — tudo demais para raciocinar direito, não devia entrar no carro dele, mas meus pés doem tanto...

 

---*---

 

Me apoio no braço dele enquanto subimos as escadas em direção ao que ele disse ser o seu quarto.

—Pode dormir aqui.

—Isso está me incomodando —falo fazendo uma careta passando a mão pelo vestido.

—Coloque isso —ele me entrega uma camiseta branca.

Me sento na cama apoiando minha testa na palma da mão tentando fazer tudo parar de girar. Com delicadeza ele tira meus sapatos.

—O salto machucou seus pés.

—Onde posso me trocar?

—Tem um banheiro logo ali —ele diz apontando para uma porta ao lado de uma escrivaninha que ainda não tinha visto ainda.

Caminho até lá fechando a porta atrás de mim, tiro meu vestido e coloco a camiseta que cobre o essencial do meu corpo indo até a metade da coxa, saio do banheiro o vendo puxar as cobertas da cama, me deito nela sentindo um cansaço enorme.

—O certo era aplicar glicose a minha veia para abaixar o teor alcoólico do meu corpo  e eliminar as toxinas... —resmungo fechado os olhos.

—Isso não será necessário, apenas descanse —ele diz me cobrindo.

Eu suspiro me aninhando nas cobertas — o rosto de Christopher vem em minha mente, porque eu ainda sinto falta dele? Ele tinha um sorriso tão lindo, era tão talentoso, tinha tudo para ser uma boa pessoa, mas o monstro dentro dele é maior do que tudo, ele mostra o seu lado mais perverso.

 

---*---

 

—Merda! Que dor de cabeça! —resmungo colocando a mão nas têmporas sentindo minha cabeça latejar.

Abro os olhos e me sento assustada não reconhecendo o local que eu estou, olho em baixo da coberta ficando mais assustada ainda com as minhas roupas —, meu Deus o que eu fiz?! Estou quase tendo uma sincope quando me lembro do ocorrido noite passada, não acredito que eu fiz isso! Olho ao redor vendo um quarto enorme cinza, escrivaninha, banheiro, um espelho enorme de frente para a cama, outras duas portas, uma janela grande revelando um gramado grande com arvores e esculturas, no criado ao lado da cama vejo um copo de água, um comprimido e uma folha de papel com uma caligrafia bonita escrita nela.

 

tome o remédio para dor de cabeça e venha até a cozinha comer!

—Edward

 

Tomo o remédio desesperada para que a dor de cabeça pare — eu odeio ressaca! Me levanto me olhando no espelho passando as mãos pelos cabelos, como Edward me conhece? Não me lembro dele ter dito, só me lembro de ter confessado a minha vida toda para ele. Vou em direção a porta do canto do quarto e a abro me assustando ao ver um closet, acho que abri a porta errada, rio fazendo uma careta quando isso faz com que a minha cabeça doa mais ainda. Vou em direção a outra porta a brindo vendo um corredor grande a minha frente, desço a escada até uma sala, os móveis são sofisticados e brancos, um piano grande está ao lado, violão, quadros abstratos, uma lareira o que não faz sentido pois Los Angeles é tropical, um sofá grande, uma mesa de centro, televisão que mais parece um cinema e poltronas brancas. Suspiro deslizando os dedos suavemente pelo piano tentada a toca-lo, mas ao fechar os olhos a imagem de meus pai sorrindo e tocando no nosso piano me entristece — acho que essa dor nunca vai passar, caminho até uma porta a abrindo vendo uma grande mesa de vidro repleta de coisa e Edward surge de dentro da cozinha sorrindo para mim.

Ele está lindo, “SEM CAMISA!”, o que me faz corar, ele tem tatuagens pelos copo, uma borboleta no peito, notas musicais no braço e várias outras. A luz do sol que entra pela janela deixa a pele dele ainda mais dourada e seus cabelos loiros e cacheados reluzindo, os lábio rosados tão convidativos que me aproximo um passo dele inconscientemente, mas saio do transe e me sento a mesa, Edward coloca uma xícara de café a minha frente, mas eu só consigo olhar para o seu corpo — droga! Pelo sorriso torto em seus lábios acho que percebeu o caminho do meus olhos descendo por seu torso.

Acho que isso é muito tempo sem beijar ninguém!

—Como sabe que eu gosto de café? —pergunto colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha tentando disfarçar.

—Você sempre posta fotos de café em seus stories.

—Como você me conhece? —pergunto olhando para cima o encarando de pé ao eu lado.

—Um dia vi uma notificação, a sua curtida em um de meus vídeos, então descobri que você me segue no Instagram, para falar a verdade ontem eu pensava em mandar uma mensagem para você, mas eu não precisei, porque você estava bem em minha frente, eu acompanho você a muito tempo, eu te sigo, você não viu?

—Não tenho muito tempo para olhar o celular e quando eu estava no Brasil... quando eu estava no brasil...

Ele apenas sorri para mim compreensivo.

—Me desculpe por ontem... por estragar a sua noite com meus problemas, não foi assim que eu imaginei conhecer você —digo tomando um gole de café que está delicioso.

—Tudo bem, você não estragou, olha kiarah, eu acredito em amor à primeira vista, deixo isso claro nas minhas músicas, me apaixonei por você na primeira vez que curtiu um vídeo meu, entrei no seu perfil e vi suas fotos, algo em você me encantou, me hipnotizou, mas achava impossível ir até você e por ironia do destino você veio até mim.

—Isso é loucura, quando uma coisa assim acontece?

—Somo almas gêmeas, sempre encontramos o caminho de volta para o outro —ele diz olhando em meus olhos, é um trecho de sua música mais famosa.

—Eu não posso fazer isso —digo desviando os olhos do seu olhar febril.

 A ultima pessoa que olhou dessa forma foi Christopher e eu o amei... mesmo quando ele me machucou uma parte minha continuou o amando — não sei se era porque estava doente —, síndrome de Estocolmo — como costumam dizer, mas não sei porque ainda sinto falta dele  e medo ao mesmo tempo.

—Me deixe cuidar de você —ele diz segurando minha mão me assustando ao romper o silencio.

—Não sei se posso confiar em outra pessoa novamente. Nem sabia que você me conhecia muito menos que gostava de mim como posso confiar em você?!

Falo tudo tão rápido que acho que ele não entendeu, mas Edward apenas afaga a minha mão.

—Eu sei que parece loucura, mas no amor sou assim, sou intenso e posso dizer que gosto você, porque é inegável, fiquei mais de um ano acompanhando você, desejando te ver de perto, ouvir sua voz, saber tudo sobre você, as manias, o que gosta, o que não gosta. Sei que faz medicina, que ama ler, ama café, whisky, ama dias ensolarados e eu quero saber mais —ele diz empolgado com os olhos brilhando.

—É que aconteceu tanta coisa comigo no Brasil... desculpe, você não precisa ouvir a minha história triste.

—Eu quero ouvir, me conte kiarah, conte o que houve com você —ele suspira e balança a cabeça —conte se quiser, eu vou ouvir tudo.

Olho para ele de verdade, não da forma que olho para as pessoas e percebo de cara que as achamos bonitas, mas sim quando vemos o que há dentro de sua alma e agora eu posso ver cumplicidade nos olhos dele, carinho e principalmente paixão.

—É uma historia longa e nada bonita e acho que a primeira vez que conto tudo isso em voz alta para alguém assim tão detalhadamente —digo hesitante.

—Eu vou ouvir você, todos precisam desabafar, colocar para fora a dor que está aqui dentro —ele diz pousando a mão em meu peito sobre o coração —se não dizermos o que está nos afligindo essa dor pode acabar destruindo o que há de mais bonito na nossa vida.

—Tudo começou quando eu e meus pais decidimos viajar para o Brasil para passar o ano novo com a minha tia...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...