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História A Ordem de Merlin e as Orbes do Caos (Interativa) - Capítulo 4



Notas do Autor


Finalmente chegamos com o ultimo Teaser, a partir de agora a historia estara começando de verdade. Logo mais, estaremos postando o resultado dos aceitos, junto com o primeiro capitulo da historia. Esperamos que gostem desse teaser e tenham um bom dia.

Escrito e Idealizado por @Jac_Mustard
Betado por @Padddy_me

Capítulo 4 - 0.3 - Barquinho de Papel - Teaser


Fanfic / Fanfiction A Ordem de Merlin e as Orbes do Caos (Interativa) - Capítulo 4 - 0.3 - Barquinho de Papel - Teaser

 

O céu limpio e a gélida brisa tornavam o dia perfeito para se apreciar as paisagens montanhosas. O palacete da família Relliern, Hildreth Hall, tinha suas enormes e rígidas paredes de pedra iluminadas pelo sol da manhã. A enorme estrutura de coloração cinza claro e limpeza duvidosa era, em diversas partes, coberta com trepadeiras floridas. Um lugar calmo de viver, apenas com o som da natureza para fazer-lhes companhia. 

Era por essa velha estrutura que um jovem garoto se aventurava. 

A franja negra foi soprada da frente de seus olhos igualmente escuros, podia sentir a junta de seus dedos arderem em contato com as folhas emaranhadas que arrancava. Era fascinante o quão rápido aquelas ervas cresciam. Se bem que faziam três semanas que não passava por ali, não era de admirar que essa espécie de planta cresceria rápido.

Com uma última contração de seu bíceps pouco desenvolvido, trazendo um punhado de ervas junto ao corpo, já era possível ver seu objetivo. Alguns tijolos de pedra se faziam sobressalentes na enorme estrutura, uma diferença quase mínima.

O menino olhou para trás, se perguntando se havia feito muito barulho. 

Sabia que Else não estava em qualquer lugar próximo, ouviu de um dos empregados da casa que a mesma estava tratando de assuntos com um cliente importante. Gael estava, muito provavelmente, pintando outro quadro e Devanny tomando seu chá na estufa.

Ninguém estava prestando atenção no pátio, onde o garoto se encontrava. Logo atrás de uma enorme estátua de seus antepassados, Verne Hildreth e sua esposa com seu filho nos braços. Não sabia o motivo, mas aquela estátua lhe causava agonia, talvez pelos olhos da mulher, que pareciam sempre o seguir.

Quando sua atenção voltou para o muro, levou um leve susto ao se deparar com os enormes olhos azuis de Flemeth. A pequena tinha seus braços finos cruzados em suas costas e olhos bem abertos demonstrando a enorme curiosidade, suas grandes orelhas esticadas acima da cabeça.

Merda, não acreditava ter sido descuidado o suficiente para que a cinzenta o pegasse no flagra. Não demorou muito para que a mesma começasse a falar com uma voz esganiçada.

— Não deveria brincar com as ervas, jovem mestre. — Pareceu analisá-lo de forma minuciosa. — Poderia se machucar e a Senhora não gostaria de saber que esteve perto da estátua novamente.

Sentiu um arrepio na espinha quando pensou no quão irritada a mulher estaria. Podia até imaginar a mesma arrumando seu cabelo loiro enquanto dobra suas tarefas. Ela não poderia saber de maneira nenhuma.

— Flemeth, eu só queria passear pelo bosque por alguns minutos. Eu te levaria comigo, mas você não pode sair dos muros.

— O jovem mestre também não tem passagem permitida para fora da propriedade. — A elfa era esperta, o garoto sabia desse fato.

Precisava oferecer algo que valesse a pena para a mesma, ou seria claramente delatado.

— Se você guardar segredo, eu posso ler A Longa Jornada ‘pra você de noite.

Adeen sabia, praticamente, toda a história dos coelhos de ponta a ponta. Podia até imaginar a enorme toca dos coelhos da fazenda. Não entendia tudo que a história queria passar, mas Flemeth parecia amá-la.

Os olhos azulados da elfa brilharam com a proposta. Suas olheiras de morcego se agitaram e a mesma levantou o dedo mindinho para o garoto de apenas oito anos. O dedo era tão fino que não parecia ser mais de um simples osso.

— Promessa?

O gesto simples e inocente da elfa fez um sorriso singelo se espalhar pelo rosto do menino. Flemeth era uma grande confidente, quando queria. Nem se sentia tão mal por ter de ler aquele conto infantil, novamente.

— Promessa.

Completou antes de entrelaçar seus dedos com os da pequena elfa. Após um aperto doce e então, por fim, uma separação, não se passaram milésimos de segundos para a elfa desaparatar. O menino estava sozinho novamente, mesmo que não por muito tempo.

Retirou os tijolos de pedra lentamente, não queria provocar qualquer barulho desnecessário. Não demorou muito para que a palma de suas mãos estivessem cinzentas e arranhadas, mas conseguiu retirar o suficiente para fazer um buraco pequeno no muro de pedras. As outras eram muito rígidas e pesadas para mover. Voltou a olhar ao redor antes do próximo passo. 

Não poderia ser pego de maneira nenhuma.

Felizmente, ninguém apareceu de supetão ou estava perto do pátio. Respirou fundo antes de se voltar a abertura, com certeza era muito estreita, mas não o suficiente para impedir um pequeno corpo de passar. 

E foi isso que aconteceu.

Adeen se abaixou e começou a se arrastar, encolhido, por entre os tijolos enormes. Deslizou devagar, temendo rasgar suas roupas desgastadas. Assim que se levantou desajeitadamente do outro lado do muro, o garoto deu umas batidas em sua camisa para retirar a terra enquanto analisava seus arredores. 

O bosque, com altas árvores verdes, estava logo a sua frente. Era possível ouvir a vida por entre aqueles troncos e folhas, pássaros cantavam e derrubavam algo como sementes pelo solo. Um caminho de terra e pedras o levaria logo para dentro da floresta perto da propriedade, se o garoto se mantivesse em linha reta.

Porém, Adeen não tinha intenção de ir para a floresta por dois motivos: era muito perigoso já que haviam criaturas mágicas e ficaria muito tarde quando voltasse. E, apesar de ter vontade, a floresta ficava completamente fora de seu destino no momento.

Com esse pensamento, o garoto rumou por um caminho contrário ao bosque, esse que seguia pela direita do palacete dos Relliern. Não demorou muito para o menino trocar de direção novamente, descendo a encosta do morro que a propriedade foi construída. Era possível observar o grande lago que tinha entre as montanhas, não muito longe pela encosta do morro de sua família. 

Em cerca de dez à quinze minutos de caminhada, o garoto finalmente chegou a margem composta por pequenas pedras do lago. Diferente da água, que estaria provavelmente congelante, o sol em sua pele era incrivelmente reconfortante. Caminhou pela margem até que uma voz chamou-lhe a atenção.

— Chegou cedo!

A voz grossa de Soren parecia uma garantia de que o dia seria incrível. O homem estava na sombra de uma das grandes árvores, recostado em seu tronco. Ele tinha a varinha em seus dedos, a movimentando em círculos, e papéis flutuando acima de sua cabeça.

— A senhora saiu para cuidar da companhia, eu acho. — Com a explicação, se sentou a frente do homem, com seus pés para fora da sombra. Soren o queimou com os olhos ao ouvi-lo. — Ela não estava na casa.

— Conseguiu descobrir algo novo?

— Não, aquilo é só um monte de mármore. Não sei o que eu deveria estar procurando. — Resmungou observando os pedaços dobrados de papel.

— Quando for a hora de saber, você vai entender.

O homem sorriu para Adeen. Uma expressão de divertimento tomava conta de seu rosto ao observar a frustração do mais novo. O menino era tão parecido com seu irmão, mas, ao mesmo tempo, tão diferente.

— Por enquanto, vamos focar em outra coisa.

O homem enfiou a mão no bolso do casaco, retirando segundos depois. Estendeu a mão aberta para o menino, sobre sua palma estava um aparelho. Adeen hesitou levemente, antes de pegar o objeto dourado.

— Sabe o que é isso? — Perguntou Soren ao ver o curioso olhar do menino sobre o objeto.

— Uma bússola. — Respondeu como se fosse óbvio.

— Sim, sim. É uma bússola, mas é muito mais que isso. Você vai descobrir para que serve quando precisar muito de algo.

O garoto o olhou com uma careta. Era outro dos enigmas de Soren? O que significa “quando precisar muito de algo”? Essa bússola é encantada? Parece só uma bússola quebrada apontando para o Sul.

— É um presente, eu encontrei em uma das minhas viagens. Quero que fique com ela.

O garoto assentiu, esse seria um presente fácil de guardar. É pequeno e, com certeza, cabe dentro de sua caixa.

Um momento de silêncio se fez enquanto Soren soltava a varinha e começava a dobrar outro papel, em seu colo. Adeen observava cada movimento pacientemente, como se tentasse decifrar o que é isso.

— Não vai perguntar o que estou fazendo? 

— Eu estava tentando descobrir, não queria parecer um idiota. — Admitiu, levemente desconcertado.

— Você não vai parecer um idiota por perguntar sobre algo que não sabe, é exatamente assim que se aprende, eu seria um idiota se negasse te ensinar. — Desviou levemente os olhos do papel, apenas para observar o menino. — Minha irmã diz algo como: “negar-se a ensinar é o mesmo que se negar a ajudar um ferido”, ou algo assim.

Adeen não realmente entendeu o significado daquela frase, mas acenou positivamente. Talvez quando fosse mais velho, entendesse as frases sem sentido de Soren.

— Mas, de qualquer forma, isso é uma brincadeira trouxa. — Começou, deixando o papel que havia acabado de dobrar flutuar junto aos outros. — Você pega um papel qualquer, e o dobra até formar um barquinho. — Indicou os que flutuavam acima de sua cabeça, como se estivessem navegando em ondas.

— Um barquinho? 

Isso é uma forma inútil de usar papel, Adeen pensou.

— Sim, quando eu era um garoto, eu e os meus vizinhos fazíamos muitos desses e brincávamos o dia inteiro em poças. — Seu olhar era nostálgico.

— Mas, o papel se desmancha na água.

Qual era a graça dessa brincadeira?

— Sim, bem lembrado, mesmo que esse barquinho aguente um tempo na água, ele ainda é papel. Por isso, temos que aproveitar o máximo enquanto ele ainda dura.

Um movimento diferente da varinha, fez com que os papéis mudassem de direção. Eles já não flutuavam em círculos sobre a cabeça de Soren, agora iam em direção ao lago.

— Então, não é mais fácil construir um de madeira?

— Com certeza seria, mas, quando você tem um barco de madeira, uma certeza de que aquilo vai durar por muito tempo, você passar a dar menos valor, não?

O questionamento pegou o menino de surpresa, fazia sentido. Porém, é mais fácil dessa maneira. Ter algo facilmente acessível, sempre disponível. Além de que é mais seguro e resistente.

— Porém quando seu barco é de papel, você nunca sabe quando ele vai se desmanchar, agora ou daqui a uma hora. Isso faz com que você deseje aproveitar o máximo com aquele barquinho, todo segundo restante. — Não parecia que aquela conversa ainda era sobre papel. — Mesmo que você saiba que aquilo vai acabar, torna tudo mais saboroso. Excitante.

A cabeça infantil de Adeen ficou cheia de uma hora para outra. O que aquilo tudo deveria significar, é só um brinquedo. Por que raios alguém iria querer um brinquedo fadado a quebrar, mesmo que você cuide dele com a maior delicadeza existente.

— A única certeza que você tem, é que ele vai se desmanchar.

Os barquinhos, que ainda eram acompanhados pelos olhos do menino, finalmente beijaram a água do lago. Foi um toque delicado, mal produziu ondas, mas a água pareceu encharcar o barco, o puxando para dentro de si.

— O que aconteceu aqui?

Em vez de se desmanchar em contato com a água, o papel pareceu enrugar e se amassar, como se duas mãos o estivessem pressionando. Um pedaço se desprendeu do que antes era um barquinho, o pequeno fragmento encharcado de papel se pousou sobre a água. 

— E-eu… eu não… — Sua voz tremia sob o choro.

Foi um simples toque, mas, pouco a pouco, a água foi se tornando vermelha em sua volta. Um vermelho escarlate profundo, expulsando o azul transparente e belo que antes pintava a água. Adeen sentia seu estômago borbulhar. O que estava acontecendo?

O estrondo da batida fez com que o garoto pulasse. Sua respiração doía ao sair. O que ele havia feito? Como iria explicar se alguém o encontrasse?

— Você sabe, acho que nosso tempo está acabando. — Soren se levantou, ficando em frente ao menino.

O lago parecia ter começado a encher, transbordando para fora de seu espaço, engolindo os cascalhos e plantas a sua volta. O garoto estava paralisado, queria fazer alguma coisa, mas parecia não ter controle no próprio corpo.

— O que você fez? — A voz feminina ecoou em sua cabeça. O desespero se transportando em cada veia de seu corpo.

O líquido já havia atingido os pés de Soren, que estava ao seu lado. O menino apenas teve forças para olhar para baixo, analisando seu próprio corpo.

— Não foi culpa minha, eu só… só… ela não queria deixar que eu… — Mal conseguia formar uma frase completa. O sibilar baixo chamou, por fim, a atenção da mulher. Aquilo não podia estar acontecendo.

Suas mãos estavam sujas, o grosso líquido escorria por seus dedos e sujava suas vestes. O cheiro fez com que sentisse um gosto metálico no fundo da garganta. 

Queria vomitar.

— Isso é sangue, muito sangue. — A loira posicionou a mão sobre a boca, horrorizada com a visão dos corpos.

— O que vai acontecer comigo agora? — O menino se sentia enjoado, imaginara o que aconteceria em poucos minutos. Não tinha escapatória. Foi quando barulhos altos foram ouvidos vindo do andar de cima.

Soren começou a andar, mais e mais perto do antigo lago, afundando a cada passo. Adeen tentou se levantar, porém, quando ficou em pé, sentiu como se seus pés estivessem afundando no líquido espesso.

Quando tinha ficado tão escuro? Anoiteceu rápido demais.

Mal podia ver as costas de Soren quando percebeu que começara a afundar, assim como o homem a poucos metros à sua frente. Esse que se virou para Adeen antes que sua cabeça fosse completamente sugada. Sabia que não iria durar mais do que ele se não saísse dali, foi esse pensamento que o fez se desesperar. Se debatia, tentando tirar suas pernas daquela massa.

— Agora vamos te tirar daqui, temos que ser rápidos. — Olhou em volta, pensando em uma forma de saírem. — Consegue passar por cima deles?

A pergunta o pegou de surpresa, mas logo assentiu. Teve que engolir o refluxo que bateu em sua garganta quando sentiu a carne úmida sob seus dedos. 

Não demorou muito para sentir o líquido invadir sua garganta, entrando por sua boca e narinas. O gosto era exatamente o que imaginava. Um amargo metálico. Por que se sentia acostumado com o gosto?

Incrivelmente, não se sentiu afogando. Sentiu vazio, mas quente. Se sentiu abraçado, um abraço que se apertava a cada segundo. Não tinha ar. Seu peito doía pela falta, mas ele não demonstrava qualquer reação. Não sentia que precisava.

Tudo se desmancha alguma hora. Não é mais divertido dessa forma?

 

Após um último pensamento mergulhado em dor, o jovem desperta abruptamente tossindo. Seu tronco se levantando rapidamente e sua mão inconscientemente arranhava seu peito em busca do ar que nunca estivera em falta, ao mesmo tempo que uma gotícula de suor escorria da testa à ponta de seu nariz, até que a mesma cai em seu braço o tirando de seu transe. 

Seus olhos buscaram o terror a sua volta, que nunca passou de uma brincadeira de seu subconsciente. O cômodo ao redor se vislumbra ao passar por seu olhar trêmulo, quase como um alerta de que tudo estava bem. Porém, seu coração ainda precisava de tempo para acalmar os batimentos irregulares.

O jovem deitou-se novamente, logo focando nos tecidos azulados pendurados ao teto. Um suspiro pesado escapou por seus lábios secos, sentiu uma leve vertigem pela quantidade de movimento repentino. Se sentiu enjoado.

O dormitório estava um completo breu, era de se esperar, o relógio sobre a porta marcava exatamente quatro e vinte e dois da manhã. O sol ainda não nascera, portanto, o céu era apenas uma imensidão degradê de azul. Pelo menos não havia acordado ninguém.

Adeen suspirou uma última vez, antes de descer do beliche devagar. Era até bom que tivesse acordado cedo, tinha um compromisso. Sabe que deveria estar focado em tudo que vem acontecendo ultimamente, mas esses sonhos continuam o atormentando.

Andar pelos enormes corredores de Hogwarts antes do sol nascer pode ser considerado assustador para alguns alunos. Porém, o moreno preferia dessa forma. Sem o habitual barulho, aqueles corredores pareciam uma feira durante a manhã.

Foi quando passou pela entrada das masmorras que se encontrou com uma certa aluna da sonserina. A garota andava calmamente a sua frente, olhando para seus pés, como se tentasse descobrir algo. Não demorou muito para que a mesma ouvisse os passos de Adeen atrás de si e se virasse.

O garoto viu o exato momento em que sua sobrancelha se ergueu para o garoto, como se perguntasse o que o mesmo fazia ali. Claro que o mesmo teria a sorte de se encontrar com ela pelos corredores completamente vazios.

— Hazel. — Comprimentou, ainda havia um pingo de educação dentro de si,

— Johann. — Foi curta, ambos odiavam papo furado.

Eles eram a última pessoa que o outro queria ver aquela manhã. 

— Não sabia que acordava tão cedo. — Adeen comentou, dando de ombros, mas a jovem sabia que havia mais. — Ansiosa para perder?

Claro, uma provocação, ambos sabiam que o jogo começaria agora.

— Não sei. Finalmente aprendeu como usar a varinha? Da última vez explodiu a janela.

E era sempre dessa forma quando os dois se esbarravam, uma competição. Não importa do que fosse, de insultos à jogos. Ambos já competiram, inclusive, para saber quem fazia o próprio gato ronronar mais alto. Cheshire, o gato de Bree, ganhou essa rodada já que Percy, amasso de Adeen, não realmente estava afim de carinhos naquele momento.

Nesse momento, após uma troca de insultos, ambos estavam em uma disputa boba para descobrir quem conseguia chegar andando mais rápido na curva do corredor. Não os julguem, ambos são apenas crianças de doze anos, não há muito o que competir nessa idade.

A verdade, é que ambos já esqueceram o placar desde que Adeen derrotou Bree, em uma disputa de xadrez bruxo no começo do segundo ano. Porém, também foi assim que ambos decidiram fazer uma “parceria”. Os dois se empurraram até chegar na beira das escadas que se movem.

Se encararam, antes da garota o empurrar e subir correndo as escadas, sendo seguida logo depois. Era inverno e já não estava tão escuro, Adeen podia claramente ver Bree, por entre as várias escadas, escorregando algumas vezes nos degraus. A menina mal conseguia andar normalmente, imagina em meio a tanto degrau.

Não foi difícil para Adeen alcançar o banheiro antes dela. Mesmo que Bree fosse claramente mais rápida, ele tinha mais coordenação. A garota chegou logo depois, com a calça amassada e as mangas de seu suéter enrugadas até o cotovelo. Simplesmente um desastre.

— Vai ficar aí o dia todo ou podemos começar? Tenho mais coisas para fazer depois de chutar a sua bunda. — A garota soprou o cabelo dos olhos, o prendendo antes de pegar a varinha.

— Pode cancelar seus compromissos, você vai ter que passar uma semana na enfermaria quando eu terminar.

Foi então que ambos entraram em posição de duelo. 

Bree, com um movimento de varinha, fez com que raízes saíssem do vão entre o piso e a parede, e se enrolassem nos pés do menino, o puxando para o solo. A garota conjurou o feitiço que o mesmo nunca havia visto anteriormente. Quando a mesma tinha aprendido um feitiço não verbal?

Isso não importava no momento, precisava arrumar uma forma de se soltar. 

Arenófilus! — Conjurou, fazendo com que um jato de areia saísse da ponta de sua varinha e acertasse os olhos de Bree, o dando tempo.

— Merda. — A garota amaldiçoou antes de começar a limpar os olhos.

Adeen se virou para as raízes que se enrolavam em suas pernas, o prendendo. 

Que tipo de feitiço era aquele? Não importava, ele imagina que se fossem plantas normais, deveriam queimar.

Lacarnum Inflammare! — Com isso a ponta de sua varinha fez uma faisca, logo uma chama começou a consumir a planta, para sua felicidade.

Sua felicidade não durou muito tempo, já que logo que levantou a cabeça teve que desviar de outro feitiço.

Eletricus! — Um pequeno raio passou raspando pelo seu braço, deixando apenas um formigamento no local.

Haviam aprendido a duelar no começo do segundo ano e, com o objetivo de se tornarem mais habilidosos e uma nova forma de competir, ambos decidiram fazer um acordo. Criaram um segredo para eles.

Flipendo! — Foi sua vez de atacar, infelizmente falhando.

Protego! — Repeliu o feitiço, se preparando para lançar outro logo depois. — Incen-

Se tornaram parceiros do “crime” ao combinarem de treinar juntos duas vezes por mês.

Depulso! — Interrompeu o feitiço, acertando em cheio no peito da garota, que foi lançada para trás. 

A garota bateu de costas em uma das portas do banheiro, mas o feitiço não foi forte o suficiente para que machucasse a mesma, apenas a atordoando. Adeen ficou momentaneamente preocupado, mas logo voltou a se concentrar no duelo quando Bree levantou como se aquilo não fosse nada.

Incendio! — Uma labareda de fogo foi lançada a frente da varinha de Bree. Se não desse uma forma de desviar, estaria encrencado.

Aqua Erupto! 

Adeen contra-atacou com um jato rápido de água vindo do vaso à esquerda de ambos. Dava para sentir a excitação que aquele duelo estava trazendo para aquelas crianças. Ambos logo se prepararam para o próximo feitiço, sendo Bree a conjurar milésimos de segundo antes de Adeen.

Derrubare! 

Reducto!

O feitiço da morena fez com que Adeen se desequilibrasse logo no final de sua conjuração. O menino caiu de bunda no chão antes de ouvir o estrondo. Assim que olhou para onde a menina estava viu Bree levemente encolhida para o lado e a porta, a qual havia batido anteriormente, partida em diversos pedaços.

Os jovens se encararam com os olhos arregalados. A menina foi a primeira a se pronunciar:

— Você ia usar Reducto em mim? — Seu tom não era de acusação, algo mais como divertimento.

— Achei que poderíamos usar cobra a milanesa para o jantar. — Brincou se levantando do chão. — E não venha com essa, você tentou usar Incendio em mim.

— Não me culpe, eu sempre adorei frango assado. — Comentou dando uma leve risada nasal.

— Foi um bom duelo, acho que podemos chamar isso de empate.

Adeen estendeu a mão para que a garota fechasse o “acordo”. Sabia que Bree era tão competitiva quanto ele, mas eles teriam que limpar essa bagunça e torcer para que ninguém tenha ouvido seu pequeno divertimento. 

— Certo, só porque eu iria quebrar a sua cara. Porém, aceito que está com medo de perder. — Aceitou o comprimento, voltando seu olhar para a porta.

— Claro, porque não foi você que quase teve a cabeça explodida. — Brincou seguindo seu olhar.

— Isso nunca iria acontecer, mas, de qualquer forma, acha que um Reparo funciona nisso?

— Não faço a menor ideia. — Riu levemente. — Vamos embora e fingir que nunca estivemos aqui.


Notas Finais




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