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História A Ordem Paranormal - O Culto da Besta (Interativa) - Capítulo 34


Escrita por: Hipstodd

Notas do Autor


Começou.
Boa leitura.

Capítulo 34 - 3. Feliz aniversário.


Nicole pegou sua caneta vermelha e na margem de sua caderneta de anotações desenhou um ponto de exclamação com um círculo ao redor e escreveu "perfeito". Uma coletânea de músicas country dos anos setenta oitenta em uma edição limitada de vinil.

 

Era quarta-feira, aniversário de sesenta e três anos de Eric Mercer, e o time de reconhecimento estava mais ou menos de folga na semana. Com exceção do mentor e dela mesma, todo o time de reconhecimento estava em São Paulo. Kassandra estava passando um tempo com os pais. Aurora viera tratar de recados telefônicos por algumas horas, mas Nicole mandou-a para casa porque ninguém estava ligando. Paulo saiu sorrindo feliz, a caminho de ver alguns amigos.

 

Theo não estava por perto. Ela sabia que ele não deixaria a base. Permanecia perto de Dylan. Alysson ficou sozinho na base, remexendo em suas armas, Nico refletiu que pelo andar da carruagem, o time de reconhecimento teria doze membros até o final do ano. Veríssimo entregou o pagamento de suas últimas missões, e Mercer repassou cada palavra e devolveu a cópia impressa com pedidos de missões futuras e sugestões de reformulação.

 

Às cinco e meia da manhã, Nico abriu uma das gavetas da cozinha de sua mãe e tirou um coador de pano. Demorou por volta de quinze a vinte minutos para preparar seu café fresco e assistiu o sol nascer. Ela ficou alí, recostada pensando em sua ida para Goiânia em algumas horas por mais quarenta minutos antes de juntar suas coisas e colocar a mesa para o café da manhã. Os membros do time de reconhecimento chegariam em Goiânia a noite. Havia prometido enviar mensagens quando estivessem deixando a capital, o que daria a eles a chance de descansar até o fim de semana. Uma reunião de cúpula foi planejada para a segunda-feira em São Paulo, quando todos escolheriam suas próximas operações. 

 

Antes de viajar, Nicole convidou sua mãe para um café da manhã especial. O café da manhã com sua mãe foi, como sempre, levemente caótico. Sua mãe sempre foi considerada pela família (Alguns com diversão, outros com uma leve maldade) como uma louca delirante ou, nos dias bons, simplesmente extremamente excêntrica. Em meia hora, ela já havia se tornado amiga do corpo de garçons e da moça do balcão. Nico apenas sorria.

 

Às três da tarde, já dentro do aeroporto, Nico receberá uma ligação. Reconheceu o número logo de cara. Atendeu com alegria.

 

“Dona Ieda!” Ela disse do outro lado da linha.

 

“Está vindo para Goiânia não é? Eu acho que estamos em sintonia”. Nico seguiu pelo enorme saguão. “Estava visitando minha filha no Rio de Janeiro. Vamos estar no mesmo aeroporto com diferença de algumas horas. Posso te esperar se quiser”.

 

“Seria um prazer. Mas não está cansada?”.

 

E Ieda disse algo em tom divertido.

 

“Minha filha acabou de ter seu segundo filho. Pensei que iria ajudar ela com as crianças, mas ela aprendeu a se virar sozinha. Então não se preocupe, estou cheia de energia. Nos vemos em breve, querida”.

 

Ao contrário de Nico e dos outros adultos no voo, Ieda teve uma noite de sono plena e completa. Então, às cinco e dez da tarde ela estava completamente acordada. Ela percebeu o cansaço de Nico e  envolveu em um abraço caloroso. Visto que em alguns aspectos ela considerava Nico algo similar a uma sobrinha, ela generosamente se ofereceu para pagar o táxi, que Nico negou com insistência. 

 

"Por que você não compra seu próprio carro?" Ela sugeriu. Nico a encarou com um sorriso.

 

“Não é uma má ideia. Mas preciso tirar a carteira de motorista antes. E a senhora sabe, meu emprego tem consumido muito do meu tempo…”.

 

Elas passaram a viagem conversando como duas parentes de longa data. Além de uma tia paterna persistente, duas tias maternas menos persistentes, dois primos distantes e um primo de segundo grau, Nico e Dona Luiza tinham apenas uma ao outra como família. A diferença de idade de Nico e Ieda não significava que elas não tinham muito em comum durante a adolescência. 

 

Ieda havia estudado direito e Nico achava que ela era muito mais talentosa do que qualquer pessoa que conhecesse daquela área. Ela cursou a universidade, passou alguns anos nos tribunais distritais e depois se tornou assistente de um dos advogados mais conhecidos de Goiânia e região. Então ela começou sua própria prática. Ela havia se especializado em direito da família, que gradualmente evoluiu para o trabalho em prol da igualdade de direitos. Ela se tornou uma defensora das mulheres vítimas de abuso. Claro, não foi a mais perfeita das jornadas. Ela se envolveu politicamente com os social-democratas, o que levou a ter alguns problemas na época da ditadura militar. Ela nunca votou voluntariamente e, nas ocasiões em que se sentia absolutamente obrigada a votar, recusava-se a falar sobre suas escolhas.

 

"Agora me fala, o que você tem?" Ieda disse enquanto eles se aproximavam da casa de Ieda.

 

"Oh, estou bem."

 

"Então qual é o problema?" Ieda perguntou.

 

"Que problema?" 

 

"Eu sinto que já conheço você, Nicole. Você ficou preocupada a noite toda, não é?”

 

Nicole ficou em silêncio por um momento. Ela contou a Ieda sobre sua sensação crescente de que algo ruim está prestes a acontecer.

 

"Você falou disso com alguém?"

 

"Não."

 

"Por que não?"

 

"...Porque não tem motivo pra isso… Tudo tem ido tão bem, acho que é tudo coisa da minha cabeça."

 

Ieda ficou em silêncio por algum tempo.

 

"Sabe, Nicole, eu estive realmente brava com o Eric apenas uma vez em toda a minha vida."

 

"É assim mesmo?" disse ela, surpresa.

 

"Foi quando vocês foram levados a Roanoke e ele se recusou a dizer o que aconteceu. Ele não tinha esse direito. Fiquei tão furiosa com ele que pensei que fosse explodir."

 

"E como deixou esse sentimento pra lá?."

 

"Percebendo que eu já fiz esse papel muitas vezes antes. Eu omiti muitas coisas da minha filha ao longo da nossa relação. Muitas ela nem faz ideia e nem vai saber. Mas com ele era diferente. Ele seria um pai dificil. Ele é a única pessoa para quem você espera uma sinceridade quase crua. Ele fica ali sentado ouvindo vocês se queixarem e depositarem suas frustrações nele. Ele nem se defende. Ele ta sendo um pai".

 

Nico piscou algumas vezes.

 

"Houve circunstâncias especiais. Não havia nada que pudesse ser feito. E eu já o perdoei por isso”.

 

Ieda assentiu.

 

“É normal. Os filhos começam admirando seus pais. Depois passam a discordar de como eles agem. As vezes, até passam a odia-los”.

 

Nico encarou os pés.

 

“E depois?”.

 

“Depois, às vezes… Acabam entendendo os pais e os perdoam”.

 

E ela sorriu.

 

“E o que comprou pra ele?”

 

Nico sorriu de volta.

 

“Um disco raro de música country”.

 

Ieda sorriu satisfeita.

 

“Dona Luiza tem muitos motivos para se orgulhar…”.

 

O táxi estacionou do outro lado da rua onde Ieda e Eric moravam. 

 

"Por favor, quando a senhora puder, venha até a casa do Senhor Mercer", disse Nico. 

 

Ela seguiu pela rua até se aproximar do portão com o presente em mãos. Tinha uma das cópias da chave de entrada. Seus últimos segundos de tranquilidade. Três… Dois… Um...

 

Assim que entrou, percebeu que algo estava errado. Ela foi recebida por um silêncio sepulcral. Só quando chegou à entrada é que percebeu. A porta de entrada estava entreaberta.

 

"Senhor Mercer?" Disse Nico, mais por curiosidade do que por preocupação.

 

Nico se adiantou e fez seu caminho ao entrar na casa dos Mercer.

 

"Senhor Mercer? Eric?" ele chamou.

 

Sem resposta.

 

De repente, ele sentiu um arrepio gelado percorrer seu pescoço. Ela reconheceu o cheiro: cordite. Então ela se aproximou da porta da sala. A primeira coisa que viu foi o kit de espadas dado por Aurora, caído ao lado das cadeiras da sala de jantar em uma poça de sangue com um metro de largura.

 

Nico veio correndo. Ao mesmo tempo, ele pegou seu celular e disse algo para Alysson na base. Eles responderam imediatamente.

 

“Alysson, aconteceu alguma coisa na casa do Eric!”.

 

“O que? Como assim, onde ele está?”

 

“Eu não sei… Eu… Eu acabei de chegar. Quando foi a última vez que falou com ele?”

 

“Eu não sei… Segunda eu acho…”.

 

“Droga…”.

 

“Vou avisar o pessoal, não saia dai”. E Alysson desligou.

 

Nico abaixou-se e tentou descobrir alguma pista do ocorrido. Então ele viu a enorme silhueta caída ao chão. Ela estava sem arma. Deu a volta no balcão e notou. Uma pessoa pálida, em frangalhos. Na parte de trás de sua cabeça, percebeu algo que deveria ser o cérebro do desconhecido. Lentamente, ela se afastou.

 

Nenhum bandido no mundo seria capaz de ferir Eric Mercer. Mas ele não estava alí.

 

Então ela percebeu os cacos de uma das xícaras de chá. Nico se endireitou rapidamente e olhou ao redor.

 

"Eric" ela gritou.

 

Ieda abriu o portão e surgiu na entrada da casa, visivelmente preocupada. Nico voltou-se para a porta da sala e ergueu a mão.

 

"Pare aí", disse ela. "Volte para o quintal."

 

Ieda a princípio pareceu que queria protestar, mas obedeceu à ordem. Nicole ficou quieta por quinze segundos. Em seguida, contornou a poça de sangue e passou cautelosamente pelo corpo desconhecido até a porta do quarto.

 

O local estava revirado. Ela conseguiu distinguir pegadas de sangue. No meio do chão.

Nico percebeu que segurava o celular com força, havia ignorado duas ligações de Alysson  e prendia a respiração. Ele respirou fundo e levantou o telefone. Atendeu.

 

"Precisamos de reforços. Rápido. Tem um cadáver na casa do Eric. Ele não está aqui. Por favor, apresse-se."

 

Ela ouviu a voz de Alysson dizer algo e a de Theo surgir ao fundo, mas não entendeu as palavras. Nico sentiu como se houvesse algo errado com sua audição. Estava totalmente silencioso ao seu redor. Ela não ouviu o som de sua própria voz quando tentou dizer algo. Ela saiu do quarto. Ao voltar para o corredor da residência Mercer, percebeu que todo o seu corpo tremia e o coração batia forte. Sem dizer uma palavra, ela surgiu em frente a Ieda sentou-se na escada para o quintal. Ele podia ouvir Ieda  fazendo perguntas. O que aconteceu? Ele está ferido? Aconteceu alguma coisa? O som de sua voz ecoou como se estivessem vindo de um túnel.

 

Nico sentia-se entorpecida. Ela sabia que estava em choque. Ela inclinou a cabeça entre os joelhos. Então ela começou a pensar. 

 

“Meu Deus - O que está acontecendo? Ele foi morto há poucos minutos.. Eric ainda pode estar lá dentro... Não, eu o teria visto”. 

 

Ela não conseguia parar de tremer. A visão do rosto despedaçado do cadáver a suas costas não pôde ser apagada de sua retina.

 

De repente, sua audição voltou, como se alguém tivesse aumentado o controle de volume. Ela se levantou rapidamente e olhou para Ieda.

 

"Ieda", disse Nico. "Fique aqui e certifique-se de observar se tem alguém pelos arredores. Alguém da ordem está a caminho."


 

Nico voltou para dentro da casa. Ela olhou atentamente para a sala. Como se seus olhos pudessem enxergar além do que se vê, Nico pegou o celular em mãos, fechou os olhos e se concentrou. Parou de repente. Seu palpite foi certeiro. A presença de algo paranormal  se revelou a sua frente a partir do uso de seu ritual. Ela deu um passo em direção a cozinha, quando finalmente notou. No chão, esquecido embaixo da mesa da cozinha, o relógio do mentor.

 

Ele por impulso pegou o objeto. Era um relógio peculiar, Não tinha números. Apenas esferas. Mas não se concentrou naquilo, ela foi até a porta da frente e parou no ar de fim de tarde. Depois de um tempo se lembrou de que sua Ieda estava esperando por ela. 

 

Ieda abriu a boca para dizer algo. Então ela viu a expressão em seu rosto.

 

"Você viu alguém enquanto esperava?" Perguntou Nico. Sua voz soou rouca e não natural.

 

"Não. Nicole, O que aconteceu?"

 

Ela ficou em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para a esquerda e para a direita. Tudo estava quieto na rua. Ela enfiou a mão no bolso do casaco e encontrou unicamente um molho de chaves da residência dos Mercer. Ouviu o som de um ônibus se aproximando ao longe. Ele olhou para o relógio. Eram quase dezoito horas.


 

"Ieda - esta vai ser uma longa noite", disse ele sem olhar para ela quando o ônibus parou na frente da casa de Ieda.

 

Os primeiros a chegar foram os agentes Kurt Hemmis e Leandro Hans, membros da famosa banda Dragões Metálicos. Eles estavam a caminho de São Paulo respondendo ao que se revelou um alarme falso de atividade na floresta. no ônibus ainda estavam os outros membros da banda, Marcos Front e Roberto Lutrijo que estavam dormindo quando  a base os chamou por estarem coincidentemente próximos da área. Eles chegaram e viram uma mulher de jeans e casaco escuro parada no meio do quintal levantando a mão para eles pararem. Ao mesmo tempo, uma mulher de idade saía para abrir o portão para eles.

 

"É vocẽ que precisa de ajuda?"

 

A mulher acenou com a cabeça. Ela parecia muito abalada. Sua mão tremia.

 

"Qual o seu nome?"

 

"Nicole Balieiro. Essa é a casa do agente Eric Mercer da Ordo Realitas…  Há pouco tempo… Algo aconteceu aqui dentro. Tem um cadáver na casa e ele está desaparecido."

 

"Meu Deus...", disse a mulher.

 

"E quem é você?" Marcos Front perguntou a Ieda.


 

"Ieda. Sou vizinha do desaparecido. Eu imagino que vocês façam o mesmo que ela...", disse ela, apontando para Nicole.

 

"Você mora aqui?"

 

"Não", disse Nicole. "Eu ia visitar o Eric. Ele é o mentor da minha equipe. Os outros membros do meu time também já estão a caminho."

 

"Você disse que tem um cadáver na casa. Você viu o que aconteceu?"

 

"Não. Eu o encontrei."

 

"Vamos procurar nas redondezas e dar uma olhada naqueles campos".

 

“Fique aqui e espere a sua equipe!” Eles disseram se afastar de Nico.

 

A agente lançou um olhar para o relógio em mãos. Sentiu os olhos de Dona Ieda sobre ela.

 

Ela estava certa. A calmaria havia acabado.

Ela nunca antes havia odiado tanto estar com a razão.

 


Notas Finais


Obrigado por ler.
Nos vemos novamente em breve.


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