História A Origem - Capítulo 1


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Categorias Corte de Espinhos e Rosas
Tags Fantasia, Feiticeiros, Heróis, Magia, Mistério, Poderes, Romance, Suspense
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Palavras 1.721
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo 1


A cada dia, minha cama parecia cada vez mais e mais confortável. Todos os dias era uma tortura sair dela.

Os dias que se passavam eram ainda mais entediantes que os anteriores e mesmo que eu sempre tentasse fazer meu ele ser um pouco mais animado, a minha vida pacata impedia eu de me trazer o mínimo de felicidade. Todo o dia era sempre a mesma rotina, chego até a não me lembrar de como a minha vida era antes de tudo ser assim, tão monótono.

Em minha infância, eu e minha família morávamos em Águas de São Pedro no interior de São Paulo. Vivíamos na enorme chácara de minha vó onde dividíamos o teto com minhas cinco tias, seus maridos e filhos.

Todas as manhãs, e eu meus primos brincávamos e corríamos por todo o quintal até conseguirmos esgotar o nosso último resquício de energia. Em dias de semana, a tarde, íamos para a escola e todas a noites, vovó preparava um delicioso bolo de cenoura para toda a família.

Nos reuníamos na varanda para apreciarmos o bolo e enquanto as crianças o comiam, os adultos contavam histórias e mais histórias sobre a família.

A vida no interior era simples e agradável, até que quando eu tinha treze anos, a morte quis levar um pedaço de nossa família. Vovó morreu em uma noite de sexta-feira enquanto dormia.

Foi aterrorizante quando no dia seguinte, eu e Ricardo - meu melhor amigo e primo até então -, tentamos acorda-la com um café da manhã surpresa e ela não nos respondeu.

Os dias seguintes a esse foram somente de dor e sofrimento, só com a partida dela percebemos que ela era a cola que unia a família que começou a se despedaçar desde então.

Com a morte da vó Linda minha mãe ficou arrasada, tanto que meu pai propôs uma mudança de vida para que pudéssemos conseguir superar o passado.

Um mês após o luto, em uma manhã de domingo fizemos as malas e nos mudamos para a capital, dissemos adeus a todos, mas em nossa partida não olhamos para trás.

Mal podia imaginar que daquele dia em diante minha vida perderia o fervor de todas as manhãs.

Tentamos viver a cada dia como se fossemos realmente felizes sem o que vivemos no passado, mas talvez o carinho que guardamos daquele tempo nos impedisse de prosseguir.

Ainda deitado com a minha cabeça em meu travesseiro, suspirei com as lembranças de minha infância. Tentei me forçar a abrir os olhos, mas meu corpo reagia como se uma energia maligna me puxasse para a minha cama. Minha mente não queria mais se auto torturar vivendo a cada dia como se fosse somente o restante dos dias de minha vida.

Apesar de eu achar a minha vida uma tortura, ela era semelhante à de muitos por aqui. De manhã eu trabalhava meio período em uma padaria próximo a minha casa, a Chocoponch. Pela tarde eu ia para a escola, faltavam apenas cinco meses para que eu encerrasse finalmente, os meus estudos no ensino médio. A noite, eu ajudava minha mãe em casa com Noemi, minha irmã caçula.

De vez em quando, queria estar na pele de Noemi, ela tinha apenas quatro anos quando saímos de São Pedro, agora com oito, quase não tem lembranças de quando era ainda, quase um bebê.

Respirei fundo para tentar me levantar, provavelmente eu ainda tinha mais cinco minutos de enrolação antes das seis e meia da manhã, horário do qual eu realmente teria que acordar. Quando ainda estava de olhos fechados senti uma respiração em meu rosto e uma língua áspera passar sobre minhas sobrancelhas. Franzi o cenho com a estranha sensação, abri os olhos para tentar compreender o que era aquilo.

– Niklaus! – Reclamei e ouvi um miado em resposta.

Encarei o par de cintilantes olhos verdes que me observavam atenciosamente e o gato se aproximou de mim e esfregando seu rosto no meu, com o toque pude sentir a vibração de seu ronronar.

Niklaus jogou seu corpo em cima de meu rosto e virou sua barriga de pelagem branca para cima.

– No mínimo você quer alguma coisa. – Falei fazendo carinho em Niklaus e depois, finalmente me levantei. – Comida eu suponho. – Disse e Niklaus miou em resposta. Era como se ele realmente entendesse o que eu dizia.

Fui na direção do banheiro e peguei o pote de ração de Niklaus colocando uma boa quantidade de comida dentro dele.

Ao sair do banheiro, deixei o potinho ao lado do batente da porta, Niklaus se levantou de minha cama e imediatamente, correu em direção ao pote.

– Pleno século vinte e dois e ainda não entendo como os gatos ainda não dominaram o mundo. – Brinquei enquanto andava na direção do meu guarda-roupas, Niklaus me olhou desinteressado em resposta.

Fiquei na frente de meu guarda-roupas e o abri para colocar uma roupa que eu pudesse usar no trabalho. Após me vestir, peguei meu uniforme e o guardei na mochila, a coloquei nas costas e saí rapidamente de casa para não acordar ninguém. Eu era o primeiro a me levantar.

Caminhei pelas ruas já movimentadas até a padaria da qual eu trabalhava, ela ainda ainda estava fechada então entrei pelos fundos e me encontrei com Laura, a dona do lugar.

– Pontual como sempre. – Dona Laura elogiou enquanto colocava alguns pães de canela em uma bandeja. – Tyller foi abrir a padaria, coloque seu avental porque daqui a pouco chegarão os primeiros clientes.

Assenti e fui em direção aos armários de funcionários, abri o meu e peguei o avental que estava preguiçosamente dobrado em uma das prateleiras, coloquei minha mochila no espaço vazio que havia ficado vazio e amarrei o avental em meu corpo indo logo em seguida, em direção ao balcão de atendimento da padaria.

– Tome um querido. – Dona Laura disse se aproximando com uma bandeja repleta de pães de canela. – Como te conheço sei que não comeu nada antes de sair.

Dona Laura era como uma segunda mãe para seus funcionários. Ela abriu a padaria quando seu amado marido faleceu, segundo ela, era o sonho dele ter uma.

Sorri e peguei um pão de canela, porém o guardei para depois, meu apetite não era bom pela manhã.

– Olá amigo! – Tyller disse se aproximando ao terminar de abrir a padaria e pegando meu pão de canela.

– Pode ficar. – Falei depois que ele enfiou mais da metade do doce na boca.

Tyller era um jovem intercambista vindo da Austrália, ele estudava em meu colégio, um dos mais caros da cidade e o mais conhecido por receber alunos de intercâmbio.

Meus pais me achavam sortudo por estudar nesse colégio. Logo quando chegamos em São Paulo, consegui uma bolsa de cem por cento para estudar nele.

– Desanimado de novo Paulo? – Tyller perguntou enquanto terminava de devorar o pão.

– Já é de costume, não acha? – Falei enquanto abria o caixa.

– Você tem que mudar seus pensamentos cara. – Tyller disse arrastando seu sotaque. – Ache coisas novas para fazer, novos hobbies, ou qualquer coisa do tipo. São Paulo é tão grande, o que não falta é lugares para visitar, museus, parques...

– Hum... – Falei quase desinteressado.

–Encontre um amor então, já que o que lhe falta é uma boa...

– Não seja chulo Tyller. – Falei o interrompendo.

Tyller riu como se eu tivesse contado uma piada.

– Amo essas palavras do dicionário português. – Ele falou.

– Besta. – falei.

Tyller tirou sua atenção de mim quando ouvimos o som do sino que ficava pendurado na porta soar, o primeiro cliente do dia havia chegado.

– Essa é a minha deixa. – Tyller disse indo em direção a cozinha enquanto.

Me me agachei para pegar o notebook do qual eu faria parte do atendimento ao cliente, nele eu receberia o pedido que o cliente faria em uma tela que estava embutida na mesa, quando eu analisasse o pedido, eu o mandaria para o tablet que dona Laura tinha na cozinha, lá, ela prepararia o prato e Tyller traria até a mesa do cliente.

Coloquei o notebook em cima do balcão e abri a mensagem do pedido. Torradas e um café expresso. O enviei para dona Laura e em poucos minutos vi Tyller o prato em uma bandeja. O acompanhei com o olhar até a cliente, ela era uma moça que estava sentada em uma mesa de costas para mim.

Só consegui ver seus longos cabelos escuros caiam sobre a cadeira. Ouvi ela pronunciar um agradecimento um pouco enrolado para Tyller que logo em seguida, venho em minha direção com a bandeja em mãos.

– Ela não é daqui. – Afirmou.

– Pode ser uma turista. – Supus.

– Deve ser. – Ele disse olhando para a direção dela e depois, indo para a cozinha.

Alguns minutos se passaram e enquanto eu me distraia navegando pela internet, ouvi algum cliente se aproximar, tirei a minha atenção do computador e me voltei para ele, no mesmo momento em que eu me virei, encontrei o olhar da jovem que antes, estava sentada em minha frente, meu mundo parou, seus olhos âmbar encontrando os meus era como um soco em meu estômago.

Meu coração se acelerou e meu sangue ferveu de um segundo para o outro, a jovem direcionava palavras a mim, mas a única coisa que eu ouvia eram meus batimentos cardíacos que estavam tão desenfreados que a minha cabeça chegava a doer, o que era aquilo?

– Com licença? – A jovem disse percebendo que eu não prestava atenção no que ela dizia. Sacudi a cabeça para recuperar meus sentidos.

– Ah... Sim? – Disse em tom de pergunta, ela riu graciosamente e eu senti no mesmo momento, que iria morrer com aquilo.

– Onde fica o lavabo? – Ela perguntou desajeitada.

Apontei para o lado não conseguindo pronunciar palavra alguma, minha garganta doía como se espinhos estivessem grudados em meu pescoço.

Pisquei algumas vezes e esperei que ela saísse para correr até o banheiro de funcionários. Fui em direção da pia e enfiei as minhas mãos e rosto debaixo da torneira que ligou sozinha, bebi uma quantidade satisfatória de água.


No mesmo instante, ouvi um som semelhante ao de panela quente sendo colocada na água e me afastei da pia, olhei para as minhas mãos e vi que vapor saia delas como se realmente, meu sangue estivesse fervendo, talvez realmente estivesse, ou talvez, eu não soubesse, minha mente estava a turbilhões de pensamentos que estavam me deixando confuso.

O que eu estava sentindo? Quem era aquela garota? O que era isso?



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