História A Origem - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Feiticeiros, Heróis, Magia, Mistério, Poderes, Romance, Suspense
Visualizações 5
Palavras 2.239
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction A Origem - Capítulo 2 - Capítulo 2

Sacudi as mãos desenfreadamente e encarei meu reflexo no grande espelho que ia de ponta a outras da parede. Respirei fundo e esfreguei os braços para tentar aliviar um pouco o surto de adrenalina que ocorria em meu corpo.

Calma Paulo, sua mente só pode estar te enganando. Falei em minha mente tentando aliviar a tensão.

Abaixei a minha cabeça e olhei para a água que ainda caía da torneira automática, enfiei minha mão debaixo dela e imediatamente, vapor se condensou ao seu redor. Arregalei os olhos assustado, era como água sendo jogada no fogo.

Tirei rapidamente a mão da água e desnorteado, saí correndo do banheiro em direção a saída da padaria passando por quem quer que fosse.

Enquanto tentava alcançar a saída, vi de relance Tyller e dona Laura conversando.

Assim que me viu, Tyller correu em minha direção, porém, fui mais rápido do que ele, arranquei meu avental o larguando no chão, abri a porta e saí correndo pelas avenidas de São Paulo.

Tudo na cidade parecia estar uma grande bagunça, ainda mais do que já era. O barulho das buzinas e rodas pesadas passando por cima do asfalto pareciam estar mil vezes mais altos.

Tapei meus ouvidos e olhei de um lado para o outro sem saber para onde ia ou onde pisava.

As pessoas a minha volta pareciam mais lentas e o barulho tinha uma tonalidade quase robótica, risadas, vozes, tudo estava lento, conseguia até ouvir o ranger da sola de um sapato se dobrando em um caminhar.

Corri sem rumo me desviando ligeiramente das pessoas que entravam em minha frente, porém quase esbarrei em um homem que falava ao telefone mesmo que, assim como os outros, ele parecesse estar em câmera lenta. Por um segundo, consegui ouvir a voz de quem estava do outro lado da linha, consegui ouvir a voz feminina nitidamente, como se o celular estivesse na verdade, em meu ouvido no viva voz.

Assustado, saí corri dali ainda mais rápido, virei a minha cabeça para todos os lugares sem rumo quando de repente, vi que tudo estava normal. O barulho não estava mais alto e as pessoas não estavam mais lentas.

– Cuidado! – Ouvi uma mulher em uma calçada gritar chamando minha atenção.

No mesmo momento, ouvi ao meu lado, um barulho de rodas se arrastando no asfalto, me virei com a maior velocidade que pude e por instinto, enfiei a mão no carro que parou a um centímetro de minha perna, ou talvez, eu tivesse parado o carro.

Abaixei a minha cabeça para olhar a minha mão, vi que ela havia afundado cinco centímetros no capô do carro amassando a lataria por completo.

Virei o meu corpo para observar o arredor, me tocando de que eu estava literalmente no meio de uma avenida e eu não fazia ideia de como havia chegado ali.

Várias pessoas começaram a se aglomerar nas calçadas para verem o que estava acontecendo. Tirei a minha mão de cima do capô e olhei para ela, não possuía nenhum dano sequer. Nesse momento, eu me sentia como um cachorro abandonado, perdido e sem saber o que estava acontecendo.

Ao meu lado, ouvi passos virem em minha direção e senti alguém pegar em meus ombros.

– Venha Paulo! – Disse Tyller que havia me alcançado. – Temos que sair daqui! – Ele falou, sem reação, não me movi. – Rápido! – Ele gritou, sacudi a cabeça como se tivesse acabado de sair de um transe.

Tyller me pegou pelo braço e me arrastou entre as pessoas que olhavam confusas para nós, ao nos afastarmos do pequeno aglomerado, Tyller me obrigou a acompanha-lo em uma corrida até a padaria de dona Laura que nos esperava na porta de braços cruzados, nesse momento, ela se assemelhava a uma mãe preocupada com seus filhos.

– O que aconteceu com você Paulo? – Ela perguntou quando entramos. – Quase me matou do coração, saiu como um louco daqui!

– Eu não sei. – Respondi sinceramente.m ainda um pouco desnorteado.

Tyller foi na direção de uma mesa e pegou duas cadeiras para que pudéssemos nos sentar.

– Está se sentindo bem? – Tyller perguntou.

– Agora – Falei fazendo uma pequena pausa. –, acho que sim...

– Aposto que isso aconteceu porque você não comeu senhor Paulo! – Dona Laura disse em tom de bronca. – Vou ir pegar algo na cozinha, você não vai sair daqui de estômago vazio.

Dona Laura correu para a cozinha deixando eu e Tyller sozinhos já que a padaria estava completamente vazia.

– O que foi aquilo Paulo? – Tyller perguntou com uma expressão confusa.

Abaixei a cabeça por alguns segundos para pensar, boa pergunta, eu não fazia a mínima ideia.

– Pra falar a verdade, eu não sei... – Respondi, não havia o que explicar, estava tão confuso quanto ele, ou quanto todos os que presenciaram a cena.

– Como não? – Tyller perguntou surpreso. – Você amassou o capô daquele carro e sua mão – ele disse apontando para ela. –, está ilesa!

Estendi a minha mão na frente de meu rosto, eu não sabia o que falar, ou o que explicar, não havia nem ao menos como mentir sobre o ocorrido, ele estava lá e além disso, muita gente havia presenciado aquilo.

– Peguei alguns sonhos para você. – Dona Laura disse saindo da cozinha trazendo uma bandeja repleta de sonhos em suas mãos. – Coma e vá para a casa, você nitidamente não está bem hoje.

Quando dona Laura se aproximou,, peguei um dos sonhos e mordi um pedaço, tentei não fazer careta com o gosto, ou melhor, a falta dele. Sonho sempre foi um dos meus doces preferidos, mas agora, o seu sabor era como o nada em minha boca. Talvez os últimos acontecimentos tivessem me deixado sem apetite.

Me forcei a comer até o último pedaço do doce sem hesitar. Ao terminar, me levantei da cadeira agradecendo a dona Laura pelo sonho e a Tyller por ter me ajudado.

Fui para o meu armário pegar minha bolsa e saí da padaria para a minha casa em passos acelerados, mal podia esperar para me deitar no conforto de minha cama, nem que fosse por pouco tempo já que eu teria aula mais tarde.

~***~

– Chegou cedo filho. – Minha mãe disse no momento em que atravessei a porta de casa. Ela estava na cozinha que possuía uma abertura de frente para a entrada, assim ela conseguia ver perfeitamente quem entrava e saía. – O que aconteceu?

– Não me senti bem e dona Laura me mandou vir para casa. – Respondi sem muitos detalhes.

– Meu filho, acho que você deveria largar esse emprego. – Minha mãe falou. – Eu e seu pai temos dinheiro de sobra para sustentar nossa família, saia desse emprego e ache outras coisas para fazer!

– Não quero viver dependente de vocês... – Reclamei.

– Não é esse o foco Paulo. – Minha mãe disse. – Essa rotina está acabando com seu psicológico, parece que você está definhando mentalmente aos poucos, você não faz mais nada além de ir para o trabalho, do trabalho para a escola e da escola para a casa, nem com seus amigos você sai! – Ela disse se aproximando. – Eu e seu pai temos conversado muito sobre isso, queremos te levar a um psicólogo ou um terapeuta.

– Eu não preciso disso! – Falei. – Eu não tenho problema algum...

– Não é um problema! – Minha mãe interviu. – Você sabe muito bem que depressão foi o mal do século vinte e um, é algo sério filho!

– Mãe, eu não estou com depressão! – Falei com raiva e minha mãe me olhou com uma ponta de tristeza, por ela, me obriguei a aliviar levemente a minha tensão.

– Tudo bem meu filho... – Ela disse mesmo não concordando. – Mas não pense algum dia sequer que eu e seu pai não estamos do seu lado, nós te amamos e não queremos que você se sinta mal.

– Também amo vocês mãe. – Falei depositando um beijo em sua testa e comecei a caminhar em direção ao meu quarto.

 

– Pense bem sobre minha proposta meu filho. – Minha mãe falou chamando minha atenção. – Às vezes, problemas da alma ferem mais do que as chagas do corpo.

Abaixei minha cabeça e curvei minha boca em uma linha fina em resposta,  segui para o meu quarto.

Quando entrei, acendi a luz e me deparei com dois intrusos em minha cama, Sabrina, a gata de pelagem preta de minha irmã e Niklaus.

Fui na direção dos gatos e os enxotei de minha cama, joguei minha mochila no chão e me lancei de bruços nela agarrando um dos travesseiros. Não deu nem dois segundos e os gatos já haviam subido em minha cama, cada um deitou de um lado de meu corpo, sorri e os deixei descansarem comigo.

Fechei os meus olhos e caí em sono profundo, um sono vazio e sem sonhos.

~***~

Quando acordei, parecia que eu não havia dormido por nem um segundo, mesmo que na verdade soubesse que dormi por mais de uma hora.

Me levantei preguiçosamente da cama e tirei o meu uniforme da mochila para colocá-lo, era só mais um dia de aula.

Troquei-me rapidamente e saí de casa com a mochila nas costas. Minha escola ficava a três quarteirões de minha casa, era quase que uma caminhada rápida.

Na primeira vez que pisei nela, quando eu era apenas um garoto, pensei que essa escola era um máximo. Todas as mesas das salas de aula eram digitais, os professores e disciplinas eram excelentes e os alunos, apesar da fama de métodos, eram amigáveis. Não era comum levarmos cadernos ou estojos, só em algumas aulas em específico. A coisa que mais me impressionou nela foi a aula de robótica, mas com o tempo, perdeu a graça, assim como todo o resto.

Em poucos minutos cheguei na escola. Alunos e mais alunos entravam aos montes e se aglomeravam em grupinhos se espalhando pelos quatro cantos do lugar.

Atravessei os portais da escola e os observei como se fosse a primeira vez, sempre gostei da arquitetura do lugar, tinha o design de uma igreja vitoriana do século dezenove, apesar de ter sido feita no século passado. Ela até podia parecer antiga, mas era tão moderna quanto uma sede de alguma rede social.

Entrei na escola e caminhei pelos largos corredores repletos de armários até chegar no meu.

Enquanto caminhava, etranhei um pouco, geralmente eu passava pelos corredores despercebido, mas hoje, por algum motivo as pessoas resolveram me notar de uma maneira descarada, a maioria me encarava e depois cochichava algo com qualquer um que estivesse do lado.

Tentei ignorar os murmúrios e abri meu armário usando a minha impressão digital, precisava pegar alguns livros para a aula de história. Quando o fechei, quase me assustei com Elaine e Danilo – meus melhores amigos –  me esperando escondidos atrás da porta, não percebi suas chegadas.

– E aí Paulo! – Danilo disse dando um tapa em minhas costas.

– Como vai? – Elaine perguntou sorrindo.

– Acho que bem... – Respondi sem ânimo e Elaine soltou uma risada sarcástica.

– Eu suponho que não! – Ela disse emitindo um estalo com a língua.

Franzi o cenho com o que ela havia dito.

– Somos seus amigos seu asno! – Ela falou. – Sabemos seu estado de humor apenas olhando para o seu rosto.

– Sua cara está péssima... – Comentou Danilo.

– Venha! – Elaine disse grudando em meu braço. – Sabemos exatamente como te ajudar. – Ela disse me arrastando pelos corredores  até chegarmos ao refeitório, ele era um grande espaço com um teto largo.

 

Várias mesas com cadeiras embutidas estavam espalhadas em três fileiras de cinco mesas por todo o refeitório, todas possuíam quatro lugares e vários alunos se empuleravam entre elas.

A cantina do refeitório era uma área com um teto mais baixo e possuía uma mesa buffet que ia de uma parede a outra, nela também havia um outro espaço, uma cozinha fechada onde os alunos podiam pedir qualquer coisa que estivesse no cardápio.

Elaine pediu para que eu e Danilo nos sentassemos em uma mesa que estava desocupada e foi na direção da cantina.

Reparei no que estava ocorrendo ao redor e vi que as pessoas ainda olhavam em minha direção e cochichavam, só que agora, na companhia de Danilo, o faziam disfarçadamente.

– O que está acontecendo para as pessoas estarem olhando tanto para a gente? – Perguntei quase em som inaudível para Danilo.

– É por conta de alguns rumores... – Ele disse enrrolando, franzi as sobrancelhas.

Danilo não prosseguiu e eu evitei o questionar quando vi Elaine trazendo três milkshakes em um porta copos, havia um pacote fechado em sua outra mão.

Ela colocou o que trouxe na mesa e distribuiu os milkshakes entre nós, logo em seguida abriu o pacote tirando três sonhos de dentro.

– Seu doce preferido Paulo. – Elaine disse, sorri, mas apenas para demonstrar gratidão, meu apetite estava péssimo.

Peguei o sonho e mordi um pedaço. Ele estava sem gosto como o da padaria. Tomei um gole do milkshake e não consegui deixar de franzer o cenho, era como água gelada descendo em minha garganta.

– Não gostou? – Elaine perguntou.

– Eu não estou com apetite. – Respondi e em seguida, olhei para Danilo. – Por que não me respondeu? – O questionei.

Danilo engoliu seco e olhou para Elaine, seu olhar foi o suficiente para que ela compreendesse o porquê de meu questionamento. Provavelmente ela sabia o que ele estava escondendo.

– Você viu algum tipo de jornal hoje de manhã? – Elaine perguntou.

– E o que isso tem haver? – Perguntei.

Elaine passou a mão pelos cabelos cacheados e olhou para o lado disfarçadamente.

– As pessoas estão olhando para você – Danilo continuou. –, porque seu rosto está estampado nas manchetes principais de todos os jornais da cidade...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...