História A Origem - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Feiticeiros, Heróis, Magia, Mistério, Poderes, Romance, Suspense
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Capítulo 3


  

Tentei raciocinar por alguns segundos o que Dan havia acabado de me dizer, aquilo não fazia sentido algum.

Ri como se ele tivesse me contado uma bela piada.

– Vocês só podem estar zoando com a minha cara! – Falei com as mãos envolta em minha barriga.

Eu era equivalente a um ninguém na sociedade, era impossível que meu rosto estivesse estampado nos jornais, não sou um engenhoso inventor, muito menos uma artista famoso para isso.

– Isso parece algum tipo de brincadeira para você? – Elaine disse sacando seu celular do bolso e colocando a sua tela na frente de meu rosto, haviam alguns prints de sites de notícias nele. Peguei o celular e li o conteúdo. Franzi o cenho quando li o título de uma das matérias.

“Jovem quase é atropelado na principal avenida de São Paulo, testemunhas relatam que por algum motivo misterioso, ele conseguiu frear o carro com uma de suas mãos.”

Deslizei meu dedo pela tela do celular e vi que os todos os títulos eram semelhantes ao da primeira matéria, para piorar, a maioria das reportagens exibiam uma foto minha com a mão enfiada no capô do carro e ainda por cima, nelas davam para ver claramente que era eu na frente daquele carro.

Entreguei o celular para Elaine e cruzei meus braços pensativo.

– O que aconteceu lá? – Ela perguntou.

– Eu não sei... – Respondi o mesmo que havia dito para Tyller na padaria. Esfreguei os braços e olhei para os lados como se eu fosse algum tipo de fugitivo desesperado. – Tenho que ir. – Falei pegando minhas coisas e me levantando.

Não queria passar o resto de meu tempo vago tentando achar explicações para Daniel e Elaine, explicações de acontecimentos que nem eu mesmo compreendia.

– Ei! – Danilo disse levantando-se e colocando-se rapidamente em minha frente. – Onde você vai?

– Somos seus amigos Paulo! – Elaine disse, me virei para ela. – Você não precisa esconder absolutamente nada da gente!

Suspirei e me sentei novamente, Daniel se sentou ao meu lado e Elaine se inclinou em nossa direção para poder se aproximar e me ouvir melhor.

– Eu estava trabalhando hoje de manhã, como sempre faço. – Comecei a tentar explicar. – O expediente tinha acabado de começar e não demorou muito para o primeiro cliente chegar, era uma moça, eu até não rinha visto seu rosto de primeira, estava um pouco distraído... – Falei fazendo uma pausa para olhar os rostos de Danilo e Elaine, eles me encaravam atenciosamente. – Fiquei por alguns minutos no computador até que a moça venho em minha direção para me pedir algum tipo de informação, quando eu tirei a minha atenção do computador e olhei nos olhos da moça, foi como se...  – Falei fazendo uma pausa para tentar encontrar palavras para descrever o que eu senti naquele momento, mas não conseguia e acabei me calando por alguns segundos um pouco pensativo.

– Eu não acredito... – Elaine disse sorrindo ao perceber que eu não conseguira descrever. – Amor à primeira vista ainda existe? – Ela falou e Danilo caiu na gargalhada.

– Eu não acredito que você quase foi atropelado porque se apaixonou por uma garota! – Danilo falou ainda rindo.

– Não foi amor! – Protestei e logo em seguida franzi o cenho pensando se realmente não era aquilo o que havia eu havia sentido. – Eu já amei outras vezes – ou pelo menos acho que já amei. –, não foi igual, e além do mais, eu nem ao menos consegui ver o rosto da jovem, naquele momento, consegui ver somente seus olhos...

– Então continue. – Disse Elaine ainda sorrindo. – O que você sentiu?

– Senti como se alguém tivesse dado um soco em meu estômago – Disse descrevendo exatamente  sensação do momento. –, meu sangue ferveu e por alguns segundos, cheguei a não ouvir nada do que se passava em minha volta.

– Meu amigo... – Daniel disse dando algumas tapinhas em minhas costas. – Isso com toda a certeza foi muito mais do que amor...

Revirei os olhos com o que Daniel havia dito.

– Isso é tão... – Falou Elaine fazendo uma pausa para tentar encontrar palavras.

– Não continue Elaine. – Falei a interrompendo.

– Então prossiga! – Ela falou em tom divertido.

– Bem, talvez eu não tenha conseguido suportar a sensação do choque que eu senti quando a vi, então saí correndo em direção ao banheiro de funcionários. – Continuei. – Quando cheguei, enfiei literalmente, meu rosto e mãos debaixo da torneira, mas... – Pausei, porém Daniel e Elaine me encararam com ódio por eu ter pausado, então prossegui. – Eu ouvi um barulho de fogo sendo apagado, sabem? – Daniel e Elaine assentiram positivamente. – Quando eu saí debaixo da torneira e olhei para as minhas mãos, vi que delas saiam vapor, então eu as enfiei novamente novamente debaixo da torneira e no mesmo momento, vi o vapor se condensar em volta delas...

Engoli seco, lembrar daquele momento ainda me deixava um pouco desnorteado. Olhei para Daniel e depois, para Elaine. Eles me encaravam como se eu fosse um louco.

– Não estou mentindo pessoal, isso me assustou tanto que eu saí correndo da padaria sem olhar para onde ia. Quando me dei conta já estava no meio da rua. No mesmo momento, ouvi um carro vir em minha direção, e por algum motivo, ou instinto talvez, me virei com tudo e parei o carro com a minha mão. Quando eu a vi, ela estava completamente afundada no capô do carro e não possuía nenhum arranhão. Foi isso o que aconteceu! – Falei cruzando os braços ao terminar de contar o que havia ocorrido. Elaine e Daniel me encaravam desacreditados.

– Prefiro acreditar na hipótese de que você usou algum tipo de droga e saiu loucão pelas ruas... – Elaine disse se levantando.

– E usar drogas agora te dá algum tipo de superpoder? – Danilo perguntou sarcástico. Bufei me irritando com as provocações.

– Parem de agir como dois jumentos! – Falei já irritado. – Vocês queriam algum tipo explicação, está aí. – Disse me levantando.

Elaine soltou uma pequena risada e cruzou os braços pensativa.

– Então você está querendo nos dizer que apenas sentiu o carro vindo em sua direção e o parou com a sua mão por instinto? – Ela perguntou com uma sobrancelha levantada, assenti concordando e Elaine sorriu como se eu tivesse a desafiado. – Olhe lá! – Ela disse apontando para o meu lado esquerdo.

Virei a minha cabeça para ver o que ela apontava e senti algo redondo voar em minha direção, o peguei no ar sem virar meu rosto.

Me voltei para Elaine quando percebi que ela havia me enganado, franzi minhas sobrancelhas e olhei para o que eu havia agarrado no ar.

– Mas o que!? – Falei um tanto quanto indignado quando vi um sonho em minha mão. – Por que jogou isso em mim? –  Falei olhando para  Elaine que estava boquiaberta, ela se esparramou na cadeira e piscou algumas vezes impressionada com algo.

– Agora sim consigo acreditar em você... – Ela falou.

– E por que mudou de ideia? – Perguntei.

– Como assim Paulo? Largue de ser sonso. – Danilo disse dando um tapa em minha cabeça. – Você acabou de pegar a droga do sonho no ar sem ao menos virar o rosto! – Falou impressionado.

– Okay, mas... o que é que tem? – Perguntei dando de ombros. Elaine revirou os olhos e soltou um grunhido e impaciência. Ela se levantou para tentar explicar, porém no mesmo momento, o sinal da escola começou a tocar.

– Vamos descobrir o que está acontecendo com você Paulo. – Elaine disse provavelmente mudando seu discurso. – Nos vemos na aula de álgebra. – Ela disse pegando sua mochila e o restante de seu milkshake e saindo andando em direção a saída do refeitório.

– Vamos? – Daniel disse enquanto pegava os lixos deixados por nós em cima da mesa.

Assenti positivamente pegando meu milkshake e o restante de meu sonho.

– Você vai querer isso? – Perguntei apontando para a bebida, Daniel fez que sim com a cabeça e entreguei o milkshake a ele enquanto íamos na direção da saída.

~***~

– O período entre dois mil e quatorze e dois mil e vinte e três foi o ápice da crise política no Brasil... – Dizia a professora Marta enquanto passava os slides.

– Maldita aula de história... – Daniel disse entre os cochilos.

– É importante lembrar a história antiga do Brasil. – Falei tentando prestar atenção na aula.

Me virei para Daniel e vi que ele estava dormindo debruçado sobre a mesa, ele chegava até a babar.

– Ei, acorde! – Falei sacudindo Daniel que se sentou desorientado.

– Daniel, pode por favor nos dizer o nome de todos os presidentes que governaram nesse período? – A professora disse chamando sua atenção.

– Ah professora, mas isso é coisa de quem está na quinta série! – Protestou. – Me diz aí Paulo! – Sussurrou a mim disfarçadamente.

Quando fui abrir a minha boca para dizer a ele o sinal tocou, Daniel se levantou rapidamente e pegou sua bolsa.

– É uma pena que acabou a aula minha querida professora! – Ele disse enquanto saia da sala. – Até quinta!

Nossos colegas caíram na gargalhada enquanto a professora balançava a cabeça em desaprovação.

Arrumei meu material e saí da sala a procura de Daniel, ele me esperava ao lado de alguns armários com um sorriso debochado em seu rosto.

– Essa foi por pouco! – Falou aliviado.

– Você deveria prestar mais atenção nas aulas, a sorte não vai te salvar quando você estiver prestes de ficar retido. – Falei enquanto caminhávamos na direção da sala de álgebra.

Daniel olhou para a minha cara e riu com escárnio.

– Impossível. – Afirmou. – Os professores daqui me amam e não há nada que um pouco de dinheiro não pague.

– Você me enoja. – Falei e Daniel deu de ombros.

Sempre achei Daniel uma pessoa de sorte, quando nos conhecemos, Daniel dizia que seus pais, em sua infância, não tinham o que lhe dar para comer. Sua mãe, uma bela mulher de pele avelã, cabelos cheios e cacheados, trabalhava como faxineira em uma faculdade e seu pai, um homem alto de pele cor de cacau – surpreendentemente parecido com Daniel –, era voluntário em um abrigo de animais. Os dois juntos ganhavam muito pouco para conseguirem sustentar eles e os três filhos, Daniel, Larissa e Bianca.

Cansados de viverem à beira da miséria e quase desesperados por alguma solução, os pais de Daniel decidiram vender sucos preparados em casa pelas ruas. Daniel me disse que de início pensava que aquilo era quase uma loucura, ninguém mais comprava sucos que não fossem de máquinas, mas o pai de Daniel não pensou o mesmo, disse para o filho que as pessoas, de vez em quando, gostavam de sair da mesmice.

De início o negócio não ia muito bem, é sempre difícil começar algo novo na cidade de São Paulo. Mas Daniel havia me dito que por acaso, em um dia normal, um homem misterioso resolveu comprar uma das bebidas de sua família. O que eles não imaginavam era que esse homem era um rico investidor que estava à procura de um novo negócio. Ele gostou do pequeno empreendimento da família de Dan e emprestou para a eles dinheiro, a partir daí o negócio de sua família cresceu de uma maneira surpreendente.

Hoje em dia, a família de Daniel possui a maior rede de bebidas do mundo, a Marsilasuc, uma pequena homenagem e um lembrete para que eles nunca se esquecessem do lugar de onde vieram, o antigo distrito de Marsilac.

Em poucos segundos, eu e Daniel já havíamos chegado na sala de álgebra. Quando entramos já havia alguns alunos nela, inclusive Elaine que nos esperava sentada no meio de um trio de mesas.

Nos juntamos a ela e nos acomodamos em nossos lugares.

– Sabe – Ela disse enquanto eu ajeitava alguns livros na minha mesa e Daniel configurava a sua. –, fiquei pensando que talvez vocês pudessem ir na minha casa hoje, poderíamos tentar entender o que está acontecendo com você Paulo.

– E virar uma cobaia no laboratório de sua mãe? – Perguntei. – Dispenso.

– Nem iremos entrar no laboratório de minha mãe! – Elaine disse cruzando os braços.

Elaine é de uma das famílias mais conhecidas da cidade, sua mãe, uma mulher ruiva com cachos completamente alinhados – assim como a filha – é uma importante médica que trabalha na área de pesquisas, ela ficou muito conhecida por descobrir uma cura definitiva para a AIDS a ebola e a poliomielite.

Além disso, ela possuí um laboratório imenso dentro de sua própria casa, um dos maiores do país.

Perto de uma médica renomada como sua mãe, o pai de Elaine acaba sendo um simples matemático.

– Apesar de que nada é comprovado sem testes... – Elaine complementou.

– Não posso... – Falei tentando arranjar uma desculpa. – Tenho que ajudar a minha mãe e não gosto de sair à noite e...

– Eu não acredito Paulo Alexandre! – Elaine disse quase furiosa, franzi o cenho com sua reação. – Você nunca faz o mínimo de esforço para tentar sair da rotina de que tanto reclama, sempre que te convidamos para ir em algum lugar você inventa uma desculpa esfarrapada como essa! – Ela disse cruzando os braços. – Quer saber? – Falou levantando uma de suas sobrancelhas. – Você é o único responsável pela lama do qual está se afundando!

Me encolhi com suas palavras repentinas, elas foram quase como um tapa em minha cara.

– É cara, dessa vez não tem como te defender... – Daniel disse me olhando com algum tipo de compreensão.

– Por que venho me falar isso tão de repente? – Questionei.

– Porque estou farta disso Paulo. – Respondeu emburrada.

– Você não tem ideia do quanto isso nos afeta também, somos seus amigos Paulo. – Daniel complementou. – Sabemos o quanto isso te afeta e você sabe que é o único que pode mudar isso, mas não faz nada em relação...

Cabisbaixo, apoiei meu cotovelo na mesa e meu queixo em minha mão, eles estavam certos, eu era o único culpado por ter deixado a minha vida tão sem graça e nunca houve um motivo para isso. Talvez fosse a vontade de voltar para o interior, ou talvez, a falta de vontade de viver...

Pouco a pouco, a sala de aula foi se enchendo e em alguns minutos, o professor de álgebra, Karlos, já havia chegado. Ele fechou a porta e foi em direção a sua mesa.

– Boa tarde turma! – Ele disse se sentando em sua mesa para fazer a chamada.

– Boa tarde! – Os alunos responderam em uníssono.

– Alguém se lembra em que parte eu parei? – Ele perguntou enquanto folheava o livro.

– O senhor já terminou o assunto antigo. – Jane, uma aluna que estava no fundo da sala, respondeu.

– Então hoje vamos começar com adição e subtração de números complexos. – O professor disse e toda a sala resmungou. – É fácil, podem apostar, mas quando entrarmos em divisão, aí sim suas lágrimas cairão sobre suas mesas.

– Que horror... – Elaine falou fazendo cara feia.

O professor pegou a sua prancheta eletrônica e começou a configura-la para que pudêssemos confirmar a chamada em nossas mesas.

– Confirmem suas presenças para que possamos começar a aula. – Karlos e uma imagem com uma digital apareceu nas mesas de todos os alunos.

Coloquei meu dedo sobre o leitor biométrico – que ficava na ponta direita da mesa – e minha foto apareceu na tela holograma que se projetou dela.

Me virei para o lado e vi que Elaine estava com dificuldade para confirmar a sua presença na aula e ri quando ela soltou um palavrão e bateu em sua mesa.

– Não acredito que essa porcaria não está me reconhecendo como aluna! – Reclamou. – É como se eu tivesse deixado de ser quem eu sou!  – Ela falou e eu, franzi as sobrancelhas não compreendendo.

– O leitor deve estar sujo. – Daniel disse pegando a ponta de sua camisa e passando sobre ele. – Tente agora.

Elaine colocou seu dedo sobre o leitor biométrico e sua foto apareceu na tela holograma projetada pela mesa.

Quando todos os alunos confirmaram suas presenças, o professor se levantou e pegou uma caneta para poder escrever na lousa digital, antes que ele tivesse encostado a sua ponta nela, alguém bateu na porta.

– Pode entrar. – Ele disse.

– Com licença... – Falou uma voz feminina um pouco tímida e com um sotaque um pouco arrastado, eu estava um pouco ocupado configurando minha mesa para prestar atenção em quem era. – Perdão pelo atraso eu tive difi...

– Você não me deve satisfações. – Disse o professor amigavelmente. – Sente-se ali. – Falou indicando algum lugar qualquer.

Quando tirei os olhos de minha mesa e vi quem estava atravessando a sala, fiquei paralisado. Ela era como um anjo andando em minha direção, apesar de estar indo a algum lugar vago em um trio de mesas ao meu lado.

Reconheceria aquele par de olhos âmbar em qualquer lugar do mundo. Tentei manter a minha boca fechada para que meu queixo não caísse no chão, mas não consegui evitar que meu olhar a seguisse enquanto ela caminhava. A jovem se sentou na cadeira ao meu lado e pegou seu material.

Eu nunca havia visto tamanha beleza. Seus olhos eram perfeitamente alinhados com suas sobrancelhas volumosas, seu nariz era reto e sua boca era perfeitamente desenhada, como se tivesse sido feita pelas mãos de querubins, e claro, os cachos das pontas de seus longos cabelos escuros caiam sobre suas costas.

Senti Elaine cutucar meu braço e me virei em sua direção.

– Pare de secar a garota, não percebe o quanto isso é errado? – Advertiu.

– É ela... – Falei, Elaine franziu as sobrancelhas e Daniel tirou a sua atenção da tela holograma se voltando para mim. – A garota da padaria, é ela. – falei e vi Elaine e Daniel se inclinarem para o lado levando seus olhares para além de minha cabeça.

Os dois levantaram suas sobrancelhas surpresos, talvez não estivessem tão surpresos quanto eu. 



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