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História A outra - Capítulo 10


Escrita por: Hipotalamo

Capítulo 10 - Capítulo Nove


Fanfic / Fanfiction A outra - Capítulo 10 - Capítulo Nove

Estávamos a quatro horas na estrada, parando em postos e comendo fastfood no carro. A música ainda tocava alta e as paisagens eram incríveis e me renderam ótimas fotos. A primeira parada foi em Gramado. Era uma cidade com cara de interior, com direito as casas grandes de madeira que só se vê em filmes americanos. Paramos em uma das casas, a mais afastada do centro e Sam estacionou o carro. Eu fiquei de boca aberta, era enorme toda em madeira escura com dois andares

 

-Vamos ficar aqui?

 

Era obvio, mas eu precisava perguntar para acreditar, ele balançou a cabeça positivamente e sorriu, provavelmente da minha cara, aquilo era novo para mim eu não conseguia negar no meu rosto o quanto estava maravilhada. Descemos, ele com as malas e eu me abraçando sentindo meu corpo chocar com a temperatura, já que o carro estava com o aquecedor ligado a viagem inteira. Ouvi sua risada atrás de mim, acionando o alarme, olhei para cima, estava sem uma nuvem no céu e um sol de rachar

 

-Como pode estar tão frio? É setembro

 

-Exatamente, é setembro. Inverno quase primavera

 

Ele colocou os óculos na cabeça e apertou os olhos se aproximando de mim, eu ainda abraçava a mim mesma me balançando. Como eu sou lerda, todos os locais que fui estavam aquecidos pelo inverno, que no sul é bem mais rigoroso que em Salvador e eu achando que seria uma viagem de carro e calor, trouxe todas as roupas erradas para o clima. Sam abriu a porta e chamou a minha atenção

 

-Não vai entrar? Eu ligo a lareira

 

Corri até onde ele estava ainda com os braços a minha volta, entrei na casa com o queixo tremendo olhando ao redor, era muito mais bonita por dentro. Retiramos as botas que usávamos, colocando ao lado da porta. No ambiente a madeira predominava, mesclando com os poucos moveis que tinham. Os sofás eram vinho com um tapete branco e a lareira, se destacando bem em frente a porta, além de grandes janelas em toda a lateral com cortinas brancas de voal. Sam acendia a lareira quando encontrei a cozinha, um estilo rustico, com uma grande ilha marrom assim como os armários. Voltando para a sala ao lado direito tinha uma porta e a escada, a porta levava ao banheiro, com uma banheira e chuveiro, em um tom marrom avermelhado, combinando com o resto da casa. A escada provavelmente aos quartos...

 

-Pronto, aquecida!

 

Olhei para Sam que aquecia suas mãos me olhando sorridente, fui até a lareira soltando os braços do meu corpo e finalmente parando de tremer, ele me abraçou de lado e ficamos olhando o fogo queimar a madeira.

 

-É sua? Essa casa?

 

-É, quer dizer, da banda inteira. Compramos dividido para nos isolarmos e poder gravar o álbum  

 

Fiz um som com a boca como se entendesse, muitos artistas fazem isso de se isolar, não era uma casa luxuosa e a utilização dela explicava a pouca quantidade de moveis. A temperatura já estava estabilizada com a lareira acessa e as janelas fechadas, a vista da janela era incrível, um lago todo congelado com arvores em volta. Ele me abraçou por trás colocando seu nariz gelado em meu pescoço, me fazendo encolhe-lo e arrepiar

 

-Vamos subir?

 

Fechei os olhos sorrindo e concordando com a cabeça, mas não acho que sua intensão seja me apresentar os cômodos de cima. Pegamos os calçados e subimos as escadas que era toda em madeira, incluindo seu corrimão. No segundo andar, tinha um espaço amplo, com uma mesa e tapete redondo no meio. Ao redor portas, provavelmente quartos menos uma, que era uma porta de vidro que dava para uma varanda com vista para o lago. Sam abriu um dos quartos, colocando as malas em cima de um gaveteiro grande e marrom. No quarto, assim como o resto da casa, não tinham muitos moveis, uma cama com uma cabeceira em madeira, dois criados mudos com dois abajures e duas poltronas, com uma cortina azul escura entre elas da mesma cor dos lenções da cama. Coloquei os sapatos ao lado da porta indo até a cortina, abrindo-a e encontrando a varanda, que era compartilhada por todos os quartos. Nela possuía apenas puffs de diversas cores e um espaço gourmet, com churrasqueira, pia e uma mini geladeira. Voltando para o quarto fui até o banheiro completar meu tour, enquanto Sam arrumava as roupas na cômoda. O banheiro era inteiramente branco, com uma banheira redonda e uma claraboia em cima do chuveiro.

 

-Tu só trouxe essas roupas?

 

Sai do banheiro fechando a porta atrás de mim o vendo levantar um vestido de alças verde com flores rosas, mordi o canto do meu lábio inferior me crucificando por dentro, como eu não imaginei que sentiria frio? Assim que ele falou em viagem de carro a imagem que me veio a mente foi calor, esqueci completamente que não estou no nordeste

 

-Tem algum lugar que possamos ir? Eu definitivamente não vou conseguir usar isso

 

Ele riu concordando e voltando a guardar o resto da minha roupa no gaveteiro, vindo até mim em seguida

 

-Doida

 

Ele segurou minha cintura e eu ri mesmo sem graça da situação que tinha me colocado, abraçando seu pescoço e depositando um selinho inocente em seus lábios. Ele sorriu me erguendo e andando lentamente para trás enquanto continuava a me dar selinhos, como se eu não soubesse qual era o destino dos nossos corpos. A cama. Onde ele me deitou assim que nos aproximamos, se deitando por cima de mim. Riamos juntos, enquanto nossos narizes se esfregavam um no outro. Sam virou sua cabeça lentamente entreabrindo os lábios e pedindo passagem com a sua língua nos meus, permiti sentindo o roçar das nossas línguas se intensificarem a cada minuto que nos beijávamos. A ponta dos seus dedos ainda geladas passavam por minha testa chegando no meu cabelo, acariciando, enquanto seu cotovelo evitava que o peso do seu corpo fosse demasiado sobre o meu. Abracei seu pescoço rolando na cama e ficando por cima, abrindo minhas pernas e me sentando em seu quadril. Minhas mãos puxavam sua blusa para cima e ele se sentou, desabotoando e descendo a minha, enquanto nossos quadris inquietos se roçavam, mantendo o clima que só esquentava. Depositava beijos molhados no seu ombro, enquanto ele se livrava do meu sutiã, agarrando e massageando meus mamilos com os polegares

 

-Teu peito é tão gostoso

 

Sussurrava em meu ouvido enquanto o volume em sua calça pulsava, eles desceu as mãos apertando minha bunda, me puxando contra o seu corpo e chupando a ponta da minha orelha, desviei os beijos até seu pescoço o empurrando para deitar na cama, descendo meus lábios pelo seu tórax e abdômen, enquanto desabotoava sua calça. Sua expressão era divertida, sua língua estava entre os dentes em um sorriso de prazer, quando sentiu minha língua se aproximar da sua virilha, abaixando lentamente sua calça e cueca. Assim que seu pau pulou para fora eu o abocanhei, deslizando toda a extensão por meus lábios e garganta, sua arfada com tesão só me fizeram intensificar o movimento que fazia com a minha cabeça, eu estava excitada, podia sentir minha calcinha encharcada, só de ouvir os sons que ele fazia, eu queria mais. Apertei a lateral do seu quadril ajoelhada entre suas pernas enquanto enfiava o mais fundo que conseguia

 

-L...pare...

 

Eu não queria, eu não iria. Suguei aumentando o ritmo sentindo seu pênis se enrijecer ainda mais dentro dos meus lábios, sua perna se contraiu se esticando e sua cabeça pesou para trás em um sonoro palavrão arrastado

 

-Caralho...

 

Até eu sentir o jato atingir minha laringe me permitindo engolir todo o seu gozo enquanto seu corpo relaxava. Seu olhar estava pesado e surpreso encarando o meu, sorri me sentando entre seus joelhos limpando o canto dos lábios com o indicador e o polegar ouvindo seu riso

 

-Você é doida...

 

Ele me puxou e me deitei ao seu lado, Sam terminou de se livrar de suas roupas com os pés e se apoiou em seu cotovelo, descendo o seu indicador da minha testa, passando pelo nariz, boca e parando no queixo, apertando de leve com o polegar, depositando um selinho. Sorri. Ele levantou uma sobrancelha diminuindo o sorriso e acompanhando sua mão, de acordo com que o seu indicador descia por meu pescoço, entre os seios, barriga e umbigo, parando no botão do meu short. Ele voltou a me olhar e eu te encarava já ofegante, encolhendo minha barriga.

 

-Não está satisfeito? Não fiz certo?

 

Molhei meus lábios desviando o olhar pra sua boca observando um sorriso safado no canto dela, ele desabotoou meu jeans e abaixou meu zíper lentamente ao mesmo tempo que meus lábios se abriam, implorando seu toque em pensamento.

 

-Fez, mas não é isso que me deixa satisfeito

 

Ele colocou toda a sua mão dentro da minha calcinha e meu corpo se alongou fazendo as minhas costas descolarem da cama e minha cabeça tombar para trás. Seus dedos manipularam meu clitóris em movimentos pendulares e eu não precisava de muito para chegar lá, mas ele não permitiu, tirando sua mão e se ajoelhando na cama para puxar com força meu short e calcinha, me fazendo escorregar no lençol com a pressa, eu estava completamente nua e sem pudor, me sentia livre e sexy com o olhar que me lançava, analisando todo o meu corpo lentamente. Mordi meus lábios utilizando os cotovelos para engatinhar de costas e voltar ao local que estava, ele sorriu de boca aberta mordendo seus lábios no momento em que abri minhas pernas com os joelhos dobrados, permitindo uma visão privilegiada. Seus olhos estavam escuros e desviaram do meu sexo para meu rosto lentamente, eu o queria dentro de mim. Sam pegou sua calça na ponta da cama, tirando da carteira um pacote de camisinha, sem desviar seus olhos, estávamos sérios olhando o corpo um do outro enquanto ele colocava, o tesão era palpável. Ele se aproximou lentamente, encaixando suas coxas na parte de trás das minhas, pude sentir a cabeça do seu pau entre a cavidade, ele penetrou devagar me fazendo soltar todo o ar que já puxava com dificuldade e fechar os olhos. Seus movimentos eram lentos, como se quisesse que eu sentisse tudo o que entrava e saía de mim. Ele passou a mão na minha franja apoiando os cotovelos na lateral dos meus ombros e eu trouxe seu polegar com a língua até minha boca, chupando e abraçando sua cintura com as minhas pernas, ele começou a intensificar seus movimentos e meus gemidos ecoavam no quarto. Eu não tinha vergonha com ele. Seus dentes mordiam meu queixo e meu quadril se movimentava mesmo embaixo do seu, as investidas que me dava te fazia ganir como se fizesse força, eu queria mais

 

-Vai...forte, eu quero mais

 

Encarei seus olhos enquanto seus movimentos aumentavam, nossas línguas se chocavam em um beijo desajeitado e sem ritmo pelo vai e vem dos nossos corpos, nossas coxas batiam como se aplaudissem a obscenidade que fazíamos, mordi seus lábios com força apertando minhas pernas em sua cintura, chegando ao ápice em seus braços, ele sorria ao ouvir meu gemido arrastado não parando suas estocadas até gozar logo em seguida. Nossas testas estavam suadas e encostadas uma na outra, nossos olhos fechados e nossa respiração ofegante

 

-Isso, teus sons que me deixam satisfeito

 

Abri os olhos encarando os seus sorrindo com os lábios, eu deveria estar com vergonha agora, mas não sinto.

 

-Seus lábios estão...sangrando

 

Ele lambeu os lábios tentando olha-los sem sucesso e riu, eu coloquei as mãos na boca começando a sentir o arrependimento falando abafada

 

-Desculpa...eu não consegui medir a força

 

Ele riu enquanto dei um beijo molhado nos seus lábios e ele retribuiu, eu não conseguia me controlar ele era tão gostoso que nem parecia real. Sam se ajoelhou saindo de dentro de mim lentamente

 

-Nããão...eu quero mais...

 

Falei com uma voz preguiçosa levantando as mãos e apertando meus seios lentamente te encarando, ele suspirou desviando seu olhar de mim para a camisinha

 

-Tu definitivamente precisa tomar um remédio, não é sempre que eu vou ter esse autocontrole

 

Ri sincera colocando meus braços acima da cabeça enquanto ele ia no banheiro se livrar do material e fazer assepsia, falei um pouco mais alto

 

-Eu já usei uma vez, se eu encontrar na farmácia eu compro e em uma semana acho que já podemos, pelo menos foi assim da... ultima... o que foi?

 

Sam estava parando me olhando com as sobrancelhas levantadas da porta do banheiro

 

-Quer dizer que paramos na farmácia aquele dia e tu poderia ter comprado?

 

Rolei os olhos e ele andava lento até a cama

 

-Eu não sabia que faríamos de novo, quer dizer eu achei que seria...só aquela vez, casual como eu disse

 

Sentei na cama me cobrindo com o lençol azul quando ele se sentou me encarando, ainda nu como eu

 

-Que tipo de homem seria eu se só “fizesse” uma vez, com uma gostosa dessa

 

O sangue do meu corpo foi parar todo no rosto, meus lábios se abriram e se fecharam me fazendo olhar para baixo, ele me encarou franzindo a testa

 

-Vergonha? – ele riu se aproximando com meu short e calcinha que estavam em cima da cômoda

 

-Eu não... costumava me soltar tanto... não sabia bem como era até me permitir com você

 

Sam sorriu segurando o lençol e puxando, descobrindo meu corpo novamente me fazendo puxar o ar pela boca de susto e abaixar a cabeça de vergonha, ele não permitiu, levantando meu rosto pelo queixo

 

-Não precisa ter vergonha de mim, seu corpo é lindo – ele passou os dedos por meu ombro passando o polegar pela tatuagem e descendo em meu braço até segurar minha mão – E eu quero que se solte ainda mais

 

-Falando palavras sujas no seu ouvido

 

Fiz uma voz sexy aproximando meu rosto do seu, rindo em seguida como ele

 

-Falando o que tiver vontade ou o que eu te obrigar

 

Gargalhamos e segurei seu rosto te dando um selinho demorado. Fiquei em pé na cama e alcancei a calcinha, que estava encharcada presa no short

 

-Sem chance de eu usar isso de novo, vou tomar um banho

 

Ele tomou da minha mão e desvencilhou a calcinha, me devolvendo apenas o short, fiquei encarando seu rosto enquanto ele colocava a calcinha na coxa, a dobrando até perceber meu olhar em ti

 

-O que? É minha agora, pode ir para o seu banho

 

Tentei pegar a calcinha novamente, mas ele foi mais rápido me afastando com seu braço, não insisti, no fundo me dava vontade de montar nele novamente. Andei na cama e antes de descer recebi um tapa na bunda me surpreendendo e me fazendo pular no chão e te olhar

 

-Saímos em dez minutos, vamos achar a porra de uma farmácia nesse minuto

 

Ri andando de costas até a porta do banheiro, sem encerrar o contato dos nossos olhos e sorrisos, entrei no banheiro fechando a porta nas minhas costas ainda com o sorriso no meu rosto. Eu estava nas nuvens, me olhava no espelho e me sentia mulher, que foi capaz de deixar aquele homem louco na cama.

 

-Selvagem

 

Fazia caras e bocas no espelho sacudindo o cabelo e mordendo os lábios. Que selvagem, a vigésima achando que é a última. Engoli saliva voltando a mexer na franja e desfazendo meu sorriso no espelho. “A outra” ainda atormentava meus pensamentos mesmo com a decisão de colocar uma pedra no meu passado. Você sabe o que está acontecendo, não sabe?

 

-Eu estou aproveitando a segunda vida que me foi dada, vivendo como meu pai gostaria

 

Eu posso apostar que nosso pai não iria escolher essa vida que leva e você sabe o que está acontecendo, não se iluda, você não é especial, é só mais uma. Engoli saliva balançando a cabeça para afastar meus pensamentos negativos, entrei no chuveiro fazendo um coque com o próprio cabelo para não o molhar. Meu banho não demorou muito, lavei o necessário e saí, me enrolando na toalha após me enxugar e andando até o quarto. Sam estava arrumando a cama.

 

-Sammy, é diferente? Quer dizer... a forma que eu faço, sei la

 

-Vulgar, porque?

 

Sussurrei muda a palavra que ele me descreveu, estava de costas e não poderia encara-lo. Buscava na gaveta a roupa mais quente que tinha trazido, um vestido de mangas listrado em azul escuro e branco com um decote quadrado, quando ele invadiu o silencio

 

-Porque?

 

Vesti a calcinha ainda de costas colocando o sutiã e prendendo eu fecho com as mãos nas costas

 

-Ahn... sei la, vulgar não parece legal, você já dormiu com muita gente, deve ter uma coleção de adjetivos melhores...

 

Arregalei os olhos me crucificando pela resposta, até porque ele não respondeu nada, fico calado. Coloquei meu vestido ainda de costas, passando pela cabeça e ajeitando nas coxas, quando senti sua mão sobre as minhas subindo o vestido novamente, respirei fundo virando a cabeça de lado sentindo seu nariz na minha bochecha

 

-Eu gosto do adjetivo vulgar – ele me olhou e eu fiz o mesmo franzindo a testa – Tu é a mulher mais doida que eu conheço

 

-E isso lá é um elogio? –apertei os lábios

 

-Claro que é, gente normal não presta

 

Ele riu me dando um beijo na bochecha e eu fechei a gaveta mordendo meus lábios suspirando. Denominada como vulgar e doida, como eu disse, nada demais. Fui até o banheiro pentear os cabelos, me olhava no espelho me obrigando a não chorar, sussurrando

 

- Talvez vulgar e doida não seja uma coisa ruim, Marilyn Monroe foi considerada vulgar e doida, ela era maravilhosa, Madona também. Doida é algo bom, é singular, é algo...

 

Suspirei novamente desistindo e me assustando com sua presença na porta do banheiro

 

-Está...falando sozinha?

 

-Vamos?

 

Passei por ele pegando minha bota ao lado da porta do banheiro e me sentando na cama para calçar, ignorando totalmente a sua pergunta sem resposta. Eu deveria parar de me cobrar tanto, se ele me acha vulgar é porque eu fui e gostei. Qual o problema nisso? Eu sou livre, sou uma mulher com desejos e posso ser quem eu quiser enquanto estiver transando, posso ser doida, vulgar e sexy e...porque eu queria mais dele? Fiquei encarando-o colocar sua camisa no banheiro enquanto amarrava meu coturno. Ele podia enjoar, não é? Na verdade, achar outra igual. Afina quantas vulgares e doidas existem no mundo? Ele penteava seu cabelo, tão cuidadoso, minha atenção focou em cada detalhe ignorando “a outra” em minha mente, seus dedos longos e finos colocando de lado as mexas, com pequenos cachos que se formavam nas pontas, em ondulações perfeitas que caiam por sua testa desafiando as ordens que suas mãos davam

 

-Que foi?

 

Assustei piscando algumas vezes levantando da cama, balançando a cabeça negativamente, colocando os óculos escuros e saindo do quarto, sendo seguida por ele e sua risada.

 

-Doida

 

Sam me levou até o shopping da cidade para comprarmos tudo o que precisávamos. A primeira parada, claro, foi na farmácia onde eu pedi o remédio que eu tomava em Salvador, dando a sorte de encontra-lo. Ele pediu vinte caixas, se certificando que não usaria mais camisinhas e claro, me envergonhando pela segunda vez em uma farmácia. Minhas pernas tremiam por estarem expostas e nossa segunda parada foi uma loja de roupa de inverno, onde eu resolvi todos os meus problemas de frio. Ao total fora duas jaquetas e três calças de couro, por ser impermeável protegem mais do frio, além de blusas de lã, meias calças e luvas, respeitando as cores do Lalyta Style. Coloquei uma meia calça grossa azul escura, a jaqueta e as luvas também azuis, para conseguir continuar andando pelo shopping ou congelaria. Nossa última parada foi na praça de alimentação, onde almoçamos churrasco, como bons gaúchos que éramos.

 

-Eu quero te mostrar uma coisa antes de voltarmos

 

Estávamos em seu carro, ele estacionou e tirava o cinto enquanto eu te analisava curiosa, tirei também o cinto saindo e olhando ao redor. Estávamos em uma praça e Sam segurou minha mão adentrando ao local

 

-Já esteve aqui?

 

-Não...

 

--Aqui é a praça das etnias e não fuja do que eu vou fazer agora

 

Apertei os olhos te olhando, mas ele não viu por causa dos meus óculos escuros. A praça estava pouco movimentada, porque todos estavam tirando fotos e turistando, aproveitei para tirar fotos aleatórias enquanto caminhava com Sam. Ele soltou minha mão e abaixou, colocando a caixa do violão no chão e retirando, me fazendo perceber só agora que estava na sua mão direita. Meus lábios se abriram olhando ao redor, ele não vai...Sam se afastou e meu corpo gelou

 

-Está maluco? Vão te reconhecer, o que vai fazer?

 

-Eu preciso te mostrar uma coisa

 

Ele começou a tocar o seu violão e eu respirei fundo apertando as mãos umas nas outras. Sua voz invadiu o ambiente cantando uma letra que eu não conhecia, mas a melodia era incrível.

 

-Bebendo vinho, entre risadas, eu desisti e tirei minha máscara. Que me obrigaram a usar e percebi, não é assim que vou te conquistar. O que você está fazendo com esses olhos castanhos? Estou viciado e condenado a ser o melhor pra você me querer. Ser o que sou, ser quem eu sou, ser bem melhor para você me querer

 

 

Meus olhos encheram de lagrimas, mas não permiti que caíssem, estava orgulhosa e pelo sorriso em meu rosto ele sabia. Era sobre mim? Eu mal conseguia acreditar nos detalhes

 

-Tirando a minha armadura, mesmo exposto eu vou a luta para cumprir minha promessa que selamos com o menor dos dedos das mãos

 

 

Ele mostrou o mindinho sorrindo e eu fiz o mesmo com um sorriso largo enquanto ele continuava a me surpreender finalizando a música quando ele passou seus dedos uma última vez pelas cordas do violão e meu sorriso era meu aplauso. Que se desfez quando ouviu o aplauso das pessoas atrás de mim, virei e o local estava cheio. Sam se aproximava, mas foi parado por fãs que tiravam fotos e o abraçavam. Mesmo entre as multidões de meninas seus olhos não saíram de mim, nem seu sorriso. Apontei para o lado indicando para onde eu iria e ele confirmou com a cabeça, voltando sua atenção para a garota que encostava em você para uma selfie.

 

-O que achou?

 

Estava encostada quando Sam chegou por trás desativando o alarme e entrando no carro como também fiz

 

-Eu...não tenho palavras, é sua, não é? Digo a história, a letra, a melodia...nossa

 

Ele sorria me olhando quando encostou a cabeça no recosto do banco, pegando minha mão e depositando um beijo

 

-Não é minha, é tua, pra você me querer.

 

Ele riu assim como fiz e tirei os óculos para te encarar. Era mesmo minha? Para a doida e vulgar? Eu? Ele voltou a beijar minha mão e eu acariciei seu rosto com as luvas

 

-Conseguiu... eu amei, obrigada Sam

 

-Eu que agradeço, doida

 

Rolei os olhos tentando segurar o riso em um som estranho com a garganta e ele riu soltando minha mão e dando partida no carro. Passamos em um mercado para comprar alguns mantimentos para a casa no lago antes de refazer o caminho, a volta foi lenta pela estrada molhada com umidade do ar, mas não foi um problema para mim, repassei todo o refrão daquela música na minha cabeça com um sorriso bobo no rosto que não conseguia disfarçar, nunca ninguém fez algo por mim e uma música era algo que nem “a outra” poderia me tirar, talvez eu fosse sim especial, como a própria música diz, ser a melhor para ele me querer.

 

Assim que chegamos fui direto para a cozinha guardar o que compramos e providenciar um jantar, eram 19h da noite. Meu cabelo estava preso em um coque desajeitado cantarolando uma de suas músicas na cozinha, de meia calça e vestido, enquanto provava um pouco do que fazia, colocando na mão e lambendo. Assim que me virei ele estava la, me observando debruçado na ilha, com seus dentes brancos me obrigando também a sorrir.

 

-Então além de fotografa, tu é cantora, cozinheira – ele foi se aproximando segurando minha cintura, eu só observava seus lábios se mexerem – e uma deusa do sexo, o que mais eu não sei sobre ti?

 

Seu olhar era desafiador, meus olhos piscavam rápido abrindo e fechando a boca procurando palavras para responder a sua pergunta. Eu sabia que ele não estava realmente me perguntando algo, mas eu me incomodava em saber que ele não estava nem perto de saber tudo sobre mim. Sorri fraco me virando e desligando o fogo, mexendo novamente a panela

 

-Que eu também me distraio fácil e estrago jantares

 

Sua risada foi fraca depositando um beijo na minha bochecha e se afastando para abrir o vinho. Servi nossa comida e fomos até a lareira com garrafa, taças, talheres e pratos. Estava anoitecendo e a temperatura havia caído drasticamente, sendo necessário mais lenha e proximidade para aquecer. O prato era strogonoff, com direito a arroz branco e batata palha, ao contrário do que ele pensava eu não era uma chefe de cozinha, mas nesse prato eu me garantia e não parece que desapontei, ele repetiu até acabar tudo o que tinha na panela, tirando o excesso da louça e colocando na máquina para lavar.

 

Passava das dez horas, o céu estava completamente escuro e a única luz da casa, vinha da lareira em frente a dois embriagados abrindo a segunda garrafa de vinho, discutíamos sobre a teoria da conspiração com diversas histórias, que envolvia artistas e andas quando o assunto foi para outro caminho

 

-Eu não sou illuminati e se fosse não poderia te dizer ou perderia minha fama e minha alma em vão, a não ser em um jogo de verdade ou desafio, ai sim eu poderia te contar

 

Apertei os olhos te encarando enquanto balançava lentamente o vinho em minha taça, eu já vi esse filme, vinho e jogos eram a nossa “coisa” e estávamos prontos para avançar o nível

 

-Ok, então vamos jogar

 

Peguei a garrafa vazia e afastei o tapete com seu consentimento, rodando entre nossos corpos. Seu rosto era de surpresa e ele bebeu todo o liquido do seu vinho antes da pergunta

 

-Verdade ou desafio?

 

Levantei a sobrancelha e ele tinha uma expressão divertida e olhos relaxados, eu conhecia aquele olhar, ele achava que seria como antes, mas eu decidi surpreende-lo

 

-Desafio

 

Ele abriu os lábios querendo rir e eu já fazia, estava bêbada e em uma casa maravilhosa com um homem todo definido sem camisa, eu não estava pensando direito. Ele se levantou olhando ao redor como se buscasse o pior desafio da história e conseguiu

 

-Ok – Ele cruzou os braços me encarando – Tu vai comigo patinar no lago

 

-O que? Está congelando lá fora

 

-É por isso que é um desafio

 

Tampei os olhos rindo e pude ouvir também a sua risada, voltei a te olhar respirando fundo e levantando caminhando até minhas botas, ele me seguiu

 

-Você realmente vai?

 

-Eu não vou perder pra você, Samuel

 

Ele abaixou também colocando suas botas e vestindo sua blusa simples e jaqueta de couro, enquanto eu colocava minhas luvas e casaco. Paramos em frente a porta antes de abrir e eu sabia que iria me arrepender assim que sentisse o vento congelante, mas não voltei atrás, te segui indo até a lateral da casa e encontrando o lago. Ele desceu pisando no gelo e estendendo a mão para que eu a segurasse, assim que pisamos senti a temperatura da minha bota abaixar, mas cumpri meu desafio, deslizando o sapato pela falta de atrito, patinando no gelo como ele fazia. Fomos até o meio do lago, rindo quando desequilibrávamos colocando a mão no joelho assim que sentia que iria cair

 

-Ok, você é foda. Vai, tua vez, vou fazer seu desafio

 

-Como assim eu preciso rodar a garrafa e você pode escolher verdade – Falei tentando andar em sua direção quase caindo e me segurando em seus ombros quando alcancei

 

-Não, o jogo mudou. Agora é desafio e pronto. Tu foi corajosa em vir até aqui, mesmo congelando. Me desafie

 

Sorri batendo o queixo, ele sorriu soprando ar quente em meu rosto enquanto me abraçava, nossos olhos não desgrudaram e comecei a sentir o chão tremer abaixo dos nossos pés. Perai, tremer? Olhei para baixo arregalando os olhos e vendo a rachadura em baixo de nos aumentar, voltando a olhar seu rosto que olhava o chão com os lábios e olhos surpresos

 

-Acredito que o meu desafio seja salvar nossas vidas, ne?

 

Soltei uma gargalhada tentando não me mexer já sentindo o gelo ceder quando Sam deu o primeiro passo em direção a margem e segurando meu pulso para segui-lo. Pelos peso da correria as rachaduras aumentaram assim como as minhas gargalhadas e as dele, estávamos bêbados e aparentemente morrer congelado em uma casa no meio do nada era engraçado. Sam chegou a margem tentando me puxar, coloquei uma perna no barranco, mas o gelo cedeu fazendo a outra afundar na água e cessar a minha risada e a dele.

 

-AI MEU DEUS!

 

Sam exclamou me puxando pela cintura e me deitando no chão tirando sua jaqueta e esfregando na minha perna com meia calça molhada, que de preta estava branca gelo pela soma do contato da água com o ar. Eu segurava meus braços respirando com dificuldade e ele esfregava tentando causar calor com o atrito

 

-Oh meu deus, me desculpe L, foi uma brincadeira idiota! Claro que o lago está descongelando, o inverno está acabando, me desculpe não perca a perna, meu deus não perca a perna

 

Ele esfregava sua jaqueta desesperadamente na minha perna com os dois braços e balançando todo o seu corpo, seu rosto estava vermelho e ele mal piscava encarando meu rosto vermelho por causa do frio, estava congelando, mas não poderia perder a oportunidade

 

-Você pula, eu pulo, certo Jack?

 

Ele parou de esfregar me encarando e eu não segurei a gargalhada, ele jogou sua jaqueta em mim também rindo

 

-Piada de Titanic e eu desesperado aqui

 

Me levantei sacudindo a perna que tinha molhado no rio, enquanto ele vestia seu agasalho ainda rindo divertido. Não conseguia colocar o pé no chão da dormência que sentia pela temperatura que estava, mas ele me ajudou a entrar em casa, onde fui direto para o banheiro de baixo, tirando as botas e levantando o vestido para me sentar na borda da banheira, colocando as pernas na água quente, só depois de um tempo conseguindo tirar a meia calça. Meu corpo e principalmente minha perna, voltaram a temperatura normal e já conseguia mexer os dedos sem sentir câimbras, ele me olhava atencioso apertando minha panturrilha

 

-Tem certeza que está bem?

 

-Sim, mas você me deve um desafio

 

Levantei tirando a água da banheira e me segurando em seus ombros para sair de dentro dela, ele enxugou minha perna mexendo os dedos dos meus pés

 

-Como assim? Eu salvei tua vida querida donzela, poderia ser o corpo todo congelado

 

Ele levantou me olhando convencido com um sorriso no canto da boca enquanto estendia a toalha. Cruzei meus braços piscando rápido entreabrindo meus lábios

 

-É sério? Você me fez passar dor, querido cavalheiro. E eu te desafio a passar dor também.

 

Sai do banheiro subindo as escadas sendo seguida por ele que gaguejava não conseguindo formular uma frase, eu abri a gaveta quando ele parou ao lado da cômoda me encarando

 

-Olha, eu posso estar bêbado, mas não curto tudo como o Lee, tem coisas...que não entram

 

Ele falava desviando o olhar visivelmente nervoso me fazendo gargalhar, nossa porque homem sempre pensa em coisas sexuais quando o desafiamos? Balancei a cabeça negativamente escolhendo te deixar apreensivo enquanto tirava o meu vestido. Sam passou a mão em seu cabelo respirando fundo e arranhando a madeira do gaveteiro apreensivo com meu desafio, vesti uma calça de couro e seus olhos estreitaram

 

-Não vai nem ficar pelada para criar um clima? Sei la

 

-Ai meu deus, você está aceitando isso?!

 

-O que? Não é teu desafio?

 

Gargalhei vestindo uma blusa de lã grossa rosa e voltando a descer as escadas, Sam me seguia como um cachorro que esperava o comando do seu dono, calçava as botas desistindo de castiga-lo, o encarando

 

-Sam, não vou te causar dor sexualmente, eu te desafio a fazer uma tatuagem, agora vamos, precisamos achar um tatuador disponível.

 

Ele abriu os lábios olhando ao redor enquanto eu já andava até a porta, ele sorriu não sei se satisfeito com não ser uma dor sexual ou se realmente se animou com a tatuagem, acho que os dois. Entramos no carro andando lentamente pela cidade olhando todas os locais ainda abertos até encontrar o que procurávamos. Sam estacionou e entramos de mãos dadas no estabelecimento de luz neon, o recepcionista tinha um moicano verde e poucos locais limpos de tatuagem no rosto, nos dois branquelos de lábios roxos pelo vinho sorriamos visivelmente nervosos para o rapaz que finalmente desviou seu olhar do computador para nos.

 

-Você...

 

-Sim, vou fazer uma tatuagem

 

-É o Sam Martinello, não é? –Ele arregalou os olhos assim como eu e nos olhamos voltando a encarar o cara, tarde demais – Oh Camila! É o Sam! O Sam está bem aqui na minha frente!

 

Abri os lábios segurando a mão de Sam e dando um passo para trás, era de noite e eu não usava óculos escuros se tivesse uma foto sequer estaria amanhã em todos os sites de fofoca. A tal Camilla saiu de uma cortina preta atrás do balcão e sorriu olhando Sam, eu já estava escondida atrás de seu ombro e ele como sempre mostrou seus dentes brancos suplicando com o olhar

 

-Caralho é mesmo. Eu...sou sua fã

 

-Obrigado Cami, eu estava pensando em...

 

-Ir, né – Interrompi puxando seu braço para trás enquanto eu enfiava o rosto nas suas costas e dava passos de costas em direção a porta, ele colocou sua cabeça de lado sussurrando para mim

 

-E o desafio?

 

-Esquece o desafio, ela te reconheceu e amanhã minha foto com você em um estúdio de tatuagem vai ser manchete, pelo amor de deus!

 

Sussurrei já nervosa suando as mãos inclusive a que estava com a dele, ele segurou forte me puxando para o seu lado

 

-Não vou perder pra ti. – Ele passou a mão por meu pescoço me segurando em seu lado e revelando meu rosto aos presentes atrás do balcão, meu ar sumiu – Eu quero fazer uma tatuagem e conto com a sua descrição em troca de pagamento e uma foto, que por favor só tire comigo, digo...

 

-Tudo bem cara, quem nunca traiu, fica de boa a gente não vai contar

 

Fechei os olhos respirando fundo e olhando séria para Sam, que ria? Serio? Dei uma cotovelada em sua cintura fazendo ele se curvar e me apertar sussurrando em meu ouvido

 

-Não pretende explicar toda a história para eles né? Vamos acabar logo com isso

 

Ele me soltou segurando minha mão e me arrastando junto até entrarmos na sala da tatuadora. Nem ele sabia toa a história quanto mais eu querer falar aos fãs desconhecidos. Sam se sentou na cadeira e Camilla nos deu dois livros com modelos de tatuagens enquanto separava as agulhas e tintas

 

-Tu vai escolher

 

-Eu? – desviei meus olhos dos desenhos para seus olhos - Não querido, eu não vou ser responsável por manchar o corpo do queridinho do Sul, esquece esse desafio vamos embora

 

Me levantei, mas ele me segurou me fazendo sentar de novo, respirei fundo já impaciente, não só de estar me sentindo ameaçada a ser desmascarada, como em ter inventado algo que vai ficar na sua pele permanentemente

 

-Tu tem né? Uma tatuagem

 

Ele apontou para meu ombro e eu abaixei minha blusa, revelando o pássaro que eu tinha tatuado enquanto os policiais faziam a minha transformação meses atrás

 

-É uma andorinha, simboliza o retorno seguro para casa e liberdade. Muito famosa por causa dos marinheiros que usavam e uma das primeiras tatuagens populares.

 

Camilla nos interrompeu explicando o significado da minha tattoo e ele sorriu olhando meu ombro assim como eu fazia, voltei a te olhar e ele me encarava, sorri também e ele esticou o braço

 

-Vai ser essa, faz na mão

 

Ela segurou a mão esquerda de Sam e aproximei meu banco tirando os cadernos do local e segurando sua mão direita, apertei meus lábios sentindo o arrependimento

 

-Sammy, não precisa fazer.

 

-Eu quero, um dos símbolos da liberdade, não é? É perfeita

 

Sorri segurando sua mão com as duas mãos quando Camilla começou, observávamos a andorinha nascer e eu desviava para o seu rosto com os dentes trincados, como se pudesse sentir as fisgadas da agulha. Assim que ela finalizou e limpou lá estava, igual ao do meu ombro em sua mão esquerda. Ele me encarou com um sorriso nos lábios sussurrando

 

-Desafio pago e tu esta muito fodida na minha mão

 

Ele se levantou e se aproximou agradecendo a tatuadora que o abraçou e tirou selfie enquanto ele mostrava a tatuagem. Eu passava as mãos já suadas nas minhas coxas tentando não surtar com o desafio que ele pretendia. Após pagarmos saímos direto para o carro, nenhuma palavra foi dita até ele estacionar novamente na casa do lago

 

-Então, qual é o meu desafio?

 

Ele tirou seu cinto calmo abrindo a porta do carro e saindo, o segui encarando seu rosto em busca da minha resposta, ele abriu a porta e me permitiu entrar em casa, tirando os sapatos e deixando ao lado da porta como fiz

 

-Tu disse que não me causaria dor sexualmente, mas eu não te disse que teria essa educação

 

Abri os lábios indo até a lareira buscar o resto do vinho na garrafa que aviamos abandonado, ele me seguia tirando sua jaqueta

 

-Como assim...dor? Tipo em outros locais... pouco convencionais?

 

Ele balançou a cabeça positivamente retirando sua blusa apenas com um braço, eu entornava a garrafa na minha boca deixando todo o álcool descer de vez por minha garganta. Se eu aceitaria aquele desafio eu no mínimo, precisava colocar minha bunda no gelo para adormecer o que seria utilizado, mas como eu não posso utilizaria o álcool. Ele aproximou e pegou a garrafa da minha mão bebendo também o liquido como água, assim que me devolveu eu voltei a beber e seus lábios repousaram em meu ombro dando pequenos beijos molhados de vinho, fazendo meu corpo arrepiar e encolher o pescoço desviando dos seus braços para o outro canto da sala

 

-Mas... eu não tomei o remédio ainda e...

 

-Não dá para engravidar por esse local

 

Abri os lábios como se não soubesse disso e ele me imitou concordando com a cabeça, eu ia fazer isso? Quer dizer eu nunca...quer dizer eu ia mesmo? Voltei a beber mais vinho balançando a cabeça negativamente até engolir e ele tomar a garrafa da minha mão, bebendo o que restou. Encarei seus olhos que já estava em chamas como a lareira e desci até sua pélvis, que já mostrava uma excitação. Meu deus, não vai caber isso na sua bunda. Passei a mão na testa rindo dos meus pensamentos quando ele tentava se aproximar de novo e em um instinto nato de preservação as nadegas, eu corri subindo as escadas quase caindo, ele me seguia também correndo e antes que eu me trancasse no banheiro, ele me segurou pela cintura me erguendo

 

-NÃO VAI CABER, EU SEI QUE NÃO VAI CABER, SAAAAMMY

 

Ele gargalhava quando me jogou na cama segurando meus pulsos acima da minha cabeça, eu me movia em desespero também rindo, não era engraçado e eu sabia que era o vinho e o nervosismo

 

-Calma, eu não vou te machucar, sua doida

 

Eu parei de me mover, te olhando ainda ofegante da quase luta que teria que travar, para ele não desbravar as minhas terras nunca habitadas. Ele se deitou ao meu lado rindo e eu me sentei dando um tapa no seu peito

 

-Nunca mais faz isso!

 

-Mas eu não fiz nada, tu não deixou nem eu tentar fazer

 

Balancei a cabeça negativamente recuperando meu folego e ele se sentou cessando sua risada lentamente, virando meu rosto e segurando meu queixo com o polegar e indicador

 

-Eu jamais faria algo que você não queira

 

-Mas você quer...né? - Ele balançou os ombros e sorriu fraco

 

-Olha, querer eu quero colocar em todos os seus buracos.

 

Abri os lábios encarando um ponto qualquer em minha frente, soltando todo o meu ar fechando os lábios em seguida sentindo meu rosto arder de vergonha

 

-Pois saiba que eu não sou tão doida assim para deixar isso acontecer

 

Ele riu voltando a trazer meu rosto em direção ao seu e depositar um selinho nele, que lentamente foi virando um beijo calmo e com gosto de vinho. Me sentei em seu colo sentindo suas mãos arrastando minha blusa de lã para cima e ao tirar ele fez uma expressão de dor, só então lembrei da tatuagem

 

-Ahn, Sammy, machucou? Desculpa.

 

Ele sorriu balançando a cabeça negativamente e segurando meu rosto com as duas mãos antes de aproximar o seu e enfiar toda a sua língua na minha boca, eu tinha quase certeza que havia descobrindo um novo orgasmo, porque aquilo que a sua língua fazia em minha boca era bom, me deixava mole e entregue ao que ele quisesse fazer comigo. Ele apertava meu cabelo, enfiando seus dedos encostando seu antebraço nas minhas costas e sua outra mão estava ao redor da minha cintura, evitando muito espaço entre nossos corpos. Desviei o rosto enquanto ele continuava a abrir e fechar seus lábios na minha bochecha e encolhi a barriga para ter acesso a braguilha da sua calça, ele soltou meu cabelo também desabotoando a minha, mas pela posição não conseguíamos tirar, fazendo os risos ecoarem pelo quarto a meia luz, que vinha da varanda. Me deitei puxando minha calça para baixo e ele fez o mesmo, ficando assim como eu de lado, beijando lentamente, eu poderia beija-lo a noite toda e estaria satisfeita.

 

O sol entrou pela varanda alcançando meus olhos e aquecendo meu nariz gelado pela noite que passou, levantei o rosto com os cabelos desgrenhados, ele estava de cueca todo torto, com um braço acima da cabeça e o outro no meu cabelo, eu de calcinha e sutiã com uma perna em cima da sua e debruçada no seu peito. Ri quase sem forças me deitando na cama e colocando a mão na minha testa, tínhamos adormecido no meio do sexo.

 

-Está rindo porque não vai ter a mesma dor na coluna que eu

 

Voltei a rir e ele abriu seus olhos se espreguiçando, subindo mais seu corpo para deitar no travesseiro, já que pela posição e seu tamanho, havia dormido a noite toda com as pernas para fora da cama.

 

-Vem aqui, está cedo. Vamos sair daqui a pouco

 

Engatinhei até seus braços me cobrindo e recebendo seu abraço por trás e um beijo nas costas

 

-Para onde vamos?

 

Ele encostou a bochecha na minha orelha em uma concha apertada e quentinha me acolhendo para mais um cochilo, me fazendo fechar os olhos

 

-Vamos em meus pais, vou te apresentar a eles, tu vai gostar de meu pai, ele também não consegue deixar o sotaque baiano

 

Arregalei os olhos ao ouvir a última frase. 


Notas Finais


Essa é a mais fiel ao livro não acham? Preciso ouvir como você cantaria


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