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História A outra - Capítulo 15


Escrita por: Hipotalamo

Capítulo 15 - Capítulo quatorze


Minhas palavras saíram como vomito, eu não conseguia mais manter essa mentira. Meu olhar era fixo, nem eu acreditava no que tinha falado, mas não tinha mais volta. Eu precisava contar e perder ele da forma certa, não por chantagem ou por medo e sim com coragem de assumir. Ele não disse nada, só me encarava confuso, claro, prossegui

 

-Meu nome é Lorena, eu sou soteropolitana, nascida em Salvador, Bahia, filha única de um viúvo advogado. Ele foi assassinado no dia 8 de julho e eu vi o assassino antes de pedir socorro. Tive que entrar em um programa de proteção a testemunha e fui enviada para Pelotas, com outro nome e outras características físicas...

 

Ele voltou a olhar a foto encostando as costas no sofá, seus ombros estavam relaxados como se estivesse sido abatido com a verdade finalmente revelada. Aquele era o silencio mais longo que já vivi na vida. O que ele estaria pensando? Fala alguma coisa! Respirei fundo e continuei

 

-Eu tive que seguir algumas regras para não correr risco de vida aqui e uma delas era não revelar quem eu sou, recebi nome de novos pais e uma história pronta que eu deveria te contar...mas não consegui

 

Abaixei a cabeça já sentindo minhas lagrimas escorrendo pelo rosto, limpava rápido tentando continuar, mas sentia que seu olhar estava em mim novamente, ainda sem dizer uma palavra

 

-Eu tentei Sammy, tentei não mentir o tempo todo, tentei te contar sem te contar, mas eu me envolvi com você. Eu só queria apagar o meu passado e viver meu presente, ser feliz, mas ele sempre me persegue

 

Ele se levantou passando as duas mãos no cabelo e soltando todo seu ar, fiquei encarando suas costas, estava nervosa passando a unha do polegar na palma da minha mão. Ele precisava dizer alguma coisa, eu estava ficando louca com seu silencio. Levantei o observando olhar a varanda pensativo com as mãos nos cabelos

 

-Me desculpe Sammy, por não ser eu mesma como prometemos. Agora você sabe de toda a verdade e eu poderei te perder da forma certa

 

-Tu está brincando?

 

Ele olhou para trás e balancei a cabeça negativamente a abaixando em seguida. Eu não estava pronta para viver sem ele, mas sabia que era inevitável. Senti seu corpo se aproximar do meu, mas não tive coragem de encarar seus olhos, fechei apertado os meus ainda de cabeça baixa. Ele passou a ponta dos dedos na minha franja e levantou meu rosto, para só então eu te encarar confusa

 

- Porque não confiou em mim para me contar e dividir tua dor? Passou por tudo sozinha...

 

-Eu não queria te envolver nisso, eu só queria esquecer meu passado

 

-Eu não consigo imaginar como deve ter sido difícil ver o que viu, mas você mentiu porque precisava se proteger, não é? Porque me perderia? Você fez o que precisava, assim como eu vou fazer o que preciso agora

 

Ele abaixou seu rosto e encostou seus lábios no meu, fechei meus olhos deixando as duas lagrimas teimosas escorrerem sobre minhas bochechas. Sam colocou uma mão no meu rosto limpando a lagrima com o polegar e acariciando enquanto nossos lábios ainda estavam colados em um selinho demorado. Naquele momento eu podia sentir que finalmente a tonelada em minhas costas estava desaparecendo, eu estava mais leve e me perguntei o porquê não o disse antes, sem encontrar o motivo. Provavelmente nem “a outra” tinha, ele era a pessoa em que eu mais confiava na vida e a única que merecia toda a minha verdade que finalmente contei. Ele afastou o rosto e sorriu fraco, te imitei soltando o meu ar aliviada

 

-Eu não vou mentir mais para você, eu quero te contar tudo. Principalmente o que decidi 

 

Ele concordou com a cabeça encostando a testa na minha e respirando fundo, antes de se afastar andando até o sofá e me puxando pela mão.

 

-Eu vou te ouvir, mas se precisar de uma ajuda a mais não é vergonha, L. Eu tenho uma excelente psicóloga que pode ajudar...

 

-Eu só confio em você, só quero contar a você

 

Nos sentamos, um de frente para o outro e eu finalmente desabafei. Contei tudo o que aconteceu, desde o dia em que mudou minha vida até o dia de ontem, que mudaria as nossas

 

-O AJ não fez isso... - Sam apertou os olhos desviando seu olhar e balançando a cabeça negativamente

 

-Eu não sei o que ele sabe Sam, não posso arriscar que ele conte a alguém. A gente precisa...

 

-Não! Está falando serio? Não.

 

Ele riu forçadamente balançando a cabeça enquanto eu suspirei desviando o olhar, eu sabia que essa seria a pior parte, apesar de Sam estar tentando mudar ainda tinha resquícios do Badboy que quer resolver tudo do pior jeito e eu temia por isso, não queria ser a responsável pelo fim da sua carreira e não permitiria que acontecesse

 

-Você entende que se você confronta-lo ou se continuarmos, ele pode divulgar fotos, meu nome real ou o que ele sabe, arriscando a minha vida?

 

Sam ainda balançava a cabeça negativamente, agora sério, parecendo entender o teor da gravidade. Segurei sua mão e ele a encarou, passando o seu polegar por cima dos meus dedos

 

-Eu nem tive a chance de te pedir em namoro, L

 

Apertei meus lábios e dessa vez eu que olhei nossas mãos, abaixando minha cabeça. Mesmo falando toda a verdade ainda tínhamos tantos impercilios para ficarmos juntos como queríamos. Não poderia assumir estar com ele na mídia e nem internamente com as pessoas próximas ou AJ contaria o que sabe ao mundo. Era cruel, mas eu não tinha outra alternativa.

 

-Lembra quando eu disse que não tinha espaço? Então... minha vida é uma bagunça, Sammy

 

Ele balançou a cabeça positivamente e entrelaçou nossos dedos, cabisbaixo. Nos não tínhamos uma nomenclatura, mas sabíamos que estávamos abrindo mão de algo novo e bom, porque nossas vidas não estavam prontas para o tamanho que aquele sentimento podia ter se continuarmos 

 

-Eu não quero me afastar

 

-Não precisamos, você só precisa se controlar e me ajudar a manter assim, ta bem?

 

Ele concordou e levou as costas de minhas mãos até seus lábios, pressionando em beijos sem desgrudar a boca, apertando seus olhos fechados. Passei a minha mão livre nos seus cachos, acariciando sua cabeça. Ficamos um tempo assim em silencio, como se estivéssemos nos acostumando a limitar nosso contato. Seu celular vibrou e ele retirou do bolso com sua mão livre, abrindo seus olhos, mas não desgrudando os lábios da minha mão, até ler o remetente da mensagem. Soltando-a sobre sua coxa, para digitar com força em seu touch screen

 

-Sammy...

 

Segurei seu celular, evitando que ele finalize a mensagem ofensiva que escrevia para AJ, ele soltou todo o seu ar impaciente e me encarou, como eu já fazia

 

-Por favor, ele é seu empresário, você está indo para uma nova etapa da sua carreira, não deixe que eu afete seu trabalho...

 

-Como assim? Esse cara está passando dos limites, L. Se eu tiver que perder tudo que eu perca! É loucura...

 

Ele puxou seu celular e eu estiquei novamente, conseguindo pegar e colocar atrás do meu corpo, ele me olhava incrédulo como se eu estivesse do lado errado da guerra

 

-Eu entendo, mas não vou deixar você perder tudo o que teve trabalho de conquistar. Ser musico é seu sonho e AJ ruim ou não realizou ele. Você tem a chance de mostrar seu outro lado e só ele pode te ajudar nisso. Ele tem os contatos, ele sabe te divulgar...por favor eu não quero estragar sua vida

 

Ele suspirou novamente levantando as mãos em rendição, como se entendesse e aceitasse o que eu falava. Devolvi seu celular e ele abriu novamente a mensagem de AJ, que só agora pude ler

 

 

Ei Sam, vamos gravar sua música hoje. Se colocamos uma bateria talvez não fique tão ruim. Me encontra no estúdio. – AJ

 

 

Sam só confirmou bloqueando a tela do seu celular e rolando os olhos para me olhar, sorri te olhando agradecida, mas meu sorriso não chegou aos meus olhos e os dele tinham parado na minha boca, fazendo ela se secar. Como eu queria seu beijo mais intenso e te sentir novamente. Eu queria tanto matar a saudade e dizer que o amo, mas eu precisava me acostumar a não ter aquele contato, manter sua carreira segura e a minha segurança também. Me levantei puxando a sua blusa que eu usava para baixo e andando até a porta apressada

 

-Vai, não se atrasa. Ele te deu uma chance e você precisa aproveita-la, não desista

 

Abri a porta parando na sua lateral, ele demorou de se levantar do sofá, como se não quisesse ir ou quisesse conversar mais para encontrar uma outra solução para o problema, mas desistiu. Levantando e andando até onde eu estava, parando em minha frente mais próximo do que deveria, olhando para baixo encarando meus olhos assim como eu fazia

 

-Eu não vou desistir

 

Meu corpo se arrepiou com sua voz rouca, eu sabia que ele não se referia a mudança de estilo ou a música e sim a nos dois. Sorri fraco abaixando a cabeça e recebendo seu beijo casto na testa. Ele saiu pela escada de incêndio quando fechei a porta, encostando minhas costas nela. Era isso, por mais que eu tentasse meu passado sempre me sabotava. Eu queria tanto chorar, mas segurei. Eu tinha resolvido mesmo da pior forma, o problema da exposição que o AJ queria fazer. Estava segura novamente mesmo triste por ceder a sua chantagem, eu não iria desistir da vida que foi dada, mesmo desistindo da melhor parte dela. Precisava pensar em outra coisa, precisava sair ou me afundaria em lagrimas. Fui até meu quarto tirando a blusa de Sam e colocando sobre a poltrona. Vesti uma calça jeans roxa e uma blusa branca três quartos de botões. Penteei meu cabelo e afastei a franja da testa, fazendo um rabo de cavalo alto, deixando a ponta dos cachos tocarem meus ombros. Coloquei um delineador, disfarçando o inchaço dos olhos e o batom lilás. Estava colorida como fui ensinada a ser, aquilo camuflava o breu que meu coração estava. Saí de casa apenas com meu celular e cruzei o saguão cumprimentando o porteiro, enquanto ensaiava os meus sorrisos sabendo que não eram verdadeiros. Eu precisava lutar pela minha felicidade, não iria perder tudo assim no mesmo dia, precisava ocupar a mente. Ao chegar na rua o sol tentou me esquentar mesmo com o vento frio que o final do inverno proporcionava. Em passos rápidos cheguei até a cafeteria e seu rosto conhecido encontrou o meu, vindo em minha direção

 

-Guria Lalyta das cores

 

Sorri fraco abaixando em reverencia a Noah que sorria largo e divertido, não podia transparecer minha tristeza ou geraria perguntas que não quero responder

 

-Lee está la? – Apontei para o outro lado da rua

 

-Não, não o vi hoje.

 

-Eu consigo uma cópia da chave com você? Ele está com a minha e eu queria acompanhar a reforma e ficar em um local que não seja minha casa

 

Ri sem graça da sinceridade, desviando meus olhos. Noah tateou os bolsos e tirou um molho de chaves, desvencilhando uma mais grossa e me dando. Sorri fraco e sai do local, atravessando a rua e parando em frente a porta vermelha, aquele era o meu refúgio e seria onde eu colocaria todo o meu amor, tentando não pensar nele. Respirava todo o meu ar segurando a vontade que eu tinha de desabar. Parei olhando tudo ao redor, passando a mão no corrimão recém pintado, ele brilhava tanto, aquela parte de baixo já estava pronta mesmo em poucos dias de início da obra. A parede era branca e tinha um vaso de um metro de altura, de mármore com rosas vermelhas artificias, em baixo da escada também da cor da porta e ao lado dos degraus, que eu subia lentamente. Meu passado tirava tudo o que me alegrava dia após dia, não importa o tempo que passava. Cheguei a grande sala que tinha lonas por todo local, estavam finalizando os acabamentos em gesso e os galões de tintas já estavam lá. Faltava pouco para finalizar e eu poder focar nas fotos ao invés do amor que sentia por Sam. Parei em frente a grande janela suspirando, quando ouvi um barulho vindo da cozinha, apertei os olhos andando lentamente até a porta entreaberta, quando meus olhos avistaram o motivo.

 

-Merda!

 

Meus lábios se abriram assim como meus olhos, ao ver e ouvir Dexter se segurando na pia totalmente nú enquanto Lee te penetrava por trás. Ambos se afastaram ao me ver e cobriram suas partes ainda excitadas. Olhei para todos os lados antes de sair do campo de visão deles e voltar a sala balançando a cabeça negativamente, tentando apagar a imagem. Lee apareceu subindo sua calça de moletom, não diminuindo o constrangimento já que seu pênis continuava marcando por não estar usando cuecas ou camisa

 

-Laly, espera, não é...

 

-Isso que estou pensando? Lee, por favor...

 

Apontei com uma das mãos para a cozinha e Dexter saiu de la já vestido, com sua bermuda e camisa básica verde, com o rosto vermelho pelo flagra

 

-Ela tem razão, não da para negar o que ela viu, Lee, mas eu preciso te pedir, por favor não conta a ninguém...meu pai surtaria

 

-Eu nem conheço seu pai, Dexter.

 

Eles se olharam e eu franzi os olhos, pedindo uma resposta com seus rostos confusos a minha frente, Lee foi quem falou

 

-É o AJ, pai do Dexter e do Derek, você não sabia?

 

Abri os lábios olhando para Dexter, sim, eu podia ver traços familiares do novo vilão da minha vida em seu rosto. Eles me encaravam apreensivos aguardando minha resposta, que apesar de obvia relaxou o rosto dos dois

 

-Eu não pretendo contar o segredo de ninguém

 

Voltei a encarar a janela e eles se aproximaram, ficando um em cada lado ainda sem graça pelo flagra

 

-Eu também não pretendo contar de você e Sam, ta? Acho que meu pai surtaria mais, ele não quer que o Sam desvie da carreira

 

Olhei para Dexter e imediatamente para Lee, que não me encarou e parecia também não respirar. Parei em sua frente cruzando meus braços

 

-QUEM MAIS SABE QUE EU ESTAVA COM O SAM, LEE?

 

-Laly, desculpa...

 

Respirei com raiva andando para a saída, mas os dois me seguiram com seus argumentos

 

-Eu só contei para o Dexter, foi um jogo sexual de segredos e eu não tinha mais nenhum!

 

-E EU NÃO PRECISO SABER DISSO!

 

-Laly e eu não vou contar a ninguém, nem a meu pai! Ele me sondou, mas eu não disse nada e não vou. Você tem um segredo meu e eu tenho o seu. Ok?

 

Fiquei encarando os olhos de Dexter balançando a cabeça negativamente sorrindo sarcástica e abrindo os braços batendo nas laterais das minhas coxas

 

-Bom, não precisa guardar segredo, seu pai já sabe e me obrigou a terminar com ele.

 

Fiquei seria lembrando do rosto de AJ ao me chantagear, eles não falaram nada, só se entreolharam enquanto eu me sentava em cima de uma das lonas transparentes e apoiava as mãos na cabeça e os cotovelos nos joelhos. Dexter abaixou assim como Lee que perguntou

 

-E você vai obedece-lo? Porque?

 

Olhei para um ponto qualquer da sala. Não. Eu não contaria a verdade novamente. Lee era confiável, mas eu não sabia se Dexter era, mesmo sabendo que seu pai já deve ter te contado

 

-Você deve saber, não é Dex?

 

Lee o encarou e ele franziu a sobrancelha olhando de mim para ele. Lee empurrou seu ombro enquanto ele procurava as palavras gagueijando

 

-Ele me ligou perguntando o que eu sabia sobre você e eu comentei que ensinou alguns palavrões da Bahia, mas não falei do Sam...

 

Suspirei abaixando a cabeça. Eu falar gírias da Bahia e ele descobrir do assassinato era muito ampla as possibilidades. Abaixei minhas pernas e segurei o braço de Dexter, o obrigando a sentar e minha frente, Lee fez o mesmo ao meu lado também encarando os olhos do rapaz que estava apreensivo

 

-O que ele sabe de mim, Dex?

 

Falei seria te encarando nos olhos, ele suspirou e tirou seu celular do bolso me mostrando a mesma foto que AJ me mostrou no apartamento. Lee pegou o celular ampliando a foto

 

-Você poderia ter ganhado nosso jogo com esse segredo

 

-Eu não sei qual é o segredo e acredito que nem ele

 

Ele respondeu ao Lee, mas não tirou os olhos dos meus. Peguei o celular da mão do loiro e voltei as mensagens que AJ trocou com Dexter

 

Dex, parece a amiguinha de vocês .- Pai

 

Sim pai, parece. Onde conseguiu essa foto?

 

Essa guria foi morta com o pai, porque ela parece com a Lalyta? – Pai

 

Pai, são três da manhã, eu não sei o porque! Onde está?

 

Ok, não importa, ela deve ter um bom motivo para esconder essa foto e ele servirá mesmo eu não sabendo. Amanhã as 8 ok? – Pai

 

Ok...

 

Ainda encarava o celular mesmo finalizando a leitura daquelas mensagens. Então ele te ameaçou não sabendo de nada? Ele não sabe nada? Lee puxou o celular da minha mão voltando a foto que o AJ tinha mandado para Dexter e voltando a dar zoom

 

-Ela realmente parece com você, quem é ela?

 

-Minha...gêmea.

 

Segurei meu sorriso ainda repassando na minha mente o que tinha acabado de descobrir. O AJ não saber nada significa que ele não pode espalhar pela mídia, ele poderia inventar qualquer coisa, mas duvido que tenha imaginação para adivinhar toda a verdade. A reportagem dizia que eu estava morta e não tinha como ele imaginar que na verdade aquela sou eu.

 

-Gêmea? Ela morreu?

 

-Sim... – Levantei passando a mão no meu cabelo – Ela, ela morreu com meu pai na Bahia, foi por isso que eu vim para ca.

 

Virei para eles que já estavam em pé me encarando. Lee cruzou o espaço entre nos e me abraçou

 

-Meus pêsames, a noticia é horrivelmente detalhista

 

Apertei meus lábios o abraçando de volta, eu odiava os detalhes mentirosos daquela noticia, mas eles davam credibilidade a minha história. Mesmo abraçada com ele olhava para Dexter que parecia querer se aproximar

 

-Tem certeza que ele não sabe de nada, Dex.

 

-Tenho. E não saberá por mim. Ele te chantagear com algo que te machuca assim é cruel, eu...me desculpa por meu pai.

 

Sorri fraco e estiquei meu braço para que ele encaixasse no abraço que Lee ainda insistia em me dar. Ficamos os três abraçados ali por um tempo. Eu tinha um sorriso sincero nos lábios, minha chantagem não tinha fundamento e eu poderia confronta-lo como gostaria a um tempo. Quem diria que pegar esses dois transando seria a chave para o meu recente problema, por falar nisso

 

-Ok agora me solta, são muitas imagens na minha mente

 

Eles riram e eu também, me afastando e deixando os dois ainda abraçados, apoiando a cabeça um no outro. Apontei de um para o outro começando meu questionário

 

-Então, já que não me contou antes me conta agora. Quando começaram?

 

Lee sorriu e começou a contar sua história com Dexter. Eles estão juntos desde o começo da turnê e esconderam de todos, esse relacionamento. Quando a turnê acabou, ele disse que era hetero e não poderia continuar, mas na festa da floresta, ao ver Lee com outra pessoa acabaram brigando e voltando, tornando aquele lugar o ponto de encontro, com a desculpa de Dexter ajudar na reforma

 

-Por isso pediu a chave?

 

-Por isso não fiz uma cópia, como conseguiu?

 

Ri descendo as escadas e sendo seguida por eles, enquanto Lee colocava sua camisa regata preta e esperava sua resposta

 

-Pedi ao Noah, temos conversado

 

Ambos fizeram um som de reprovação com a boca me fazendo virar para trás e encara-los

 

-Se o esquentadinho descobre dessa amizade...

 

Rolei os olhos abrindo a porta e aguardando Lee tranca-la, enquanto abraçava meu próprio corpo.

 

-Eu não sou território Martinello, posso ter amizade com quem eu quiser e eu espero que ele aprenda isso rápido.

 

Atravessamos a rua rindo e entramos na cafeteria. A postura de Dexter mudou assim que Noah se aproximou, se Sam tinha uma armadura de durão e badboy, ele tinha uma de hetero macho alfa, que tirava qualquer suspeita de que era passivo na relação.

 

-Obrigada pela chave

 

Entreguei a chave para Noah que sorriu, mas desfez logo em seguida quando ouviu te chamarem na mesa sete.

 

-Isso é culpa sua, sabia? Depois daquela postagem todos apareceram

 

Eu sorri assim como ele que se afastou pedindo desculpas com os olhos e indo até um dos muitos clientes que estavam ali. Estava cheio e não tinha uma mesa vaga.

 

-Então, almoço?

 

Dexter sugeriu e eu sorri dele para o Lee. Saímos andando pela rua procurando um restaurante vazio para comer, eu me sentia outra pessoa, mais leve e sem toda aquela melancolia de quando saí de casa. Ter contado ao Sam todos os meus segredos e saber que AJ não sabe nada, tirou um peso de dentro de mim, me lembrando da minha descoberta. Eu diria a ele. Eu finalmente iria me declarar para Sam assim que nos encontrássemos.

 

O céu estava escuro assim como a maquiagem que eu usava nos olhos, verde musgo com poucos glitters prateados. Amansei meus cachos em uma escova e coloquei meu cabelo de lado atrás da franja, que estava com poucos fios pela testa. No pescoço uma choker com uma pedra de esmeralda falsa. No corpo, um vestido de alça até a metade da coxa em lantejoulas pratas, que balançavam com o movimento lateral que eu fazia. Nos pés um salto verde para completar o look, eu queria estar perfeita porque seria assim que eu diria o que sinto a Sam. Lee e Dexter me chamaram para uma festa que a banda toda foi convidada e eu queria estar impecável.

 

-Ok, só me manda uma foto assim eu vejo se está boa ou não

 

Estava fazendo uma vídeo conferencia, tirei da câmera frontal do celular e observei o olhar de Elena se arregalar e a sua câmera tremer junto com meus tímpanos quando gritou. Ri envergonhada balançando meu vestido no espelho para ela ver o movimento

 

-Não está demais?

 

-De jeito nenhum, vai ter muito famoso é uma dessas festas fechadas e você está perfeita! Ainda bem que não colocou batom, porque ele vai tirar todo

 

Voltei a câmera frontal e fui para o meu quarto rindo do seu comentário. Ela me mostrou sua roupa e não me senti tão estranha ao ver que também estava chamando a atenção com suas tranças de boxeadora e seu vestido preto com um rasgo exagerado na perna.

 

-E o Lee vem que horas?

 

-Ele passa aqui e depois aí

 

A campainha de sua casa tocou e ela desligou a vídeo chamada que vaziamos. Deitei na cama olhando o teto e sorrindo sozinha. Eu estava novamente feliz e iria lutar para permanecer assim, deixando meu passado no passado e focando no meu presente e futuro.

 

Já estávamos na área vip da boate, todos estavam lá menos ele. O local era escuro e só dará para ver as luzes piscantes, o bar e o DJ que ficava em cima de um enorme telão de LEDs. Era a minha segunda taça de champanhe e meus olhos passavam pelas multidões abaixo procurando por ele.

 

-Ele vem com o meu pai

 

Assustei com o sussurro de Derek ao meu ouvido, justificado pelo barulho que fazia no ambiente, mas sua mão na minha cintura não era algo necessário. Sorri fraco me afastando e tomando um gole champanhe indo em direção a Elena, que me puxou me levantando nossos braços e me obrigando a dançar. Mordi meus lábios mexendo meu quadril de um lado para o outro, imitando seus movimentos. Stella se aproximou também dançando e ficamos as três sorrindo nos entreolhando e dançando ao som da música remixada que tocava, quando as duas se aproximaram e se beijaram, fazendo eu notar só agora que estava sobrando e me afastar bebendo todo o liquido da minha taça.

 

-Achei que ia curtir com as meninas...

 

Derek sussurrou ao meu ouvido novamente com duas taças cheias, sorriu e inclinou uma para mim, que aceitei me livrando da vazia e negando com a cabeça sua afirmação, falando um pouco mais alto para minha voz sobrepor a musica sem a necessidade de falar em seu ouvido

 

-Eu não curto

 

-Teu negócio é homem...

 

Engoli saliva incomodada com o tom da sua frase, olhei para os lados e concordei com a cabeça, procurando um lugar para escapar do assunto e dos seus olhares de cima a baixo, mas era tarde. Ele aproximou segurando na minha cintura e encostando seus lábios em minha orelha novamente

 

-Agora que sei que não está com o Sam, acho que poderíamos nos conhecer...

 

-Não.

 

Não deixei que terminasse, afastei balançando a cabeça negativamente sentindo o nervosismo me bambear do salto.

 

-Calma, eu não mordo. Porque esse “não” tão seguro?

 

-Desculpa, eu só não quero.

 

Afastei andando rápido, voltando a parte do camarote que dava visão a multidão da pista, quando todas as luzes se apagaram

 

-E atenção! Vamos ter uma participação especial na noite de hoje, com vocês Sam Martinello!!

 

Ele apareceu ao lado do DJ, com seu sorriso largo o cumprimentando e pegando o microfone. Meu deus como ele estava lindo. Com um terno verde escuro, como se fossemos destinados a combinar, por dentro usava uma camisa regata branca, quebrando o estilo

 

-Boa noite Pelotas! – todos gritaram inclusive eu aplaudindo – Hoje é uma noite especial, porque vamos ouvir a minha nova música de trabalho, remixada pelo meu amigo Max! Ela se chama: Pra você me querer!

 

Sorri largo enquanto todos ainda gritavam, era a música que ele fez para mim e meu coração errou as batidas, louca para gritar dali mesmo que o amava. A música começou e Sam colocou os fones de ouvido mixando com o DJ, se divertindo e sendo ele mesmo como sempre quis. Dancei balançando meu quadril e minha cabeça com no ritmo mais animado da música que eu já conhecia o refrão

 

-Ser o que sou, ser como sou, ser bem melhor, pra você me querer...

 

Na segunda metade da música seus olhos passearam pela multidão e subiram até o camarote, ele desviou, mas depois se deu conta que era eu, voltando seu olhar e me encarando, desfazendo seu sorriso em surpresa. Sorri mordendo meus lábios e apontando para ele enquanto ainda me movia dançando no ritmo. Ele sorriu tirando o fone de ouvido e falando com o Max sem tirar os olhos de mim. Eu me sentia poderosa pela forma que ele me olhava, ele sim eu permitia que me olhasse dessa forma. Sam sumiu da minha vista e meus olhos voltaram a caça-lo olhando todos na pista de dança, quando fui puxada virando bruscamente para trás, com o susto entreabri os lábios puxando meu ar e sentindo sua língua penetrar minha boca sem aviso prévio. Meus olhos estavam abertos, mas mesmo que não estivessem eu sabia que era ele, seu beijo tinha um gosto que eu já conhecia. Envolvi meus braços no seu pescoço e suas mãos escorregaram no topo das minhas costas por debaixo do meu cabelo. Meus olhos se fecharam e nossas cabeças tombaram opostas, beijando lentamente e aproveitando cada momento daquele beijo de saudade, de pouco tempo que parecia séculos. Nos afastamos pela falta de ar e abrimos os olhos ao mesmo tempo, aqueles olhos castanhos focavam a minha pupila uma de cada vez

 

-Me perdoa, eu não consegui resistir...

 

Olhei ao redor, todos estavam entretidos demais para prestar atenção em nos. Seus lábios vermelhos indicavam o quão intenso foi aquele encontro e seu sorriso, mesmo apreensivo do beijo que me deu, me dava coragem para fazer o que vim fazer

 

-Tudo bem, eu preciso falar com você

 

Falei em seu ouvido ainda abraçada em seu pescoço, ele não afrochou seu sorriso largo, confirmando e aproximando a boca da minha orelha

 

-Você está incrível

 

Sorri com os lábios afastando meu rosto e encostando o ombro na minha bochecha, o fazendo rir e me puxar para si, depositando um beijo em meu pescoço que arrepiou todo o meu corpo. Desci as mãos por seus braços e segurei sua mão, indicando com a cabeça o local que te guiaria, mas antes de dar o primeiro passo, fui impedida por AJ que parou a nossa frente. Meu sorriso se desfez e Sam apertou minha mão como se não quisesse que eu o soltasse. O careca olhou de mim para Sam com seu sorriso sínico de sempre e deu passagem, ficando de lado e me encarando. Não desviei meus olhos dos seus, ele precisava saber que eu não tinha mais medo. Passei levando Sam a um sofá preto oval, que nos permitiria conversar

 

-Você esta...nossa

 

Estalei a língua rolando os olhos e ele levantou as mãos em rendição, como se não conseguisse controlar o que repetia. Me sentei ao seu lado, ele passou o braço por meus ombros e eu coloquei uma mão no seu rosto

 

-Eu preciso te dizer uma coisa

 

-Você não precisa dizer nada, eu sou todo teu

 

Ele inclinou para me beijar e eu retribui, mas afastei meu corpo o obrigando a voltar a posição anterior. Ele riu e me encarou, respirei fundo e comecei como ensaiei toda a tarde no espelho

 

-Eu estava com medo de você não aceitar toda a mentira que minha vida é, mas no momento que eu contei e você esteve ali para mim, Sam. Eu sabia que não podia perde-lo e descobri que...

 

-Está tudo bem?

 

Olhamos para frente e AJ estava com seu copo de whisky olhando de mim para Sam, interrompendo. Rolei os olhos e ele também pareceu incomodado

 

-AJ, eu estou ocupado. Da um tempo, cara

 

Levantei uma sobrancelha encarando o careca que me encarava franzindo a testa, provavelmente por eu não ter as expressões do nosso último encontro e por não parecer ter terminado com Sam, ele não ficou satisfeito e iria até o fim na tentativa de chantagem

 

-Então Sam, antes de voltar a se ocupar eu gostaria que visse isso aqui, assim vão ter mais assunto

 

Ele puxou seu celular do bolso e após deslizar várias vezes seu polegar pela tela, mostrou a Sam, a bendita foto. Fiquei encarando seus olhos que não desviaram dos meus, estava vitorioso e acreditando ter me encurralado. Pela demora da reação que ele esperava de Sam, desviou seu olhar para ele que o encarava sério

 

-O que é? O que você quer me mostrando essa foto?

 

Ele olhou novamente para mim e seu sorriso sínico foi se desfazendo, não consegui deixar o sorriso no canto da minha boca se esconder. Ele aproximou a foto para o meu rosto e mostrou a Sam novamente

 

-Olha direito, não parece tua distração cabeluda?

 

Sam levantou e eu levantei junto segurando seu braço e o encarando. Ele não podia fazer nada alí, tinha muita gente. A música abaixou pelo intervalo que o DJ fez e a voz de Sam saiu mais alta que ele esperava

 

-MAIS RESPEITO, VOCÊ NÃO ESTÁ FALANDO COM QUALQUER UMA NÃO

 

Olhei ao redor e todos do camarote, inclusive a banda olharam para onde estávamos e Lee largou seu copo vindo em nossa direção, sendo seguido por todos.

 

-Teu pau te cegou? Ela claramente esconde algo, é uma mentirosa!

 

Sam voltou a tentar ir até AJ com seus punhos cerrados, mas voltei a segurar, pelo salto que usava conseguia encostar o queixo no seu ombro, implorando para ele não fazer isso que estava pensando.

 

-Ei, Pai, o que está fazendo?

 

Derek questionou AJ que já estava alterado com o rosto vermelho e olhando para mim com raiva, pela reação contraria que o Sam teve.

 

-Olhem aqui! – Ele mostrou a foto para todos ao redor – Vamos diga o que essa foto significa ou digo eu!

 

-Diga então, eu quero ouvir você dizer. – Encarava ele soltando Sam e me aproximando –Quer saber, eu digo. Essa é minha irmã gêmea e meu pai, que morreram brutalmente assassinados em Salvador. Agora que você usou a tragédia da minha vida para seu show, está satisfeito?

 

Dexter tentou puxar seu pai para longe dali, mas ele se soltou aumentando o tom de voz e o seu desespero

 

- É UMA MENTIROSA, ESTÁ MANIPULANDO A TODOS E VAI SAIR DAQUI AGORA

 

Ele me olhava autoritário quando puxou meu braço tentando me arrastar para a saída, inclinei para trás tentando me soltar de suas mãos

 

-Me solte, você que é um lixo manipulador. Eu não vou a lugar nenhum.

 

-Mas você vai.

 

Sam deu um impulso para trás voltando com sua mão fechada no queijo de AJ, o fazendo cambalear para trás e me soltar. Lee passou para segurar o braço erguido de Sam, que queria usar seu punho novamente. Dexter e Derek levantaram seu pai, que não deixou de me olhar enquanto era levado para fora dali e até ele sair de lá, Sam se movia tentando se desvencilhar para acerta-lo mais uma vez

 

-Cara, tu bateu no teu empresário!

 

Coloquei a mão na testa olhando todos ao redor enquanto Lee conversava com Sam, tudo ficou em câmera lenta. Meu coração disparava só agora com a adrenalina de encarar AJ e sentir suas mãos sujas em mim. Me virei para Sam e segurei seu punho recém usado, vermelho e com um pequeno corte pelo choque dos ossos

 

-Sam, meu deus, vamos colocar algo nisso

 

-Eu te amo

 

Olhei da sua mão para seus olhos relaxados, seus lábios sorriam fraco abobalhados e os meus se abriram formando o mesmo sorriso que ele

 

-Ei, eu que ia dizer isso primeiro...

 

Ele sorriu mais largo e segurou meu rosto com as duas mãos encostando a testa na minha

 

-Eu ainda quero ouvir

 

Sorri colocando minhas mãos no seu peito e aproximando mais o corpo, ele afastou seu rosto olhando meus lábios e eu disse lentamente no meu melhor sotaque gaúcho

 

-Eu te amo

 

Ele sorriu voltando seu olhar aos meus olhos e aproximou nossos rostos, adentrando seus dedos em meus cabelos e com seu outro braço, abraçando minha cintura, iniciando um beijo calmo. Sua língua massageava a minha lentamente, quando ouvíamos gritos e abrimos os olhos, todos da banda estavam lá comemorando com palmas e assovios, minhas bochechas ficaram vermelhas instantaneamente olhando o rosto de todos e parando em Derek, que concordou com a cabeça entendendo provavelmente o motivo do meu fora. Abaixei a cabeça sem graça, quando ouvi o sussurro de Sam

 

-Vamos sair daqui?

 

Assenti com a cabeça, ele passou por todos os cumprimentando e eu passei atrás, segurando sua mão direita ainda sem graça. Ele me guiou até o estacionamento do local, era um local privado então não precisávamos nos me preocupar com fotógrafos, mas todos da banda e alguns convidados tinham visto e já sabiam que estávamos juntos, o que já era coisa demais para mim. Entrei no carro colocando o cinto e o encarei

 

-Sam...Todos sabem de nós, eles nos viram

 

Ele apertou os lábios soltando seu ar sem me encarar, apertou os olhos e só então virou seu rosto em minha direção, segurando minha mão e a olhando

 

-Vou mandar uma mensagem para que não comentem com ninguém

 

Ele me olhou e como eu imaginava o sorriso que me deu não alcançou os olhos. Eu também não gostava de me esconder, beijar ele na boate foi tão bom, tão livre e solto, mas era arriscado e só caí na real quando todos nos notaram. Aproximei meu rosto do seu e te dei um selinho, voltando a encostar no banco para ele finalmente dar partida. Meu olhar era distante pela janela enquanto saiamos do estacionamento, a rua estava quase deserta, apenas um carro preto estacionado. Mesmo descobrindo que AJ não sabia de nada eu ainda não me sentia segura. Peguei o celular e desbloqueei o número que ele me enviava mensagens, enviando uma resposta

 

 

Sinto muito pela briga, mas por favor me deixa em paz.

 

 

Bloqueei o celular e coloquei a mão na nuca de Sam, acariciando vendo seu sorriso no canto dos lábios se formar, enquanto desviava seus olhos da estrada para mim. Independente de todos saberem ou não, eu sabia e ele também. Nos amávamos e no final isso que importava.

 

Não demorou muito para chegarmos em casa, dessa vez fomos para a dele. Não escondendo a saudade, tirávamos nossas roupas como se estivessem pegando fogo, como nos realmente estávamos por dentro. Nos abraçamos chocando nossos lábios e envolvendo nossas línguas, Sam me levantou pelas pernas e as prendi na sua cintura, apenas de roupas intimas, uma calcinha de renda verde e uma cueca preta. Ele andava para trás adentrando o corredor enquanto nossas bocas se abriam ao máximo, com um beijo intenso sem folego. Sam me deitou na cama e apoiou o cotovelo no colchão, colocando todo o seu peso em um braço só e desviando lentamente de uma pupila minha para a outra

 

-Eu quero fazer amor com você

 

Sorri involuntariamente passando a mão no seu rosto e balançando a cabeça positivamente. Aquela palavra me causava formigamento no estomago, mas eu amava ouvi-las da sua boca. Ele voltou a encostar seus lábios nos meus, só que dessa vez mais calmo. Minhas mãos acariciavam seu rosto, enquanto as suas desciam pelos meus seios, massageando-os delicadamente me fazendo contrair minha vagina. Segurei seu cabelo puxando seu corpo para o meu, mas ele me impedia, não aumentando a velocidade do beijo e ainda de lado, descendo a ponta dos seus dedos pela lateral do meu corpo arrepiado. Suspirei e ele sorriu chupando meu lábio inferior lentamente, descendo passando seus lábios pelo meu queixo. Expus meu pescoço apertando meus olhos, quase me contorcendo de prazer com o mínimo toque que ele me dava. Sam arrastava seus lábios em chupões sem força por todo o meu pescoço descendo para o meu seio esquerdo, meu mamilo rígido foi pressionado por sua língua quente, enquanto seus lábios faziam o trabalho de sucção e suas mãos manipulavam o seio direito no mesmo movimento. Meus gemidos já eram o som ambiente e minha calcinha incomodava de tão molhada que estava, seus lábios desceram até meu umbigo e ele se ajoelhou me deixando entre suas pernas. Olhei seus olhos, um castanho escuro claramente em chamas, mas mantendo a calma em todos os seus movimentos. Sam puxou minha calcinha lentamente a retirando e colocando uma das minhas pernas no seu ombro, beijando minha panturrilha e afastando uma da outra, criando o espaço que se encaixaria. Ele abaixou sua cueca devagar, até a metade das coxas deixando seu pênis pular para fora de tão rígido que estava, eu não me cansava de vê-lo assim, viril e exposto. Sam voltou a se debruçar por cima de mim, colocando o cotovelo ao lado da minha cabeça e segurando seu sexo, esfregando a cabeça no meu clitóris lentamente. Eu molhava meus lábios, mordendo o canto e olhando seus olhos pesados assim como os meus, de tanta excitação. Ele penetrou lentamente e eu encostei a parte posterior das minhas coxas na cama, te dando livre acesso para a movimentação que começava. Sam se poiou com os dois antebraços ao lado da minha cabeça e seus dedos acariciavam meu rosto, enquanto nossos lábios se encostavam em selinhos molhados entre os meus gemidos. Nossa velocidade não aumentava, ele retirava e colocava tudo novamente em mim, sem pressa e sem fechar seus olhos, assim como eu.

 

-Diga...

 

Sorri soltando meu ar, passei a mão por seus cachos que caiam sobre minha testa, ele encostou a sua na minha e me olhava sem piscar, também sorrindo ofegante. Puxei todo o meu ar sabendo o que ele queria ouvir

 

-Eu te amo...

 

Seu sorriso se enlanguesceu e seus movimentos aumentaram, cruzei minhas pernas no seu quadril e também me permiti mover. Sam encostou seus lábios em minha orelha

 

-Eu te amo

 

Seu sussurro era fraco, pelo pouco ar que conseguíamos manter em nossos pulmões, o chocar das nossas virilhas era mais alto que nossos gemidos e eu acabei chegando ao orgasmo com a forma em que seus poucos pelos roçavam em meu clitóris. Senti seu jato quente ser impulsionado para dentro de mim e seu corpo se enrijecer, te levando também a chegar lá. Sorri fechando meus olhos, quando Sam se retirou de dentro e se apoiou em um dos lados, tirando a franja da minha testa. Te olhei e seu sorriso também estava lá falando ainda ofegante

 

-Eu nunca tinha feito assim, não parece...

 

-Putaria?

 

Nós rimos e eu cobri meu rosto sentindo-o ficar vermelho. Ele tirou as minhas mãos e passou seu polegar na minha bochecha, ainda com seu sorriso nos lábios assim como os meus

 

-Eu não quero passar um dia sem ver esse sorriso, nunca mais...

 

Molhei meus lábios olhando os seus e depositando um selinho nos seus quando meu celular acusou mensagem, cheguei a tentar levantar, mas ele não deixou, empurrando seu corpo sobre o meu e voltando a me beijar. Ficamos alí por horas, até ele finalmente se levantar e me arrastar para o chuveiro. Prendi meu cabelo recém escovado e tomamos nosso banho falando do que fizemos no dia

 

-Dexter e Lee?

 

-Sim...

 

-Eu...ele não era hetero? O Dexter?

 

Levantei meus ombros me enxugando assim como ele fazia. Enrolei a toalha acima dos seios e ele a sua ao redor da cintura. Fomos até o quarto e ele atravessou para o closet

 

-Eu amei o remix da música, duas versões são legais

 

Sentei na cama pegando o celular na cabeceira, enquanto Sam, já com uma bermuda de moletom preta, trazia uma blusa básica sua para eu vestir. Apertei meus olhos encarando a mensagem

 

 

Você não vai desistir, não é? Eu vou te expor, esteja avisada.

 

 

-O que foi?

 

Ele me entregou a blusa e eu levantei, entregando seu celular, a vestindo e indo para o banheiro estender nossas toalhas

 

-O AJ ainda está me mandando essas mensagens de ameaça

 

Voltei para o quarto soltando meu cabelo e ajeitando minha franja enquanto ele pegava seu celular, olhando da minha tela para a sua, me encarando em seguida

 

-Mas...esse número não é do AJ



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