História A Perdição de Valíria - Capítulo 2


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Personagens Originais
Tags Crônicas De Gelo, Dragão, Fogo, Game Of Thrones, Valíria
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Palavras 7.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Hentai, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Seinen, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoal. Segundo capítulo dessa história, onde eu vou tentar explicar um pouco mais dos personagens, motivações, história, além de explicar mais da sociedade de Valíria.
Próximo capítulo já dará mais foco para Westeros, para a alegria de alguns kkkkk

Como pareceu necessário, vou colocar aqui uma pirâmide social de Valíria, além das árvores genealógicas dos Targaryen, Velaryon e Celtigar. Em cada região que eles forem, vou colocar a árvore das principais famílias no início de cada capítulo. [A legenda das imagens está na imagem da família Targaryen]

Pirâmide Social de Valíria: https://uploaddeimagens.com.br/imagens/sociedade_valiriana-png
Clã Targaryen: https://uploaddeimagens.com.br/imagens/targaryen-png--3
Casa Velaryon: https://uploaddeimagens.com.br/imagens/velaryon-png
Casa Celtigar: https://uploaddeimagens.com.br/imagens/celtigar-png
Detalhes do 11 Valirianos:
https://uploaddeimagens.com.br/imagens/valirianos_1-png
https://uploaddeimagens.com.br/imagens/valirianos_2-png
https://uploaddeimagens.com.br/imagens/valirianos_3-png

Esse capítulo teria mais coisa no meu planejamento, terminaria com eles saindo de Pedra do Dragão, mas infelizmente ele ficou muito extenso, então eu decidi dividir ele (normal também com as minhas fics, quem lê a minha outra sabe muito bem disso).
Enfim, boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo II - Fogo e Sangue


Capítulo II – Fogo e Sangue

 

Gaelon

 

Gaelon Qohiar era um dos melhores espadachins de Valíria. Desde cedo aprendeu com seu pai as artes da espada. Todo senhor de dragão possui uma espada, dizia ele, todo senhor de dragão deve saber usar uma espada. Normalmente um clã tinha no mínimo duas espadas, embora alguns tivessem várias. Uma espada era a melhor, a mais velha, a mais famosa, o símbolo do clã. Era a espada que ficava na posse do patriarca ou da matriarca do clã.

Os Targaryen tinham a Blackfyre, os Valnaris tinham a Fogo, os Caenyria tinham a Sangue, e os Qohiar tinham a Terror Negro. Gaelon não era um patriarca, na realidade ele nem era do ramo principal de seu clã, assim como os outros dez senhores de dragão que vieram de Valíria com ele. Nunca poderia empunhar a Terror Negro, a menos que seu clã beirasse à extinção, o que era quase impossível.

A segunda espada que geralmente ficava na família era uma espada reservada para aqueles membros da família que iriam para a guerra. Não era comum muitos senhores de dragão de um mesmo clã irem para guerras, normalmente cada clã enviava um, apenas.

Mas não era a segunda espada de seu clã que ele carregava. Gaelon portava a Dilaceradora, a espada que seus pais fizeram para ele. Ele tinha sua própria espada, e amava aquele objeto mais que tudo. Aquilo o lembrava de sua casa, o lembrava de seus pais. Mas ele queria ter uma segunda espada, tão especial quanto aquela.

Quando o clã Qohiar se reuniu para decidirem quem seria mandado para Westeros, Gaelon rapidamente se prontificou. Ninguém protestou, pois ninguém queria ir em seu lugar. Mas Gaelon não decidiu ir para Westeros por seu clã, por Valíria, ou por qualquer coisa assim. Ele queria ir para Westeros para procurar uma relíquia perdida.

A Alvorada. A espada dos Dayne.

Os sacerdotes vermelhos diziam que a Alvorada era um pedaço do sol que foi enviado de R’hllor para a humanidade espantar a Longa Noite. Aquela era uma espada única no mundo, uma espada lendária cercada de mitos e mistérios.

Nem mesmo Fogo e Sangue eram tão especiais quanto Alvorada. Se Gaelon conseguisse aquela espada, seria o maior espadachim da história de Valíria, e seria lendário. Seu nome seria lembrado por gerações e gerações no eterno Império de Valíria.

– O senhor está me confundindo. Uma hora parece que está falando de uma mulher, e em outra parece que está falando de um homem. – Meistre Aubrey finalmente falou em valiriano.

Meistre Aubrey era um homem de meia-idade, calvo, com alguns tufos de cabelos castanhos que insistiam em permanecer em seu couro cabeludo. Ele tinha algumas rugas debaixo dos olhos e usava um robe simples de cor acinzentada. Carregava em seu pescoço uma corrente esquisita, com cada elo feito de um metal diferente.

Meistres eram algo de Westeros. Pessoas estudiosas que eram mandadas para cada castelo do continente para auxiliarem os clãs... Clãs não, em Westeros eles falavam “Casas”. Enfim, para auxiliarem os patriarcas de cada casa na administração do local com seu conhecimento.

Uma besteira daquele lugar atrasado. Como pode em todo um castelo apenas uma pessoa ter a curiosidade de estudar algum assunto, seja qual for? Por isso eles estavam estagnados no tempo. Em Valíria um senhor de dragão já recebe instrução desde criança. Quando se torna um adulto ele sabe sobre história, matemática, linguagem, ciências e geografia. Em Westeros, eles ficam totalmente dependentes de um grupo seleto de detentores de conhecimento.

Quando Vaelerys chegou no salão para jantarem, ele logo se engajou numa conversa com o meistre, afinal, era uma das poucas pessoas ali que poderia lhe entreter. Ele e o meistre ficaram bastante tempo conversando no idioma dos westerosi, mas somente agora voltaram a falar em valiriano.

– Me desculpe. – Vaelerys disse, parecendo frustrado. – A língua de vocês é muito difícil, por que você precisam diferenciar tudo em gêneros?

– É questão de diferença cultural, meu senhor. Tudo na sociedade valiriana foi feita a partir dos dragões, e como eles não têm gênero, a língua de vocês também não têm. – O meistre disse em um tom paciente.

– Isso é uma merda. É aí que começa a segregação de gênero. – Vaelerys disse, tomando um gole de vinho. – Na nossa sociedade, não existe trabalho de homem ou trabalho de mulher. Simplesmente porque o gênero não nos é importante.

– Como eu disse, meu senhor, é uma diferença cultural. Na sua sociedade uma mulher tem a mesma capacidade para domar um dragão quanto um homem, tornando os dois equiparados. Na minha, não se pode dizer o mesmo, um homem lutando é normalmente mais forte que uma mulher.

– Não deixe a Hemera te ouvir dizer isso, meu senhor. – Jaeron disse à esquerda de Gaelon. – Senão a Cidadela terá que enviar outro meistre aos Targaryen.

Gaelon e Vaelerys riram do comentário do companheiro, mas meistre Aubrey não pareceu achar tanta graça.

– Me perdoe, meu senhor. Eu não quis expressar esse tipo de pensamento... – Ele começou dizendo.

– Relaxa. – Jaeron pediu. – Nós não nos ofendemos, mas cuidado com quem você fala esse tipo de coisa. A outra pessoa pode não receber de uma maneira tão tranquila.

– Sim, senhor, obrigado pelo conselho. – O meistre disse. Logo ele se virou para Vaelerys e voltar a falar no idioma de Westeros.

– Ei, Gaelon. – Jaeron o chamou.

Olhou para o rapaz dos cabelos bagunçados. Ele estava com um sorriso brincalhão no rosto.

– Fala. – Pediu.

– Olha ali. Aquela sacerdotisa vermelha, o que acha? – Ele disse, indicando com a cabeça na direção.

Gaelon olhou e passou o olho no salão. Era um lugar grande e espaçoso, com várias mesas dispostas. Parecia até um lugar típico de Valíria, de tantas pessoas com os cabelos platinados em um mesmo ambiente. Os onze senhores de dragão da missão estavam lá, junto com as casas Velaryon, Celtigar e o clã Targaryen, além dos soldados de Valíria.

Maelarys e Hemera estavam na mesa principal, sentados ao lado do patriarca do clã Targaryen, Aenys. Junto dele estava sua esposa, a senhora Vaella. Ela tinha o longo cabelo platinado, e parecia ter uma idade próxima ao de seu marido.

Vaelerys estava à sua direita, enquanto Jaeron estava à sua esquerda. Delaerys e Visevar estavam sentados juntos e sozinhos, absortos em uma conversa. Os dois eram os mais novos da missão, e pareciam conviverem bem juntos. Pelo que percebeu do jeito dos dois, Visevar iria se dar bem com a garota naquela noite.

Daevar estava em local incerto, Gaelon não conseguiu localiza-lo. Renaela estava conversando com uma menina de ascendência valiriana, mas era difícil dizer se era uma Targaryen, uma Velaryon ou uma Celtigar. Selaesa estava encostada em uma parede conversando com o filho mais novo de Aenys Targaryen, enquanto sorria. Gaelon não se lembrava se o nome dele era Aegon, Aemon, Daemon, ou Daeron. Mas era algo do tipo.

Vaenys não estava em local visível, como sempre.

Gaelon olhou para onde Jaeron tinha apontado e viu rapidamente quem era. Ela se destacava por ter o cabelo negro, em meio àquele mar de platinado. Era branca, usava roupas vermelhas típicas de uma sacerdotisa vermelha. Ela estava olhando na direção dos rapazes, com um sorriso no rosto, e olhos avermelhados.

A religião de R’hllor era a religião oficial do Império de Valíria. Não tinha mais nada que agradava um senhor de dragão do que uma religião que dizia que o fogo era um presente de seu deus, dragões eram criaturas quase divinas e aqueles que o controlavam eram praticamente semideuses inquestionáveis. A religião era parte importante da consolidação do império.

Maelys Caenyria, o Imperador Dragão, e Alaessa Valnaris, a Imperatriz das Chamas, eram praticamente deuses na Terra. E se tinha uma coisa que aqueles dois gostavam, era de poder, e de tudo aquilo que mantivesse seu poder, então eles adoravam a religião do Senhor da Luz.

– Tô vendo. Ela parece ter a idade da Hemera. – Gaelon respondeu.

– Não é disso que eu estou falando. – Jaeron protestou. – Tô perguntando se você acha que ela está querendo algo comigo.

– Hã? E o que isso importa? Você não pode dormir com ela.

– Ah, Gaelon. Não vem com essa.

O espadachim olhou espantado para o outro.

– Você costuma dormir com sacerdotisas vermelhas? – Ele perguntou, perplexo.

– Claro! – Respondeu, como se fosse óbvio. – Sacerdotisas vermelhas fazem qualquer coisa que um senhor de dragão pede, e quando eu digo qualquer coisa, é qualquer coisa mesmo.

– Mas não podemos. – Gaelon rebateu. – É proibido dormir com quem não é valiriano. Valíria quer manter o sangue de dragão somente entre nós, eles fazem coisas para evitar isso. Você sabe.

– Eu sei. – Ele respondeu. – Mas eu não ligo. Não vou engravidar ela, pode deixar. E outra, quando sairmos daqui não vou poder dormir com nenhuma outra mulher que não seja do nosso grupo, então vou aproveitar nossa estadia aqui pra ficar com uma que não seja valiriana, pra não ficar cansativo depois. – Jaeron olhou para ele. – Você devia fazer o mesmo.

– Tsc tsc tsc... – Eles ouviram alguém os repreender.

Os dois olharam na direção da pessoa que emitiu o som e viram Vaenys Daltigar sentada na cadeira que ficava de frente pra eles. Ela estava mexendo em seu curto cabelo platinado e olhava para os dois de maneira repreensiva.

– Desde quando você está aqui? – Gaelon perguntou. Ele não tinha visto ela sequer se aproximar da mesa.

– Há um tempo. O suficiente para ouvir essa conversa agradável de vocês dois. – Ela respondeu.

– Ah, nem vem, Daltigar. – Jaeron pediu. – Não vou ouvir sermão de uma menina mais nova que eu.

– Você é mais velho que eu, mas é mais imaturo que o Visevar. – Ela se inclinou na direção deles. – Escuta, existe uma regra para não podermos sair transando com qualquer um. Nosso sangue é valioso demais. E você ainda quer uma sacerdotisa vermelha, uma mulher que deve estar ansiosa por qualquer coisa de um senhor de dragão, seu sêmen, seu suor, seu cabelo, sua unha, seu sangue... Ela quer qualquer coisa sua para usar em magia.

– Exatamente por ela estar tão ansiosa e fazer o que eu pedir por algo meu que a torna tão especial. – Jaeron disse, se levantando. – Agora, se não se importam, casal de chatos, eu vou andando.

– O patriarca do seu clã não iria gostar de saber que você quebra as regras de Valíria. – Vaenys disse.

– Ah, Vaenys, por R’hllor. Até a Matriarca e o Patriarca quebram as regras fundamentais de Valíria e ninguém fala nada.

– Jaeron! – Gaelon quase gritou. – Nunca mais fale isso na sua vida, ou os chame assim de novo. Quer morrer?

O homem de pé suspirou.

– Tem razão, me excedi. Vou indo! – Ele anunciou, e logo em seguida se afastou da mesa.

Gaelon olhou para Vaenys.

– Metade do grupo é criança... – Ela disse. – Desse jeito nós vamos nos dar mal nessa missão.

– Não se preocupe, quando menos esperarmos, estaremos em Valíria discutindo política.

– Não sei o que é pior. – Vaenys reclamou, fazendo com que o homem risse.

 

Maelarys

 

Maelarys estava na mesa principal, junto com Hemera, Aenys Targaryen e Vaella Velaryon, a esposa do patriarca. A comida estava boa, era um pouco diferente do que ele estava habituado a comer em Essos, além do vinho que tinha um quê a mais. Não era o melhor vinho que tinha tomado na vida, mas era doce e agradável, principalmente depois de um dia de viagem.

Hemera estava surpreendentemente agradável aquela noite. Ela serviu a taça de Maelarys algumas vezes, estava sorrindo para ele e conversavam animadamente. Então ele só precisava ser legal com ela um dia para afastar toda aquela hostilidade? Se soubesse disso, teria sido mais legal com ela desde o início.

Sem falar que ela estava com um vestido bonito, e Maelarys não conseguiu deixar de reparar no corpo dela. Mais de uma vez. Talvez ele devesse tentar dormir com ela nessa noite.

Sim, ambos eram casados, mas e daí? Estavam em uma missão, quando um senhor de dragão estava em uma missão qualquer infidelidade era normal. Por esse motivo Valíria sempre mandava homens e mulheres em número igual ou parecido. Eles tinham um medo enorme de senhores de dragão ficando com qualquer uma pelo mundo, deixando bastardos com potencial de montarem um dragão ou com enorme potencial para a magia de fogo ou magia de sangue.

Assim como os Targaryen fizeram com os Baratheon e os Tyrell.

Por isso sempre mandavam números equivalentes de homens e mulheres em grupos de senhores de dragão. Era melhor eles se relacionarem entre si, pois qualquer gravidez eventual estaria sob o controle de senhores de dragão, então seria muito mais fácil abortar, ou até mesmo ter um filho se os pais quisessem. O filho voltaria com eles para Valíria e passaria pelos mesmos ritos de passagem que qualquer criança. Não era algo incomum.

Mas Hemera parecia ser uma mulher que levava a fidelidade em seu casamento de uma maneira mais rígida. Mais cedo aquele dia, quando estavam sozinhos na sala do mapa, ela tinha dito que era casada logo após perguntar se ele queria dormir com ela. Naquela hora ele nem tinha pensado naquilo, mas se quisesse, seu casamento não seria um impedimento. Mas talvez ela estivesse tão agradável com ele naquela noite porque não quisesse passar a noite sozinha.

Maelarys se aproximou do ouvido de Hemera e sussurrou:

– O que você está achando dos Targaryen?

Hemera se aproximou do ouvido dele e sussurrou no mesmo tom:

– Parecem normais, mas eles têm alguns hábitos estranhos.

– É o que o exílio causa neles.

– Você reparou que o Aenys disse que tem quatro filhos, mas que só nos apresentaram três? Falta uma das filhas dele.

– Você tem razão. Vou questioná-lo sobre isso. – Maelarys sussurrou.

Ele se virou para o homem à sua direita, o patriarca do clã Targaryen.

– Aenys, posso te fazer uma pergunta? – Ele pediu.

Aenys Targaryen se virou para o homem e acenou afirmativamente com a cabeça. O valiriano continuou:

– Você tinha dito que tinha dois casais de filho, mas só nos apresentou dois rapazes e uma moça. Onde está sua quarta filha?

– Rhaella está viajando por Westeros, recolhendo os impostos. – Ele respondeu antes de tomar um gole de seu vinho.

– Você mandou sua filha sozinha para fazer isso?

– Não se preocupe, Maelarys. Rhaella me acompanha nisso desde que ela era pequena, e não é a primeira vez que ela faz isso sozinha. Todos os westerosi já a conhecem.

– Entendi. – Maelarys disse.

Mas ele não gostou nada daquela informação. Então queria dizer que tinha uma senhora de dragão voando por Westeros desde que ela era uma criança? E ela sempre fazia aquilo? Isso queria dizer que ao menos uma vez por ano ela viajava por Westeros, o que queria dizer que ela passava muito tempo na presença dos habitantes locais.

Os Targaryen já eram diferentes dos outros valirianos, aquela menina então... Ela devia ser praticamente uma westerosi nativa, habituada com a cultura local e com muitos amigos pelo continente. Mas senhores de dragão não ficavam amigos de povos conquistados, aquilo era perigoso.

Aenys devia fazer um rodízio entre os membros de seu clã. Cada ano deveria ir um, para que eles não criassem vínculos com os povos. Mas os Nartheon eram de uma mesma casta que os Targaryen, ele não podia mandar em nada ali, podia no máximo aconselhar.

A sociedade valiriana era dividida em castas. A casta mais baixa era a dos escravos, o povo que nada tem. Acima deles, os povos conquistados, como os westerosi. Depois, os sacerdotes vermelhos que não eram valirianos. Após, os valirianos comuns – mesmo que sejam sacerdotes, o fato de serem valirianos era mais importante – que tinham uma vida boa. Em seguida, os senhores de dragão, que apesar de pertencerem a um mesmo grupo, também existiam divisões entre eles.

Existiam os clãs menores, que eram clãs com poucas conquistas, pouca história e pouca relevância política. Todos os doze clãs presentes naquele salão eram clãs menores, que se acharam grandes o suficiente para questionarem demais os maiores. Vinte clãs eram clãs menores.

Acima, os clãs maiores. Eram dez, no total. Eles ficavam em um limbo entre os dois grupos. Eles tinham algo muito bom, como dinheiro, história, prestígio, ou poder político. Mas não tinham todas essas qualidades. Isso era reservado apenas aos clãs superiores, os últimos dez.

Mas dentre os clãs superiores, dois se destacavam. Os Valnaris e os Caenyria. Eles foram os primeiros a conseguirem domar os dragões, os primeiros a usarem a magia, os primeiros clãs de Valíria. Dizem que eles fundaram Valíria em conjunto, tanto que o nome da cidade viria da junção dos nomes das duas famílias, embora existam aqueles que contestem essa versão da história do nome da cidade.

Mas o fato é que aqueles eram os dois clãs mais poderosos da sociedade valiriana, seja em dragões, magia, ou poder político. Valíria ficava sob controle das duas famílias e isso era um problema certas vezes. Quando os dois clãs brigavam, Valíria sangrava, mas quando os dois clãs concordavam demais, Valíria se tornava praticamente uma ditadura.

Passou o resto da noite na companhia de Hemera e do casal anfitrião, ouvindo algumas histórias de Westeros. Aenys lhe contou sobre a Muralha, sobre os conflitos históricos da região, as rivalidades familiares, e a incessante guerra dos tronos. A guerra nunca acabava em Westeros, mesmo com dragões voando na região para controla-la, aquele povo insubordinado não parecia saber viver de outra maneira.

O banquete foi se encerrando aos poucos, com muitas pessoas se ausentando do Salão aos poucos. Quando foi ficando muito tarde, o cansaço alcançou Maelarys e este decidiu que era hora de ir dormir. Levantou-se e anunciou aos seus companheiros de mesa:

– Peço licença, mas estou cansado demais. Vou me retirar para dormir.

– Boa noite, senhor. – Vaella disse a ele.

– Boa noite, Maelarys. – Aenys lhe desejou.

– Uma boa noite, e obrigado pela refeição e pela companhia. – O valiriano disse, começando a se retirar.

Mas antes que se afastasse da mesa, sentiu Hemera agarrando-lhe a mão. Ele olhou com curiosidade para sua companheira e viu que ela estava com o olhar quase desesperado. Ela não queria que ele fosse embora.

– Fica mais um pouco. – Ela pediu, de uma maneira que ele nunca tinha visto antes. Ela claramente não queria ficar sozinha com o Targaryen e a Velaryon.

– Eu estou falando sério, estou com sono. – Ele disse. – Mas se você quiser, pode vir comigo, a gente pode discutir nossos próximos passos antes de dormir. – Falou dando uma piscadinha para a mulher entender que não era discutir os próximos passos o que ele queria fazer com ela em seu quarto.

Hemera abriu um sorriso.

– Tudo bem, vamos lá. – Ela concordou.

Aquilo foi mais fácil do que ele imaginava. Mas tinha que admitir que tinha uma tensão rolando entre os dois, pelo visto ela já queria aquilo há um tempo.

Hemera se despediu do casal anfitrião, e os dois andaram juntos pelo Salão. Saíram e caminharam até as escadas, subiram e foram para o corredor onde estavam os quartos do onze valirianos. Encontraram um casal conversando animadamente, parados no meio do corredor.

Visevar e Delaerys eram os dois mais jovens da missão. Embora Visevar já tivesse ido para uma batalha junto com Maelarys, ele não gostava da ideia de ter um casal tão jovem em seu grupo. Primeiro porque sentia um ímpeto de protege-los de tudo, o que era terrível pois comprometeria as decisões dele. Segundo porque dois jovens que vão passar muito tempo juntos em uma guerra, com hormônios à flor da pele... Aquela não era uma combinação boa.

A última coisa de que precisavam ali era de um casalzinho apaixonado. Jovens tinham a péssima tendência de se apaixonarem muito facilmente em meio a uma guerra e acharem que aquela paixão era um amor incondicional. Se um dos dois morresse, seria um problema, pois o outro acabaria praticamente se suicidando na guerra ou entrando em uma profunda depressão. Se a menina engravidasse, ficaria em estado debilitado dentro de meses. Se um dos dois fosse feito de refém, o que o outro faria?

E Visevar e Delaerys estavam grudados desde que saíram de Valíria. Se não estivessem transando, logo estariam. Maelarys só torcia para que os dois fossem maduros o suficiente para entenderem a situação em que estavam.

– Comandante! – Visevar falou quando avistou Maelarys e Hemera. – O senhor irá precisar de alguma coisa essa noite?

– Não, Visevar, pode ir dormir. – Ele disse.

– Os senhores também estão indo dormir? – Delaerys perguntou.

– Não, primeiro vamos conversar sobre a missão. Somente depois iremos dormir. – Hemera respondeu.

– Ah, entendi. – Delaerys comentou rindo. – Conversar sobre a missão, é?

Ela riu com mais força, e Visevar acompanhou suas risadas. Maelarys ficou um pouco constrangido, mas Hemera não pareceu constrangida. Ela pareceu um pouco confusa.

– Por que estão rindo? – Ela perguntou em um tom ríspido.

Os dois jovens pararam na hora as gargalhadas.

– Me desculpe. – Delaerys pediu, olhando para o chão.

– Vai dormir, criança. – Hemera disse, por fim. – Vamos, Maelarys?

– Vamos. – Ele disse, voltando a andar em direção ao seu quarto.

Os dois entraram no quarto e Maelarys trancou a porta. Era um bom quarto, com uma larga cama que aparentava ser confortável, e uma larga janela que dava vista para o mar. As coisas do homem estavam reunidas em uma bolsa ao lado da cama.

– Nossa, a sua cama é bem melhor que a minha. – Ela comentou, sentando-se na cama. – Acho que eles deram o melhor quarto a você porque é o comandante.

– Você pode passar a noite aqui, se quiser. – Ele ofereceu, com um sorriso no rosto.

– Sério? – Ela pareceu não acreditar. – Você trocaria de quarto comigo?

– Trocar de quarto?

– É.

Maelarys só ficou olhando para a cara dela, confuso. Será que ele não tinha sido claro o suficiente? Ele não queria dormir naquela cama, ele queria passar a noite transando com ela naquela cama.

– Bem, eu estava pensando que talvez fosse melhor irmos direto para a guerra entre os Lannister e os Baratheon, antes de irmos para qualquer outro lugar. – Ela disse, cruzando as pernas.

– Como é que é? – Maelarys perguntou, quase sem acreditar. Do que ela estava falando?

– É. Se os outros souberem que acabamos com os Baratheon e que fizemos os Lannister ganharem a guerra, tudo será mais fácil, todos irão querer ser nossos aliados. – Ela explicou.

O homem ficou olhando para a mulher, quase sem acreditar. Ela realmente estava discutindo com ele os próximos passos da missão? Ela realmente achou que ele tinha a levado para o quarto para poderem fazer aquilo?

– Quando eu pisquei pra você quando te chamei pra cá, o que você entendeu? – Maelarys perguntou.

– Hã? – Ela parecia não esperar aquela pergunta. – Você tava me ajudando a me livrar daquela mesa, não? Por que mais seria?

Ela não tinha entendido. Ela realmente achou que ele estava querendo só conversar com ela. Maelarys quase riu da ingenuidade da mulher. Ela era a mais velha do grupo, mas era mais inocente que Delaerys, nem pensou na possibilidade de Maelarys querer algo com ela.

– É isso mesmo! – Ele disse. Se sentiu mal de ficar tendo aqueles desejos enquanto ela estava toda inocente. – Fiquei surpreso de você ter aceitado vir e não ficar achando que eu queria dormir com você.

– Ah, antes eu até achava que você tava doido pra transar comigo. – Ela falou, enquanto ele se sentava ao seu lado na cama. – Mas depois que você me disse que era casado, como eu, tirei isso da minha cabeça.

Ela era fiel, totalmente fiel, ao marido, e achava que ele também era à sua esposa. Maelarys ficou sem reação por um momento, não imaginaria aquilo, até porque Hemera já tinha participado de outras campanhas militares, achou que ela já tinha entendido que aquele tipo de prática era normal.

Será que o marido dela tinha a mesma fidelidade?

Mas então ele sossegou. Ela não estava sendo mais agradável porque queria algo com ele nessa noite, ela estava sendo mais agradável pura e simplesmente porque queria ter um bom relacionamento com ele. Quando finalmente entendeu isso, decidiu que não iria tentar seduzir a mulher ou algo do tipo. Se ela queria ser fiel ao marido, ele iria respeitar aquilo. Teriam um relacionamento estritamente profissional e maduro, como os dois adultos que são.

– Sabe, eu acho que devemos ir para a guerra por último. – Maelarys disse.

– Por que?

– Porque eu não quero que fiquemos dependendo de nossos dragões nessa guerra. Os Baratheon já mataram um dragão, eles devem estar preparados. Acho que devemos mandar nossos soldados de navio, eles vão fazer um contorno no continente e desembarcar na terra dos Lannister.

– Isso pode levar bastante tempo.

– Sim, e a ideia é essa. Enquanto eles vão de navio, nós vamos passar nos outros lugares. Vamos para as terras além da Muralha.

– Por que passaremos lá primeiro?

– Eu conheço povos selvagens. Eles respeitam a força acima de tudo, se nós onze chegarmos com dragões, eles vão nos respeitar e vão acabar com a guerra idiota, vai ser simples. No caminho passaremos no Vale de Arryn.

– E depois?

– Depois vamos descendo. Muralha, Winterfell e Terras Fluviais. Se os soldados não tiverem chegado ainda, passamos para Dorne, depois resolvemos o problema da Campina e exterminamos os Tyrell. E por fim, a guerra. Depois disso, voltamos para Valíria. Todos nós.

 

Delaerys

 

Delaerys Artheon caminhou até o pátio externo de Pedra do Dragão em busca de seu dragão. Já estava quase um dia inteiro com os pés no chão, e aquilo era terrível.

Era a manhã do dia seguinte. Ela acordou com uma leve dor de cabeça por conta da quantidade de vinho que tomou na noite anterior. Estava tão embriagada que quase fez uma besteira com Visevar naquela noite, quase que o beijou. Mas que culpa ela tinha se ele era um rapaz tão atraente e agradável com ela?

Saiu do castelo e sentiu o sol no rosto. Olhou procurando seu dragão prateado. Pôs a mão na frente do rosto para conseguir ver direito e viu os onze dragões deles, deitados, tomando um banho de sol. Encontrou Dryrna deitado bem colado com o dragão dourado, Sheema. Visevar estava sentado, encostado em seu dragão cor-de-ouro, lendo um livro.

Ela se aproximou deles, e o rapaz logo tirou os olhos do livro e olhou para ela com seu par de olhos lilás. Olhos da mesma cor do seu. O cabelo dos dois também era bem parecido, com tons de ouro e prata. Visevar tinha o rosto com alguns leves cortes, segundo ele foram em uma briga, mas ele não sabia mentir para ela. Sabia que aqueles cortes eram de sua falha tentativa de se barbear.

Os dois eram bem parecidos, até mesmo para senhores de dragão, que eram parecidos entre si. Poderiam muito bem se passarem como gêmeos, qualquer um acreditaria.

Visevar sorriu para ela, fazendo com que seu coração palpitasse de alegria.

– Bom dia. – Ele falou.

– Bom dia. – Ela também sorriu para ele.

Sempre ficava feliz em sua presença, ele fazia ela sentir a presença de algo que não sentia com qualquer um. Ele a entendia, completamente. Eles passaram pelas mesmas coisas, pelas mesmas dificuldades, pelos mesmos dramas. Não tinha ninguém naquele mundo que a compreendia da mesma maneira que Visevar compreendia.

Talvez os outros não soubessem, mas os dois tinham uma longa história juntos antes daquela missão. Não da maneira como ela queria, mas uma longa história mesmo assim.

– Tá lendo o quê? – Ela perguntou.

– Um livro em westerosi. Estive praticando a leitura nessa língua desde que soube de que viria.

– Por que?

– É útil. Para ler avisos, cartas, documentos e correspondências. Não quero ficar dependendo de Vaelerys, Hemera e Maelarys.

Ele sempre era tão previnido, ela não devia esperar menos do rapaz. Sorriu e sentou-se, encostando em seu dragão e ficando próxima dele.

– Você já conhecia o Maelarys, né? – Ela perguntou. Tinha ouvido falar alguma coisa de seu avô, mas ele nunca entrou em detalhes. Seus avós paternos nunca entravam em detalhes sobre Visevar, para sua frustração.

– Já. Ano passado eu fui com ele deter um khalasar que ameaçava Qarth.

– Vovô comentou comigo, mas ele não me contou mais nada.

– Como ele está?

– Está bem.

– E a vovó? – Ele fez mais uma pergunta.

– Também.

Sim, Delaerys e Visevar são irmãos. Quase ninguém parecia saber daquilo, por conta da história de suas famílias e de seus clãs. Os Artheon e os Melgaris nunca se deram muito bem, mas foi com os avós deles que a rivalidade entre os dois clãs se agravou. Porém, os filhos deles se apaixonaram e acabaram se casando, para desgosto de ambos os clãs.

Mas os pais deles, pesquisadores famosos, morreram há muitos anos por veneno de basilisco, em Gogossos, no norte de Sothoryos. Eles morreram quando Visevar tinha cinco anos e Delaerys tinha três. Os avós deles brigaram ferrenhamente pela guarda das crianças. Os dois clãs brigaram pelas crianças, e a coisa estava tão feia que estavam se ameaçando.

Maelys Caenyria, o Imperador Dragão, e Alaessa Valnaris, a Imperatriz das Chamas, resolveram o problema dando uma criança para um casal de avós, e a outra para o outro. Assim, as brigas se encerraram, e Delaerys e Visevar cresceram longe um do outro. Quando atingiram 13 anos, fizeram o rito de passagem e foram aceitos por seus respectivos clãs.

Dryrna, o dragão de seu pai, ficou com o clã Artheon, e logo aceitou Delaerys. O ovo de dragão que pertencia à sua mãe ficou com Visevar, que depois de alguns anos chocou. A espada de seu pai, Prata, ficou com ela, e a espada de sua mãe, Ouro, ficou com ele.

Quando ela soube que os Melgaris tinham selecionado seu irmão para vir a Westeros, Delaerys desobedeceu qualquer ordem de seu clã e veio também. Não foi ela a escolhida do clã, diziam que ela era muito nova para aquele fardo. Mas ela simplesmente os ignorou e veio, como poderia deixar seu irmão sozinho? E se algo acontecesse a ele?

Tentou fazer o mesmo ano passado, quando soube que ele iria para Qarth, mas seu avô a prendeu no quarto. Mas esse ano ela foi mais esperta, tinha se preparado para aquilo e nem protestou quando o clã recusou seu nome, para que eles não pensassem que ela queria muito aquilo, simplesmente pegou suas coisas e se foi.

Quando Maelarys e os outros se encontraram para saírem de Valíria, o comandante tinham sugerido de fazerem uma parada em Tyrosh, mas ela temia que seu avô viesse atrás, por isso encheu a paciência do comandante para irem direto a Westeros.

Seu avô não viria tão longe atrás dela. Se fizesse isso, poderia ser punido. Um senhor de dragão não deve ir deliberadamente para Westeros sem prévia autorização de Valíria ou dos Targaryen, que tinham o controle da região. Principalmente por um motivo besta daquele. O Patriarca e a Matriarca não gostariam nada daquilo.

Não, tinha que parar com aquela mania de chamar o Imperador Dragão e a Imperatriz das Chamas de Patriarca e Matriarca.

Os dois eram de fato, o patriarca e a matriarca de seus respectivos clãs, os Caenyria e os Valnaris, os dois clãs mais importantes de todos. Dizem que eles foram os fundadores de Valíria, os primeiros senhores de dragão.

Maelys Caenyria era um homem estranho. Ele era diferente de todos os valirianos, tinha os olhos parecidos com o de um dragão, alaranjados como o fogo, e apesar dele montar em apenas um dragão – ao menos até onde ela sabia –, ele conseguia dar ordens a outros dragões, e nenhum outro dragão o ameaça.

Corre um boato que seus pais tinham feito algum ritual mágico com um dragão enquanto ele nascia, e que ele nasceu meio homem, meio dragão. Outros boatos alegavam que na verdade ele era filho de um dragão, que engravidou sua mãe. O fato é que ele era o maior cavaleiro de dragões de todos os tempos, e sua afinidade com os dragões lhe deu o apelido de Imperador Dragão.

Alaessa Valnaris é outra cercada de mistérios. Ela tinha os cabelos bem longos, e os olhos vermelhos como o sangue. Olhos vermelhos não eram tão incomuns, uma pessoa impregnada com a magia podia apresentar os olhos em tons avermelhados com o passar do tempo e à medida que seu poder mágico crescia, como Renaela. Mas Alaessa nasceu daquele jeito.

Falam que a mãe dela era uma feiticeira poderosa, com os olhos avermelhados, mas que tinha feito algum ritual de feitiçaria para passar toda sua magia para sua filha enquanto estava grávida. Os olhos vermelhos indicavam que ela era magia pura, e não à toa, era a maior maga de Valíria, conseguia usar com maestria tanto a magia de sangue, quanto a de fogo. Por isso o seu apelido de Imperatriz das Chamas.

Eles eram os dois líderes dos maiores clãs. Eles eram os herdeiros dos primeiros senhores de dragão. Ela usava a lendária Fogo, e ele usava a mítica Sangue, as duas primeiras espadas de aço de dragão, forjadas nas Quatorze Chamas antes da cidade ser o que é hoje.

Seus dois clãs eram o símbolo de Valíria. Eles eram Valíria. Tanto que em qualquer evento cerimonial, os patriarcas das duas famílias ficam em posição de destaque, atrás de suas espadas, Fogo e Sangue. Os dois clãs representavam Valíria, assim como tudo o que representava Valíria se resumia a Fogo e Sangue, sejam as espadas, ou os dois tipos de magia usadas por aquele povo.

Os dois nunca foram casados, nem tinham algum interesse amoroso conhecido, e eram de idades próximas. Aquilo fez correr o boato de que os dois estavam secretamente juntos. Secretamente porque é proibido que o patriarca e a matriarca de dois clãs diferentes fiquem juntos, pois o filho dessa união seria o herdeiro de dois clãs de Valíria e o poder perderia todo o equilíbrio. Principalmente aqueles dois clãs, os dois maiores. O filho de Maelys e Alaessa seria, de fato, um imperador, não seria apenas um apelido.

Como os dois não podiam ficar juntos, estariam juntos secretamente. Algumas pessoas diziam que aquilo era besteira do povo, que queria criar uma história de romance impossível para as duas maiores figuras de poder em Valíria. Mas outros indicavam que, de alguns anos pra cá, as grandes maiores decisões de Valíria foram feitas sem nenhuma discussão entre os dois clãs, inclusive aquela missão que os onze estavam fazendo, teria sido decidida rapidamente entre os dois grandes clãs.

Por esse boato, algumas pessoas começaram a chamar os dois de Patriarca e Matriarca de Valíria, pois os dois seriam quem mandava em todo o Império, no fim de tudo. Mas ninguém falava aquilo na frente dos dois, é claro. Por isso que Delaerys tinha que parar de se referir aos dois daquela maneira, se caísse no ouvido dos dois, ela poderia acabar se tornando uma desafeta dos dois seres mais poderosos daquele mundo. No mínimo.

– E como foi com o Maelarys? – Ela perguntou. Estava curiosa para saber como era o homem, não teve tempo o suficiente para conhece-lo ainda.

– Ele é ótimo. É um cara tranquilo, calmo e paciente. Me ensinou bastante sobre batalhas e guerras, principalmente contra khalasares.

– Sabe uma coisa que eu nunca entendi sobre esse assunto? – Ela falou, e o rapaz a olhou com curiosidade. – Por que nós nunca destruímos os dothraki de vez? Nós podemos simplesmente chegar com nossos dragões e destruir todos os khalasares.

O rapaz riu com o que ela falou.

– Eu disse algo idiota? – Delaerys perguntou, com medo de parecer uma boba na frente dele.

– Não, é que quem me respondeu isso foi o Maelarys, pois eu fiz a mesma pergunta a ele. Sabe, depois que ele matou o khal, eu passei com Sheema queimando o resto do khalasar, mas ele ordenou para que eu parasse. Não entendi muito bem o porquê dele ter me impedido e ter deixado o resto do khalasar fugir, mas então ele me explicou naquela noite quando comemorávamos a vitória em Qarth.

– E o que é?

– Um khal só se torna um problema quando ele une vários khalasares, e isso leva tempo para acontecer. Quando um grande khal morre, seu grande khalasar é debandado e se divide em vários khalasares menores, com pequenos khals.

– E...

– Bem, quer dizer que demora para termos que cuidar de khals, e nós temos que cuidar de khals. – A menina o olhou parecendo não entender o que ele quer dizer. – Quando os khals atacam, as outras cidades não sabem como lidar, não conseguem. Então Valíria aparece e salva o dia. Quando eles são ameaçados e nós sempre os salvamos, eles sentem que precisam de nós. Se acabarmos com essa ameaça definitivamente...

– Eles vão começar a achar que não precisam mais de nós. – Ela completou o raciocínio.

– Isso, e assim não iria demorar para que uma dessas cidades queira se separar de Valíria.

– Então é por isso que Essos é bem mais tranquilo do que Westeros. Aqui eles não tem ameaça externa, o problema mesmo é entre eles.

– Acho que sim.

– Então quer dizer que Maelarys vai ter que continuar matando khals pelo resto da vida?

Visevar a olhou com uma expressão séria.

– Aparentemente sim, esse é um dos motivos dele não gostar desse apelido. É o que ele vai ser pro resto da vida, o Matador de Khals.

Delaerys olhou para seu dragão.

– Eu fiquei com medo quando soube que você tinha ido para a guerra em Qarth. – Ela confessou.

– Por que?

– Fiquei com medo de que algo acontecesse com você.

Visevar sorriu.

– Não precisava ficar com medo. Foi muito tranquilo, apenas fiquei de cima, montado em Sheema. Só Maelarys desmontou do dragão no momento que ele foi duelar com o khal. – Ele explicou. – Por isso eu quis ir, sabia que seria um momento de aprendizagem, e com pouquíssimos riscos.

– E pelo jeito você impressionou o comandante. Ele até se esqueceu ontem que Sheema era um dragão jovem, e ainda falou muito bem de você pro Targaryen.

– Ele sempre fala muito bem de todo mundo do grupo. Ele nem me conhecia em Qarth mas falou muito bem de mim para os senhores de lá.

– Isso é legal.

– Quem sabe da próxima vez, quando ele te conhecer melhor, ele não diga algo mais específico sobre você? Acho que a única coisa que ele sabia era sobre o fogo de Dryrna.

– Talvez...

Eles ficaram alguns minutos em silêncio, até que Visevar o quebrou.

– Por que você fugiu pra cá? – Ele perguntou, olhando de maneira inquisitiva para ela.

– Eu não fugi para cá.

– Fugiu sim.

– Não fugi, eu fui designada pelo clã.

– Não foi, você só tem quinze anos.

– Você só tinha dezesseis quando foi para Qarth.

– Aqui não é igual a Qarth. – Ele ficou de joelhos e foi até próximo dela. – Escuta, Delaerys, aqui não é brincadeira. Você ouviu o Targaryen. Mataram dois dragões e seus senhores aqui. – Ele sentou-se ao seu lado, também encostando no dragão de seu pai.

– Eu sei, eu mesma me prontifiquei a vir.

– Eles não te aceitariam, vovô nunca deixaria.

– Eles aceitaram. – Ela insistiu na mentira.

– Delaerys, para de mentir pra mim. – Ele pediu, passando o braço pelos ombros dela e a olhando intensamente nos olhos. – Valíria não manda irmãos para uma mesma missão.

Ele estava certo. Pessoas muito próximas nunca iriam na mesma missão, no mesmo grupo. Irmãos, pais, filhos, cônjuges, nada. Não era nem comum pessoas de um mesmo clã juntas.

Delaerys olhou para seu irmão com um olhar triste.

– Eu não quero que nada aconteça a você. – Ela respondeu.

– Foi por isso que você veio?

– Foi, eu vim pra te proteger.

– Me proteger? – Ele pareceu surpreso com o que ela disse. – Acho que vai acontecer o contrário.

– Eu não sou mais uma menininha. – Reclamou.

– Não é mesmo, eu já reparei que você cresceu. – Ele comentou, arrancando um sorriso involuntário dela. – Mas você não tem experiência prévia nenhuma. Você precisa voltar pra Valíria, seu clã precisa mandar outra pessoa.

– Tarde demais, eu já estou aqui. – Ela foi firme na decisão, fazendo com que Visevar bufasse de frustação. – Visevar, me deixa provar o meu valor. – Ela pediu.

Ele ficou quieto por um momento, pensativo. Logo ele tornou a falar:

– Tudo bem! – Ele suspirou, enquanto a menina o abraçava. – Mas saiba de uma coisa. Maelarys não gosta de relacionamentos dentro do grupo dele, de qualquer tipo de relacionamento emocional, no máximo físico. Ele acha ruim quando as pessoas se apaixonam porque elas começam a agir de maneira irracional, imagina se ele souber que somos irmãos?

– Eu não vou contar nada. – Ela prometeu. – Ninguém precisa saber que somos irmãos.

– Mas eu contei a ele ano passado sobre você, Delaerys. Eu não sei se ele se lembra, mas falei de Dryrna, das nossas espadas, de nossos pais, dos problemas dos clãs. Faz meses, então talvez ele não lembre de tudo, e nem perceba que era de você que eu falava, mas pode ser que ele se lembre e repare nisso.

– E se ele se lembrar? E se ele notar?

– Quando isso acontecer, eu não posso garantir o que ele decidirá fazer conosco. Talvez ele te mande de volta pra Valíria. – Ele passou o rosto pelos cabelos dela. – Até lá, vamos agir como se não fôssemos irmãos.

– Vamos agir como, então?

– Como duas pessoas que acabaram de se conhecer.

– Tudo bem. Posso fazer isso. Se alguém perguntar dos nomes das nossas espadas...

– Coincidência. Elas parecem com nossos dragões, e o meu dragão parece de ouro, e o seu de prata. Por isso o nome das espadas. – Ele inventou.

– Se perguntarem dos nossos pais...

– Os meus morreram em Sothoryos. – Ele disse.

– Você pegou a versão verdadeira pra você? – Ela pareceu indignada.

– Eu já contei essa história pro Maelarys, não posso inventar outra. O que aconteceu com os seus pais? – Ele perguntou.

– Estão em casa. – Ela abraçou as próprias pernas. – Me esperando. – Ela olhou para o irmão. – Eu queria que isso fosse verdade, que eles estivessem nos esperando voltar.

Visevar deu um doce sorriso e segurou uma das mãos da menina.

– Eu também, Delaerys. – Ele disse.

– Senti sua falta. – Ela encostou a cabeça no ombro dele.

– Eu também senti.

Os dois não cresceram juntos. Na verdade, se viram somente algumas vezes na vida. Mas eles gostavam de ficar na presença do outro, na presença de seus dragões, na presença de suas espadas. Tudo aquilo dava uma sensação boa aos dois, como se seus próprios pais ali estivessem junto deles.

Aquilo seria difícil. Fingir que não eram irmãos, que eram apenas dois jovens que acabaram de se conhecer seria um desafio maior do que parecia, principalmente quando estivessem diante do perigo.

O comandante iria matá-la quando descobrisse a verdade.

Afinal, eles não eram apenas irmãos. Delaerys também estava apaixonada por Visevar. E aquilo tornava tudo ainda pior. Mas como ela deixaria seu irmão, o homem por quem estava apaixonada, ir sozinho naquela missão? Ela precisava estar com ele. Ela precisava dele. E ele precisava dela.


Notas Finais


É isso aí pessoal. Por enquanto está bem no início, então se alguma coisa ficou confusa, não tenha medo de perguntar. Comentem sobre o que estão achando da fic até o momento, sei que não dá pra ter uma opinião por ela ainda estar no começo, mas gostaria de ver o que estão achando mesmo assim.
Qualquer dúvida, crítica, reclamação, sugestão e elogio, podem falar nos comentários que eu irei responder assim que puder. Essa semana tá meio difícil para mim, mas eu costumo sempre responder os comentários.
Até o próximo!


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