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História A perdição dos deuses - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


oiiie
ent, era pra eu ter postado esse capítulo ontem, mas não deu.
eu ia deixar pra postar terça da semana a vem, mas resolvi postar hj pq uma amiga muito importante minha amaa essa história ;) @KauMeyer 😉💕

Capítulo 16 - 15 anos (Parte 1)


Fanfic / Fanfiction A perdição dos deuses - Capítulo 16 - 15 anos (Parte 1)

Reinos do Norte, Lorien, Andrômeda


      18 de abril, 147 anos após o Big-Bang


      Castelo, Quarto de Hela


      Hela, deusa da morte:


  Era o dia do meu aniversário de 15 anos e eu não estava muito animada com isso. A questão era que Queen havia feito-me convidar todos os novos integrantes das Divindades, fora todos do reino que viriam, e eu teria de recebê-los para um baile em nosso castelo. Suponho que a coisa que me mantinha íntegra hoje é o passeio para o qual Miguel me convidou. Não disse onde seria, apenas disse que seria num lugar especial para mim.


  - Está pronta, Hela? - Desviei o olhar da janela do meu quarto, onde via os convidados de todo o reino, incluindo os de outros reinos, chegarem para o baile e olhei para a porta recém aberta.

  Queen estava parada na porta com um longo e armado vestido preto com detalhes prateados e mangas longas. Sua coroa prateada pontiaguda deixa pender sob seu pescoço algumas finas correntes de mesma cor.


  - A porta, Queen. - Falei e ela esboçou um olhar confuso. - Já lhe pedi que batesse na porta quando viesse até mim.


  - Ah, claro. Perdão. - Disse simplesmente e eu forcei um sorriso.


  - Tudo bem. - Fiz uma pausa, observando-a mais atentamente. - Seu vestido - ela o olhou e voltou-se novamente para mim. - Pensei que a ocasião exigiria vestes mais festivas. - Comentei com um toque de sarcasmo, quase indetectável se não fosse eu quem o tivesse falado.


  As roupas dos convidados para um baile de aniversário de 15 anos em Andrômeda devem ser festivas e coloridas, e a do aniversariante deve ser branca. O vestido que eu usava era longo e armado, branco e rendado. Meus cabelos estavam presos num coque bem feito, rodeado por uma coroa de flores pequenas e rosadas. 


  - Foi o primeiro que encontrei quando me vesti. - Esclareceu falsamente. Eu sabia que ela o tinha escolhido propositalmente.


  - Bom saber que meu baile significa tanto para a senhora, Majestade. - Comentei com desdém e abri um sorriso amargo, que por pouco não saiu veneno da boca. Ela se calou, surpresa.


  Eu estava mais rebelde à cada dia que se passava, e Queen estava tendo trabalho em conseguir me controlar. Isso a deixava frustrada, e eu sabia que em algum momento ela tomaria a decisão de fazer algo que me mantivesse presa sob seu comando novamente. Eu me preparava para esse momento, mas não importa o quando nos preparamos, nunca estamos prontos quando o momento chega.


  - Enfim - disse quando finalmente encontrou palavras -, já está pronta, pelo que posso ver. Os convidados estão esperando. - Fiquei pensativa.


  - Falta somente um único detalhe e estarei pronta. - Informei-lhe com um plano em mente e forcei um sorriso.


  - Apresse-se! Comunicarei os convidados. - Disse a loira e saiu do quarto, fechando as portas grandes de madeira atrás de si.


  Desde que Miguel voltara para Lorien, minha relação com Queen tem sido cada vez mais complicada. Na verdade, minha relação com quase todos tem sido complicada. Meu grupo de interação foi reduzido para cinco pessoas: Miguel, Héstia, Nicholas, Nathan e Peyton. Não tenho dirigido a palavra ao Rodrigo e muito menos ao Loki.


  Outra questão é que meus poderes estão se desenvolvendo muito rápido e que novos estão surgindo, assim como Héstia também tem relatado. Miguel tem me ajudado com a Magia, que tem ficado cada vez mais poderosa, e também me ajuda com os outros poderes, que tem se intensificado. Já controlo todos eles, só não quando tenho algumas variações emocionais, e faço coisas não tão simples quanto antes, como gerar e manipular alguns elementos naturais, também manipulo animais, metais, o clima; consigo ler e manipular mentes, desenvolvi melhor minhas habilidades telecinéticas, posso absorver e manipular energia, me teleporto usando minha magia e posso criar portais usando ela também. Algumas habilidades comuns dos habitantes de Andrômeda também se intensificaram em mim, como a agilidade, força, velocidade e resistência, e até mesmo minha regeneração estava mais acelerada, assim como a da Héstia.


  Temo que nossos instintos estejam nos preparando para algo muito ruim.


  Afastando-me de meus pensamentos tenebrosos, voltei-me para o espelho que cobria metade da parede de meu quarto na posição vertical. Eu observava meu reflexo nele, o vestido branco, um coque no cabelo com uma coroa de flores. Essa não era eu. Era alguém manipulada. Eu não queria isso. Não queria uma celebração, não queria um baile, não queria estar rodeada de pessoas de todo o reino, não queria ter cometido meu primeiro assassinato e não queria saber que Queen me detestava. Ela me odiava, e eu nem sequer sabia o porquê. Queen tinha uma barreira psíquica poderosa em sua mente, um bloqueio, que me impedia de acessar essa parte de sua memória.


  Eu estava me olhando no espelho moldado em ouro, e odiando a imagem que me olhava de volta: uma garota de 15 anos com pele branca, cabelos cacheados castanhos-escuros avermelhados presos em um coque bem feito envolto por flores rosas, dentro de um maldito vestido branco feito pelas fadas do lago que me deixava parecida com uma noiva midgardiana. Essa não era eu, e não era quem eu gostaria de ser. Eu quero ser livre: sem sofrer pressão por ser a próxima na linha de sucessão ao trono e sofrer a possibilidade de ser morta própria Protetora.


  Caminhei até a minha penteadeira preta rodeada por luzes e me sentei na pequena cadeira estofada em frente ao espelho. Observei o reflexo dos meus olhos bicolores e me decidi: eu não seria mais uma marionete da falsa rainha.


  Sem nenhum movimento, apenas com o olhar, lancei todos os objetos sob a cômoda ao chão. Aqueles que eram de vidro se estilhaçaram com a colisão, e os outros ficaram espalhados pelo piso. Me levantei enfurecida por ter sido controlada a minha vida toda, desde o meu próprio pai até a mulher que deveria me proteger.


  As pequenas fadas que cuidavam das plantas que levitavam abaixo do teto estavam alvoroçadas, as plantas pareciam criar vida própria. Um vento frio surgiu no quarto, batendo contra as paredes de pedra e ricocheteando de volta. Fiz surgir uma faca na minha mão, porque eu também posso manifestar armas, e com ela comecei a rasgar o meu vestido, parte por parte. A renda foi despedaçada, a armação do vestido destruída, assim como todo o resto. Ele ficou em pedaços.


  Arraquei a coroa de flores e a joguei no chão, desfiz o coque e meus cabelos caíram bagunçados sob os meus ombros. Depois, para finalizar o meu surto psicótico, dei um soco no espelho, trincando-o. Respirei profundamente depois disso, aliviada. Logo fiz surgir um novo vestido, completamente preto, longo e rodado, rendado com flores na parte superior. Caminhei até o espelho da parede e olhei o meu reflexo nele. Essa sim sou eu, pensei satisfeita. Passei a mão pelo cabelo, arrumando-o perfeitamente, permitindo que os cachos definidos caissem sob os meus ombros. Sorri com o resultado final e, finalmente, saí do quarto, que agora estava organizado novamente. A Magia é um privilégio, meus amigos.


  Saí do quarto e caminhei para o Salão de Baile. Eu poderia ter me teleportado, mas queria ter o prazer de sentir que estava caminhando sem amarras me segurando e me fazendo regredir. Cheguei ao salão e entrei lentamente nele, as pessoas estavam conversando e celebrando entre si. Pareciam animados, bom, pelo menos mais do que eu.


  Quando me viram, houve silêncio no salão. Eu caminhei pelo tapete vermelho, que foi atingindo tons mais escuros até se tornar preto, por onde eu passava. As pessoas logo começaram a comentar, sobre o vestido, sobre a minha feição orgulhosa e mortal. Chegando na frente de todos, parei e me voltei para eles.


  - Meu caro povo de Lorien, sejam bem-vindos ao meu baile de 15 anos. - Falei e sorri, todos estavam em silêncios, me observando atentamente. - Uma salva de palmas para os nossos convidados, os deuses de outros planetas. - Eles bateram palmas, olhando uns para os outros com olhares confusos.


  - Hela, querida. - Sussurrou Queen, vindo ao meu lado. - O que está fazendo? - Forçou um sorriso para o povo.


  - Estou fazendo a minha própria vontade, Vossa Majestade. - Sorri venenosa e ela pareceu não saber o que fazer, pois não podia mais me controlar. - E eu nunca fui sua querida, fui? - Olhei no fundo dos seus olhos verdes de forma desafiadora. Ela não falou nada, mas parecia enfurecida. - Bom - voltei-me para as pessoas -, devem estar se perguntando o porquê de eu estar totalmente diferente do costume que nós temos aqui em Andrômeda para a comemoração de 15 anos dos deuses. O vestido preto, o cabelo... Quero que conheçam à mim em minha verdadeira essência. - Sorri enquanto observava seus rostos perplexos. - Espero que estejam gostando do baile. Sinto em lhes informar que não ficarei aqui durante esta celebração, mesmo sendo meu dever ser vossa anfitriã. Não me sinto confortável por não ter feito isso eu mesma, e por ser contra a minha vontade. Mas não se preocupem, como vossa futura rainha - olhei para Queen com um sorriso provocador e ela arregalou os olhos com furor; voltei a olhar para eles -, prometo zelar pela vida e segurança de vocês como a minha Protetora zela por mim. - Voltei a olhar para ela e sorri venenosamente. Agora eu tinha total certeza de que ela me odiava e que revidaria de alguma forma.


  Depois disso, dei uma risada maquiavélica enquanto um vento forte e frio invadia o salão, derrubando as flores espalhadas pelo lugar e causando tumulto entre as pessoas. Num piscar de olhos, eu não estava mais ali. Me teleportei para a floresta, onde Miguel disse que nos encontraríamos.


      Alguns minutos depois


  - Hey, Hela. - Ouvi alguém me chamar e olhei para fora da floresta. Era o Miguel. - Saiu de lá feito a Malévola. - Comentou e nós rimos.


  - Onde vamos? - Perguntei curiosa.


  - É surpresa. - Falou se aproximando. - Não leia a minha mente.


  - Tá bom. - Falei e ri.


  Ele entrelaçou nossos dedos e começamos a caminhar floresta a dentro. As árvores eram altas e tinham suas copas verdes, em sua maioria, outras eram de cores diferentes. Os pássaros cantavam alegremente, as fadas e as ninfas andavam pela floresta felizes. Quando eu estava com o Miguel, eu... eu me sentia livre.


      Algum tempo depois


  - Já chegamos? - Perguntei pela milésima vez e ele revirou os olhos, debochando.


  - Aah - exclamou DeRan. - Seria melhor se tivesse lido a minha mente. - Comentou e eu ri.


  - Desculpe - falei e ele me olhou sorrindo -, estou curiosa.


  - Fique tranquila. - Pediu Miguel. - Vai adorar a surpresa. - Sorriu e eu retribui.


Nós estávamos subindo um dos rios que tinham dentro da floresta. Este era um dos mais lindos, pois tinha várias cachoeiras ao seu decorrer, e estávamos próximos de uma delas. Era de manhã, pois o baile duraria o dia todo. O sol da manhã estava batendo no topo das árvores e na superfície do rio. Havia neblina sob a água, o céu estava azul, as flores eram coloridas e o dia estava incrivelmente perfeito.


  - É aqui? - Perguntei olhando a cachoeira.


  - Não. É mais para frente - informou olhando a queda d'água. O som que ela fazia era extremamente agradável. - Quer ir andando até lá? - Perguntou e olhou para mim.


  - Qual a opção mais divertida? - Indaguei e nós sorrimos.


  - Bom - disse o loiro -, podemos nos teleportar, levitar ou sermos levados pelas plantas ou pela água.


  - Sermos levados pelas plantas parece uma boa. - Comentei e ele sorriu satisfeito.


  Logo a grama e outras plantas rasteiras começaram a criar vida própria, nos levantando. Fomos passando de planta a planta, sendo levados por elas até a próxima cachoeira. As plantas sabiam sabiam para onde Miguel queria ir, ele se comunicava com elas.


  Quando chegamos no lugar desejado, que era dentro da floresta, na montanha seguinte onde ficava a outra cachoeira, elas nos deixaram no chão lentamente. Estávamos encima de uma ponde estreita e pouco acima do rio que corria esverdeado abaixo de nós. Havia várias árvores, dentro e fora do rio, e o som da cachoeira ressoava atrás de nós.


  - É... maravilhoso! - Sussurrei olhando atentamente o lugar. Tudo ali era perfeito e emanava boas vibrações. - Obrigado. - Olhei para ele e sorri.


  - Só achei que você merecia ficar em lugar que realmente gostasse nesse dia especial. - Argumentou e sorriu. - Eu... - ele começou a se aproximar de mim, acho que ele queria me beijar; mas não seria tão fácil.


  - Se me vencer em uma luta básica - falei quando ele estava próximo -, eu deixo você terminar de falar. - Sorri provocando.


Miguel então caminhou cautelosamente até mim, e tentou me dar um soco no lado esquerdo do meu rosto; eu desviei. Depois tentou o lado direito, eu também desviei. Tentou outro soco na direção da minha testa e eu abaixei, ele chutou o lado esquerdo das minhas costelas e eu rodopiei para trás dele sorrindo marota. Ele se aproximou e eu lhe dei um soco, mas ele pegou minha mão e contorceu meu braço para trás das minhas costas, fazendo com que ficássemos frente a frente. Seus lábios estavam à centímetros dos meus, e ele era poucos centímetros mais alto do que eu. Sentia sua respiração no meu rosto, e sua pulsação acelerada.


  - Venci de novo! - sussurrou e começou a se inclinar para me beijar.

 

Utilizando a minha força, tirei meu braço detrás das minhas costas e o rodopiei, segurando seus braço atrás de suas costas, como ele fez comigo, e chutando uma de suas pernas, fazendo ele cair de joelhos e o neutralizando.


  - Não dessa vez. - Me gabei sorrindo vitoriosa e o soltei.


  Miguel se levantou e voltou-se para mim, sorrindo. Eu sorria de forma sagaz, e pensar que me meti numa pequena briga ainda com meu vestido de baile. Ele se aproximou lentamente de mim, de novo. Dessa vez, eu fiquei parada; sem recuar, sem atacar, só parada, esperando. Ele parou na minha frente, com um olhar tão profundo que parecia ser capaz de ver a minha alma. Colocou um cacho que estava caído no meu rosto atrás da minha orelha de forma delicada, depois colocou sua mão no meu pescoço. Ficou olhando nos meus olhos, atentamente. Dei um pequeno passo para frente, ele se inclinou e então selou o espaço entre nós com um beijo suave e lento. O meu primeiro beijo.



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