História A Piromante de Lumiére - Capítulo 30


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Categorias Histórias Originais
Tags Aventura, Fênix, Kim, Kimberly Cassidy, Magia, Piromante, Pyles Tou Chrónous
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Palavras 2.343
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Desculpe a pausa, mas eu precisava organizar minha ideia de como retratar a cena que estará na segunda parte deste capítulo envolvendo os personagens Simon e Ryan. Espero que gostem...

Capítulo 30 - O Passado


Fanfic / Fanfiction A Piromante de Lumiére - Capítulo 30 - O Passado

 

– Noah, meu avô menciona em um de seus livros que “uma vez que uma fênix existe nada pode alterar sua existência”. Mas, se isso é verdade, como meu pai virou mortal? A existência dele foi alterada. Ele morreu. – Kim perguntou, estava intrigada com a contradição daquele fato desde que o lera.

O dragão deu um sorriso triste, fechou os olhos de modo pesaroso e respirou fundo.

– Essa premissa é verdadeira e foi instituída pela própria Entidade. Revogar a imortalidade de uma fênix é impossível para qualquer outro que não seja a própria Entidade. – Informou o dragão, solene. – Pense bem, se a imortalidade e os poderes de uma fênix pudessem ser retirados, por que seu avô e os pais de Demétrius não foram condenados a Prisão do Tártaro?

– Mas somente ofensas contra os deuses são condenadas ao Tártaro...

– O que eles fizeram foi uma ofensa muito grave cometida contra Hades. Tanto que afetaram o funcionamento da Dimensão Infernal. – Interrompeu sério. – Então por que eles foram condenados a vagar pelos Campos de Asfódelos ao invés de cumprirem sua verdadeira punição?

Kimberly pensou um pouco a respeito. Ela arregalou os olhos quando chegou a compreensão. 

– Eles não estão mortos. Ainda vivem. Seus poderes estão intactos. – Enunciava chocada.

– Exato. Como você sabe as fênix são fontes de baterias imortais. Se fossem aprisionadas no Tártaro com seus poderes ainda vigentes poderiam libertar os prisioneiros, se quisessem. – Informou Noah. – O seu pai foi o único que teve seus poderes destituídos. E mesmo assim, seus dons não foram revogados, foram transferidos para alguém geneticamente compatível.

– Sim, essa parte eu sei. Os poderes dele foram transferidos para mim em meu nascimento.

– O único ser que tem poder para realizar essa façanha é a própria Entidade. Por algum motivo, a Entidade revogou os poderes de Christopher. Na época ninguém havia entendido por que a própria Entidade estava interferindo na vida terrena ou por que Christopher era especial?

– Vai mesmo me fazer perguntar? Qual o motivo da Entidade interferir? – Indagou Kim, exasperada com todo aquele mistério.

– Você não entendeu ainda, Kim? Você! – Exclamou ele. – Você é a razão. Você é a única consequência direta que culminou da mortalidade de Christopher. Por algum motivo a Entidade queria que você nascesse. A Entidade planejou seu nascimento. A sua existência deve ser importante para Priamus de alguma forma. – Sentenciou ele sério.

Kim engoliu em seco, estava tão chocada que não conseguia expressar nenhuma reação.

“A Fronteira Kim. Preserve a Fronteira”, a última frase de seu pai em vida ecoou na sua mente, fazendo-a se perguntar se Christopher estava ciente dos planos da Entidade. Seria o relacionamento de seus pais uma mentira, uma fachada para um plano maior? Um romance planejado por seu pai e pela Entidade para culminar em seu nascimento, uma mestiça com poderes pré-determinados para cumprir um Destino em nome do “Bem Maior”? Seu olhar estava triste e confuso, respirou fundo antes de dar um sorriso fraco.

– Acho que é muita informação para processar de uma vez... Se me der licença. – A garota se retirou cabisbaixa.

– Kimberly? – A garota olhou para trás. – Quando estiver pronta, se quiser compreender a razão de tudo isso... Procure Cordélia e peça que ela lhe conte a história de seu planeta natal.

Kim balançou a cabeça em concordância.

 

***

 

– Simon, vamos brincar de casinha? – Perguntou a garota de cabelos cor de chocolate e olhos ainda mais azuis que o céu.

“Kimberly devia ter uns 7 anos nessa época”, ponderou Ryan enquanto observava uma das lembranças de Simon. O feiticeiro finalmente utilizava um de seus vastos poderes adquiridos por suas runas permanentes gravadas sob sua pele. Oneirocinese, a capacidade de viajar pelos sonhos das pessoas. Sendo muito habilidoso Ryan conseguia com este dom viajar também pelas lembranças mais marcantes de alguém, ativar elas para que aparecessem em sonhos.

– Não! Isso é coisa de garota! – Se indignou o garoto. Kim fez uma careta.

– Então você nunca vai ser pai? – Ela franziu o cenho.

– Claro que vou, quando for mais velho! – Respondeu Simon, teimoso.

– Então por que não pode brincar comigo?

– Já disse é coisa de menina! Meninos não brincam disso.

– E brincam de que? – Levantou a sobrancelhas, cética.

 – De bola, de carrinho, de esportes...

– Ora, eu também brinco dessas coisas e nem por isso sou um menino! Essa é a coisa mais idiota que já ouvi! – Disse Kim indignada e saiu correndo para dentro de casa, deixando Simon plantado no jardim.

O cenário mudou e os dois amigos estavam mais velhos, provavelmente em torno dos 10 anos de idade.

– Deixa de ser medroso, Si! – Disse Kim.

O menino tentava se equilibrar em cima de um par de patins enquanto Kim com a mão na cintura implicava com o amigo.

– Esse troço só pode ter sido feito por idiotas que querem ver os outros caírem! – Exclamou quando novamente ele levara um tombo enquanto Kimberly ria do amigo.

– Deixa de drama, Si! – Kim voltou a gargalhar. – Você só diz isso porque ainda não pegou o jeito da coisa. Eu garanto que quando você estiver correndo por aí em cima desse “troço feito por idiotas” você vai amar! – Ela se aproximou dele com a graciosidade de uma patinadora profissional. – Eu te ajudo! – Kim estendeu a mão. Relutante Simon aceitou o convite.

– Como consegue ser perfeita nisso? Você acabou de colocar essa coisa no pé! – Reclamou o garoto. Kim deu de ombros.

A cena então mudou, estavam apenas um pouco mais velhos.

– Eu não vou brincar com ele! – Disse Simon. Apontando um garoto loiro de cabelos longos.

– Por que não? – Indagou Kim, confusa.

– Ele é esquisito. Veste rosa...

– Qual o problema do rosa? – Interrompeu Kim.

– É cor de menina – Apontou Simon, com ar de superioridade.

– Lá vem você com essa história de “coisas de menino e coisas de menina”. – Reclamou Kimberly, fechando a cara. – Não existe essa história de “cor de menino e cor de menina”. Eu visto azul o tempo todo e nunca ouvi você reclamar. Rosa é uma cor. Azul é uma cor. Ele veste a cor que quiser, é só uma cor!

– Mas, ele também brinca de boneca... – disse em tom de acusação.

– De novo isso! Simon, um dia você vai ser pai, um dia você vai ter uma casa, vai ter que cozinhar ou você acha que só sua mãe que tem que fazer tudo? – Interrompeu Kimberly, ainda indignada. – Meu pai trabalha em casa escrevendo seus livros e minha mãe trabalha fora no hospital, mas os dois cuidam da casa, os dois cozinham, os dois limpam a casa, os dois me levam na escola, os dois fazem as coisas!

– Eu...

– Imagina se minha mãe chega de madrugada em casa super cansada do trabalho e ainda tem que me levar na escola e voltar para limpar a casa, sendo que meu pai teve uma boa noite de sono e pode fazer essas mesmas coisas? – Pergunta a garota de modo superior. – Meus pais dividem as coisas sabe, quando não é um é o outro. – Simon abaixou a cabeça, envergonhado. – Agora, para dessa besteira e vamos brincar. O Jake é legal e isso que você tá dizendo é idiota!

Outra lembrança apareceu e os dois já estavam na adolescência.

– Eu consegui! – Simon exclamava, abraçando Kim. – Entrei pro time!

– Não vai agradecer ninguém? – Kimberly deu um sorriso cínico, Simon franziu o cenho. – Sério que você se esqueceu de quem te ensinou a andar de patins? – Simon e Kim abriram um sorriso conspiratório.

– Como iria me esquecer do dia que levei um tombo a cada 10 segundos enquanto você ria da minha cara. – Ele voltou a abraçá-la, dessa vez a rodando no ar. – Obrigada Cass! Sem você eu jamais entraria pro time de hóquei!

– Simon! Kim! – Chamou um garoto de cabelos negros e olhos verdes com um enorme sorriso no rosto.  

– Colin! Parabéns! – Kim também o abraçou.

– Parabéns cara! Agora somos parceiros de time também! – Os dois garotos fizeram um “high five”.

Então outra memória tomou forma, Kim não participava dela. Mas, o garoto, Colin, estava lá. Os dois estavam no quarto de Simon. O cômodo quase não mudara, as paredes continuavam com tom de azul cobalto, tendo uma delas um papel parede que lembrava um tema náutico. A escrivaninha ainda era mesma de madeira em cor carmesim, a mudança era que tinha um computador em cima ao invés de um notebook. Os pôsteres eram os mesmos, com referências de seus quadrinhos e animes favoritos, é claro que atualmente havia mais.

Colin chorava com as mãos no rosto, sendo consolado por Simon que batia de leve nas costas do amigo.

– Qual o problema, cara?

– Eu... Eu... Eu... – Colin se engasgava tentando formular uma frase. – Eu não... não consigo...

– Não consegue o quê? Pode me contar...

– Não consigo falar...

– Por quê?

– É... É constran... É constrangedor... – Balbuciava Colin.

– Me conta, Colin! – Simon pediu, visivelmente preocupado.

– Eu... Eu gosto... Eu gosto de um... de um cara... – Confessou. Simon franziu o cenho.

Observando a cena, Ryan esperou que Simon recriminasse o amigo visto que em suas outras lembranças ele era... bom, um cretino machista.

– Tudo bem... – disse Simon, devagar.

Ryan ficou boquiaberto, assim como Colin que finalmente tirou as mãos do rosto.

– Você me ouviu? Eu disse que gosto de um cara! De outro homem...

– Não sou surdo, eu ouvi. – Falou com firmeza. – Agora, qual é o problema tão alarmante que tá te fazendo chorar uma cachoeira inteira? O cara não gosta de você? – Ele arregalou os olhos. – Ou ele foi um crápula e fez alguma coisa contra você?

– Não, não, não! Ele não fez nada! – Exclamou Colin, balançando a cabeça. Mas de repente sua expressão ficou pesarosa. – Ele nem sabe que eu gosto dele... na verdade, nem deve saber que eu existo...

– Então essa é o problema, você quer que ele note você? – Perguntou Simon, levantando as sobrancelhas.

– Não! O problema é eu gostar do garoto, de outro homem! – Disse exasperado.

– Isso lá é problema, Colin!? – Simon se levantou, indignado. – Qual o problema de gostar de outro cara?

– As pessoas...

– Dane-se as outras pessoas! Dane-se a sociedade! – Exclamou Simon. – Você não pode deixar que as outras pessoas determinem o que fará você feliz! Você não pode viver com medo de ser quem você é. Não negue o que seu coração sente só porque as outras pessoas dizem que não é certo.

– Mas Simon, é errado...

– Amor é amor! – Interrompeu Simon.

– Se é certo, como dois homens não podem ter filhos...?

– Você tá ouvindo a merda que você tá falando? Vai me dizer agora que adotar um filho é errado? Se um casal hétero pode adotar uma criança e chamar de filho ou filha, por que um casal homossexual, não pode? – Refutou Simon. – E adotar nem sequer é o único modo de um casal ter filhos, existe inseminação artificial e algo chamado “barriga de aluguel”. Então pare de arranjar desculpas esfarrapadas.

– É que...

Simon passou as mãos pelo cabelo e então encarou o amigo nos olhos, o semblante muito sério.

– Colin, você é a única pessoa que está no meio do seu caminho para a felicidade. – Afirmou o amigo. – Você precisa se aceitar! – Exclamou Simon. – Precisa aceitar quem você é, aceitar seus sentimentos, aceitar que você tem o direito de amar qualquer pessoa, aceitar que você não se torna menos homem por gostar de outro homem, aceitar que você merece ser feliz e viver plenamente. 

– Eu tenho... tenho medo...

– Colin, sempre haverá pessoas que vão querer atrapalhar sua vida e meter a colher onde não são chamados. Então, por favor, não facilite o trabalho deles e não deixe de escolher sua própria felicidade por causa da opinião alheia! – Proferiu Simon, firme.

– Eu pensei que você iria me repudiar... – Começou Colin, mas Simon ficou chocado e logo interrompeu o amigo.

– Que tipo de amigo você acha que eu...? – Ele parou no meio da frase e suspirou. – Olha, houve um tempo que eu pensava como você: que esse tipo de sentimento era errado e tudo isso, eu até recriminava outros garotos por usar rosa e brincar de boneca ou ter o cabelo longo... – Ele levou às mãos a cabeça e fechou os olhos de modo pesaroso. – Eu era nas palavras da Kim “um idiota”. Minha amizade com ela me ensinou muitas lições de moral e por isso que agora eu vou repetir o que ela sempre me dizia quando eu falava alguma merda machista e hipócrita: “Você é um idiota, pare de pensar essas besteiras”. – Ele então sorriu. – Agora, você vai me contar quem é esse cara?

E então pela primeira vez Colin sorriu.

A cena se modificou novamente. Simon e Kim estavam numa festa e dançavam uma valsa. “O baile de debutante da Kim, suponho”, pensou Ryan. O sorriso radiante no rosto dos dois e os olhares trocados e a expressão de que não havia ninguém além deles no salão lotado deixava claro que um sentimento maior que a amizade havia nascido entre os dois, embora os próprios não percebessem. Kimberly usava um vestido longo e acinturado de um tom rosa claro que a igualava a uma princesa de contos de fadas, enquanto Simon, para o espanto de Ryan, trajava um terno azul marinho com a gravata e a flor nas mesmas cores do traje de Kim.

“Muito bem, está na hora de acabar com os planos daquela fênix traidora”, pensou Ryan, enquanto pegava seu Marcador de Runas e traçava um desenho no ar, ao terminar linhas de energia no tom de azul meia-noite pareciam formar uma imagem semelhante a um apanhador de sonhos, e com um movimento suave de suas mãos a Runa feita pelo feiticeiro começou a vibrar e capturar ondas de luz azuladas. “Ótimo! Com estas lembranças eu posso entrar no subconsciente de Kimberly e fazê-la sonhar com elas, fazê-la pensar que as suas memórias voltaram. Só preciso torcer para que a resistência mágica da garota não perceba minha presença em sua mente... pelo visto terei que concentrar mais energia para realizar o feitiço, além de selecionar as lembranças em que ela aparece...”, elaborava Ryan. “Amor Verdadeiro, uma ova! Vou acabar com o teatro barato de Demétrius, as emoções desse idiota estão atrapalhando os planos do Imperador”.


Notas Finais


Quem gostou do Simon e Kim feministas? Animados para mais lembranças entre esses dois?


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