História A Pousada - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Pousada
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Palavras 3.411
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Sobrenatural, Survival, Terror e Horror
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem e desculpe pelos prováveis erros.

Obs: os nomes encontrados aqui são todos fictícios, sendo o nome da pousada, cidade, aeroporto e etc. Alguns foram traduzidos de palavras em Latim.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction A Pousada - Capítulo 1 - Capítulo Único


Sarah e Petter levavam suas vidas tranquilas, um casal jovem. Estavam para comemorar seu aniversário de 3 anos de casamento, haviam concordado de ir passar suas pequenas férias em Amissa, uma pequena porém, convidativa cidade de Finis, aonde se conheceram há alguns anos atrás.

Os dias passaram-se com certa lentidão desde a decisão do casal, até o tão almejado dia, ou talvez fosse, simplesmente, a ansiedade vinda de ambas as partes. Pegaram o avião e em algumas horas já desembarcavam no aeroporto de Sally. O táxi levou-os até uma antiga pousada, Saply, ficariam por ali, já que o lugar trazia boas memórias.

—Sejam bem vindos! -sorriu uma senhora, cerca de 57 anos. Tinha uma áurea gentil, ou apenas desejava o dinheiro dos jovens mesmo. Petter retribuiu o sorriso, já sua esposa encontrava-se do outro lado da pequena recepção, observava o jardim praticamente morto através do vidro embaçado da velha janela.

—Obrigado. -agradeceu o homem, pegando as chaves da porta. Chamou a atenção de Sarah e juntos subiram as escadas até o segundo piso. —Quarto 6. -afirmou o mesmo, puxando a mala. O chão ringia, deixando claro que aquele lugar, já tinha lá, seus muitos anos de existência.

—Estou cansada. -Sarah pronunciava-se enquanto observava também o corredor silencioso daquele andar. Um frio desconfortável percorreu seu corpo. —Nossa…- sussurrou para si mesma, fazendo Petter encará-la e perguntar se estava tudo bem. Apenas assentiu e adentrou a porta de seu quarto, assim a fechando logo. Seu marido deixou uma das malas sobre a cama de casal e a abriu, tirando algumas peças de roupas, ela apenas caminhou até as janelas e abriu as cortinas da mesma, já que o quarto possuía pouca iluminação.

Sarah desfez sua mala, tirou um pequeno retrato de dentro da mesma e o colocou sobre o bidê. Pegou o restante de suas coisas e colocou-as em seus devidos lugares. Logo após fez o mesmo com suas roupas, caminhou até o guarda-roupa, se deparando com uma boneca com cerca de 40 centímetros. A tirou dali e colocou de pé no canto da parede.

—Uma boneca? - questionou Patter sobre algo óbvio.

—Depois levo-a à recepção, deve ter sido esquecida por algum hóspede. Vou tomar banho. -falou simples e caminhou para o banheiro com sua toalhas em mãos.

[…]

Saiu e se enrolou na toalha, quando ouviu um som vindo do quarto, algo tinha caído, chamou por seu marido, mas o mesmo não respondeu. A mulher estava com uma sensação desconfortável, talvez não estivesse acostumada com o lugar, já que algumas coisas eram estranhas ali. Girou a maçaneta da porta e saiu do banheiro, se assustando quando notou que a boneca já não se encontrava mais aonde havia a deixado e seu pequeno retrato estava caído no chão, quebrado. Caminhou até a porta e abriu com esperança de que Petter estivesse no corredor e explicasse aquilo, mas a única alma viva por ali era uma criança de mais ou menos sete anos, usava um vestido que ia até o joelho, cor preta, igualmente suas sapatilhas, meias brancas e uma tiara da mesma cor, estava pulando entre os vãos de cada listra no carpete do chão, parou e encarou Sarah, tinha uma expressão insondável, olhos vazios. —O-olá. -sorriu a mais velha demonstrando educação, mas não é retribuida pela criança, que se virou rapidamente e correu para uma parte ainda menos iluminada. Sarah fechou sua porta e foi logo vestir-se, após tal feito, pegou os restos do antigo porta-retrato e guardou a imagem aonde eram ela e seu amor, Petter. Não pôde conter o sorriso ao lembrar. Mas, um aperto invadiu seu peito, arrancando lágrimas da mulher, estava confusa, sequer sabia o motivo, talvez fosse tanta felicidade que pouco cabia dentro de si à ponto de transbordar por seus olhos castanhos. Após alguns minutos, voltou a si e pegou a boneca para levá-la à recepção.

Procurou pela senhora que era dona do lugar, até encontrá-la no quintal.

—Ei! -chamou. -Essa boneca estava no quarto aonde eu e meu marido estamos hospedados. -deixou a boneca sobre um pequeno banco. —Creio que seja de algum cliente passado. -quando Sarah terminou a frase, ficou intrincada com a expressão da senhora. Estava notavelmente assustada, Sarah se agachou um pouco para ficar parelha à ela, iria falar algo, mas a velha afastou-se imediatamente pedindo desculpas, saiu andando e levou o brinquedo consigo. —Que estranha…- respirou fundo.

[...]

—Amor, hoje quando você quebrou nosso retrato, o que estava fazendo? -perguntou a mulher.

—Uh? -Petter encarou-a sem entender.

—Sim, o retrato. -apontou para a imagem só sobre o bidê.

—Mas, quando eu sai para comprar comida ainda estava ali. -respondeu dando logo em seguida uma mordida em seu lanche, sem tirar a atenção da TV. Sarah ficou em silêncio, cabisbaixa também. —Coma antes que fique frio. -sorrio ao notar o quão calada ela estava. —Amanhã iremos ao centro da cidade, com esse clima vai ser ótimo para passear. Não acha? -perguntou demonstrando entusiasmo.

—Claro..-sua voz soou fraca. Sarah estava confusa, mas se falasse sobre isso com o marido, estragaria totalmente aquilo que haviam planejado durante meses, e isso era algo que ela não queria. Talvez fosse algo de sua cabeça, já que a mesma tinha uma imaginação fértil.

As horas passaram-se e a noite já havia caído. O casal dormia tranquilamente, tiveram uma viajem longa e estavam cansados, precisavam ficar dispostos para o dia seguinte, já que tinham tantos planos para aquelas férias.

Eram 3:00 da madrugada quando Sarah ouviu o som das batidas na porta de seu quarto. Levantou-se para verificar quem era, seus olhos percorreram o local, mas não avistou ninguém, apenas uma boneca no canto da porta, automaticamente sussurrou: —Ei! Quem largou você aí..? -se agachou para pegar a boneca, adentrou o quarto novamente e deixou a mesma em uma cadeira, muitas dúvidas rondavam sua mente. Foi até a cama e se sentou com cuidado para não acordar Petter. Ficou a observar o brinquedo enquanto se perguntava quem a deixou ali e o porquê de tal ato, logo a garotinha veio em sua mente, mas o que uma criança faria no corredor àquele horário. Sarah pegou no sono em meio às perguntas.

***

A mulher abriu seus olhos e a única coisa que enxergava era uma imensa escuridão. Ouvia de longe passos e um choro baixo. Alguém chamava por seu nome.

—Sarah! Sarah! -era uma voz infantil, a qual carregava desespero em seu timbre. —Me ajude, Sarah…

***

Aquela foi a última frase que ouviu antes de despertar de seu sonho, olhou para lado vendo que seu marido ainda dormia. Calçou sua pantufa e seu penhoar, pegou a boneca em mãos, quando uma brisa forte adentrou a janela que até então ela não sabia que estava aberta, caminhou até lá olhou para fora tendo a vista da parte externa daquela pousada. Baixou seu olhar até o mesmo encontrar uma mulher, ela estava parada ali, simplesmente parada encarando Sarah, que fechou os vidros e logo em seguida as cortinas. Soltou o ar dos pulmões que sequer sabia que prendia e saiu do quarto, indo até a recepção encontrando a senhora que a recebeu com um sorriso gentil.

—Está precisando de algo, filha? Pois, está muito cedo. -falou a velha.

—Está boneca estava em minha porta, acho que a garotinha deixou lá. -sorriu mostrando o brinquedo.

—N-não, querida. Não temos crianças hospedadas aqui. -sua expressão já não era mais a mesma, estava espantada.

—Mas, eu a vi brincando no corredor ontem, usava um vestido preto, sapatilhas e uma tiara. -arqueou uma de suas sobrancelhas observando o semblante da senhora.

A mais velha ia pronunciar-se, mas é interrompida por alguém chamando Sarah. Ambas olharam para a escada notando a presença de Petter. —Aí está você! -exclamou. —Daqui a pouco iremos sair, você não iria me fazer uma surpresa? -soltou um sorriso radiante e subiu novamente as escadas indo para o seu quarto.

—Hmm... irá fazer fazer uma surpresa para o seu marido? -notavelmente a mulher desviava do assunto.

—Sim, contarei a ele que será pai.

—Que ótimo, filha. -sorriu demonstrando interesse. Sarah logo notou.

—Enfim, aqui está. -largou a boneca sobre o balcão e subiu para se arrumar.

[…]

O casal estava no mesmo lugar de três anos atrás, um restaurante. Petter estava inquieto, talvez ansioso para a surpresa que Sarah tinha lhe prometido dias antes da viagem.

—Petter, você será pai. -Sarah sabia que esse era um de seus sonhos e planos, não encontraria momento melhor para notificá-lo sobre.

O resto do dia foi uma grande alegria, tanto para ele como para ela. Comemoraram visitando os lugares mais atrativos da cidade. Mas, infelizmente a noite caiu e não era seguro andar pelas ruas, então voltaram à pousada. Mesmo com o dia cheio que tiveram, Sarah não deixou de pensar no acontecimento da noite passada, não sabendo se contaria para o marido ou não.

[…]

Por volta de 00:00 a mulher desperta com mais uma batida na porta. Ao abriu se deparou com a mesma mulher que avistou da janela.

—Está precisando de algo? -questionou um pouco desconfiada. Não recebeu uma resposta oral, apenas um gesto de afirmação com a cabeça. —No que posso lhe ajudar? -voltou a perguntar. A mulher de longos cabelos castanhos apenas ergueu sua mão e apontou para a janela que tinha no quarto do casal, a mesma que dava a vista dos fundos da pousada. Em seguida Petter acorda assustado notando que Sarah não estava ao seu lado.

—Sarah? -chamou seu marido tendo a atenção da esposa e ao voltar seu olhar para a porta viu que a mulher já não estava mais ali. Se espantou e fechou-a rapidamente e correu para a cama.

—Petter, precisamos conversar. -falou com uma voz falha, seu rosto estava pálido.

Assim, contou tudo ao seu marido, que demorou acreditar, levando em conta o nervosismo da recente gravidez dela e também sua imaginação fértil.

—Calma, amor...se quiser, podemos ir embora ao amanhecer, não quero que você fique ruim ou isso irá afetar nosso filho. -levou suas mãos até os cabelos de Sarah, acariciando tentando lhe passar conforto.

—Não posso, Petter, sinto que alguém precisa de mim.. -afirmou ela deitando-se sobre o peito do mesmo. Depois de algumas horas seu marido pegou no sono, mas diferente dele, Sarah permaneceu acordada.

Sentiu vontade de beber algo. Saiu do quarto, descendo até a cozinha, abriu a geladeira para pegar o leite, queria se acalmar de alguma forma e acreditava que aquilo ajudaria. Ao fechar a porta da geladeira, se deparou novamente com a silhueta de mesma mulher de algumas horas atrás. Automaticamente recuou para dois passos, deixando a caixa que tinha em mãos em cima do balcão. —Você de novo... -sussurrou olhando para ela. —Sinto que quer algo... -a mulher continuava em silêncio, apenas assentindo. Chamou Sarah com um simples gesto, a jovem ficou um pouco receosa de acompanhá-la mas o fez. Ao chegar no local, se deparou com alguns papéis caído no chão. A mulher apontava para uma pasta, Sarah pegou-a e sentou-se no chão para ler, ficando assustada com o que via. Havia uma ficha aonde constatava o nome dos verdadeiros donos da pousada. Olhou para a foto do registro, notando que era a mesma moça que aparecia para ela. Vasculhava mais alguns papeis quando achou uma fotografia, era a foto de uma família, a mesma criança, a mulher e um outro homem no qual não havia visto por ali. Nisso Sarah ouve um barulho, iria virar-se mas sentiu um pano em seu rosto, e uma voz que dizia: —Você não deveria ter se metido aonde não é chamada. Mas, aconteceria de qualquer jeito.

[..]

—Petter! -a voz infantil invadiu a mente do homem que antes dormia. Estava ofegante e assustado, piorou ainda mais quando viu que Sarah não encontrava-se ao seu lado. Correu ao banheiro para ver se a mesma estava ali, mas não a encontrou. Lavou seu rosto na pia, ao levantar viu algo escrito no espelho. "Ajude-as, Petter.", o rapaz correu para fora do quarto indo até a recepção. —A senhora viu minha esposa? -perguntou assustado.

—Ah, sim, saiu hoje cedo. Não disse aonde iria. -respondeu com cinismo. Petter não se convencendo foi novamente para o quarto, ligou para a mulher, mas o celular da mesma estava dentro de sua bolsa, duas coisas que ela não saia sem.

***

Elizabeth, a falsa dona da pousada saiu dali e deu a volta em torno da casa, sempre olhando para os lados esperando que ninguém aparecesse. Levava consigo uma chave antiga, a qual abriria o porão. Ao entrar se deparou com Sarah acordada, mas ainda pressa e aparentemente zonza por conta do remédio. —Acordou, filha. -sorriu cinicamente.

—Solte-me ou irei gritar. -ameaçou.

—Grite, grite à vontade. Ninguém irá lhe escutar daqui. -a velha riu, uma risada amedrontadora. As lágrimas tomaram conta do rosto da jovem, olhou para a menina deitada a poucos metros de distância se perguntando o porquê de estarem ali.

—Petter irá nos encontrar! -gritou em prantos.

—Não vai! Vou dar um jeito nele assim como dei no pai de Alice. -falou olhando para a garotinha. —E também, assim que nosso bebê nascer, não precisarei mais dela, assim como de você. -sorriu novamente.

—As pessoas que estão aqui irão estranhar! -retrucou.

—Pessoas? -perguntou rindo. —Já estão mortos, garota ingênua. - caminhou até uma mesa. —Vamos tomar seu remédio, minha querida. Não queremos que algo aconteça à minha nova filha, não é?

—Ele não será seu! Sua velha maluca! -falou assustada quando a mesma se aproxima dela, a obrigando novamente engolir o remédio.

[…]

As horas passaram-se e Petter continuou em seu quarto esperando que sua esposa voltasse, mas nada da mesma aparecer. Ouviu sons no corredor e correu imediatamente, a porta atrás de si fechou-se com força. As luzes desligavam e acendiam a todo momento. Olhou para o fundo, lá estava uma garotinha, usava a mesma roupa descrita por Sarah, estava com a mesma boneca nos braços. Logo lembrou-se de tudo o que a esposa contou, falando que precisava ajudar alguém.

—Venha, Petter. -o rapaz logo viu que era a mesma voz que havia sussurrado em seu ouvido. —Você precisa ajudá-las. -afirmou a garotinha caminhando e fazendo sinal para que ele a seguisse. Sem pensar duas vezes ele o fez. Ao andar em direção à menina, via que as paredes daquele corredor choravam sangue, junto aos gritos, choros e pedidos de ajuda que vinham dos quartos. Saiu do corredor avistando a mesma menina no final da escada, desceu rapidamente, e ela o levou até a porta do porão no lado de fora da casa. Tentou abrir, mas estava trancada, procurou por algo e encontrou uma pá, batendo várias vezes na fechadura até conseguir quebrá-la, largou o objeto e adentrou o porão, vendo Sarah amarrada próximo de uma uma outra criança.

—Amor! -exclamou indo à sua direção e tentando desamarrar suas mãos.

***

Já estava na hora do jantar, Elizabeth precisava alimentar a mulher e também dar seu remédio para mantê-la apagada por mais tempo, assim como a menina. Ao se aproximar viu que a porta do porão estava aberta. Largou a bandeja e pegou a pá, entrando com cuidado para não fazer barulho. Enquanto isso, Petter desmarrava os braços de Sarah, que começou a se debater tentando avisar o marido sobre a presença da maldita velha.

A jovem chorava, mas o mesmo tentava acalmá-la dizendo que iria ficar tudo bem. O homem se virou rapidamente quando ouviu um som atrás de si, se afastou de Sarah e avançou na senhora, a empurrando e fazendo a mesma cair e levando consigo o lampião ao chão, ele se virou novamente para terminar de libertar Sarah e assim que conseguiu, foi acertado na cabeça, a velha não tinha apagado como pensava. Com golpes consecutivos, acertou seu pescoço a ponto de decepa-lo.

Após ver que seu marido estava morto, a moça entrou em desespero, correu para o lado da garotinha que já não dormia mais. —Minha amiguinha! Minha amiguinha! -Alice gritava para uma parte que o fogo já estava quase a queimar. A pequena correu e pegou a boneca.

—Vocês não vão escapar! -gritou a velha pegando o pé de Sarah enquanto a mesma tentava subir. —Me solte - Sarah a empurrou com força e voltou a correr em direção à saída, mas estava ainda muito zonza, acabou sendo guiada por Alice. Elizabeth iria segui-la, mas ouviu ser chamada por alguém familiar.

—Mamãe! Venha, mamãe! -uma doce voz invadiu seus ouvidos, a fazendo olhar para trás. Era a mesma menina que ajudou Petter, ela sorria amavelmente para Elizabeth, uma parte sua negava ir. —Vamos, mamãe. Vamos acabar isso. Fique comigo, mamãe! -o espírito de Mary a chamava convencendo ela a se aproximar do fogo.

***

Sarah e Alice já estavam do lado de fora do porão. A mulher pegou um pedaço de madeira, e colocou contra a porta, impedindo que fosse aberta pelo lado de dentro. Puxou a menina consigo até tomar uma boa distância da casa, de longe conseguia ver o fogo se alastrar, tomando conta do que antes era a pousada.

A mulher chorava abraçada na criança que abraçava a boneca. Sarah se afastou e encarou o brinquedo. —É sua? -perguntou recebendo um não como resposta. —Era de minha amiguinha, ela falou para mim cuidar e mostrar o segredo pra você. Mary era a única que ia brincar comigo naquele quarto, mas sempre que aquela senhora aparecia, ela ia embora. -afirmou cabisbaixa, apesar de tudo, Alice ainda era uma criança ingênua.

—Do que está falando?

—O diário. -Alice sorriu sacudindo a boneca, foi quando a mulher notou um som vindo da mesma, a pegou revirando de um lado para o outro até encontrar uma parte dela que tinha uma pequena abertura, dali tirou um objeto pequeno, notava-se que já era velho. Estranhou, mas logo decidiu abri-lo.

"Elizabeth contava como um desabafo através de uma carta antiga que após a morte de sua filha, causada pela própria mãe em um maldito acidente, a fazia ter alucinações e estava perdendo o juízo a cada dia que passava. Até mesmo procurou por ajuda, mas ninguém deu atenção à mulher. Ano após ano, sua situação piorou, não conseguia segurar-se em certas situações. Decidiu se mudar para longe, talvez a distância a ajudaria, mas nada adiantou, após chegar na atual pousada Saply, deu início a assassinatos, não queria aquilo, mas nem mesmo ela conseguia dar um fim. Uma de suas últimas vítimas depois de anos foi a herdeira da verdadeira dona da pousada. Sequestrou a mulher, matou seu marido, sua filha mais velha e no fim descobriu que a moça estava grávida de um menino, dando um fim a ele também. Por fim, chegou minha vez, sou a mãe de Alice e estou aqui desde que estava grávida de três meses, agora aos nove meses de gestação, sei que meu tempo acabará. Tenho medo do que acontecerá com a minha bebê ao completar sete anos, assim como as outras crianças.

Elizabeth não irá parar até que alguém descubra, e rezo para que isso não demore muito." -Sarah lia com atenção a carta que encontrou dentro do pequeno diário, aquilo não era nem mesmo metade dos segredos que estavam sendo guardados até o momento. Mas, Sarah não sabia ao certo se aquele era um bom momento para parar e ler, estava assustada, triste, confusa, entre outros sentimentos ruins que a atormentavam.

As almas de todos que foram mortos naquele lugar, giravam e grunhiam em torno da pousada, ou o que restava dela em meio ao fogo. De longe, Sarah conseguia enxergar a mesma mulher dos registros, estava com a sua família, a mesma da foto, e o sorriso em seus rostos indicava que agora poderiam ter seu tão desejado descanso.

[…]

Muitos trataram o acontecimento na velha pousada Saply como apenas um acidente, mesmo que relatado pela mulher, nada foi dado como verdade. Alice e Sarah seguiram um tratamento rigoroso para amenizar tudo o que passaram, mesmo sendo impossível, afinal, ninguém poderia arrancar aquelas memórias de ambas, ou talvez não de Sarah, já que Alice era apenas uma criança. A mulher lutou pela guarda da menina até conseguir. Nove meses depois, nasceu o fruto de seu único amor, Petter, o rapaz que morreu salvando-a. Um menino lindo e saudável, cujo herdou o mesmo nome do pai, talvez como uma homenagem.

Sarah nunca chegou a ler o diário, ainda não estava preparada para aquilo. Mesmo sabendo que um dia aconteceria, por bem ou mal. E a boneca, bom, ela continuava ali, sentada em uma cadeira no novo quarto da menina, observando e talvez, cuidando de Alice e do pequeno Petter.


Notas Finais


É isso. Tchau! ^^


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