História A Princesa dos Dois Mundos - Capítulo 17


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Categorias As Crônicas de Bane, As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais
Personagens Agramon, Alexander "Alec" Lightwood, Aline Penhallow, Asmodeus, Catarina Loss, Céline Herondale, Church, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Ithuriel, Jace Herondale (Jace Wayland), Jonathan Christopher Morgenstern, Lady Camille Belcourt, Lilith, Madame Dorothea, Magnus Bane, Maia Roberts, Maryse Lightwood, Personagens Originais, Rainha Seelie, Raziel, Simon Lewis, Stephen Herondale, Tessa Gray, Valentim Morgenstern
Tags Alec Lightwood, As Crônicas De Bane, As Peças Infernais, Clace, Magnus Bane, Malec, Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters, Sizzy
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Palavras 2.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - A Criança Noturna


Fanfic / Fanfiction A Princesa dos Dois Mundos - Capítulo 17 - A Criança Noturna

Liliana Agnes Frey. 

Paris, 1975.

-Lili! - chamava o Irmão mais novo - Venha aqui! 

- Já estou indo.

O fato de Lilian morar em um campo reduzia seu amigos de um grupo de meninas e meninos, para apenas o Irmão mais novo. Ela balançou os cabelos ruivos e saiu andando. A mãe estava lavando as roupas no pequeno córrego que passava perto da casa, córrego esse na qual Lilian ficava o dia inteiro brincando nele, junto com o irmão. Lian e Lilian eram muito parecidos, mesmos cabelos vermelhos e olhos prateados, sardas marcando o rosto e as bochechas, naturalmente rosadas. Lian era mais novo que ela apenas 2 anos, tendo ela 10 e ele 8. Eram inseparáveis, como se o coração de um batesse no peito do outro. 

O pai só chegava tarde, no pôr do sol, sendo recebido pelos filhos correndo e o abraçando, contando histórias e ao anoitecer, eles sentavam na mesa e jantavam em completa harmonia. Uma família perfeita, aos olhos de Lilian. 

Era noite, todos se arrumando para dormir, a mãe arrumando os lençóis de Lili e Lian esperando que a mulher fizesse o mesmo com ele. Ela penteou os cabelos longos da filha e ela deitou para dormir. Lian correu para a cozinha, então, algo foi derrubado.

- Lian - disse a mulher - Já disse que não é pra você correr pela casa. O que derrubou dessa vez?

- O pote de óleo - falou de cabeça baixa, o óleo descia pela casa irregular e sujava a ponta da cortina perto da janela, fazendo a mãe suspirar. 

- Tudo bem, mocinho - respondeu com as mãos na cintura - Vá dormir, já! Arrumo isso amanhã. 

Mais do que depressa Lian correu para o quarto se jogando nas cobertas arrancando risos de Lilian. 

O quarto dos pais ficava mais nos fundos da casa, depois da cozinha. O dos filhos ficava mais perto da saída. A única janela, na sala, trancada. 

Lilian acordou, a garganta doía pela sede, o corpo pesado. Nunca teve medo do escuro, cresceu nele, se acostumou á sair por aí no meio da noite sem lua. Levantou, sentindo o corpo pesar pelo sono, pegou uma vela e acendeu rapidamente. Jogou os longos cabelos para trás e foi na direção da cozinha. 

Colocou a vela na pequena mesa e se abaixou para pegar um copo. Segurou o copo na mão e levantou, os ombros bateram na mesa fazendo um barulho e a vela caiu. A chama encostou na trilha de óleo que dividia a cozinha em duas partes: a do quarto dos pais e a do quarto do Irmão.

Rapidamente, o fogo começou à se espalhar até as cortinas formando uma espécie de parede. Sem energia para gritar, Lilian correu na direção do quarto do Irmão, a fumaça entrando por suas narinas.

- Lian! - chamou - Lian, acorde! Lian! 

O menino abriu os olhos devagar, vendo a casa mais iluminada que o normal. 

- Já amanheceu? - perguntou sonolento.

- Temos que sair daqui! - ouviram um grito vindo do quarto dos pais - Mamãe! - correu - MÃE! 

Viu uma parede de fogo na sua frente, dividindo a cozinha em duas, a maçaneta da porta do quarto dos pais se movia de um lado pro outro freneticamente. 

Faziam alguns dias que a maçaneta estava dando problema, demorava muito para abrir ou ficava rangendo demais. Naquele dia, a maçaneta não abriu. 

Mais gritos. Lilian não podia passar, bloqueada pelo rio de fogo na sua frente. A fumaça sufocando-a e ela lembrou, Lian tinha uma saúde extremamente frágil. Ouviu a tosse do menino, tendo de escolher entre os pais e o Irmão.

- Lilian! - ouviu o pai gritar antes de dar um passo para frente para tentar abrir a porta - Pegue Lian e corra! - o ouviu tossir - VÁ! 

Virou-se e correu atrás de Lian. Encontrou o menino chorando e tossindo encolhido no chão, segurou seu braço e puxou, vendo o fogo se aproximar, forçou a porta e abriu saindo para o mais longe possível. 

Caiu na grama, exausta, Lian fez a mesma coisa, ainda tossindo. Ela olhou para trás, a sua casa agora em chamas, apertou o Irmão contra o peito na tentativa de protegê-lo daquela realidade. 

Ela andou pelas ruas de Paris sem rumo, perdida e o Irmão começava á tossir sem parar, quando ele caiu doente, uma freira a encontrou, na beira da morte e o Irmão doente. 

Ela passou um certo tempo na igreja, ajudando o Lian, porém, depois de 1 mês, ele morreu. 


***********

Lilian sentiu seu coração se quebrar em pedaços e cada um desses pedaços se transformou em cinzas. Sua família perfeita, agora em ruínas, por culpa dela.

Se fechou no próprio mundo, os desenhos que antes eram de belos lugares e da própria família, viraram riscos bizarros e sem cores. Aos 12 anos, vivia apenas porque se sentia obrigada. Foi apenas aos 13 anos que ela, finalmente, saiu do quarto e foi na feira com uma freira. Tudo parecia tão cinzento quanto seu quarto, até seu olhar parar numa garota, cheia de cores. 

A garota tinha cabelos tão pretos e olhos tão amarelados, âmbar, que ficou hipnotizada pelo seu olhar. 

- Oi - Ela disse, Lilian piscou várias vezes para se situar - Sou Alice. - a resposta da outra foi o silêncio. - E você é...?

- Lilian - disse apressada - Meu nome é Lilian!

- Prazer. - olhou Lili da cabeça aos pés - Eu faço trabalho voluntário na igreja. Já te vi por lá, mas nunca saiu do quarto.

- Bem. Passei muito tempo dentro do quarto.

- Posso saber por quê? - as duas começaram á andar lado à lado - ou é pessoal? 

- Hm, pessoal.

Alice sorriu e Lilian, por instinto, repetiu o gesto. A sensação estranha de que uma roda gigante estava em seu estômago, uma alegria súbita, como se isso tudo iluminasse seu mundo negro.

- Tudo bem - respondeu rindo - Vim com meu namorado, Noah. - o sorriso de Lilian se desfez - ele queria conhecer o lugar. 

- Oh! Seu namorado? - fingiu estar em dúvida.

- Sim, ele é tão ciumento. 

Lilian tentou manter a postura, ela tinha namorado. Escondeu o fato de seu mundo ter voltado à ser negro e seu sorriso se tornar forçado e falso. 

Quando chegaram na porta do convento, pararam.

- Espero que saia do quarto mais vezes Lilian. 

- Igualmente, Alice. 

Por 3 meses, todos os dias, Lilian saía da cama e ía pra feira, todos os dias encontrava Alice e às vezes, Noah.

3 meses que ela achou uma eternidade, porém acabou gostando, fez alguns amigos, voltou à sorrir, à desenhar e agir como uma garota normal, mas Alice não saía de sua cabeça. 

Uma noite, Alice apareceu chorando na porta do convento, a chuva molhando os cabelos pretos da menina e seus olhos como oceanos. Lilian não sabia diferenciar o que eram lágrimas e gotas d'água escorregando pelo rosto macio da outra, mas sabia, pelo leve soluço, que ela chorava. 

Rapidamente, as duas entraram e seguiram até o quarto de Lili. 

- O Noah... - mal conseguia falar pelo choro - me ameaçou. 

- o que houve? 

- Nós brigamos e... ele disse que me mataria se eu saísse pela porta. 

Lilian segurou o ar. 

- E aqui estou - cobriu o rosto com as mãos. - o que eu faço? 

Depoisde muita conversa, Alice parou de chorar, Lilian acabou vendo toda a cor novamente. Agora, Lilian fazia algo que faziam mais de anos que não fazia. Estava cantando. 

I went too far when I was begging on my knees

Begging for your arms, for you to hold them around me

I went too far and kissed the ground beneath your feet

Waiting for your love, waiting for our eyes to meet

A voz leve saía de modo afinado, fazendo Alice ficar hipnotizada. 

Crying, give me some love, give me some love and hold me

Give me some love and hold me tight

Why can't I turn around and walk away?

I had to turn around and walk away

I couldn't stay, I had to walk away

Quando olhou novamente, Alice tentava acompanhar o ritmo, e então, estavam tão proximas que sentiam o calor do corpo uma da outra.

Lilian sentiu os lábios macios de Alice encostarem nos seus, espalhando uma onda de choque por todo o seu corpo. Alice aprofundou o beijo e sentiu os dedos da ruiva em seus cabelos e fez o mesmo naqueles cabelos cor de fogo.

Sentiu seu coração explodir completamente. Sentiu-se viva como nunca, como se tudo o que viveu até agora fosse um pesadelo e agora, ela estava acordada. Sentiu o corpo esquentar e estremecer. 

Aos poucos, Alice empurrou Lilian paraa cama, até estar por cima dela, sem quebrar o beijo. Quando sentiu a mão da outra apertar sua coxa, as batidas na porta ecoaram. 

- Lilian, querida - a freira do outro lado da porta falou - tem um rapaz querendo falar com a sua amiga. 

- Quer ir ou digo pra deixar pra lá? - perguntou erguendo uma sobrancelha. 

- Por mim, eu ignorava. 

- ok - elevou a voz - Diga pra ele ir. Alice não quer falar com ele.

- Certo - ouviu a freira responder e os passos sumindo pelo corredor. 

Não, elas não transaram. Apenas aproveitaram o momento.

Lilian acordou, ainda era madrugada, tinha revezado entre beijar Alice e conversar. Quando olhou ao lado, a outra também dormia. Sentou-se na cama e amarrou o cabelo. Alice acordou assustada, olhando a ruiva com os olhos arregalados. 

- Que horas são? -perguntou. 

- 3 da manhã. 

- Ai meu Deus - levantou correndo e arrumando o cabelo - Tenho que ir pra casa. 

- por que?

- Meus pais viajaram, fiquei com uma prima minha, bem, ela me ajuda à dar essas escapadas, mas meus pais voltam hoje. Às 6 da manhã! 

- Temos tempo - disse manhosa 

- Eu tenho que ir.

Deu um beijo rápido na ruiva.

- e Noah?

- dane-se o Noah. 

Saiu fechando a porta.


***********

Os dias que se passaram foram os melhores da vida de Lilian, tinha pedido Alice em namoro e recebido um "sim" como resposta. Noah desapareceu do mapa, até onde elas sabiam. 

Alice adorava brincar com os cabelos grandes de Lili, dizia que a cor lembrava o sol. 

Um dia, estava indo pra casade Alice, andando devagar com um sorriso no rosto, não se importando com a chuva que caía e o vento que tentava fazer seu guarda chuva voar. 

Estava andando por uma rua deserta e escura, tinha uma sensação de que algo ruim aconteceria. Sentiu o frio aumentando cada vez mais, até chegar nos seus ossos. Sombras cruzavam seu caminho, sendo ignoradas por ela. 

- Você  - ouviu uma voz vindo da escuridão, mais alta que os pingos de chuva - Você causou isso! - rosnou.

- Quem... - antes de falar algo mais, a sombra voou em sua direção.

Ela foi jogada no chão, batendo as costas na água fria. Ele atacava como um animal selvagem, com unhas e dentes (literalmente), arranhou sua bochecha e bateu sua cabeça contra o chão. Assim que teve tempo para olhar para ele... Noah? O "namorado" de Alice? 

Algo estava errado. A pele de Noah estava pálida como a pele de um cadáver, as unhas como as unhas de um animal e os caninos enormes. A primeira coisa que ela pensou foi: "vampiro?" 

Quando se deu conta, o rapaz se inclinou e ela sentiu os enormes caninos em seu pescoço. Uma dor súbita se espalhou pelo seu corpo, então ela apagou. 


3 anos depois: 

Lilian andava pelo cemitério em silêncio, segurando uma rosa. A roupa preta contrastava o cabelo e pele branca, que antes não possuía. A pele era bronzeada e as bochechas rosadas e sardas pelo corpo. O cabelo longo ruivo, agora curto e branco. No dia que Noah mordeu ela, Lilian acabou se tornando uma vampira e, acidentalmente, mordeu Alice e a moça não sobreviveu. 

Durante 3 anos, seu crescimento ocorreu normalmente, até de modo acelerado. Aos 16, parecia ter 19, os quadris avantajados e seios médios combinados com a cintura fina. A pele, antes bronzeada, agora pálida e fria, as sardas que antes enfeitavam seu rosto, agora eram marrons e cinzas. Seu cabelo vermelho fazia ela lembrar do Irmão e de Alice. Alice que adorava cheirar e fazer carinho naquele mar laranja. O Irmão que morrera doente por sua lentidão. Os pais em cinzas no chão. 

Ela segurou a tesoura e cortou, vendo eles caírem na pia, os pintou de branco e tentou uma nova vida, já que a sua fora arruinada aos 10 anos. 

Ela colocou a rosa no túmulo de Alice e se afastou colocando os cabelos platinados atrás da orelha. 






Notas Finais


Música:
I went too far. - Aurora


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