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História A princesa rebelde - Capítulo 10


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Notas do Autor


Ok.. eu sei que sumi.
como tá a quarentena de vcs?

Capítulo 10 - Capítulo Dez


Xayah

༺༻

Após belas horas – quase um dia inteiro – de caminhada, chegamos no abrigo. Fui recebida com euforia. Mas, bem menos do que antes, maior parte das garotas preferiu dirigir sua atenção ao Rakan. Talvez isso tenha me proporcionado um pouco de paz, já que eu não tive que responder tantas perguntas.

Estava completamente exausta. Sem contar que minha coxa ainda doía um pouco devido a flecha que a perfurou. Sorte que a magia de Rakan fez ela melhorar bastante, pena que a dor continuou. Meus pés já estavam sem forças e tudo que eu precisava agora era da minha maravilhosa cachoeira. Infelizmente ainda era manhã, então eu teria que aguentar o sol na minha cara. Pelo menos a água estaria quente.

Enquanto todos ainda estavam distraídos fazendo perguntas ao Rakan, andei discretamente em direção a minha barraca e logo adentrei as árvores a caminho da cachoeira.

Quanto mais me afastava me sentia aliviada, o silêncio tomava conta do ambiente e eu amava isso. Apenas eu e a natureza, o som dos pássaros e de meus pés pisando nas folhas secas. Eu merecia isso após passar tanto tempo ouvindo o Rakan tagarelar no meu ouvido. Logo o som da água ficou mais alto, e corri desesperadamente em linha reta, ansiava tanto por aquele momento.

A vista era belíssima. O sol refletia na água cristalina, a cachoeira jorrando na água era tão relaxante de assistir, havia várias frutinhas em arbustos esperando para serem comidas, sem contar que havia árvores em volta com diversas flores de cerejeira.

Esse é definitivamente meu lugar favorito.

Respirei fundo enquanto andava até a beirada da cachoeira. Sentei na grama e afundei meus pés na água, não existe sensação mais gostosa do que aquela.

Tirei minhas roupas, estavam tão fedidas a suor que nem eu mesma estava aguentando. Mergulhei-as na água esfregando-as, na tentativa de que aquele cheiro fosse embora. Enquanto lavava, pensei se Rakan tinha sentido esse odor. Meu coração parou por um momento. Fiquei angustiada e com raiva de mim mesma ao mesmo tempo. Porque diabos eu me importo com isso?! Xayah, você está perdendo o controle de si mesma. Ele também estava fedendo a suor, mas por algum motivo eu não achava ruim.

Na tentativa de expulsar esses pensamentos, botei minhas roupas sobre uma rocha quente e mergulhei na água. Elas secariam dentro de algumas horas, devido ao sol.

Esse foi o mergulho mais revigorante da minha vida.

Mergulhei mais algumas vezes, era como se aquilo afastasse toda a exaustão do meu ser.

Logo me escorei na beirada, onde uma das árvores fazia sombra. Joguei meu cabelo para um lado e comecei a usar minhas unhas para desembaraça-lo. Reparei de como a cor do meu cabelo parecia mais viva embaixo d’água, era realmente bonito.

Vidrada nos fios, comecei a pensar no que havia acontecido horas atrás. Aquele templo que estava sugando a magia da região. Isso me intrigou durante toda a viagem. Aquele cara sombrio era realmente poderoso, me perguntava porque ele estaria drenando a magia? Cheguei a assimilar que seria um contratado do meu maravilhoso padrasto.

Bufei com raiva. Imaginando outros lugares em onde poderiam estar drenando magia, e eu tinha que salvar todos eles. Eu preciso, para o bem do meu povo. Mas, como eu faria isso? Eu teria morrido ou sido gravemente ferida se não fosse por ele.

Ainda lembro da sensação de seus braços fortes envolto de mim. Rakan me protegeu como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Aquilo mexia comigo, uma mistura de emoções e eu não sabia o que pensar. Não posso depender de ninguém para salvar os vastayas, eu tenho que conseguir me virar sozinha. Sou tão irresponsável. Ao mesmo tempo que pensava nisso, era como se minha própria mente lutasse contra mim mesma só para poder esquecer um pouco isso e imaginar o rosto dele.

Ultimamente minha cabeça está mais focada em um homem do que no futuro do meu povo. E eu queria me crucificar por isso, estava sendo tão egoísta.

Me deixei pensar no toque dele. Em tudo que passamos nos últimos dias. Queria agradecer a Nyvis por ter nos interrompido naquele momento, se tivéssemos feio algo a mais eu nunca iria me perdoar. Sem contar que naquele momento, antes de nos encontrarmos com as sombras, não sei como conseguir me conter. A vontade de beija-lo parecia consumir minha alma.

O jeito que ele me toca e me beija, me deixa louca. Rakan evita ao máximo passar dos limites comigo, sempre hesitante. Ainda bem que ele não sabe que tudo que eu realmente queria era que ele passasse dos limites.

E eu quero me matar por isso.

Não consigo entender como pude nutrir esses sentimentos tão rápido assim. O conheço a tão pouco tempo. Com certeza deve ter magia metida nisso, aparentemente tudo o que eu sinto as outras garotas devem sentir também. Será que o mesmo que ele faz comigo ele faz com as outras também? E se faz, por que eu me importo? Rakan com certeza é uma Ahri dois.

Falando em Ahri, talvez essa fosse a primeira vez que eu precisasse dos conselhos dela.

O que está acontecendo comigo?

Afundei meu rosto em minhas mãos, suspirando fundo na tentativa de afastar esses pensamentos. Porém, fui interrompida pelo som de alguém pulando na água.

Minha espinha se arrepiou de imediato, fiquei alarmada e logo invoquei três plumas, olhando fixamente para a água procurando o intruso, pronta para atacar. Observei atentamente o movimento da água, esperando que o sujeito saísse.

Mas, fui surpreendida quando Rakan saiu de baixo, balançando a cabeça e logo depois arrumando seu cabelo molhado. A luz do sol refletia em seu corpo.

Eu fiquei imóvel olhando para ele, divida entre a vontade de sair escondida e de dar um soco nele. Não tinha o que fazer, estava quase entrando em pânico. Logo minha mente foi tomada pela visão dele e eu não consegui pensar em mais nada.

Rakan colocou pétalas sobre a água que estavam em seu punho, pareciam das flores de cerejeira. Ele as espalhou por seu pescoço, como se fosse aquele troço humano, sabonete. Tentei me reprimir por estar assistindo aquilo e pior, gostando. Droga, porque ele tinha que ficar tão sexy de cabelo molhado?

Ele estava nadando em direção a rocha que estava a minha roupa. Caramba, você só faz merda, Rakan. Não ia demorar para ele me notar. Eu tinha que fazer alguma coisa.

Eu iria falar com ele, pedir para que ele olhasse na direção oposta enquanto eu me vestia, e daí iria embora. Só isso, não vai acontecer nada.

Nadei lentamente até Rakan, que deve ter me notado devido o barulho da água, porquê logo ele olhou pra mim. Parecia mais surpreso do que eu, abaixou suas mãos que antes estavam em seu pescoço, e agora embaixo d’água. Tinha algumas pétalas grudadas em seu corpo devido a água. Tentei não pensar muito sobre essa cena, antes que Rakan abrisse a boca eu falei:

– Vou me vestir. Olha pro outro lado.

Rakan tentou segurar um sorrisinho. Lancei um olhar furioso, para que ele entendesse de que se virasse eu o deixaria em pedacinhos.

Tentando reprimir o próprio riso, ele se virou.

Nadei rapidamente – quase desesperadamente – em direção a rocha. Quando sai da água senti um frio tremendo, olhei para trás e Rakan ainda se permanecia de costas. Corri o mais rápido que pude. Porém minha roupa ainda estava molhada. Perfurei três plumas no chão, furiosa e com frio. Eu não tinha como sair.

Olhei para Rakan, ele estava inquieto. Virava o rosto algumas vezes, como se quisesse olhar, mas logo desistia do ato. Idiota.

Voltei lentamente para água. Com raiva da situação, provavelmente minha cara não estava nada boa. Ao entrar Rakan olhou para trás, devido ao barulho da água.

– Eu não disse que podia olhar – bufei.

– Veio ficar comigo? – Ele sorriu, esse maldito sorriso.

– Não. Minhas roupas estão molhadas – desviei o olhar.

Ele juntou algumas pétalas que estavam sob a água e as deu pra mim.

– Experimenta, fica com um cheiro muito bom.

Será que isso é uma indireta por que eu estava cheirando mal?

De qualquer forma, peguei uma das pétalas e cheirei. Elas realmente tinham um aroma muito bom. Comecei a espalha-las por meus braços e clavícula. Rakan fazia o mesmo.

Me perdi em seus movimentos. Eu gostava de ver as mãos dele passeando pelo próprio corpo. Ele era ainda mais bonito de perto. Os fios vermelhos que escorria por seu rosto o deixava ainda mais sexy. Queria eu mesma poder espalhar aquelas pétalas nele, principalmente no pescoço... Eu poderia enfiar a minha cara ali.

– Xayah?

Arregalei os olhos saindo do transe. Só aí eu percebi que ele estava bem mais perto. Estava prestes a mandar ele sair de perto, até que, uma de suas mãos foi até minha nuca, ele esfregava o macio pedaço da flor nela.

– Aqui é um bom lugar pra ter um bom cheiro – seus olhos estavam fixos nos meus.

Estávamos tão perto, mas Rakan não encosta o corpo em mim de jeito nenhum. Eu iria perder o fôlego se isso continuasse. Minhas mãos permaneciam imóveis.

– Posso beijar você? – Indagou ele, sem hesitar.

Suas mãos desceram da minha nuca para as costas, dessa vez já não havia mais pétalas. Eram apenas seus dedos passeando por ela. Minha boca tremeu um pouco antes que eu respondesse:

– Não.

Rakan retirou suas mãos de imediato com a minha resposta, e por algum motivo fiquei com raiva.

Seus olhos agora olhavam um pouco abaixo do meu rosto, como se ele quisesse ver meus seios. Que, felizmente, estão embaixo d’água. Rakan estalou a língua.

O silêncio agora reinava sobre nós. Eram apenas nossos olhos encarando um ao outro. Impulsivamente cheguei mais perto dele, o que o deixou alarmado e o fez recuar um pouco. Fiquei intrigada, porém, hesitante, levei minhas mãos até sua clavícula e comecei a passear meus dedos por ela lentamente.

Rakan me olhava fixamente, mas eu já estava ficando brava porque ele não encosta em mim. Coloquei meus braços envolta de seu pescoço e tentei o puxar mais pra perto. Porém, suas mãos seguraram firmemente minha cintura, impedindo a aproximação dos nossos corpos.

Me arrepiei enquanto sentia raiva de mim mesma pelo que estava tentando fazer.

– Qual o problema? – Meu tom de voz deixava perceptível minha raiva.

– Não podemos fazer isso.

Fiquei sem entender. Pensei que ele quisesse isso. Tentei colocar na minha cabeça que Rakan estava enjoado de mim, mas era impossível pedir para que ele se afastasse numa situação daquela. Eu estava fora mim. Seus olhos fixos em meus lábios estavam me enlouquecendo. Puxei sua cabeça para minha direção num movimento imediato, suas mãos se firmaram ainda mais em minha cintura, mas isso não impediu que eu o beijasse.

E que beijo.

Era muito melhor do que os anteriores, nenhum de nós dois hesitou em usar a língua. Ele parecia ansiar tanto por isso que qualquer pensamento ruim se esvaiu de minha mente. Sua boca tinha gosto de morango, ele provavelmente teria comido a fruta pouco antes de vir aqui. Esse gostinho doce só me deixava com menos vontade de parar. Tentei puxá-lo para perto mais uma vez, sem sucesso.

Na tentativa de faze-lo ceder, desci meus lábios até seu pescoço e comecei a dar chupões por aquela região ao mesmo tempo que minhas mãos passeavam por seus ombros.

– Xayah, se você não parar eu não vou conseguir me conter. Vou ter que fazer você minha agora.

Aquelas palavras ecoaram em minha cabeça. O que eu estava fazendo? Conheço esse homem a alguns dias, não posso fazer isso. Definitivamente iria enlouquecer. Me afastei bruscamente. Estava prestes a culpa-lo por isso. Porém era eu que estava avançando encima dele.

– Você tem que ir embora daqui – disse, fria, ficando de costas para ele.

Rakan franziu o cenho.

– Não consigo me concentrar com você por perto – suspirei. – Não vou matar você, apenas vá embora e siga sua vida.

Olhando fixamente para a água, eu apenas pude sentir o toque das suas mãos sob meus braços. Ele apoiou o queixo em meu ombro.

– Vamos fugir – falou, de repente. – Vamos viver na floresta, apenas nós dois, sem ter que se preocupar com o reino nem nada, viver nossas próprias aventuras e construir nossa própria casa... –seu peitoral encostou levemente em minhas costas.

Aquelas palavras me tentaram por um pequeno instante. Mas, eu tive um choque de realidade.

– Diferente de você, eu tenho um objetivo. Eu preciso cuidar do meu povo, eles contam comigo... Você pode buscar esse sonho com outra pessoa. Porque, nunca vamos ficar juntos.

Ele me virou para frente delicadamente.

– Se isso é importante pra você, eu vou ajudar – concluiu. – Mas não pense que vou desistir de nos tornarmos amantes.

Se ele soubesse que eu quero isso...

Sorri de canto.

– Você não negou – e Rakan abriu aquele sorriso amarelado.

– Pare de ser esperançoso – bufei.

Do jeito que as coisas estão tudo só tende a piorar. Eu poderia voltar a beija-lo agora mesmo, mesmo tentando reprimir esse sentimento.

Dessa vez Rakan me puxou para perto lentamente, esperando uma reprovação minha. E se eu estivesse “consciente” com certeza teria desferido um tapa em seu rosto.

Agora nossos corpos estavam colados, e eu entendi o motivo de tanta distância quando senti o seu membro duro. Não pude deixar se sentir vergonha, mas também não sabia o que dizer. Eu ri e Rakan riu junto. Suas bochechas estavam levemente rosadas.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele tomou meus lábios em um beijo lento. Tentei evitar ao máximo pensar no pênis dele que estava ficando cada vez mais duro. Estava assustada comigo mesma e eu com certeza não vou repetir isso nunca mais. Vou apenas matar a vontade com uns beijos e fim. Nunca mais vou pensar nele de novo.

– Será que posso me juntar?

Engasguei e empurrei Rakan com uma força que nem eu sabia que tinha. Olhei na direção da voz com uma sede de matar.

Ahri nos olhava com um sorriso malicioso, ela piscou pra mim e eu quis imediatamente fincar duas plumas em seus olhos.

não era pra ninguém ter visto isso. Onde eu estava com a cabeça?



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