História A princesa reclusa - Capítulo 7


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Palavras 1.565
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Romance e Novela
Avisos: Adultério
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Último capítulo. ♥

Capítulo 7 - A primeira governante e o patriarca da independência


Fanfic / Fanfiction A princesa reclusa - Capítulo 7 - A primeira governante e o patriarca da independência

No dia seguinte, Bonifácio acordou cedo e preparou-se para ir trabalhar no Paço. Não encontrando Leopoldina no café da manhã, Bonifácio quis entrar no quarto dela para dar-lhe um beijo e desejar um bom dia, mas ao abrir a porta a viu dormindo tão tranquila na cama, que achou melhor não acordá-la.

Passado a tarde inteira, Bonifácio chegou na Fazenda Santa Cruz a noite, depois de horas de trabalho. Saindo do quarto após um banho, Bonifácio dirigiu-se para a sala de jantar, onde fez sua refeição. Enquanto estava comendo, Bonifácio lembrou de voltar a estudar os cristais do Brasil, depois de tanto tempo fora do país, com certeza havia muito o que pesquisar. Terminando de comer, Bonifácio foi para o escritório de mineralogia, onde encontrou Leopoldina.

- Bonifácio. – Leopoldina o viu chegar e sorriu.

- Boa noite. – Bonifácio se aproximou.

- Fazia tempos que eu não vinha aqui. Desde que você foi embora eu parei de estudar. Embora guardei comigo o cristal Petalon que você me deu. Não houve um dia em que eu não me lembrei de você.

Bonifácio acariciou o rosto de Leopoldina. – Não precisa mais falar no passado, eu estou aqui e não sairei do seu lado, nunca mais. – Bonifácio aproximou seu rosto de Leopoldina para dar um beijo. Entretanto, Leopoldina colocou seu dedo na boca de Bonifácio, o impedindo de beijá-la.

- Bonifácio. – Leopoldina levemente se afastou. – Por favor, não faça isso.

Bonifácio estranhou aquela atitude e Leopoldina continuou.

- Não podemos ficar juntos.

- Mas, o que aconteceu ontem a noite, nós dois ... – Bonifácio voltou a se aproximar.

- Eu o beijei ontem porque não queria morrer sem saber como é um beijo de amor, como é a sensação de ser beijada por alguém que verdadeiramente me ama. Eu me permiti cometer aquela loucura porque te amo. – Leopoldina olhou nos olhos de Bonifácio com pesar. – Mas isso não muda o fato de eu continuar casada com Pedro.

- Você e Pedro estão separados há anos. Ele escolheu Domitila. – Bonifácio contestou.

- Mesmo assim estou esperando um filho dele. E apesar de estarmos morando em casas separadas, ainda estamos casados por lei. – Leopoldina segurou o rosto de Bonifácio. – Bonifácio, me perdoe. Mas se eu ficasse com você estaria de uma forma ou de outra traindo Pedro e isso iria contra tudo o que eu sou e acredito. – Leopoldina não pôde evitar chorar. – Eu sei que não é justo, mas é o certo a se fazer. Não podemos ficar juntos.

Bonifácio abaixou seu olhar. – Eu acho que sempre soube que a senhora jamais me aceitaria. E não deixo de admirá-la por isso. A senhora é uma mulher de caráter e muito digna. Completamente o oposto de Domitila. Mas eu não consigo deixar de pensar o quanto é injusto. Pedro ama Domitila. A senhora ama Pedro. E eu amo a senhora. Que peça o destino foi pregar em nossos corações.

Leopoldina abraçou Bonifácio. – Me perdoe pelo o que faço com o senhor. Faz-me parecer que estou a brincar com seus sentimentos, mas eu não me perdoaria se fizesse o contrário. Eu não teria a consciência em paz sabendo que estou traindo meu marido, mesmo que nem marido eu tenha mais.

Bonifácio apertou o abraço e escutava Leopoldina desabafar.

- Mas se me permitir, eu quero te pedir um favor. – Leopoldina saiu do abraço e olhou para Bonifácio chorando. – Não vá embora de novo. Fique aqui, não me deixe sozinha. Eu sei que é muito egoísmo de minha parte não retribuir seu amor e lhe impedir de partir, mas eu preciso do senhor.

- Leopoldina, eu compreendo seus motivos e entendo que não pode dormir e acordar ao meu lado. – Bonifácio beijou a mão de Leopoldina. – Mas juro que ficarei ao seu lado, juro como súdito da imperatriz e como devoto da mulher que amo.

Leopoldina não tinha palavras para dizer o quanto o amor de Bonifácio a acariciava e a dava forças. – Bonifácio... obrigada...

Bonifácio voltou a abraça-la e Leopoldina não precisava ouvir mais nada, pois estar com a cabeça no peito de Bonifácio a bastava.

[...]

Depois desse dia, após uma conversa tão franca, Leopoldina e Bonifácio tiveram que se contentar apenas sendo amigos. Porém, essa condição não os impediu de ter dias maravilhosos. Leopoldina já aparentava estar mais saudável com a presença de Bonifácio a fazendo dar risadas. No jogo de bilhar, ela sempre ganhava dele. Infelizmente, ela estava gravida e por isso Bonifácio evitava fazê-la andar de cavalo, mas sempre que podiam iam juntos fazer um piquenique nos campos da Fazenda. E Leopoldina ficava muito feliz ao ver Bonifácio brincando com os filhos dela. Principalmente o pequeno Pedro II, gostava muito de Bonifácio.

[...]

Numa noite, Bonifácio voltava do Paço depois do trabalho e encontrou Leopoldina com dores no meio do corredor do quarto dela. A carregando no colo até a cama, Leopoldina gritava de dor alegando que seu filho estava nascendo naquele minuto. Desesperado, Bonifácio a deixou com as criadas e foi em seu cavalo buscar o doutor Peter, o mesmo que já havia cuidado dos outros partos de Leopoldina. No entanto, quando o doutor viu a situação chamou Bonifácio para um lugar reservado e afirmou:

- O filho da imperatriz não nasceu com vida. Foi mais um aborto.

- Meu Deus! – Bonifácio levou as mãos à cabeça.

- O que mais me surpreende é que o feto foi colocado para fora intacto. Esse aborto foi causado por alguma doença de Leopoldina, o corpo dela está tão sem forças, que expeliu a criança.

- ... Nem sei como farei para contar isso a ela. – Bonifácio lastimou amargamente.

- Ela está desmaiada agora. Vou ficar com ela até acordar e com cuidado eu mesmo contarei a imperatriz.

- Obrigado por ter vindo, doutor.

[...]

NA NOITE SEGUINTE

[...]

Bonifácio entrou no quarto de Leopoldina e a encontrou deitada.

- Mandou me chamar, imperatriz?

- Sim, entre por favor. – Leopoldina sentou-se direito e Bonifácio sentou-se ao lado dela.

- Como está se sentindo?

- Agora eu não tenho mais medo da morte, pois quando chegar no céu vou encontrar todos os meus filhos que morreram. – Leopoldina disse e começou a chorar.

Bonifácio enxugava as lagrimas de Leopoldina, mas ela tornava a chorar mais. Leopoldina deitou-se sob o colo de Bonifácio e recebia os afagos dele em sua cabeça.

- O que mais me dói é que Pedro nem sequer veio aqui. Ele está tão feliz com Domitila que não tem tempo de vir me ver, nem ao menos quando estou de luto.

Bonifácio pensou em medir suas palavras para não dizer o que pensava de Pedro e Domitila. – Não se preocupe com isso agora, não pense em Pedro. Pense na senhora e nos filhos que tem ao seu lado. Porque não dorme com eles essa noite? Vai te fazer bem...

Leopoldina deu um pequeno sorriso. – Eu fico muito grata por você cuidar de mim e dos meus filhos. Você gosta tanto deles, não é?

- Os amo como amo a senhora. – Bonifácio passava a mão no cabelo de Leopoldina.

- É muito bom ouvir isso. – Leopoldina fechou os olhos. – Será que posso dormir aqui com você? Por favor.

Bonifácio sorriu. – Claro, senhora. Durma bem.

Bonifácio acariciava o rosto de Leopoldina e tranquilamente ela dormiu. Seu rosto estava tão cansado e ao mesmo tempo sereno.

[...]

O dia raiou e Bonifácio acordou. Ele pouco se mexeu para não acordar Leopoldina que continuava a dormir em seu colo. E ficou um tempo assim. Delicadamente ele passou a mão no rosto dela, até que sentiu sua pele muito fria. Olhando para o relógio da parede, precisou levantar para ir trabalhar no Paço. Gentilmente, Bonifácio tocou no ombro de Leopoldina.

- Acorde, senhora. Já está na hora de levantarmos. – Bonifácio levemente a sacudiu os ombros dela. – Vamos, acorde senhora.

Mas estranhamente Leopoldina não se mexeu, preocupando Bonifácio.

- Dona Leopoldina...! Dona Leopoldina?

Naquele momento Bonifácio se alarmou. Deitou o corpo de Leopoldina na cama e pôs a mão no coração dela, que já não mais batia.

- Leopoldina...

Bonifácio não conseguiu evitar suas lagrimas. Levantou o tronco de Leopoldina e abraçava o corpo, enquanto chorava sua morte.

[...]

A morte de Leopoldina chocou o país. Em todas as províncias o povo brasileiro prestava homenagem a imperatriz que sempre amou a nação. Quando Bonifácio contou a Dom Pedro, o imperador ficou mudo. Foi necessário Leopoldina morrer para Pedro perceber o quanto havia desprezado e humilhado sua esposa. Pedro chorou amargamente. Sem saber o que fazer pediu ajuda a Bonifácio.

- Que será de minha pessoa, Bonifácio? Só agora vejo o quanto amei Leopoldina.

Bonifácio foi sábio ao responder. – O melhor que pode fazer é mandar Domitila embora. Não dê a ela o lugar que foi de Leopoldina.

- Não vai ser fácil me desfazer de Domitila, mas em honra a memoria de Leopoldina eu o farei.

- Eu quero pedir uma coisa ao senhor. – Bonifácio o encarou. – Quero pedir a guarda dos filhos de Dona Leopoldina.

E assim aconteceu. Bonifácio além de ministro ficou responsável por criar e educar os filhos da imperatriz. Quanto a Pedro, Bonifácio teve muita dificuldade de lhe conseguir uma segunda esposa na Europa. Isso porque a fama de Pedro ser mulherengo correu o mundo e nenhuma princesa queria passar pelo que Leopoldina passou.

Até o fim de seus dias, Bonifácio cumpriu a promessa de cuidar dos filhos de Leopoldina.

FIM



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