História A Prisão Chamada Solidão - Capítulo 23


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Depressão, Lgbt, Mistério, Romance
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Palavras 4.785
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Mistério, Orange, Romance e Novela, Saga, Shoujo-Ai, Slash, Sobrenatural, Suspense, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Voltei novamente para mais um capítulo da fanfic ^^ e espero que vocês gostem do capítulo que não demorei muito para postar :3

Boa leitura ^^

Capítulo 23 - Derramando sangue


Fanfic / Fanfiction A Prisão Chamada Solidão - Capítulo 23 - Derramando sangue


Cidade de: Mother Tree

14:30 = dia ensolarado sem nuvens


 Grace parou de lavar os pratos e talheres assim que Henry desceu as escadas com pressa, tirou seu foco da louça para a janela aberta a sua frente olhando o sol no céu azul. Um sorriso se formou nos lábios da mulher, assim que olhou uma família andando pela rua ambos sorrindo e se divertindo. Sentiu seu coração apertado, tirando a mão da água da pia para colocar em seu peito apertando a roupa que usava ao ver a garotinha junto aos pais com um longo sorriso estampado em seu rosto, feliz apenas por andar de mãos dadas com seus pais que também sorria junto a ela.

Seus olhos ficaram vidrados a família que andavam pela calçada da rua, felizes e de mãos dadas, seus olhos ficaram tão focados na família que sua visão delas mudou completamente. No lugar daquela família estava Zoe, Henry e Grace, andando juntos e sorrindo felizes, fazendo Grace ficar admirada com o sorriso de sua filha. Porém Henry era o único que não estava de mãos dadas com elas, um pouco distante das duas apenas focado em seu celular nas mãos com um sorriso de canto, o sorriso da pequena Zoe se transformou em um olhar vazio cheio de tristeza, parando de andar sem soltar a mão de Grace por um tempo.

A cabeça de Zoe permaecia baixa enquanto podia ver lágrimas escorrendo pelas suas bochechas, ficando parada no meio da calçada sendo puxada para trás por mãos negras que estavam a levando para um lugar escuro. Grace parou de andar junto a Henry olhando para trás podendo ver sua filha sendo levada, sua boca se abriu de um grito alto a chamando enquanto tentou correr em direção a ela, para impedir que as mãos negras a levassem. Mas foi impedida por uma mão que agarrou o braço de Zoe que impediu que ela corre-se, olhou para trás vendo que Henry que a segurava pelo braço com um olhar sombrio e um sorriso pervetido em seu rosto.

Grace entrou em pânico, tentando se soltar das mãos dele e correr em direção a sua filha que estava sendo arrastada para a escuridão, mas falhou por não poder mexer um músculo de seu corpo para poder se mover. Seus olhos se encheram de lágrimas por perder sua filha de vista em meio a escuridão imensa, sentiu seu corpo ser agarrado por várias mãos ao mesmo tempo, ficou parada não dizendo nada nem fazendo nada apenas olhando para a frente com um olhar vago em seu rosto, fechando os olhos lentamente quando sentiu as mãos percorrer pelo seu corpo e um rosto se aproximar de seu ouvido dizendo algo.

— está me ouvindo?. — disse a voz de Henry que pegou no ombro de Grace assim que terminou de falar.

Grace abriu os olhos ficando aliviada assim que viu a janela novamente e a família não estar mais lá, sentiu uma mão em seu ombro olhando para trás com Henry a encarando com um olhar nada agradável. Grace coçou seus olhos quando sentiu uma leve tontura e dor na cabeça, respondendo Henry que esperava ela dizer algo.

— me desculpa... Eu estava um pouco distraída e acabei não ouvindo o que você disse. — Grace abaixou a cabeça se desculpando para Henry que revirou os olhos.

— é, foi o que mostrou mesmo. — Henry arrumou seu terno andando em direção a porta. — quero que você arrume meu quarto, acabei deixando cair molho de tomate em cima do edredom sem querer. — pediu quando se olhou no espelho arrumando sua gravata.

Grace voltou seu foco na louça apertando levemente a pia, já tendo ideia que essa história de molho de tomate cair no edredom foi propositalmente para que ela lave. Estava cansada depois de ter limpado a casa inteira praticamente, quase não podia ter forças o suficiente para ficar em pé, tinha que ficar apoiada na pia para não acabar desmaiando e bater a cabeça em algum objeto. Fechou seus olhos com força soltando um longo suspiro, estava cansada de receber ordens também, tinha que tomar alguma atitude, ela não é uma escrava que tem que receber ordens, ela é uma mulher livre.

— foi mesmo um acidente?. — perguntou Grace com a cabeça baixa e um olhar totalmente vazio apertando a pia com força.

Henry se virou para Grace arqueando uma sobrancelha.

— sim, se eu acabei de dizer. — respondeu revirando os olhos suspirando voltando seu foco para o espelho.

— isso é mentira... — disse Grace sem pensar, sentindo uma raiva percorrendo em seu corpo tentando se controlar.

Henry parou suas mãos na gravata que estava arrumando, ficando parado olhando Grace pelo espelho ficando quieto por um tempo. Até um olhar sério se formar em seu rosto.

— o que disse?. — perguntou calmo olhando levemente para trás.

Grace soltou um leve suspiro apertando a pia com mais forca.

— isso tudo é mentira!. — repetiu em tom alto olhando séria para Henry que se virou contra ela com um olhar frio, mas Grace não parou, ficando frente a frente com ele apertando seus punhos. — pare de ficar me fazendo de escrava! Chega disso! Eu quero ser livre... Eu quero... — lágrimas escorreu pelos olhos de Grace que cerrou os dentes encarando Henry. — EU QUERO VIVER!.

Grace colocou as mãos no rosto começando a chorar, e Henry em um gesto rápido, sem se importar com ela chorando agarrou o pescoço de Grace a arremessando na parede, que a fez bater a cabeça ficando com tonturas e dores fortes. Henry apertou o pescoço de dela tão forte ao ponto de deixá-la sem ar, Grace agarrou os pulsos de Henry tentando se soltar, mas falhando não tendo mais forças por conta do ar que estava faltando.

— quer viver é?. — Henry acerta um soco no estômago que a fez gritar de dor, em seguida soltou o pescoço dela fechando seu punho acertando socos no rosto de Grace que se contorceu de dor no chão.

Ao parar os socos quando olhou seu punho com sangue dela, olhou para uma porta trancada com um sorriso de canto. Andou em direção a ela pegando uma chave de seu bolso, destrancando a porta e abrindo ela entrando lá pegando um taco manchado de sangue na ponta. Saiu da porta voltando seu foco em Grace que estava caída no chão chorando de dor, jogou o taco ao lado dela a chamando atenção, que tirou as mãos do rosto para ver o que havia caído do seu lado.

Grace entrou em pânico ao olhar para o taco gritando de medo, se encolhendo na parede ficando afastada do taco assim que veio lembranças dela. Colocou as mãos na cabeça apertando seus cabelos com força, tentando esquecer das imagens que apareceu em sua mente, gritando alto em desespero. Henry riu da cena pegando o taco de volta a colocando dentro da sala escura, trancando a porta com a chave andando em direção a Grace que estava encolhida com medo. Se agachou na frente da mulher com um sorriso sádico no rosto do homem.

— aquela taco, esta guardado caso você me desobedeça, não quer que aquilo aconteça de novo não é? Se não a culpa seria toda sua. — provocou Grace sussurrando no ouvido dela, a segurando pelo queixo. — arrume aquela maldita cama e fique nela até eu chegar, quero me satisfazer essa noite.

Henry agarrou o rosto de Grace que estava de cabeça baixa, roubando um beijo dela se levantando logo em seguida para trabalhar. Pegou suas coisas e arrumou novamente seu terno, abrindo a porta e saindo da casa sem dizer mais nada a Grace, nem ao menos olhar para trás.

Grace ouviu a porta sendo fechada se levantando lentamente do chão apoiada na parede, com uma mão no rosto sentindo o sangue saindo pelo seu nariz e boca, como também sentindo fortes dores no rosto, cabeça e estômago. Andou em direção a pia mancando, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto se misturando com o sangue que também escorria, se apoiou na pia ligando a torneira para lavar seu rosto.

Sentiu seu rosto arder ao passar água em seu rosto, tirando o sangue e depois limpa-lo com um pano colocando a mão no estômago pela dor que sentia. Olhou para o chão ainda apoiada na pia, começando a chorar para valer, chorando alto por se sentir fraca e não poder fazer nada para se livrar das mãos daquela homem, fraca por não proteger sua filha das mãos deles, que é sua única prioridade e o motivo de mantê-la ainda viva.

Colocou a mão no rosto chorando ainda mais ao lembrar do passado que ela tanto quer esquecer, mas sempre acaba lembrando por causa daquela homem. Lágrimas escorriam pelo seu rosto onde os pingos caiam pelo chão se desfazendo lá mesmo, sentindo seu coração doer ao se lembrar de uma única pessoa. Zoe.

Ouviu batidas na porta parando de chorar imediatamente, engolido o choro respirando fundo. Se levantou lentamente do chão pegando um pano para limpar suas lágrimas, olhou em direção a porta andando até ela enquanto limpava o rastro de sangue que saiu pelo seu nariz. Pegou na maçaneta da porta soltando um leve suspiro, imaginando que seria Zoe que estaria batendo na porta, porém estranhando já que ela nunca bate e sim abre a porta sem mais nem menos.

 Parou de pensar abrindo a porta de uma vez fechando os olhos por 2 segundos assim que abriu quando soltou um suspiro, ao abri-los sentiu seu coração apertar, sua pele arrepiar e seus se arregalar assim que olhou para a pessoa em sua frente. Joel.


...


 Zoe olhou para Ellie em sua frente que estava espantada com o que viu, colocou a mão em seu nariz podendo ver que o sangramento não parou deixando a mão lá mesmo. Em seguida Sophia apareceu correndo junto com um garçom que ambos estavam preocupados, Sophia olhou para as duas vendo que o estado de Zoe não melhorou deixando o garçom na frente dela.

 Percebeu que todos da lanchonete pararam o que estavam fazendo para olhar pra mesa onde Zoe e Ellie estavam, fazendo assim Zoe desviar o olhar incomodada por se tornar os centros das atenções. Voltou seu olhar para o garçom que logo perguntou.

 — está tudo bem moça? Quer que eu ligue para um médico?. — perguntou um garçom loiro de olhos azuis, preocupado com o estado de Zoe.

 — não, não precisa, eu to bem. — respondeu ainda com a mão no nariz desviando o olhar para a janela.

 — tem certeza?. — Zoe assentiu com a cabeça fazendo o garçom entregar um pano para parar o sangramento. — tudo bem, qualquer coisa é só nos avisar.

 O garçom voltou para o seu serviço onde Sophia voltou a sentar do lado de Ellie que estava em silêncio até agora, enquanto Zoe olhava para a janela com o pano no nariz depois de ter limpado a mesa cheia de sangue. O silêncio estava sendo desagradável para as três que estavam sentadas, olhando para o nada tentando arrumar algum assunto mas sem sucesso.

 Sophia se levantou da mesa perguntando o que as duas queriam, ao anotar tudo em sua mente saiu da mesa para pegar os pedidos deixando as duas a vontade, caso elas queiram dizer algo. Porém o silêncio continuou entre as duas que nem se quer a olhavam, os olhares focados para o nada e a mente pensativa. Zoe olhou para a movimentação do lado de fora da lanchonete pela janela, com os olhos focados no céu azul não querendo ver aquele pássaro novamente, apenas querendo esquecer do que aconteceu nesse dia.

 Porém seu foco mudou assim que ouviu alguém perto dela chorar, olhou para a frente ficando surpresa por ver Ellie chorando baixo com a mão na boca e seu olhar para a mesa, enquanto sua cabeça estava baixa. Zoe ficou surpresa por vê-la chorando não sabendo o que dizer ou o que fazer naquele momento, sentiu seu coração doer por um momento mas deixou o sentimento de lado voltando a olhar para a janela, porém com a cabeça baixa.

 — me desculpa. — disse uma voz soluçando fazendo o olhar de Zoe se dirigir a Ellie que olhava para ela enquanto chorava. — eu não queria brigar com você na sua casa... Não era minha intenção... Eu só estou sendo super protetora com a Sophia que não sabe se defender. Eu me senti tão horrível quando sai do quarto sem pedir desculpas pra você, eu queria dizer algo mas meu orgulho falou mais alto... E quando vi você completamente estranha, com um olhar vago, nariz sangrando e bastante quieta... Me doeu... De verdade... — desabafou Ellie em meio ao choro tentando se controlar.

 Zoe ficou surpreendida pelas palavras e gestos da Ellie, não esperando por aquilo não sabendo o que dizer naquele momento, tudo o que podia sentir era seu coração acelerar aos poucos e seus olhos ficarem arregalados por um tempo. Olhou para o lado apertando o pano que estava segurando olhando para o nada.

 — não é sua culpa. — foi o que Zoe disse quando ouviu o que Ellie disse ainda olhando para a janela. — você tem o seu motivo de ter acontecido aquela "briga", eu não fiquei chateada nem nada, apenas não queria incomodá-la já que ficou quieta e afastada quase o tempo todo na lanchonete, então fiquei na minha. Mas também fiquei com peso na consciência por ter falado aquelas coisas para você, eu não queria, sabe? Mas na hora da raiva acabei falando o que não devia... — confessou Zoe abaixando a cabeça olhando para a janela não conseguindo olhar para Ellie.

 Ellie sorriu em meio ao choro levando as mãos em seu rosto para limpar as lágrimas, olhando para Zoe que continuou desviando o olhar com o sentimento de culpa que estava sentindo.

 — somos um bando de orgulhosas... Estamos erradas eu sei disso, mas desculpo você assim como você me desculpou. — Zoe finalmente olhou para Ellie que continuou a falar. — não consigo ficar brava com você por muito tempo... Ainda mais nesses momentos onde sua vida ta em perigo, como o da Sophia também... Eu não irei me afastar de você nunca, nem que eu morresse eu estaria sempre ao seu lado, Zoe. — terminou saindo mais lágrimas nos olhos de Zoe que abaixou a cabeça para limpar.

 Zoe ficou em silêncio surpresa pelas palavras de Ellie, que ecoou em seus ouvidos repetidas vezes a deixando formar um sorriso fraco nos lábios da garota, que olhou para a loira que chorava. Esticou sua mão em direção a loira colocando no rosto dela que tomou um leve susto, olhando para a mão de Zoe em sua bochecha sem entender o gesto dela. Zoe com seu polegar na bochecha de Ellie perto do olho dela, limpou as lágrimas lentamente olhando fixamente para os olhos da loira com um leve sorriso.

 Ellie tocou na mão de Zoe com a sua olhando para ela com o mesmo sorriso, acarenciando a mão da garota a sua frente, fechando os olhos sentindo a pele macia da garota em sua bochecha. Zoe olhou o gesto da loira com um pequeno sorriso em seus lábios, acarenciando levemente a bochecha dela com seu polegar.

 O momento das duas foram interrompidos assim que Zoe percebeu, que Sophia estava em pé em frente a mesa segurando a bandeja com os pedidos das três. As duas imediatamente parou com aqueles carinhos, Zoe retirou sua mão do rosto da Ellie se arrumando em seu lugar, voltando seu foco para o pano que estava em seu nariz, molhado de sangue. Ellie olhou para a janela querendo evitar fazer Sophia não fazer perguntas, sobre o que aconteceu entre as duas, que na verdade não foi nada demais entre elas.

 Sophia sentou-se em seu lugar não dizendo nada, apenas com um sorriso em seus lábios como estivesse consigo algo que mais queria, e conseguiu mesmo. Sem fazer perguntas entregou os pedidos as duas, que as três iniciou uma conversa aleatória feita pela Sophia que tentou puxar assunto, mas acabou dando certo pela Ellie que resolveu conversar do que ficar em silêncio na lanchonete inteira.

 A conversa foi longa e durou horas que as três acabaram esquecendo a tensão que houve horas atrás, pelo sangramento no nariz de Zoe e a briga das duas. Fizeram mais pedidos enquanto a conversa durou horas, falando sobre a escola, estudos, coisas aleatórias que surgiam na cabeça das três. Incluindo as piadas e brincadeiras da Sophia, mandando indiretas e tentando juntar as duas discretamente, onde só a Ellie não percebia já que se distraia muito fácil nas conversas e focava mais. Já Zoe era uma das três que percebia fácil o jogo que Sophia estava fazendo, sempre estragando os planos dela achando divertido a cara que ela fazia de derrotada por não conseguir juntas-lás.

 Sophia foi a mais que comeu entre as três, deixando 5 pratos de sobremesa vazios espalhados pela mesa das três, sem contar com os copos e os outros pratos sem ser o de sobremesa. Zoe foi a única que menos comeu, apenas um cappuccino e uma fatia de pizza de mussarela, enquanto Ellie comeu 3 fatia de pizza de mussarela e dois refrigerantes.

 A conversa durou até o pôr do sol que viram pela janela e a movimentação da lanchonete estar mais vazio. As três se levantaram da mesa e Sophia foi pagar a contra enquanto Zoe e Ellie esperavam do lado de fora, assistindo o pôr do sol por apenas alguns minutos. Por motivos desconhecidos enquanto as duas estavam distraídas olhando o pôr do sol, deram as mãos entrelaçando os dedos lentamente, percebendo o que fizeram assim que entrelaçaram os dedos uns com os outros. As duas se olharam ao mesmo tempo ficando ambas em silêncio apenas trocando olhares, que ficaram fixos uns com os outros. Sentindo seus corações aceleram sem saber a razão do sentimentos que elas estavam sentindo no momento, apenas ficando se olhando por minutos criando diversas perguntas em suas mente, pelos sentimentos desconhecidos que sentiam.

 Os olhares das duas parou assim que Zoe desviou seu olhar sem soltar a mão de Ellie por um tempo, para pegar seu masso de cigarro e fumar para relaxar e se queimar um pouco. Ellie olhou para o lado esperando Sophia querendo quebrar aquele silêncio, afinal ela odeia o silêncio, não exatamente odeia, odeia quando Zoe esta ao lado dela e não poder arrumar nenhum assunto nem que seja aleatório para iniciar uma conversa.

 Não demorou muito para Sophia sair da lanchonete e as três voltarem a andar para casa. Zoe foi a única que andou mais distraída não focando na conversa entre Sophia e Ellie, olhando o horizonte e principalmente para o céu ficando bastante pensativa quando lembrou de alguém. Admirando o céu colorido em cores quentes por conta do pôr do sol, adorando ouvir o som das árvores balançando as folhas feita pelo vento, os pássaros voando e cantando as vezes pela pequena floresta na rua, a movimentação dos carros que não corriam muito e o som dos passos dela e das duas enquanto fumava seu cigarro, que estava pela metade.

 A rua no qual elas estavam andando começou a ficar mais silenciosa e menos movimentada, pelo céu escurecendo e a noite chegando. Poucas pessoas passavam pelo local, porém apressadas, querendo sair logo daquela rua o mais rápido possível, como estivessem com medo de algo. Aquilo foi algo que fez Zoe ficar atenta e fazer diversas perguntas em sua cabeça, olhando para as duas que estavam andando em sua frente, em silêncio parando de fumar lentamente.

 Os sons que antes a relaxava a deixou mais tensa fazendo olhar para os lados onde ouviu, voltando a fumar seu cigarro mas sem deixar de olhar para os lados. Sentiu seu coração acelerar aos poucos quando ninguém mais passou pela rua, silenciosa e um tanto assustadora, que as duas nem se quer deu conta pela conversa alta delas. Mas Zoe não, ela era a única desconfiada de algo, que sentia que iria acontecer em poucos minutos.

 Zoe parou de andar assim que sentiu algo estranho que a incomodava, não fez nada apenas ficou parada esperando o momento certo para olhar. Suas mãos tremiam, sua pele se arrepiou e seu coração quase saltando pela boca, o cigarro que estava em sua boca deslizou caindo no chão. Ouviu passos curtos andando com cuidado, mas Zoe podia ouvir claramente sem dificuldade nenhuma, menos as duas que estavam se afastando.

 Seu coração acelerou mais ainda fazendo seu peito começar a doer sem entender a razão disso, olhou para um canto da floresta com os olhos atentos e fixos para uma árvore. Seus olhos ficaram tão focados na árvore que em poucos segundos sua visão rapidamente atravessou a árvore podendo ver algo em tom vermelho atrás dela, uma pessoa encapuzada agachada atrás da árvore com uma arma grande em suas mãos.

 Zoe arregalou os olhos assim que viu que a arma estava mirada nela, mas antes que pudesse sair da mira da pessoa encapuzada atrás da árvore, seus olhos arderam como se estivesse queimando deixando escapar um grito de dor, colocando as mãos em seus olhos os fechando com força. O grito fez com que as duas que estavam distraídas pararem de andar e olharem para trás, percebendo que Zoe estava longe com as mãos no rosto demostrando que estava sentindo dor.

 — Zoe?. — disse as duas olhando para Zoe preocupadas, correndo em direção a elas.

 Zoe tirou uma de suas mãos do rosto esticando para cima em sinal para que elas não se aproximem, mas elas não deu ouvidos fazendo assim Zoe sentir mais dores nos seus olhos como também em sua cabeça. Imagens começou a passar em sua cabeça rapidamente e repetidas vezes, podendo ver Ellie correndo na direção dela, mas sendo impedida por um tiro certeiro no peito dela em câmera lenta. Aquela imagem fez com quem Zoe tentasse abrir os olhos o mais rápido possível, por mais que estivessem ardendo tentando evitar aquilo gritando para que ela parasse.

Nada adiantou teve que abrir seus olhos conseguindo, lacrimejando pela ardência que sentia mas não se importando. Correu em direção as duas olhando para a floresta, podendo sentir e podendo ver que a pessoa encapuzada estava pronto para puxar o gatilho, isso fez com que Zoe pulasse em direção onde as duas estavam miradas caindo em cima delas.

Ouviu o tiro ser disparado de raspão nas costas de Zoe, que cerrou os dentes abraçando Ellie com força, que estava completamente perdida olhando para os lados tentando raciocinar o que estava acontecendo. Zoe se levantou em um pulo puxando Sophia e Ellie pela mão as deixando em pé, puxando novamente só que para trás de uma casa, onde as três podia ouvir mais e mais tiros em direção a elas ficando encostadas na parede.

— que porra ta acontecendo?!. — perguntou Sophia desesperada, quase chorando agarrada no braço da Ellie.

— merda, eu sabia que isso aconteceria. — resmungou Ellie batendo forte na parede abraçando Sophia com bastante força em gesto de proteção.

Zoe se aproximou um pouco do final da parede da casa, podendo ver discretamente que estavam cercadas por vários encapuzados de máscaras diferentes, com armas pesadas em suas mãos. Sentiu seu sangue ferver pelo medo que sentia ao ver que eram muitos para apenas três, olhou para as duas que olhavam para elas ambas sem saber o que fazer e sentindo o mesmo medo que ela.

— estamos cercadas, sem armas não podemos fazer nada. — Zoe já estava nervosa e tensa andando em círculos com o coração quase saindo pela boca.

Elas não sabiam o que fazer, nem se quer tinham um plano em mente pela tensão que sentia. E só piorou ainda mais quando Zoe sentiu passos próximos da casa, não podendo nem reagir direito quando virou para trás e foi surpreendida por um encapuzado agarrando seu pescoço, apertando com força a fazendo perder o ar em poucos segundos não conseguindo se defender.

Ouviu um tiro alto passar em seu ouvido e acertar o pescoço da pessoa encapuzada, que soltou o pescoço de Zoe caindo no chão morrendo na hora. Zoe se afastou recuando rapidamente perdendo o equilíbrio e caindo de bunda no chão, continuando a recuar espantada ao ver um morto em sua frente com o coração a mil. Olhou para trás vendo que Ellie que tinha atirado no encapuzado, ainda com a pistola na mão com a respiração acelerada e espantada com o que acabou de acontecer, deixando Sophia atrás dela que estava praticamente chorando agarrada na roupa da Ellie.

— Eu... Eu matei mesmo uma pessoa. — repetiu Ellie várias vezes com os olhos arregalados.

Zoe e Ellie olhou uma para a outra com a respiração acelerada ambas espantadas. Até o momento que um encapuzado agarrou Sophia por trás, a pegando pelo pescoço do mesmo jeito que fizeram com a Zoe. Ellie atirou duas vezes nele puxando Sophia de volta não a soltando mais, Zoe se levantou rapidamente olhando para trás, percebendo que haviam dois de trás da casa correndo em direção a elas. Ela agiu pegando um cano de ferro que estava no chão correndo em direção a eles desviando dos golpes, usando o cano acertando a cabeça de um deles enquanto o outro sacou a arma, mas errando o tiro pelo cano que foi amassado na cabeça dele que caiu no chão desmaiado.

As três sem falar nada apenas se olharam começou a correr por trás da casa, Zoe olhou para trás percebendo que estavam sendo perseguida por todos eles que estavam lá. Pegou um metal pesado que estava perto de uma lata de lixo, ficando atrás das duas com o metal em suas mãos, podendo ouvir as balas acertando o metal. Correu assim que os disparos parou, seguindo as duas que não estavam tão longe. Mas enquanto corria para alcançá-las, Zoe arregalou os olhos quando viu um encapuzado surgir na frente de Ellie, acertando um soco no rosto de Sophia que caiu no chão pelo impacto gritando de dor, enquanto o encapuzado a jogou no chão apertando o pescoço dela que abriu a boca para poder respirar tentando se soltar de alguma forma para poder alcançar a pistola que caiu de suas mãos, distante dela.

 Zoe correu na direção das duas chegando a "tempo", olhando Ellie ser enforcada e olhar para a arma no chão que estava em sua frente. O corpo de Zoe gelou assim que pegou a arma, suas mãos começou a tremer bastante quase não conseguindo segurar a arma, sentiu seu coração acelerado mais que o normal ao apontar a arma na cabeça do encapuzado.

 Seu olhar estava para desespero, não sabendo se o que iria fazer era o certo já que nunca matou alguém antes em sua vida. Tirar uma vida era algo que Zoe menos faria, ainda mais uma vida desconhecida, sem saber se essa pessoa tem uma família que precise dele. Seu coração dizia não mas sua mente dizia sim, o momento ficou ainda mais tenso quando ouviu vozes ecoar em seus ouvidos dizendo:

 Atire.

 Atire. 

 Atire. 

 Puxa o gatilho. 

 Puxa o gatilho. 

 Puxa o gatilho. 

 Proteja Ellie Carter. 

 Proteja Ellie Carter. 

 Proteja Ellie Carter. 

 Eram repetidas tudo de uma vez sem parar, deixando Zoe louca não conseguindo nem ao menos pensar, tudo se passava em câmera lenta e as vozes cada vez mais tensas. Não sabendo o que fazer, até o momento que passou a imagem da primeira pessoa que apareceu em seus sonhos, repetindo diversas vezes a mesma coisa.

 Proteja Ellie Carter. 

 Proteja Ellie Carter. 

 Proteja Ellie Carter. 

 Você falhou Zoe. 

 Você falhou. 

 Você vai falhar se não puxar o gatilho. 

 Vamos. 

 Atire!.

 — ATIRE!. — gritou Sophia de longe.

 Mate-o. 

 Mate-o. 

 Mate-o. 

 Zoe fechou os apertando com força sentindo uma dor constante em sua cabeça, os abrindo logo depois arregalando eles assim que viu Ellie perder o oxigênio e começar a fechar os olhos lentamente, não tendo mais forças.

 Naquele momento Zoe mudou, seus olhos se transformou em ódio e fúria, podendo ver as chamas do fogo neles, seus dentes cerrava uns com os outros com força enquanto suas mãos apertava a arma parando de tremer e o sangue fervendo em suas veias, não pensando em mais nada além de matar aquela pessoa que estava matando Ellie, não pensava em mais nada além da morte dele(a).

 — MORRA!.

 Zoe gritou não pensando mais duas vezes, apertando o gatilho podendo sentir o impacto da bala saindo da arma e ouvindo ela atingir o crânio da pessoa encapuzada, que caiu morto em cima da Ellie.


Notas Finais


Obrigado por estarem acompanhado a fanfic e espero que tenham gostado da leitura ^^ vejo vocês no próximo capítulo

Beijos da ray ;3


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