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História A Profecia das Flechas - Capítulo 3


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Notas do Autor


[SPOILER]
Spoilers relacionados aos livros "O Mar de Monstros" e "O Labirinto de Fogo"

Capítulo 3 - Protetor solar fator 70


Capítulo três — Pedro

 Uma missão seguida de outra.

 Não deveria ser algo bom, mas eu estava animado. Quando Quíron explicou para os campistas a situação em que o acampamento se encontrava, foi um pouco assustador. Mas o chalé estava animado. Não era sempre que tínhamos uma desculpa pra chutar a bunda do pessoal do chalé de Apolo. É uma chance única.

 E, no fundo, eu acreditava que talvez pudesse sair em missão novamente. A jornada para recuperar a carruagem de meu pai não foi uma vitória eminente, mas também não foi um fracasso. Saímos de lá com vida e com a carruagem. Depois que Icarus foi ferido, perdemos a noção de fúria. Principalmente eu. Não precisou muito além de uma mensagem de Íris para que mandassem pégasos o suficiente para não apenas nos levarem de volta, mas carregarem a carruagem e um sátiro muito ferido. Mas ele era o único que precisava de cuidados especiais. E eu estava no comando. Provei mais uma vez que sou digno da benção de meu pai. Ele não poderia negar agora.

 Quando estava saindo do pavilhão, Quíron pediu-me um favor.

 — Pedro, uma palavra, por favor.

 Olhei para Icarus, dizendo-o que amanhã nos falávamos, e virei-me para ele.

 — Preciso de um favor. Quero que treine a garota de Apolo. Eu e Sr. D concordamos que não há outra pessoa que possa fazer isso.

 Ele parecia sério.

 — Qual garota de Apolo? — Perguntei, encarando o band-aid no meu braço. Seria muita coincidência.

 — A que os atendeu quando chegaram da missão. — Ele disse, e relaxei os ombros. Não vai ser tarefa difícil, imagino.

 Prometi que o ajudaria logo amanhã cedo e fui até o chalé 5, onde todos me esperavam para um veredito sobre o pronunciamento. Não tinha muito o que dizer, então contei-lhes o que achava.

 — Não vai ser difícil ganhar do chalé de Apolo. Vai ser a primeira vez que vão liderar uma disputa, nós fazemos isso desde sempre. E quanto à missão: que vença o melhor.

 O chalé caiu em gritos de torcida. Não éramos conhecidos pelo nosso silêncio.

 Fui dormir ainda com gritos de guerra retumbando pelo espaço. Quando me dei conta, já era o dia seguinte.

 Quase me atrasei para o primeiro dia de treinamento com a menina que Quíron pediu, mas quando cheguei na arena, ela também não estava. Menos mal.

 Tive tempo de me aquecer até a ver chegando. Parecia preocupada. Nervosa, talvez. Quando ela reparou que ainda estava com o band-aid, sorriu.

 — Sinto muito por ter que ficar preso a alguém como eu. Mas se eu fracassar, pelo menos não estou no seu time. — Ela parecia envergonhada de verdade. Não entendi ao certo qual seria o motivo da vergonha, porque todo mundo no acampamento tá constantemente treinando. Quase todos os dias, o tempo quase todo.

 Faz parte da vida de um meio-sangue lutar para sobreviver. E nem sempre temos sorte. Eu mesmo já tive uma boa dose de problemas que poderiam ter acabado da pior maneira possível. Dois filhos de Zeus morreram nos últimos dez anos. Irmãos, não apenas de pai. Thalia Grace teve sorte, conseguiu voltar. Já seu irmão, Jason, não teve o mesmo destino. Imagino que Max saiba disso, considerando que Jason morreu ajudando Apolo.

 — Deixa disso. Não é como se fosse a primeira vez.

 Pelo olhar dela, era realmente a primeira vez.

 Estranho, considerando que estávamos no acampamento há quatro verões. Acho, inclusive, que ela chegou um ou dois meses antes. Não fazia sentido ser sua primeira vez treinando combate corpo-a-corpo.

 Quando iniciei o treinamento, mesmo com os movimentos mais básicos, ela parecia perdida.

 Depois de duas horas e alguns roxos nos braços e pernas (ainda bem que foi Quíron que me pediu para fazer isso), pude notar uma melhora, embora que seus movimentos ainda sejam bem desajeitados e sem equilíbrio. Ela até tinha conseguido me acertar, então estávamos no caminho certo.

 — Tá vendo? Você não é tão ruim assim. — Disse, enquanto secava o suor da testa com uma toalha de rosto.

 — Não tenho tanta certeza assim. — Ela parecia cansada, então achei melhor terminarmos por aqui.

 — Como estão as coisas no seu chalé?

 Acho que a minha pergunta a surpreendeu. Por um segundo parecia que ela não sabia o que dizer.

 — Estão todos eufóricos. Querem ganhar o jogo pra resgatarem Will. E no seu?

 — Também querem vencer. Não costumam aceitar derrotas facilmente. Sem contar que desde ontem já tive que separar três brigas, já que todos querem sair em uma missão.

 — Mas vocês acabaram de voltar de uma missão.

 Concordei com a cabeça. É difícil mudar a natureza de um filho de Ares, afinal.

 — Bom, preciso ir. — Disse. — Combinei de me encontrar com Icarus antes do almoço. Te vejo amanhã, no mesmo horário?

 Ela confirmou e eu segui meu caminho até o bosque. Não era nenhum compromisso sério, mas não tinha falado com ele desde ontem no pavilhão.

 Icarus não é apenas o sátiro que me acompanha em todas as emboscadas possíveis, ele também é meu melhor amigo.

 Nos conhecemos na escola. Ele era o garoto alto e magricelo que sofria bullying por ser presa fácil e eu era o garoto esquentado que não conseguia ficar calado quando via esse tipo de coisa acontecendo. Fórmula mágica para desastre. No último dia de aula, voltando pra casa, um cinocéfalo nos atacou.

 Achei que fosse só um cachorro, no começo. Depois eu vi seu corpo se transformando em um corpo humano, e não entendi nada. Icarus me entregou uma espada, que aparentemente estivera com ele o tempo todo e eu não havia reparado e me instruiu a matar o monstro.

 Mal tive tempo de processar e estava sendo arrastado estrada a fora. Foi assim que cheguei aqui. Não teria conseguido sem ele.

 Quando o encontrei no bosque, meu amigo estava aprendendo algo em seu instrumento de bambu. Parou assim que me aproximei.

 — Oi, cara. Não consegui falar com você ontem. O que Quíron queria falar com você?

 — Ah, ele só pediu que eu treinasse a filha de Apolo. Acho que ela nunca tinha participado de um treinamento desde que chegou aqui. Nada demais.

 Ele parecia interessado, mas como se debatesse se deveria ou não demonstrar. Por fim, apenas me disse para tomar cuidado e evitar exposição demais ao sol.

 Prometi que arrumaria um protetor solar e continuamos conversando sobre assuntos aleatórios. 



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