1. Spirit Fanfics >
  2. A Profecia das Flechas >
  3. A bandeira, não o olho

História A Profecia das Flechas - Capítulo 5


Escrita por:


Capítulo 5 - A bandeira, não o olho


Capítulo cinco — Max

  Quando acordei, no dia seguinte, a ficha caiu. Sexta-feira. Dia de capture a bandeira. De decidir quem vai sair em missão. Não estava muito preocupada com a segunda parte, mas ter que ficar no meio do terreno enquanto o jogo acontecia não era algo que eu estava particularmente animada.

 O chalé todo parecia animado. Não sei se por causa de Will e seu resgate quase eminente ou pela chance de liderar um jogo pela primeira (e provavelmente única) vez.

 As regras são simples: o time que conquistar a bandeira do outro e atravessar o riacho primeiro ganha. Vale por todo o limite do bosque, sendo que cada equipe tem uma metade. Todas as armas e artefatos mágicos são permitidos. Matar e/ou arrancar pedaço deve ser evitado a todo custo, ou o assassino barra mutilador fica uma semana sem sobremesa. Geralmente quem lidera os times são os conselheiros, mas como estamos em falta dele no momento, Austin vai cuidar dessa parte. Foi uma decisão unânime, em partes porque ninguém mais queria essa responsabilidade.

 Em uma partida normal, não ficaríamos o dia todo por conta de uma atividade recreativa, mas têm vidas em jogo, então a situação muda.

 Da hora em que levantei até o momento que Quíron nos reuniu nas fronteiras da floresta pra escondermos as bandeiras, o acampamento todo não falava de outra coisa.

 — Vocês vão comer poeira. — Disse uma garota de Ares, cujo nome desconheço.

 Ah, sim. As provocações tinham se triplicado. Quer dizer, já eram comuns antes, mas colocar dois chalés com um histórico de rixa pra competir tão diretamente não poderia ter nenhum resultado diferente.

 Éramos a equipe azul, logo, estávamos não apenas de armadura, mas com capacetes de penugem azulada. O metal ficava um pouco grande em mim e eu me sentia ridícula, mas é melhor do que ser empalada viva por uma lança elétrica. Percebi como elas caíam bem no pessoal do chalé 5. Principalmente em Pedro. Talvez porque ele fosse o conselheiro e tivesse uma ótima postura confiante. Talvez porque eu já não me sentia tão assustada na presença dele. Vai saber.

 Malcolm Pace, do chalé de Atena, se ocupou de esconder a nossa bandeira. Deles, no caso. Nossa emprestada. Ele a deixou atrás de um grande carvalho, protegida por arbustos com espinhos. A estratégia era deixar dois campistas mais fracos para defende-la e posicionar alguns arqueiros nas árvores em volta. Austin iria atrás da bandeira inimiga e o resto deveria focar em protege-lo.

 — Lacy, fica na bandeira junto com Damien. Kayla, você vem comigo. O resto da cabine de Apolo se posiciona nas árvores com os arcos. Campistas que sobraram, reforcem o perímetro. Façam o que for preciso pra que não saiam daqui com a nossa bandeira. — Austin parecia muito confiante.

 A sirene tocou e entendemos que o jogo iria começar, então fiz o que eu deveria: tentei subir em uma árvore pra defender a bandeira. No fim, acabei me agachando atrás de uma parede rochosa que tinha não muito longe dali, porque percebi que jamais conseguiria manter o equilíbrio e segurar uma arma ao mesmo tempo.

 — Vocês nunca vão ganhar. É melhor desistirem, ainda dá tempo de providenciar a trilha sonora pra nossa vitória. — Sherman Yang, do chalé de Ares, disse.

 — Nossa, que medo. Mas será que vocês têm alguma estratégia além de força bruta? — Kayla respondeu.

 No começo, o jogo foi tranquilo. A bandeira ainda não tinha sido capturada, eu não precisei sair de trás da pedra e parecia estar tudo bem. À medida que fui ouvindo os gritos se aproximando, fiquei mais alerta. Não pretendia fazer nada, mas queria ao menos assistir.

 Pude ver dois semideuses do time vermelho comprando briga com os defensores da nossa bandeira e os tirando do campo de visão. É uma boa estratégia, devo admitir. Abre espaço pra que a comitiva da captura conclua seu objetivo da maneira mais fácil possível. E lá estavam eles.

 Pedro vinha pelo caminho principal, sem o elmo de sua armadura, com os cabelos molhados por causa do rio e segurando suas duas adagas. Ao seu lado, uma meio-sangue filha de Hades.

 — Seni, fica de guarda nos limites do rio. — Ele disse, e ela concordou. Espertos, porque é uma boa maneira de se atrasar a equipe rival.

 Pedro estava cada vez mais próximo da bandeira. Acredito que ele sabia que era uma armadilha, considerando que não tinha ninguém nos seus arredores. Logo, começaram a disparar flechas, mas elas não pareciam o incomodar, já que desviava com facilidade e até mesmo as derrubava usando as adagas. O jeito que ele se movia era gracioso demais para um filho de Ares. Não foi muito difícil de pegar a bandeira, então logo ele foi em direção ao rio.

Eu não tinha planos de disparar. Se não fosse por uma flecha específica. Ela vinha de uma árvore na diagonal, perto da fronteira do rio. Não me lembro de ninguém ter se posicionado ali. Vinha de muito mais alto que todas as outras, em uma velocidade não tão alta, mas com uma angulação praticamente perfeita. E parecia afiada.

 Algo me dizia que aquela flecha não era simplesmente para defender a bandeira. Todo o meu corpo tremeu com a onda de adrenalina que eu recebi. Se eu não fizesse algo, ele seria acertado. E não seria um machucado bonito. Segundo meus cálculos rápidos e muitas vezes imprecisos, ele poderia até mesmo ficar cego. Eu precisava fazer alguma coisa. Cogitei pular na frente da flecha, mas não tinha tempo o suficiente. Teria que interceptá-la no céu.

O que aconteceu depois é algo que eu ainda não consigo explicar.

Foi tudo muito rápido. Eu estava me movendo no piloto automático. Disparei uma flecha, a menos letal que encontrei na minha aljava, que passou raspando perto de sua cabeça e derrubou a outra. Parece que tudo aconteceu em câmera lenta, o tempo não fazia mais sentido. Minha pele estava quente. Podia sentir todo o meu rosto pegando fogo. Estava exausta, embora não tenha feito nada, e a minha pressão caiu. Não conseguia ver nada. Ao fundo, ouvi uma explosão.

 Quando consegui enxergar novamente, vi que Pedro já havia atravessado o rio.

 Ares ganhou. E eu estava encrencada.

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...