História A Profecia do Fogo - Capítulo 15


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Categorias Eldarya
Personagens Erika, Ezarel, Leiftan, Nevra, Valkyon
Tags Aventura, Eldarya, Fantasia, Romance
Visualizações 133
Palavras 2.441
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá
Eu não iria postar, mas para ser sincera eu não consigo me conter quando escrevo um capítulo. Fico com vontade de postar rápido. Espero que vocês sintam a mesma ansiedade que eu sinto enquanto estou escrevendo, eu sempre fico animada para escrever o próximo, como se eu não conhecesse minha própria história e pudesse me surpreender com os acontecimentos.

Boa leitura!

Capítulo 15 - Além da Vida


Fanfic / Fanfiction A Profecia do Fogo - Capítulo 15 - Além da Vida

Foi com muita alegria que Ezarel anunciou aos tripulantes que chegariam em breve ao seu destino. E com felicidade maior ainda Érika recebeu aquela notícia, pois não suportava mais ter de tomar uma poção contra enjoo todos os dias. A poção já tinha deixado de funcionar diversas vezes e a dose tinha sido dobrada tantas outras vezes. O grande problema era o efeito colateral: derrubava o mais valente dos homens ou até mesmo o mais feroz blackdog.

De madrugada, Érika abriu os olhos após longas doze horas de sono. Era possível se cansar enquanto dormia? Se era, estava extenuada. Se esticou na cama tentando se lembrar como tinha chego em seu aposento; só se lembrava de ter tomado a poção que Ezarel tinha acabado de preparar. Ela sorriu, contente ao perceber que não sentia mais náuseas, e decidiu caminhar até a proa do barco. Descobriu então que não era a única que gostava de observar o céu a noite, quando perdia o sono. Não estava sozinha, mesmo sendo tarde, havia alguém de costas para ela, olhando as estrelas. Alguém a quem não foi capaz de discernir a primeiro momento. Parecia um homem, mas nenhum dos tripulantes do sexo masculino tinha cabelos médios.

- Oi... – ela cumprimentou para que ele olhasse, mas o sujeito parecia absorto pelos pequenos e brilhantes pontinhos no céu. – Você também não consegue mais dormir?

- É- Érika?

A voz grave mostrou que ela não estava errada, de fato, se tratava de um homem e sua voz era familiar, mas não parecia ser de nenhum dos tripulantes. E por algum motivo parecia emocionado.

Ele se virou, revelando sua face.

E ela assustou-se. Seu rosto ficou pálido e o coração falhou uma batida.

- Pelo oráculo! Eu devo estar sonhando!

Ela se recostou no batente da porta da cabine, suas mãos estavam trêmulas. Piscou os olhos várias vezes e esfregou os dedos neles sem saber se ficava feliz ou assustada por vê-lo.

- Érika! – Ele abriu um sorriso enorme, emocionado, e correu na direção dela, que se afastou espantada. – Você consegue me ouvir e me ver? Você consegue? Não precisa ter medo, sou eu – sorriu mais ainda, quase não cabia no seu rosto o sorriso – sou eu mesmo Érika, o Savión! Em carne e osso... quer dizer, não exatamente. Eu sou uma alma agora, mas eu ainda sou eu.

Da boca dela só saíram sons quase inaudíveis e incompreensíveis, enquanto buscava consolo nas frias barras de metal de dentro da cabine. Nem sabia onde pôr as mãos, os pés, os olhos...

- Misericórdia! Eu estou sendo assombrada por uma alma penada! – Seus olhos esbugalhados percorriam o ambiente quase acompanhando o ritmo de seu coração acelerado.

- Calma, linda, eu não estou te assombrando não! – Anunciou gesticulando com as mãos para intensificar suas palavras. – Eu sou eu, olha só – o moço deu um giro de 360 graus com os braços abertos e um olhar animado, exatamente como Savión fazia quando chegava de uma missão muito longa e perigosa.

A mesma voz, a mesma empolgação, a mesma postura, a mesma aparência. Tudo era o mesmo, parecia até de carne e osso, mas ela sabia que aquilo não podia ser real, afinal, ele estava morto. Não era possível! Ou era?

- Sa-vi-ón...?

- Ah! Eu estou tão feliz de poder falar com você! – Num ato de alegria extrema ele simplesmente se jogou em cima daquela que tanto gostava, mas seu corpo atravessou o dela e ele terminou abraçando o próprio corpo. Descobriu naquele momento que mesmo quando alguém finalmente podia vê-lo, ainda não podia toca-lo e vice e versa. – Não é justo... – frustrou-se.

Quando olhou para onde ela estava uns instantes atrás, encontrou-se sozinho, não sobrara nem poeira para contar história, mas a encontrou facilmente apenas olhando através da parede emadeirada. Ela brilhava com mais intensidade que antes, quando ele ainda procurava um caminho até o outro lado e só conseguia enxergar aquela luz que o atraia. Ela era tudo o que ele via nos primeiros dias e ficara feliz ao saber a quem pertencia aquele brilho incandescente, agradável e de temperatura quase palpável. Tinha vagado por dias antes de encontrar o caminho até o quartel general da guarda de Eel, mas entristeceu-se quando descobriu que ninguém podia vê-lo, ouvi-lo ou toca-lo, mesmo tendo ciência de sua condição de ser que não pertencia mais ao mundo dos vivos.

Questionara-se se estava fadado a morosidade do tempo por ter, em vida, desafiado a morte. Descobrira que seu ciclo no mundo dos vivos ainda não havia cessado, encontrava-se preso a algo. Algo que transcendia a existência, como uma conexão etérea com o mundo daqueles que sucumbiam lentamente.

Levou tempo e paciência para explicar a sua querida amiga o que se passava. Ela mostrara-se irresoluta quanto a estar sendo visitada por alguém do além e Savión explicara que não era bem uma ‘alma penada’, mas sim uma alma que não tinha alcançado o outro lado do véu que separava os dois mundos.

- Pensando bem, eu acho que eu não quero atravessar esse troço. Olha só que fantástico – ele flutuou lentamente, e depois começou a dar piruetas no ar e a voar ao redor do barco, com seu sorriso mais sapeca e um riso contagiante. – Eu posso voar, Érika, eu voo, olha só – e ria-se mais e brincava e fazia travessuras, contagiando com sua alegria a antiga parceira de missão.

- Parece relaxante – comentou, acompanhando os movimentos do fantasma camarada. – Mas está fora de cogitação você ficar aqui me assombrando.

- Ai! – Ele cerrou os olhos com as mãos sob o peito. – Você partiu meu coração de novo – fungou, fingido, e se jogou para trás até estar flutuando deitado – Ah, é, eu não tenho mais um coração.

- Você é impossível! – Érika revirou os olhos, divertindo-se com a situação. – Agora me explique como eu posso te ajudar.

- Bom, eu ainda não sei, mas talvez um beijo ajude – Savión lançou um olhar sedutor, levantando as sobrancelhas várias vezes para firmar a cantada.

Recebeu um olhar descrente em vez de um beijo.

- Eu não acredito que estou sendo paquerada por um espírito.

- Alma – corrigiu ele, levantando o dedo indicador e montado no seu disfarce de homem sério. – Uma nobre alma apaixonada que veio ao encontro de sua amada. Como Romeu e Julieta, só que do além.

De repente, Érika foi visitada por algumas lembranças e isso levou embora o sorriso que trazia estampado no rosto, forçando-a a esboçar um sorriso amarelo.

- Você diz que algo te prende aqui e eu acho que eu sei o que é.

A moça não economizou as palavras, tampouco se preocupou com o peso delas. Explicou com detalhes porque achava que a traição da guarda reluzente tinha algo a ver com a situação do amigo. E claro, contou tudo o que tinha acontecido após o sepultamento. A missão falsa, a poção, as mentiras de Miiko e todo o resto. Era a primeira vez que conversava com alguém – mesmo que fosse um fantasma – sobre aquilo e se sentiu aliviada por ter confessado tudo em voz alta. Era o que faltava para conseguir seguir em frente.
Mas não contava com a revelação que a faria questionar tudo, de novo.

- Não foi bem uma missão falsa, nós realmente fomos buscar informações sobre o homem que te atacou na praia, mas não estávamos autorizados a tomar nenhuma atitude, a ordem era correr se nossos caminhos se cruzassem – explicou, dessa vez sem fazer nenhuma gracinha. – Mas você me conhece, não é? – Sorriu, sugestivo. – Você sabe que eu não ia correr. Como eu queria ter achado aquele idiota para mostrar que ele nunca deveria ter se metido com os meus amigos! – Savión mirou o rosto dela e encheu o peito com valentia.

- A que custo, ahn? E como assim não era uma missão falsa? Eu ouvi! – Exclamou com bastante convicção e um olhar firme. – A Miiko nem mesmo tentou se defender quando eu falei sobre o que tinha ouvido.

- Érika – uma mão amiga pairou sob a pele nu do ombro dela. Seus olhares se encontraram em um silêncio que os permitia conversar sem proferir uma palavra sequer. Savión podia ter dito alto o quanto sentia muito por tudo o que tinha acontecido, mas ela sabia disso. Não eram daquelas palavras que seu coração precisava no momento. Ele continuou: – Eu não sei o que você ouviu, mas a Miiko provavelmente não falou nada porque não podia falar, mas eu sabia, eu sabia sobre a missão meio falsa, eu sabia! E sabe de uma coisa? Eu faria de novo, e de novo, e de novo... – seus lábios formaram um sorriso quase horizontal, mas a paixão de seu olhar era fervorosa. – O único arrependimento que eu vou levar comigo é o de não ter te conhecido quando você era solteira, porque de resto eu estou completamente realizado! E quem sabe a gente não se encontra na próxima vida? Se a gente se encontrar, você vai me dar uma chance, não vai mesmo?

- Quem sabe...

Ela trouxe para o rosto dele o sorriso mais largo possível. Ter um pouco de chance era melhor que não ter nenhuma.

- Até lá, a senhorita vai parar de se sentir mal por causa de mim, estamos combinados?

Ela assentiu sorridente.

- Algum problema, Érika?

Os dois olharam juntos para a mesma direção: Ezarel em pé ao lado da cabine, confuso e preocupado.

- Chefinho! – Savión gritou empolgado. O olhar demorado da moça alternou-se entre o amigo e o ‘chefinho’. – Ele não pode me ver nem me ouvir, só você pode. – Anunciou como se estivesse falando sobre o clima, e correu do lado do elfo.

Ela não teve tempo de digerir aquela informação e já ouviu outra pergunta:

- Você estava conversando com alguém? – Ezarel perguntou.

- Não te disse? – Savión o fez também sem dar espaço entre sua pergunta e a do outro.

- Não – ela respondeu.

- Eu pensei ter ouvido alguma coisa.

- Disse sim – Savión respondeu junto com Ezarel, pensando que a resposta tinha sido para a sua pergunta, quando, na verdade, não era. – Olha só como ele não pode me ver – o rapaz se pôs na frente do chefe da guarda absinto e fez uma careta, não houve reação de seu alvo. Depois ainda se atreveu a chacoalhar a mão na frente do rosto dele. Como se não fosse suficiente, agora atrás de Ezarel, ele começou a fazer movimentos com os dedos ao mesmo tempo que posicionava as mãos em cima da cabeça de seu antigo chefe, criando chifres engraçados nele, sem tirar o sorriso sacana do rosto.

Érika não conseguiu conter o riso mordendo os lábios e teve que colocar a mão na frente da boca para executar a tarefa. E falhou.

- Ah! – Ela gritou e escondeu o rosto com as mãos, envergonhada. Aquilo era tão constrangedor quanto hilário, mas corria o risco de acabar taxando-a de louca – Pare com isso.

- Eu só fiz uma pergunta – Explicou o elfo, totalmente confuso.

- Há, vai, confessa que você gostou – e o grifo continuou falando em cima ou quase junto com o elfo.

Érika abaixou as mãos e respirou fundo para tomar postura e se recompor. Dessa vez obteve sucesso na investida.

- Eu estou bem, Ezarel – destacou o nome e olhou diretamente para o dono dele, tentando evitar que seu amigo brincalhão se confundisse e consequentemente a confundisse.

- Viu, Ezarel? – O hibrido falou, fingindo seriedade. – Ela está bem.

Ele foi ignorado pela única pessoa que podia ouvir suas gracinhas.

- Se você diz – assentiu Ezarel, pouco convencido e preocupado.

- Fala sobre mim para ele, Érika – Savión sugeriu.

- O que você está fazendo acordada a essa hora? Amanhã nós precisaremos estar em forma – Disse o alquimista, e se aproximou dela. O fantasma o seguiu como se fosse sua sombra.

- Eu não consegui mais dormir e decidi tomar um ar.

- Você não vai falar com ele sobre mim?

- Isso tem alguma relação com seu enjoo?

- Érika, fala para ele, talvez ele possa ajudar.

- Eu...

Ela não sabia para qual deles olhar, seu ‘encosto’ estava falando junto com o outro, dando pouco tempo para formular uma resposta ou pensar no que fazer. Uma respiração funda acalmou os ânimos por um instante.

- Fala com ele.

- Não.

- Não?

- Não o que? – Ezarel passou um olhar minucioso em cima dela e percebeu que suor escorria de suas têmporas. Foi então que percebeu que havia algo errado. Muito errado. – Você está com algum problema?

- Não, nada – respondeu sem convencer.

- Érika, fala com ele – Savión insistiu mais uma vez e acabou com o que restava da paciência de sua querida amiga, que respondeu grosseira:

- Eu não vou falar!

- O que? – Ezarel quis saber a resposta do que nem era direcionado a ele.

- Por quê? – Savión abaixou o olhar, tristonho.

Com muita dificuldade a faeliana engoliu o nervosismo e tentou remediar o que tinha dito antes, fazendo parecer que estava falando com uma só pessoa:

- Eu não vou falar o que me incomoda, Ezarel.

- Érika, você precisa falar com ele.

- Você quer conversar com a Ewelein, talvez?

- Vai Érika.

- Para! – Quase gritou, mas tomou outro suspiro longo e com efeitos calmante para tentar, mais uma vez, não parecer louca. – Quer dizer, para quê?

- Você tem certeza que está bem?

- Fala logo!

- Sim, eu só devo estar um pouco...

- Vai, fala!

- Você quer calar essa boca?! – Érika perdeu de vez as estribeiras e gritou com o fantasma nem tão camarada assim.

- O que? – Ezarel espantou-se.

- Não você – respondeu Érika, olhando no rosto e mirando o braço na direção do companheiro vivo –, ele! – E apontou para o alvo que somente ela podia ver.

- Ele quem? – Ezarel olhou para trás, para os lados e até para cima, só para se certificar, mas não viu nada nem ninguém além da vasta escuridão do céu estrelado. – De quem você está falando?

O arrependimento lhe veio como um soco no estômago. Precisou tapar a boca para não brigar consigo ou com Savión, que tinha grudado nela seu belo par de olhos âmbar. 

- Desculpa, não queria te irritar – desculpou-se o moço.

Era impossível dizer não a ele, mas não podia falar mais nada nem olhar para outra direção que não fosse o outro dos rapazes.

- Eu estou brincando com você – fingiu imitando um sorriso verdadeiro. – Eu acho melhor irmos dormir.

No outro dia, pela manhã, finalmente os guardiões de Eel puderam vislumbrar no horizonte algo que não fosse água. Era verde. Verde e brilhante.


Notas Finais


Eu estou ajustando algumas coisas nos capítulos anteriores. Fique tranquilo que não é nada que interfira na história. São coisas relacionadas a formatação do texto e quaisquer eventuais erros de grafia, acentuação e ou pontuação. Eu sempre reviso o capítulo várias vezes antes de postar, mas as vezes acontece de passar um erro despercebido. Alguém me enviou uma mensagem alertando sobre isso e eu vou corrigir. Se você perceber algum erro, não deixe de me falar, por favor.
Até a próxima!


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