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História A Profecia Perdida - Capítulo 44


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Notas do Autor


N/A: Oi gente!! Mais uma quinta conseguindo manter as postagens regulares pra vcs, estou muito feliz!
Esse capítulo ficou bem grande e talvez desagrade algumas pessoas, mas peço que entendam que tudo tem um motivo pra acontecer aqui, beleza?
Então leiam com carinho e espero que gostem!
:****

Capítulo 44 - Capítulo 44


Fanfic / Fanfiction A Profecia Perdida - Capítulo 44 - Capítulo 44

Cinco dias haviam se passado desde que Sarah ouvira a conversa entre Draco e Murta no banheiro. Por mais que tentasse, não conseguia tirar tudo aquilo de sua mente. Havia conversado com Adam sobre o assunto achando que aquietaria seus pensamentos, mas estava errada. 

Decidira também que não contaria aos seus amigos de casa sobre aquilo, afinal, não havia nada na conversa que desse indícios de que Draco tramava algo como Harry suspeitava. Queria guardar aquelas informações para si por um tempo, falaria com os amigos quando se sentisse mais à vontade.

Estava sentada com Adam na mesa da Lufa-Lufa durante o almoço. Conversavam amenidades, até o rapaz tocar no assunto mais uma vez.

— Como você está? - O lufano perguntou com a voz mais baixa.

— Processando as coisas. - Respondeu com sinceridade — Às vezes eu penso que deveria conversar com Malfoy sobre o que ouvi, mas depois penso se não é melhor deixar tudo como está.

— Tem certeza que isso te deixaria mais tranquila?

— Provavelmente não… - Ela respondeu pensativa.

— Por acaso você já contou pro Harry o que você ouviu? - Indagou o lufano dando um gole em seu suco.

— Resolvi não contar por enquanto. - Disse enquanto encarava seu prato.

— Não acha que deveria conversar com ele antes de tomar qualquer decisão? - Perguntou com sinceridade — Afinal, vocês dois estão juntos… - Recordou em voz baixa — E talvez, só talvez, ele não vá gostar muito de saber que você está querendo conversar com alguém que ele simplesmente odeia.

As palavras do melhor amigo fizeram com que Sarah sentisse um incômodo no estômago. Sabia que conversar com Harry era importante, mas ao mesmo tempo, aquele assunto dizia respeito a morte de seu pai e ela sentia que precisava tratar daquilo sozinha por enquanto.

— Sim, eu deveria. - Ela respondeu sinceramente.

—  Mas não vai. - Adam concluiu.

— Eu só acho que preciso lidar com isso sozinha. - Confessou — Tenho que encerrar essa questão com Malfoy de uma vez.

— Você tem evitado o Malfoy por tanto tempo… Por que está querendo resolver isso agora? - O rapaz perguntou curioso.

Sarah parou por alguns segundos para analisar a pergunta que o amigo fizera. Sabia que havia passado boa parte do ano destilando toda sua raiva pelo loiro e sua família, mas ouvir a conversa entre Draco e Murta havia mexido com ela de alguma maneira. Era como descobrir que esteve certa o tempo todo. Que Draco Malfoy não era um completo idiota, mas sim um ser humano com sentimentos como todos os outros.

— Você não ouviu a conversa dele… - Disse dando um gole em seu copo — Ele estava completamente perdido. - Completou — O que me leva a crer que eu estava certa no ano passado.

— Não vai me dizer que isso tudo é pra provar que você tinha razão o tempo todo? - Adam perguntou mexendo nos óculos.

— Não! - Disse prontamente — Não é só sobre estar certa ou errada. - Explicou — Eu só… - Ela suspirou antes de prosseguir — Eu só sinto que preciso fazer isso, entende?

— Não vou mentir pra você dizendo que entendo. - Respondeu com sinceridade — E também não posso te dizer pra não seguir o que quer que seja isso que está sentindo.

— Mas? - Ela perguntou. Sabia que Adam tinha mais a dizer.

— Mas ainda acho que você deveria conversar com o Harry em algum momento. - Concluiu.

— Eu vou conversar com ele, eu prometo. - Disse após respirar fundo.

— Não esperava menos de você. - Adam falou em meio a um sorriso no momento em que abraçou a amiga.

— Obrigada por me ouvir outra vez. - Comentou — Embora você não tenha me ajudado em absolutamente nada!

— Mas que absurdo! - Exclamou fingindo-se de ofendido — Você acha que todas as minhas perguntas não foram feitas de propósito? - Perguntou retoricamente — Eu levei você exatamente ao ponto que eu queria!

Sarah olhou para o amigo de boca aberta. Às vezes esquecia como Adam era bom em lidar com pessoas, mais especificamente com ela. 

— Você consegue ser irritante às vezes, sabia? - Perguntou ao empurrar o amigo com o ombro.

— Eu também amo você. - Adam disse fazendo a amiga sorrir.

(...)

A torre de astronomia estava vazia. O que, para Draco, era perfeito. Queria ficar sozinho, precisava ficar sozinho. 

Desde que voltara do recesso de fim de ano, só conseguia pensar em voltar pra casa. Queria estar perto da mãe, que naquele momento, era só o que lhe dava conforto. Hogwarts estava longe de ser o lugar mais acolhedor para ele, ainda mais quando se lembrava de sua missão.

Ele não conseguia mais mentir para ele mesmo, estava com medo. Sabia que provavelmente continuaria a falhar miseravelmente em suas tentativas de matar Dumbledore e do que aquilo significava para ele e sua mãe.

O que ele esperava de tudo aquilo? Por mais que não admitisse para os outros ele tinha ciência de que o diretor era um dos melhores bruxos ainda vivos. Como conseguiria matar alguém com um poder como o dele?

Suspirou em meio a seu desespero e passou a mão nos cabelos loiros, que já não apresentavam mais o mesmo capricho de antes. A pena de um dos passarinhos mortos dentro do armário sumidouro em mãos. Seu tempo estava se esgotando, ele e sua mãe foram devidamente avisados durante o recesso. 

Era fato, estava completamente perdido. Não havia maneira de sair ganhando naquela situação. Mais uma vez desde o início do ano letivo, sentiu o peito apertar de tal forma que não conseguia mais puxar o ar em seus pulmões. 

Por fim, fez a única coisa que conseguia fazer quando estava sozinho: Chorar. Em meio a seus soluços, um milhão de coisas passavam em sua mente, mas nenhuma delas lhe trazia a paz que precisava. 

Por um instante, odiou o pai. Culpá-lo estava sendo sua válvula de escape desde que havia o visitado em Azkaban. Lembrar que ele estava pagando pelo erro da pessoa que o fez ser quem era, que não lhe permitiu ter outras escolhas, era demais para Draco.

Não estava acostumado a se permitir sentir. Sempre fora educado a não transparecer qualquer sentimento que o fizesse parecer fraco na frente de pessoas que sua família julgava ser inferior. 

E naquele momento, sentir era algo que ele simplesmente não conseguia deixar de fazer. O bolo na garganta ficou ainda maior quando se deu conta, finalmente, de que havia sido tolido de ser alguém melhor do que era.

“Mas e se eu tivesse tido outra escolha?”, se indagou sentindo as lágrimas escorrerem pelo rosto cada vez mais pálido. “Provavelmente eu não seria melhor do que sou agora de qualquer maneira.”, lamentou.

Se lembrou do início do ano letivo de quando encontrou Sarah no Expresso. As palavras dela nítidas em sua mente, fazendo com que ele se sentisse ainda pior. “Eu estive o ano passado inteiro tentando provar pra mim mesma que você era algo além do que mostrava pra todo mundo…” 

Ela havia acabado de perder o pai, mas estava ali dando a entender que acreditava que ele era alguém diferente. Mesmo com todo o ódio que Sarah sentia dele e de sua família naquele instante, ela conseguiu demonstrar algo além de desprezo.

Pensar nela tão pouco aliviava o peso que sentia. Não conseguia mais suportar a culpa que vivenciava quando estava na presença da morena. Estava sendo covarde e sabia disso, afinal, o que era a culpa se comparada a dor que Sarah havia sentido ao perder o pai?

Os olhos voltaram a encher d’água ao lembrar das palavras do pai em Azkaban. “Matei Fharell Standish e o mataria tantas vezes eu tivesse a oportunidade. Matei Fharell Standish porque o odiava. Porque ele era um mestiço imundo, e é isso que gente como ele merece.”.

Recordar a visita em Azkaban, e em como a experiência havia sido a pior de sua vida até aquele momento, trazia ainda mais intensidade as suas lágrimas. Foi ali, ao sair daquela prisão, que provavelmente seria sua morada em breve, que ele decidiu não continuar a frequentar suas aulas de medibruxaria. Foi onde decidiu que se afastaria completamente de Sarah e de qualquer um que pudesse apresentar algum tipo de apreço por sua pessoa.

Azkaban havia acabado com a pouca esperança que Draco tinha de ter uma vida normal. Azkaban havia mostrado a ele a realidade, e ele sabia que não era forte o suficiente para se preparar para esse seu futuro cada vez mais próximo.

(...) 

Sarah andava pelos corredores respirando fundo. Se separou de Adam tão logo o corredor bifurcou e disse que precisava ficar sozinha por um tempo. Tinha muito o que pensar depois da conversa com o amigo durante o almoço.          

Talvez não devesse se preocupar tanto com Malfoy. Talvez devesse esquecer que ouviu aquela conversa e assumir que o loiro era exatamente aquilo que mostrava a todos da escola. Mas e se ela realmente estivesse certa? Conseguiria conviver consigo mesma sem saber a resposta dessa suposição?                    

Resolveu que iria para a torre de astronomia. Sabia que naquela época do ano ela ficava vazia por conta do frio e era justamente o que ela precisava no momento. 

Chegou naquele que era seu lugar favorito em toda escola e logo percebeu que não estava só. O ar ficou preso em seus pulmões quando viu que quem estava na torre era justamente Draco Malfoy. 

Por um segundo, Sarah pensou em descer as escadas e voltar para a Grifinória, mas mais uma vez ela ouviu a voz em sua cabeça dizendo que ela deveria prosseguir. Entrou na torre com a respiração pesada e viu o momento em que sua presença chamou a atenção de Draco. Era impressão sua ou o loiro estava com os olhos marejados?

Sarah se sentou e trocou um olhar rápido com o rapaz no momento em que ele se levantou e se encaminhou para a saída da torre. Draco passou apressado por ela e se aproximou das escadas. Ela sabia que não podia perder aquela oportunidade. Resolveria sua dúvida de uma vez por todas.

— Malfoy! - Chamou ficando de pé.

Draco ouviu a voz de Sarah chamando seu nome. Por que ela tinha que aparecer logo ali naquele momento? Não podia transparecer sua tristeza, tinha que sair dali o quanto antes.

— Malfoy! - Ela chamou pela segunda vez enquanto se aproximava do loiro.

“Ignore, ignore, ignore”, ele repetia mentalmente enquanto tentava se recompor de sua crise de minutos antes. Limpava os olhos de forma discreta e passava a mão pelos cabelos tentando voltar a sua postura arrogante de sempre.

Sarah sentiu a irritação queimando na sua garganta. Ela tentava conversar com ele e ele simplesmente a ignorava daquela forma? 

— Draco, quer parar por um segundo? - Pediu com o tom de voz mais elevado.

Ouvir seu nome fez com que o loiro parasse finalmente. O que ela queria afinal? Ficou ali, estático, próximo das escadas ponderando se começava a descer ou não. 

— O que quer, Standish? - Indagou sem se virar. A ideia de descer as escadas ainda era bem atrativa.

A morena se aproximou dele e ficou alguns segundos esperando que ele se virasse. Percebendo que seria mais fácil fazer Snape sorrir do que fazê-lo encará-la, tomou uma atitude.

— Olhe pra mim, estou falando com você. - Disse irritada enquanto pegava o pulso do loiro e o puxando até que ficassem um de frente pro outro. 

Ficaram alguns segundos em silêncio até Sarah soltar o pulso de Draco que a encarava confuso com o gesto. 

— O que? - Ela perguntou na defensiva — Você já fez isso comigo várias vezes antes. - Se explicou.

— Vou perguntar outra vez. - Começou sério — O que quer, Standish?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos enquanto prestava atenção no rosto do loiro. Seus olhos estavam levemente vermelhos e inchados. “Será que ele realmente estava chorando?”, se perguntou antes de sacudir a cabeça e voltar à sua postura anterior. 

 — Pensei que fosse óbvio. - Respondeu com veemência cruzando os braços — Quero falar com você.

— E desde quando nós dois interagimos fora das aulas? - Draco perguntou imitando o gesto.

Sarah soltou um suspiro longo. Ela sabia que aquilo seria difícil para os dois. E também sabia que Draco estava certo. As conversas entre os dois eram raras no quinto ano e, depois do ocorrido com seu pai, tudo entre eles se resumia a trocas de farpas e discussões rápidas sobre as aulas de medibruxaria.

— Se você fosse as aulas eu não precisaria estar falando com você agora, não é? - Questionou irritada. Ele precisava mesmo agir daquela maneira?

— Se veio aqui para falar sobre aulas, acho que não temos nada pra conversar. - Disse simplesmente.

Ela respirou fundo. Devia ter previsto que não seria tão fácil se aproximar dele. 

— Eu só… - Começou tentando alinhar seus pensamentos. O que estava fazendo ali afinal? E por que raios ela sentia que era exatamente aquilo que ela tinha que fazer naquele momento? — Eu só queria conversar com você como duas pessoas normais.

Draco a encarou e deu um sorriso irônico antes de responder.

— E desde quando nós dois somos pessoas normais, Standish?

A pergunta fez com que Sarah prendesse sua respiração. Mais uma vez ele tinha um bom ponto de vista, e ela não sabia como responder aquela pergunta. 

— Tenho mais o que fazer. - Mentiu — Até mais, Standish. - Ele disse ao se virar e voltar a se dirigir para saída da torre.

— Se você acha que não podemos conversar como pessoas normais… - Começou com a voz mais baixa — Vamos conversar como o que somos realmente… - Ela pausou antes de prosseguir — Vamos conversar como duas pessoas machucadas. - Concluiu com firmeza.

O loiro interrompeu sua caminhada e se virou para ela novamente. Sarah o encarava com os braços cruzados. Ela sustentava o olhar com firmeza. Se ela queria mesmo ter aquela conversa, então ele deixaria sua covardia de lado e conversaria com ela.

— E o que faz você pensar que sou como você? - Ele indagou. Não queria ceder, não queria que ela visse o que havia sobrado dele.

Sem desviar o olhar, ela resolveu que jogaria limpo. Se ele gostaria ou não de sua sinceridade, ela não se importava.

— Eu preciso mesmo responder sua pergunta? Ou quer que eu chame a Murta aqui pra explicar pra você? - Ela perguntou sem pestanejar.

Draco sentiu todo o ar de seus pulmões indo embora ao ouvir as palavras da morena a sua frente. Ela havia escutado uma de suas conversas com a Murta, era por isso que ela tinha tanta certeza de que ele estava tão destruído quando ela.

— Não sabia que gostava de ouvir a conversa dos outros por trás da porta, Standish. - Disse tentando manter o tom de desprezo de sempre, mas sabia que não a enganaria nem por um segundo.

— Se vamos ter essa conversa, sugiro que você pare de agir menos como Malfoy e mais como Draco. - Ela disse enquanto se sentava em uma das escadas da sala.

— E como você pode saber qual a diferença entre um e outro, Standish? - Draco perguntou ainda na defensiva, mas acompanhou a morena e se sentou.

— Acho que você é inteligente o suficiente pra perceber que não está enganando mais ninguém aqui, não é? - Sarah indagou com uma das sobrancelhas erguidas.

Draco respirou fundo enquanto procurava o significado do que ela pedira. Afinal, quem ele era sem o peso do seu sobrenome?

— Acho que você está se empenhando demais em conhecer alguém que odeia, Sarah. - O loiro disse levemente melancólico. Talvez não ser um Malfoy significasse sentir demais.

— Eu não odeio você. - Ela respondeu sem pensar e em seguida se assustou com a própria resposta. Não sabia dizer em que momento havia parado de projetar sua raiva em Draco.

O loiro precisou de alguns segundos para absorver o que havia acabado de ouvir. Mas Sarah não deixou que o silêncio permanecesse por muito tempo.

— Eu me cansei de projetar as coisas nas pessoas erradas. - Explicou — Acho que meu pai gostaria de me ver agir assim.

A menção de Fharell fez com que Draco respirasse fundo. Era estranho estar ali conversando com Sarah daquela maneira, mas ele gostava da sensação.

— Quando… - Ela manteve a palavra, mas pensando na melhor forma de continuar sua frase — Quando você descobriu?

Draco olhou para ela pela primeira vez desde que se sentaram. O medo da sinceridade martelando em sua cabeça enquanto pensava se havia uma forma melhor de contar que simplesmente havia invadido sua mente. 

Menos Malfoy”, ele pensou antes de responder a pergunta.  

— Você não vai gostar de ouvir. 

— Acho que vou precisar correr esse risco, não é? - Indagou simplesmente dando de ombros.

— Eu… - Ele tentou formular a frase da melhor forma que podia — Eu vi… Dentro da sua mente.

Sarah parou por um segundo e processou o que ele havia acabado de dizer. Se sentiu invadida, afinal, era sua mente, mas depois se lembrou que ela mesma havia invadido a privacidade de Draco ao ouvir sua conversa cinco dias antes. 

— Como eu disse, você não ia gostar. - Frisou o loiro.

— Acho que estamos quites. - Disse simplesmente — Afinal, eu também ouvi algo que não devia.

— Você não precisa fingir que está tudo bem.

— Eu não disse que estava. - Comentou a morena sincera.

— Se isso ajuda, você estava certa. - Ele disse com a voz mais baixa — Nem todo mundo é forte o suficiente para encarar a verdade.

As palavras de Draco a deixaram sem reação. Nunca imaginou que o escutaria dar razão a outra pessoa que não fosse ele mesmo. 

— Foi a primeira vez que eu vi como é estar no lugar de outra pessoa. - Contou o loiro sem manter contato visual com Sarah — O seu desespero… Eu continuei sentindo aquilo por dias. - Confessou sentindo a voz embargar levemente.

Sarah ouvia as palavras de Draco com atenção. Entendeu que o que ele sentira ao ver suas memórias era exatamente a mesma coisa que ela havia sentido quando ouviu a conversa do rapaz.

— Foi por isso que eu enviei aquela carta no seu aniversário. - Confessou — Eu não aguentava mais me sentir daquela maneira, mas no final não ajudou em muita coisa.

— E alguma coisa ajudou? - Ela perguntou curiosa.

— Não. - Respondeu prontamente.

O silêncio se instalou entre os dois. Um milhão de pensamentos passavam pela mente de ambos que pareciam tentar assimilar tudo que havia sido dito até então.

Em meio a seus pensamentos, Draco se lembrou de sua infeliz missão e se perguntou por que estava ali conversando com Sarah. De que adiantaria ser sincero com ela se não poderia dizer toda sua verdade? De que adiantaria se deixar aproximar se em breve ele precisaria se afastar de tudo novamente? Pensando nisso, o loiro respirou fundo e resolveu fazer exatamente o oposto do que havia sido proposto pela morena.

— Você ainda não me disse qual era o objetivo dessa conversa. - Disse com mais frieza do que gostaria.

Sarah estranhou a mudança de tom do rapaz que voltou a cruzar os braços.

— Bom, eu pensei que podíamos deixar certas coisas pra trás, você não? - Indagou sem entender.

Era como se tivesse recebido um soco no estômago. Ela realmente estava disposta a esquecer o que seu pai havia lhe feito. Sarah estava ali de coração aberto e doía saber que, por mais que quisesse, não poderia deixar a morena se aproximar demais.

— Talvez existam coisas que devam ficar como estão. - Ele respondeu com a voz baixa.

— Vai me dizer o que te deu de repente? - Sarah perguntou tentando ver o que havia acontecido no último minuto que fizesse com que ele mudasse sua postura tão bruscamente.      

— Eu esqueci de te fazer uma pergunta… - Ele respirou fundo antes de prosseguir — Você contou ao Potter que veio falar comigo? - Questionou quando se virou para ela novamente.

A morena ficou tentando responder a pergunta do rapaz, mas sequer conseguia compreender o motivo dele citar Harry naquele momento.

— Acho que o testa rachada não vai gostar nada de saber que a namorada dele está conversando comigo.

Sarah arregalou os olhos ao ouvir as palavras de Draco. Do que se tratava aquilo agora? E como o loiro sabia sobre ela e Harry? 

— Es… - Ela tentou formular a frase mesmo que seu cérebro não parecesse capaz — Espera… O quê? - Perguntou balançando a cabeça.

— Ora, Standish… - Ele disse pausadamente — Estou dizendo que o Potter não vai gostar de saber que estamos aqui na torre de astronomia sozinhos. Não sei se você reparou, mas eu e o seu namorado não nos suportamos.

—  Da última vez que eu chequei eu era capaz de tomar minhas próprias decisões sozinha. - Ela disse levemente irritada — Se você e o Harry tem uma briga ridícula eu não tenho nada a ver com isso… E como você sabe sobre...

— Acho melhor eu ir embora. - Ele interrompeu ao se levantar — Prefiro não ser obrigado a duelar com aquele idiota por sua causa. - Disse simplesmente — E respondendo sua pergunta, eu vi vocês juntos na festa do Slughorn.

Sarah absorveu as palavras de Draco rapidamente. Ele havia visto os dois na primeira vez que se beijaram. O que mais o loiro sabia e escondia dentro de si? 

Draco foi em direção às escadas se sentindo extremamente mal. Mais uma vez sentiu o ódio por seu pai voltar. Não queria se afastar de Sarah, afinal, era a primeira vez em dias que se sentia um pouco melhor.

Quando estava pronto para descer as escadas, a voz de Sarah se fez presente, mas ele não se virou para encará-la.

— Você sabe que eu não acreditei em nenhuma palavra desse seu teatro ridículo, não é mesmo? 

O loiro segurou a vontade que sentiu de voltar a sentar ao lado dela e contar tudo sobre sua missão suicida, mas sabia que não podia. 

— Talvez seja melhor você ficar longe de mim, Standish. - Disse simplesmente — Eu não sou uma boa pessoa pra se ter por perto.

— Só… - Ela deu um longo suspiro antes de continuar — Só volte pras aulas de medibruxaria de uma vez, Draco. - Pediu por fim — Eu estou de saco cheio de fazer as poções sozinha. 

Ela se levantou e, enquanto passava por ele para pegar as escadas, o encarou mais uma vez.

— E eu acho que posso decidir sozinha quem eu quero perto de mim, obrigada. - Concluiu ao descer as escadas deixando o loiro sozinho na torre novamente.

Draco ficou ali parado acompanhando Sarah descer pelas escadas com a certeza de que, por mais que tentasse, não conseguiria ficar longe dela por muito tempo. Afinal, a morena havia deixado claro que o queria por perto e ele não ofereceria resistência por muito tempo.


Notas Finais


N/A: E então, o que acharam? Seria esse o início do arco de redenção de Draco? Ou será que ele é irreparável?
Quando escrevi esse capítulo me dei conta de que Sarah e Draco não tinham uma interação há 10 capítulos, fiquei chocada... Mas como já disse aqui, todo o desenvolvimento acontece na hora necessária, então lembrem-se disso... É o momento de desenvolver certas coisas por aqui!
Digam o que acharam!! Até o próximo!
:****


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