História A Professora - Capítulo 41


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Categorias Once Upon a Time
Tags Emmaswan, Onceuponatime, Reginamills, Swanqueen
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Palavras 4.555
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 41 - Petrópolis


“Fortes razões, fazem fortes ações.”
William Shakespeare



Regina

Estacionei o carro em minha vaga na garagem da casa principal do rancho da família. Era incrível como
aquele lugar conseguia renovar minhas energias. Com a noite que tive, os medos que senti e os planos
para os próximos dias, precisava realmente me renovar.
Antes de entrar parei observando a fachada da casa.
Era imensa e toda branca. Com janelas de madeira e canteiros de flores. Cora soube mesmo fazer com

que aquele se tornasse o meu lugar predileto.
Eu podia até mesmo ouvir os gritos de Lana correndo de mim e Zelena em nossa infância. Se forçasse

bem a memória poderia, a qualquer momento, vislumbrar três crianças correndo e atirando coisas umas
nas outras.
Fomos felizes. Éramos felizes. E ainda podíamos ter a chance de ver tudo se repetir através dos nossos
filhos, já que a casa continuava a mesma e todos estavam arrumando seus devidos parceiros.
Será?
Tal pensamento me fez imaginar em como seria ser mãe. A primeira imagem que veio à minha mente foi de

uma menininha magra, cabelos compridos, loiros. Ela poderia ter os meus olhos, mas a pele teria que

ser como a da mãe, bem branquinha. Só então me dei conta de que aquela criança que

eu idealizava e já conseguia sentir a emoção de tê-la, era ou seria minha filha e o mais importante de
tudo: seria filha de Emma também. Ri sozinha.

Lembrei-me do rosto de Emma na noite passada, no entanto me forcei a acreditar que aquela situação

já estava superada. Ela podia estar com um pé atrás, mas dissera que continuaríamos com o planejado.
Mesmo sabendo que ela também estava apaixonada, minha aluna fazia parecer que queria apenas perder a
virgindade e pronto. Como se não significasse nada.
Mas eu a amava e iria até o fim por ela. A convenceria de que não precisava temer nem duvidar.
Faria com que Emma entendesse que só havia ela e mais ninguém e não importava se Marian ou Tiffany,

ou qualquer outra pessoa, estava interessada, eu não estava e isso deveria ser o suficiente.
– É, Regina , você arrumou um problema!

– Falando sozinha? – acabei me assustando com a presença da minha irmã.

– Não sabia que você estava aqui – ela pulou em meus braços como se estivesse há anos sem me ver.
– Eu não estava. Ouvi o barulho do seu carro e vim te receber.
– Todo mundo já chegou?
– Por um acaso Emma Swan já chegou – ela riu. – Está cercada pelo pai, a mãe, o cão de guarda

e a amiga.
– E você deixou sua mais nova amiga para me receber exatamente por qual motivo? – eu conhecia minha
irmã o suficiente para saber que ela deveria ter um motivo especial para me encontrar antes dos outros.
– Bom... Tiffany chegou...
– Ela assinou o contrato. Não tenho com o que me preocupar – abri o porta-malas e retirei minha
bagagem, lembrando do problema que Tiffany havia me causado na noite anterior.
– Sim. Graças a Deus! Tem mais uma novidade – olhei desconfiada para Lana. – Ela trouxe a prima, mais

precisamente, Marian, sua colega de trabalho que nutre uma obsessão por você – suspirei pesadamente e

não consegui impedir a minha cara de desagrado.

– Sério? Pensei que meu feriado seria incrível.

– E vai ser. Vou te ajudar de todas as formas possíveis. Você e Emma vão ter esta primeira vez ou eu

não me chamo Lana Mills

Era embaraçoso precisar da minha irmã mais nova para conseguir transar com a minha namorada, porém
devido às circunstâncias, toda a ajuda seria bem-vinda.
– Marian não pode nem sonhar, Lana. Tiffany é um problema resolvido, por outro lado Marian não é uma boa

pessoa e tenho certeza que se ela descobrir o que está acontecendo entre Emma e eu, vai arranjar um

jeito de nos prejudicar.
– Eu sei. Deixe comigo.
– Tá! – joguei a sacola de viagem nas costas e abracei minha irmã pelos ombros. – Obrigado, pestinha!

– O que eu não faço por você? – ela me abraçou também e depois olhou para o céu que prometia mais
chuva.
– Ah! Posso te pedir mais um favor?
– Só se eu puder cobrar depois.
– Combinado.
– Manda.
Passei para a minha irmã todas as instruções sobre meus planos de passar uma noite com Emma na cabana da floresta. Lana era o tipo de pessoa que ficava mais do que animada em preparar surpresas
deste tipo, eu sabia que poderia contar com ela para que tudo fosse perfeito como Emma merecia.

Nós teríamos a nossa noite, nem que para isso eu tivesse que amarrar e trancar na sauna, Tiffany, Marian, David ou qualquer outra pessoa que tentasse nos impedir.



Emma



Lana saiu correndo da sala. Ela parecia estranhamente ansiosa, olhando pela janela sem parar e

sorrindo quando era solicitada em alguma conversa, no entanto era perceptível que não prestava atenção
ao que falavam.
– Parece que teremos uma tempestade hoje. Vamos ligar o rádio e ouvir as últimas notícias – o Dr. Mills falou para o meu pai que concordou e o acompanhou.

Graças a Deus, meu pai não estava muito focado em mim. Ele se sentia feliz por poder passar um tempo
de qualidade com um amigo tão querido. Minha mãe estava conhecendo a casa com Cora, que fez

questão de apresentar cada pedacinho da propriedade. Jefferson e Zelena conversavam com Graham sobre

pescaria e pareciam bem entrosados. Se não fosse pela mão de Ruby o tempo inteiro na de Zelena e

pelo olhar apaixonado que eles trocavam eu podia até dizer que ninguém separaria aqueles três.
Tudo estava em sua mais perfeita ordem, a não ser pela presença das duas mulheres que insistiam em
conversar comigo. A Professora Marian, a mesma que teve o despautério de aparecer na casa de Regina se

oferecendo, e Tiffany, a sua escritora favorita, a mesma que ameaçou quebrar o contrato caso ela não

aceitasse voltar para sua cama e que havia passado um bom tempo em sua casa na noite anterior,
deixando marcas de batom no rosto da mulher que deveria ser minha e apenas minha.

Merda! E eu ainda tinha que sorrir e fingir ser educada com as duas.
Onde estava Regina? Será que desistiu?

– Por que não vamos lá fora? Na área da piscina temos mesas grandes. Podemos jogar, beber e conversar
– Jefferson falou mais alto incluindo no convite todos que estavam na sala. Vi quando Lana se adiantou

e correu para fora da casa.
Estranho!
– Claro! Vai ser interessante conversar com as crianças – Marian concordou sorrindo inocentemente,

deixando claro que para ela, Graham, Ruby e eu não passávamos de crianças.

Que idiota!
Minha vontade era dizer em alto e bom som que a criança aqui passaria a noite nos braços da mulher que

ela tanto desejava.
Apesar da minha irritação não daria esse gostinho a aquela... Melhor deixar para lá. Marian era uma mal- amada.

Ela queria Regina e ela me queria. Abri o maior sorriso com este pensamento. Tenho certeza que ela

entendeu errado o motivo, mas quem estava preocupada em explicar?

– Está frio lá fora – Ruby protestou. Estava mesmo. E com a promessa de muita chuva – Não podemos

ficar aqui?
– Podemos fazer o que você quiser, linda! – Zelena agarrou minha amiga pela cintura, puxando-a para

um beijo. Meu pai pigarreou logo atrás delas.

Foi engraçado ver aquela mulher ruiva é alta se encolher envergonhada com a presença do meu pai. Elas se afastaram rapidamente fingindo naturalidade.

Era tão ridículo aquele cuidado todo apenas porque meu pai pertencia ao século XVIII.
– Estamos pensando em acender a lareira. Logo estará bem mais frio. Essa noite promete! – o Dr. Mills quebrou o silêncio e sua última frase fez com que muitas mentes flutuassem. Pelo menos eu vi a troca de

olhares entre Zelena e Ruby

– Ela chegou! – Lana abriu a porta puxando Regina pela mão como se fosse uma criança pequena.

Regina entrou daquele seu jeito único. Com uma sacola de viagem nas maos vestindo calça jeans clara, tênis e um casaco de frio. Como ela conseguia ficar ainda mais perfeita em trajes tão simples.

Posso dizer com toda a certeza que meu corpo quase incendiou quando nossos olhos se encontraram. Ela lançou um sorriso torto, preguiçoso, daqueles que me fazia parar de respirar. Seus olhos estavam cheios

de promessas.
Rapidamente desviei o meu olhar. Não deveria ficar tão rendida depois do que ela havia feito na noite

anterior.
Eu ainda estava magoada.
– Regina ! – Tiffany passou por mim como um furacão puxando Marian com ela. – Olha só quem eu trouxe

comigo!
– ela estava muito feliz por entregar de bandeja para a prima, a mulher que tanto queria.

– Marian, que surpresa! – Regina se inclinou para beijar o rosto das duas mulheres. – Parece que teremos

uma tempestade – deu um passo em direção ao irmã e ao cunhado.

– Sim, noite fria, com lareira... – Jefferson exibia um sorriso descarado no rosto. Regina apenas riu apertando a

mão de todos, inclusive de Graham.

– Emma , Ruby – me cumprimentou como se não fôssemos próximos.

– Oi, Regina ! – Ruby foi fria e distante.

Não consegui falar nada. Detestava ser obrigada a fingir que não tínhamos intimidade. Detestava ser tão
fria depois da noite anterior, quando els me pediu para ficar e eu me forcei a ir embora, por raiva,

pirraça e decepção.

Eu ainda podia sentir a tristeza por ter visto Tiffany saindo da casa dela.

Regina se aproximou com cautela, analisando minha reação. Fiquei visivelmente agitada. Ela acabava

comigo apenas com um olhar.
– Trouxe o notebook, Emma ? – minha professora parou diante de mim. Seus olhos me aqueceram

– Sim, professora! – sorri timidamente, tentando quebrar o gelo entre nós duas. Ela tinha uma expressão divertida no rosto.

– Ótimo! Vamos passar algum tempo analisando o último capítulo. Quero trabalhar bastante nele durante
o tempo que passaremos aqui. Lana gostou muito. Quando voltarmos, poderemos cuidar do processo de
contratação – oh, céus! Ela estava mesmo falando sobre nossos planos na frente de todos?

– Por mim tudo bem! – senti que meu rosto estava tão vermelho que tive medo das pessoas desconfiarem.
– Eu adoraria ler este livro – Tiffany apareceu ao lado dela e segurou em seu braço com muita

intimidade. – Regina não fala noutra coisa. Lana também. Sou ótima em leitura crítica, o que acham de me

deixar ajudar?
– Regina ! – Cora entrou na sala, junto com minha mãe tratando de abraçar a filha. – Você demorou–

colocou a mão na barriga dela e fez uma careta. – Você está magra demais. Ontem mesmo eu disse a Lana

que essa ideia de morar sozinha não lhe faria bem. Graças a Deus, Zelena não inventou de sair de casa

ainda – Regina olhava para a mãe com carinho e ao mesmo tempo envergonhada por ela tratá-la como uma

criança.
– Não estou magra, mãe!

– Concordo. Ela não está magro, Cora. Está gostosa – Jeff fez voz de gay, abraçou a sogra e

beijou o seu rosto. Ela riu com a brincadeira do genro.
– Vou colocar as minhas coisas no quarto. Meu quarto continua sendo só meu, não é? – ele me lançou um
olhar rápido, quase imperceptível, que fez com que todos meus neurônios quisessem derreter. Puxei o ar
com força e Ruby me lançou um olhar de alerta.

– Claro! –Cora franziu o cenho. – A não ser que queira companhia – Vi o enorme sorriso de Marian e Tiffany.

– Sozinha, mãe! Preciso trabalhar – ela pegou a sacola de viagem e subiu as escadas que davam acesso

aos quartos sem olhar para trás.
– Você trabalha demais. Desça para conversar com os convidados. Não me envergonhe, Regina.

– Ok, dona Cora! – sorriu de maneira perfeita e sumiu de vista.

Eu queria muito poder segui-la, conversar sobre as nossas diferenças, esquecê-las e me atirar em sua

cama.

Depois me dei conta de que mais duas pessoas naquele ambiente tinham o mesmo desejo.
Lana ficou ao meu lado, como se quisesse me defender a qualquer custo. Sorri pensando em como nos
tornamos amigas em tão pouco tempo. Tudo por causa de Regina e do trabalho que ela vinha fazendo com meu livro.

Principalmente pela chance que ela me oferecia. Se no final tudo desse errado, muitas coisas boas

permaneceriam comigo. Lana era uma delas.
– Vamos ou não passar um tempo ao ar livre? – Jefferson perguntou e eu notei Marian que olhava para a escada demonstrando certa ansiedade.

– Vamos. Ficar trancado em casa, em grupo, não é muito a minha praia.
Zelena piscou para Ruby. Aquelas duas eram incríveis. Corei sentindo o meu rosto esquentar de

maneira absurda, só com o sorriso que ela deu a namorada. Naquele momento Regina surgiu na escada.

Não pude deixar de olhá-la. Ela estava incrivelmente linda.

– Vamos beber alguma coisa, jogar conversa fora e sacanear os amigos, tá dentro? – Zelena se afastou

de Ruby e do meu pai e foi ao encontro da irmã. Quase ri da sua fuga.

– Vamos. Vai ser legal sacanear os amigos – ela sorriu como nunca antes.

Havia uma energia diferente em torno da minha professora. A forma como ela falava com a irmã

demonstrava uma Regina que eu ainda não conhecia, mas que já gostava muito.

Lana me arrastou para fora. Ela não pedia permissão para fazer as coisas. Ela simplesmente fazia.
Marian e Tiffany estavam cercando Regina, que tentava sacanear Zelena de alguma forma e não se

importava com as duas. E eu me sentia de volta ao colegial, onde o carinha gato e mais popular era
disputado pelas demais mortais, líderes de torcida e nerds, que era o meu caso. Mas o carinha gato no meu caso era uma mulher maravilhosa que dominava todos os meus sonhos. Merda.

Fomos para a área da piscina. Apesar de frio era muito bom estarmos ao ar livre. Dava para fazer coisas
como trocar olhares com a minha “namorada” sem chamar a atenção de todos. Eu alternava entre “estou

perdidamente apaixonada” e “ainda estou magoada com você” e ela fazia carinhas lindas que derretiam

ainda mais o meu coração.
Jeff chegou alguns minutos depois com balde cheio de bebidas. Lana tratou de pegar duas garrafas, uma

de cerveja e outra de vodca com limão, estendendo-as para que eu escolhesse.
– Todos vão beber? – Marian falava como se estivéssemos cometendo um crime. Tive medo de olhar para

ela e acabar fuzilando a coitada.
– Emma tem vinte e um anos. Não é nenhuma criança – me espantei com a intromissão de Regina . Não

esperava. Ela tirou a garrafa de vodca da mão de Lana e a estendeu para mim. Nem sei como consegui

pegar.
– Regina ! Você como professora não deveria...

– Marian, estamos nos divertindo, Emma é adulta, madura... Não é como se estivéssemos cometendo um

crime. Relaxe! – encostou-se ao meu lado, bateu sua garrafa na minha e bebeu um longo gole. – Não
abuse – sussurrou.

– Regina é a típica mulher que adora criar polêmica, chamar a atenção para si e assumir causas suicidas –

Tiffany sorriu docilmente. Suas palavras poderiam não significar nada, mas eu percebi a ameaça nelas.
– Todos aqui são adultos – Zelena falou defendendo Ruby que também segurava uma garrafa de

cerveja.
Graham concordou dando um longo gole na dele.

– Até parece que nós só bebemos quando atingimos a maioridade.
Jeff brincou, Regina e Zelena riram como se estivessem lembrando das suas travessuras de adolescentes.

– Eu me lembro... – Jeff falou mais alto chamando a atenção de todos. Ele abraçou a esposa pelas

costas, beijou seu pescoço e sorriu. – Que durante muitos anos eu fui o maior vencedor de esconde-
esconde desta família. – Lana riu e concordou com o marido.
– Claro. Você e Lana inventavam esta brincadeira para se esconderem da gente e dar uns amassos.
Enquanto Zelena, que era o única que não entendia a finalidade da brincadeira, ficava rodando pela casa

à procura de vocês dois – Regina entrou na conversa, assumindo uma postura mais relaxada.

– Ei! Eu nem imaginava que esses dois estavam juntos. Você que sempre foi uma idiota que deixava o Jefferson
se aproveitar da nossa irmã. Não sei o que seria dela se eu não tivesse descoberto este namoro.

– Que absurdo! – Ruby a repreendeu, dando risada. – Já pensou se Graham resolvesse agir assim

comigo?
– Graham não é seu irmão – Zelena beijou rapidamente a namorada, se divertindo com a conversa.

– Mas é como se fosse. Sou o guardião das duas – meu amigo cruzou os braços no peito. Zelena não
recuou
– Graças a Deus ele não é como você – Ruby riu empurrando a namorada com o ombro.

– É. Graças a Deus! – Regina falou tão baixo que apenas eu consegui ouvir. Sorri como uma boba.

– Oh, guardião! – Marian provocou. – Então comece a levantar este muro. Sua vigília está muito limitada –

foi constrangedor.
Regina respirou profundamente e deu um passo para o lado se afastando de mim. Tive muita vontade de

matar Marian. Qual era o problema dela? Ah, tá! Regina era o problema dela. Ou a falta dela em sua cama.

– E o que você fazia, Regina? – Tiffany, toda sorridente tentava chamar para si a atenção da minha
“namorada”. – Quando tentava encobrir as escapulidas da Lana? – Regina passou a mão nos cabelos. Vi os

olhos de Tiffany brilharem. Ela também gostava desse gesto nela.

Merda!
– Normalmente me trancava em algum lugar e ficava lendo um livro. A bruxa Zelena ficava procurando feito uma

maluca.

Depois de um tempo eu aparecia. Às vezes deixava ela me pegar, outras não dava este gostinho a ela.

– Bruxa o caralho! – Zelena esbravejou. – Alguém vai acabar se fodendo se continuar falando besteiras

por aqui – Regina e Jeff riram, mas trocaram um olhar cheio de significados. – Você sempre foi

magra e veloz – Zelena completou no maior clima “amo a minha vida ao lado da minha família”.

– Elea sempre foi gostosa! – Jeff piscou e mandou um beijo para Regina, que riu e mostrou o dedo do meio

ao amigo.
– Eu sempre desconfiei que era de mim que você gostava, Jeff– minha professora brincou.

– Completamente apaixonado! – Jeff agarrou Lana fazendo-a soltar um gritinho.

Apesar da presença de Marian e Tiffany, o clima estava gostoso e descontraído. Todo mundo conversava e

ria. Meu pai e o Dr. Mills estavam bastante entrosados e minha mãe e Cora pareciam amigas de infância. Regina evitava olhar em minha direção, mas muitas vezes falhava e eu precisava fingir não notar,

apesar de adorar. Depois do que Marian falou era melhor não abusar muito.

– Tive uma ideia – Zelena começou. – O que acham de brincarmos agora?

– Não! Você está falando sério? – Lana pulou como uma criancinha. – Eu vou amar.
– Ninguém cresceu nesta família? – Tiffany ria já entusiasmada.
– Pelo amor de Deus! Vocês vão mesmo correr e se esconder como crianças? Marian não estava tão

empolgada. Aliás, ela era uma chata de galocha.
– Tô dentro! – Regina colocou a garrafa sobre a mesa, decidido a começar a brincadeira. – Para não

perdermos o costume, Zelena começa contando.

– Não vale. Isso é injusto!
Zelena tentou protestar, mas todo mundo imediatamente saiu correndo, rindo feito crianças. Ainda tive

tempo de ver a namorada da minha amiga, virar de costas e iniciar a contagem.

Ai, meu Deus! Para onde eu iria se não conhecia a casa? Ruby correu na frente e Graham sumiu no

primeiro minuto. Fiquei algum tempo parada, de frente para um corredor, sem saber o que fazer. Foi
quando aquelas mãos... as mesmas que me faziam entrar em combustão espontânea, me seguraram com
força pela cintura me puxando para um local entre as flores.
Não tive tempo de questionar. Regina segurou em minha mão e me puxou para outro corredor, passando por

várias portas, parando na frente de uma delas.


Rapidamente me puxou para dentro. O quarto escuro era pequeno e abafado. A única iluminação era a que
entrava por baixo da porta.
Não consegui nem pensar em tentar descobrir onde estávamos. Ela me imprensou contra a parede ao lado

da porta, colando seu corpo ao meu. Suas mãos passeavam por minha pele e seus lábios famintos exigiam
os meus.
Regina vagou suas mãos explorando-me sem o menor pudor. Puta merda! Eu fiquei completamente acesa.

Era o poder dela sobre mim. Não precisava falar, nem pedir nada, bastava que me tocasse, me tomasse

para si com força, desejo e paixão então eu estava totalmente entregue.
– Emma! – reverenciou meu nome quando liberou meus lábios. – Quanta saudade!

Meu coração disparado não conseguia encontrar o compasso adequado. Era bom demais ouvi-la me

chamando daquela forma apaixonada, principalmente depois da noite anterior, depois de eu ter pensado
que meu coração seria esmagado. Era absurdamente encantador quando ela expressava seus sentimentos.

Eu também estava louca de saudades.
– Regina! – reagi puxando-a para mim. – Oh, Deus!

Ela atacava meu pescoço enquanto me mostrava o quanto havia sentido a minha falta. Claro que não

perderia a chance de demonstrar sua excitação.

– Pare com isso!
Eu pedi, confesso que não muito convicta. Minhas mãos não abandonaram seu corpo e meus quadris...
Bom, não se absteve de continuar rebolando de encontro a minha professora. Regina gemeu fazendo

com que todo meu interior começasse a pulsar.
– Eu precisava te beijar. Estava enlouquecendo.
– Ainda estou com raiva de você – até tentei ser firme, no entanto minha voz cheia de desejo me entregou.

Ela riu baixinho.

– Não tenha – sussurrou. – Só existe você em minha vida.
Porra! Por que ela dizia aquelas palavras justamente quando meu corpo não queria outra coisa que não

fosse ela. Eu fiquei mole imediatamente.

– Você não presta, Regina ! Fala assim porque sabe que com isso consegue me enganar – ela roçou a ponta

do nariz até a minha orelha, onde depositou um beijo delicioso.
– Eu falo porque é a mais pura verdade – sussurrou passando uma mão por dentro da minha camisa. Oh,
droga! – Sinto a sua falta – revelou voltando para os meus lábios, beijando-me com doçura e paixão.
– Como pode sentir minha falta se esteve comigo ontem? – e a imagem de Tiffany saindo da sua casa
preencheu minha mente fazendo tudo girar.

– Não da forma como eu queria.
– Porque você preferiu ser uma idiota – ela riu baixinho e fez a minha pele se arrepiar.

Então Regina se afastou. Quase protestei. Quase. Era arriscado demais continuarmos.

– Marian e Tiffany estão me deixando louca!

Continuei me afastando ainda mais. Começava a aceitar que ficar com ela em um espaço tão reduzido e

escuro era muito mais perigoso do que ser surpreendida pelas outras pessoas.
– Elas só estão tentando chamar a minha atenção.

Regina me cercou com seus braços me puxando de volta. Senti meu sangue ferver. Uma sensação estranha

que esquentava e pinicava, começou a se instalar em meu ventre.
– E você está adorando – dei um tapa em seu ombro insinuando que me livraria de seus braços. Regina riu

e me puxou para um beijo delicioso.
– Estou adorando contar os segundos para ter você só para mim.
Era o que me bastava para sentir cada célula do meu corpo queimar. Naquele dia eu seria dela. Da

maneira mais completa e prazerosa possível. Pelo menos era o que eu esperava.
– Como faremos? – não havia mais nenhuma resistência da minha parte. Eu estava completamente
entregue.
– Lana vai nos ajudar, agora fique caladinha porque assim ganharemos mais tempo escondidas – e ela me

beijou da maneira Regina Mills.

Foi quando a porta se abriu e a claridade preencheu o ambiente. Não sei como, nem de que forma,
rapidamente eu estava sentada em uma ponta do banco de concreto enquanto Regina estava paralisada na

outra. Não olhamos um para o outra, havia uma tensão tão grande no ar que quase podíamos tocá-la.

Tiffany entrou cautelosamente. Primeiro viu Regina e sorriu então ela se deu conta da minha presença. Eu

podia ouvir as engrenagens do seu cérebro contando um mais um e encontrando rapidamente a resposta:
Eu e Regina.

Sou covarde. Sempre fui. Naquele instante minha única reação foi olhar para a minha professora, tentando

encontrar uma saída. Então a vi com uma perna estendida e a outra dobrada, bem relaxada, a mão

passava lentamente na lateral do cabelo.
Ela sorria, magnificamente, não para mim e sim para ela. Ela sorria daquela sua forma lasciva para

Tiffany.
Puta que pariu!
As lembranças me invadiram sem dó nem piedade e eu me vi outra vez observando o momento em que o
guarda-chuva não me deixou ver o que elas faziam, lembrando-me claramente do sorriso de vitória da minha rival quando deixou a casa da minha professora.

Então vi a expressão da mulher se modificando enquanto percebia o que ela fazia. Tremi. De raiva e de

medo. Que grandessíssima filha da puta!

– Zelena está por aí? – perguntou sem desviar os olhos dela.

– Não. Ela conseguiu pegar Marin, que tinha ido pelo outro lado – ela sussurrou.

– Podemos sair? Teremos que ser rápidas – ainda sorria sedutoramente, como se suas palavras não

expressassem o que realmente queria dizer.
Que ódio!
– Acho que sim – ela sorriu como uma menina travessa. – Seremos rápidas.

– Ótimo! – Regina levantou e passou por Tiffany da maneira mais cafajeste possível. – Emma, você

vem?
Queria poder gritar “Vá à merda!”, infelizmente minha covardia não me deixava ir tão longe. Apenas
levantei e passei por elas.

Andamos pelo corredor estreito. Elas como se quisessem continuar escondidas, eu como se tivesse

perdido o gosto pela brincadeira. Tiffany olhou para a área da piscina, voltou-se para Regina e fez um sinal

de positivo, depois avançou e correu. Regina se preparou, mas antes de correr atrás de Tiffany me segurou

com força, enquadrando meu rosto com as mãos selou meus lábios com um beijo.
– Vejo você mais tarde – e correu.
Puta merda! O que foi aquilo?


Regina

Corri atrás de Tiffany decidida a resolver aquele problema de uma vez por todas. Não poderia mais

ficar brincando de gato e rato, escondendo de todos o que eu sentia. Porra! Eu tinha trinta e cinco anos.
Era uma mulher independente, decidida e apaixonada. Não precisava esconder meus sentimentos de

ninguém.
O único problema era Emma. Como assumir sem prejudicá-la? A resposta estava formada antes

mesmo que eu me desse conta. Começaria por Tiffany, terminaria em David, passando antes por Marian.

Chegamos ao ponto de partida quando Zelena voltava correndo para a área. Ela nos viu e levantou as

mãos se rendendo. Rimos. Tiffany segurou em meu braço se apoiando em mim. Ela queria mais
intimidade.
– Tiffany, podemos conversar um instante? – vi seus olhos brilharem.
– Claro, Regina! – sorriu com a educação clássica que sustentava.

Olhei para o lado e vi que Emma ainda não tinha voltado. Era a minha chance. Indiquei o caminho,

apoiando minha mão nas costas de Tiffany e saímos juntas em direção ao escritório do meu pai. Era um
território neutro e eu poderia conversar com ela sem maiores problemas.



Emma



Quando consegui voltar ao normal depois do quase flagrante, resolvi aparecer. Para mim a
brincadeira já tinha acabado. Estava muito confusa com as atitudes de Regina . O melhor a fazer era sumir

por um tempo. Talvez o quarto fosse um bom lugar para me esconder e aguardar o que ela faria.

Quando me virei para área da piscina vi o que acreditava ser impossível. Regina saía do local com Tiffany,

tocando em suas costas e conduzindo-a para algum lugar daquela imensa propriedade.
O que estava acontecendo com aquela mulher?

Tive vontade de segui-las e descobrir o que Regina estava aprontando, porém meu orgulho falou mais alto

do que minha raiva. Se era ela que Regina queria, era com ela que deveria ficar. Virei para o lado e saí em

direção ao quarto.
Assim que cheguei, peguei o computador e comecei a escrever. Prometi a Lana um final em que os dois
se separavam, então por que não começar a escrever o fim daquela história?



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