História A professora II - Capítulo 30


Escrita por:

Postado
Categorias Once Upon a Time
Tags Emmaswan, Onceupontime, Reginamills, Swanqueen
Visualizações 105
Palavras 4.691
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, LGBT, Literatura Feminina, Orange, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 30 - Não vai funcionar


“O amor é suspiros e lágrimas... fé e fervidão... fantasia, paixões e desejos;
adoração, aceitação e reverência;
pureza, aflição e obediência.”
William Shakespeare


REGINA



Eu não conseguia pensar em mais nada. O simples ato de dirigir estava no automático, e eu nem fazia
ideia de para onde estávamos indo. Tantas coisas se passavam em minha cabeça, a porra da despedida de
solteira, o filho da...
aquela merda de beijo que eu tive o desprazer de presenciar. Uma veia pulsava em minha cabeça fazendo
tudo doer.
Mesmo assim minhas mãos estavam fixas no volante e meu pé se afundava cada vez mais no acelerador.
Aquela menina, a maldita garota que fez meu mundo virar uma loucura, permanecia calada. Eu podia
sentir seus olhos em mim, pelo canto dos meus podia ver suas mãos presas ao banco, o medo da
velocidade e do que eu poderia fazer com nós duas.

E eu poderia matá-la. Sim, eu poderia matar Emma Swan


Porra!
– Regina ?

– Fique calada, Emma , pelo amor de Deus!

Eu não queria a sua voz de sereia me cercando, dominando meus pensamentos e atitudes. Eu queria a
raiva que estava sentindo para poder extravasá-la quando chegasse a hora.
– Mas, Regina ...

– Porra, Emma , fique calada!


Tinha certeza de que minhas palavras a assustariam. Que meu tom de voz conseguiria feri-la tanto quanto
aquele beijo dos infernos havia me ferido.
– Mas...
Freei o carro imediatamente me dando conta da distância que tínhamos percorrido.
A estrada vazia me favoreceu, já que uma parada tão brusca resultaria em um desastre. Emma gritou e

segurou no painel com força.
Sua respiração acelerada chegou aos meus ouvidos.
– Você quer falar? Então comece me explicando o motivo de ter beijado aquele garoto.
– Eu não beijei o Henrique, ele me beijou – o olhar que lancei a ela deixava claro que não funcionaria. –
Regina , o Henrique não sabia que nós duas estávamos juntas.

– E por isso você o beijou.
– Não!
– Meu Deus, Emma! Tem ideia da vontade que eu estou de te matar?

– Vou fingir que não ouvi isso – Pois não deveria – Emma se remexeu inconformada.

– Não vou deixar que me intimide com ameaças, Regina. Eu entendo a sua raiva, entendo a sua dúvida,

aconteceria o mesmo se fosse eu a encontrá-la beijando outra mulher.

– Não tente me dizer que não é o que eu estou pensando.
– Mas não é o que você está pensando. Lembra no seu aniversário quando eu cheguei e encontrei Tiffany
saindo da sua casa? Eu vi quando ela te beijou, lembra disso?
Recuei. Eu lembrava daquele inferno que passei para tentar convencê- la de que não foi nada do que ela
tinha visto. Pelo menos não para mim.
– Henrique sempre demonstrou interesse por mim, e você sabe. Porém eu nunca dei esperanças, nunca
alimentei nenhum sentimento. Foi inesperado. Ele surgiu e me acompanhou, como sempre fez, e quando
eu comecei a me esquivar, justamente para evitar este encontro, ele me agarrou.
– E você retribuiu.
– Não! Eu jamais beijaria o Henrique – estreitei os olhos para aquela afirmação. – Jamais beijaria
qualquer outra pessoa, satisfeita? Se você não estivesse tão furiosa, teria visto que eu tentava impedi-lo.

Eu estava empurrando ele.

– Merda, Emma – joguei a cabeça para trás, fechei os olhos e cobri o rosto com as mãos. – Eu vi –

comecei com raiva. – A língua daquele desgraçado na sua boca – era impossível falar sobre o assunto
sem parecer uma fera.
– Deus! – ela suspirou se encostando também e deixando as mãos sobre o colo. – O que eu posso te
dizer?
– Quanto mais tenta dizer alguma coisa, mais aumenta a minha raiva – revelei cansada demais para

continuar brigando.
– E o que quer que eu faça? Eu não tive como evitar, fui pega de surpresa, não esperava que o Henrique
tivesse tamanha ousadia...
– Você sempre arranja um jeito de foder com a minha cabeça.
Emma arfou. Ela não esperava que a minha fúria fosse capaz de atingi- la tão profundamente. Para

mim era inevitável. Foram tantos problemas, tantos medos, tantas dúvidas, que me controlar estava fora
de cogitação. Eu estava ofendida, magoada, humilhada, mesmo sabendo, lá no fundo, que ela não tinha

beijado o Henrique. Pelo menos não de livre e espontânea vontade.
O que eu esperava menos ainda foi a reação dela. De olhos fechados não vi quando Emma abriu a

porta do carro e saiu.

– Emma?

Ela caminhou pela estrada vazia, sem olhar para trás. Os passos decididos revelavam que eu tinha ido
longe demais e que ela não voltaria a entrar no carro. Eu não poderia deixá-la ali sozinha. Estávamos
longe demais de casa e a probabilidade de Emma arrumar mais problemas chegava a ser maior do que

a de qualquer outro ser humano na face da Terra.
Liguei o carro manobrando para tirá-lo do meio da estrada. Ela continuou andando, sem se dar ao
trabalho de olhar para trás. Desci e corri até ela.
– Quer parar de me causar mais problemas? – gritei antes de alcançá-la.
– Entre no carro, Emma!

– Graças a Deus você percebeu a tempo – ela riu sem vontade. A voz esganiçada de quem segurava o
choro. – Não vamos precisar de todo o processo cansativo e desgastante do divórcio.
– Do que você está falando?
– Não quero mais foder a sua cabeça, Regina . Foi um erro! Já passamos por isso antes, então já sabemos

que não vai funcionar.
– Você arruma o problema e agora quer se fazer de vítima? – estourei.


– Eu não arrumei um problema, aquele imbecil me agarrou e me beijou.
Se você não quer entender isso, não é mais problema meu. Aprenda a conviver com a ideia.
Porra! Por que ela tinha que ser tão cabeça-dura?
– Eu estou puta da vida, Emma !

Você nem imagina o que é descobrir por um amigo que você concordou com uma despedida de solteira
em uma casa onde homens tiram a roupa e depois, quando chega para tentar conversar sobre o assunto,
encontrar a noiva beijando um cara.

– Eu passei por isso, esqueceu?
– Não. Como também não esqueci o quanto você me massacrou aquela noite. Nem o quanto me cobrou no
dia seguinte. Não foi fácil para você, então não é fácil para mim também.
– Pelo visto você resolveu se vingar me ofendendo. Deixando claro o quanto eu sou ruim para você.
Olha, Regina , ainda dá tempo. Vamos terminar tudo por aqui. Você com certeza vai encontrar alguma mulher

que não lhe cause problemas. Que não precise te tirar do trabalho no meio do expediente, para provocá-
la beijando um colega que ela já poderia ter beijado há muito tempo, mas que nunca teve vontade de

fazer.
– Você está louca? Nós vamos nos casar em oito dias.
– Já vi casamentos acabarem no altar – ela me deu as costas e continuou andando. Senti uma fúria capaz
de destruir o mundo. Segurei Emma pelo braço disposta a fazê-la engolir cada palavra.

– Eu não sou uma idiota, Emma Swan, para aceitar que você termine comigo quando o erro é todo

seu e depois me dê as costas como se a nossa história não tivesse valor nenhum.
– Pelo visto não tem, já que você está se agarrando ao que não foi verdade para justificar toda a sua
raiva.
– Porque você está sempre arrumando uma forma de me enlouquecer! – gritei. Emma se debateu para

se livrar de minhas mãos.
– Vá se foder, Regina Mills!

– O quê?
O que aquela fedelha estava me dizendo? Como ela podia agir de forma tão infantil, tão desrespeitosa?
Como ela podia falar daquela maneira comigo?
– Vá. Se. Foder! – repetiu com raiva.
– Eu vou te mostrar o que acontece com garotinhas da boca suja, como você – meus dedos se fecharam


em seus braços com mais força do que pretendia.
– O que vai fazer? Vai me colocar no colo e me dar umas palmadas? – ela sorriu em desafio tomada pela
mesma raiva que eu.
– Seria mais do que justo.
– E eu te jogaria na cadeia, professora– cuspiu as palavras, como se eu fosse realmente capaz de lhe fazer

algum mal.
Encarei Emma por um tempo.

O que estava acontecendo? Onde acabaríamos com aquilo tudo? Eu não fazia a menor ideia, só tinha uma
certeza: havíamos passado de todos os limites.
Com este pensamento larguei os braços de Emma, que imediatamente deixou as lágrimas caírem. Ela

as enxugou com raiva, provavelmente se recriminando por chorar. Afastei-me o suficiente para me conter.
Não valia a pena continuar brigando.
– Vou levá-la para casa.
– Não preciso de você – dei um passo em sua direção e ela recuou assustada.
– Não me provoque mais, Emma, ou eu juro por tudo que é sagrado que vou preferir passar alguns

dias na cadeia, pois vou te amarrar e jogar na mala, mas vou te entregar a seu pai, seja esta a sua vontade
ou não.
– Você não faria isso – e havia mais medo do que desafio em sua voz.
– Tente me dar as costas novamente – ameacei.
Ela me olhou com raiva e, de queixo em pé, caminhou até o carro. Não me dei ao trabalho de ser
educada, abrindo a porta para que ela pudesse entrar. Não. A minha raiva ainda estava forte, então

apenas parei aguardando que ela entrasse e, assim que o fez, entrei e dei partida.
Nada mais conversamos.


EMMA



Regina não voltou a falar comigo durante o caminho de casa. Nem para me comunicar se havíamos

realmente terminado ou não. Ficou tudo suspenso no ar. E já fazia mais de vinte e quatro horas desde que
tudo aconteceu.
Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhum recado enviado pela irmã.

Nada.
Ela simplesmente desapareceu.

Eu sei que não era o melhor momento para ser orgulhosa, mas eu fui.
Passei cada segundo conferindo o celular para saber se ela se redimiria e sofri amargamente todas as

vezes que confirmei a sua indiferença.
Não tive coragem de comentar com ninguém sobre o ocorrido. Lógico que Graham contou a Ruby sobre

a briga e eu menti que estava tudo bem. Eu simplesmente não queria admitir que acabou, que Regina aceitou

a minha ideia de que era melhor terminar antes de casar, assim teríamos menos trabalho.
Então menti. Menti para não precisar passar pela prova do vestido e encarar Lana, usei como justificativa
a cólica, que nem existia mais. Menti para não precisar encontrar Cora na escolha dos doces que seriam

servidos, incumbi minha mãe desta missão. Menti para Ruby, fingindo estar em um surto literário, o

que me mantinha a maior parte do tempo trancada no quarto. E menti para meu pai, mas deste eu fugi o
máximo que pude, pois bastaria me olhar para saber que não estava tudo bem.
Foi no fim do dia que chegou a mensagem. No primeiro instante, não acreditei.
A mensagem dizia: “Precisamos conversar. Desça, estou te aguardando no fim da rua”. Meu coração
acelerou e meu olhos ficaram úmidos.
Regina tinha finalmente rompido com aquela distância. Logo em seguida, meu cérebro me mostrou que não

estava tudo bem.
Primeiro: a mensagem era um convite para conversarmos, o que não queria dizer que ela estava disposta

a esquecer aquela briga terrível e dar continuidade ao nosso relacionamento.
Lógico que eu não esperava que ela chegasse toda amorosa, com saudade e disposta a esquecer, porém,

pensar que a conversa poderia ser um ponto final me deixou arrasada.
Segundo: ela não foi até o meu apartamento, o que demonstrava que não queria encontrar meus pais nem

meus amigos. Ela me esperava no fim da rua, um lugar onde poderia me dizer o que pensava e ir embora

sem precisar se justificar com ninguém.
Era o fim.
Merda!
Sentei em minha cama sentindo o corpo todo tremer. Realmente havíamos passado do limite com aquela
briga.
Onde eu estava com a cabeça? Por que não fiquei calada e apenas tentei explicar que foi tudo um mal-
entendido?



Por que eu tinha que desafiá-la e levá-la ao limite?

Não me controlei e chorei. Era melhor que eu chorasse no quarto do que na frente dela. Pelo menos eu

teria um pouco de dignidade naquele fim de relacionamento.
Troquei de roupa, lavei o rosto, constatando a vermelhidão na ponta do nariz e nos olhos, preferi deixar
os cabelos soltos, assim disfarçaria a minha cara de choro, peguei o celular, a chave de casa e saí tão
silenciosamente que ninguém notou.
– Boa tarde, Srta. Swan – Archie me abordou na entrada do prédio.

– Quer que mande buscar o seu carro?
– Boa tarde, Aechie. Não. Meu carro está na oficina – ele fez uma cara de quem lamentava.

– Deseja um táxi?
– Não. Eu vou caminhar um pouco – ele me avaliou, certo de que algo estava errado.
– Não é perigoso, senhorita? O Rio anda impraticável ultimamente.
– Não vou muito longe. Pode ficar tranquilo. Obrigada!
Desci a rua sentindo que a cada passo eu ficava mais covarde. Não estava pronta para aquela conversa e
não queria chorar na frente de Regina , como se ela fosse a responsável pelo nosso fracasso.

O carro dela estava estacionado logo depois do semáforo, quase virando a outra rua. Regina estava do lado

de fora, com roupas de trabalho. Mantinha o blazer o que me deixava ainda mais apreensiva.

Não seria uma conversa demorada.
Assim que me viu, afastou-se do carro e descruzou os braços. Os óculos escuros me impediam de

saber como ela reagia à minha presença, o que me colocava na defensiva. Desacelerei meus passos

pensando se não seria melhor correr e voltar para casa. Droga!
Eu não queria que acabasse.
– Oi! – ela disse educadamente.

Tive que pigarrear para conseguir fazer a voz sair.
– Oi – não consegui colocar nenhuma emoção na voz.
Ela ficou calada e parecia estar me avaliando, o que era impossível de confirmar com aqueles óculos

escuros.
Abaixei a cabeça e aguardei pelo que viria.


– Desculpe demorar tanto para te procurar – ela se encostou outra vez no carro e voltou a colocar a cruzar os braços

– Lana me disse que você não estava cumprindo seus compromissos, que alegou não

estar se sentindo bem.
Mordi o lábio sem saber o que responder. O que eu poderia dizer? Que deixei as pessoas acreditarem
que o casamento aconteceria? Que eu não tinha pensado bem quando sugeri o fim do relacionamento?
– Ainda com cólica? – neguei com a cabeça e ela umedeceu o lábio inferior. Nossa! Por que eu conseguia

pensar naqueles lábios quando a mulher estava ali pronta para me dar um fora? – Você está bem? – outra

vez não soube como responder, então dei de ombros.
Regina passou a mão pelos cabelos, retirou os óculos escuros e me encarou.

Acanhada e perdida sobre o que dizer ou fazer, arrumei meus óculos e depois alisei meu cabelo
colocando todo o volume sobre um ombro.
– Está legal, Emma ! Vamos ter esta conversa logo de uma vez – puxou o ar com força ao mesmo passo

que eu sentia as lágrimas se formarem. Merda!
Eu não queria chorar! – Você tem alguma coisa para me dizer?
Durante um segundo nossos olhos se encontraram. Regina estava ansiosa, como se estar ali comigo fosse

um sacrifício.
Meu coração afundou imediatamente e, sem conseguir me controlar, chorei. E me odiei por chorar.
– Deus, Emma!

Ela disse desarmada e me puxou para os seus braços. Não consegui abraçá-la. Não consegui falar, nem

fazer nada. Apenas chorei toda a tristeza e angústia que aquelas horas de apreensão tinham me custado.
Eu apenas chorei.
Seus dedos adentraram meus cabelos, acariciando meu couro cabeludo. Chorei ainda mais e já não sabia
mais o motivo do meu choro. Eram tantos!
– Ei, calma! – ela sussurrou, as palavras se perdendo no barulho do trânsito.

– Eu não beijei o Henrique – eu me vi falando, a voz fanhosa, o nariz entupido e as lágrimas me
sufocando. – Não beijei – minhas mãos se fecharam com força no blazer dela.

– Tudo bem, Emma – ela disse com cuidado.

– Não! Não está tudo bem! Você pensou que eu estava beijando o idiota do Henrique e simplesmente
falou um monte de merda. Eu também falei, porque estava com raiva e magoada, mas eu não queria... eu

não queria que chegasse a este ponto.


– Eu sei – Regina continuava calma, seus dedos massageando minha cabeça e a voz cheia de resignação.

– E agora eu estou perdendo você e não sei o que fazer, porque também falei tanta merda que você tem
todo o direito de ir embora – ela riu baixinho e me abraçou com força.

– Senti falta desta sua mente confusa – brincou levantando meu rosto para me olhar. – Senti falta de você.
Deus! E quanta falta eu senti dela!

Aqueles olhos intensos me deixaram rendida. Regina retirou meus óculos e limpou minhas lágrimas com

devoção.
– Me perdoe por ontem – ela falou com um sorriso sem graça. – Eu não sei o que me deu. Eu fiquei tão

puta que... – respirou fundo e acariciou meu rosto. – Perco a cabeça com você, Emma.
Senti tanto ódio quando vi aquele... nerd te beijando.
– Você não deveria falar dos nerds com tanto desprezo – funguei sem nenhuma educação. – Eles estão na
moda.
– Ah, cala a boca, Emma! – rosnou com raiva e me puxou em direção aos seus lábios.

Havia muito naquele beijo.
Saudade, amor, raiva, posse, mágoa... O salgado das lágrimas se misturava com o doce dos nossos
lábios. Minha mão se afundou em seus cabelos, fechando os dedos na textura macia dos seus fios
prendendo sua boca na minha para recepcionar a sua língua. A outra acariciou suas costas aposando daquele corpo que era só meu. Nossos corpos se colaram instintivamente, o fogo percorrendo cada

centímetro nosso.
Regina gemeu espalmando suas mãos em minhas costas e me puxando pela cintura, para que não restasse

mais nenhum espaço entre nós duas. Senti suas palmas quentes escorrendo pelas laterais do meu corpo,

alcançando a barra do meu vestido e se aventurando em minhas coxas. Outro gemido dela e eu sabia que

a umidade no centro entre as minhas pernas não era apenas pelo meu período menstrual.
– Que saudade de você!
Ronronou em meus lábios, escorrendo-os pelo meu rosto até alcançar meu pescoço. As mãos subiram
outra vez para a minha cintura e o tecido fino do vestido me permitia sentir o seu calor.
– Prometa que não vamos mais brigar – implorei e ela riu.

– No que se refere a você, Emma , esta é uma missão impossível – fiz muxoxo e ela riu um pouco mais.

– Eu não quero brigar. Não sou de brigas, mas você realmente parece ter alguma coisa que ativa isso em
mim.
– O que não é nada bom – resmunguei. Não era um elogio saber que ela ficava com tanta raiva a ponto de


agir de forma tão irracional.
– Vai ficar tudo bem – ela ficou séria, como se minhas palavras a levassem a entender o quão ruim era

aquela situação. – Nós vamos encontrar um equilíbrio – encostei em seu peito, deixando-o me abraçar.
– Ainda está menstruada? – fiz que sim com a cabeça, sem coragem para encará-la. Eu não devia, mas

fiquei envergonhada. Regina estalou a língua e me prendeu em seus braços com força.
Agora somos duas ela riu sem graça

– Então vamos subir e jantar.
– Hum! Você esta bem? Perguntei, pois dias atras ela disse que em situação de estresse ficava mal nesse período.

– vou ficar amor – ri sentindo meu mundo voltar ao eixo.



REGINA


E mais uma vez Emma Swan conseguiu me desarmar.

Eu fiquei tão rendida que, em pouco tempo, toda a mágoa e tristeza desapareceram, dando lugar à

saudade miserável que eu sentia dela. E como eu senti!
Estacionei na vaga livre do seu apartamento, já que seu carro estava na oficina, e subimos como um casal
apaixonado. Mais até do que isso. Eu estava ávido por aquela menina.

– Para, Regina ! As câmeras – ela me alertou quando, embalada pelo beijo, subi minhas mãos em suas coxas

roliças.
– Vamos alegrar a noite do pessoal – provoquei aprofundando o nosso beijo, só não me atrevi a continuar
com a mão boba. Emma riu, corando significativamente.

– Seu boba!

– É o que você faz de mim – ela passou as mãos em meus cabelos, e a outra parou em meu pescoço. Emma me olhou com um amor profundo

e sólido.
– Amo seus olhos –encarou-me. – São lindos!
Fiquei sem palavras para aquela demonstração tão clara de amor, havia algo a mais na forma como

Emma falou, como se ela me venerasse.

O tempo inteiro acreditei que aquele amor velado, aquela devoção, pertencia apenas a mim. Que eu lhe
tinha uma adoração que me faria permanecer a seu lado independentemente dos pecados que aquela


menina fosse capaz de cometer. E então ela estava ali, olhando-me com simplicidade, com carinho, e com
um amor tão puro que me impediu de articular qualquer palavra.
A porta do elevador abriu e nossa bolha foi rompida.
– Eu amo você, menina – sussurrei beijando mais uma vez seus lábios. – Vamos!
Assim que entramos, demos de cara com David e Mary na sala. Eles estavam sentados, uma música

romântica tocava ao fundo, e, pela posição que estavam, percebi que ali estava um casal de apaixonados.
Olhei para Emma ciente de que aquela era a forma como as pessoas nos viam, e sorri.

– Regina ! Emma, não a vi saindo – David se levantou para apertar a minha mão.

– Mary – abracei minha futura sogra

– Fui buscar Regina lá embaixo – Emma respondeu baixinho, mantendo os olhos baixos.

– Esteve chorando? – David se aproximou levantando o rosto da filha. – Sim, você estava chorando. O

que houve? – a pergunta foi feita diretamente para mim.
– Eu não estava...
– Ela estava chorando, sim – interrompi Emma antes que ela inventasse uma mentira absurda.

Qualquer idiota saberia que aquele nariz e olhos vermelhos não poderiam ser por outro motivo.
– Filha, o que houve? – Emma me olhou receosa do que poderia contar.

– Eu estive muito ocupada ontem e hoje e Emma pensou que eu estava desistindo do casamento –

abracei minha noiva, rindo e beijando o alto da sua cabeça. Senti seus dedos se fechando em meus
braços.
– Que bobagem – David riu afagando as costas da filha.

– Foi o que eu disse a ela.
– Oh, filha! Por que não me procurou? Eu conseguiria tirar esta ideia da sua cabeça em dois tempos –
Mary brincou mimando Emma.

– E eu mandaria quebrar as duas pernas dela– minha noiva encarou o pai, surpresa com aquela

afirmação e arregalou os olhos – Caso ela realmente tivesse desistido, claro!

– Pai! – David riu e me deu um tapinha no braço.

– Vai ficar para o jantar?
– Vou sim.


– Eu vou avisar a Odete que temos mais um à mesa – Mary se levantou, e, como a incrível dama que era,
assumiu as tarefas da sua casa.
– O que quer beber? Vinho, uísque...
– Nada. Trabalhei muito, estou casada, misturar bebida e desgaste não vai me ajudar a chegar em casa.

– Você está certa. Por falar em trabalho... tenho algumas coisas para resolver. Volto logo.

David saiu e a porta da casa se abriu, revelando uma Ruby desconfiada. Ela tentou ser silenciosa, e,

assim que percebeu a nossa presença, ficou tão sem graça que me fez estranhar.
– Ah... oi!
– Você saiu? Que horas que eu não vi? – Emma a acusou sem nenhum receio.

– Eu fui dar uma volta, tomar uma água de coco em Copacabana – e era claro que ela mentia, mas por
quê?
– Sozinha? – Emma continuou.

Ela também desconfiava.
– Sim!
A resposta chegou alta demais e rápida demais, o que só me fez ter certeza de que Ruby estava

mentindo.
O que ela estava aprontando?
– Vou tomar um banho e já desço para o jantar.
– Você parece limpa demais para quem estava caminhando em Copacabana. E com esses saltos?
– Emma!

Apertei a cintura da minha noiva.
Um pedido de trégua, pelo menos enquanto eu estivesse por ali. Era nítido que Ruby não queria que eu

soubesse o que ela estava aprontando, e eu também não queria participar de nada a respeito daquela
garota.
– Eu estava em um bar...
climatizado. Vou tomar banho, com licença.


Ruby subiu rapidamente as escadas e Emma se afastou de mim enquanto analisava a amiga.

– Não é estranho?
– Não.
– Claro que é estranho – ela começou, mas eu não queria entrar naquela conversa.
– Eu queria conversar sobre outro assunto com você – segurei a mão da minha noiva e a levei até o sofá.
– O que eu fiz desta vez? – Ri.
– Nada. Você ainda não fez nada.
– Ainda?
– Exatamente – ela mordeu o lábio, apreensiva. – Eu não quero ter que dizer a Lana que não estou de
acordo com o clube das mulheres – fui direta ao assunto.

– Ah!
– Também não quero te forçar a nada. A ideia de uma despedida de solteira não me deixa confortável. A
imagem do Henrique te beijando ainda é um pesadelo para mim, então não quero ter que povoar minha
mente com outros rostos.
– Mas Lana estará lá.
Sim, e ela não acharia ruim a minha noiva colocar dinheiro na cueca de um monte de marmanjos, depois
de eles terem se esfregado nelas e rebolado seus... acessórios, na sua frente.
– Eu disse a Jefferson que não queria uma despedida de solteira. No máximo beber um pouco com ele e a Zelena, quem sabe o Graham, mas nada de mulheres, dançarinas, prostitutas... – deixei a sugestão no ar e vi o

rosto de Emma mudar de tom.

– Ele quer contratar dançarinas?
Prostitutas? – concordei sem nada dizer e suas feições endureceram. – Lana, sabe disso?
– Bom... para todo caso eu estarei lá, e a Zelena também.

– E você quer isso? – Emma levantou o queixo em desafio. Sorri acariciando seu rosto.

– Não. Prefiro ficar com você – beijei seu rosto. – Mas se você vai sair para se divertir com as meninas,
que mal há em eu aceitar a oferta do meu amigo?
– Ai! – Emma acertou um tapa em meu braço. Ri da sua cara de brava.


– O que foi que conversamos sobre equilíbrio, menina? Você não pode me bater todas as vezes que ficar
nervosa – provoquei e recebi outro tapa no braço.
– Eu vou contar a Lana sobre a brilhante ideia do Jeferson. Quero só ver a cara dele depois que ela

pegar ele de jeito.
– Ele sabe dos planos dela, então eu acredito que ela também saiba dos dele. Quer dizer... talvez não
exatamente de tudo o que ele planeja para a nossa noite – recebi outro tapa.
– Não terá “nossa noite”, Regina Mills – ameaçou e eu a agarrei com força fazendo-a sentar em meu colo.

– Pare de me bater, menina levada – acertei um tapa em sua bunda e Emma soltou um gritinho.

– Regina!

– Se bater outra vez vai levar um bem mais forte – passei minha mão por dentro do vestido e acariciei o
local do tapa.
– Puta merda! – Emma gemeu baixinho e fechou os olhos.

– Vem cá!
Colei nossos lábios em um beijo cheio de luxúria. Eu queria muito mais do que alisar aquela bunda
deliciosa, ou senti-la sentada sobre mim e ter ciência de que apenas alguns pedaços de pano

nos separavam. Porra, depois de uma briga como a nossa, de horas infernais em que eu questionei tudo o
que vivi até ali, meu único desejo era ouvir ela gritar meu nome. Mostrando

para o mundo a quem pertencia.
Porra, era isso o que eu queria!
Emma lentamente rebolou em meu colo, Apertei sua bunda com

força, fazendo-a parar.
– Se continuar rebolando assim, vamos ter um sério problema em explicar a David essa cena– seu sorrisinho infantil e inocente era apenas mais um estímulo.

essa tortura nao vai acabar tão cedo – sussurrou saindo do meu colo.

– Coloca tortura nisso – reclamei, sentindo o aperto em minha virilha.

Você ta com dor? Emma me perguntou

So um poquinho de nada, depois que a gente se acertou estou bem melhor

Jura?
Juro juradinho , foi impossível não rir.

– Vou conversar com Lana. Acho que não precisamos de uma despedida de solteira.
– Boa menina – acariciei seu rosto e arrumei seu cabelo atrás da orelha.
– Você também não vai ter uma despedida de solteira– desafiou-me.

– Vou ter sim, senhora – provoquei. Emma levantou a mão para me acertar um tapa, mas desistiu com

um sorriso travesso. – Eu estava ansiosa por este tapa, Emma.

– Eu sei, por isso vou guardá-lo para outro momento – piscou, fazendo uma parte de mim corresponder
diretamente. Era realmente uma grande tortura. – Então... nada de despedida de solteira ,professora Mills.

– Eu vou ter uma memorável – ela me olhou com indignação. – Com você – beijei seu pescoço. – Nossa
última trepada de solteiras – sussurrei em seus lábios, deixando uma Emma deliciosamente

desarmada.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...