História A Professora III - Capítulo 12


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Anastasia (Rainha Vermelha/Rainha Branca), Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Marian, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emaswan, Onceupontime, Reginamills, Swanqueen
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Palavras 4.848
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - Pequeno incomodo


“As ideias das pessoas são pedaços da sua felicidade.”

William Shakespeare



EMMA




Certo. Não preciso ter medo. Não preciso ter medo.

Mas eu estava com medo.

Vamos ser realistas. Um lugar utilizado para saída não responde muito bem às entradas, entendeu? Porra!

Lógico que eu estava com medo. O que eu poderia esperar?

Calma, Emma! Que coisa mais ridícula e absurda!

Mesmo assim, não fiz força para levantar, vai que... puta que pariu!

Onde eu estava com a cabeça? Sem contar que, no momento, eu não pensei muito bem no que seria o

depois, e eu, com o sangue mais frio, as ideias fervilhando na cabeça e o corpo não tão entregue, sabia

que alguma consequência nossa brincadeira causaria. Até já podia sentir uma delas: assadura.

– Tudo bem. Você consegue. – Minha voz ecoou na sala vazia e pouco iluminada.

Levantei cuidadosamente, conferindo meu corpo, as suas reações e possíveis incidentes.

– Incidentes improváveis, Emma! Deus do céu!

Eu estava uma pilha. Lógico que estava. Bastou ficar de pé para que o resquício de lubrificação, e as

paredes, outra vez mais próximas uma da outra, começassem a apresentar certa ardência, típica de um

corpo desvirginado. Ri sozinha. Deus, eu era mesmo muito louca com os meus pensamentos.

Mas que estava ardendo estava. Não muito. Não o suficiente para me fazer arrepender, apenas para me

lembrar do que aconteceu e do que ainda poderia acontecer. Eu daria tudo para conferir de perto a

espessura daquele brinquedinho. Aliás, eu faria isso tão logo Regina me deixasse sozinha. Era um direito

meu avaliar o objeto de perto, não? Acredito que sim, afinal de contas, era em mim que ele havia entrado.

Porra! Que pensamento ridículo! Não consegui deixar de rir ao me imaginar dizendo a Regina que eu queria

saber a grossura daquilo que estava em meu... bom, em meu corpo.

Ok, hora de andar. Senti um calafrio e aquele azedume que dá no estômago. Cara, eu nem conseguia

acreditar que estava fazendo tanto drama para aquilo... sério, e se... porra, seria muita sacanagem comigo

Mas andar não poderia... ok, vamos testar.

Um passo, outro, tudo bem. Só o ardor devido à fricção das nádegas.

Então... olhei para os lados e minha preocupação se voltou para o sofá, e se...

não, está tudo limpinho, tudo no seu devido lugar. E Regina não me deitaria ali se soubesse que poderia...

não, ele saberia e não permitiria que acontecesse.

Um sorriso brincalhão estava estampado em meu rosto. Era divertido estar tão insegura e sozinha,

podendo brincar com os meus medos sem o seu olhar de “que menina boba e inocente”.

Bom, se eu ainda precisaria enfrentar as escadas, era melhor me apressar, ou Regina apareceria para checar

o que estava acontecendo e aí, sim, seria constrangedor. Andei em um ritmo lento. Não, para falar a

verdade, eu andei que nem uma lesma. Não dava para evitar. Qualquer movimento a mais em meu

estômago, qualquer diferença sentida em minha barriga, me fazia apertar as nádegas e parar de andar.

Caralho! Não dava para passar um dia inteiro assim. E eu realmente precisava daquele banho. Sozinha,

de preferência. Aliás, eu precisava de um pouco de privacidade por um tempo. Nada de sexo matinal,

nem nada que me fizesse abrir as pernas facilitando... puta que pariu!

Respirei fundo quando cheguei ao primeiro degrau. Testei, retesei, relaxei, subi. Um processo longo e

estressante. Ah, Deus, por que não poderia ser apenas prazeroso? Por que tinha que ter a parte ruim? E

nós nem tínhamos feito de verdade. Eu até já podia imaginar quando Regina resolvesse aprofundar muito mais a festa. Eu passaria um dia inteiro na cama.

No meio da escada, ouvi a voz da minha esposa me chamando. Droga!

– Já estou indo. É que... estava procurando o meu celular.

Ela apareceu na porta do quarto, o corpo envolto em uma toalha, os cabelos molhados,

gotículas descendo acima dos seios tão bem trabalhados.
Ah, Regina!

– Você o deixou no bolso da minha calça.

Ela encostou na soleira e ficou me observando.

Droga! Não dava para subir a escada com tanto cuidado. Regina não me deixaria em paz nunca mais na

vida se pudesse imaginar o meu drama. Ela me avaliou com certa satisfação, como se estivesse... Porra,

ela estava conferindo como eu estava lidando com as consequências. Filha da puta!

– Vai ficar parada aí?

Merda! Ela brincava comigo.


– Não.

Meu lado infantil falou mais alto. Ela sempre falava. Não havia como evitar. Levantei a cabeça,

encarando a minha esposa e comecei a subir os degraus, me esforçando ao máximo para não demonstrar

dor ou angústia pelos movimentos bruscos para quem tinha acabado de... era demais para uma noite só.

Os lábios da minha esposa se repuxaram para o canto em um sorriso irônico e seus olhos se estreitaram,

me observando com atenção.

– Algum problema? – disse quando cheguei ao topo e precisei parar para me certificar de que nada

aconteceria.

Confesso que meu olhar de raiva poderia matá-la, só que eu não lhe daria aquele gostinho.

– Nenhum. Por quê?

Ela cruzou os braços e continuou me olhando daquele jeito constrangedor.

– Porque você está estranha.

– Estranha? – Apoiei o braço no corrimão e aproveitei para travar mais uma vez as nádegas, garantindo a

minha segurança e assegurando a voz firme.

– Eu estou apenas cansada. Posso tomar meu banho ou você tem mais algumas perguntas?

Ela riu baixinho e saiu da frente da porta, dando-me passagem. Com orgulho, juntei o que restava da

minha dignidade e passei pela minha esposa, alcançando o banheiro e me trancando lá sem lhe dar chance

de me intercalar outra vez.



REGINA



Arrumei a cama, observando Emma fingir que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava e, cada

vez que a observava lutando para esquecer das suas angústias e tentar sentar voltando rapidamente, eu

tinha vontade de rir.

Claro que não dava para saber quais reações cada corpo tem ao sexo anal, como nós tínhamos apenas

brincado, então não houve um estrago a ponto de causar dor. Eu estava apenas tentando fazê-la se

acostumar à ideia.

O que estava acontecendo era somente Emma sendo Emma, dramática e infantil, e saber disso me

fazia sorrir todas as vezes que olhava tentando fingir que estava bem.

Eu nada dizia. Deixava a minha esposa se enrolar em seus pensamentos confusos e a cada instante ficar

ainda mais engraçada e desejável. Foi engraçado quando a abracei pela manhã, sentindo-a se entregar as minhas carícias para logo em seguida se dar conta e se afastar com a desculpa mais esfarrapada possível.

E eu suportaria, permitiria que ela se angustiasse por quanto tempo achasse necessário até que criasse

coragem e conversasse sobre o assunto comigo. Eu pagava para ter esta conversa. Seria, no mínimo,

interessante.

Durante o café, ela apenas pegou uma xícara e andou até o jardim, o que quase nunca acontecia, mas ficou

por lá e justificou dizendo que o dia estava lindo e merecia a sua atenção. Eu queria rir e dizer que ela

não tinha motivos para se preocupar tanto, em vez disso, fazia a minha melhor cara de esposa

compreensiva e deixava que ela continuasse se torturando.

Não entendia por que ela ficou tão ensimesmada. É bem verdade que a única pessoa com quem eu tive

uma primeira vez anal foi Tiffany e nem eu nem ela tivemos demais problemas, ate porque ela não ficou muito tempo após pra reparar suas reações.

com as demais garotas já eram rodadas e até gostavam. Pediam. Sem traumas e sem consequências. No entanto,

eu podia jurar que aquele excesso de cuidados e temores da minha esposa era um pouco mais do seu jeito

dramático de ser.

Revirei os olhos, vendo-a levantar rapidamente quando pretendia sentar no banco da varanda, e preferi

dar mais atenção ao jornal e deixá-la em paz para remoer suas angústias. Afinal de contas, um pouco de

sofrimento até que ela conseguisse chegar a suas próprias conclusões, sem precisar ser conduzida por

outras pessoas, não fazia mal a ninguém.

Emma precisava amadurecer, apesar de eu me divertir com as suas infantilidades. Era de suma

importância que ela estivesse mais forte e segura para o que provavelmente aconteceria em pouco tempo.

E seria uma droga.

No caminho para o escritório de casa, porque, mesmo sendo um dia de folga, eu precisava checar alguns

documentos e dar andamento ao meu projeto, a encontrei andando com cautela e quase ri, porém preferi

manter a farsa fingindo não ver seu desconforto.

– Está tudo bem, amor?

Rapidamente ela endireitou a coluna e seu rosto ficou vermelho.

– Tudo ótimo! Esta é a terceira vez que me pergunta, Regina. – E a sua postura defensiva já dizia tudo.

Sorri porque fui incapaz de conter a vontade dos meus lábios.

– Porque estou começando a acreditar que te machuquei ontem à noite.

Com essa, eu já sabia que minha esposa surtaria. Precisei de um esforço extraordinário para não

gargalhar quando a vermelhidão do seu rosto começou a tingir as orelhas e pescoço.

– Ora, Regina! De onde tirou esta ideia?

Deixei minha cabeça pender para o lado, observando-a melhor e sabendo que isso a deixaria ainda mais

sem graça.


– Quer conversar sobre ontem?

Os olhos de Emma ficaram imensos.

– Eu estou ótima! Não vejo motivos para acreditar que... – Seus olhos desviaram dos meus. – Que possa

ter me machucado se só o que demonstrei foi prazer, então não vejo motivo para ficar me olhando assim

e...

– Tudo bem. Eu só pensei que não estivesse legal. Você bebeu muito ontem, pode estar com ressaca, mal-

estar... qualquer coisa. Se está me dizendo que está tudo bem... – Dei de ombros e ela relaxou. – Eu vou

trabalhar um pouco no escritório. Quer sair para almoçar em algum lugar?

– Não.

Sua resposta muito rápida e a forma como voltou a ficar tensa me fizeram voltar a sorrir. Emma era

inacreditável. Não resisti à vontade de provocá-la mais. Me aproximei, deixando-a entender o que eu

queria.

– Vamos ficar em casa o dia todo?

Ela tentou recuar, mas minha mão rapidamente foi para a sua cintura, mantendo-a junto de mim.

– Então vamos aproveitar porque amanhã volto a trabalhar normalmente. – Deitei meu rosto em seu

pescoço, uma tentativa de esconder meu sorriso imenso, e colei meus lábios em sua pele.

Emma retesou.

Deixei minhas mãos brincarem com o tecido do seu vestido solto, como se quisesse levantá-lo, ela se

encolheu. Lógico que estava excitada, mas seu medo era muito maior que o desejo. Brinquei em sua

clavícula, rocei os lábios de leve pela pele alva e, propositalmente, peguei a mão da minha esposa e deixei ela sentir minha

Excitação colocando entre minha pernas, que evidentemente estaria presente. Não sou de ferro e Emma é a minha fraqueza em qualquer

momento.

– Eu preciso trabalhar no livro, Regina. – Sua voz fraca foi um divertimento à parte.

– Não pode esperar? – Não me afastei nenhum centímetro. Queria saber até onde ela iria com aquela

loucura. – Nós poderíamos testar mais alguns brinquedinhos.

A tensão dos seus ombros chamou minha atenção. Provoquei.

– Já que você gostou tanto, poderíamos pular algumas etapas. – E não deu para impedir o divertimento

em minha voz.

– Eu preciso... resolver algumas coisas... e... – Ela começava a se enrolar com as palavras.

– Tem certeza? – Me afastei para olhar em seus olhos e vi quando Emma titubeou. – Está tudo bem, não está?

Ela piscou algumas vezes e eu vi quando seu medo foi mais forte do que o desejo.

– Está tudo ótimo, Regina! Por que não vai trabalhar um pouco enquanto eu resolvo as minhas coisas?

Desisti de pirraçar a minha esposa e, com um beijo casto, me despedi dela e fui para o escritório, onde

passei a maior parte da manhã e início da tarde. Respondi a alguns e-mails, fiz algumas ligações, uma

delas para David, que me certificou de que o estado de Mary continuava o mesmo, nenhuma melhora,

nenhuma piora também, o que já me deixava mais animada.

Lana, como era de imaginar, também estava trabalhando e me enviou alguns pareceres sobre originais.

Conversamos um pouco sobre o livro da Emma e ela me passou um roteiro que iniciaríamos em breve

para divulgar seu trabalho. Talvez devêssemos postar algo em plataformas gratuitas, apenas para que ela

começasse a se tornar conhecida pelo público. Em breve, receberíamos o planejamento da equipe de

marketing e publicidade.

Senti cheiro de comida e me peguei pensando no que Emma estava aprontando. Fui até a cozinha e a

encontrei montando uma salada de verduras cozidas. Seu computador estava aberto no balcão, a tela

escura. Ela me olhou com receio, no entanto, tentou disfarçar sorrindo.

– Se aventurando na cozinha outra vez? – Sentei no banco alto e me apoiei no balcão para observá-la

melhor.

– Só uma salada e frango grelhado. Usei o que já estava temperado no congelador. Não achei molho para

salada.

Dei a volta no balcão, abri a porta do armário que estava na outra extremidade e peguei uma garrafinha

com molho de salada. Não era o mais saudável, mas serviria. Deixei sobre a pia e encarei a minha

esposa.

– Está mais disposta?

Um rosinha quase suave tomou conta das suas bochechas e ela sorriu.

– Não acho que só porque estamos juntas devemos usar todo o nosso tempo livre para transar, Professora Mills.

Sorri. Amava quando ela me atiçava me chamando de professora.

– Levando-se em consideração nossa tão recente vida sexual e a sua recusa, começo a acreditar que eu

fiz alguma coisa de errado.

Ela ficou séria e desviou o olhar.

– Você sabe que eu adoro transar com você – revelou com os olhos na salada. – Não sei de onde tira

essas coisas. – Tentou rir, o que soou falso.


– Talvez do fato de você estar evitando conversar comigo sobre ontem ou sobre como está se sentindo.

Emma parou de ajeitar a salada, mas seus olhos não se voltaram para mim. Eu estava cansada de

fingir não estar percebendo e, analisando melhor, não havia motivo para tanto alarde, então, se ela estava

mesmo com tantas angústias, era melhor que soubesse que eu estava disposta a ajudá-la. Até me

arrependi de brincar tanto com a sua situação.

– Regina ...

– Eu te machuquei?

Ela suspirou.

– Olhe para mim.

– Por favor, eu me sinto melhor se não olhar.

Comecei a ficar com medo do que poderia estar realmente acontecendo.

Vi suas orelhas ficarem vermelhas e ela engoliu com dificuldade. Merda! Por que brinquei tanto com a

situação e não me coloquei à disposição para ajudá- la? De onde eu tirei que Emma amadureceria se

eu a deixasse chegar a suas próprias conclusões quando o que mais a deixava perdida era o sexo?

– Certo. Eu te machuquei? – repeti para que a pergunta não se perdesse no meio do seu constrangimento.

– Não – ela disse com firmeza, aliviando um pouco o meu temor. – Pelo amor de Deus!

– Emma , você não pode sentir vergonha de conversar comigo sobre isso.

– Claro que eu posso – rebateu, demonstrando o quanto a conversa a aborrecia. – Eu já disse um milhão

de vezes, eu estou bem, você não me machucou, está tudo certo.

– Então por que está agindo como se estivesse com algum problema?

Ela fechou os olhos e virou o rosto para o outro lado. Sorri achando graça da sua relutância em

conversar.

– Porque... – Ela parou por alguns segundos, provavelmente se perguntando se deveria ou não revelar

alguma coisa.

– Emma...

– Eu estou assada, apenas isso. Satisfeita? Que droga!

Aproveitei que ela não me olhava e ampliei o meu sorriso. Lógico que ela estaria assada, como não?


– Muito? – Minha voz estava mais relaxada, o que poderia lhe transmitir confiança.

– Um pouco. Só o suficiente para incomodar. Podemos mudar de assunto? – Desta vez, ela me olhou e

conseguiu me flagrar sorrindo. – Você está adorando, não é?

Levantei as mãos me rendendo e ri sem conseguir evitar.

– Não tenho como dizer que não. Sua ingenuidade me encanta.

– Ingenuidade?

– Emma , sexo anal é um assunto normal para ser debatido entre um casal. Não entendo a sua relutância

e me divirto com ela.

– Sexo anal, até onde eu sei, é um tabu para muitos casais, principalmente casais recentes, como nós duas.

– Seu olhar se tornou atrevido.

– Em que mundo você vive? – provoquei, assistindo a vermelhidão do seu rosto se intensificar.

Como minha esposa não respondeu, resolvi continuar.

– Então devo deduzir que este assunto virou um tabu para você.

Ela mordeu o lábio inferior e baixou o olhar.

– Emma ?

– Não – disse baixinho.

– Não?

Ela negou com a cabeça.

– Por mim ou por você?

Ela suspirou e voltou a me olhar.

– Eu... gostei. – Minha satisfação escapou pelos meus lábios, formando um sorriso amplo. Ela sorriu sem

graça e abaixou mais uma vez o olhar. – Só fiquei um pouco incomodada depois, mas gostaria de guardar

esta parte para mim.

– Você gostou?

Ela concordou com a cabeça, me olhando vez ou outra através dos cabelos que desciam como uma

cortina a sua frente.

– Então podemos continuar...



Eu preciso de um tempo – disse rapidamente. – Para me restabelecer.

Mordi os lábios evitando o riso que certamente a constrangeria ainda mais.

– Claro! Ainda estou tentando fazer você se acostumar com a ideia, ficar mais à vontade.

– Obrigada!

Soltei o ar e ri abertamente.

– Às vezes você parece uma menininha, Emma. Puta merda! Eu me sinto uma canalha aliciando uma

garota.

Ela sorriu e relaxou visivelmente.

– Bom, eu estou sendo aliciada.

– Está?

Sua língua umedeceu o lábio inferior e meu sexo reagiu na mesma hora, o que aquela garota fazia comigo não era normal.

– Se não está disposta a expor essa bunda deliciosa, é melhor não me provocar.

– Eu não estou fazendo nada. – Virou outra vez em direção à salada e recomeçou o seu trabalho. – Vamos

almoçar?

– Se é só o que eu posso comer...

E fui atingida no rosto por uma vagem cozida.



EMMA



Trabalhei em meu texto uma boa parte da tarde, quando fiquei entediada e parei. Regina estava no escritório e não mais me atormentava com a minha cautela quanto a andar, sentar... optei por

trabalhar na cama, onde era bem mais confortável, o que me rendeu uma dorzinha na coluna.

Desci, conferindo o silêncio da casa e a pouca luminosidade, já que o dia começava a se despedir. A luz

que vinha do escritório me fez querer conferir o que Regina fazia.

Ela estava concentrada, digitando rapidamente no teclado e olhando para a tela com atenção. Mesmo

assim, quando me aproximei, ela fechou a tela e me encarou. Fiquei envergonhada e minhas mãos foram

diretamente para os meus óculos.

– Ainda trabalhando? – perguntei sem jeito por ter atrapalhado o que ela fazia.

– Escrevendo. – E cruzou as mãos sobre a mesa. – E você?

– Escrevi um pouco também. Não posso ler o que escreveu? Até hoje você não me contou nada sobre o seu projeto.

– Não. – Ela sorriu daquela forma escrota e permaneceu me encarando. – Quer debater comigo sobre o

seu livro?

– Não – fui birrenta. O que havia de tão absurdo em me mostrar o seu livro? Não era o que eu fazia?

– Sou sua agente, Emma Preciso saber como está conduzindo o livro.

– Não temos contrato, professora.

Ela sorriu com mais propriedade. Eu odiava quando Regina me fazia lembrar do quanto eu era infantil.

Estreitei os olhos.

– Por que não posso saber sobre o que escreve?

– Porque eu não quero. – Continuou relaxada e sorrindo. Filha da puta!

– Ok. – Virei para ir embora quando ela falou.

– Está se sentindo melhor? Digo... a assadura. – Puta merda!

– Estou bem. – Parei com a mão na porta e de costas para ela.

– Sente aqui comigo. – Havia tanta ironia em sua voz que minha vontade foi levantar o dedo do meio para

ela; como seria infantil, desisti.

– Eu almocei sentada.

– Parcialmente sentada.

– Regina , por que você não vai...

– Eu tenho pomada para assaduras.

Parei sem acreditar no que ela me dizia.

– Mais precisamente. – Deixou que o corpo se projetasse um pouco mais sobre a mesa e me encarou com

olhos estreitos. – Para este tipo de assadura.

Se me deixar...

– Eu estou bem. – Minha voz saiu irritada.

– Eu posso ajudar a melhorar. É só uma pomada, Emma, não seja infantil.

– Não estou muito certa se quero andar pela casa com algo melado e grudento na minha bunda.


Ela me encarou e depois explodiu em uma gargalhada gostosa. Acabei acompanhando.

– Você poderia parar de pegar no meu pé? Vai acabar me fazendo desistir de aceitar uma nova rodada,

desta vez de maneira mais real. – Assisti quando seus olhos ficaram mais selvagens e a tensão sexual

tomou conta da minha esposa.

– Está certo. Não está mais aqui quem falou. Vou deixar você se recuperar e depois cobrar esta promessa.

– Que promessa? – Ri da forma como ela recuava. – Eu não prometi nada.

– Mesmo assim, sei que vai cumprir. Aliás... por que mesmo não podemos ficar juntas agora?

– Porque eu preciso de um tempo.

Ela levantou e andou em minha direção. Senti medo e, ao mesmo tempo, uma vontade imensa de estar

com a minha esposa. Era uma droga ter tanto receio.

– Vamos ficar um pouco no sofá. – Sua voz rouca indicava a sua real intenção.

– Regina...

– Só ficar juntas.

Ela não me deu chance de recusar. Simplesmente segurou em meus ombros e me conduziu para fora.

– Você desenvolveu algum tipo de fetiche pelo sofá?

Ela riu.

– Se eu te levar para a cama, vou exigir muito mais do que alguns momentos.

– Até parece que um sofá te impediria de alguma coisa.

– Não impediria.

Ela me sentou no sofá e puxou minhas pernas para cima, fazendo-me deitar. Depois virou-me de lado,

como se eu fosse uma boneca de pano e deitou-se colado a mim.

– Agora, vamos fazer o que os casais que não podem transar fazem.

– Assistem filmes antigos e repetidos, tomando sorvete? – provoquei.

– Não. Dão uns amassos no sofá da sala.

Ri enquanto ela se ajeitava, apoiando-se no braço para que seu rosto ficasse acima do meu. Regina me

olhou com aquela admiração que, normalmente, roubava meu ar. Ela era tão linda, e me encarava como

se eu fosse realmente a coisa mais maravilhosa do universo.

Eu era tão sortuda!

– Que sorriso lindo é este? – ela disse, passando os dedos em meus lábios, contornando o sorriso imenso

que eu nem tinha reparado que estava ostentando. – O que você pensou para que esse sorriso encantador

aparecesse?

Meu rosto ficou quente e ela percebeu, porque seus dedos alisaram minha bochecha e ela também sorriu.

– No quanto eu tenho sorte – admiti.

Ela arqueou uma sobrancelha.

– Casei com uma mulher linda, apaixonada, que cuida de mim, mesmo tentando me fazer ficar

constrangida sempre que pode.

– Porque eu amo suas bochechas rosadas.

– E ama me colocar em situações embaraçosas.

– Amo tudo em você, Emma, até as situações embaraçosas, como perguntar como está a sua bunda

neste exato momento, com meu corpo pressionando o seu.

E seu sorriso se ampliou. Ela era linda, deliciosa e escrota pra caramba.

– Está ótima, professora Mills. Pode parar de tentar me sacanear.

– Eu posso te mostrar as vantagens de ter uma esposa cuidadosa. É só me deixar passar aquela pomada...

– Regina! – Dei um tapa em seu braço e ela riu com vontade. – Fique longe da minha bunda.

– Isso vai ser impossível, Emma. Impossível!

Seus lábios tomaram os meus e, logo, eu não conseguia mais pensar em nada que não fosse a sua língua,

seus toques, seu corpo se apertando ao meu... Cara, Regina era o máximo no quesito “faça sua esposa calar

a boca e esquecer os problemas”.

Meu sangue ferveu, minha pele arrepiou, meus seios ficaram rijos e meu sexo, molhado, o que me

lembrou... ah, não, eu queria esquecer isso também.

Regina me apalpou, subindo a mão pela minha barriga, alcançando meus seios, ainda por cima do vestido.

Sua língua brincava com a minha, provocando e instigando-me a segui-lo, seus lábios se alimentavam dos

meus, relaxando meu corpo e me entregando o seu desejo, seu corpo, completamente aceso, roçava com

cuidado o meu, e eu fui entrando naquela onda, sendo levada, aceitando que seria muito mais do que um

simples amasso no sofá quando...


– Puta que pariu! – Regina rosnou quando a campainha tocou nos arrancando do nosso momento.

Ela olhou em direção à porta e depois para mim, então resolveu ignorá- la.

– Correio.

E voltou a me beijar com voracidade.

A campainha tocou outra vez e, em seguida, uma série de socos na porta.

– Puta merda! – ela resmungou e levantou. – Eu vou matar você, Zelena!

Zelena? Merda!

Levantei correndo e rapidamente me arrependi, sentindo o familiar desconforto que insistia em me

lembrar as travessuras da noite anterior.

Piorava e muito quando meu sexo ficava úmido o suficiente para tornar tudo ainda mais difícil.

Outra vez a porta foi esmurrada. Passei a mão no vestido e arrumei as alças, enquanto Regina abria a porta

resmungando.

– Que parte do “eu estou em lua de mel” você não entendeu?

– Estou lhe fazendo um favor. Transar demais enfraquece. – Ouvi Zelena rebater com ironia enquanto

passava pela porta aberta.

Logo em seguida, a risada de Jeff ganhou a minha atenção. Minha cunhada me olhou e sorriu.

– Ainda bem que a bunda branca de Emma está coberta.

Regina acertou a cabeça da irmã com um tapa e esta riu.

– Emma , você ainda consegue ficar de pé? – Jeff brincou e eu senti meu rosto esquentar até o

último grau.

– É só dizer que eu os coloco para fora em dois tempos, amor.

Jefferson fez cara de ofendido.

– Viu só o que uma mulher dominada faz, Zelena? Antes, tínhamos passe livre.

– Cala a boca, Jeff – minha esposa resmungou, dando uma cutucada no amigo. – Parece uma mulher traída.

– E seu sorriso era real. Regina estava feliz em tê-los ali.

– Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a...



– À merda – cortei Zelena, que me encarou sem reação.

Regina riu alto e Jeff piscou para mim, aprovando a minha provocação.

Minha cunhada estreitou os olhos e sorriu diabolicamente.

– O que uma interrupção sexual não causa em duas mulheres.

Levantou uma sacola para a minha esposa e, pelo tilintar das garrafas, deduzi ser cerveja. Eles pretendiam

esticar o fim da tarde.

Frustração me definia.

– Cala a boca, Bruxa! – Regina me defendeu. – E deixe Emma em paz ou então será a sua bunda que eu

vou comer.

Jeff estava andando em minha direção, quase me alcançando, quando ouviu a merda que Regina falou e

virou fazendo uma cara que eu sabia que me colocaria no inferno.

Puta. Merda.

– Epa! Quem aqui tocou no assunto “comer bunda de alguém”? – Zelena riu alto. – Ninguém chegou aqui

com este assunto, então eu preciso saber por que Regina levantou o tema.

Percebi o olhar de desculpas da minha esposa e fiz a minha melhor cara de “nunca vou te perdoar”, ela

suspirou.

– Não inventa assunto, Jeff. Amor, esses idiotas vão ficar um pouco.

Jefferson me avaliava e sorriu, fazendo-me encolher como um bicho acuado.

Que grande merda!

– Tá, eu vou...

– Calma aí, calma aí – Jeff me interrompeu com seu tom irônico, me dando a certeza de que não seria

uma conversa muito agradável. – Deixe-me ver você, Emma.

– Jefferson, vá se foder, cara. – Regina entrou na minha frente, tentando sorrir para manter o clima de zoação. –

Pode tirar seus olhos da minha esposa. Se quiser beber, é melhor começar agora ou então vou desistir.

– Eu só ia dizer que o casamento não fez muito bem à garota. Você está com uma cara péssima, Emma.

Noites maldormidas? – Aquele sorriso brincalhão estava lá para me aterrorizar.

– Estou em lua de mel, professor Jefferson. Uma pena você não ter feito o mesmo por Lana.

Regina e Zelena riram e Jefferson sorriu largamente, sem se importar com a ofensa.


– Eu disse que ela era uma diabinha – Zelena brincou, fazendo-me recuar.

A idiota ainda acreditava que eu voltaria a considerá-la como alguém com quem eu gostaria de

socializar.

– Vou continuar trabalhando no livro – anunciei.

– Vá. Nós vamos beber e embebedar a
bunda-mole da minha cunhada.

Opa? Eu falei bunda? – Jeff brincou, fazendo Zelena gargalhar. – Entrego-o de volta quando Regina não

conseguir mais manter os dedos bem flexionados

Meu rosto queimou e Regina colocou um braço em meus ombros.

– Vou levar você lá em cima.

Jeff e Zelena foram para a cozinha e Regina me acompanhou. Não falei nada, pois não queria chamar

atenção dos outros dois, mas, quando chegamos no primeiro degrau, ela me segurou pela cintura e subimos praticamente correndo as escadas. Gritei, porque não poderia haver outra reação para o que ela estava fazendo.

– O que...

Ela me deitou na cama e se deitou sobre mim.

– Para, Regina!

– Desculpe, eu não fazia ideia de que eles apareceriam. Ontem mesmo eu disse que não.

– E aquela conversa de bunda foi constrangedora – protestei e Regina sorriu largamente.

– Bobagem. Jefferson falou aquilo para te deixar sem graça. Não tem como ele saber sobre o seu... – Ela me

olhou e sorriu. – Desconforto.

Bati em Regina, exigindo que ela saísse de cima de mim.

– Você é uma idiota, Regina Mills.

– Deixe de bobagem, amor. – Ela riu enquanto saía de cima de mim. – Jeff estava te provocando porque

sabe que sexo anal é tabu para a maioria das mulheres.

– Sério? Em que mundo você vive, garota? Pra você é bem óbvio que não né Regina.

E o sorriso de triunfo foi todo meu.



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