História A Professora III - Capítulo 13


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Anastasia (Rainha Vermelha/Rainha Branca), Cora (Mills), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Henry Mills, Marian, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emaswan, Onceupontime, Reginamills, Swanqueen
Visualizações 105
Palavras 4.311
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 13 - Segredos revelados


“Nada encoraja tanto ao pecador como o perdão. ”
William Shakespeare 


REGINA


– Caralho! É sério mesmo que já aconteceu?
Olhei de soslaio para Jefferson, incomodada com o fato dele não desistir do assunto. Não era

confortável conversar sobre Emma, principalmente sobre algo tão íntimo, e o que era pior, quando ela

estava em casa. Jeff era realmente muito sem noção.

– Não acredito que você não vai me contar – ele continuou.
– Larga de ser idiota, Jeff. Não vou ficar falando sobre a minha vida sexual que nem uma adolescente ainda mais pra você –

rebati. – E pare de pensar besteira. A compulsão de Lana pelo sexo já está afetando a sua mente.
– E, mesmo assim, Lana nunca aceitou fazer anal. Você é uma filha da puta sortuda.

Zelena riu do nosso cunhado e se serviu de um pouco do amendoim que eu tinha disposto sobre o

balcão.
– Você é um imbecil, Jeff. Por isso ela nunca te deu a bunda – brincou minha irmã e eu fiquei mais

incomodada.

– Vocês dois já pararam para pensar que estão falando da minha irmã?
Nem sei por que ainda me dou ao trabalho de beber com vocês – esbravejei.
– Corrigindo: estamos falando de Emma e do fato de vocês, em tão pouco tempo de vida sexual, devo

ressaltar, já terem feito sexo anal – Jeff me cortou e Zelena explodiu em risadas.

– Não sei de onde você tirou isso, Jeff Aliás, sei, sim, da sua mente pervertida e doentia.

– Ou do fato de você ter ficado completamente sem graça quando iniciei a brincadeira e eu nem vou dizer
que o rosto da Emma parecia um tomate.

Conta logo, Regina . Rolou ou não?

– Porra! – Passei a mão no rosto e observei que o céu estava carregado.


Teríamos chuva aquela noite. – Pela última vez: não vou conversar sobre a minha vida sexual, Jefferson.


– Rolou – Zelena afirmou e bebeu mais um gole da sua cerveja. – Claro que rolou.

– Por que não conversamos sobre Ruby e a reconciliação de vocês? – provoquei e Jeff arqueou uma

sobrancelha, encarando a minha irmã.

– Porque não tem nada para ser dito sobre isso. Nós conversamos e reatamos, é assim que funciona.
– Então me explica por que você estava com aquele cartão?
Jeff encostou-se no balcão, encarando a minha irmã , que ficou realmente sem graça.

– Que cartão? – Fiquei curiosa.

– Nenhum. Não foi nada de mais, só Jefferson, idiota profissional, inventando história.

– Inventando história? Sei! – Jeff deu um gole em sua cerveja. – Eu entrei na sala dela há uns quatro

dias...
– Cala a boca, Jeff! – Zelena tentou fazê-lo parar de contar.

– Você não disse que era mentira? Vamos deixar Regina decidir se é suspeito ou não.

– Porra, eu quero saber que conversa é essa – entrei na brincadeira, agradecendo por terem esquecido
minha situação com Emma.

– Continuando... – Jeff olhou para Zelena, desafiando–a, então deu andamento à conversa. – Zelena

estava ao telefone, em pé, afastada da mesa.

– Ela levantou para demonstrar como foi, gesticulando com empolgação. – Eu só precisava dar um

recado, então fiquei em sua mesa.
– Porque é um filho da puta curioso – Bruxa completou, ainda ansiosa com a revelação.

– Não importa – Jeff continuou. – Eu estava lá, sentado naquela cadeira de magnata que ela fez questão

de comprar.
Ri porque Jeff nunca deixaria de sacanear Zelena por causa daquela cadeira.

– E vi que, sobre os vários papéis que estavam na mesa, que ela insiste em manter desorganizada, havia

um cartão, todo preto, com apenas um nome escrito em dourado e um telefone no verso.
– E daí? – falei impaciente com todo o teatro de Jefferson.

– E daí que não te diz nada um cartão todo preto, com apenas um nome em dourado e um número de


telefone no verso?
Busquei em minha mente algo que pudesse me lembrar um cartão assim e não encontrei nada, mesmo
assim provoquei.
– Alguma prostituta?
– Puta merda! – Jeff riu alto. – Muito mais do que uma prostituta.

– Fala logo – insisti, querendo acabar com todo aquele mistério.
– Era do Harém – Zelena revelou. – Ele descobriu um cartão de acesso ao Harém.

Senti meu sangue gelar. Merda!
– Entendeu? Ela recebeu um convite para passar uma noite no Harém.

Como eu nada disse, nem continuei com a brincadeira, Jeff brincou.

– Vai dizer que Regina Mills nunca recebeu um convite para a maior casa de suingue do Rio de Janeiro?

Engoli em seco. O que eu poderia dizer?
– Você recebeu um convite? Quem te deu? – falei diretamente com Zelena. Não era possível que

Ruby tivesse coragem.

– Sinto muito, conto o milagre e não o santo – Zelena brincou. Foi impossível relaxar e continuar

brincando.
– Então você foi ou não? – Jeff insistia para que eu falasse.

– Duas vezes – revelei, analisando a reação da minha irmã. – Mas não curti muito.

– Você é uma idiota – Jeff gritou animado com a minha revelação. – E nunca me contou nada. Com quem

você foi?
– Uma vez com Tiffany.
Ele deu outro grito.
– Ela não gostava muito dessas coisas, pelo menos era o que eu achava.
– Tiffany foi a revelação do ano – Zelena brincou. – Quem foi a outra?

– Rafaela. – Eu não queria entrar em detalhes, porque foi justamente na noite em que aceitei aquele
convite que comecei a ter problemas.



– Rafaela? Quem diabos é Rafaela? A Dórea?
– Não. Vocês não conhecem – desconversei. – Nos conhecemos em um almoço e nos encontramos alguns
dias depois, mas isso não vem ao caso.
Quem conseguiu o convite para você?
– Isso não vem ao caso. – Bruxa se afastou do balcão e levou a sua bebida.

– Eu ainda nem sei se vou ou não.
– E Ruby? – Eu estava realmente tensa com aquela conversa. – Ela sabe sobre o convite?

– Sabe – ela respondeu naturalmente, como se fosse algo normal para se propor para a namorada.

– E ela aceitou? Porra, só eu não dou sorte com essas coisas – Jeff disse desanimado.

– Você é casado com a minha irmã, Jeff! Dê um tempo nas suas lamentações.

Ele sorriu ironicamente e se calou com mais cerveja.
– Ruby ainda não decidiu sobre o assunto. Pensei em ir só para conhecermos. Ela está com um pouco

de receio.
Sei! Desviei o olhar, tentando não ser irônica com a minha irmão e acabar chamando a sua atenção para o

que tinha acontecido. Droga! Seria um inferno se todos descobrissem.
– Não é um lugar para levar a namorada, Zelena.

Falei apenas por falar. Cada casal decidia o que era melhor para sua relação, no entanto, se eu
conseguisse convencer minha irmã a não ir, ou não levar Ruby, estaria poupando-os de maiores

problemas.
– Você é uma cretina, Regina– Jeff protestou. – Levou a Tiffany.

– Fale baixo. – E só Deus poderia saber o que seria da minha vida se Emma descobrisse esta parte do

meu passado. – Tiffany não era minha namorada.
– Não era o que parecia – ele disse, rindo da minha cara. – Ruby pode gostar. Quem sabe? Se Lana

quisesse, eu iria numa boa.
– E eu mataria você por levar minha irmã a um lugar como aquele. – Eu sabia que não poderia jamais me
meter nas escolhas deles, mas... Caralho! Ali não era lugar para Lana. Não mesmo.
– Lana é maior de idade – ele alertou. – Casada. Muito bem resolvida. – Arqueou uma sobrancelha, me
desafiando.



– E eu acho que você realmente adoraria ver outro cara comendo a bunda da sua mulher – Zelena

provocou e eu ri, ainda nervosa.

– Não, mas isso pode acontecer com a sua bunda, quando você for com Ruby Dominatrix, ou acha

mesmo que eu acredito que ela vá aceitar ser apenas a garota boazinha? Conte outra, Bruxa! – Jeff sempre

tinha as melhores tiradas, por isso ri de verdade. Ele mal sabia do que Ruby era capaz.

– Bruxa é a puta que te pariu!

Meu celular tocou e eu o peguei apenas para conferir. Não pretendia atender nenhuma ligação
relacionada a trabalho e, como os dois patetas estavam comigo, poucas pessoas estavam na minha lista
de ligação pessoal.
Era David. Franzi o cenho sem saber o motivo daquela ligação, afinal de contas, havíamos nos falado à

tarde e estava tudo bem. Mesmo assim, não tive como evitar o frio que praticamente congelou minha
espinha. Levantei e me afastei, ouvindo o celular de Zelena tocar.

– David?

– Regina, começou.

Meu sangue correu mais lentamente. Sem conseguir responder, virei em direção aos passos leves que eu
ouvia e vi Emma parada na cozinha, a pele pálida, os olhos esbugalhados e o pânico estampado em

sua face.
Que merda!
***
Emma tremia e estava muito pálida, no entanto, aceitou tomar um banho antes de sairmos para o

hospital. Tenho que contar que, no momento em que o celular tocou e identifiquei ser David, tive medo de

receber aquela notícia e mais ainda de comunicá-la a Emma, por isso apenas confirmei que Mary não

havia se sentido bem e estava na emergência.
Claro que Ruby conseguiu ligar antes, também ligou para Zelena assim que desligou com Emma.

A minha sorte, ou azar, foi que ela também não sabia a gravidade da situação, então minha esposa, mesmo
nervosa e com muito medo, não fazia ideia do que a aguardava.
O pior de tudo foi constatar que ela não estava preparada para passar por aquela situação. Quer dizer...
quem na verdade está preparado para perder alguém tão próximo? Seja ele pai, mãe, irmão, filho... Mas a
verdade é que Emma não teria tempo para se acostumar à ideia, ou escolher como viveria este tempo

restante com a mãe. Em uma atitude que talvez possa ser considerada egoísta, se é que tenho o direito de
julgar a escolha deles, esta possibilidade lhe foi tirada, restando apenas a alternativa de se conformar,
aceitar.


E o que restaria depois?
Tive pena da minha esposa e do que ela precisaria enfrentar, também tive dúvidas se ela seria forte o
suficiente para seguir em frente. Só de uma coisa eu tinha certeza, um pedaço de Emma morreria junto

com a mãe e esta parte nunca mais seria recuperada.
– Estou pronta.
Sua voz doce e fraca preencheu a escuridão do quarto. Olhei em direção ao closet e a vi em contraste
com a luz que saía do ambiente. Não tive coragem de falar nada. Todos os meus gestos pareciam pesados
demais, como se, naquele momento, as minhas escolhas pesassem uma tonelada. Foi horrível perceber
que eu nunca deveria ter concordado em manter aquela mentira e, naquele instante, entendi que o peso da
verdade cairia sobre o meu relacionamento.
Descemos juntas. Desta vez, fomos em meu carro. Emma não reagia, apenas olhava a fina chuva que

começara a cair pouco antes, como se o céu estivesse precipitando as lágrimas que certamente fariam
parte do nosso cenário por muito tempo.
Eu não queria falar. O que eu poderia dizer? Que daria tudo certo? Que Mary ficaria bem? Não. Não
seria justo com Emma continuar mentindo. Eu já pagaria um preço alto por ter ocultado a verdade, não

precisava continuar sustentando a farsa.
– Você está muito calada Regina.

Não consegui evitar a careta que se formou em meu rosto.
Eu me conhecia o suficiente para saber que, em qualquer outra situação, estaria tentando animá-la, sendo
mais otimista. O pior era que Emma também sabia disso. Seria assim tão rápido? Ela descobriria que

menti sem ao menos me dar a chance de tentar encontrar uma desculpa? Apertei as mãos no volante.
– Eu não sei o que dizer – admiti sem querer olhá-la.
– O caso é tão ruim assim?
Engoli em seco.
– Emma , vamos aguardar até que seu pai possa esclarecer tudo, ok?

No momento, só precisamos chegar ao hospital.
Os longos segundos que ela permaneceu me encarando, e que eu, covardemente, evitei olhá-la, apesar de
sentir seus olhos acusadores me queimarem, me pareceram intermináveis. Então minha esposa se calou e
voltou a observar a chuva. Me amaldiçoei um milhão de vezes por não ter uma palavra de conforto para
ela.
Estacionamos na primeira vaga encontrada. A chuva tinha aumentado e o frio que nos cercava certamente


não era devido a uma mudança súbita de temperatura, e sim o temor existente dentro de nós dois. Tomei
coragem e encarei minha esposa. Tive certeza de que meus olhos disseram muito, pois vi seu rosto ficar
cada vez mais triste enquanto ela lutava bravamente para não se entregar.
– Emma ...

– O que você sabe, Regina? – Sua voz estava rouca e continha a acusação que eu sabia merecer.

– Talvez seja melhor conversarmos antes de você entrar.
E as lágrimas dela já desciam antes mesmo que eu continuasse.


EMMA



A dor que eu sentia parecia me rasgar de dentro para fora, mas eu me mantinha de pé, firme, mesmo com
as lágrimas incessantes e os soluços que insistiam em escapar.
Regina falou tudo o que sabia. Contou-me a verdade que concordara em me esconder. Ela também havia

tirado de mim o direito de escolha, como se eu fosse uma criança incapaz de tomar as decisões corretas.

Arrancou o meu direito de escolher o melhor para ela, para mim, para nós duas.
Se eu soubesse... O que teria feito? Sofreria? Com certeza! Mas mudaria todas as minhas escolhas. Teria
dado um tempo da faculdade para estar com ela o máximo possível. Certamente, nem teria mudado de
estado para conquistar a independência tão sonhada pelos jovens. Eu teria ficado ao seu lado. Dividiria a
sua dor e, talvez, quando chegasse a hora da despedida, eu estivesse mais preparada... será?
Não sei dizer, mas a verdade era que eles não podiam ter me escondido a verdade. Era meu direito saber,
meu direito escolher! Suspirei, limpando o rosto, apesar de saber que as lágrimas continuariam caindo.
Regina permanecia ao meu lado, sem me tocar. Aceitava minha necessidade de espaço até que eu

finalmente absorvesse e digerisse toda aquela história.
E então chorei ainda mais. Entendi os meus pais tentarem me poupar daquela dor, porque era tão forte e
absurda que eu não conseguia acreditar como continuava de pé e respirando. Mas Regina... as lembranças

me invadiam mesmo com a minha mente pedindo um tempo até que eu me adaptasse. Elas não paravam de
gritar a nossa conversa no chalé antes do nosso casamento. A história que ela me contou sobre o amigo

que perderia o amor da sua vida...
meu pai perderia a minha mãe, e foi apenas por isso que ela teve aquela ideia louca de casar tão

rapidamente. Foi tudo apenas para que minha mãe tivesse paz? Eu não sabia.
Não tive coragem de entrar no quarto. Não tive coragem de dar um passo em sua direção. Fiquei
afastada, observando enfermeiras entrarem, Ruby sair para atender uma ligação, chorar um pouco e

entrar novamente. Graham chegar atordoado e também se trancar lá. Eu apenas observava escondida entre

as escadas e a recepção do terceiro andar.

– Emma...

Regina estendeu a mão para me tocar e eu recuei. Sabia que não era o mais correto a ser feito, mas, no

momento, a minha mágoa era tanta que eu apenas queria ficar sozinha.
– Você precisa entrar. – Deixou a mão cair ao lado do corpo.
– Para quê? Para vê-la morrer? Para constatar o que eu não quis enxergar? O que vocês não me deixaram
ver?
– Amor...
– Não, Regina! – rosnei, me afastando ainda mais.

– Eles quiseram apenas protegê-la.
– E você? O que você queria?
Ela se encolheu com a minha acusação. Não era justo aquilo tudo que vivíamos.

Por mais infantil que fosse, meu único pensamento era que tudo não passava de uma mentira. Eu não tinha
dúvida do seu amor por mim, não havia como ser mentira, mas tudo o que fizemos, o casamento, ela ter

aberto mão de tudo, da faculdade, da editora, para impedir que a minha formatura fosse sabotada, tudo
em função da sua vontade de colaborar com os planos do meu pai de tornar os últimos dias da minha mãe
inesquecíveis. Era louvável, mesmo assim, uma mentira.
E eu me vi me perguntando insistentemente se teria sido diferente se ela não soubesse a verdade? Se

antes ela havia concordado em deixar as coisas acontecerem normalmente, provavelmente a sua decisão

de se casar de qualquer jeito foi única e exclusivamente baseada em tornar possível a realização do
plano do meu pai.
Era tudo uma mentira.
E doía terrivelmente.
Sufocava.
– Emma ? – Ela se aproximou de novo. – Amor, você não está bem. Por que não senta um pouco?

– Foi por isso que insistiu em casar tão rápido, não foi?
– O quê? Não! – Ela levantou mais uma vez a mão para me alcançar e, novamente, eu recuei.

– Foi tudo uma mentira – acusei sem me importar se chamaríamos a atenção dos outros.
– Emma , não foi uma mentira. Você está confusa. Amor...


– Não me chame assim!
– Certo. – Ela me olhava atentamente e eu podia ver a dor causada por minhas acusações. – Fique calma, Emma. Sua mãe precisa de você agora, não é hora para discutirmos...

– Este casamento foi uma mentira!
E, sem querer, a dor já me sufocava e nublava minha mente. Eu não conseguia raciocinar, nem distinguir o
que era certo ou errado, apenas queria esquecer tudo o que acontecia ao meu redor, tentar não pensar que
o meu “faz de contas” estava desmoronando, e eu não tinha forças para mantê-lo de pé.
Por isso corri. Foi a única coisa que consegui fazer. Desci as escadas o mais rápido possível, ciente de
que Regina tentava me alcançar, mas eu sabia que precisava sair dali e, se isso significava ficar longe dela,

era assim que seria.
Passei pela entrada da emergência ouvindo seus gritos me chamando de volta e saí para a chuva forte. O
motorista do táxi parado diante do hospital não entendeu muito bem quando entrei apressada, gritando
para que desse partida, mas obedeceu automaticamente e eu vi minha esposa ficando para trás, cada vez

mais longe, como um passado que não mais voltaria.


REGINA


Emma havia desaparecido. Ela simplesmente correu, fugiu de mim, foi embora, me deixando para trás.

Fazia vinte e quatro horas e ninguém tinha a mínima ideia de onde ela poderia estar. Eu já havia
procurado em todos os lugares e começava a cogitar a ideia de procurar em hospitais, delegacias,
necrotérios... Puta que pariu! Já era difícil saber que Mary piorava consideravelmente a cada minuto, sem
a minha esposa, tudo parecia ganhar uma amplitude ainda maior.
Eu não sabia o que fazer.
– Amor, sou eu mais uma vez. Por favor, retorne minhas ligações, nós estamos muito preocupados e... –
Olhei para a minha imagem no espelho, assustando-me com as olheiras e rosto levemente inchado– Sua mãe

precisa de você. Apareça. – Desliguei a milésima ligação do dia para a minha esposa. Cada segundo de
silêncio ampliava o buraco em meu peito, como pode?
– Nada ainda? – Ruby parou ao meu lado. Ela também não estava bem, pelos dois motivos.

– Nada. Emma não retorna as ligações.

– Aonde será que ela se meteu? – Passou a mão pelos cachos, sentou e suspirou cansada. – A madrinha
está cada vez pior.


Eu sei. É estranho, não? Mary parecia bem até duas semanas atrás.
Como a doença pôde evoluir tão rapidamente?
– Eu não sei. O padrinho não contou direito, apenas explicou que era um câncer muito agressivo e que
eles já tinham tentado de tudo para salvá-la. – Ela desviou o olhar, deixando algumas lágrimas escaparem
e eu fui ficando cada vez mais apreensiva.

Emma estava em algum lugar, sofrendo ainda mais do que Ruby, e sem ninguém para apoiá-la.

Droga! Eu precisava encontrá-la, mas onde? Não havia mais nenhum lugar em que ela pudesse se
esconder. Eu já tinha, inclusive, ligado para todos os hotéis previsíveis, para saber se estava hospedada.
– Ela deveria estar aqui – Ruby falou com voz chorosa. – Eu tenho que ir. Zelena está chegando e nós

vamos passar lá em casa para buscar algumas coisas para o padrinho.
– Tudo bem. Eu vou aguardar mais um pouco.
Assim que ela saiu, Graham entrou na sala onde eu estava. Ele parecia meio atordoado e parou ao me

encontrar. Alguma coisa na forma como me olhou me fez ter certeza de que ele sabia de alguma coisa.
Confirmei a suspeita quando fez uma careta e sentou em uma das poltronas.
– O que aconteceu?
Fui direto ao assunto. Não dava para enrolar em uma situação como aquela.
– Eu não deveria estar te contando isso, mas...
– Onde Emma está? – Ele fez mais uma careta e se mexeu incomodado.

– Eu não deveria te contar.
– Onde?
– Ela não quer te ver – falou com cautela, aguardando minha explosão.
– Pois ela deveria esquecer este problema neste momento e se concentrar em um muito maior. Emma

está agindo como uma criança mimada enquanto sua mãe definha naquela cama.
Ele arqueou uma sobrancelha, me lembrando de que não era nenhuma novidade minha esposa ser infantil
e mimada e que eu sabia muito bem o que estava levando para casa quando decidi me casar.
Eu não sabia por que estava com tanta raiva. Emma ter sumido, ter escolhido ficar longe de mim, me

culpar por tudo, era, sim, o meu motivo, mas eu estava mais ansiosa do que magoada. Aliás, eu nem me

sentia no direito de ter mágoas, afinal de contas, realmente colaborei com aquela farsa, apesar de ter um
bom motivo, que era ajudar a mãe dela.
No fundo, toda aquela história havia sido um disfarce utilizado para encobrir os meus reais motivos,


pelos quais eu queria que Emma aparecesse, não porque a mãe dela precisava, e sim porque eu

necessitava dela. Era egoísta, sim. Não dava para esconder. Minhas últimas horas foram as piores, um
inferno para ser mais exata, então, se a única forma de tê-la por perto de novo era usando a desculpa da

doença da Mary, eu o faria.
– Ela está magoada, Regina. – Ele levantou, rebatendo com determinação. – Eu acho que nem você nem o

padrinho tinham o direito de tomar a decisão que tomaram.
– Nós tomamos? David tomou esta decisão em comum acordo com Mary.

Eu apenas fui jogada nesta confusão.

Ele me olhou, puxando o ar com força.
– Isso tudo é uma droga! Emma está maluca. Não quer te ver e não tem coragem de encarar os pais, ao

mesmo tempo está morrendo de medo de não dar tempo para... você deve imaginar.
– Onde. Ela. Está?
– Na minha casa. – Foi inevitável não desviar a atenção para a saída daquela sala, mas Graham foi mais

rápido. – Não vá até lá, Regina! Emma não quer te ver e, neste momento, eu sou a única pessoa em quem

ela confia. Não vamos perder este elo.
Estanquei imediatamente. Era uma merda admitir que Graham estava com a razão. Se Charlotte só o havia

procurado, então era prudente não forçar demais. Controlando a minha ansiedade, andei para o fundo da
sala, olhando pela janela que me mostrava o estacionamento. O mesmo que tinha permitido que ela
escapasse de mim.
– O que eu faço? – Quando olhei para Graham, ele me olhava como se eu estivesse dizendo algum

absurdo.
– Você está realmente me perguntando isso?
Ri. Era um momento ruim. Tão ruim que eu precisava pedir conselho para o Graham. Eu estava mesmo

fodida.

– Estou desesperada, Graham! Emma fugiu de mim, não me atende, nem retorna minhas ligações, não

aparece para acompanhar os últimos momentos da mãe. Não sei mais o que fazer.
– Não quero me meter nisso, Regina. Não seria muito justo se eu passasse informações. Ela confia em mim,

entenda. A coisa não está muito boa para o seu lado, tenho que ser justo. Emma está com a ideia fixa

de que você só antecipou o casamento por problemas de consciência. A madrinha queria ver a filha bem
e um casamento a deixaria convencida disso, então você aceitou, não pela sua vontade, e sim pela
vontade deles.
– Isso é uma bobagem! Emma sabe que a amo, sempre deixei bem claro. Como ela pode duvidar do

meu amor?


– É assim que ela está se sentindo. São muitos problemas de uma vez só e está tendo dificuldades para
assimilar, por isso acho que você deveria dar este tempo a ela.
– Um tempo? Um tempo como? Separadas? Ela vai embora, é isso? Foi o que ela te disse?

– Nossa! – Ele riu, deixando-me ainda mais irritada. – Ela nem sabe o que vai fazer da vida, Regina! Não

tem nada definido. Emma está confusa e magoada, além de desesperada por estar perdendo a mãe e

não saber o que poderia fazer para mudar esta realidade.
– Droga!
– Ela está sofrendo muito. – Seu sorriso se desfez. – Nunca imaginei que encontraria Emma naquele

estado. Ela... ela não fala coisa com coisa. Fica se perguntando como seria, falando sobre o que não
deveria ter feito... – Ele me olhou com apreensão. – Ela fala muito de você. Descansou pouco, não comeu
nada... eu queria encontrar uma maneira de ajudá-la, mas não consigo, porque sinto a mesma dor que ela
e tudo o que faço é tentar acalentá-la. Só que sofrendo também, acho que acabo prejudicando. Estou na
mesma que você, sem saber o que fazer.
– Eu preciso vê-la, Graham. Preciso me explicar. Mostrar que não é como ela está pensando.

– Regina , se ela não quer ouvir as explicações do pai, imagine as suas. Dê um tempo. Emma vai pensar

melhor, vai conseguir acalmar a turbulência dentro dela e enxergar as coisas mais claramente. Se você
forçar a barra, só vai piorar a situação.
Fiz um esforço imenso para conseguir continuar onde estava. Ele tinha razão, minha única opção seria
aguardar.
– Quer um conselho? Vá para casa, descanse. Ela não vai aparecer por agora. – Ele olhou para os lados,
como se estivesse sendo observado. – Emma vai me matar por isso, mas... ela pretende aparecer nesta

madrugada. Acha que é melhor – Certo. Obrigada!

Graham me deu um tapinha no ombro e saiu em direção ao quarto da Mary.

Ainda fiquei algum tempo na sala, vi quando meus pais chegaram e só então voltei a entrar no quarto. Fui
me despedir, dando a desculpa de que precisava resolver algumas pendências. A verdade era que eu faria
o que Graham aconselhou, descansaria para poder voltar no horário que ela ficou de aparecer. Para isso,

era importante estar forte. Eu não sabia o que esperar.



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