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História A Professora IV - Capítulo 35


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Notas do Autor


Uns dos capítulos mais tensos, boa leitura.

Capítulo 35 - Verdade mal contada


“Como do amor a inimizade me arde! Desconhecido e asnado muito tarde. Como este monstro, o amor,

brinca comigo: apaixonada ver-me do inimigo.” William Shakespeare


EMMA



Durante dez dias eu vivi

o mesmo impasse com Regina. Ela não aceitava mais dormir sem mim. Nós vivíamos como uma família,

nos revezando nos cuidados com o Lipe, mas quando chegava à noite eu tinha que voltar para casa.

Confesso que gostava da sensação. Nas noites em que eu dormia sozinha me consumia em saudade, nas

que dormia com ela aproveitava o máximo. E a sensação deliciosa do namoro não me abandonava,

fazendo-me permanecer firme em minha decisão.

Marian tentou voltar à rotina. Ela queria manter o mesmo nível de envolvimento com o Lipe, porém não

havia mais clima. Regina cedia às vezes e era justamente nesses dias que eu implicava e voltava para casa.

— Eu não posso impedi-la de ver o Lipe — ela dizia. — Ela é madrinha, Emma !

— E era o bastante para me magoar. Eu odiava o fato de Lipe ainda precisar

conviver com esse fato.

— Eu tenho que ir para casa, Emma — suspirei, derrotada.

Ver Lipe saindo com Marian para passar a noite com ela era estressante. Eu não tinha provas, mas tinha

convicção de que ela apagou o nome da lista para me fazer pisar na bola com Regina e quase matou o

menino.

— Emma , nós temos a casa só para a gente. — Lancei para ela um olhar assassino que a fez encolher.

— E desde quando Lipe é um peso? Você fala como se estivéssemos nos livrando do menino.

— É só uma noite. Amor credo é meu filho foi so um modo de dizer — Regina me abraçou tentando me beijar. Desvencilhei -me dos seus braços.

— Eu preciso trabalhar.

— Você precisa se acostumar.

E madrinha. Relaxe, Emma ! Lipe dorme na casa de Lana, na da minha mãe,

até na sua casa ela já foi dormir sem mim quando vocês inventaram aquela ideia maluca de acampar em

seu quarto — sorri.

Foi a ideia maluca mais doce que eu já tive. Nós dormimos na cabana improvisada, abraçados e com uma

lanterna para fingir que era a fogueira. Foi mágico.

— Relaxe, amor! — Ela me abraçou por trás e beijou o topo da minha cabeça. — Fique. Vamos assistir

um filme, ouvir música, pedir uma pizza… — Meu pai vai me matar, Regina . — Usei minha última

desculpa.

A verdade era que eu não queria ficar e deixar Regina perceber o meu receio. Estávamos bem e entrar em

outro embate por causa de Marian não seria nada legal. No entanto relaxar como ela estava me pedindo

seria uma missão impossível. Eu não parava de pensar no que mais a maluca poderia aprontar e me

desesperava sempre que imaginava as possibilidades. E não saia da mjnha cabeça que Regina tinha muito sobre o que me contar ainda.

— Então vamos para a sua casa. — Suas mãos envolveram minha cintura, avançando sob a camisa e

testando minha pele.

— Meu pai está em casa.

— E quantos anos você tem mesmo?

— Vinte e quatro. Quase vinte e cinco.

— Isso eu tenho ouvido há bastante tempo. O que vamos fazer no seu aniversário?

— Uma festa. — Eu já pensava no assunto, embora nunca tenha sido fã de grandes comemorações. No

entanto eu enxergava a vida sob outra ótica depois do Lipe. Alguns balões e bolo colorido não fariam

mal nenhum.

— Sério? — ela riu aproveitando a trégua. — Desde quando você gosta de festas?

— Desde que Lipe apareceu e ele gosta de balões, bolo, brigadeiro… — É o seu aniversário, não o dele.

— Não dei atenção, jogando a bolsa sobre o ombro. Regina segurou a alça fazendo-a cair até minha mão.

— Então você quer uma festa com bolo decorado e balões? — Ri.

— Só eu, você e o Lipe.

— E o David? Tem Ruby, Graham, Lana, minha mãe, meu pai, as gêmeas, o padre que realizou o nosso

casamento.

— Ele morreu. — Regina ficou tensa e logo em seguida relaxou.

— Sem o padre que realizou o nosso casamento então. — Ri da sua tentativa de me persuadir. — Poderia

ser um jantar intimista e uma comemoração só nossa, o que acha?

— E os balões e o bolo decorado?

— No aniversário do Lipe. — Sua mão já estava quase em meu seio e seus lábios em minha orelha.

— Talvez eu não queira nem uma coisa nem outra. — Desvencilhei-me, voltando a jogar a bolsa sobre o

ombro. — Vou viajar no dia seguinte, esqueceu?

— Esqueci. — Seu sorriso deixava claro que era mentira. — Poderíamos comemorar em Paris.


— Pode ser uma boa ideia, mas você só vai me encontrar uma semana depois.

— Posso reformular a agenda. — Ela tentou me alcançar e eu fugi — Emma !

— Boa noite, Regina !

— Emma! — Fui até a porta ainda rindo da sua cara de desesperada. — Eu vou com você. — Correu

para pegar a chave do carro e a bolsa.

— Meu pai vai te matar. — Continuei com a porta aberta aguardando por ela.

— Às vezes eu acredito que vale a pena morrer. — Deu-me um beijo de leve quando passou por mim.

— E eu acredito que você não tem juízo. — Fechei a porta gostando da ideia de ter a minha namorada

comigo em minha casa, na minha cama.




REGINA


— Não tem problema. Emma vai estar em casa — falei baixinho enquanto Marian me informava

que deixaria Lipe mais cedo.

Era sábado, eu só precisaria passar rapidamente na editora para a reunião de balanço e depois curtiria o

dia com meu filho e minha namorada. Emma estava no banho e eu já estava vestida, deitada em sua

cama, aguardando-a.

Havíamos feito amor pela manhã daquela forma deliciosa que só os adolescentes conseguem fazer. Sem

barulho, sem muitos movimentos bruscos e achando tudo muito engraçado. Era até interessante David estar

em casa para apimentar a nossa vontade de fazer o que era proibido.

Na verdade, ele não implicou com a minha presença. Claro que fez comentários como “nada mais é como

antigamente” ou “eu não sou deste tempo”, porém em momento algum fez objeção à minha estadia, muito

menos ficou em nosso pé até ter certeza de que eu iria embora ou dormiria no outro quarto. Quando deu o

seu horário ele pediu licença, desejou boa-noite e se retirou.

Trocamos alguns amassos ali na sala mesmo, com direito a mão boba e olhar atento à escada. E quando

Emma já estava toda quente, subimos nos agarrando, evitando os barulhos e nos trancamos em seu

quarto, arrancando as roupas e nos embaralhando como um casal inexperiente.

Foi uma delícia!

No banho, após me provar que também era capaz de me dar dois orgasmos, utilizando a sua boca hábil,

após a nossa brincadeira ainda na cama, Emma ficou para lavar os cabelos e eu preferi responder as

minhas mensagens e conferir se estava tudo bem com Lipe.

Eu sabia que falar abertamente com Marian seria o mesmo que desencadear a terceira guerra mundial com

a minha namorada, então moderei a voz e permaneci atenta a tudo o que acontecia no banheiro.

— Eu tenho uma reunião rápida agora pela manhã — avisei. — Como foi a noite com ele


— Tranquila, como sempre. Combinamos que vamos juntos ao parque na próxima semana. Lipe tem

reclamado que eu não apareço mais. — Eu não tinha tanta certeza quanto a veracidade da sua afirmação.

Marian não estava satisfeita com a distância imposta por Emma e eu a entendia.

— Você está trabalhando muito — desconversei.

— Pensei em combinar uma praia, então lembrei que sua menina não ia gostar da ideia. — Ri sem graça.

Antes de Emma , Marian aparecia nas minhas idas à praia. Ela cuidava do Lipe enquanto eu surfava. —

Conseguiu descobrir alguma coisa sobre a lista?

Quando contei a Marian o que havia ocorrido com a lista, ela ficou desesperada. Chegou a dizer que a

própria Emma havia colocado o nome para se livrar da culpa, mas rapidamente recuou quando eu não

aceitei a sua teoria e fiquei aborrecida. Eu entendia o seu amor pelo Lipe, mas não era certo culpar

Emma quando já havia ficado claro que alguém apagou o nome da lista. Com intenção ou não, o nome

foi apagado, fazendo com que Emma se perdesse neste cuidado.

— Eu preciso ir, Marian. — Apressei-me assim que ouvi o barulho de água cessar. — Vou tentar chegar

cedo em casa. Se eu não estiver lá pode deixá-lo com Emma. Ela ficará esperando.

— Vou fazer assim porque é a sua vontade, Regina. Você sabe como me sinto em relação à Emma .

Durante esses anos eu te ajudei a cuidar do Lipe e nunca nenhum incidente ocorreu. Sei que você não

quer que eu a acuse, e eu não estou acusando de ter feito de propósito. É necessário levar em

consideração que depois de tantos dias cuidando do Lipe ela já estivesse habituada a lista. Ela foi

displicente.

Eu estava cansada daquela discussão. Marian tentava me convencer de que Emma não servia para o

Lipe e Emma tentava a todo custo me fazer enxergar que Marian continuava sendo a vilã. Eu apenas me

sentia cada vez mais cansada.

— Emma vai ser mãe do Lipe um dia, assim como eu sou.

— Eu sabia que minha declaração era rude e magoaria Marian.

porém não dava para evitar. — Ela ama o meu filho.

— Ela nem quer casar com você novamente, Regina — me reprimiu tocando direto na ferida. — Emma continua

sendo a mesma menina mimada e egoísta.

— Não fale o que não sabe. Emma passou por muita coisa, Marian. — Ouvi seus passos se

aproximando. — Eu preciso desligar agora. Faça como combinamos, tá bom?

— Sim, farei como combinamos.

Desliguei no exato momento em que Emma entrou no quarto. Seu olhar desconfiado enquanto secava

os cabelos deixou claro que ela sabia que eu falava ao telefone e provavelmente imaginava com quem.

Tentei manter a serenidade. Eu não viveria mentindo para a mulher da minha vida, então se eu estava


falando com Marian não podia fazer daquilo um problema maior.

— O que vai fazer agora pela manhã? — Ela me analisou enquanto penteava os longos cabelos molhados.

— Escrever. É isso ou Lana me mata.

— Marian vai deixar Lipe mais cedo lá em casa e Marta está de folga. Seria ruim para você… — Era

Marian ao telefone? — Sentou-se na cama ainda me encarando. Emma falava com cautela, como se

quisesse evitar outra briga.

— Era. Como eu disse, ela vai deixar Lipe mais cedo.

— Eu posso trabalhar em sua casa. — A resposta foi rápida e concisa. No entanto eu sabia que não era

tudo o que ela pretendia dizer. — Que horas ela vai levar o Lipe?

— Antes das dez — continuei aguardando. Emma mordeu o lábio inferior e desviou o olhar. — É ruim

para você? Eu posso… — Não. Tudo bem — continuou respondendo mecanicamente, sem precisar

pensar muito. — E você? Vai fazer o que hoje? — Desconfiei da sua súbita mudança, mas preferi

aguardar.

— Reunião com Lana e Zelena, lembra? Vamos receber o balanço.

— Ah sim! Vai ser demorada, não?

— Não sei, acredito que não. Por quê? — Ela piscou como se estivesse acordando de um transe e sorriu.

— Por nada. Só para saber o que programar para hoje. — Continuei desconfiado e ela notou. — Preciso

superar a noite do Lipe — e sorriu inocentemente.

Então era isso. Emma estava com ciúmes. Não sei porque não pensei nisso antes. Suspirei colocando

para fora o meu desagrado e resolvi não mexer mais naquela caixa de marimbondos. Se as duas queriam

competir e tornar a convivência mais difícil eu pelo menos teria uma manhã de paz.

Depois do café da manhã e de ter deixado Emma em minha casa, segui para a editora com os

pensamentos longe do trabalho. Fazia tempo que eu não surfava. Ir a praia no domingo pela manhã não

seria um bom programa. Pelo menos não com o Lipe.

Saquarema poderia ser uma boa pedida. Eu poderia ficar dois dias por lá com Emma e Lipe, vivendo

o que sonhava como família para todos nós, sem a interferência de ninguém. Poderíamos sair à noite para

que eu pudesse estar lá bem cedo. Dormiríamos em uma pousada. Qualquer uma que encontrássemos.

Com certeza não seria problema para minha namorada, mesmo sendo ela uma multimilionária. Emma

com certeza gostaria da proposta e Lipe… Lipe ama a praia.

Entrei em minha sala me sentindo melhor e dei de cara com uma Zelena que não parecia nada bem. Freei

minha ansiedade e me concentrei nela.


— E Lana?

— Deve ter se embaralhado com as gêmeas. Logo ela chega. — Ela nem levantou os olhos da mesa e

continuou batendo o lápis em uma marcação irritante.

— Algum problema? — Sentei diante dela e vi minha irmã suspirar, abrindo bem os olhos e encarando a

vista do lado de fora.

— Quando você casou teve a sensação de estar fazendo tudo errado? — Hum! Mais um momento confuso

de Zelena.

— Depende. Eu sabia que estava errado pelo fato de estar escondendo a doença da Mary, mentindo para

a Emma, mas não acredito que seja esta a questão.

— Não é. Eu fico me perguntando se fiz a coisa certa, se não foi precipitado.

— Precipitado? — Dei risada, mas el continuou séria. — bruxa , você se apaixonou pela Ruby, depois

não quis a relação, se arrependeu e correu atrás, morou junto com ela e ficou três anos enrolando a garota

para casar. Como algo assim pode ser precipitado? — Ela não esbravejou por eu ter usado o seu apelido.

Pelo contrário. Zelena encarou a mão com o lápis e recomeçou a batida. — Qual é o problema? Não

ama mais a Ruby?

— Amo. — Pela prontidão eu tive certeza de que ela não mentia. — Porra, eu amo a Ruby! Mas… —

Mas… — Regina , quando você conheceu Emma ela era virgem e isso facilitou um pouco a vida sexual

de vocês duas. Ela era crua e você experiente.

— Não seja uma imbecil que lamenta a mulher não ser virgem. Que porra de machismo é essa pelo amor de Deus Zelena.

— Não se trata disso credo. Deixe-me reformular. Ruby é vivida, experiente e eu sempre adorei isso nela,

por outro lado, justamente por este fato, existe um entrave entre a gente. Ela já veio pronta, assim como

eu.

— E daí? Zelena eu realmente não sei aonde você pretende chegar.

— Ninguém sabe. Ninguém nunca me entendeu.

— Porque é complicado quando você usa estes argumentos. — Nos encaramos enquanto ela pensava em

como me explicar.

— Você tinha uma vida sexual antes de Emma , mas o fato de Emma não ter vivido nada fez com que

você a colocasse no seu caminho, entende? — Fiz que não. — Deixou-a como queria, Regina ! Fez ela

gostar e aceitar o que você gosta em termos de sexo. — Fiz uma careta sem acreditar no que minha irmã

dizia. Quanta bobagem! — Tá! Vou ser mais direta. Eu não sei como propor certas coisas à Ruby e

são coisas que eu realmente gostaria que fizessem parte de nossa vida sexual.

— O fato de ela ser experiente não seria um ponto positivo para esse tipo de situação? — E eu sabia que

isso acontecia porque Zelena não fazia nem ideia de quem era a esposa dela. Naquele momento eu me

odiei por nunca ter contado nada.

— Não é um ponto positivo. Ela já tem todas as ideias formadas.

— Como o quê?

— Como aceitar outra mulher em nossa cama. — Continuei impressionado com as coisas que Zelena

dizia.

— Eu acho que nem todas as mulheres concordariam com algo assim, Zelena.

— Não as que escolhemos para casar.

— Não fale besteira. Isso não tem nada a ver com casamento.

Emma jamais aceitaria porque ela não acha interessante outra mulher comigo, nem se anima em ter

algo com alguém do sexo oposto graças, ao menos eu acho que não, não quero pensar nisso.

mas Ruby pode pensar completamente diferente. — E eu sabia que

ela pensava. — Vocês já conversaram sobre esse assunto?

— Você não conhece Ruby, Regina ! Qualquer insinuação, comentário ou brincadeira já vira uma sessão

de perguntas. E ela fica nervosa. — Porra, eu imaginava o motivo de ela ficar tão preocupada.

— Vocês conversaram ou não sobre isso?

— Não sobre convidarmos uma terceira pessoa, mas sobre outras coisas. Lembra do convite… o cartão

para aquele clube de sexo.

— Swing — corrigi já com toda a situação formada em minha cabeça.

— Isso. Ela ficou ofendida. Eu juro que nunca imaginei que Ruby se ofenderia com algo deste tipo,

mas ela ficou. E muito nervosa também. Ficou perguntando quem tinha me convidado e o porquê, chegou

até a te acusar. — Deu uma risada nervosa. — Lógico que nós não éramos casadas ainda. Eu nem

imaginava que casaria com ela.

— Zelena, se isso é algo que te incomoda ou que realmente é importante para o relacionamento de

vocês, seja franca com Ruby. Exponha o que acha, o que deseja. Diga de que forma isso tudo envolve

ela, porque relacionamentos assim precisam de confiança e de muito amor. Não é só o tesão. Eu não

suportaria ver Emma com outra mulher ou um homem, então entendo o fato dela não querer me assistir com outra

mulher, porém se você não se importa e Ruby concordar, não há nada de errado.

— Eu não sei se me importo. Nem pensei a respeito. O convite para outra mulher é só um dos meus

pensamentos sobre o relacionamento. São muitas outras questões.

— Envolvendo sexo? — Ela respirou fundo e mordeu o lábio, cruzando os dedos sobre a mesa.

— Basicamente.


— Eu no seu lugar conversaria com Ruby. Tenho certeza que vocês vão encontrar um equilíbrio e vão

resolver esta falha. — E eu me sentia péssima por não dizer a ela que, da forma certa, Ruby toparia

tudo, e envergonhada por saber exatamente o que Ruby era capaz de fazer.

— Desculpe o atraso. Podemos começar?

Lana entrou na sala daquele jeito só dela, como um furacão de salto alto e cabelos esvoaçantes. Ela não

notou o clima entre nós duas, ou se notou, preferiu não se importar e seguiu com o combinado.

E eu não sabia se ficava agradecida ou irritada. Aquela poderia ser a última chance de eu dizer a

verdade a minha irmã



EMMA



Com o computador no colo eu mal conseguia me concentrar. Era muito fácil ignorar Marian

quando Regina ou Marta estavam em casa e eu não tinha motivos para precisar olhar na cara dela. Contudo,

aquele momento talvez fosse o único para mim. Quando mais eu poderia fazê-la falar sem a interrupção

da minha namorada?

Digitei algumas frases. Parecia que nada entrava no clima e os personagens ficavam perdidos em

diálogos fracos e acontecimentos rasos. Merda! Era impossível escrever.

Quando ouvi o barulho do carro e alguns minutos depois o barulho da chave abrindo a porta cheguei a

pensar que Regina voltara mais cedo, uma vez que Marian não usava mais a chave dela desde que havia

entrado e feito Lipe nos surpreender.

Cheguei a ficar desanimada imaginando ter perdido a oportunidade, no entanto, e confesso que para o

meu espanto, Marian abriu a porta carregando Lipe em seus braços, e ela agia como se estivesse em sua

própria casa.

Lógico que a maldita me viu, sentada no sofá, com o computador no colo e a surpresa no rosto. Apesar de

ter desejado que ela chegasse antes de Regina, vê-la usar a própria chave me deixou enfurecida. Então,

quando minha namorada não estava em casa ela entrava e fazia o que queria? Um arrepio percorreu o meu

corpo quando imaginei que foi exatamente o que ela fez quando Lipe teve a crise alérgica.

Lipe se agitou em seus braços chamando “Enanan” sem parar até que ela o deixou no chão e ele correu até

mim, subindo no sofá para me abraçar e exigir o seu lugar em meu colo. Ainda em choque não consegui

retribuir como deveria e me surpreendi quando ele conseguiu colocar o meu computador no colo e

encarar a tela.

— Ei, mocinho! Isso aqui não é para você. — Fechei a tela e puxei o notebook para o lado. Ouvi a risada

cínica de Marian que ainda segurava a mochila dele no ombro.

— Você sabe que ele ainda não completou três anos e que não sabe ler, não é? — A ironia em sua voz me

deixou ainda mais irritada.

Claro que eu sabia que Lipe não sabia ler, mas não era legal vacilar, e… sei lá. Vai que ele era mais

inteligente do que eu imaginava? Mesmo irritada não consegui deixar de encará-la. Marian era muito


abusada. Alguém precisava colocá-la no seu devido lugar.

— E você sabe que a dona desta casa não quer mais que você utilize a chave que ela disponibilizou em

outro tempo, quando você ainda era útil, não é? — Não apenas vi seu olhar endurecer como assisti Marian

ficar tensa e irritada. Antes que ela conseguisse responder tratei de tirar Lipe da nossa linha de fogo. —

Venha lindinho. Vamos colocar um desenho bem legal.

Afastei a criança levando-a para o sofá mais distante, em frente à TV e liguei em um canal de desenhos.

Ele rapidamente se acomodou, ficando vidrado na tela que exibia ursinhos pulando. Era o suficiente.

Voltei para perto de Marian que, de braços cruzados, encarava-me.

— Lipe já está entregue, Marian. — Eu sabia que demonstrar desinteresse seria a forma mais rápida de

fazê-la abrir o jogo.

— Você deveria se preocupar, Emma . — Ri com desdém e andei em direção a cozinha.

Ela me seguiu fazendo exatamente o meu jogo. Pelo menos estaríamos longe do Lipe. Marian parou no

balcão me observando abrir a geladeira. Eu nem sabia o que pegaria ali dentro. Simplesmente precisava

fingir interesse em alguma coisa. Então peguei um copo com água.

— Você está muito segura quanto ao seu relacionamento.

Sorri com cinismo fingindo não me abalar, apesar de saber que me abalaria, mesmo querendo ser forte e

lutando para não deixar que Marian conseguisse destruir o que eu vivia com Lipe e Regina. No fundo eu

acreditava que provavelmente me aborreceria, que, o que quer que ela tivesse para me contar, não

mudaria muito a forma como eu me sentia em relação àquela história. Afinal de contas o que poderia

mudar na maneira como Lipe fora concebido?

Ou Ela podia afirmar que Regina e Tiffany tinham um caso. Claro que ela poderia ser ridícula a tal ponto para

acreditar que conseguiria me convencer, contudo algo me dizia que Marian não iria por este lado. Ou então

ela poderia dizer que foi minha namorada que quis transar com a prima dela. De verdade eu também não

me surpreenderia. Eu vivia com este fantasma há muito tempo para me desesperar depois de já ter

aceitado Regina de volta na minha vida.

Bom… se eu queria acabar com aquilo era melhor encarar de vez e deixá-la falar. Então eu riria e

deixaria que ela fosse embora. Só depois decidiria se iria chorar, gritar ou matar a Regina.

— Por que não diz logo o que quer dizer? Eu sei que viu que eu estava ocupada, então… — Fiz um gesto

vago com as mãos. Marian estreitou os olhos e um sorriso escroto brotou em seus lábios.

— Você já parou para pensar que Regina , a mulher perfeita que ela demonstra ser para você, pode ser

apenas uma ilusão?

— Você vai precisar ser mais direta. Eu estou bastante cansada e tentar juntar os pontos vai ser um saco

— ridicularizei.


— Alguma vez já se perguntou se ela foi sempre assim?

— Assim como?

— Perfeitinha. Companheira. Amorosa… a mulher perfeita, encantadora, capaz de tudo para fazer a

mulher que ama feliz.

— Provavelmente não. — Dei de ombros. — Eu fui a primeira mulher que Regina amou, então devo

imaginar que ela não foi desse jeito com nenhuma outra. — Mantive o meu sorriso confiante, mesmo sem

entender o que ela queria provar.

Que diferença faria o que Regina foi com qualquer outra mulher da vida dela? Se ela mesma estava me

dizendo que ela não foi o que era para mim eu deveria me sentir feliz, não?

— Depende do que você acredita ser o amor. — Ela relaxou sentada no banco alto da cozinha. — Há

quem diga que amar é se submeter a tudo para agradar o seu parceiro. Há quem diga que é não se

submeter. Também pode ser aquela pessoa tão viciada na outra, a ponto de fazer loucuras.

— Hum! Eu não chamaria isso de amor, mas tudo bem, continue. — Coloquei o copo sobre a pia e

encostei para observar Marian fazer a sua encenação.

— As pessoas tendem a deturpar a ideia de amor. — Nos encaramos.

Neste momento tive medo de fraquejar e deixar que Marian realmente conseguisse abalar o meu namoro.

Se eu estava tão certa de que o que ela tinha para me dizer era algo que não significaria nada para mim…

ou quase nada, por que queria tanto que ela me contasse?

— Ok, Marian! Regina pode não ter sido a mulher perfeita para muitas mulheres. Para mim, mesmo com tudo

o que aconteceu de errado, ela continua sendo perfeita. Continua sendo a mulher da minha vida e nada

vai mudar isso.

— Ah, não? — Sua risada ousada me fez estremecer. — Nem mesmo se ela for uma mulher que gosta de

espancar mulheres? — Foi a minha vez de rir.

— O que é isso, Marian? Estamos falando da mesma pessoa? — Ela passou a língua no lábio inferior e

sorriu com a segurança que me faltava.

— Se você descobrisse que Regina possui gostos… peculiares? — Respirei fundo, já completamente

insegura. — Ah, você sabe, Emma! Muitas e muitas vezes Tiffany lhe disse que você não era mulher

para ela. Por que será?

— Do que você está falando? — praticamente rosnei.



— E se eu te contar que a mulher dos seus sonhos não só gosta de espancar mulheres indefesas como se delicia com isso.


No primeiro segundo eu pensei no que ela havia revelado e senti o ar preso nos pulmões, logo em

seguida minha mente voltou a ficar clara e eu parei de buscar qualquer possibilidade de ser verdade.

Regina nunca machucaria alguém. Estava completamente fora da

realidade.

— Definitivamente não estamos falando da mesma pessoa. Se fosse verdade ela já teria partido a sua

cara ao meio, depois de tudo o que fez.

— ri com escárnio — você deve ter

batido forte com a cabeça no acidente.

— Emma você é muito ingênua, inocente mesmo. Também sei que não é tão idiota que não tenha

capacidade de juntar as pontas que estão soltas. — Fiquei calada aguardando. Marian estava delirando se

imaginava que eu acreditaria naquela baboseira toda a respeito da minha namorada. — Regina nunca

namorou, nunca se deu ao trabalho de ficar com ninguém, não por muito tempo. Você acredita mesmo

naquela história de que ela era uma solteirona em busca de emoções? Regina frequentava um clube de sexo,

onde ela podia fazer o que bem quisesse com as mulheres que estavam lá, só que ela não ficou satisfeita

com a fantasia. Era preciso ser real.

— Clube do sexo? — rebati sem acreditar.

— Talvez Ruby possa te esclarecer sobre este fato.

— Ruby? — quase gritei. — O que Ruby tem a ver com isso? — Ela riu com gosto.

— É melhor perguntar a ela. Vamos ao que realmente importa. Regina não foi seduzida por Tiffany na noite

em que achou que você assinou o divórcio. Ela bebeu? Sim. Muito. Foi o combustível para fazer o que

fez.

— E o que ela fez?

— Regina espancou Tiffany. — A calma com que falou não me deixou assimilar as palavras imediatamente.

— Quando Tiffany chegou, disposta a fazer mais uma tentativa, ela nao so fez sexo com ela como também a espancou. Minha prima me contou

tudo no dia seguinte. Ela estava assustada, desesperada. foi agressiva e tudo isso

culminou com a morte dela. Tiffany amava Regina e não aceitou que ela a destruísse, primeiro agredindo, usou seu corpo e depois a abandonando quando mais precisava dela.

— Essa sua história é absurda. — Eu não ria. Dentro de mim algo me dizia que não brincávamos mais. O

assunto era sério. Grave.

— Lipe é fruto de um estupro — continuou.


Lipe é filho da Tiffany , esse garoto é muito mais meu do que dela, e ele nunca será seu filho.

minha prima saiu desesparada depois do ocorrido

E sabe se Deus onde ela foi parar, Tiffany foi estuprada logo após ser chutada por Regina.


— Por que acha que ela se empenha tanto em cuidar do menino?

Esse foi um dos pontos mais fortes pra minha prima ter ficado tão doente e se rendido a morte, ela não suportou.

Regina Cuidou de Tiffany como pode durante toda a gestação, o remorso a corroi. Tiffany amava tanto Regina, que antes de morrer pediu pra ela cuidar do filho dela, não eu mas ela. E olha que engraçado a criança é uma copia da Regina que eu podia jurar que saiu da barriga dela, se não soubesse de tudo.


A culpa a consome.

— MARIAN!

Ouvir a voz de Regina não me puxou imediatamente para a realidade. Eu ainda encarava a mulher que

empalidecia mortalmente enquanto se dava conta do que havia feito. Na minha cabeça muitas imagens de

meus momentos com ela tentavam me provar de que Marian inventara aquela história para me machucar,

para provocar mais um desentendimento com Regina quem sabe assim minar de vez o nosso

relacionamento.

— Você ouviu isso? — perguntei a Regina sem desviar os olhos de Marian.

Meu peito vibrava de raiva e ao mesmo tempo de vitória, pois pelo menos havia conseguido mostrar a

Regina quem era Marian. Ela não conseguiria se justificar e não haveria mais espaço para ela naquela casa,

nem em nossas vidas.

— Você ouviu isso, Regina ? — falei mais alto disposta a encerrar de vez aquela farsa. — Olha o que ela

está me dizendo! Veja o absurdo que ela acabou de me contar.

Enquanto eu falava caminhei em direção a minha namorada, dando a volta no balcão. Eu me sentia forte,

determinada, mas bastou olhar para Regina para tudo começar a desmoronar. Pensei que meu coração

pararia de bater. Diante de mim eu via uma mulher em sofrimento atroz, com os olhos cheios de pavor e

vergonha. Sem perceber comecei a ofegar. Não existia ar suficiente dentro daquela casa.

— Regina , eu… — Marian tentou, embora já soubesse que não havia como voltar atrás no que tinha feito.

— Saia da minha casa — ela disse sem emoção. Os olhos fixos em mim, mas com toda raiva direcionada

para ela.

— Eu não quis… — Saia da minha casa — rosnou me fazendo estremecer. O ódio que eu via em seu

olhar não se comparava a nada visto antes.

Marian pegou a bolsa e saiu rapidamente. Eu não conseguia deixar de olhar para Regina. Minhas pernas

tremiam e um frio mórbido me fazia congelar. Eu não queria acreditar que era verdade, porém o que eu

poderia dizer? Estava tudo ali, estampado em seu rosto.

— Emma … — É verdade?

— Emma eu… — Só… — Engoli o choro e me forcei a dizer. — Só me responda se é verdade.

— Não como ela contou.

Puta merda!

A primeira lágrima caiu sem que eu pudesse impedi-la. Não havia como impedir.

— Emma , deixe eu contar o que realmente aconteceu.

— Todas as vezes que você se impedia de falar… todas as vezes que me dizia que não foi como eu

imaginava, era isso, não era? Era isso que queria me contar?

— Era. Mas continua não sendo como você imagina. Marian fez tudo parecer pior do que já é...


— Mamãe! — Lipe gritou com alegria sem descer do sofá.

— Eu já vou aí Lipe. — Regina não tirou os olhos de mim, como se eu pudesse fugir no momento em que

ela virasse o rosto. — Emma, por favor!

— Eu preciso ir. — E precisava de ar.

— Não! — Recuei instintivamente, mas me arrependi no momento em que percebi que a havia magoado.


Acima de qualquer coisa, Lipe é meu filho de mais ninguém ela é meu Emma. Tiffany apenas colocou ela no mundo mas ele é meu.

A forma como ela dizia parecia que a destruia como se o fato de Lipe ser filho de Tiffany mudasse qualquer sentimento meu pelo garoto, não havia mais como mudar.

—Não foi como ela disse. Rigina dizia com lágrimas prestes a cair.

— Eu só preciso ir embora, Regina .

— Não faça isso, Emma ! Não fuja de mim outra vez. — A sua dor era real, mas como eu poderia

conviver com o que fora revelado?

— Eu estou com medo — revelei.

— Eu também. — Ela não se aproximava, mas parecia disposta a avançar caso eu resolvesse fugir.

— Você tocou em Tiffany sem a permissão dela?

— Não. — A forma como ela negou acalmou um pouco mais o meu coração. — Como ela morreu, não

existe mais ninguém além de mim para falar sobre o que aconteceu. Se você não acreditar em mim eu não

vou ter como provar que estou dizendo a verdade.

— Ela disse não?

— Disse. — Fechei os olhos querendo não ver a cara de sofrimento dela.

— Como ela pode ter dito não e não ser um estupro?

— Porque existe muito mais além do que Marian contou. Ela não faz ideia do que estava falando.

— Eu não estou entendendo. — Outras lágrimas desceram. — Eu não entendo, Regina!

— Eu vou explicar. Eu vou te contar tudo, Emma.


— Você bateu nela? — Regina se calou e eu soube a resposta.

— Emma , pelo amor de Deus, só me deixe explicar! Deixe eu te contar tudo.

— Não! — Chorei desesperada. Eu não estava pronta. Não podia ouvir mais nenhum detalhe sem me

destruir.

— Emma, não faça isso. — Eu sabia que Regina se controlava por causa do Lipe. — Olhe para mim. —

Forcei-me a obedecer. — Você me conhece. Você sabe quem eu sou e sabe que eu não seria capaz de

fazer isso. É no que precisa se apegar. Você sabe quem eu sou. Eu, a verdadeira Regina.


— Por quê? Outras Regina existiram?

— Não outras, no entanto nem sempre fui esta que sou para você. A Regjna real.

— Eu não entendo. — As lágrimas caíam com muita facilidade me impedindo de enxergar corretamente.

— Me deixe ir embora!

— Enanan?

Lipe estava lá, bem próximo a mim, a mãozinha em minha perna como se quisesse me consolar. Foi

infinitamente pior. Porque ele era a prova viva do que aconteceu.

— Vem cá. — Regina se aproximou pegando o filho no colo.

Olhei para eles dois e me perguntei como era possível? Não existia uma Regina como o que Marian havia

descrito. Ou então eu estava tão louca de amor que não enxergava quem ela realmente era. Porque não era

possível que uma mulher como Regina, que arriscou várias vezes a própria felicidade para me fazer feliz,

que abria mão da própria vida pelo filho, que me respeitou até descobrir que me amava, que teve todas

as chances de abusar de mim e nunca o fez. Ela foi justa, honesta, correta, profissional até o seu limite.

Não. Não havia espaço para uma Regina abusiva, agressiva, violenta… uma Regina que não respeitava, que se

colocava acima de um “não”. Aquela Regina não existia. Por outro lado, eu não poderia ser tão ingênua a

ponto de ignorar tudo o que ela mesmo afirmou. Ela bateu em Tiffany. Ela disse não.

— Eu vou embora, Regina . — Ela me olhou em pânico, sem poder fazer nada pois estava com o filho nos

braços. E chorou.

Era uma atitude covarde, com toda certeza. Mas era o que eu poderia fazer. Analisando de uma forma

mais fria, eu estava abalada demais para ouvir qualquer coisa que ela pudesse me contar. Não encontrava

forças para conseguir uma solução ou definição. Havia apenas dor e dúvida.

Eu precisava de espaço e tempo. Precisava de ar.

— Você não vai voltar, não é? Vai embora de novo sem ouvir o que eu tenho para dizer.

— Não. — A firmeza da minha voz me deixou mais leve. Eu sabia exatamente o que queria fazer. — Eu

vou para a minha casa organizar os meus pensamentos e acalmar a minha dor. Preciso chorar, pensar,

relembrar cada detalhe e, quando me sentir pronta, eu volto para ouvir o que você precisa me contar.

— Emma … — Não podemos fazer isso agora. Lipe precisa de você.

— De você também. — Sorri sem vontade sabendo que Lipe me olhava com medo.


— Não vai funcionar desta vez, Regina. — Ela engoliu com dificuldade e concordou.

— Quando você volta? Quando eu poderei relatar o que realmente aconteceu? Emma… — Puxou o ar

com força. — Não vá embora outra vez.

— Eu não vou. — Senti que o choro estava prestes a me dominar. — Eu vou cuidar de mim e voltar para

te ouvir.

— Quando?

— Quando eu estiver pronta.

— Mas… — Você precisa confiar em mim, Regina . Essa é a minha maneira de resolver o que está

acontecendo dentro de mim.

Ela assentiu sem nada dizer. Com cautela me aproximei deles e abracei Lipe. Eu sentiria saudade.

Morreria de saudade, assim como sabia que ela também sentiria. Controlando a respiração, consegui

impedir que as lágrimas descessem. Beijei o seu rosto com carinho e ele tocou o meu com os olhos

atentos.

— Eu amo você! — sussurrei com a voz presa na garganta.

Sem conseguir continuar, dei as costas e fui embora, sentindo no ombro o peso de todas as minhas

decisões. Sem me despedir dela.



Notas Finais


E ai vocês acreditam em quem?


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