1. Spirit Fanfics >
  2. A profundidade da tinta - Sycaro >
  3. Pensamentos dominantes

História A profundidade da tinta - Sycaro - Capítulo 3


Escrita por: e Ycaralho


Notas do Autor


os pensamentos de Ycaro ficaram mais evidentes e a relação dele com Saiko mais conturbado do que nunca

eu to morrendo de medo, porque esse capítulo oscila muito entre horrível e bom em minha visão aa

eu juntei o capítulo anterior com o 3

demorou muito pra fazer esse cap aa

Capítulo 3 - Pensamentos dominantes


Fanfic / Fanfiction A profundidade da tinta - Sycaro - Capítulo 3 - Pensamentos dominantes

    Ele me olha, me encarando, percebo que os olhos deles são negros como a noite, escuros e profundos, quase como um buraco negro, seria então, Rodrigo toda a galáxia? Ele deu um suspiro logo em seguida, esperando eu passar pela grade enorme e a fecha, passando a chave, Ximenes começa a caminhar lentamente, percebo que ele está com o caderno laranja no bolso da calça jeans cinza, tento me concentrar nas casas que passamos, sinceramente, pensei que Rodrigo era o tipo de andar de moto, aparentemente, ele prefere caminhar.

 

- Você tem algum automóvel?- Pergunto, olhando para a casa de dois andares, com um telhado simples.

- Tenho somente um carro, nada mais- Ele fala, falhando a respiração- Isso é uma tentativa de puxar assunto?

- Pelo menos estou tentando- Digo, com um sorriso de lado, ele me olha e tenta esconder um sorrisinho, quase como uma tentativa de esconder que a pequena frase foi sim, engraçada.

- Puta que pariu Ycaro, já não falei para você?

- O senhor disse que seria difícil de lhe convencer, não que eu deveria parar- Digo, olhando para a praça, cheia de árvores grandiosas, nunca havia visto uma praça dessa, geralmente, as praças que frequento, são pequenas, sem plantas, com um ou dois banquinhos e dois bares de esquina.

- Você é impossível Carlos, impossível.

- Mas se quiser que eu pare, eu paro- Digo, com um olhar triste, não poderia continuar irritando ele, não valeria a pena.

 

Ele fez uma pausa, percebi sua boca entre aberta, quase como uma surpresa, uma dúvida, ele se manteve calado por um bom tempo, até chegarmos numa loja grande, que tinha um logo de pincel na frente, dava para ver pelo vidro os vários itens de pintura, percebi, logo em seguida, que era aquela a loja que trabalhei.

Tremi, esperava que meu patrão não estivesse, se algum Deus ou Deusa estiver me ouvindo, peço, por favor, que meu chefe não estivesse lá, entramos, percebo que os funcionários reconheciam Rodrigo, talvez ele tenha começado a vir para cá depois que eu fui despedido, vejo que um dos funcionários me encara, era Júlia, filha do chefe, trabalhava aqui desde pequena, ela estava grande, provavelmente 15 anos, era uma menina bonita, tinha cabelos cacheados e negros, era parda e meio circular, mesmo não tendo a melhor personalidade do mundo, sendo mandona e preguiçosa, além de desrespeitar o pai, era aceitável.

Percebo que ela olha para mim com nojo, talvez eu tenha me arrependido de ter vindo para cá, “não, não vou deixar uma adolescente me deixar para baixo, eu não preciso viver no padrão, não importa, não importa, você é nojento, não, não sou, você vai queimar no inferno, cala a boca”, Saiko me encara, com uma face de preocupação, precisava me acalmar, respirei fundo, tentando controlar meu rosto, que provavelmente estava vermelho.

 

- Você está bem?- Ele pergunta, olhando para minha cara, mas antes dele poder ao menos chegar mais perto, eu vejo, uma pessoa que esperava, porém nunca mais queria ver “deveria ter ficado lá fora”.

- Olha, se não é o senhor Rodrigo Ximenes, esse homem está te incomodando?- Ele pergunta, com um sorriso no rosto, mas me encarando de forma aterrorizante- Se quiser expulso esse viadinho daqui agora mesmo.

 

Percebi a surpresa de Rodrigo, quase como um choque, ele me levou para fora dali, segurando minha mão, quase correndo, deixando um homem de cabelos brancos, magro e alto extremamente confuso, Ximenes estava apressado e começou a seguir um caminho ao contrário da de sua casa, ele parecia transtornado, um pouco estressado, deveria dizer, parei por um instante.

 

- Por que você não me falou?- Ele perguntou, com uma expressão séria.

- O que?- Paralisei, não me diz que ele é homofóbico também.

- Que você já trabalhou numa papelaria e seu chefe era um filho da puta- Ele olha para mim, esperando respostas

- O senhor nunca quis saber da minha vida, de certa forma, por que?

- Porque, se eu soubesse, nunca teria ao menos entrado naquela loja- Ele começa a andar, virando a esquerda- Vamos para outra loja.

 

Eu o sigo, um pouco feliz por ele ter ficado do meu lado, mas, o gosto amargo dos xingamentos ainda me persegue, vejo que ele para, ele olha para mim e vê cada canto do meu corpo, estava me com os braços cruzados, quase me abraçando e alisava minha própria barriga.

 

- Carlos, venha cá- Ele faz um sinal com a mão, eu me aproximo e ele me abraça, no começo, tomo um susto, mas, o abraço dele era quente, era quase como uma proteção, era um manto, um cobertor, que me acalmava, sentia que o enlaçamento era perfeito, ele suavemente deslizava as mãos em minhas costas, senti meu pelo arrepiar.

- Eu deveria ter nascido diferente- Começo a choramingar, não gostava de fazer isso “Você está parecendo uma criança todos têm direito de chorar”.

- ...- Ele fala absolutamente nada, com um nervosismo evidente.

- Obrigado Rodrigo- Eu me separo, enxugando meu olho lacrimejado- Vamos continuar.

 

Ele assente e vai andando na frente, eu não sabia o que pensar, não sabia o que sentir, só sentia, era algo estranho, um conforto já sentido antes, só que melhor, mais confortável, mais amável, provavelmente meu rosto estava vermelho, já que sentia os olhares dos desconhecidos em meu rosto, tentava avaliar o que aconteceria daqui a depois, mas não conseguia, foi algo impossível de prever, qual seria a palavra? Adventício, mesmo achando um termo ridículo, era apropriado para a ocasião, “ô meu Deus, estou pensando demais, eu queria ter um livro para poder me distrair um pouco” tentei levar meu pensamento para outro lugar, “pense, pense, livros! Pensa em um livro, Electra! Era um livro escrito por Eurípides, com certeza, meu personagem favorito seria o trabalhador, foi gentil com a Electra, não a violou e não matou ninguém, devo dizer que a Electra não me agrada tanto, foi capaz de sucumbir a um pensamento de matar a própria mãe, acusando o próprio pensamento de ‘mensagem do deus Apolo’ como se Apolo tivesse que parar o seu tempo livre para convencer uma mulher a matar a mãe para ter sua ‘vingança’, ela não pensou em nenhum momento que estava se rebaixando ao nível de sua mãe e...”

 

- Ycaro- Sinto uma mão no meu antebraço- A gente já chegou em casa, o que você estava pensando?

- Electra.

- Que diabos é isso?- Percebo que ele carregava duas sacolas, aparentemente pesadas, as quais, peguei rapidamente.

- Um livro estúpido.

- Eu vou ler.

- Duvido

- E mais uma coisa Carlos, essa vai ser nossa última conversa- Me arrepio, ele volta com aquele olhar julgador, felizmente, aquele olhar não me deu nervosismo como antigamente, agora, eu tinha certeza que Rodrigo não era alguém com mente fechada, ou um arrogante, era alguém tímido, amável, se escondendo atrás de uma máscara superficial e fina, eu conseguiria arrancar ela de uma vez por todas, mesmo tendo que usar minhas táticas mais sombrias.

 

Ele abre a porta e vai direto para a casa, eu decido o seguir, percebo que ele estava usando botas, sinceramente, as achava estilosas, ele me encarou de volta e deu um risinho de canto, aparentemente, querendo dar um comentário sobre a minha encarada, mas provavelmente, reprimiu os comentários, antes mesmo de poder falá-los, supostamente, ele tinha medo de se aproximar, “medo de se machucar? que idiota por qual motivo? Você se machucou mais do que ele, ele não merece ser seu amigo todos merecem ter pessoas próximas idiota eu sou idiota”

 

- Por que você tem medo de mim?- Pergunto, deixando as sacolas no chão.

- Não quero conversar com você, Carlos, não me faça me arrepender de ter lhe abraçado- Ele começou a tirar os materiais de dentro das sacolas- Arrume isso.

- Você foi machucado, não foi? Tem medo de sofrer novamente?- Ele olha para o chão, com os dentes rangendo- Se continuar dessa forma, nunca vai ser feliz novamente.

- Eu tentei te ajudar!- Ele grita, me empurrando- Me deixa em paz, você não me conhece, você fala que eu nunca vou ser feliz, você nem sabe pelo que eu passo!

- Isso!- Eu digo com um sorriso- Eu quero saber o que está acontecendo com você.

- Por que eu falaria para você, Carlos?- Ele fala, com raiva evidente- Eu tentei ao máximo esquivar de você, não quero aproximação, me deixa em paz.

- Você está assim porque eu toquei na sua ferida, mas você sabe que você não ficaria desse jeito se ela estivesse completamente fechada- Digo, encarando para ele, com uma cara séria- Eu quero te ajudar, Saiko- Ele me encara.

- Eu não tenho medo de me machucar, Carlos- Ele olha para o nada.

- Do que você tem medo?

- Eu não vou te falar, pode tentar tirar a verdade de mim o quanto quiser, eu não confio em você.

- Se não confiasse, já teria me despedido.

 

Ele ficou calado, olhou para mim, percebi pelos seus olhos, um pedido de ajuda, Rodrigo foi embora, eu costumo não prestar atenção na aparência das pessoas, mas percebi que o cabelo dele combinava com os olhos, escuros, percebi também sua barba, não era enorme, mas também não era pequena.

Eu quero mudar aquela cabeça, abrir para o mundo, felizmente, não vai ser fácil, mesmo eu gostando de ser agradável, temos que ser um pouco chatos para conseguir o que desejamos, e o que eu estou fazendo não é só para mim, queria mostrar a ele que o mundo não é um lugar para você desconfiar das pessoas, é para se relacionar com elas “Você afastou ele eu percebi, foi necessário, as pessoas necessitam ouvir o que precisam, não o que querem babaca eu anseio ajudar ele, sinto que devo cala a boca

 

Você não percebe que ele não quer ser mudado se eu mostrar para ele como ele deve mudar, talvez ele veja que necessita você deveria cuidar da sua vida, em vez de ajudar os outros eu gosto de amparar as pessoas têm pessoas que não anseiam ser amaparadas cala a boca

 

- Carlos- Percebo a voz de Skii- Ximenes nunca saiu dessa sala tão sério quanto agora- Ela suspirou- O que houve? Ele falou algo demais para você?

- Acho que ele só ficou assustado comigo, pode relaxar, eu vou resolver isso- Digo, tentando acalmá-la, ela assente com a cabeça, me olhando, um pouco suspeita.

 

Eu decido ir atrás de Tawan, passo pela entrada, onde percebo que o sol já estava se pondo, vejo Rodrigo sentado com um galho, com o que parecia flores brancas murchas, Anci estava do outro lado, perto de onde eu discuti com Rodrigo sobre o caderno, decidi deixar Tawan de lado, ele parecia ocupado, sentei no chão e respirei “será que eu estou fazendo o certo mesmo? Será que devo deixar ele em paz? O meu desejo nisso tudo é ajudar ele, talvez eu deva mudar a tática? Por que eu quero amparar ele de qualquer forma? Minha mente é confusa demais para pensar no porquê”

 

- Pare- Alguém senta do meu lado, era ele- Eu sei o que você quer fazer.

- O que, Saiko?

- Você está tentando me transformar num extrovertido, num livro aberto, eu não confio em você, eu só lhe dei aquele abraço porque eu me vi em você- Ele disse.

- O que você está insinuando?!

- Ycaro, eu era essa criança que confiava em tudo e todos, mesmo não tendo quase nenhum amigo, você não sabe pelo que eu passei, você não tem a menor ideia- Ele suspirou- Se você quer que eu confie em você em um só dia, você está equivocado, se quer algum tipo de intimidade comigo, mereça ela.

 

- Me dê dicas, para ganhar sua confiança- Ele riu, com uma ironia evidente.

- Seja original, Carlos, só não force a barra, como forçou há alguns minutos- Ele se levantou- E não tente mudar a forma como eu vejo o mundo, é algo que já está dentro de mim faz tempo e você tem sorte Ycaro, se você fosse uma pessoa normal, já teria lhe despedido faz um tempo- Ele dá uma pequena pausa dramática- E eu quero pintar.


Notas Finais


amigos, o que vocês estão presenciando, é a demonstração das falhas de Ycaro, é um gartoto que gosta de estar no controle e quer ajudar os outros acima de tudo, mesmo eles não querendo ajuda, os pensamentos o seguem para todo o lugar, juntamente com seus traumas

Ycaro tem medo, medo de não conseguir a amizade de alguém, de alguém odiar ele, a única coisa que o medo não faz é o fato que ele não muda para agradar os outros

Carlos quer melhorar a vida de todos, mas não tenta melhorar a sua, comendo das migalhas, dando o pão inteiro para os outros

hm, vocês se interessaram pelas falhas de Gabryel? devo dizer que gostei bastante de seus defeitos


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...