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História A Promessa com Satã • jjk + pjm - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Votem e comentem na fic, por favor 🖤

Boa leitura, ponpons 🖤

Capítulo 3 - Capítulo 2 𖤐 Sem saída


Quase todos os seres humanos nesse mundo já tiveram a oportunidade incrivelmente prazerosa de quebrar a cara pelo menos uma vez na vida, aquele aperto no peito maravilhoso e a sensação de que todos os maus do mundo foram causados por você, apenas pelo erro, grande parte das vezes insignificante perto do que outros já fizeram, que você cometeu. 


Algumas pessoas têm a sorte de não precisarem passar por isso muitas vezes; são cuidadosas em muitos espectros de sua vida, porém Jungkook, infelizmente,  não era como essas pessoas e passavam por esse tipo de situação com uma frequência absurda, um exemplo disso era quando ele escrevia casa com "z" ao em vez de "s" nas paredes do castelo à noite ou quando brigava com seu pai pensando que ele havia mexido em suas coisas por não achar algo de imediato, mas depois achando o que procurava no lugar onde o progenitor sugeriu que procurasse. 


Mas era diferente dessa vez. Dessa vez, ele não havia tomado uma decisão de cabeça quente, dessa vez, ele não havia agido por impulso. Ele tinha tomado cuidado, mas parecia que havia algo acima daquilo tudo, alguém no controle. 


Dessa vez, ele sentia que não estava no controle. 


— Você não olhou a porra dos livros na hora de pegar não, Jungkook? — Yoongi indagou massageando as temporãs. Ele parecia muito confuso. 


— S-sim — Jungkook rebateu, certo do que dizia — Eu tenho certeza que olhei! Tava tudo escrito em hangul. Olha aqui na lombada do... 


Tentou se explicar pegando um dos livros e tentando enxergar o que havia presente na lombada. 


Novamente aqueles símbolos. 


Toda a situação não estava fazendo sentido na cabeça de Jeon, ele tinha certeza de ter pego o que deveria, e ainda mais, por que na biblioteca teria livros em um idioma que ninguém do reino entenderia? 


— Não é possível — Jungkook disse, incrédulo — Só tinham esses livros lá. 


— Bom — Taeyeon tentava amenizar a situação— Não tem o que fazer agora. Depois eu vou lá e tento dar um jeito nisso. 


— Acho que quem realmente tem  que resolver isso é o Jungkook. — Yoongi reclamou. 


— Qual é — Jeon interferiu — Eu quase morro pra pegar essas coisas e vocês ainda me tratam mal! 


— Ninguém tá te tratando mal aqui, Jungkook — Yoongi rebateu. 


— Não é o que parece. — respondeu — Parece que eu não tenho importância aqui. 


— Shh — a mulher colocou o indicador na frente dos lábios levemente rosados— Sem discussões aqui na minha casa. Aqui é um ambiente de paz. 


Os dois se calaram imediatamente. 


Jeon percebeu ela um pouco frustrada, mas não conseguia falar. Sentia as bochechas queimarem intensamente e uma fúria desconhecida no peito; tudo o que queria era se enfiar em um buraco e nunca mais sair de lá. 


— Ok. — Yoongi disse — Eu tenho que ir pra casa, meu pai vai acabar com a minha vida de qualquer jeito. 


Nisso, o garoto se despediu dos dois amigos e saiu pela porta da sala sem olhar para trás e sem fechar a porta. 


— Olha o rabo! — exclamou, Taeyeon. 


Yoongi em resposta apenas mostrou o dedo do meio de costas para a casa.  Taeyeon revirou os olhos e fechou a porta por ele. Se fosse outra pessoa, Taeyeon até se irritaria, mas ela já sabia que esse era o jeito de Yoongi de amar alguém: irritando esse alguém. Aos olhos de outros isso parecia estranho, mas cada um tinha a sua forma de expressar o que sente. Não queria dizer que eles deixavam de respeitar os limites um do outro, muito pelo contrário, eles tomavam muito cuidado com isso para não destruirem o que tinham. 


Depois que Yoon se fora, sobraram apenas Jeon e Taeyeon dentro da casa. 


— E aí — ela começou — Como você tá? 


— Ah...eu to bem — disse Jeon, sentando-se no sofá da sala, percebeu seus ossos reclamarem, há quanto tempo não descansava? 


— Certeza? — a moça sentou-se ao lado do menino e deixou que ele apoiasse a cabeça em seu ombro. 


— Sim. 


Respondeu, simplista. Pura mentira; obviamente mentira. Porém Jeon não queria falar sobre como se sentia naquele dia. Apenas queria aproveitar o momento com a amiga que não via a tempos em silêncio. Ao seu ver, conversas longas e profundas não o causavam uma boa sensação. Parecia muito incômodo falar sobre si; via-se como um egoísta, e isso era uma das coisas a qual não queria se tornar. 


— Como seu pai tá? — a mulher questionou um pouco mais séria. 


— Normal. — ele respondeu, seco. 


— Ainda tá achando que tem alguém seguindo ele? — continuou com as perguntas. 


— Ele tá melhorando disso, Noona. — Jungkook respondeu, logo em seguida suspirando arrastado e olhando para um ponto aleatório do cômodo onde estavam — Ele tá melhorando.


Repetiu mais aquilo para si mesmo. Gostava de pensar desse jeito. Sabia que era mentira, mas não deixava de pensar daquela forma. Foi a forma a qual achou para não acabar consigo mesmo lentamente, mentindo. Mentir para si mesmo falando que estava tudo bem, que ele estava bem. A mentira o confortava. 


— Posso dormir aqui? — ele indagou — Eu realmente não quero ser lavado pelo meu pai hoje. 


Jungkook percebeu que Taeyeon notou o medo marcado em seu olhar. Sempre percebia; ela tinha uma habilidade impressionante em lê-lo em tão pouco tempo. 


— Melhor não... — a moça deixou um toque tênue no ombro do garoto. 


— Por favor, Noona — Jeon insistiu 


— Eu já disse que não. 


— Você sempre deixou que eu ficasse aqui à noite,  por que hoje não? 


— Das outras vezes foi diferente — a mais velha informou — Tinham acontecido problemas reais. Você realmente não tinha condição de ficar em casa; precisava de ajuda 


— E o que eu to passando não é um problema real? 


— Nem aconteceu nada ainda. Você não pode confundir seu medo com um problema real. Isso vai dar problema. 


— Só me deixa ficar aqui. 


— Não, Jungkook 


— Então é isso que eu sou pra você? Alguém que você ajuda só por pena? 


— Eu não disse isso. 


— Não? 


— Não! Eu só não posso mais incentivar esse seu hábito ruim! 


— Que hábito?! 


— Fugir dos problemas. Você tá sempre fugindo deles. Sempre se escondendo. Eu nunca vi você enfrentando um de cara. E, de certa forma, eu apoiava isso deixando você se esconder aqui. 


—Isso quer dizer que você não me quer mais na sua casa? 


— Lógico que não, meu bem — ela se aproximou encaixando as duas mãos no rosto do garoto. — Mas tá na hora de parar de fugir do que te assombra. E isso começa com pequenas atitudes. 


— Se não me quer mais aqui é só falar, puxa. 


— Jeon, para. Você me entendeu. Desculpa por isso, mas eu não quero te estragar. 


— Isso não tem nada haver! Eu nem fujo dos meus problemas... 


— Ah é? 


— É. 


— O que você fez quando seu pai descobriu que você era amigo do Yoongi? 


— Vim pra cá. 


— Onde você estava no dia do enterro da sua mãe?


— Aqui... — então, uma lâmpada ascendeu-se na mente de Jeon. Os argumentos da mulher pareciam finalmente fazer um pouco mais de sentido na sua cabeça 


— Tá na hora de acabar com isso, não acha? 


— Não. 


— Pensei que fosse mais esperto do que isso. 


— Pensei que fosse menos babaca do que isso. 


— Isso é pro seu bem, Jeon. Volta pra sua casa.


Depois de um tempo calados, olhando-se. Jeon se levantou do sofá e caminhou até a porta da casa de Taeyeon em passos lentos, sem precipitação. A madeira rangia contra os sapatos do garoto. E finalmente chegou ao destino, descansando uma das mãos na maçaneta e parando por alguns instantes, pensativo. 


— E se acontecer que nem da outra vez? 


Deixou a pergunta no ar, novamente sendo deixado ser controlado pelo medo. A resposta da moça saiu um tanto atrasada, porém chegou 


— Ele não vai fazer nada. Ele nunca faz nada. — ela proferiu com confiança. — E caso fizer... pode vir pra cá. 


A moça olhou-o com ternura. Em seguida, abraçou-o com força. Ela realmente não queria fazer isso, queria passar mais tempo com o amigo, mas deixaria isso para outra hora, aquele era o momento de ele ir, definitivamente. 


—Tudo bem. 


E Jungkook finalmente saiu encarando as ruas lotadas por pessoas nas calçadas. Elas nunca pareceram sufocá-lo tanto quanto naquele momento. Estava nervoso? Não sabia descrever a sensação que habitava dentro de si, a sensação de sair da zona de conforto, de sair de um ciclo vicioso, de cortar pela raiz o que enxergava como uma de suas maiores virtudes: correr do que lhe assombrava. Porém mal sabia Jeon que o jeito mais ineficaz de se resolver um problema  era fugindo dele. O máximo que aconteceria, seria adia-lo por um tempo, porque a conta sempre chega. E se atrasasse demais para pagá-la,  ela vinha com juros. 


No entanto, seu pai era apenas um dos problemas que tiravam sua vontade de voltar para casa e  dormir sozinho aquela madrugada. Os acontecimentos de mais cedo haviam mexido com seu psicológico. Ainda se encontrava intrigado perante a situação, e o que menos queria era ficar em silêncio, perdido nos próprios pensamentos pelo resto das horas as quais deveria estar dormindo. Jeon se conhecia, conhecia a ansiedade que dominava sua mente sempre que algo diferente em sua vida ocorria. Sabia que não pregaria os olhos um segundo aquela noite, sabia de tudo isso. 


Por uma fração de segundos, a ideia de fugir para outros braços, para outra pessoa que não soubesse sobre ele pareceu-lhe a solução. Mas, logo descartou-a de sua mente, lembrando de não ter ninguém além de Yoongi e Taeyeon. Os pais de Yoongi jamais deixariam que Jeon ficasse em sua residência até o amanhecer, em nenhuma hipótese. Então não se via em outro caminho a não ser ter de enfrentar de frente o medo que tinha. 


Ela deve me odiar para estar fazendo isso comigo, o garoto pensou sobre a amiga, mesmo sabendo que aquilo não era verdade, esse tipo de pensamento passava-se por sua mente quando algo saía do seu controle. 


Caminhava em passos largos e ligeiros, já que teria de fazer aquilo, que acabasse antes mesmo que ele percebesse. É como dizem, se você estiver prestes a entrar em uma pscina muito gelada, é melhor pular nela de uma vez do que aos poucos. 


Quando menos esperava, já se encontrava de frente para sua casa. As pernas um pouco trêmulas, o coração acelerado, a respiração descompassada, pela pequena corrida que fizera para chegar ao destino. Pensava em voltar, dizer para Taeyeon que tinha acontecido para que ela o deixasse fugir pela última vez, porém ele não tinha a cara de pau de mentir para a mais velha, seria muito injusto, além de se fizesse isso, deixaria a sua credibilidade questionável na mente da moça. 


Pegou a respectiva chave que encaixava na fechadura em suas mãos. Respirou fundo, tentando pensar positivamente. 


Os trincos se desembaraçando poderiam não ser ouvidos por alheios, porém Jungkook escutou-os. Foram as três viradas da chave mais rápidas que já fizera na vida. Assim abrindo a porta para o que mais abominava. 


Vazio. 



[𖤐]



—Coloque as mãos onde eu possa ver! 


Aquelas palavras ecoaram pela vasta floresta, assustando os pequenos animaizinhos junto ao som das folhas sendo pisoteadas com uma brutalidade desnecessária. Jimin não precisou se virar para saber que haviam mais de seis brutamontes atrás dele, esperando para pegá-lo outra vez, apenas deixou um sorrisinho sapeca escapar por seus lábios, a brincadeira havia começado. 


— Boa noite pros senhores também — ele retrucou, tênue. 


— Sem tempo pra brincadeirinhas, praga — "praga". Ninguém sabia o nome de Park, então apenas o chamavam por esse apelido  ou "homem estranho que vive na floresta". Ele era quase uma superstição na aldeia, muitos nem acreditavam que ele realmente existia. 


Jimin suspirou, ainda com um sorriso enorme estampado no rosto. 


Praga — repetiu soltando todo a ar de dentro dos pulmões — Você não faz ideia do quanto eu ansiava por ser chamado assim novamente 


Ele ainda sorria, mesmo sabendo o que viria em seguida, o que já não era novidade para os guardas, aquele homem parecia ser masoquista, parecia gostar do sofrimento. 


— É melhor você vir logo — o maior sentenciou num tom ameaçador. 


—  Soobin?  — Park reconheceu o homem atrás de si, apenas por sua voz grave — Já faz um tempo, não é? como vão os seus filhos? Sua esposa? Seu gato? Ah é, desculpa, você não tem tempo pra isso né? Só não demora demais pra arranjar esse tempo se não ninguém carrega seu caixão no final. 


Fora escutada uma risada repreendida vinda de um dos guardas. 


— Para de palhaçada. 


— Eu? De palhaçada? Jamais. — Park retrucou incrédulo. — Aliás, vocês mudaram as armaduras? As outras faziam um barulho diferente quando invadiam a minha privacidade. 


— Não te interessa, venha aqui agora para resolvermos isso de forma pacífica. 


— Com essas lanças afiadas e algemas? Acho que o conceito de pacífico está um pouquinho distante da sua compreensão. 


— Eu estou realmente me esforçando para não te quebrar no meio agora mesmo. 


— Creio que isso não seja problema meu. 


— Por favor, só pare. 


— Qual é a estação favorita de vocês? — já desviava do foco outra vez — Eu sempre fico em dúvida entre a primavera e o outono. A primavera é bonita e tem um clima muito bom, mas o frio do outono me agrada também. Já perceberam que essas duas são o intermediário entre os dois extremos que são o verão e o inverno? 


— Você só pode ter algum problema cognitivo. 


— Talvez. Mas isso importa pra você? Você iria saber resolvê-lo? Provavelmente não, pois é um guarda. Então vou tentar extrair do seu comentário algo de útil para a minha vida; totalizando em exatamente nada. Sinto muito, volte a falar quando tiver algo que me acrescente. 


— Não é por isso que estamos aqui e você sabe muito bem disso. 


— Desculpe, não consigo te entender. Meus problemas cognitivos não me permitem. 


— Venha agora — o homem repetiu pausadamente num tom severo, já estava irritado, sempre as mesmas baboseiras, ele não se cansava? 


— Sinto muito, senhores — o menor levantou-se de onde estava, alongando o próprio corpo por estar na mesma posição há muito tempo — Mas eu não posso cumprir seus desejos no momento 


— E por que não? 


— Porque eu não quero. — respondeu simplista, bocejando. Já estava tarde, precisava dormir. 


— Isso não é uma opção. 


— Pelo menos me expliquem o que eu fiz dessa vez? Se eu vou voltar pra aquela jaula, tenho que saber o motivo. — disse ele esfregando as costas das mãos nos olhos.  


— Se você vier conosco, contaremos. — explicou Soobin superficialmente por não ser da conta dele tal assunto. 


— Qual é, eu não nasci ontem. 


— Se o objetivo fosse te jogar no calabouço, você já estaria lá, sem sombra de dúvidas. 


— Ui, desculpa aí, machão 


— Venha. 


Jimin não confiava naquela gente. Nunca confiou. Não seria agora que passaria a confiar. 


— A guarda real tá tentando aderir um sistema menos facista?— Jimin comentou em uma surpresa barata — Se fosse há um tempo atrás vocês já teriam me deitado na porrada até eu ficar inconsciente e me arrastado até onde vocês queriam que eu fosse. 


— O rei não está mais permitindo o uso de força militar contra os criminosos, apenas quando for necessário. 


— E eu sou um criminoso? 


— Tecnicamente, é. 


— Então, quem não crê no mesmo Deus qual a igreja católica está impondo guelra abaixo do povo esses tempos está fora da lei? 


Eles permaneceram em silêncio; Park entendeu aquilo como um "Sim". Então, caminhou até uma das arvores, apoiando-se nela e pela primeira vez olhou para o guarda que não se comportara como ele gostaria. 


— É...vocês realmente precisam laicizar esse reino — ele comentou, não obtendo a compreensão dos homens a sua volta. Os olhos se reviraram em tédio e um suspiro arrastado foi emitido por ele — Vocês pelo menos sabem o significado de laicização? 


— Peguem ele logo. — o guarda ordenou, cansado de toda aquela situação. 


Aquilo até daria certo. Os guardas o pegariam pelos braços, amarrariam-no machucando seus pulsos e o levariam até o calabouço onde sempre parava no final. Porém, já fazia um tempo que Jimin não se divertia as custas da queima de neurônios alheia. Por que não aproveitar aquela chance? 


— Boa sorte.


Park cantarolou suas últimas palavras antes de, num estalar de dedos, conseguir fugir da visão periférica dos demais seguranças.


— Merda — o guarda comentou — ELE FEZ DE NOVO, ESPALHEM-SE 


Ordenou, Soobin, gritando para que se apressassem na busca. Nisso os guardas reais correram até pontos destintos da floresta para alcançar o homem levado que não se encaixava no sistema, outros adentraram a casa de Park, vasculhando qualquer canto que fosse para tentar acha-lo de vez. 


— Não adianta o quanto vocês tentem... 


Uma voz superior se fez presente, ecoando na floresta e na cabeça dos guardas. Ele era mesmo uma praga, eles precisavam pegá-lo de uma vez por todas. Soobin, persistente como sempre, se pôs entre as diversas árvores a procura do garoto. 


Olhou para os lados, e nada. Continuou correndo pelo labirinto que parecia não ter fim; ele estava determinado, determinado de que conseguiria pegar aquele encosto. Então, atenciosamente, vigiava os arredores escuros e frios. Sem sinal do mais baixo. Ele era como um tigre, ou um felino. Se escondia na escuridão e esperava a hora certa de atacar, porém havia algo de diferente daquela vez, Soobin já sabia dos truques de Jimin, de suas brincadeirinhas sujas, ele não cairía nelas mais. 


E quando menos esperava, já estava no final da floresta, de frente para o penhasco do esquecimento. Tão vasto, escuro, profundo. Diziam que quem se jogasse de lá estaria condenado a cair eternamente; caso prestasse mais atenção, os esperneios por socorro ainda poderiam ser ouvidos com nitidez. Bem, por lá o garoto não estava, precisava ir para outro ponto, não desistiria na primeira tentativa. 


Porém, ao se virar, teve a ilustre presença dele. Todos os pelos do corpo se arrepiaram e as batidas do coração falharam por um instante. Ele parecia mais assustador do que antes, tinha o rosto marcado por dizeres incompreensíveis; eles faziam parte da magia a qual ele utilizava? A figura ainda esboçava o mesmo sorriso de antes, deliciava-se com o medo do mais velho. 


Com os olhos brilhantes a luz do luar, famintos por destruição, encarou os olhos do guarda que já tinha as mãos enxarcadas de suor. Se aproximou ainda mais dele, deixando-o próximo da beirada do penhasco sem nem mesmo perceber. 


— Pois eu sempre estarei um passo a frente. 


Finalizou sua fala, assim sumindo de onde estava. Soobin direcionou seu olhar para trás, enxergando apenas escuridão, foi como ser cegado por algo; olhou para o chão e percebeu que ele não estava mais lá, e a partir daí ele apenas sentiu seu corpo despencar eternamente no vazio, no vácuo. 


Em questão de segundos, outros guardas se aproximaram de onde o general estava, percebendo-o parado na frente do penhasco do esquecimento, olhava para o horizonte incessantemente, o olhar morto; sem brilho. 


— General? — um dos guardas tentou chamá-lo, porém não foi respondido. — GENERAL! 


Ele tentou mais uma vez, não obtendo resposta. Nisso, os demais foram ver se ele estava bem. O arrastaram para um local distante daquela altura. Tentaram despertá-lo, sem sucesso no final. 


— Ele passou por aqui. 


Junghyun, o novato, proferiu, apontando para o chão e vendo o pentagrama marcado por uma queimadura viva na grama, tendo a compreensão dos outros ao direcionarem o olhar para o mesmo lugar. 


O problema agora era: Onde estava o responsável por aquilo? 



[𖤐]




O silêncio regia a casa de Jeon da maneira mais ensurdecedora de todas. 


O tempo parecia ter parado e apenas ele continuava sentindo ele correndo desesperadamente, fugindo. Era isso que ele queria no momento, fugir, correr desesperadamente, mas não iria. Precisava ser fiel a Taeyeon. 


Jungkook olhou para o corredor finito, escuro e que lhe causava arrepios apenas olhando para o tal. Tinha as mãos suando, a pressão mais baixa do que nunca e uma vontade louca de vomitar, porém não votaria atrás. 


Quando repentinamente o silêncio se quebrou com o ecoar de soluços vindos do quarto de seu pai. 


Merda. 


Ok, um passo de casa vez, Jeon pensou. Continuou a caminhar até o destino: seu quarto no final do corredor. Porém para chegar nele, precisaria passar pelo o do progenitor que mantinha a porta aberta. 


— Jungkook? — escutou seu pai chamando-o. 


Ele não reconhecia aquele tom de voz. Era diferente das outras crises. Antes, era triste e acabado, mas dessa vez tinha algo de estranho, algo de peculiar. O aperto no coração se intensificou e as coisas pareciam girar em torno dele. Tudo o que queria fazer naquele momento era morrer. 


Juntando toda a coragem que tinha dentro de si, respondeu.


— Sim? 


Logo se arrependendo de ter feito isso 


— Vem cá. 


Não, não, não, não. Ele não iria fazer isso, não mesmo. Estava louco? Não podia de forma alguma. 


Mas quando vira já estava na porta do quarto do mais velho. Seu pai estava sentado na beirada da cama, com um olhar escuro e cruel direcionado ao chão, mal conseguia reconhecer o próprio progenitor escondido naquela máscara que a loucura o proporcionara. 


Tinha alguma coisa diferente ali. Jeon sentia aquilo. 


— O-o que f-foi? — indagou com a voz trêmula. 


— Ah, olha só pra você. — o mais velho não respondeu a pergunta do filho — Tão parecido com a sua mãe. 


Isso era um mal sinal. Um péssimo sinal. Essa talvez fosse a hora de fugir de casa e correr para os braços de Taeyeon outra vez. Que ideia horrível fora aquela de enfrentar os medos? Com certeza nunca repetiria aquilo outra vez. 


— Sente-se aqui — Jeon escutou aquilo e sentiu vontade de chorar, chorar de pânico. 


Seu pai nunca o mandava fazer nada. 


— Não. 


Ele respondeu quase num sussurro. Teria mesmo de enfrentar aquilo aquela noite? 


— Você não me ouviu, docinho? — seu pai indagou — Sente-se aqui. 


Repetiu pausadamente, mas Jeon não atendeu ao seu pedido. 


— Não! — proferiu, firme e mais alto dessa vez. 


Os dois se encararam por alguns momentos, momentos mais longos do que pareciam. Quem era aquele homem? Com certeza não era seu pai. Seu pai era alguém simpático, inocente, as vezes um pouco lento para entender as coisas, mas não. Ele não era aquele homem a sua frente, não era e nunca seria. 


— Eu não vou fazer nada com você. 


Ok, ele não faria nada. E se ele apenas o queria por perto? E se aquele pavor todo fosse apenas uma construção da cabeça de Jungkook arquitetada pelo medo que morava dentro de si? 


Jeon considerou a última opção. Então, sem pressa alguma, caminhou até a cama com as pernas trêmulas e sentou-se na beirada dela ao lado do progenitor. 


Seu coração estava disparado, e aquela vontade de vomitar havia voltado. Parecia que tudo iria desmoronar a qualquer momento. 


Fazia tempo que não se sentia dessa forma, muito tempo, então desaprendera a lidar com esse sentimento. O que por um lado era bom e por outro era horrível, pois sempre ocorrerão recaídas, não importa o que aconteça, uma hora você terá de encarar de frente essa sensação outra vez e arcar com ela até que acabe. Dependendo de como você é, os vinte minutos que essa sensação permanece, podem se transformar em horas, dias, semanas. Te infernizando; infernizando sua mente e seu corpo. Te deixando doente. 


— Sabe o que eu mais gosto em você, meu filho? — o mais velho indagou. 


Jeon iria desmaiar a qualquer momento. 


—N-não — engoliu seco 


— O fato das suas pernas serem tão fartas quanto as da sua mãe 


Fodeu, passou-se pela cabeça de Jeon. Ele mal conseguia se mover por conta da sensação dentro de si. 


Ela parecia pesar, pesar mais do que quinze elefantes, o estagnando naquele colchão rijo e desconfortável. 


E ela apenas se intensificou quando Jeon sentiu a mão do homem ao seu lado passear por sua coxa. 


Seu pai nunca faria aquilo. 


Precisava sair dali imediatamente. 


Num pulo desesperado, Jeon levantou-se da cama e correu o mais rápido que pôde até seu quarto, fechando a porta e trancando-a. 


Jungkook se encontrava com as costas presas na porta, como se aquele gesto ajudasse a deixá-la mais forte. Com isso, podia sentir as pancadas que o progenitor distribuía nela. 


Varreu o olhar rapidamente pelo quarto, observando tudo o que poderia usar para manter aquela porta fechada; para que ele ganhasse mais tempo. Quando o olhar alcançou uma cadeira media constituída completamente por madeira, ele pensou "É isso ou nada". 


Aquela era uma das vantagens de ter um quarto tão estreito, tudo ficava mais próximo de você, então numa fração de segundos, ele conseguiu pegar a cadeira e apoiá-la abaixo da maçaneta da porta, rezando para tudo que fosse mais sagrado que aquela ideia não fosse falha. 


E, com o objetivo alcançado, conseguiu tempo para abrir a janela de seu quarto e sair por lá. A casa em que moravam não era alta, não possuía mais de um andar e janelas bastante largas. Quando mais novo, seu pai costumava deixar as janelas abertas quase sempre, apenas as fechava tarde da noite. "Um dia tão bonito desse, tão bem desenhado não merece ser tampado por um pedaço de madeira", dizia ele enquanto admirava as nuvens, parecendo se perder no meio delas. 


Pra onde ele foi? Pra onde aquele pai sábio e companheiro foi? O que acontecia com ele depois da meia noite? Por que justo naquela madrugada ele agia como outra pessoa? Por que ele parecia estar fora do controle? Não fazia sentido na cabeça de Jeon, definitivamente, não fazia. Ele precisava de alguma resposta, algo que o deixasse seguro. 


Jeon corria pelas ruas escuras, agora não tão cheias quanto quando havia saído da casa da amiga. As lágrimas quentes e desoladas escorriam pelas bochechas lisas do garoto, sentia o coração acelerado e tudo o que pensava era em sair de lá o mais rápido que possível. A brisa gelada batia em seu corpo, porém ele nem conseguia senti-la, tudo estava tão rápido, tão confuso que o próprio corpo se anestesiava de estímulos externos. 


Não sabia para onde ir, não tinha um destino em mente. Pensara em voltar para a casa de Taeyeon, mas ao mesmo tempo não queria preocupá-la, ela já tinha problemas demais, e seria muito ruim de sua parte se tornar mais um deles. 


Jeon avistou um beco entre um bar e uma farmácia, era vazio, escuro. Em uma noite comum, simplesmente passaria reto daquele ponto, até mesmo mantendo distância para evitar possíveis confusões. Porém aquela não era uma noite normal, precisava de tempo para processar o que tinha acabado de acontecer e se iria ou não refugiar-se nos aposentos da amiga. 


A respiração completamente atrapalhada, as mãos geladas e o coração batendo fora de si; estava acabado. Quando chegou em uma distância relativamente próxima a do muro rochoso, desmoronou no chão, apoiando as costas na superfície áspera, tentando recuperar o fôlego perdido. Porém não conseguia. 


Parecia que todo o oxigênio do mundo havia sido roubado e ele estava preso dentro de um vácuo. Estava ofegante, tentando verdadeiramente sair daquela situação. 


Ainda sentia as lágrimas escorrendo pelo rosto, elas não paravam; elas caminhavam sozinhas, na própria constância, sem se preocupar com Jeon. Sem se preocupar se era aquilo que ele queria. Sentia-se fora de si, fora do próprio corpo, os tremores ainda o regiam. Parecia mais fraco, até um pouco zonzo. 


Os olhos alcançaram o braço esquerdo, tendo a visão de um machucado completamente molhado por sangue. 


— Merda. — comentou, olhando para os lados não vendo mais ninguém a sua volta. 


Nisso que dava se jogar de qualquer jeito num muro de pedras. 


Ele fechou os olhos por longos instantes, processando tudo o que acontecera. Repetindo aquela cena em sua mente para si mesmo, sentindo-se sujo, sentindo a culpa envolver seu inocente coração de vidro. Já havia se sentido daquela forma antes, mas não tão intensamente. 


Até que se lembrou de algo. Pendurado no próprio pescoço, lá estava o colar de sua mãe. Lembrou-se de horas mais cedo quando vasculhava o porão, em busca de algo pertencente a sua progenitora e achando uma caixa não descartada lotada por coisas dela. Lembrou-se do sorriso que surgiu em seu rosto quando encontrou uma das cartas da moça; sua mãe tinha um costume de escrever cartas para ela do futuro. Guardava elas e dizia que um dia lá na frente iria lê-las outra vez e recordar-se de como se sentia, do que pensava da forma qual agia. 


O menino achava aquilo muito estranho; não entendia. Por que ela do futuro iria querer saber de coisas passadas? Por que ela queria ficar guardando pensamentos antigos, pensamentos velhos que não valiam de mais nada depois de um tempo? Uma vez ele a perguntou o motivo das cartas


— As vezes precisamos voltar no passado para lembrar de quem nós somos, de onde viemos e como éramos. Essas cartas são só um atalho para quando eu me perder, um atalho para me fazer relembrar de minha essência e me encontrar outra vez. 


Mesmo assim não entendia. Não entendia o que ela queria dizer com "se perder" ou "se achar", mas sabia que um dia, quando fosse mais velho, talvez entenderia o que aquilo queria dizer. Porém ainda não achava sentido, talvez precisasse de alguém que já tivesse se perdido e se achado muitas vezes para ensiná-lo como voltar para si, voltar ao seu corpo e a quem ele era de verdade. 


Talvez fosse disso que precisasse: se encontrar outra vez.  


Quase todas as sensações estranhas que tomaram conta de si haviam-no abandonado, apenas continuava com as lágrimas nos olhos, pois se lembrara da progenitora. Percebera uma saudade maçante que nunca parara para pensar no espaço absurdo que ela ocupava, no quanto ela pesava em si. No quanto ela o prendia. 


Ele apertou a pedra azulada do colar nas mãos, apertando as pálpebras e franzindo o cenho.


— Me encontrar. — disse para si mesmo. 


A alternativa de voltar para a casa da amiga não parecia tão ruim quanto antes. As vezes ele precisaria de alguém para se apoiar, e não tinha problema nisso. Mas ele ainda não entendia, ainda pensava que precisava enfrentar tudo sozinho ou evitar as coisas para que elas sumissem. 


Levantou-se daquele chão frio e decidiu seu novo destino, a casa de Taeyeon. 


Não havia problema em demonstrar fraqueza as vezes, desde que você conseguisse se fortalecer depois. 


No caminho para casa da amiga, foi pensando nas atitudes do progenitor. Achou aquilo tudo muito estranho, normalmente, nas crises no meio da madrugada, ele apenas chorava alto e por vezes soltava um berro ou dois, mas nunca, de forma alguma encostava nele. Nunca o agrediu durante uma e nem sequer assediou-o no meio das alucinações. 


O motivo de não querer voltar para casa era não aguentar a pressão de ver o próprio pai mal e não poder fazer nada sobre isso. O medo real regia na sensação de incapacidade que ele sentia toda noite e o atrapalhava a dormir. 


Pelo menos na casa de outra pessoa, ele conseguia mudar o foco da noite. Ele conseguia evitar que aquela sensação voltasse. 


O problema de Jeon era esse, se sentia responsável por tudo e todos, então quando algo saía dos trilhos, ele se martirizava. 


Mas tinha algo de estranho acontecendo com seu pai naquela madrugada. Alguém dentro dele que era movido pela maldade, na intenção de lhe machucar, de lhe traumatizar, de fazê-lo parar. 


Havia alguém controlando a mente vulnerável de Jeon Dong-yul durante a noite. 



Notas Finais


Quem é vivo sempre aparece nékkkk

Oizinho! Ok, o que vcs tão achando da história? Tipo, eu sei que tá meio cedo pra perguntar isso, mas gostaria de receber alguns feedbacks diferentes, até mesmo pra saber no que que eu tenho que melhorar, sacaram???

Outra coisinha, eu sou um pouco "lenta" para escrever, digamos assim, então não garanto atualizações tão frequentes, mas também não demoro anos para att, ok?

Eu só preciso de um tempo pra processar as coisas e colocar de uma forma coerente no papel.

Até uma próxima vez 🖤


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