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História A Psicopata - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo Dois


Sentia um ódio tão grande que bufava. Os passos eram rápidos pela grama recém aparada. Os olhos negros estavam na figura que encontrava-se de costas, sentada no banquinho debaixo da árvore. A pasta na mão sofria sua fúria, enquanto ele apertava a alça de couro.

Ao se aproximar, jogou a pasta sobre o banquinho com violência, o que fez a mulher se sobressaltar, soltando um pequeno ofego, olhando-o com os olhos esbugalhados. Tomada pelo susto, ela inclinou o corpo para, trás.

- Como fez aquilo!? - ele estava furioso.

- Bom dia para você também. - resmungou, arrumando a postura e passando a mão nos cabelos que se encontravam presos em uma trança lateral.

- Diga, Sakura, como matou aquele homem!? - exigiu. Manteve-se de pé o tempo todo. Não queria mais saber dos joguinhos dela.

- Você por acaso está ficando maluco, querido? - franziu o cenho, olhando para ele com ironia - Eu nem sai deste lugar.

- Não brinque comigo, Sakura Haruno. - apontou o dedo para ela - Como você sabia sobre a morte daquele homem? Como fez isso? Tem alguém sob seu comando, não é?

- Hun... - deu de ombros e deu leves batidinhas no espaço vazio do banco - Por que não senta? Está um belo dia para aproveitar a brisa.

Ele a encarou com raiva. Sakura estava tão tranquila que chegava a ser irônico. Esfregou o rosto com as mãos e depois as deslizou pelos cabelos. Como podia? Como ela conseguia fazer e agir daquele jeito?

Deu as costas para a Haruno, respirando fundo. Precisava manter a calma, precisava muito manter a calma ou ela iria guiar aquela conversa da mesma forma que guiou o dia anterior. Fechou os olhos por breves segundos, passou a língua entre os lábios e girou nos calcanhares, encarando-a. Sakura permanecia do mesmo jeito, olhando para ele com um pequeno sorriso nos lábios e com a mão sobre o espaço vazio.

Em total silêncio, ele pegou a pasta, sentou no banco, abriu a pasta, tirou o gravador de lá e colocou a pasta no chão encostada na árvore, ligando o gravador e olhando para Sakura.

- Que seja do seu jeito então. - respirou fundo.

- Não há "meu jeito", Sasuke. - deu de ombros, olhando para o gravador e depois para o céu - Há apenas uma conversa. Já lhe falei que me sinto muito só aqui.

- Sobre o que quer conversar hoje? - colocou o gravador no colo e a encarou.

- Hun... - ela voltou os olhos para ele e inclinou a cabeça para o lado, pensando. Se passaram alguns segundos até que ela voltasse a falar - Sei lá... diga-me você... Mas sem ser esses assassinatos chatos. - rebateu quando ele abriu a boca.

Sasuke ficou olhando-a tentando pensar melhor. Certo, ele era um psiquiatra, precisava agir como um e deixar o emocional de lado. Passou a língua entre os lábios, suspirando.

- Tudo bem... - murmurou - Conte-me sobre sua vida.

- Minha vida? - franziu o cenho.

- Sim. Eu sei tão pouco sobre você. - deu de ombros - Fale-me sobre sua infância, por exemplo. Como eram seus pais, como foi sua vida, escola...

- Ah. - ela sorriu, meneando a cabeça. Os olhos verdes foram para a frente, pensativos enquanto ela refletia, lembrando. Sasuke percebeu ela olhando para a memória visual e depois para a auditiva - Eu tive uma infância comum, Sabe?

- Continue. Desde quando você lembra. - incentivou. Já que Sakura não se abria sobre o assassinato com facilidade, então ele iria buscar a origem do problema e aos poucos, a traria para a atualidade.

- Acho que minha memória mais antiga eu tinha em torno de dois, três anos. - pensou um pouco - É... acho que era isso. Eu estava brincando com minha mãe.

- Você gostava de brincar com ela?

- Não sei ao certo. - franziu o cenho, tentando lembrar, mas então deu de ombros - Acho que era conveniente. Eu não tinha nada para fazer, então brincava com ela para passar o tempo. - olhou para ele e deu um sorriso - Acho que é isso.

- Certo... E seus pais, como eram?

- Meus pais... - desviou brevemente os olhos dos dele e então voltou a olhá-lo - Eu tive pais maravilhosos. - suspirou, olhando para o céu.

- O que aconteceu com eles? Diga a verdade.

Ela ficou em silêncio e apenas olhou para ele. Apesar de estar séria, os olhos dela eram pura ironia.

Levou cinco segundos para Sasuke entender.

Estavam mortos.

Mas não queria acreditar no que havia constado. Não era capaz de realmente acreditar que...

- Você os matou. - aquilo não foi uma pergunta.

Sakura balançou os ombros e suspirou, fazendo beicinho. Ela mexeu com as mãos, mas nunca sem desviar os olhos dos dele.

- Eu não matei ninguém, Sasuke. Se você pesquisar no meu histórico familiar, vai saber que fui enviada para uma casa de recuperação e minha mãe para a prisão.

- Como aconteceu? - permaneceu sério. Queria levar ela por essa linha e estava conseguindo.

- Hun...  - mordiscou o lábio inferior, buscando mais uma vez na memória - Eu tinha por volta de dez anos... Não, eu tinha onze... Sim, onze! - sorriu orgulhosa pela lembrança - Minha mãe descobriu que meu pai a traía. Você acredita nisso? - o olhou com as sobrancelhas arqueadas - Ele a traía com a vizinha.

- Deve ter sido muito difícil para sua mãe... e para você, suponho. - tentou parecer solidário.

- Para minha mãe, sim, mas para mim não fez diferença. - deu de ombros - A questão é: minha mãe ficou tão abalada, tão decadente, coitada... Ela estava destruída, mas não conseguia deixar meu pai, só que pouco a pouco ela era consumida pelo abismo... Até que eu completei doze anos. - ela olhou para frente, encarando a bela fonte onde jorrava água. Era uma fonte de pássaros - Meu pai tinha chegado mais tarde. Tava com a amante dele, minha mãe deduziu. Ela ficou tão enlouquecida que eles começaram a discutir. Até que minha mãe começou a dizer que seria melhor se ele morresse.

- Como ela o matou?

- A noite, enquanto ele dormia. - ela ainda olhava para a fonte, lembrando - Já era tarde da noite e minha mãe chorava muito. Ela estava em meu quarto tentando me fazer dormir, mas eu não estava com sono. - voltou os olhos para ele, levemente chateada - Como poderia dormir com ela chorando tanto? Estava tirando meu sono!

- E você só queria dormir. - murmurou.

- Óbvio! - revirou os olhos - No outro dia eu teria prova, não queria reprovar apenas porque passei a noite acordada ouvindo as lamúrias dela. - deu de ombros - Então ela começou com aquela história de que queria que ele desaparecesse, que morresse. E eu já estava tão cansada daquilo que falei para ela matar ele.

- Assim?

- É. - deu de ombros novamente, encarando-o - Ela ficou me olhando por algum tempo me achando maluca, claro, mas então eu disse a ela que ninguém a julgaria, afinal, ela estava apenas defendendo-se de um homem mal. Que a fazia mal. Que a batia e a humilhava...

- Seu pai realmente fazia isso? - franziu o cenho, lamentando pela mãe dela.

- Não! Claro que não. - bufou, revirando os olhos - Mas ela precisava de um alibi, não é?

Sasuke estava chocado. Ele queria chamar ela de doente, mas precisava manter-se impassível.

- E então? - preferiu investir naquilo, mesmo que seu interior estivesse em choque com a frieza de Sakura. Como aquela mulher o havia enganado tão bem?

- Então ela me deu um beijo na cabeça, me desejou "boa noite" e saiu do quarto. - ela desviou o olhar, pensando por um tempo e então seu cenho franziu - Depois disso só lembro de acordar com a polícia na minha casa. Meu pai estava morto e minha mãe estava sendo levada aos prantos. - suspirou, voltando os olhos para ela - O problema é que ela não tinha preparado o alibi com precisão e um tempo depois descobriram que ela havia esfaqueado meu pai enquanto ele dormia e que ele nunca a havia feito nada de errado, a não ser a traição, claro.

- Então você foi enviada para um parente cuidar.

- Fuii, mas eles eram tão terríveis. - fez cara de nojo - O desgraçado do filho mais velho do meu tio abusou de mim. - resmungou, olhando-o com firmeza.

Sasuke sentiu a bili lhe subir pela garganta, mas ele a engoliu. Olhou nos olhos de Sakura percebendo que aquilo a machucava. Aquela lembrança lhe era dolorosa, mas não uma dor de medo, mas sim de remorso, de nojo.

- Continue...

- Então, depois da quarta vez, eu decidi que era hora de parar. Ele nunca me ouvia, eu o mandava parar e ele continuava.

- Você... contou para alguém? 

- Não. - balançou a cabeça - Eu tinha quatorze anos e já tinha entendido como a vida funcionava. Então esperei outra visita dele, e ela aconteceu... - Sakura olhou para o lado, lembrando e nesse momento, Sasuke viu um sorriso irônico surgir nos lábios dela - Mas dessa vez, eu estava preparada. Esperei ele subir, esperei pacientemente ele entrar e se deleitar sobre mim... Até que ele se perdeu... chegou tão perto do orgasmo, mas eu puxei a faca debaixo do travesseiro e cravei em seu peito. - com um suspiro satisfeito, ela fechou os olhos, sorrindo de prazer - Ainda sou capaz de sentir o sangue dele escorrendo pela faca e pingando sobre meu peito. 

Com sutileza, ela ergueu a mão e tocou no seio direito, suspirando de forma profunda. O Uchiha achou aquilo tão doentio e macabro que respirou profundamente de maneira discreta, tentando não formar a imagem em sua cabeça.

Manter-se profissional. Era o mantra que ele ecoava na própria mente, tentando não se perder no mar de emoções.

- E você se livrou porque era uma garotinha sendo abusada pelo primo que agiu em legítima defesa. - concluiu, engolindo um gosto amargo.

- Sim. - abriu os olhos, encarando-o - Alguns minutos depois comecei a gritar desesperada, ainda com ele em cima de mim, claro. Testemunhas são importantes nesse momento. - deu uma piscadela orgulhosa com o próprio feito - Então vinheram minha tia, meu tio, meu primo mais novo e a empregada que dormia lá naquela noite. - ela passou a língua entre os lábios - Você precisava vê como tudo se desenrolou, Sasuke. Foi tão... - suspirou com os olhos brilhando - Enfim... Fui mandada para uma casa de recuperação. - bufou, revirando os olhos - Tédio, tédio e mais tédio.

- Imagino que sim. - pigarreou, corrigindo a postura - O controle nesses lugares são bem intensos.

- Realmente são, mas não são 100%. - deu de ombros - Quando se faz amizade com as pessoas certas, tudo fica mais fácil.

- Conte-me sobre isso.

- Bem... - ela desviou o olhar, lembrando novamente. Sasuke viu feições de nojo, tédio, satisfação e então prazer passar pelo rosto dela - Eu tinha quinze anos... estava cansada daquele lugar e precisava me aventurar um pouco. Foi quando conheci o Antonio. - Sakura fez um biquinho, sorrindo - Ele tinha dezessete, estava perto de completar os dezoito e doido para sair dalí. Ele era bem bonito, sabe? Fazia muito sucesso com as meninas, mas bem, eu não sou um apessoa feia, não é? - olhou para ele com um sorriso irônico nos lábios.

- E...?

- E... que ele era doido pra ficar comigo, então pensei que, se eu ficasse com ele poderia fugir. O Antonio já tinha planejado para onde iria, então pensei que poderia ir junto. Daí comecei a dar bola para ele. - bufou, revirando os olhos com ironia - Vocês homens são tão patéticos, querido... - ela levou uma mão à boca, ofegando - Ah, desculpe, Sasuke... Diferente deles, você não é um escroto.

O Uchiha estreitou os olhos para ela. Controlando ao máximo a raiva que sentia. Passou a língua entre os lábios e de forma discreta, fechou uma mão em punho, controlando-se.

- Então vocês se envolveram...

- Ah sim. - meneou a cabeça de forma positiva - Não foi tão difícil, a não ser pelo sexo terrível que ele fazia. Além de eu ter que chupar aquele pau horrivel dele toda vez. - ela murmurou, fazendo careta logo em seguida - Mas funcionou. Quando ele ficou maior de idade, eu fugi junto. - sorriu como se fosse óbvio.

- Entendo. - pigarreou novamente. Era muito estranho ouvir Sakura falando aquele tipo de coisa, daquele jeito - E então...

- Ah... - ela desviou o olhar e então olhou para o relógio no pulso dele - Infelizmente vamos ter que deixar essa história para sua próxima visita. - sorriu, indicando o relógio no pulso dele - Veja as horas.

Ele ergueu o pulso, olhando: 14:30. Os olhos negros voltaram para ela já nublados pela raiva.

- Não me diga que...

- Às 15:00. - inclinou a cabeça para o lado e lançou um beijo no ar - Ainda há tempo.

Sasuke manteve-se calado por alguns segundos. Não conseguia acreditar. Estava começando a ser consumido pelo ódio novamente. Outra pessoa iria morrer? Não, não podia! Agora ele tinha tempo, de fato. Iria impedir aquele assassinato e com sorte, pegaria o ajudante dela.

Em silêncio, Sasuke ficou de pé, desligou o gravador, pegou a pasta e o guardou. Lançando um último olhar para Sakura, ele engoliu em seco em puro desprezo.

- Se alguém morrer...

- Até amanhã, querido. - acenou.

O Uchiha apenas deu as costas e começou a caminhar pela grama, pegando o telefone e ligando para a polícia para passar a informação. Já Sakura, suspirou profundamente, voltando a olhar para o céu, vendo as nuvens passarem lentamente.



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