1. Spirit Fanfics >
  2. A pulseira de contas >
  3. O aluno transferido

História A pulseira de contas - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Bom dia, boa noite, boa tarde ou boa madrugada. A JÚPITER VOLTOU!
Bem gente, antes de tudo eu gostaria de deixar alguns avisos aqui:
1- Eu pretendo postar pelo menos um capítulo por mês, mas não posso garantir que postarei mais de um (e talvez tenha algum mês que eu tenha que deixar de postar) por conta de eu estar na faculdade e, para quem não sabe, é muito puxado, ainda mais agora na quarentena (e eu não devia estar procrastinando, mas é impossível evitar).
2- Talvez algo nesta fic, em algum capítulo, seja gatilho para alguém - nunca se sabe. Esta não é minha intenção, mas caso alguém perceba gatilhos, bem sintam-se avisados.
3- Esta história, por eu não poder garantir que postarei todos os meses, estou fazendo questão de deixar os capítulos grandes para que vocês possam aproveitar mais. Creio que este mês eu consiga postar mais um capítulo ainda nessa semana ou na próxima, mas não garanto nada.
Enfim, sem mais enrolações, aproveitem a fic.
Boa leitura ^^

Capítulo 1 - O aluno transferido


17 de março de 2014

 

O som do ventilador e os muitos corpos correndo ao redor da escola eram o suficiente para tirar o resto de concentração que Mingyu tinha no diretor explicando incessantemente sobre a maravilhosa escola que ele dirigia e o quão prestigiado e aplicado era o ensino deste lugar. “Claro que todos os diretores sempre falam isto”, o jovem, “mesmo que todos saibamos que há mais corrupção e injustiças do que se é explanado para todos”.

-Na nossa escola você encontrará os melhores profissionais da educação, todos formados pelas melhores universidades da nossa nação. –“Quantas vezes já ouvi isto mesmo? “ – E os alunos também são excelentes, todos preocupados com o futuro. –“Como se isso realmente fosse verdade” –Além de o prédio ter sido muito bem arquitetado com a melhor estrutura interna e externa de toda Seul. –“Antes de me transferir para cá não era isso o que a diretora do outro colégio dizia? “

-De qualquer modo, você absolutamente não se sentirá desconfortável neste colégio. Mas, claro, se imprevistos vierem a ocorrer, não hesite, venha me procurar ou a um professor responsável. –Ao perceber que o olhar do diretor Song voltou a se recair sobre o jovem, Mingyu desviou sua atenção para a janela focando-se nele.

Sorriu calorosamente para o mais velho tentando demonstrar afeto e interesse. O senhor Song pareceu satisfeito, então levantou-se de sua cadeira e indicou que o Kim também o fizesse, guiando-o até a porta.

–Bem, faltam pouquíssimos minutos para a aula começar. –Ele abriu a porta e deu passagem para o mais novo. Depois chamou um homem que estava aparentemente cansado, encostado na parede do outro lado da diretoria. –Kim, este é o professor Cha Himchan, ele será o professor responsável pela sua turma durante este ano.

O homem que se aproximava era alto e magro, o rosto marcado por olheiras fundas e a barba por fazer. O cabelo completava a imagem de malcuidado que o homem exibia, com fios oleosos aparentemente penteados com pressa. “O completo oposto do que se espera de um professor com todas as qualidades que o diretor Song fez questão de exibir”, Mingyu analisou.

-O senhor Cha o acompanhará até sua sala. –O sorriso caloroso do diretor nunca desaparecia de seu rosto. Nem mesmo a aparência do professor parecia incomodá-lo. –Bem, tenha um bom dia de aula.

Dito isto ele se retirou para sua sala, deixando o professor e o aluno sozinhos na diretoria.

-Vamos. –Chamou o professor já caminhando.

Se não fosse o fato de que ele havia sido apresentado ao professor pelo diretor, o Kim tentaria decifrar se ele é algum secretário ou zelador da escola. Talvez o pai de algum aluno, mas definitivamente não um professor.

-Como o diretor Song disse antes, sou o professor Cha Himchan, responsável pela sua turma. –Até mesmo a voz e o jeito de falar daquele homem demonstrava desânimo. Era como se ele estivesse sendo forçado a falar, emitindo uma voz lenta e rouca. – Eu dou aula de sociologia. –Então ele parou o que estava dizendo para dar um longo bocejo. Por um momento Mingyu ficou realmente preocupado com a saúde do professor. “Será que ele, pelo menos, dormiu esta noite? ”- Você veio de onde mesmo é...?

-Mingyu. Kim Mingyu, senhor. –Completou o mais novo.

-Ah sim. Mingyu, de onde veio?

-Estou morando em Seul há quatro anos, professor, mas estudava no colégio Suwon. –Mingyu respondeu. –Me mudei para este bairro, recentemente, então tive que trocar de colégio.

-Entendo. –Respondeu o homem com sua voz de cansado.

E esta foi toda a conversa estabelecida por eles no caminho a sala de aula. Assim que chegaram a uma sala barulhenta com um retângulo branco escrito “2-A” pararam de caminhar. O professor pediu para que ele esperasse um pouco lá fora enquanto o mesmo entrou aquietando a turma e dizendo algumas palavras que o Kim não teve a mínima vontade de prestar atenção.

Ao perceber que o professor o chamava, Mingyu entrou na sala de aula apinhada de gente, quase todos com os olhos curiosos bem abertos seguindo o jovem.

-Por favor, se apresente. –Pediu o professor.

Mingyu se curvou brevemente para os alunos a sua frente, antes de falar.

-Sou Kim Mingyu, vim do colégio Suwon e eu gosto muito de esportes e arte. –Começou o aluno novo lembrando-se de todas as antigas apresentações que fizera para cada colégio novo que estudou um dia. –Espero que possam me acolher e que possamos nos dar bem.

Ao final da apresentação, Mingyu sorriu gentilmente para os novos colegas de sala tentando passar um ar amigável. Sussurros e cochichos começaram a ecoar pelo ambiente, todos abafados demais para que o moreno conseguisse distinguir alguma palavra.

-Muito bem, pode se sentar na frente do senhor Lee. –Disse o professor, apontando para a penúltima carteira na segunda fileira. Mingyu se encaminhou até ela sendo recebido com um sorriso brilhante da garota que se sentava a sua frente. –Agora, todos abram seus livros na página número 85. Hoje vamos estudar sobre a cultura do consumismo e o consumismo desenfreado nos meios...

Então a mente do jovem já começou a divagar. Ah como Mingyu gostaria de poder se sentar em uma das carteiras ao lado da janela, assim poderia aproveitar a vista. O máximo de vista que Mingyu pode aproveitar é o forte azul do céu brilhando alegremente pela janela. Nem as nuvens parecem querer visitar o céu naquele dia.

Com um suspiro Mingyu voltou a observar o quadro negro, mas sem prestar atenção. Viu os dedos ágeis e esguios do professor deslizando vez ou outra pela lousa, contudo a maior parte do tempo ele apenas lia um texto que estava naquele tal livro.

A voz do professor, apesar de rouca e cansada, ainda era agradável de se ouvir. Mingyu decidiu adotar a voz do professor como “fundo musical” para seus devaneios.

Mas ele não era o único a achar a voz do professor deliciosa de se ouvir. Metade da classe, agora, dormia enquanto o professor apenas prosseguia sua aula focado no livro – ou apenas ignorando os alunos que, aparentemente, devem sempre fazer isso.

 

O resto das aulas transcorreram normais. Duas aulas de literatura antes do primeiro intervalo e, ao que um belo e colorido quadro afixado na parede dizia, após o primeiro intervalo terão aula dupla de matemática e mais uma aula de sociologia, depois o segundo intervalo teriam aula de química, física e língua inglesa – além do yaja* opcional.

Finalmente a sineta tocou indicando um breve intervalo para os alunos, que se levantaram apressados antes mesmo do professor encerrar seu discurso. Um pouco sonolento e entediado, Mingyu se levantou para dar uma breve esticada, desanimado por não ser a sineta que indicava término do período de aulas.

-Entãooooo... Mingyu!!! –De repente uma voz extremamente alta e melodiosa soou por toda a sala enquanto um braço pesado caía sobre o corpo de Mingyu, assustando-o. –Wow, colégio Suwon, hein. Você deve ser um riquinho daqueles.

Apesar de a frase ter parecido um tanto quanto ofensiva, o tom que seu orador exibia era de extrema admiração e animação. Mingyu, apesar do contato indesejado e da conversa repentina, não conseguiu se sentir irritado. Pelo contrário, se sentiu um pouco mais energizado e até mesmo acolhido.

-Eu não sou riquinho. –Negou o moreno. –Eu ganhei uma bolsa de estudos para aquela escola. Era a mais perto da minha casa até me mudar para cá.

Então Mingyu finalmente se virou para observar quem o encarava. O rapaz que o fazia era alto, mas não tanto quando ele. Seus cabelos eram cor de caramelo e sua pele levemente bronzeada, pouco menos que a sua. Para um jovem de sua idade, até que aquele garoto era bonito e, curiosamente animado demais.

-Nooossa, que incrível. –Exclamou o outro. –Você deve ser realmente inteligente. Vai me passar cola nas provas de ciências, não vai?

Mingyu riu nasalmente, divertindo-se com o moreno enérgico ao seu lado. E ele não era o único a se divertir com esta cena. Mingyu reparou, então, que três meninas se aproximavam deles dando risadinhas animadas.

-Deixa o menino em paz, DK. –Comentou uma delas, a mais baixinha, tendo quase trinta centímetros a menos que o Kim, seus olhos eram castanho claros e ela era um tanto gordinha, mas muito fofa com àquela altura e cabelos curtos. Ela poderia se passar por aluna do fundamental numa boa que ninguém descobriria a mentira. –Ele mal chegou na escola e já está tentando força-lo a te ajudar a passar de ano.

O tal DK, ainda agarrado ao moreno, fez um beicinho fingindo desanimo, mas logo voltou a se reanimar.

-Ah, deixa disso Nana. Quanto mais cedo melhor. –Comentou DK. –Não é mesmo, Mingyu?

-Hã... é? –Ele não sabia o que dizer.

As meninas riram novamente, se divertindo com a reação – e apreciando a beleza física – do Kim. Logo, a mais magra das três – ao qual Mingyu reconheceu como a garota que sentava a sua frente – se pronunciou:

-Vamos gente, estamos assustando-o. –“A mais sensata”, pensou Mingyu. –Nem nos apresentamos ainda. –Então, decidida, a garota se apressou para o Kim, estendendo sua mão direta para o mesmo. –Sou Nam Misuk, mas pode me chamar de Nami.

Mina era uma jovem muito magra, chegava a ser esquelética. Seu rosto era tão fino quanto seu corpo e seus cabelos cor de petróleo eram as únicas coisas que disfarçavam um pouco sua magreza.

O moreno sorriu para a mesma e pegou em sua mão murmurando um “prazer”. As outras meninas se apressaram a correr para se apresentarem também.

-Sou Kim Nabi. –Disse a menina baixinha de antes, estendendo a mão para ele, que logo a apertou também. –Mas me chame de Nana.

-E eu sou a Jung Miok ou Jung Megan, pode me chamar como preferir. –A terceira menina parecia vir do exterior. Seus olhos eram puxados, mas nem tanto e seu cabelo era naturalmente loiro escuro com ondas volumosas ressaltando bem a sua pele clara. –Prazer.

-E eu, -O tal DK finalmente largou Mingyu prostrando-se à frente do mesmo com ar exibicionista tirando toda a atenção que Mingyu tinha sobre Megan (ela era muito bonita, não podia negar) – Sou Lee Seokmin, seu palhaço e amigo para todas as horas. –Ele sorriu, o sorriso mais brilhando e maior que qualquer sorriso que Mingyu já vira um dia.

O moreno sorriu satisfeito e contente. Mal chegara na escola e já fez amigos, além de ter sido recebido calorosamente por pessoas que aparentavam ser as mais legais que ele poderia conhecer, e o melhor de tudo é que ele nem precisou se esforçar para isso acontecer.

Um diálogo divertido começou a se estabelecer entre os cinco meninos, que conversavam animadamente sobre o “idiota” do DK – como Mina gostava de chama-lo – e sobre a vida no colégio Suwon. Estavam se divertindo tanto que nem perceberam a hora passar, quando deram por si a sineta já havia tocado e era hora de voltar aos lugares, mas antes de isto acontecer, um menino fofo e baixinho apareceu a porta chamando a atenção do grupo.

-Ei, meninas, o jornal da semana acabou de sair. –Anunciou o garoto com sua voz levemente aguda e um pouquinho rouca, balançando um pedaço de jornal em suas mãos.

As meninas correram aos gritinhos até ele, animadas com o pedaço de papel em suas mãos. O garoto entregou o jornal para elas com a mesma animação que o professor de sociologia estava naquela manhã, antes de se voltar com um olhar furioso, completamente diferente do desanimo anterior, para o moreno ao lado de Mingyu.

-DK, seu idiota –“Ah, então é por isso que ela gosta de o chamar assim”, pensou Mingyu. –Você disse que ía tentar tirar as fotografias para o jornal, mas nunca compareceu a nenhuma reunião do clube desde então. –Ele bufou, mais bravo ainda quando DK sorriu envergonhado. –Francamente! Precisei tirar Minghao de seu Yaja para que ele fizesse o trabalho das fotografias que era para você ter feito.

-Hehehe, foi mal Woozi. –Desculpou-se o moreno. –Prometo que vou participar do clube esta semana.

-É bom mesmo, pois se não o fizer, eu tirarei seu nome da lista e direi para o professor Cha que você não está fazendo nem Yaja nem participando de algum clube. –Ameaçou o baixinho, parecendo mais fofo ainda aos olhos do Kim.

Assim que o garoto baixinho terminou sua frase, uma professora bem idosa entrou na sala – talvez idosa até demais. Os alunos se ajeitaram rapidamente em seus lugares e o garoto, que antes estava na porta, desapareceu em um piscar de olhos.

-Quero todos sentados em seus lugares agora mesmo. –Imperou com convicção na voz, a mulher idosa. –Abram os cadernos, todos! Vamos resolver as tarefas de casa hoje.

-Merda! –Mingyu ouviu DK sussurrar a suas costas.

O tanto que o professor de sociologia parece não ser aplicado, esta professora com certeza deve ser.

 

As duas aulas de matemática pareceram durar uma eternidade. A professora – a qual Mingyu descobriu chamar-se Yang Gyeowool – ao descobrir que havia um aluno transferido na sala, especialmente vindo do Colégio Preparatório Suwon, decidiu testá-lo. Chamou-o à frente da lousa para que o mesmo resolvesse questões sobre funções trigonométricas. Mingyu resolveu todas com muito nervosismo e medo de errar e ser taxado como idiota pela professora e, pior, por toda a turma. Assim que errou uma conta básica na questão mais difícil, confundindo-se no resto da conta, a professora fez questão de reclamar o resto da aula. “Escolas preparatórias! “, exclamou a idosa. “Não passa de um nome bonito e prestigiado. O que realmente faz a escola são os alunos, não os professores que lá dão aula. Somente com alunos bons, o que não vem a ser o caso de vocês, que as escolas e a nação poderão seguir em frente”.

Era tanta reclamação que chegava a ser irritante e Mingyu deu graças a deus quando a sineta tocou novamente e viu o professor Cha entrar na sala novamente. O moreno tivera muitos professores rígidos como a professora Yang e odiou a todos. Seus métodos de ensino não lhe faziam sentir interesse algum nas aulas e, bem, mesmo que o professor Cha dê sono, Mingyu preferiria mil vezes assistir suas aulas o dia inteiro a ter que enfrentar aulas duplas daquela mulher novamente.

-Para a próxima aula, quero que vocês façam duplas e me preparem uma redação de, no mínimo, cinco páginas sobre a cultura do consumismo impulsivo e como ela tem afetado o planeta terra e os seres humanos. –O professor anunciou assim que a sineta tocou indicando o segundo intervalo, sendo seguido por exclamações irritadas e vaias (principalmente de DK) –Mingyu, você pode fazer trio, já que é novo aqui.

-Eu posso fazer com você, se quiser, Mingyu. –Ele se virou, vendo Megan se aproximar sorrindo para o moreno.

-EU TAMBÉM, EU TAMBÉM! –DK exclamou aos berros. Mingyu não pôde deixar de rir do desespero do mais velho. –Eu faço com vocês também.

-Ótimo. –Exclamou o professor, enquanto Megan revirava os olhos. –Então Mingyu, Miok e Seokmin são um trio.

-YEAH! –DK comemorava freneticamente sua sorte. –Aí, vamos logo ou não vamos conseguir comprar os salgados bons no refeitório.

-Podem ir na frente. Eu tenho que entregar uns papéis na sala dos professores. –Disse o moreno. Viu os meninos se retirando e seguiu o professor antes que o mesmo desaparecesse no corredor. –Professor Cha?

O mais velho seguiu seu caminho, deu uma bronca em um aluno que quase o acertara com uma bolinha de papel. Mingyu, então, apertou o passo, finalmente alcançando o professor.

-Professor Cha?

-Hã? –O mais velho virou-se, um pouco perdido.

Se antes ele parecia cansado, agora conseguiu superar seu nível de “sonolento” para “definitivamente acabado”.

-Preciso entregar estes papéis na sala dos professores. –Mingyu falou.

-Ah. –Ele exclamou fraco e logo continuou o caminho de antes. –Sim.

O professor Cha, seguido por Mingyu, desceu as escadas, virou à direita e seguiu até o fim do corredor. Abriu uma porta e entrou, ainda seguido pelo mais novo.

Mingyu, então, encontrou o professor responsável pelas papeladas que o senhor Song exigira mais cedo naquele mesmo dia. Entregou todas a ele e conversou por alguns instantes, respondendo a todas as questões que o mais velho tinha feito a ele.

Assim que terminou, foi até a porta da sala, então se lembrou de algo.

-Professor Cha? –Chamou mais uma vez, indo até a mesa do mais velho que escrevia alguma coisa em uma planilha no Excel. Quando o mais velho o encarou, Mingyu prosseguiu. –Hm... o senhor Song me disse que eu se eu quisesse conhecer a escola que eu precisava pedir ao senhor, que é nosso professor responsável. –Ele fez uma pausa, um pouco envergonhado. Até pediria a DK ou as meninas, mas não fazia ideia de onde eles poderiam estar agora e ainda lhe restava mais 30 minutos de intervalo, claro que não perderia tempo na sala de aula. –Ele disse que o senhor me apresentaria a escola.

O cérebro do homem pareceu levar quase dez segundos para processar e quando o fez, remexeu-se desconfortável em sua cadeira, consciente da perda de tempo que teria com o mais jovem.

-Ah, claro, claro. –Comentou, levantando-se de sua cadeira e indo rapidamente até a porta. –Deixe-me ver.... hm... WONWOO? Ei, Wonwoo, venha aqui por um momento. –Então ele voltou a olhar o Kim e, com um movimento leve de mãos, chamou-o para perto de si. –Este aqui é Jeon Wonwoo, seu veterano. –Apresentou ao mais novo. –Ele irá lhe mostrar a escola agora.

-Mas professor... –uma voz grave soou através da porta, mas logo foi interrompido.

-Me desculpe, mas eu estou muito ocupado agora. –Então, um pouco sem jeito (e, pelo visto, sem saber o que fazer) o professor deu um tapinha nos ombros de Wonwoo. –Você pode me fazer este favor?

Mingyu olhou o garoto a porta. Um jovem alto, mas não tanto quanto ele, com os cabelos tão escuros que pareciam pérolas negras brilhando com o reflexo do sol. Seus olhos eram belos, ressaltados por óculos de aros redondos que lhe garantiam uma aparência mais séria, combinando perfeitamente com seu corpo magro e esguio.

O mais novo não pôde deixar de o admirar. Aquele garoto, com certeza, deve fazer muito sucesso com as meninas. Ele também percebeu que seu veterando parecia um pouco incomodado com o pedido do mais velho.

-Tudo bem. –Ele disse simples, depois se virou para Mingyu sem modificar a expressão séria do rosto. –Vamos.

Ele não chamou, ele ordenou. Assim que o disse estava andando a passos largos (para ele). Para Mingyu não foi difícil alcança-lo, parecia que estava andando normal.

-Aqui no primeiro andar nós temos a sala dos professores, de onde acabou de sair. –Começou o garoto da voz grave. –Aqui é o depósito e aqui a armário do zelador. –Apontou para duas portas, uma do lado da outra, na mesma parede da sala dos professore. Atravessaram as escadas e, ainda no mesmo corredor, prosseguiram. –Aqui fica o laboratório seco... e molhado. –Disse respectivamente para as duas salas seguintes.

Viraram à esquerda e nem foi preciso que Wonwoo dissesse o que tinha ali para Mingyu saber o que era, mas ainda assim Wonwoo o fez.

-Aqui ficam os armários onde guardamos nossos sapatos e a entrada/saída no fundo. –Continuaram a caminhar, viraram mais uma vez e, antes que Wonwoo prosseguisse com sua apresentação, Mingyu o interrompeu.

-Olha, você parece que estava ocupado. –Comentou o mais novo.

-É, eu estava. –Concordou o mais velho.

O moreno não sabia distinguir se aquela era uma reação boa ou ruim. Wonwoo não parecia bravo ao dizer aquilo, mas tampouco parecia gentil.

-Tudo bem, não precisa me apresentar a escola então. –Continuou o mais novo. –Pode voltar aos seus afazeres. Eu posso pedir para um aluno da minha sala me mostrar a escola no fim da aula ou... sei lá, posso explorar sozinho. Não deve ser muito difícil descobrir quais salas são e o que tem em cada uma.

O mais velho o encarou, seu olhar penetrante tentando ler com curiosidade a mente do mais novo. Mingyu se sentiu um pouco intimidado, mas não era uma sensação ruim, era como se Wonwoo realmente possuísse interesse nele, o que não seria totalmente uma mentira. Para Wonwoo, tudo e todos são como estrelas em um céu: belas e feitas para serem vistas, apreciadas e compreendidas.

-Não, está tudo bem. –Quando Wonwoo voltou a reagir, foi uma reação, um tanto quanto lenta e calma, parecia até o professor Cha mais cedo. –Não é como se fosse algo realmente importante.

Então um silêncio se estendeu. Mingyu queria dizer que não precisava fazer isso, novamente, mas tinha medo de parecer inapropriado e grosseiro. E se Wonwoo entendesse que não queria que ele o apresentasse a escola, quando não tinha nada contra o mesmo? Poderia ficar magoado sendo que Mingyu apenas pensava em não atrapalha-lo.

-Então... –A voz baixa de Wonwoo voltou a soar. –Ali, no final do corredor, temos a diretoria. Você deve ter passado por lá hoje cedo.

-Sim, passei. –Concordou o mais novo.

-E aqui –Apontou para a porta a esquerda, ignorando o comentário do mais novo. –É a sala onde nos trocamos para as aulas de educação física. A que tem a porta com tinta descascada é a dos meninos.

Continuaram andando, passaram pelo banheiro e bebedouro. Wonwoo apontou para o pátio lá fora, explicando sobre os jardins e o trabalho de limpeza feito naquela escola. Mostrou a quadra de esportes, a sala de auditório e o, agora vazio, refeitório. Explicou sobre as comidas que serviam na escola, preços e os melhores horários para se chegar a fila.

Enfim subiram as escadas, apresentando-o as outras salas disponíveis no segundo e terceiro andar.

-No segundo andar ficam as salas dos primeiros e segundos anos. –Continuava Wonwoo. –Já o terceiro andar contém as salas de terceiro ano e as salas de arte, jornalismo, dança e música.

Finalmente pararam de andar. O mais velho olhou para os lados, com toda a atenção possível para o caso de estar perdendo mais alguma coisa que deveria mostrar para seu calouro.

-Bem, creio que isto é tudo. –Ele falou. Depois encarou Mingyu nos olhos novamente, o brilho de curiosidade atingindo suas pupilas e íris como fizera no primeiro andar. –Alguma pergunta?

O mais novo pensou bem. Sabia que logo o intervalo terminaria, mas também não queria deixar nada passar batido.

-Hm... –Pensou. –Não, acho que não. –Respondeu. –Bem, me desculpe por ter tomado seu tempo, hyung.

-Não precisa pedir desculpas. –Ele respondeu.

Então, sem saber mais o que dizer ou fazer, Mingyu sorriu para o mais velho e lhe estendeu a mão direita, dizendo:

-Muito obrigado por ter me ajudado, Jeon-Hyung.

O mais velho hesitou um pouco, ainda encarando os olhos do mais novo, mas logo estendeu a mão, pegou a mão do Kim e balançou-a levemente. Estava abrindo a boca para dizer um “não há de quê”, quando algo lhe chamou a atenção.

No pulso direito de Mingyu havia uma pequena pulseira com miçangas coloridas, cada uma de uma cor, formando perfeitamente as cores do arco-íris na sua ordem correta, envolta por uma espécie de cordinha fina da cor preta. Era tão delicada e simples, mas tão bonita e, de certa forma, atrativa.

Mingyu, sem perceber a reação do mais velho, estava prestes a puxar sua mão novamente, quando sentiu uma contração breve na sua. Wonwoo apertou sua mão rapidamente, encarando aquela pulseira. Seu olhar tão fixo que Mingyu podia jurar que perfuraria o acessório em seus braços.

Queria se manifestar e perguntar se estava tudo bem, mas algo no olhar do mais velho o fez parar. Ele estava hipnotizado, mais do que em qualquer momento daquele dia. Suas pupilas se dilataram e seus olhos queriam se arregalar, mas o mesmo parecia fazer uma força para se manter calmo.

-Hyung? –Mingyu chamou finalmente, um pouco preocupado que algo poderia ter acontecido com o mais velho. –Está tudo bem?

Mas o Jeon demorou um pouco para reagir.

-Ah... sim, sim. Estou bem. – Respondeu, finalmente tirando os olhos da pulseira e, para surpresa de Mingyu, sorrindo para ele. Um sorrido angelical e belo (até demais, notou o mais novo). –Bela pulseira.

Mas agora quem demorava para reagir era Mingyu que fissurara no sorriso do mais velho. Seus olhos novamente se encontraram, cada um passando o brilho um brilho caloroso e diferente para o outro.

-Muito... hã... muito obrigado. –Respondeu Mingyu.

Os dois continuaram a se olhar por alguns minutos, ou segundos. Não sabiam ao certo dizer quanto tempo passara, até que a sineta tocou novamente, assustando-os.

-Bem, então, eu vou para a minha sala agora. –Wonwoo se manifestou primeiro, vendo um grupo com muitos alunos passarem a sua frente. –Até mais, calouro.

Então saiu, ainda sorrindo. Sem respostas de Mingyu, que apenas observou-o se afastar por alguns segundos, o Jeon se perdeu entre dezenas de alunos.

Enfim, com um suspiro longo, Mingyu voltou sua atenção para a pulseira em seu braço. Com uma nostalgia e um pouco de tristeza, tocou aquele pequeno e frágil objeto em seus braços. Na mesma hora uma memória de muitos anos atrás, uma memória inocente e agradável encheu sua mente enquanto voltava a passos lentos para a sala com o letreiro 2-A.

Mingyu se lembrava perfeitamente do dia em que ganhara aquela pulseira, afinal, é difícil demais esquecer algo quando aquilo é precioso para você. É realmente difícil esquecer da pessoa que ocupou a primeira vaga em seu coração e que, seja onde estiver, Mingyu sabe que está à sua espera assim como ele tem o esperado.

Bem... pelo menos, assim ele esperava.


Notas Finais


*Yaja é o momento ao final das aulas ao qual os alunos tiram um momento para estudar sozinhos na própria escola. Isto, geralmente, ocupa quase a noite inteira deles e as escolas até costumam servir janta para eles. Antigamente costumava ser obrigatório em todas as escolas, mas atualmente muitas escolas, princípalmente públicas, não obrigam mais que os alunos o façam.

Bem, por hoje foi isso. Espero que tenham gostado. Prometo que os próximos capítulos serão mais interessantes e animados.
Enfim, obrigada por lerem e me desculpem qualquer erro. Até o próximo capítulo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...