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História A Pupila Preferida - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa noite! Demorei alguns dias, mas escrevi o primeiro capítulo.
Esta fic está sendo um grande desafio para mim. Espero que tenha ficado a altura.
Não deixem de comentar, pois vocês leitores são o combustível que mantém a chama da minha vontade de escrever acesa :P

Capítulo 2 - A primeira aula


Fanfic / Fanfiction A Pupila Preferida - Capítulo 2 - A primeira aula

Pouco depois a sala se encheu de Cadetes novatos e barulhentos, e por alguns minutos a tensão entre Uhurua e Spock deixou de preencher o ambiente. O foco, após cada aluno ter escolhido seu lugar e se estabelecido, era o começo da aula. Nyota percebeu que era uma das poucas a sentar na primeira fila, e que a maioria de seus colegas preferia uma distância não apenas respeitável, mas bastante segura, em relação ao professor. Ela definitivamente não se importava pois, aquele era o cenário perfeito para se destacar e provar sua dedicação, intelecto e conhecimento.

Logo a voz profunda e serena do vulcano preencheu o recinto, sua dicção do idioma humano era perfeita e seu vocabulário rebuscado e formal; sua postura era altiva e cada palavra e gesto pareciam ser previamente ponderados e calculados. Ele não era o tipo de homem que desperdiçava palavras. Tudo por ele dito era feito de forma sucinta e concisa e assim foi sua breve apresentação, onde Nyota finalmente descobriu que se chamava Spock… “Comandante Spock.. Professor Spock...Spock...Spock...” a Cadete repassou mentalmente, sentindo aquele nome retumbar confortavelmente em seus pensamentos. Era um nome curto e bastante prático de ser pronunciado em diversos idiomas, algo tipicamente vulcano.

 

-”Cadete Uhura”… “Cadete Uhura?” - Em seu breve devaneio Nyota perdera o início da chamada. Agora seu nome dançava vezes seguidas por entre os lábios do homem, que lhe chamava a atenção com uma sobrancelha arqueada... Voltando à realidade, ergueu os olhos se deparando com os orbes negros do Comandante, e alí encontrou a mesma faísca anterior… Era como se a parte humana de Spock desencadeasse uma sintonia magnética em si...Uma pequena onda de calafrios percorreu seu corpo, e as pelugens dos seus braços eriçaram, em uma resposta sensorial autônoma, quando travaram olhares e mais uma vez seu nome foi pronunciado naquela voz morosa - “Cadete Uhura, está me ouvindo?” - O vulcano a sondava curioso a respeito de seu comportamento atípico.

 

-”Sim Professor Spock, me perdoe...Estou presente!” - Respondeu brevemente, reunindo todo seu autocontrole para ignorar as respostas físicas que experienciava ao mínimo contato com o outro; e muito mais para ignorar os risinhos abafados vindos dos alunos no fundo da sala. Provavelmente alguma piadinha de mal gosto havia sido feita por aquele babaca do Cadete Kirk, pensou a mulher, quase revirando os olhos.

 

Fazendo uma breve anotação em seu PADD, Spock inicia a aula pedindo para que os alunos acessem os arquivos da lição 1 de sua cadeira e, em seguida, ligando o quadro holográfico enquanto começava uma breve introdução.

 

- “Como pode ser visto, este logicamente é o planeta Vulcano. Com uma atmosfera rarefeita de cor alaranjada, trata-se de um planeta classe M, cujo clima pode ser descrito, por muitos terráqueos e outras espécies, como árido. Localizado no quadrante alfa, orbitando 40EridaniA, uma estrela K1V com magnitude absoluta de 6.0 … Espero que todos estejam familiarizados com estes conceitos astronômicos… Seu brilho é tão intenso em Vulcano que absolutamente todas as espécies do planeta evoluíram para a formação de uma segunda pálpebra interna em seus olhos. Isto inclui os vulcanos e também uma segunda espécie senciente que são os…?” - Fez uma pausa em seu discurso para observar a turma, em aguardo por uma resposta, que não viria a demorar. Uhura, sentada na primeira fila, imediatamente levantou a mão pronunciando em voz firme e confiante:

 

- “Os Romulanos, professor Spock... Romulanos e Vulcanos possuem os mesmos ancestrais. Há aproximadamente 2000 anos os, hoje conhecidos como Romulanos, deixaram o planeta Vulcano por se recusarem a seguir a filosofia de Surak.” - Ela respondeu, mas não teve coragem de sustentar o olhar que faiscava em fascínio na sua direção. A humana procurava bloquear aquele magnetismo, ao menos durante a aula, senão perderia completamente a concentração. No entanto, se regozijava internamente por ter sido a única capaz de dar a resposta esperada e um pouco mais. Com certeza seria considerada a melhor aluna da classe em pouco tempo.

 

- “Afirmativo.” - Respondeu o Comandante em tom sereno - “A espécie vulcana é conhecida culturalmente por seguir a filosofia de Surak, cujo objetivo é atingir o estado mental de Kolinahr; onde todas emoções são expurgadas remanescendo apenas a lógica pura, que é considerada o caminho para uma vida longa e próspera... No entanto... nem todos os vulcanos são capazes de completar o ritual de Kolinahr, mas todos são instruídos desde a infância em ciência, filosofia e técnicas meditativas para o controle das emoções que, muito diferente do que outros povos possam imaginar, são muito fortes e presentes na nossa espécie.” - Uma breve pausa foi feita em seu discuso e Uhura não pode deixar de perscrutar aquele rosto pálido, de traços muito bem desenhados, em busca de alguma emoção. Se não fossem os olhos extremamente expressivos e magnéticos daquele homem ela poderia jurar que o mesmo era desprovido de qualquer dote sentimental. No entanto, estava ali a confissão de que, certamente, por baixo daquela fria expressão indiferente havia uma camada fervilhante de emoções ainda inexploradas.

Nyota, imersa em devaneios, perdera noção de tempo observando o professor, a ponto de captar sua atenção. Ele lhe retribuiu, sustentando o olhar da Cadete de forma interrogativa, uma sobrancelha arqueada, em busca de respostas para aquela sondagem que invadia seu espaço pessoal de forma tão profunda que estava além de sua compreensão momentânea. Algo no evidente fascínio daquela garota por si, e em seu próprio fascínio pela mesma, interferia na lógica de suas ações de uma maneira que jamais experimentara.

Ela tentou desviar, disfarçar, mas aqueles profundos olhos negros buscaram-na novamente travando ali. Por um segundo a respiração da mulher ficou suspensa enquanto acompanhava o pomo-de-adão do Comandante subir e descer e seus lábios finos entreabrirem; estava em um estado quase hipnótico, como se mil amarras a prendessem naquele instante compartilhado com o vulcano.

 

- “Cadete Uhura...” - Disse Spock em tom sereno, fazendo com que a mulher saísse de seu estado de transe - “Conte-nos o que sabe sobre a língua natal vulcana” - Pronunciou ele, no que Nyota percebeu imediatamente ser uma espécie de desafio intelectual. O professor ainda tinha o olhar travado sobre si, em uma silente espera, enquanto ela respirava fundo reunindo em sua mente cada pedacinho de conhecimento que havia armazenado dos livros que lera na semana anterior.

 

- “Existem dois dialetos. O Vulcano gólico e o Vulcano padrão moderno. O Vulcano Gólico é dividido ainda em Vulcano gólico tradicional, Vulcano gólico moderno e Vulcano Gólico insular, sendo esta última uma linguagem já extinta. Academicamente a linguagem gólica é mais importante do que a linguagem padrão, por ter sido a linguagem utilizada por Surak e seus seguidores. Ainda hoje todo vulcano instruído sabe falar e escrever em gólico. Sendo que a linguagem trandicional possui 30 grafemas e o moderno 27. Os grafemas do vulcano gólico moderno, idioma mais utilizado dentro da academia de ciências de Vulcano, podem ser transliterados como S..T...P...K...R...L...A..Sh...O...U...D..V..Kh...E..H..G..Ch..I...N...Zh...M...Y...F...Z...Th...W..B...

Já o idioma vulcano padrão moderno foi traduzido para o idioma corrente humano através de uma coletânea de vocabulários, já que sua estrutura gramatical se aproxima bastante do gólico moderno apesar da pronúncia levemente diferenciada. ” - Nyota finalizou sua explicação com orgulho explodindo no peito, sabia que havia sido ótima e sua pronúncia impecável. O brilho no olhar que o comandante lhe dirigia confirmava suas expectativas.

 

- “Perfeito. Pronúncia impecável dos grafemas gólicos, Cadete”. - Elogiou o vulcano enquanto em seus pensamentos acrescentava “Resposta digna de uma filha de vulcano...Fascinante!” - Nyota deu um riso de lado para o homem, enquanto seu coração retumbava forte no peito. Estava feliz com o elogio, algo raro para um vulcano, mas com certeza sincero. Estava orgulhosa de si mesma, e , inevitavelmente atraída por aquele professor cujos lábios eram agora objeto de seu desejo. Ela não pode deixar de morder o próprio lábio inferior enquanto observava o vulcano molhar levemente com a língua os próprios antes de prosseguir:

 

- “Na tela vocês podem ver os grafemas gólicos. Quero que em duplas vocês treinem a pronúncia destes grafemas. Qualquer dúvida estarei em minha mesa… Já você, Cadete Uhura, quero que estude a lição da segunda aula...” - Acrescentou, sem mais, o homem, indo em direção a sua mesa, sendo, no entanto parado no caminho pela humana - “Professor...Já estudei a lição 2” - “Então estude a lição 3, Cadete” - anunciou em tom cortante, com uma sobrancelha erguida. A proximidade de ambos diante da turma lhe causava um certo desconforto até então desconhecido. - “Já estudei também. Vou estudar a lição 4.” - Rebateu a aluna com um sorriso nos lábios. - “Fascinante!” - Sussurrou o vulcano em tom tão baixo que apenas ambos poderiam ouvir. Nyota sentiu que poderia beijá-lo naquele instante e sem hesitação; mas pelo bem de sua reputação achou melhor voltar a sentar-se e trabalhar ininterruptamente até o final do período. Os minutos passam muito rápido quando se faz o que gosta e, num piscar de olhos, já era o fim daquela aula. Todos os alunos deixavam a sala o mais breve possível, com exceção de Nyota, que aguardava, ainda sentada, que a sala ficasse vazia. Ela precisava falar a sós com aquele homem. Aquilo já havia deixado de ser apenas uma questão de se sobressair academicamente. Ela precisava mais da admiração e fascínio dele, sentia aquilo quase como uma necessidade visceral… 


Notas Finais


Então, o que acham? Não ficou muito monótono? Tenho medo de ousar mais na atração entre ambos e fugir muito do personagem Spock. Preciso mantê-lo racional, mas ainda assim atraído e apaixonado. Missão difícil a minha, né? hehe...
Espero mesmo que esteja ficando bom.


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