História À Quatre Mains - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Min Yoongi (Suga)
Tags Angst, Bts, Jungkook, Suga, Yoongi, Yoonkook
Visualizações 34
Palavras 1.162
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!
Esse negócio de notas do autor é muito complicado. Nunca sei o que colocar aqui (?)
Esse capítulo, em específico, não é muito grande. Na verdade era para ser um one-shot, mas acabou ficando um pouco grande e eu preferi dividir onde mais fazia sentido, independente de tamanho. Enfim, é isto .

Capítulo 2 - Tout est Perplexe


Yoongi titubeava os finos dedos nas teclas do velho piano que tinha em sua sala. Não chegava a fazer sequer um som, mas também não conseguia pará-los. Sabia que de nada adiantava ficar recordando seu passado, mas aquilo se tornava impossível quando estava diante de um de seus maiores desafios; os movimentos apenas descontavam sua frustração.

Podia listar um a um todas as batalhas que havia vencido até o momento. Uma delas, com certeza, era ter conseguido escolher o que faria com a própria vida – se dava o crédito por isso. Outro, que lhe apareceu logo em seguida, era perceber que conhecimento não era sinônimo de poder. Apesar de facilmente perceber as coisas, eram poucas as vezes que conseguia de fato modifica-las.

Antes culpava a censura dos pais por não conseguir fazer música. Assim que assumiu a própria independência começou a perceber que as barreiras eram muito mais altas e as raízes e muito mais profundas.

Morar sozinho foi um longo processo de frustrações – quando chegou, tinha a plena convicção de que finalmente estava livre e faria tudo que queria: iria fazer música, quem sabe morar com o namorado. Iria provar sua superioridade e responsabilidade moral e, apesar de toda a briga com os pais, ainda mandaria dinheiro para eles todos os meses, já que sabia que eles precisavam.

Obviamente nada foi como esperado. Teve dificuldades para achar emprego compatível com o horário da faculdade e teve que desistir dos treinos de piano na antiga escola. Chegou a enviar dinheiro para os pais por cerca de três meses, mas logo se viu desempregado e tendo que dormir no sofá do amigo. No fim, acabou por desistir da faculdade. Talvez toda a crise o tenha levado a essa decisão – nesse caso, deveria agradecer também a esses momentos de miséria por terem o colocado num caminho que lhe fazia algum sentido.

O fato era: apesar de todas as dificuldades – E céus, só Deus sabia quantas haviam sido – Yoongi conseguia olhar com orgulho para si, por tê-las enfrentado dando sempre o melhor de si. Como recompensa, hoje tinha laços fortes e o respeito dos pais (embora soubesse que talvez isso estivesse conectado ao fato de que Jungkook não estava mais ao seu lado). Namjoon, o dono do sofá do qual dormiu durante semanas, era o que talvez pudesse chamar de melhor amigo. Sua ajuda havia sido muito mais que um teto, foi a de um ombro amigo e a de um guia nos momentos de escuridão; mas o loiro sabia que também dava a Namjoon muitas coisas. Eram parecidos no amor pela música, embora o mais novo tenha decidido seguir carreira acadêmica em psicologia. Dizia ele que preferia trabalhar o cérebro que a voz; Yoongi o convenceu de que poderia ter os dois, por isso o recebia de vez em quando para gravar algo em seu estúdio.

Yoongi sorria diante disso, sentia-se um ser completo, capaz de dar e receber. Mas toda vez que via Jungkook passar pela rua, todo esse sentimento desmoronava a ponto de perder o ar e a razão, mergulhando em culpa.

Jungkook era só um jovenzinho de 15 anos que escolheu como primeiro amor um homem difícil em uma época mais difícil ainda. Yoongi sentia um gosto amargo toda vez que se recordava de como havia invadido a vida do mais novo; roubou-lhe o primeiro beijo, deitou-se com ele, trocou juras e amor e, por mais que os sentimentos fossem igualmente fortes, sabia que não se comparavam. Nenhum sonho ia tão alto como o de um primeiro amor, ao qual por inexperiência se entrega completamente. Por isso, nenhuma desilusão seria tão forte como a que veio, para Jungkook, a seguir. O mais velho sabia que era a causa.

Lembrava-se muito bem dos olhos de Jungkook. Eram enormes e curiosos; exploravam por onde passavam, em silêncio. Quando eram pegos no ato, se recolhiam, tímidos, junto com todo o corpo que se comprimia, tentando desaparecer. Seus momentos favoritos eram quando o mais novo estava sorrindo, mas precisava ser um daqueles sorrisos verdadeiros e espontâneos, que não eram assim tão frequentes na época. Quando Jungkook expunha os dentes, os olhos semicerravam de forma que várias, várias linhas apareciam ao redor. Yoongi as contava, às vezes se pegava imaginando se marcariam o rosto quando fosse idoso. Desejava estar lá para ver.

Esses mesmos olhos gigantes foram os que, num singelo movimento, se tornaram suficientes para puxar Yoongi aos momentos de maior tristeza que havia tido. Jungkook não proferiu uma reclamação sequer quando o mais velho precisou dizer-lhe que não apareceria mais para tocar piano e ouvi-lo cantar. Mas não precisou, já que seu corpo retraído – como quando haviam se conhecido – e o olhar simplesmente morto era o suficiente para que o outro entendesse.

  Sabia muito bem a importância que aqueles momentos a sós na sala de música tinham para Jungkook. Também não esperava que ele entendesse o porquê de tudo aquilo – afinal, era só uma criança. Foi talvez quando percebeu, pela primeira vez, a gravidade daqueles quatro míseros anos de diferença. Não podia dar a Jungkook o que ele precisava naquele momento e, sabia, a recíproca era verdadeira. Teria sido melhor que, apesar de com muita dor, Yoongi o tivesse aconselhado a seguir seu caminho sozinho – mas não conseguiu. Apenas segurou-o pela mão com firmeza e deixou que cada partida consumisse um pouco mais de sua alma.

Dois meses depois seu interior explodia, havia chegado ao limite. A distância entre os dois era enorme e os sorrisos foram substituídos por olhares frustrados. Não conseguia manter suas promessas, não tinha forças para levantar da cama e lutar contra seus demônios. Sua fuga foi a dos excessos – as drogas, o álcool – e então todas as pontes começaram a se queimar. Um belo dia sua arrogância o levou a exagerar um pouco nas medidas e pronto – overdose.

 Algo levou Jungkook ao seu encontro naquele dia, porque o rapaz quase nunca o visitava. Tinha a chave, mas se recusava a ir, já que quando ficavam juntos só recebiam uma amarga recordação da distância que havia se instalado entre os dois. Os cantos eram vazios, os toques nas teclas do piano eram mecânicos. Os beijos, abraços e o que viesse a seguir não passavam de fuga, tudo os partia ainda mais. No entanto, foi Jungkook que salvou sua vida. Foi o menino de 15 anos, uma criança, que ligou para a ambulância, que o acompanhou até o médico, que informou sua família que Yoongi corria risco de vida. Uma criança.

Não sabia ao certo, mas podia jurar ter visto, em algum momento, um par de olhos o observando. Não tinha domínio sobre o próprio corpo, sabia que podia se tratar apenas do seu subconsciente culpado lhe pregando uma peça; mas lembrava-se daquele par de olhos portadores de uma tristeza jamais presenciada pelo loiro. Um desespero e, ainda assim, um enorme cuidado que o fez finalmente perceber que iria destruir a vida daquele garoto.

Yoongi não conseguia dizer adeus, então fugiu.


Notas Finais


Oi de novo. Obrigado por ler até aqui ♡
Lembrando que escrevi sem beta reader (infelizmente) e, portanto, se achar algum errinho por favor me informe para que eu possa editar.


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