História A Queda Dos Tronos - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Medieval
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Palavras 3.846
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Essa é a minha nova fanfic que narra a história entre disputas por reinos em um mundo revirado pela guerra.
O primeiro capítulo é narrado por Aliah descendente dos antigos Lyonwes e se passa três semanas antes do grande estopim.

Capítulo 1 - O Novo Herdeiro


Fanfic / Fanfiction A Queda Dos Tronos - Capítulo 1 - O Novo Herdeiro

Aliah

Meu nome é Aliah, Aliah Lyonwes. Minha vida toda foi de vestidos, bailes e sorrisos, mesmo falsos eram sorrisos. Nunca sonhei em ter filhos ou ficar com o legado da família... Mas com os recentes acontecimentos tudo estava prestes a mudar...

Estava frio e escuro... Costumava andar pela floresta com Dominic, mas nunca à noite. Conhecia a floresta com a palma da mão e tinha isso ao meu favor, mas a certeza que não estava sozinha era enorme. Henry apertava cada vez mais a minha cintura no intuito de não cair do cavalo.

Escutávamos apenas os gritos das pessoas que conhecíamos... Deixamos todos para trás... Meu coração estava despedaçado naquele momento. Deixar Lywess foi uma das coisas mais dolorosas que já fiz.

— Vire à esquerda, princesa! — Dillon gritou atrás de mim.

Eu não consegui vê-lo apenas o escutava, eu tentei olhar para trás e percebi que realmente não estava só, atrás de Dillon estavam os homens que possivelmente havia matado meus pais. E sim, eu sou uma princesa.

TRÊS SEMANAS ANTES

 — Não esqueça que somos família, caso queria me matar... — Bash falou levantando do chão após ser golpeado por mim.

Eu sorri e o entreguei a espada.

Sebastian Lyonwes, o nome que todos acreditavam ser o novo rei após a morte de seu pai, Silas Lyonwes o Grande, mas ao contrario que todos pensavam Bash renunciou o trono. Então logo meu pai assumiu o trono, Robert Lyonwes o Abençoado, o Segundo de Seu Nome, Protetor de Lywess, Protetor do Norte. 

Bash era conhecido por sua beleza... Seus olhos claros lembravam o falecido rei Silas, assim como sua personalidade. Talvez fosse o homem mais bonito de toda Lywess... De todo Norte. Bash além de beleza tem inteligência e bondade.

Bash fez um sinal com a cabeça e percebi que não estávamos a sós. William estava bem atrás de mim... Como todas as horas do dia.

William Hemsloyd, meu guarda pessoal. William recebeu esse terrível posto por ser filho de um velho amigo do meu pai, Desmond Hemsloyd, capitão da guarda real.

Ao lado de William estava Ayla, sua irmã e minha dama de companhia. Seus cabelos pretos com alguns cachos destacavam-se no vestido verde.

Bash fez um sinal com cabeça e eu fiz o mesmo... Como se fosse uma despedida... Logo parti ao lado de Ayla.

— Você está tão suja... — Ayla falou me olhando dos pés a cabeça.

E era verdade, meu cabelo estava todo emaranhado e com as roupas cobertas de lama...

— Eu prometo está pronta em alguns minutos. — Falei seguindo outro caminho pelo castelo... — E não preciso que me acompanhe Will.

Ayla seguiu, mas William continuou a me seguir.

— Deus... Como odeio meu pai. — Falei andando.

— Ele acha que ficara longe de problemas se eu estiver por perto. — William falou.

— É ridículo e desnecessário. — Exclamei. — Você terá que tomar conta de mim quando eu estiver relaxando no sol, quando estiver ajustando um vestido, quando estiver na aula de artes, quando uma criada tiver trançando meus cabelos... Tenho certeza que achará tudo isso fascinante. 

— Se prestar bastante atenção, talvez possa ajudar a trançar... — Will acrescentou, divertido.

Eu entrei em meus aposentos e Will ficou ao lado de fora. Quando entrei Greta estava arrumando algumas coisas...

— Bom dia, Lady Aliah. — Greta falou sorrindo quando entrei no quarto.

— Pare, Greta. — Falei sorrindo. — Sabe que prefiro apenas Aliah.

Após o banho, Greta me ajudou a por o vestido. Tão grande e azul... Senti-me sem ar ao colocar o espartilho... Após sair do quarto William estava me esperando na porta assim como todos os dias...

— Está linda, Lady Aliah. — Will falou sorrindo.

— Não pegue muito no meu pé, Will. — Sorri.

— Seu pai deseja vê-la. — Greta falou. — Sir. Alator Edwin passou aqui minutos antes de chegar e pediu para avisá-la.

— Será que tem noticias sobre Dominic? — Perguntei animada.

Saí e Will logo começou a me seguir.

— Acha que ele está de volta? — Perguntei.

— Se Dominic estivesse de volta eu já saberia... — Will falou desanimado.

Comecei a pensar o pior. Faz-se três meses ou mais que Dominic Loynwes, o príncipe herdeiro de Lywess, havia saído com alguns cavaleiros para ajudar Eirewess, um reino distante aliado de Lywess, mas não havia retornado. Muitos dos seus cavaleiros haviam sido encontrados mortos, mas não havia noticia sobre Dominic. Meu pai mandou cavaleiros durante todo esse tempo para procurar por Dominic e talvez depois de tanto tempo o achassem e o trouxeram de volta.

Eirewess costumava ser um reino prospero, governado pelo rei Stephen e a rainha Lyara e então surgiu um exército sombrio e misterioso. Dizem que é uma feiticeira do leste do mar de Erindeer junto aos seus irmãos, que tramaram sua entrada com um exército fantasma e agora acolhia um exército de verdade. Dominic foi mandado com reforços de outros reinos para procurar pelo rei, a rainha e seu filho, o príncipe herdeiro Jon. Mas agora não havia notícias de nenhum.

— Onde está meu pai? — Perguntei a Sir. Alator. — Ele falou que precisava falar comigo.

— Ele está em reunião, princesa. — Sir. Alator falou. — Lamento, mas terá de esperar.

Fiquei andando de um lado para o outro... Cheia de ansiedade. Paciência era um dom que não tinha.

— Nosso pai a chamou também? — Amina perguntou.

Amina Lyonwes, uma das belezas mais comentadas em Lywess, mas não é para pouco. Amina era dois anos mais velha que eu. Sabia costurar, escrevia poesia e era bela. Amina havia recebido as famosas maças do rosto altas da nossa mãe assim como os espessos cabelos pretos com brilhos e tinha os lindos olhos verdes...  

— Você tem ideia sobre o que o nosso pai falará? — Perguntei.

— Não. — Amina falou. — Mas estou com um mau pressentimento.

Assim que todos saíram, eu e Amina entramos correndo e encontramos nosso pai sentado à cabeceira de uma longa mesa de madeira polida...

— O que está acontecendo? — Amina perguntou.

Meu pai levantou os olhos de uma pilha de pergaminhos e documentos. Ele estava vestido casualmente, com roupas de couro e uma túnica muito bem feita.

— Tenho noticias para dar sobre Dominic. — Meu pai falou.

Meu coração apertou ao ouvir aquele nome... Ele estava de volta...

Ele me encarou, impassível diante do assunto.

— As procuras por Dominic viraram questões de conflito, um conflito que receio estar aumentando.

O medo recaiu imediatamente sobre mim.

 — Receio em ter de parar as buscas por Dominic. — Meu pai falou por fim.

As lagrimas vieram em meus olhos... Precisei morder a língua para não dizer nada que pudesse contrariar a opinião do meu pai.

— Sendo assim, decidi anunciar que Henry será o novo herdeiro até que à Lady Whent possa dar à luz a criança, caso algo errado aconteça Henry sentará no trono.

Amina o encarou, aterrorizada.

— O quê? — Amina perguntou.

— Algum problema? — Havia algo no olhar do rei que contradizia o comportamento de Amina.

Amina forçou um sorriso.

— É claro, pai. Como quiser. — Amina falou.

— Eu sinto muito, Aliah. — Meu pai falou. — Eu sei o quanto o amava.

— Entendo. — Acabei dizendo. — Ingrid... Ela já sabe? — Perguntei contendo as lagrimas.

— A Lady Whent não sabe nada a respeito deste assunto e vamos deixar assim até que eu a conte. — Meu pai falou.

— Ela carrega o herdeiro de Dominic... — Comecei a falar antes de ser interrompida.

— Lywess não ficará de pé com um herdeiro que ainda não nasceu. — Meu pai falou. — Então Henry será o novo herdeiro até a criança nascer.

— Mas...

— Assunto encerrado, Aliah.

Eu sabia quando parar de falar e evitar me meter em mais problemas.

Meu pai nos dispensou. Amina saiu por um corredor... Eu tentei conversar com ela, mas não tive chance.

Ele não pode fazer isso. Dominic é seu filho...

Em que eu estava pensando? É claro que ele podia cancelar as buscas. Ele é o rei! Ninguém diz o que o rei deve fazer, nem mesmo uma princesa.

Eu saí correndo da sala do conselho, nem William conseguiu me acompanhar, atravessei o pátio, subi um lance de escadas e percorri o corredor até uma área aberta. Soltei um grito de frustração...

— Ai! Você não tem nenhuma consideração por meus tímpanos, tem, princesa?

Eu virei em choque, com o coração acelerado — achei que estava sozinha. Suspirei aliviada ao ver quem era. E logo me desfiz em lágrimas.

Sebastian encostou-se a parede de mármore liso, com os braços cruzados. A expressão de curiosidade em seu rosto desapareceu.

— Ah, não. Não chore. Não sei lidar com lágrimas.

— Meu... Meu pai é cruel e injusto — Solucei, depois cai nos braços dele.

— O mais cruel de todos. — Sebastian falou dando tapinhas leves em minhas costas. — Nunca existiu um pai mais cruel do que o rei Robert. Se ele não fosse rei, e se eu não fosse seu sobrinho e tivesse que seguir todas as suas ordens, eu o derrubaria, só para você.

Ele envolvia minha cintura facilmente com os braços enquanto eu enterrava a cabeça em seu peito e molhava sua túnica de lã com lágrimas.

Eu me sentia mais confortável na companhia dele do que de qualquer outra pessoa. E essa não era a primeira vez, e nem achava que seria a última, que chorava nos ombros dele.

— Está tudo bem, Aliah. O que aconteceu?

— Meu pai pretende parar as buscas por Dominic e anunciar Henry como novo herdeiro. — Falei. — Oficialmente!

— Henry será rei?

— Ele não será rei, será herdeiro até o herdeiro de Dominic nascer.

— Eu sei. — Sebastian falou. — Mas pretender é diferente de fazer.

— Ele está muito confiante na decisão. — Falei.

— Sinceramente, eu duvido.

Ouvi os passos pesados sobre o piso de mármore vindo à nossa direção.

— Aí está, vossa alteza. — Era William, vestindo seu uniforme com a expressão austera.

— Algum problema? — Sebastian perguntou.

— Eu estou enlouquecendo com o Will atrás de mim. — Falei e William me encarou.

— Quem sabe se não se metesse em tantas encrencas, vossa alteza... — William falou. — O rei mandou procurá-lo. — Will falou encarando Sebastian.

— E o que ele quer dessa vez? — Sebastian perguntou com um longo suspiro. — Quero que retorne até seus aposentos. — Bash falou agarrando meu braço. — E não faça nada estupido.

— Bom saber que concordamos em alguma coisa. — Will falou encarando Sebastian.

Sebastian escutou, mas não desviou os olhos dos meus.

— Entendeu? Tente não fazer nada. — Bash repetiu.

Bash tinha um poder avassalador sobre todos os meus sentimentos.

— Ai, ai... — A voz de William atravessou meus pensamentos. — Querem que eu deixe os dois sozinhos para continuarem a se encarar o dia todo?

O calor subiu as minhas faces e desviei os olhos de Bash.

— Não seja ridículo.

Bash soltou meu braço e saiu logo em seguida. Não olhou para trás... Apenas seguiu em frente.

Eu fui para meus aposentos e passei o resto da tarde lá.

Ayla passou em meus aposentos antes de irmos jantar.

— Todos já sabem as notícias. — Ayla falou. — Ingrid está arrasada.

Ingrid Whent não era da realeza, mas vinha de uma família com bastante poder. Ingrid havia se casado com Dominic alguns meses atrás... Agora ela está gravida do herdeiro de Lywess, mas seu marido está perdido em algum lugar perto das montanhas de Eirewess e as buscas por ele estavam prestes a terminar...

— Onde ela está? — Perguntei.

— Ouvi dizer que estava em seus aposentos. — Ayla falou.

Eu saí ao lado de Ayla e o Will fez o mesmo.

— Sabe onde está o Bash? — Perguntei.

— Depois que falou com rei não foi visto no castelo. — Ayla falou.

Queria saber se ele sabia mais sobre Dominic...

Passamos em frente aos aposentos de Ingrid e pude escutar soluços... Eu bati na porta antes de abri-la.

Ingrid estava no chão chorando pela perda de seu marido.

Corri até onde ela estava e a abracei com toda minha força.

— Ele não pode está falando serio, não é? — Ingrid perguntou.

Meu coração se despedaçou ali mesmo...

— Eu sinto muito, Ingrid.

Ayla e William estavam parados na porta.

— Eu nunca havia amado alguém tanto quanto o amava. — Ingrid falou. — Ele era tão lindo e empolgante, e me fazia sentir viva mais do que nunca. Eu implorei para que ele não tomasse essa decisão. Disse que, se insistisse, eu... eu me mataria.

— Por favor, não diga uma coisa dessas.

Aquelas palavras carregavam tanta dor que eram quase palpáveis.

— Era verdade. — Ingrid falou. — Mas agora carrego um filho... Eu vou sentir falta dele.

— Eu também. — Falei. — Mas fico muito feliz por você estar aqui. O que posso fazer para ajudá-la?

— Nada. — Ingrid piscou, com tristeza nos olhos.

— Sinto muito. — Abracei Ingrid enquanto as lagrimas dela ensopavam o ombro do meu vestido. — Sinto muito por ele ter partido. — Murmurei junto aos cabelos de Ingrid. — Queria que tudo fosse diferente...

— Pensei que fosse morrer com a dor quando soube. — Ingrid respirou fundo, trêmula. — O sofrimento está correndo minha vida.

— Você não pode deixar isso acontecer. — Minha garganta estava tão apertada, mas havia raiva em minhas palavras. — Não pode. Você será a mãe do herdeiro um dia. Eu me recuso a aceitar que você esteja morrendo de sofrimento... Você precisa ser forte. — Segurei a mão dela. — Você tem de ser forte.

— Ele não será o herdeiro, Aliah. — Ingrid falou. — Henry terá os herdeiros...

— Não houve intenção alguma de lhe faltar com respeito. — Falei arrumando uma desculpa para as decisões do meu pai. — Julgou que seria melhor um herdeiro já vivo... Alguns poderiam interpretar que Lywess estaria desprotegida com um herdeiro que ainda não nasceu... O rei falou que o herdeiro de Dominic tomará o trono assim que nascer. Seu filho tomará o trono.

— Não temo, Aliah. — Ingrid falou. — Mas agora não tenho para onde ir com um filho...

— O rei não a deixará, acima de tudo, você carrega um filho com nosso sangue.

— Há poucas chances de isso acontecer. — Ingrid falou.

— Seu filho é o herdeiro de Dominic. Nada pode mudar isso.

— É uma boa garota, Aliah. — Ingrid falou sorrindo. — Não tenho necessidades neste momento... Queria poder ficar a sós.

 — Certamente. — Falei. — Como quiser.

Levantei-me do chão e a ajudei a levantar também. Saí do quarto logo em seguida e Ayla me acompanhou assim como fez Will.

— Preciso que me faça um favor. — Falei encarando Ayla.  — Precisa achar Sebastian.

— Tentarei ao máximo. — Ayla falou se afastando o mais rápido possível.

— Algum problema? — William perguntou.

— De repente, você parece preocupado comigo. — Falei. — Devo ficar nervosa com isso?

— Estou surpreso por ter notado. — Will falou sorrindo. — Eu não sou idiota, porque procura Sebastian? O que o Rei falou que a deixou desse jeito?

— Eu aceito Henry como rei, mas não aceito parar as buscar por meu irmão.

— Não acho uma boa ideia confrontar o rei. — William aconselhou.

— Então que bom que não faço tudo me manda. — Falei.

Eu continuei andando até esbarrar com Sebastian.

— Bash... — Falei.

— O que está fazendo? — Perguntou. — Deveria está com o rei e seus irmãos.

— O que meu pai falou? — Perguntei.

— Aliah...

— O que ele lhe disse? O convenceu a voltar a trás das buscas por Dominic?

— O rei sabe o que é melhor. — Bash falou.

— O quê? O que ha de errado com você?

— Não deve questionar suas decisões.

— Não é justo. — Falei.

— Não seria sensato encontrar seu pai agora, Aliah. Lamento.

— O que ele lhe falou? Você estava ao meu lado nisto. O que aconteceu?

Bash não me respondeu então eu saí e segui até encontrar todos...

Todos já sabiam das novas notícias... Eu ainda estava desconsolada... Fiquei olhando a comida e recusei-me a comer, já meu pai devorou tudo que lhe foi posto à frente.

Quando eu havia pensado que poderia me retirar meu pai falou que faria um torneio em honra à nomeação de Henry.

— Organizaremos um grande torneio em honra a nomeação de Henry. — O rei começou a falar. Bash se aproximou e o observou. — Quarenta mil em peças de ouro para o campeão. Vinte mil para o homem que ficar em segundo lugar, outros vinte mil para o vencedor da luta corpo a corpo e dez mil para o vencedor da competição de arqueiros. — Anunciou.

A rainha o encarou por alguns segundos... Talvez esteja tão desapontada quanto eu.

— Amanhã começaremos a receber os convidados. Todos estão convidados. — Concluiu.

Quando me retirei fui direto aos meus aposentos. Peguei o livro mais próximo e comecei a ler.

Acabei por cair no sono e na manhã seguinte Greta estava lá para me ajudar.

— Sinto muito pelas notícias, Milady. — Greta falou enquanto me ajudava com o vestido.

Ainda não conseguia aceitar parar as buscas por Dominic.

— Como um pai pode parar de procurar por seu filho? — Falei.

— Todos no castelo sabem como vossa alteza e príncipe Dominic eram próximos, mais do que todos os outros irmãos, não posso imaginar o que está sentido... — Lamentou Greta.

Ayla bateu na porta antes de entrar.

— Bom dia, princesa. — Falou Ayla juntando-se a Greta para terminar com o meu vestido.

Não lembrava a ultima vez que havia saído de Lywess, então não lembrava quanto tempo levaria do reino mais distante para chegar aqui.

— Acha que em quanto tempo chegaram os cavaleiros para os torneios? — Perguntei.

— Alguns ao cair da noite, outros demoram semanas... — Ayla falou.

— O reino mais distante fica há semanas? — Perguntei.

— Eirewess era o mais distante, princesa. — Ayla falou. — Agora que está em ruinas Mountwess é o mais distante.

— Acha que Dominic pode sobreviver à guerra? — Perguntei com a voz triste.

— Se o que dizem é verdade, Milady... — Lamentou Greta. — A guerra ainda não começou.

— O que dizem? — Perguntei assustada.

— Falam que a feiticeira não conseguiu o castelo de Eirewess e agora procura outro lugar. — Greta respondeu.

— São historias para crianças, Greta. — Ayla rebateu com um sorriso. — Todos sabem que o rei Odin que comandou o massacre.

— Ele está em paz com os nove reinos. — Rebati. — Não passaria por cima do acordo.

— Matar o rei Silas e sua rainha não foi passar por cima do acordo? — Ayla rebateu.

Rei Silas, meu tio, e sua rainha Olivia foram mortos durante um ataque ao castelo por ordem do rei Odin. Eu era uma criança quando tudo aconteceu, mas lembro do pequeno Bash chorar ao lado de sua mãe morta por um corte na garganta. Isso lhe custou caro e o rei Robert, meu pai, seguiu com o acordo de paz entre os nove reinos de Meralion. Mas o que Ayla falava faria sentido, mas não é comprovado.

Fiquei calada por fim.

— É um lindo vestido. — Ayla falou. — É bom, pois ouvi que o rei procura por pretendentes para vossa alteza e sua irmã.

— O quê? — Perguntei.

— Sabe que um dia iria acontecer, Aliah. — Ayla falou.

— Ele não pode me obrigar a casar. — Falei. — Não é justo.

— É uma decisão política, Aliah. — Ayla argumentou. — Lywess já enfraquece sem Dominic e o herdeiro é uma criança.

— Henry não é mais um garoto. E Ingrid gera o herdeiro. — Argumentei.

— Então Lywess encontrasse pior do que já é esperado.

— Então concorda com as atitudes do rei?

— O rei é seu pai.

— Então se caso fosse eu perdida no lugar de Dominic ele me abandonaria?

— Não seja ridícula. — Ayla falou. — Graças que não é você.

Ayla me abraçou.

— Tudo que o rei faz, diz ou optou por fazer, é a serviço do reino. Fortalecer o quê parece fraco.

Optei por ficar calada e pensar a respeito.

Greta terminou com o vestido e eu saí ao lado de Ayla. Assim que cruzamos a porta William começou a nos seguir.

— Bom dia, William. — Falei fingindo um sorriso.

— Acordou de bom humor, princesa? — Perguntou William sorrindo.

— As buscas por Dominic foram encerradas, meu irmão mais novo é o novo herdeiro até que Ingrid venha a ter o herdeiro de Dominic e tudo isso é culpa do rei, neste caso o meu pai. — Resumi sorrindo. — É um ótimo dia, não? — Ironizei.

Ayla fingiu um sorriso e os dois irmãos se olharam.

Continuei a percorrer pelo corredor do palácio.

— Irmã? — Escutei a voz de Amina sair pela porta.

Olhei para trás e lá estava a princesa mais velha com um vestido exuberante, exalando delicadeza e empatia.

— Sim. — Falei voltando e me aproximando dela.

Ayla e William ficam logo atrás de mim. Amina me encarou e sorriu.

— Será Arthur! — Disse.

Amina conheceu o príncipe Arthur aos seis anos de idade após isso só se viram uma ou duas vezes, mas ela o escolheu para ser seu marido. O rei teria de firmar o acordo e com o torneio seria a chance de Amina.

— Isso é bom, minha irmã. — Falei fingindo um sorriso.

Estava feliz por Amina, mas seria eu a única preocupada com Dominic neste castelo?

— Acha que será Dillon? — Amina perguntou.

— O quê tem Dillon? — Perguntei.

— Seu futuro marido. — Respondeu ela.

Ayla segurou o riso, porém escutamos quando debochou. Eu quase ri da ideia.

— Não seja ridícula. — Falei.

— Lywess e Icewess são aliados desde Détrio I, minha irmã. — Amina falou. — O pai estaria firmando ainda mais o acordo se sua preciosa filha casar-se com um Colfeld.

Eu ri da ideia.

— Sei que está chateada com a ideia do noivado. — Amina falou com delicadeza pegando em minhas mãos. — Mas conhece Dillon, seria mais fácil com ele do que com qualquer outro.

Dillon Colfeld e eu éramos bons amigos, nada além disso. Dillon é da dinastia dos antigos Colfeld.

Quando Meralion surgiu eram três grandes reis: Détrio Lyonwes, Yomirich Colfeld e Bran Phealry. Os três grandes reis vieram do leste do mar de Erindeer. Eles tomaram toda Meralion e construíram três grandes reinos. Lywess, Icewess e Mountwess. Amina e eu, assim como os outros de nossa família, descendemos de Détrio I. Já Dillon é da dinastia Colfeld e o que nos torna tão aliados é que: Détrio I quando terminou de conquistar Meralion junto aos outros firmou acordo com Yomirich e casou-se com Idia Colfeld, sua irmã.

Não há outra ligação desde então. Faz sentido retomarem a forte aliança me casando-se com Dillon.

Dillon além de ser muito bonito, era mais alto que eu, forte, com seu cabelo castanho claro, seus olhos verdes quase azuis... Mas nunca havia pensando em casar-me com ele.

Eu afastei as mãos de Amina e sorri.

— Estou muito feliz por você, minha irmã. — Falei. — Mas quem decidirá o casamento é o rei.

— O rei é nosso pai, Aliah. — Amina falou. — Se pedir para que seja Dillon ele irá falar com o rei Antônio.

— Eu não lhe pedirei nada após o que fez a Dominic. — Falei por fim.

Fingi um sorriso, soltei a mão de Amina e segui em frente.

Ayla e William se olharam novamente e enfim ela falou:

— Acho que seria sensato falar com o rei, Aliah. — Disse. — Seria melhor Dillon a um estranho. Viveríamos em Icewess que não é tão diferente de Lywess.

Se eu casasse Ayla iria comigo por ser minha dama. Quando éramos pequenas meu pai nos levou até Icewess que não era tão diferente de Lywess, um pouco mais quente, mas um clima agradável.

— Não quero casar. — Falei olhando para Ayla.

A lágrima quase escorreu pelo meu rosto, mas não daria o prazer ao rei de saber que chorei pelo noivado.

William me encarou e deu um sorriso triste.

— Podemos falar que está indisposta e ficará em seus aposentos por hoje. — Falou apontando o caminho de volta.

Eu sorri e concordei com a cabeça.

— Obrigada, Will. — Falei por fim.


Notas Finais


A imagem do capítulo é o estandarte dos Lyonwes.
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo da guerra dos tronos.
Comentem embaixo o que acharam e o que esperam do próximo capítulo

Com todo carinho,
— Alexa


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