História A Rainha da Neve - Capítulo 40


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Categorias Histórias Originais
Tags Confronto, Coroa, Drama, Europa, Monarquia, Original, Princesa, Rainha, Rei, Reino, Romance, Trono, Utopia
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Palavras 3.498
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Não entrem em pânico, por favor
Espero que gostem desse capítulo ;D

Capítulo 40 - Epílogo


Fanfic / Fanfiction A Rainha da Neve - Capítulo 40 - Epílogo

Dois dias. Foi o tempo que ficou sem ver Ryland e ele sem falar com ela.

Nesse meio tempo, Lynae passou caminhando por todo o castelo e descobrindo os lugares onde nunca tinha ido. A biblioteca ficava na ala leste; era muito grande, tinha dois andares e cheirava a papel, madeira encerada e pinho, que deveria ser o cheiro do produto de limpeza usado ali. Na ala sul havia uma pequena capela muito bonita com bancos de madeira brilhante, vitrais de anjos, um altar com imagens de santos e de Jesus Cristo; ela podia não acreditar, mas ainda assim achava bonito. No topo da torre da ala norte havia uma sala com teto abobadado, um projetor que mostrava os planetas e um enorme telescópio na sacada de pedra, apontado para o céu.

Era um castelo lindo que o rei Edward tinha projetado para ser um maravilhoso lar para todos os seus filhos.

Lynae estava na praia na encosta do castelo. Estava usando um vestido azul claro de alcinha feito com um tecido leve, que dançava suavemente em seu corpo, batendo levemente contra suas coxas expostas. Ela caminhava pela beira da água, os pés mergulhados nela, tremulando ao redor de seu tornozelo conforme ela andava.

O dia estava lindo demais. O céu estava azulzinho e perfeitas nuvens brancas e fofinhas deslizavam por ele preguiçosamente mudando de direção. O sol brilhava forte fazendo o calor abraçar o corpo de Lynae feito um casaco natural. A leve brisa refrescante vinda do mar fazia com que a temperatura ficasse perfeita.

O cabelo comprido de Lynae balançava com o vento e mexas dele chicoteavam suavemente contra sua bochecha. Nos últimos dias, ela não tinha feito penteado algum e muito menos qualquer tipo de tratamento com ele de forma que ficava sempre solto com suas naturais ondulações, sempre levemente armado. Lars costumava chama-la de leãozinho por causa de seu cabelo e ela detestava, quando era criança.

A princesa caminhou mais para dentro do mar, deixando a água na altura de seus joelhos, quase molhando a barra de seu vestido.

Mesmo estando há quase dois meses na Grã-Francia, em Nice, em um castelo na beira do mar, não tinha entrada na água ainda, isso porque não usava um biquíni. O mais engraçado era que, apesar de Lynae amar o mar, não sabia nadar. Precisaria de uma boia ou até um colete se quisesse ir mais para o fundo.

A ideia a fez rir. Fora para o exército, mas nem mesmo lá eles a ensinaram a nadar. Não tinha ido para a marinha, então teoricamente essa habilidade não era útil.

Estava aproveitando esse mar, enquanto ela podia. Então, deveria aproveitar de verdade. Ela mergulhou sentindo a água fria fazer seu corpo se arrepiar. Quando levantou, seu cabelo molhado pesado caiu em suas costas, pingando.

Ela passou a mão no rosto, tirando os fios grudados em sua pele e olhou para o sol. Um sorriso surgiu em seus lábios. Lynae respirou fundo, sentindo o cheiro salgado do oceano.

 

A capela construída no terreno do castelo era pequena, feita de pedra cinzenta com uma cruz dourada na ponta do telhado em forma triangular. Cravos brancos rondavam a construção, dando vida a capela que ficava vazia quase sempre.

Ryland entrou pelas portas duplas de entrada trabalhada em madeira escura.

Dentro havia duas fileiras de bancos, cada uma continha três deles, embora o príncipe soubesse que todos esse bancos jamais foram usados ao mesmo tempo. As paredes continham três vitrais com imagens de anjo em cada lado da igrejinha, feitos com vidros coloridos, fazendo com que a luz do sol entrasse parecendo um arco-íris ao banhar o chão com todas aquelas cores. O altar à frente da capela tinha uma mesa de pedra onde estava uma enorme bíblia aberta; atrás da mesa estava uma enorme cruz com Jesus Cristo pregada a ela.

Ryland sempre achara terrivelmente mórbido ficar olhando para o momento mais doloroso e triste da vida de Jesus. Mas talvez fosse essa a intenção. Mostrar para as pessoas que até mesmo Deus poderia ser magoado. Era normal.

Ele se sentou em um dos bancos à esquerda. Não o do fundo e nem o da frente, mas a do meio. O banco era desconfortável e não havia posição que mudava esse fato. Ryland não costumava ir muito ali, apesar de saber que todo domingo havia uma missa celebrada por um padre para os funcionários e até mesmo a realeza. Deus não fazia distinção de título, não é mesmo? Mas Ryland não gostava de missas, achava entediante e dava sono a ele. Também não era muito de rezar. Ele simplesmente acreditava, apenas.

Seu corpo deslizou pelo banco até que sua cabeça pudesse ficar apoiada no encosto baixo. Suas pernas se esparramaram à frente, embaixo do banco diante dele.

Lentamente, ele esticou a mão e puxou de seu paletó a foto de seu pai que sempre carregava consigo. A foto de seu pai, dobrada ao meio, que o mostrava sentado em uma mesa no jardim com uma caneca fumegante próximo ao seu rosto. Ficou encarando a foto em silêncio por um longo tempo.

 – Eu sei o que você faria se estivesse no meu lugar, pai. – ele falou em um tom normal, mas a acústica da capela fazia sua voz repercutir por todo o local. – Só que eu nunca me pareci com você. Mamãe sempre dizia que Mitchell foi quem mais te puxou, em questão de personalidade. E eu, puxei ela e seu gênio impossível. – Ryland suspirou e quase riu. Sua mãe detestava o jeito implacável de ser de Ryland, só não conseguia perceber que esse traço de personalidade viera dela. – Eu sei bem o que minha mãe faria no meu lugar.

Ryland não queria mandar Lynae embora. Apesar de que, se a mesma situação acontecesse semanas atrás, ele provavelmente nem hesitaria. Mas agora, conhecia Lynae e gostava dela. Não podia simplesmente ignorar o que aconteceria com ela se voltasse para Snöland, para seu detestável tio.

Um suspiro lhe escapou por entre os lábios. Ele devolveu a foto ao seu bolso e desviou seus olhos para o teto cheio de vigas de madeira. Espalmou as mãos na madeira do assento dos seus dois lados e sentiu o metal ao redor de seu dedo se apertar contra ele com mais força.

Ryland ergueu a mão e encarou o círculo dourado ao redor de seu anelar esquerdo. Ele retirou o anel e olhou para a parte interna dele. Lynae Isabelle H. Beaucourt. Não fizera votos reais. Não se podia fazer votos em uma igreja quando não se amava a pessoa do outro lado. Desculpe Deus, mas não posso cumprir o que prometi. Ele colocou o anel de volta, sentindo todo o peso que ele representava. Todo o compromisso. Amar, respeitar, sempre e para sempre.

Até que a morte nos separe. Isso quase aconteceu uns dias atrás.

Ele levou a mão ao peito, a mão que continha a aliança, apenas para sentir seu coração bater. Lembrando-se da agonia que sentira ao pensar que poderia perder Lynae. Não queria perdê-la. A ideia o aterrorizava antes e continuava o aterrorizando.

Mas também queria ser livre para ficar com quem realmente amasse. Mas será que realmente seria livre? Um príncipe e uma criada? Quando foi que isso aconteceu?

Alessa. A imagem dela surgiu por detrás de seus olhos. Os cabelos castanhos dourados, os olhos escuros profundos, seu sorriso... Droga!

O príncipe fechou os olhos por um instante. Respirou profundamente, fazendo seu peito subir e descer lentamente. Deixou que seus ombros caíssem, quando abriu os olhos novamente.

Tinha tomado uma decisão.

 

Ao pôr-do-sol, quando o quarto da princesa ficou banhado pela luz alaranjada do sol poente, Lynae estava perto de sua cama, arrumando suas coisas nas malas que tinha levado quando veio para a Grã-Francia.

Helli e Kalwa a ajudavam com expressões tristes em seus rostos. Tudo o que Lynae dissera para elas era que provavelmente voltaria para casa e pediu para que a ajudassem. Elas não questionaram devido ao tom abatido de Lynae, apenas atenderam ao pedido prontamente.

Anneli não estava ali, porque Lynae a instruíra a fazer o mesmo. Embora Anne tivesse protestado e tivesse dito para a princesa esperar, ela simplesmente não conseguia mais, tinha que tornar tudo oficial. Sua dama suspirou, chateada e preocupada com Lynae, mas foi para o seu quarto ainda assim.

Lynae estava colocando alguns vestidos curtos que tinha ganhado em sua estadia no país, mesmo que soubesse que não usaria de jeito nenhum em Snöland. Mas uns outros vestidos longos ela provavelmente conseguiria usar com um casaco. E também, às vezes fazia calor. Raramente.

Já estava quase acabando.

De repente, a porta se abriu e ela voltou a atenção pra ela instantaneamente, vendo Ryland entrar.

Depois de quarenta e oito horas sem sequer vê-lo, Lynae estranhou sua presença. Era como estar diante de um fantasma que a muito ela não via.

Helli e Kalwa ficaram rígidas no mesmo instante, fazendo uma reverência ao príncipe, depois encararam Lynae, esperando por ordens. A princesa simplesmente balançou a cabeça e indicou com a mão para que elas saíssem e os deixassem a sós.

Assim que as criadas saíram do quarto, Ryland fechou a porta e caminhou em direção a Lynae. Os passos firmes e decididos.

O coração de Lynae descompassou. Sabia porque ele estava ali e, embora estivesse se preparando para ouvir as palavras há dois dias, ainda era doloroso olhar pra ele. Você tem que ir embora, Lynae. Era isso que ele iria dizer. Ótimo. Depois de horas e mais horas de espera, estava pronta. Pronta. Toda a espera havia acabado.

Ela tentou gravar na memória, naquele momento, cada pedacinho de Ryland. Claro que ainda poderia vê-lo por fotos e gravações, mas câmeras jamais conseguiam captar a essência total de uma pessoa. Lynae reparou nos cabelos castanhos escuros de Ryland, que ondulavam sobre sua cabeça; se crescessem mais, provavelmente enrolariam, como suas pontas teimavam em fazer, se curvando pra cima ou pra baixo. Seus olhos em vários tons de castanho claro, em degradê; a pequena pinta que ele tinha no canto do olho esquerdo. Como a pele dele era bronzeada, embora Lynae duvidasse que tivesse tempo para tomar sol. Seus ombros largos, cintura fina, pernas longas e um corpo esguio, mas exibindo músculos ao mesmo tempo.

Assim que viu a mala, Ryland franziu o cenho.

 – O que está fazendo?

 – As malas – Lynae disse simplesmente – Eu sei que você vai me mandar embora. Me deixar aqui seria um peso pra você porque se descobrissem...

 – Lynae...

 – ... poderia gerar uma revolta muito pior do que a de sete anos atrás, porque envolveria a ONU e com certeza ninguém quer as Nações Unidas envolvida. Sei que sou uma violação de tratado ambulande que ameaça colocar tudo em ruínas. E que essa é sua chance de se livrar de mim para finalmente ficar com a mulher que ama...

 – Lynae.

 – Só quero dizer que não estou te culpando, Ryland. Você tem o direito de fazer uma escolha para si mesmo. Você não me deve nada, tecnicamente. E eu vou ficar bem, não precisa se preocupar com isso. Eu sou forte, posso aguentar qualquer coisa.

 – Lynae, eu...

 – Além do mais, acho que será melhor assim. Seu povo sequer gosta de mim e você precisa de uma consorte que solidifique seu reinado, que seja amada e admirada. Entendo que não posso ser isso, então eu acho que...

Antes que Lynae pudesse continuar falando, Ryland colocou a mão em sua nuca e a outra pressionou contra a boca dela, fazendo com que a princesa ficasse quieta. O movimento brusco fizera Lynae segurar os pulsos dele com força, esperando que ele fosse machuca-la. Seu coração tinha acelerado instantaneamente, preparando-se para a ação. Porém, ao perceber que o príncipe só queria cala-la, Lynae relaxou, um pouco. Minimamente.

 – Lynae, cala a boca pra eu poder falar, tudo bem?

Ela assentiu apressadamente, já que não podia falar.

Ryland a soltou com calma, olhando fixamente para ela, vendo se Lynae falaria ou não.

 – Você não vai a lugar nenhum, Lynae.

Lynae ficou sem palavras. Era um milagre considerando que quando estava nervosa falava muito. Seu coração ainda estava batendo forte e uma gota de suor frio escorreu por sua coluna.

 – O-o que v-você quer dizer com... isso?

 – Quero dizer que você vai ficar aqui, vai continuar sendo a minha esposa e a princesa da Grã-Francia. Eu não vou te mandar embora. É isso que eu quero dizer.

Lynae abriu a boca, incapaz de falar qualquer coisa. Ela cravou dolorosamente suas unhas na palma de sua mão, apenas para garantir que não estava sonhando. Não iria embora? De repente, sua boca ficara completamente seca, um tremor fez suas pernas balançarem e seu coração agora estava fora de controle, acelerado a um nível quase fatal.

Um sorriso esticou lentamente seus lábios pra cima, revelando seus dentes brancos.

 – Você está falando sério?

Ryland suspirou e levou a mão até sua nuca, coçando o cabelo curto que crescia ali. Não estava olhando para ela naquele momento, mas logo seus olhos se levantaram para focar o rosto da princesa. Um pequeno sorriso surgiu em sua boca.

 – Eu não brincaria com uma coisa dessas, Lynae.

Sem pensar, Lynae se jogou contra Ryland, envolvendo o pescoço dele com seus braços, esmagando o corpo do príncipe com o seu próprio. Ele demorou um pouco para retribuir, provavelmente por causa do espanto, mas logo seus braços a envolveram, em um abraço apertado.

Ficaram abraçados pelo que pareceram horas, embora tivesse se passado alguns segundos apenas. O calor abrasador de Ryland envolvia o corpo de Lynae, fazendo com que sua angustia escorresse para fora dela.

Ela se afastou relutante de Ryland para olhar em seus olhos. Pensou que ele fosse solta-la, mas seus braços ainda a agarravam com força.

 – Por quê? Por que não vai me mandar embora? – Lynae não deveria fazer uma pergunta dessas, deveria ficar feliz e pronto. Mas não pôde se conter, porque... Não fazia sentido algum.

Os dedos dele pressionaram mais as costas dela. Sua expressão se tornou séria demais e ele mordeu o lábio inferior, quase como se estivesse envergonhado.

Lentamente, ele a soltou, dando um passo a trás para se distanciar. Se ele voltasse atrás em sua decisão, por pensar melhor por causa da pergunta que ela fizera, Lynae se espancaria.

Ele levou as mãos ao rosto as espalmando contra sua bochecha, deslizando-as lentamente até que seus braços pendessem ao lado do corpo. Ryland parecia pensar na resposta. Como poderia não saber a resposta? Ele estaria correndo um risco deixando que ela vivesse ali, que fosse sua esposa, que fosse a princesa e futura rainha, ainda mais agora que ele sabia do crime! Corria o risco de enfurecer seu povo, caso descobrissem. Poderia até mesmo ser envolvido nesse escandalo, envolver seu país e sofrer as penalidades que a ONU quisesse impor. Tudo isso pra quê? Tinha que ter um excelente motivo!

Lynae ficou esperando por sua resposta pacientemente. Fitava o rosto dele, embora Ryland olhasse para tudo ao redor, exceto para ela.

Quando seus olhos castanhos claros, cor de âmbar, finalmente pousaram nela, parecia haver algum tipo de resposta clara brilhando neles.

 – Lynae, sua vida tem sido muito difícil e nem posso imaginar como essa sua condição só piorou tudo. Você deve ter vivido com medo por muito tempo, ainda mais tendo que guardar um segredo que não só seria o caos para você, mas para o rei Markus e seu país, Snöland. Você já teve mais provações na sua curta vida de vinte anos do que a maioria das pessoas tem a vida toda. Teve que sobreviver, mais de uma vez, sozinha, com sua própria determinação de ficar viva. – Ele encurtou a distância que os separava, ficando a centímetros de Lynae, com a cabeça inclinada para baixo para poder ficar na altura dos olhos dela. – Não deve ser fácil pra você. Nunca, jamais deve ter sido. Seu tio é um monstro por ter feito uma coisa dessas e você não tem culpa alguma. Eu... – Ryland colocou as duas mãos no rosto de Lynae, suas palmas muito quentes contra a pele macia do rosto dela. Ele encostou sua testa contra a de Lynae, fechando seus olhos, em seguida. – Não quero ser um monstro igual a Markus, virando as costas pra você. Você merece mais do que isso, mais do que posso te oferecer, mais do que a mim. Então, se o que posso fazer por você é te manter aqui, comigo, a salva do seu tio e de todo mundo, é isso que vou fazer. Eu quero proteger você, porque acho que você tem feito isso sozinha a vida toda. Quero que você confie em mim.

 Lynae levou as mãos aos pulsos dele os apertando de leve. Ela fechou os olhos com força, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. Absorvia cada palavra que Ryland havia dito, que aquecia seu coração e levava todo seu desespero embora.

Ela abriu os olhos, apenas para encontrar os dele, a milímetros dos de Lynae, encarando-a profundamente, com uma intensidade quase palpável.

 – Sei o que provavelmente aconteceria se todo o mundo soubesse da sua condição e não quero nem imaginar o que aconteceria se eu te mandasse de volta para Snöland, para seu tio.

Ele suspirou e seu hálito quente acariciou a pele da princesa. Seus polegares começaram a fazer carinhos sutis nas maçãs do rosto de Lynae, que quase não piscava. O coração martelava forte contra seu peito, retumbando feito um tambor. Ela se perguntava se Ryland era capaz de ouvir.

 – Eu ia manter a aliança. Pretendia ameaçar seu tio e... Iria me divorciar de você. Mas eu... – Não consegui. Foram as palavras que ele não disse, mas que ficaram implícitas. – Achei que se fizesse isso seria livre. Mas eu jamais seria livre se fizesse isso com você. Lynae, você é importante demais...

Uma onda de calor os abraçou naquele momento. Lynae não conseguia se mexer, embora quisesse. Havia certa eletricidade partindo das mãos de Ryland e da testa dele, que ainda estava contra a dela, que percorria todo o corpo da princesa. Ele estava tão perto que poderia beija-la.

Então, ele se aproximou mais, roçando o nariz contra o dela, suas mãos deslizando do rosto de Lynae para seu pescoço. Ela podia sentir a expiração de Ryland, que saia pela boca, atingindo os lábios dela com uma temperatura morna. A princesa fechou seus olhos, só queria sentir e não ver.

Ryland a beijou. Só que não na boca. Seus lábios quentes pressionaram a bochecha de Lynae, imprimindo seu calor e maciez ali, antes de recuar.

Ele tirou as mãos do pescoço dela e se afastou. Havia um sorriso doce estampado em seus lábios que repletiam nos olhos. Um rubor sutil coloria suas bochechas.

Já o rubor de Lynae não era tão sutil, manchando o rosto pálido dela de vermelho vivo. Seu rosto deveria ser uma mistura de decepção – pelo beijo não ter sido o que ela esperava – e felicidade – pelo que Ryland havia dito e decidido.

 – Eu te ajudo a desfazer as malas. – Ele passou a mão delicadamente pelo braço nu dela, antes de se dirigir para a cama, onde estavam as malas.

Lynae ficou parada no lugar, encarando as costas de Ryland, enquanto ele abria uma das malas, que já estava pronta e fechada.

Uma emoção intensa repentinamente a invadiu. Um sentimento novo, que era pacífico como o correr de um rio e ao mesmo tempo ardente como um incêndio, preencheu todo o corpo da princesa. Sentia como se estivesse caindo em queda livre, sem nunca alcançar o chão. Havia um novo calor penetrando fundo em suas entranhas, chegando até os ossos, queimando-a de dentro para fora e de fora para dentro. Algo que a abraçava com tanta firmeza que chegava a ser quase sufocante.

Seu peito se contraiu com a súbita compreensão do que era aquilo. Apavorando-a imensamente. Seus olhos se arregalaram e toda a cor sumiu de seu rosto.

Ryland ia de um lado a outro, colocando as coisas de Lynae onde ele achava que ficavam e falhando miseravelmente. Ele poderia chamar as criadas da princesa de volta, mas preferiu fazer ele mesmo. Provavelmente Helli e Kalwa teriam que reorganizar tudo mais tarde.

 – Ei! – Ele a chamou, olhando por cima do ombro, com um sorriso desestabilizador em seu rosto. O espanto no rosto de Lynae parecia diverti-lo de certa forma. – Não vai me ajudar? – Quando Lynae abriu a boca, mas não respondeu, ele riu. Sua risada aqueceu o coração dela e devolveu a cor as suas bochechas. – Preguiçosa.

Ryland retornou a mexer na mala, enquanto Lynae permanecia paralisada, encarando ele.

Ela podia ouvir seu coração retumbar em seus ouvidos e era a única coisa que conseguia ouvir no momento. Parecia até que ele falava com ela. Você sabe que sentimento é esse, sabe o que está sentindo e nem tente mentir para si mesma. É inútil, Lynae Heikki... Ops, Lynae Beaucourt.

Lynae engoliu em seco, incapaz de ignorar o fato de que amava Ryland. Era isso, ela o amava.

 


Notas Finais


A HISTÓRIA NÃO ACABOU!!!
Gente, o que acontece é que, se eu fosse continuar postando capítulos nessa mesma história iria ficar uns 134 capítulos kkkk e eu nem sei se tem limite pra isso.
Na minha cabeça eu pensei nessa história em uma formato, com começo, meio e fim e... Uma continuação! Como se fosse um livro, sabe? (porque sonhar não custa nada)
Então, a continuação da história será postada como se fosse uma outra história. Vai ter até outro nome (o qual ainda não pensei), porém, vai seguir o rumo dessa história que vocês estão lendo. Fiquem tranquilos, logo mais postarei a continuação na minha "nova" história.


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