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História A Rainha de Copas - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oiii! Desculpem a demora! Comecei a faculdade de novo e estava muito corrido, agora com a ~quarentena~ consegui um tempo pra respirar e postar o capítulo :X espero que gostem!!

Capítulo 2 - 02


Fanfic / Fanfiction A Rainha de Copas - Capítulo 2 - 02

02

— Você já me conhece, eu sou o Reiner. — o homem loiro, alto e forte murmurou um pouco constrangido. — Aquele é o Bertholdt e aquela estranha ali é a Ymir.

Mikasa supôs que Reiner estivesse constrangido por causa do mata-leão que ela dera nele quando estava participando da avaliação e entrevista, mas não tinha como confirmar então apenas assentiu, cumprimentando os outros dois com um aceno. Bertholdt era um cara alto, com os cabelos pretos e cara de quietão; Ymir era uma mulher quase da mesma altura de Mikasa e com o rosto cheio de sardas. Os três usavam um uniforme parecido com o que fora entregue para Mikasa; um conjunto social simples. Mikasa, no entanto, também possuía um blazer e um salto em vez de um sapato baixo.

— Estávamos ansiosos a sua espera. — Reiner continuou.

Aqueles seriam seus colegas de trabalho, quer dizer, mais ou menos. Os três também eram seguranças pessoais de Annie, mas apenas isso. Mikasa, além de segurança, também assumira o cargo de assistente pessoal, o que era algo como uma secretária. Ela auxiliaria Annie com tudo o que era necessário.

— Eu e o Bert somos os seguranças que geralmente acompanham a senhorita Leonhart não apenas aqui ou em negócios, mas também até sua casa. — ele continuou falando e Mikasa continuou em silêncio, desviando o olhar para Ymir que cutucava o ouvido com a unha do dedo mindinho. — Raras vezes precisamos inverter o serviço com os outros seguranças, mas é só caso você ainda não saiba… podem ocorrer essas mudanças e você pode precisar acompanhá-la até em casa.

Reiner era claramente alguma coisa não-humana, Mikasa só não conseguia dizer o quê. Talvez fosse um metamorfo ou algo do tipo. Ymir era claramente uma elfa devido a suas orelhas pontudas, seu cabelo liso e sua pele escura. Já Bertholdt, supôs que fosse humano como ela. Ele não parecia exalar nenhuma aura especial. Era grosseria ficar analisando a aparência de seus novos colegas, mas não conseguia ignorar a curiosidade.

— Ai, Reiner, para de se fingir de simpático, que saco. — Ymir resmungou, cruzando os braços na frente do peito. — A garota não quer saber de você não. Deixa ela em paz.

Reiner piscou aturdido.

— Mas, eu só…

Mikasa parou de prestar atenção e focou em Bertholdt, que rolava as notícias que apareciam no holograma de seu relógio de pulso. Mesmo que estivessem espelhadas ela reparou em uma das manchetes do noticiário de hoje.

— Mais um desaparecimento de humanos? — ela questionou, olhando para Bertholdt que a observou espantado por ter sido direcionado a palavra. Ele assentiu levemente.

— Mais duas pessoas, ao que parece.

Mikasa mordeu o lado interno da bochecha em sinal de nervoso. Tinha certeza que seus ex-colegas da polícia estariam coçando a bunda agora mesmo enquanto ela estava ali, em outro emprego, incapacitada de auxiliar em qualquer investigação. Com tantas câmeras, drones e robôs vigilantes por Mitras vigiar a metrópole corretamente ainda era impossível assim?

Tinha certeza que era algum ser não-humano vingativo que poderia estar fazendo aquilo. Alguém que, com certeza, tinha raiva dos humanos terem sobrevivido mesmo após seu quase extermínio tempos atrás; isso não era algo difícil. Poucas famílias aceitavam relacionamentos de seus filhos com humanos, inclusive até mesmo achar emprego era uma tarefa mais complicada para eles.

A porta metálica da sala do escritório de Annie se abriu após um bipe, deslizando silenciosa, e ela saiu. Suas roupas eram claramente desenhadas por Frieda Reiss, a maior estilista do país, e possivelmente eram peças únicas, sem nenhuma outra igual àquelas no mundo; uma camisa de botões sem mangas com diversos detalhes e uma saia apertada e longa com a cintura alta. Annie Leonhart era conhecida por aparecer em programas de televisão, capas de revista e comerciais nesse tipo de traje, mas não imaginava que ela também os utilizasse em seu dia a dia. Seus cabelos sempre presos em coque estavam soltos e iam um pouco abaixo da altura de seu ombro e Mikasa não pôde evitar pensar que ela parecia muito mais alta na televisão.

— Mikasa. — ela chamou. — Me acompanhe.

— E nós? — o tal do Reiner perguntou rapidamente.

— Vigiem a porta. Só vou apresentar algumas coisas para minha nova assistente pessoal e já retorno. — ela murmurou em um tom baixo, fazendo Mikasa se espantar com sua elegância e tranquilidade.

Ela seguiu Annie pelo corredor extenso, virando para a esquerda, para a direita e depois pararam ambas em frente ao elevador. Annie apertou para descer e cruzou os braços em frente ao peito, virando seu olhar para Mikasa.

— Vejo que estava se dando bem com seus colegas.

Aquilo era uma clara tentativa de puxar assunto; Mikasa segurou um sorriso, sentindo-se razoavelmente contente que sua chefe estava tentando se dar bem com ela, ao menos. Era difícil olhá-la nos olhos; o azul neles parecia brilhar ainda mais intensamente hoje do que ontem.

— Sim. Eles parecem gentis. — ela respondeu.

— Não vai ficar muito com eles. — Annie respondeu. — Seu trabalho é dentro do meu escritório. Eles ficam na porta. — e o elevador enfim chegou ao seu andar. Ambas entraram e Annie digitou uma sequência numérica em um teclado ao lado do painel antes de apertar para descer ao quinto andar. Subitamente, ela estalou a língua e encarou Mikasa com uma expressão que não deixava uma única ideia do que se passava em sua cabeça transparecer. — Você me disse que o cheiro de lobo era do seu irmão, mas hoje está novamente em você como se fosse fresco, e não é só de um. Você mora com ele por acaso?

Mikasa piscou atordoada, um pouco envergonhada com a pergunta súbita. Annie pareceu perceber que foi um pouco invasiva e desviou seu olhar para o painel do elevador com os ombros levemente tensos.

— Sinto muito, me escapou.

Mikasa negou com a cabeça.

— Ah, não, não é isso. Eu não moro com ele, mas eu moro perto. Ontem eu fui visitá-lo. — ela respondeu rapidamente, tentando se justificar. Por que queria se justificar tão rápido, não sabia. — E são dois. Tenho dois irmãos.

Um peso pareceu sair dos ombros de Annie enquanto ela inspirava e tornava a desviar o olhar do painel para Mikasa.

— Dois irmãos lobos. Deve ser difícil. Sei como eles podem ser particularmente inconvenientes, sem querer ofender.

— Não ofendeu. — Mikasa continuou. Baixando o olhar para seus sapatos, ela encarou o tapete do elevador um pouco sem graça. — Eles são realmente um pouco bagunceiros e tem energia até demais, mas eu já me acostumei.

— Imagino. — Annie pareceu segurar um pequeno sorriso. — O cheiro deles é bem forte em você, vocês três devem ser muito apegados. Não tem como eu não reparar nisso, desculpe. — ela torceu a ponta do nariz mais uma vez e Mikasa pôs ambas as mãos para trás. Havia tomado banho essa manhã. Teria se esfregado com uma bucha se soubesse que seu cheiro desagradaria tanto Annie, só esperava que aquilo não fosse comprometer em nada seu trabalho. — O senhor Smith também é um lobisomem, por isso posso dizer que sou acostumada ao cheiro deles mesmo que seja desagradável, então não precisa ficar preocupada. — ela pontuou rapidamente como se percebesse a preocupação de Mikasa.

O elevador finalmente chegou ao quinto andar e ambas saíram dele para um corredor inteiramente branco, com alguns painéis eletrônicos e, conforme caminhavam por ele, janelas de vidro extensas permitiam que elas observassem dentro do que pareciam imensos laboratórios.

— Do quinto ao décimo andar nós temos alguns dos nossos principais laboratórios. Estes são responsáveis pela produção do sangue similar ao humano que nós vendemos. Do décimo ao vigésimo andar temos os laboratórios responsáveis pela produção da carne similar. Acredito que seus irmãos consumam nossa carne, então você deve saber como ela é realmente semelhante a… bom, a carne humana de verdade.

Bem, Mikasa até que conhecia, realmente, mas não tão bem quanto Annie parecia achar. Lobisomens conseguiam ter uma alimentação diferenciada, diferente de vampiros, por exemplo, e se alimentavam também da mesma comida que humanos. Eram raras as vezes que a carne similar produzida pelo Império Leonhart havia tomado parte em sua mesa, principalmente pela influência de Grisha Jaeger na alimentação dos filhos, e Eren e Zeke também não pareciam muito fãs de seu consumo. Cerca de uma vez por semana, eles comiam a carne similar apenas por ser algo que realmente faria falta em seu organismo.

— Do vigésimo ao trigésimo andar temos laboratórios que testam os produtos para garantir sua qualidade. Os outros andares são para embalagem, processamento, marketing, financeiro e outras coisas necessárias. — ela continuou enquanto elas passavam em frente às janelas de vidro, observando as pessoas trabalhando dentro do laboratório. Mikasa nem sequer conseguia entender o que elas faziam lá dentro.

— E os andares do subsolo? — perguntou. Era impossível notar que havia cerca de dez andares no subsolo do prédio, conforme era marcado pelos botões do elevador. A sua frente, Annie respondeu sem olhá-la.

— São para os descartes. Produtos estragados, inadequados, rejeitados, todos vão para lá. Aquele elevador que pegamos é o meu elevador particular, ele não para em nenhum andar para pegar ninguém. Ali — ela apontou para seis elevadores no final do corredor onde elas haviam acabado de chegar. — são os elevadores de funcionários. Eles sim param nos andares ao serem chamados. — e então ela voltou seu olhar para Mikasa. — Você está autorizada a pegar o meu elevador, já cadastrei seus documentos no sistema, basta digitá-lo como eu fiz antes de escolher o andar para ir. Vou te levar em um dos laboratórios de qualidade agora. Quero lhe apresentar a uma pessoa.

Ambas voltaram para o elevador particular de Annie e novamente ela digitou um número antes de apertar para o vigésimo andar.

— O Senhor Smith não veio hoje? — Mikasa perguntou subitamente. Annie pareceu surpresa por alguns segundos antes de responder.

— Não, ele tem negócios a resolver na empresa dele hoje. Podemos aproveitar nosso dia sem aquele lobo fedorento. — ela sorriu. Subitamente, sua mão se estendeu em direção ao rosto de Mikasa, que piscou em surpresa e manteve seu olhar no rosto entediado de Annie. Seus olhos azuis estavam fixos nos de Mikasa até que a ponta de seus dedos alcançou uma mecha de cabelo curto do lado de seu rosto. Mikasa sentiu suas bochechas esquentando até que Annie puxou sua mão de volta e lhe mostrou algo preso entre seu indicador e seu polegar. — Um pelinho de cobertor.

Demorou um tempo para que a vermelhidão no rosto de Mikasa se desfizesse e ela tinha certeza de que Annie tinha percebido. Era impossível uma vampira não perceber uma vergonha como aquela quando passada tão descaradamente; até tinha a impressão de que ela sorria de canto.

Logo elas chegaram no andar e desceram sem falar uma palavra, Mikasa ainda remoendo seu constrangimento e Annie parecendo concentrada em qualquer outro pensamento. Ambas seguiram pelo corredor também inteiramente branco e Annie abriu uma porta para um vestiário feminino.

— Pegue uma roupa privativa do seu tamanho para se vestir. Não podemos entrar com roupas comuns dentro do laboratório. — ela mencionou, pegando roupas semelhantes as que Eren utilizava no hospital, na cor verde claras, em um armário.

Mikasa escolheu uma roupa qualquer e observou o comprimento das calças antes de decidir. Ao virar-se em direção aos armários para se trocar, Annie estava de costas para ela; já havia retirado sua saia e vestido a calça em seu lugar e estava no processo de desabotoar sua blusa. Mikasa se atrapalhou um pouco tentando entender qual era a parte da frente e qual era a parte de trás da calça folgada e aparentemente grande demais, mesmo indicada para seu tamanho, e desviou o olhar para Annie com um pedido de socorro.

No entanto, o pedido morreu em sua garganta ao reparar que, na região das costelas de Annie, sumindo por baixo de seu sutiã e também indo direção às suas costas, havia uma mancha esverdeada como um hematoma que se esvaecia. Sem a camisa, era bem visível e grande, quase medindo dois palmos de sua mão, e Mikasa travou em seu lugar, encarando o corpo de Annie sem conseguir se mover. O que era aquilo?

Annie se virou em sua direção, falou algo e depois pareceu paralisada alguns segundos. Mikasa subiu o olhar da mancha para o rosto dela e as duas se encararam em silêncio por um tempo; Mikasa em choque e Annie parecendo um pouco envergonhada por estar sendo observada.

— Como se machucou? — Mikasa perguntou depois do que pareceu uma eternidade encarando a outra.

Então, as bochechas coradas de Annie perderam a cor imediatamente e seus olhos azuis cintilarem em realização; ela aparentemente não se lembrava mais do ferimento. Ela pôs a mão por cima das costelas, mal cobrindo o hematoma, e se apressou a pegar a blusa e vesti-la apressada.

— Não é nada, eu me machuquei em casa trocando um móvel de lugar. — ela respondeu rapidamente com o que pareceu uma desculpa extremamente esfarrapada. Afinal, por que diabos Annie Leonhart, a famosa Rainha de Copas, estaria trocando móveis de lugar dentro de casa? Ela era o tipo de gente que chamaria algum decorador para fazer isso por ela. E não apenas isso, a expressão em seu rosto ao se lembrar do ferimento não havia sido a de alguém que se machucara por acidente.

Mas quem machucaria uma vampira daquela maneira? Ela não era fraca e muito menos indefesa.

— Parece dolorido. — Mikasa pontuou, franzindo a testa.

— Não dói mais, já está quase sumindo, eu até tinha me esquecido dele. — ela dobrou suas roupas, apressada, e guardou-as dentro de seu armário junto com o celular. — Pode guardar suas coisas junto com as minhas, a trava do armário é automática e libera com a minha digital. Te encontro ali fora. — e saiu praticamente correndo enquanto prendia seu cabelo em um coque.

Mikasa se trocou sem saber se estava colocando o lado certo da roupa para frente, ainda mais agora que havia se surpreendido com a cena a sua frente. Guardou tudo no armário e logo saiu para se encontrar com a outra do lado de fora.

Elas seguiram silenciosamente pelo corredor até uma das portas e Annie a destravou com um código. Lá dentro, diversas pessoas trabalhavam mexendo com coisas que Mikasa não entendia.

— Historia. Que bom te ver. — Annie falou com alguém. Era uma mulher bem pequena, ainda menos do que Annie, que já era baixinha. Também tinha olhos bem azuis e no topo de sua cabeça haviam duas orelhas de gato; uma Khajiit. — Quero lhe apresentar Mikasa, minha nova assistente e segurança pessoal. Mikasa, essa é Historia Reiss.

Reiss? Como a irmã de Frieda Reiss, a estilista de Annie? É claro que ela teria para si as duas irmãs, talentosas e famosas como eram, sendo Historia uma farmacêutica renomada assim como a própria Annie era.

— É um prazer. — Mikasa a cumprimentou e Historia sorriu abertamente.

— Gostaria de te apresentar a ela, pois como ela é a chefe desse setor você vai pegar muitos dados aqui com ela para mim. — Annie apontou. — Com licença, Historia, vou apresentar algumas coisas para a Mikasa agora.

Historia voltou ao trabalho e Annie apontou algumas coisas para Mikasa.

— Há pouco tempo o Império Leonhart assinou um contrato com a Flügel der Freiheit, a empresa do senhor Smith. — ela começou. — O Senhor Smith passou anos desenvolvendo uma pesquisa para tornar o sangue e a carne mais saborosos, pois muitos clientes apesar de consumi-los as vezes queixavam-se um pouco do sabor. A união do Império Leonhart com o senhor Smith fez com que a qualidade de nossos produtos subisse rapidamente, graças a tecnologia nova que ele desenvolveu. Nossos produtos tornaram-se muito mais saborosos e a satisfação dos clientes atualmente é de quase 100%.

“Nesses laboratórios nós produzimos tudo o que é essencial para recriar a cor, textura, tamanho e forma perfeitas dos pedaços de carne ou das porções de sangue. Conforme é preparado, a fórmula do senhor Smith, que é produzida na empresa dele e trazida para cá, é utilizada para dar o sabor.”

— Não seria mais fácil se fosse produzido diretamente aqui? — Mikasa ergueu uma sobrancelha, mas Annie negou.

— Eu não quero me envolver com ele além do estritamente necessário. — aquilo pareceu uma desculpa esfarrapada. — Os experimentos realizados com os seres humanos no passado e os resultados obtidos são o que possibilitam que nossos produtos sejam tão bons; acho que já sabe que minha família está há algumas centenas de anos no ramo. Eu não me orgulho disso, mas é a infeliz verdade. Lobisomens podem manter uma dieta quase sem carne, mesmo que sua ausência por longos períodos os deixe doentes. Além disso, eles também podem se alimentar do sangue, o que torna sua dieta a mais variada de todos os não-humanos; vampiros, por exemplo, estão presos ao sangue como único alimento possível. Não nos alimentamos de mais nada. A criação desses produtos permite uma convivência pacífica entre todos.

Mikasa assentiu. É claro que uma pesquisa tão incrível teria por trás uma rede de exploração imensa, mesmo que apenas no passado. Aquilo a deixava um pouco intrigada, mas não era como se tivesse alguma maneira de impedir aquilo.

— Bom. Tem alguma pergunta? — Annie continuou. — Sei que foi uma visita rápida, mas já está quase na hora do almoço e sei que você já deve estar com fome. Só queria que você conhecesse um pouco da empresa que vai trabalhar. Depois eu levo você para outros lugares, tudo bem?

— Tudo bem.

Ambas se retiraram do laboratório, trocaram-se novamente para suas roupas no vestiário com Mikasa evitando erguer o olhar de suas próprias roupas; aquilo a deixara com algo matutando na cabeça, mas era melhor fingir que não se importava com aquilo no momento. Annie estava claramente na defensiva; como ex-policial, Mikasa conhecia bem marcas como aquelas, já as vira até demais durante seu trabalho.

Quando ambas chegaram ao último andar onde ficava localizado o escritório de Annie, Reiner, Bertholdt e Ymir ainda estavam lá, exatamente onde haviam permanecido quando as duas saíram algumas horas antes. Annie os dispensou para que pudessem almoçar durante  a próxima hora, alegando que permaneceria dentro do escritório e que os chamaria caso fosse necessário.

Os quatro voltaram para os elevadores e Ymir explicou para Mikasa onde ficava localizado o andar com as lanchonetes e refeitórios.

— É permitido uma hora de almoço, desde que fiquemos dentro do prédio. Se quiser almoçar fora, só pode sair um de cada vez e de preferência voltar rapidamente. — ela explicou. — Como somos seguranças da senhorita Leonhart, precisamos estar sempre no mesmo local que ela.

— E como ela não almoça, quer dizer, pelo menos não onde possamos ver… — Bertholdt começou. — Então geralmente ela fica lá mesmo, no escritório, até voltarmos.

— Mas o Senhor Smith tem algo a tratar com ela, ela não vai ficar solitária. — Reiner disse em tom provocativo. — Você tem que parar de deixar sua quedinha por ela tão na cara assim, Berth.

Espera.

— O senhor Smith está lá? Mas ele não veio hoje. — Mikasa interrompeu a brincadeira provocativa de ambos. Ymir logo abriu a boca para responder

— Ele chegou há pouco, acho que meia hora antes de vocês voltarem. Disse que tinha uma urgência a tratar com ela.

Mikasa sentiu um gosto agridoce dentro da boca. Se ele estava dentro do escritório dela, era possível que Annie tivesse sentido seu cheiro antes de entrar, afinal, seu olfato era perfeito. Porém, aparentemente o Senhor Smith sempre estava no escritório dela, logo, seu cheiro poderia ser algo já habitual ao lugar. Deixar Annie sozinha com ele não era algo que agradava o instinto protetor de Mikasa, e ela sempre teve bons instintos desde que se começou a se entender por gente.

O elevador parou no andar do refeitório e os três saíram. Mikasa permaneceu, pondo a mão no bolso de trás da calça com um sorriso amarelo.

— Parece que fiquei com o celular da senhorita Annie no meu bolso. Vão indo na frente, prometo não me perder na hora de voltar!

— Tudo bem, vamos pegando uma mesa. — Reiner sorriu.

Mikasa sorriu forçado de volta e as portas do elevador se fecharam enquanto ela subia de volta todos os andares que havia descido. Um frio estava em sua barriga, mas ela sentia que precisava se garantir. Certo, a desculpa do celular colaram com seus colegas seguranças, mas que desculpa usar quando Annie visse que ela retornou ao escritório? Podia dizer que sua carteira permanecera dentro da gaveta de sua mesa ou algo do tipo. Não precisava ser nada muito incrível, apenas uma desculpa para que pudesse encarar feio o senhor Smith.

Em sua consciência, algo dizia que ela talvez estivesse exagerando. O senhor Smith era um homem famoso, rico e importante, não iria machucar Annie da maneira como Mikasa estava imaginando que ele faria. Já seus instintos lhe diziam para que fosse cautelosa; não custava dar uma olhadinha.

Seguiu pelo corredor o mais silenciosamente que podia, sabendo que a audição de ambos era mais amplificada que a dela. Agradeceu o carpete macio que abafou o som de seus sapatos.

Quando abriu a porta, o pedido de licença ficou preso em sua garganta. Não havia ninguém ali dentro. Eles haviam saído por onde? Será que haviam descido pelos elevadores comerciais?

Impossível. Eles esperariam o elevador particular retornar caso precisassem usar. Isso significava que eles estavam ali dentro, em algum lugar.

A sala era grande, Mikasa já tinha reparado nisso, mas parecia ainda maior agora que ela estava ali parada feito uma estátua. Devia fazer algum barulho para anunciar sua chegada? Devia esperar silenciosamente até que algum deles saísse onde é que estivessem escondidos? Havia alguma sala de reuniões secreta ali dentro? A única opção que não podia cogitar era a de ir embora sem resposta alguma. Em seu âmago, algo lhe dizia que deixar Annie sozinha com ele não era uma decisão sábia.

Será que o Senhor Smith havia prendido ou arrastado Annie para a possível sala de reuniões oculta? Não era impossível que por trás de alguma daquelas estantes imensas existisse alguma sala chique para quando ela precisasse se reunir com outros CEO de empresas. Mikasa engoliu em seco, sem saber o que fazer.

E se tudo fosse coisa de sua cabeça? Seus instintos nunca haviam errado, isso era verdade; como um sexto sentido animal, ela sabia quando o perigo estava perto. Haviam diversos estudos divulgados sobre as poucas famílias humanas que ainda restavam, e os estudos sobre sua família paterna divulgados não chegavam a esclarecer a origem desse estranho instinto de proteção; no entanto, eles estavam diretamente ligados a suas alterações genéticas. Ela confiava em si mesma.

Talvez na mesa de Annie houvesse algum botão que abrisse a tal porta.

Aproximando-se da mesa de Annie, bem próxima a uma das imensas janelas que permitia a visão da cidade do lado de fora, ela observou um pequeno amontoado de folhas sobre uma pasta. Sua curiosidade falou mais alto enquanto seu instinto de que havia algo errado praticamente gritava em seu ouvido.

Mikasa quase estragou tudo soltando um grito. Cobriu a boca com a mão e deu alguns passos para trás, em choque. Olhando em volta, ainda sem sinal de nenhum dos dois, ela retirou-se apressada do escritório, tentando ao máximo não fazer barulho.

Correu pelo corredor, agradecendo mais uma vez pelo carpete que abafava seus passos, e apertou o botão do elevador ansiosa. Ele a aguardava no andar, então entrou e rapidamente apertou o código e o andar do refeitório.

Enquanto o elevador descia, Mikasa se recostou no espelho atrás de si. Devia dar uma olhada em sua aparência, ver como estava, ver se seus colegas de trabalho perceberiam que havia algo errado com ela, mas não conseguiu se mover; as imagens no arquivo sobre a mesa de Annie frescas em sua mente.

Imagens dos últimos humanos que haviam desaparecido, com seus corpos mutilados e cobertos de sangue em um local tão impecavelmente branco que parecia cena de filme de terror.


Notas Finais


Okay, acho que já dá pra formular alguma teoria né? hehehe~ alguém tem ideias?

Lembrando que a fic será curta, com cerca de 7 capítulos apenas!

COMENTEM POR FAVOR, EU NUNCA PEDI NADA PRA VOCÊS QQ-
BEIJO E ATÉ O PRÓXIMO


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