História A Rainha de Gelo - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Dabi
Visualizações 21
Palavras 1.996
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo Único




No corredor, Endeavor corria em largas passados, sem seu poderoso traje de herói, porém, só a tensão e a raiva que ele trazia em seu olhar era o suficiente para intimidar qualquer um que estivesse passando.

Aquela era a primeira vez que pisava no hospital psiquiátrico, e claro os motivos não poderiam ser piores, com a mandíbula travada ele pensava em como poderia conter a própria esposa, sem a ferir, afinal ser calmo estava longe de ser uma das qualidades do herói. Estava nervoso, com a situação, com os médicos, com quem teve a brilhante ideia de ligar para ele e mais que tudo, estava puto consigo mesmo.

E por que estava tão nervoso com a própria pessoa? Era um misto de motivos, talvez fosse pela a personalidade forte que tinha, sua arrogância, sua ambição ensandecida em ser o primeiro, ou talvez porque ele pensou que colocá-la num hospital seria uma boa ideia.

— Tem certeza que ela quer te ver?

Foi a primeira pergunta que recebeu ao chegar e não saber como responder só o deixou ainda mais furioso, porém o médico que havia tido a infeliz ideia de questionar se calou apenas com uma encarada.

Normalmente ele não estaria preocupado, tinha certeza disso, embora algo dentro dele o fazia exigir que Rei fosse bem tratada e que ele sempre fosse o primeiro a receber qualquer notícia dela. Claro, que em sua cabeça aquilo era apenas uma precaução. Havia especificado que Shouto não deveria ficar sabendo do acontecimento em hipótese alguma e que Rei não iria sofrer punição por seus atos.

Havia gelo por todo o corredor, os pacientes e enfermeiros estavam cuidando dos machucados causados pela mulher. Mesmo que nem ao menos soubesse qual era o quarto da mulher, não foi difícil descobrir, uma das portas tinha uma parede de gelo, coberta por espinhos afiados e finos.

Ninguém soube lhe responder o que havia acontecido, somente sabiam que ela havia surtado, e machucado a todos que tentavam se aproximar. Mesmo que ainda mantesse a pose imponente, Enji estava preocupado, o único ataque que Rei havia tido foi há anos atrás, provocado por ele mesmo. Para ela fazer tamanha coisa alguém tinha a induzido, muito mais do que ele quando jovens, alguém teria abusado dela durante esses anos? E por isso agora ela teria estourado? Ela realmente estava louca?

Rei nunca seria capaz de alimentar raiva por ninguém, nem mesmo por ele que havia a desgraçado de todas as maneiras, ela possivelmente era a única que acreditava que ele seria realmente capaz de mudar, e saber que se cometesse mais um passo em falso essa esperança poderia morrer atormentava Enji todas as noites.

Enquanto derretia a parede de gelo que cobria a porta, sua tensão só aumentava, droga! Quando jovens eles eram tão apaixonados! E depois ele só pensou em chegar ao topo! Se ela houvesse sido abusada ou machucada a culpa cairia sobre ele como a pressão do mar.

A ganância havia o cegado, a frustração de seus esforços nada valerem, de All Might sempre se sair melhor sem ao menos suar, aquilo era impossível, ele queria ser o número 1, trazer orgulho a ele mesmo e sua família. E agora que era, só recebia ódio e rancor. Aquilo o fez abrir os olhos, mas já era tarde, ele nunca teria o perdão dos filhos ou dela, Fuyumi sempre se encolhia na presença dele, Natsuo o detestava mais do que tudo, Shouto tinha grande rancor dele e Rei, ela era a única que de fato parecia querer entendê-lo.

Ele havia renegado os próprios filhos, insano na busca pelo que acreditava ser o filho perfeito, os fins justificam os meios, era nisso que veemente acreditava, era nisso que se apegava. Porém quando finalmente chegou ao topo viu que a mesma malignidade que os vilões tinham ele também tinha, que o mesmo prazer que eles sentiam em fazer o mal ele sentia quando abusava da esposa que sempre o tratou tão bem, quando batia em Shouto e o fazia treinar horas seguidas, quando ignorava os outros filhos e quando cometia diversas atrocidades contra a própria família.

Ele parou de divagar ao ver que o gelo já havia derretido o suficiente para que ele pudesse entrar, puxou a porta, liberando uma onda de "fumaça", e entrou no quarto, sem delongas.

— Rei!

Ele parou, com os olhos arregalados em surpresa.

O quarto estava congelado por inteiro, exceto a cama, e nela Rei se encontrava sentada, com as roupas sujas de sangue, os cabelos brancos caiam sobre seus ombros trêmulos, os olhos cinzentos encontraram os de Endeavor enquanto lágrimas desciam por seu rosto branco, quase azulado.

Porém, a surpresa dele não estava nem um pouco relacionada a mulher, pelo contrário, mantinha os olhos presos no homem em seu colo, as mãos pequenas e frágeis dela faziam carinho nos fios negros e espetados, o garoto parecia dormir tranquilamente, nem um pouco incomodado com a temperatura do quarto.

E este homem, era Dabi o vilão procurado que lançava chamas azuis.

Endeavor não havia o encontrado diretamente até aquele momento, mas o conhecia tanto por sua foto no topo da lista de procurados, quanto pelas queixas de Todoroki quando foi ao seu encontro. O herói desacreditou ao vê-lo tão sereno, logo ele o vilão que havia dado um belo trabalho, para então se encontrar a mercê de uma doente, que parecia cuidar dele com tanto carinho, como teria com um...

— Que porra é essa?

Enji ameaçou aproximar-se, porém a mulher receosa, envolveu o corpo do garoto num forte abraço, como se quisesse protegê-lo, ao perceber o movimento brusco, o manipulador de fogo parou, respirando fundo.

Autocontrole não era uma virtude do herói, e se a situação não fosse tão absurda aquilo seria muito estranho.

— Rei... — o sussurro de Endeavor lhe chamou a atenção — Eu não vou te ferir, mas preciso que você se afaste dele.

— Não! Você não vai tirar meus filhos de mim de novo!

O queixo do herói foi ao chão, não, não podia ser, o corpo de Enji estagnou, e minutos de tensão se alongaram no quarto, e antes que Rei conseguisse reunir coragem, Enji falou, sério.

— Rei, por favor...

Ela mal se lembrava da última vez que havia ouvido essas palavras saírem da boca dele.

— Você não pode me ferir mais Enji, por que veio aqui?

Ouvir aquilo doeu.

— Eu não faria nada nem se quisesse, o quarto está muito gelado para isso. Agora eu preciso que me escute.

Enji a olhava friamente, abordá-la violentamente não iria funcionar, ele não conseguia ver a face do garoto, mas sabia que ela não responderia bem se ele a assustasse e se esforçava para absolver a imagem sem surtar. Ainda que seu desejo fosse queimar o garoto até que só restasse poeira.

Certamente era uma armadilha, o vilão havia descobrido o estado dela e se aproveitado disso para atrair o herói e atacá-lo.

— Rei... — ele ergueu as mãos e se aproximou, a vendo recuar — Eu preciso que você se afaste dele, olhe para você, vai acabar congelando...

A verdade era que ele já podia ver os dedos azulados, congelados pelo uso constante do poder e pior do que aquilo, era que pouco a pouco ela também iria acabar congelando.

— E você se preocupa?

— É claro.

A suavização na face da mulher o fez relaxar, não havia nada que ele quisesse no mundo do que o perdão dela, e não poderia ganhar isso caso ela morresse. Mas, mais do que isso ele quis saber como diabos um dos vilões mais procurados da associação de vilões havia ido parar justamente no colo dela.

— Rei, eu preciso te levar para o hosp...

— Shh... — ela o interrompeu, sorrindo boba enquanto voltava a fazer carinho no cabelo de Dabi. — Nosso príncipe está dormindo...

Dabi sorria com o rosto entre a curvatura do pescoço de Rei, havia acordado no momento que a porta havia se abrido, o vilão segurava toda a vontade que tinha de pular no pescoço de Endeavor, enquanto aproveitava os últimos minutos que teria de afeto com sua mãe.

Rei, sua mãe, a única pessoa que ainda lhe importava no meio de todo o mundo, ele a visitava durante algumas noites, a observava dormir, encolhida, sempre parecendo estar com frio, ele ficava ao seu lado e gravava cada detalhe de seu belo rosto enquanto imaginava como seria se ela ainda pudesse o amar, se ele ainda fosse Touya.

Porém agora ele era Dabi, e somente Dabi.

Ele não merecia seu amor, já havia derramado sangue de milhares, pulverizado cada pessoa que entrou em seu caminho, tudo isso para derrotar os "falsos" heróis.

Dabi a observava dormir, até que um dia ele a pegou o observando.

Ele nunca acreditou no que as pessoas diziam, que uma mãe sempre reconheceria o filho, não importa quanto tempo passasse, mas quando viu seus olhos cheios dágua e sentiu seus toques delicados sobre suas cicatrizes, ele soube que ela sempre o reconheceria, pois ele até poderia mudar a aparência quantas vezes quisesse, mas seus olhos sempre estariam ali, e então, ele quebrou.

Perdão, mãe...

Pediu, em meio ao choro, ele não havia sido o suficiente, não para Endeavor, mas para si mesmo, ele não era forte o suficiente para salvá-la das mãos do homem, ele havia se tornado um vilão, porque havia falhado com a única pessoa que desejou salvar.

Está tudo bem...

E quando ela o abraçou, e o confortou, ouvindo seu pranto e seus pedidos por socorro, ele enfim se sentiu amado, o suficiente para ir aquele hospital todas as noites que conseguia, ele deitava em seu colo e recebia carinho dela, sem ter que dar justificativas, sem se sentir incapaz, ele poderia ser só ele mesmo, nem Touya nem Dabi.

Ele te envia flores agora?

Debochou certa vez, lendo o cartão de um vaso cheio de belas flores que ele sequer sabia o nome, a assinatura: "Enji Todoroki"

Ele me ama, do jeito dele, e se está disposto a mudar, eu estarei aqui. Como estou aqui, para você agora.

Ele não a respondeu daquela vez, porque ele não queria a magoar muito menos mentir, mas no fundo ela sabia que seu maior desejo era ter a cabeça do homem em suas mãos.

E por isso, mesmo sabendo que iria se arrepender pelo resto da vida, ele provocou um ataque nela misturando um forte alucinógeno em seu remédio para ansiedade e as coisas tomaram proporções bem maiores do que esperava, quando se deu conta, ela chorava desesperada e ele tentava a acalmar, acabando em seu colo, enquanto ela o "ninava".

Eu não o deixarei nos separar de novo, querido... — Sussurrava enquanto o balançava um ritmo suave.

Ele sentia a temperatura baixar aos poucos, assim como a do corpo dela, e sem saber da condição de suas habilidades ele imaginou que era normal, seus olhos pesaram conforme ela cantarolava em seu ouvido.

Rei havia sido usada por Enji para gerar o filho perfeito, e agora Dabi a usou para se vingar do próprio pai.

No fim, mesmo que nunca admitisse, ele e Enji eram parecidos, e ela via isso, refletido em seus olhos a mesma ambição de seu marido, a mesma perseverança. E ela não se importou de congelar pouco a pouco.

Dabi ainda sorrindo levantou a cabeça, a encarando com um sorriso sereno, Rei passou a mão por seu rosto colocando uma das mechas dos seus cabelos rebeldes atrás da orelha.

Ele se despediu, com um beijo demorado em sua testa, e saiu do conforto de seus braços levantando-se e encarando Endeavor pelo primeira vez em anos, sem medo, sem remorso, com a doçura em seu sorriso transformada em puro escárnio e deboche, e seu pai, Enji, o reconheceu, engolindo seco enquanto via a face deformada, e nela aqueles olhos azuis que carregavam as chamas do inferno.

Aqueles olhos que pertenciam a Enji e também a Dabi.

— E aí, pai?

Fim!




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