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História A rainha de Omashu (Avatar - Taang) - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Pessoas cegas tem olhos vazios, avatar.


As coisas no palácio estavam quietas, mórbidas, como se um período de luto novamente voltasse a se instalar no ambiente, e como se não fosse ruim o suficiente, a rainha parecia que tinha declinado a loucura, estava ainda pior do que Bumi.

Duas semanas e meia haviam se passado desde que o avatar voltou ao reino, e fora do palácio sua presença era aclamada, de fato o povo de Omashu era extremamente agradável, ele e Zuko tiveram que viajar entre a cidade, praticamente obrigados por Suki para deixarem Toph respirar um pouco, eles não discutiram muito com a guerreira, as coisas também estavam exaustivas para eles.

Sua relação com Zuko não estava em seus melhores picos, não tão ruim como ter ele o perseguindo e querendo a sua cabeça para recuperar sua honra, mas muito próximo disso, eles quase voltaram a brigar como haviam feito na Nação do Fogo assim que Toph deixou o quarto.

— Você é o avatar, pode morrer tranquilamente sabendo que em minutos alguém da tribo da água vai renascer e ter que lidar com essa porcaria, mas e eu?!

O Senhor do Fogo estava histérico. Ele precisava socar algo, queimar, ver derreter ou borbulhar, alguma coisa para se sentir vivo. Aang se sentou na sua cama, enquanto o outro andava de um lado para o outro, quase cavando um buraco no chão.

— Eu sei que fiz besteira, mas eu só queria vê-la...

Zuko parou, o encarando mortalmente antes de parar na sua frente e gesticular da forma mais dramática possível.

— Uma guerra quase foi iniciada nesse quarto há menos de meia hora e você me diz que só queria vê-la?!

— Toph não faria isso... — Aang resmungou, virando a cabeça para o lado — ela pode estar furiosa, mas uma guerra é demais até para ela...

— Você acha?! — Zuko colocou as mãos na cintura, não se importando sobre o quão feminino (e feminino ao extremo comparável as damas de Ba Sing Se) estava parecendo — Porque ela me pareceu muito tranquila com a ideia.

Aang suspirou, ele sabia que era questão de tempo para Zuko recobrar a consciência e perceber que de fato Toph nunca iniciaria uma guerra por um motivo tão pessoal, ela era melhor do que aquilo e definitivamente não precisava de uma guerra caso quisesse matá-los.

Ele continuou tagarelando pelo resto da noite e no outro dia estava com o humor tão azedo que Aang pode jurar que logo teria que começar a fugir de novo com o Appa porque ele começaria a persegui-lo implacavelmente.

Os dois tentaram se comunicar com Toph, mas o máximo que conseguiam era raramente trombar com Suki, a guerreira sempre estava a procura de Toph, porque ela só aparecia no início do dia e no término da noite, ocupando-se com os seus deveres.

Toph nunca esteve tão engajada como naqueles dias, os anciãos se impressionaram com seu interesse em cada mínimo problema, e aquilo finalmente lhes deu confiança para começarem a cobrar mais dela. Toph não se surpreendeu, ela sabia que eventualmente aconteceria, mas havia sido tão importuno, justamente quando ela não conseguia ouvi-los por mais de cinco minutos sem estar completamente distraída. Mesmo assim, ficou viciada em querer fazer tudo de uma vez, seus alunos nunca trabalharam tanto, ela não saiu do castelo, mas Suki estava sempre ofegante enquanto a seguia de uma extremidade a outra do palácio, ela tinha festivais para organizar, problemas econômicos, uma rachadura nas muralhas da cidade, criminosos para julgar, problemas nas vias de entrega, os campeonatos de esmagamento de Terra estavam chegando, e também era primavera e se já não fosse ruim o suficiente somente para ela, o reino tinha como costume se enfeitar com flores coloridas para celebrar a estação então ela precisava encomendar dez mil das mais variadas plantas para poder distribui-las para seu povo.

Ninguém deixou de notar seu desleixo, Toph dispensou as servas, porque elas a atrasavam, ela tentou não ser ríspida, para não ter que lidar com o drama das inúmeras criadas que a cercavam, explicando da forma mais crua e séria que pode que não estava disposta a levantar mais cedo nem mexer nos seus rígidos horários de compromissos, e que por isso não perderia seu tempo se arrumando. A camada saudável de terra havia voltado, um dos anciãos quase morreu quando a viu usando calças e se Suki não a lembrasse Toph teria esquecido até mesmo a coroa.

Momo estava mais com ela do que nunca, talvez ele evitasse que ela entrasse em colapso com os anciãos cada dia mais exigentes, o animal a seguia onde ela fosse, por vezes pendurado no seu ombro e enrolando a cauda na sua coroa, lhe entregando uma ou duas nozes sempre que percebia que a mulher não comia há horas.

Havia apenas um lugar de todo o castelo que Toph podia respirar em paz, talvez por ser o único que ninguém pensaria em procurá-la. A biblioteca era enorme, não tão grande como aquela que ela vira no deserto, mas ainda sim, enorme, e ao mesmo tempo era sufocante, sendo soterrada por livros que o antigo rei havia acumulado durante os anos, ela nunca dizia a Suki que ficava lá, se dissesse a garota começaria a sufocá-la com sua proteção exagerada, Toph preferia manter o segredo e sua sanidade.

Bumi costumava passar a parte dos seus dias saudáveis lá, de fato, os anciãos tomavam boa parte das decisões sem ele (e isso era algo que ela se dispôs a mudar naquele meio tempo, talvez por isso eles estavam começando a se tornar um problema para ela), Toph se surpreendeu com a quantidade de conhecimento que ele tinha, ele lhe contou histórias interessantes sobre aqueles livros, sem sequer precisar abri-los, somente as aventuras que havia passado para adquirí-los valia uma boa história.

Ele tinha uma coleção invejável de pergaminhos dos nômades do ar, tendo os acumulado em suas viagens até os templos destruídos, na tentativa de proteger o patrimônio do seu melhor amigo. Ela não entendia como ninguém se dispunha a se aproveitar de todo aquele conhecimento, ela não tinha certeza se o faria se pudesse ler, pela sua personalidade extremamente preguiçosa, ainda assim, parecia ser um desperdício, o lugar estava empoeirado, ficando na torre leste do castelo, erguido na vertical com metros de prateleiras estendidas por suas paredes, havia um sistema com dobragem de terra para mover as prateleiras que deixava todos os livros em fácil acesso, mesmo para alguém tão acostumada com a poeira, seu nariz sempre se irritava quando ela ia até o lugar. Ainda era uma área valiosa para ela, além da paz que lhe era concebida, ali foi o lugar que teve suas conversas mais profundas com Bumi, era um bom jeito de matar a saudade.

Toph costumava andar em círculos, ou simplesmente sentar e se permitir descansar de tudo o que estava passando, nos poucos minutos que ficava no salão, ela enterrava o rosto nas mãos respirando profundamente e por vezes tirando alguns cochilos, antes de retornar aos seus afazeres.

Ela estava tendo sonhos estranhos também. Ao menos quando conseguia dormir. Não que ela quisesse se importar com seus sonhos idiotas, ela quase nunca sonhava, ou se lembrava, mas durante a noite, ou até nos breves cochilos que ela dava na biblioteca, ela costumava acordar ofegante e perdida.

Em seus sonhos, ela podia sentir tudo ao seu redor, como se realmente pudesse ver e ela via, imagens borradas e cores distorcidas, o mais próximo que ela teria de uma visão talvez, ela não sabia de onde nem como sua mente tirava aquelas imagens, mas ela estava vendo mais do que nunca pode ver enquanto acordada, apesar disso, não eram sonhos felizes, ao menos não todos eles, ela sempre estava correndo, fugindo e em outros ela estava no que pareciam ser festas, as pessoas a cumprimentavam e ela cumprimentava de volta, com uma gentileza que jamais pertencera a ela, mas Toph sentia que aquela mulher, a mulher que falava com uma voz diferente da sua, que no entanto saia da sua boca, estava angustiada por dentro.

Ela nunca se lembrava do que falava, ela sempre ouvia vozes, podia se lembrar do tom e da vibração perfeitamente, mas nunca se lembrava das palavras. Era intrigante, mas ela imaginou que tivesse algo haver com a época do ano, sua instabilidade emocional e sua má alimentação/sono, ela pensou em viajar até os limites de Omashu e ir procurar algumas toupeiras, elas a ajudariam a esquecer um pouco seus problemas.

Momo estava voando em círculos quando Toph se levantou, ela não pode deixar de notar a alteração nas vibrações do castelo, os anciãos estavam andando em círculos na sala do trono, seus soldados estavam andando pelo castelo e Suki e Ty Lee estavam correndo feito loucas. Um suspiro deixou sua boca, era hora de voltar.

Para ter certeza que ninguém a via na biblioteca abandonada, Toph havia feito um túnel para passar pelo castelo, ela sempre tomava o cuidado de fechá-lo e dobrar o excesso de poeira do seu corpo para que não fizessem perguntas demais.

Seus ossos estavam começando a latejar conforme ela usava a dobra para se locomover pelo castelo, ela tinha de admitir que não era uma época boa para ficar abrindo túneis como se fosse uma toupeira texugo, uma dor enraizada nos ossos a faixa se mover com um pouco mais de rigidez do que o normal, prejudicando um pouco sua dobra porque ela tinha que convencer não só a terra, mas seu próprio corpo.

Era uma reação comum entre os dobradores de terra, um fenômeno que começava na primavera e se estendia até meados do verão, Toph nunca buscou por uma explicação científica, de fato, a pressão exercida nos ossos por um dobrador de terra era alta e aquela era uma época em que a terra ficava um pouco mais teimosa, como se de fato tivesse alguma personalidade.

Quando ela era uma criança, era parecido com a dor dos ossos crescendo, seu "mestre" Yu sempre lhe disse que era comum, e que logo desapareceria conforme ela continuasse a crescer, Toph só ousou comentar aquilo uma vez com aquele idiota, mesmo que tirasse seu sono e a fizesse se revirar a noite toda, as dores nunca soprepuseram suas habilidades, as vezes seus ossos estravalavam em um alto som seco enquanto ela lutava, um sorriso sempre se abria no seu rosto quando acontecia.

O problema, era que as dores haviam voltado nos últimos três anos, e agora conseguiam limitar não só sua dobra, mas nos dias do auge da primavera Toph sentia dor ao fazer movimentos bruscos, ela se surpreendeu porque Suki havia afirmado que a primavera só chegaria em algumas semanas, elas haviam começado prematuramente e muito menos sutis do que costumavam ser.

Toph sabia que era incrivelmente egoísta da sua parte esconder isso das guerreiras Kyoshi, afinal ela não estava em suas perfeitas condições para lutar, e mesmo que tivesse se afastado dos exercícios que mostrava aos alunos e parasse de dobrar por diversão na maior parte do tempo, ninguém era esperto o suficiente para notar. Ela sempre refutava qualquer sentimento de culpa, havia deixado a guerreira fazer aquilo por ela justamente porque queria ter seu próprio espaço, não precisava de Suki a sufocando mais do que fazia no dia a dia e de qualquer forma, não era uma dorzinha boba que a impediria de lutar.

Em seu quarto ela fechou o buraco no chão com destreza e silêncio, expulsando a poeira do seu corpo com um simples movimento antes de sair do quarto, sabendo que Suki e Ty Lee estavam passando do lado de fora, ainda a procurando.

— Toph! — elas exclamaram em uníssono, aliviadas por finalmente encontrá-la.

— Onde esteve? — Suki questionou, mais curiosa do que realmente preocupada.

— Aqui. — Toph respondeu dando de ombros, fingindo enfim dar conta dos corações das mulheres pulando — Eu estava farta das reuniões e vim descansar um pouco.

— Oh, certo... — Suki comentou, um pouco perdida, mas Toph realmente parecia ter acabado de acordar.

— Estávamos procurando você que nem umas loucas! — Ty Lee ergueu os braços, seu tom estava feliz em vez de preocupado. Aquela garota sempre a confundia — Que bom que você está bem!

Toph não reagiu bem quando foi abraçada, mas só pelo fato de não ter criado um pilar de terra entre elas Suki sentiu um pouco de ciúmes da companheira.

— Certo, certo... — Toph resmungou, a afastando — Estão me procurando por um motivo em específico?

As guerreiras Kyoshi se entreolharam, hesitando por um momento.

— Os sábios querem falar com você, eles estão te chamando na sala do trono.

Toph assentiu, suspirando, ela tinha certeza que já havia anoitecido, não queria lidar com mais nada naquele dia, no entanto ignorar aqueles homens renderia horas de reprovação no amanhã.

— Que horas são? — ela perguntou a guerreira, ainda parada em frente a porta.

— Está entardecendo, daqui a uns quinzes minutos estará escuro.

— Certo. — Toph assentiu, exasperada por restarem muitas horas no seu dia ainda — Vamos.

As guerreiras a seguiram em silêncio, ambas se segurando para não falarem que ela não estava vestida de forma apresentável, Suki nãos sabia o que pensar sobre aquilo, Toph estava agindo como Toph há uma semana, mas estava tão quieta e vazia que nem mesmo uma saudável camada de poeira era capaz de animá-la.

— O que desejam?

Os anciãos se curvaram a ela, Toph se sentou no trono Momo pousou em seu ombro, não hesitando nenhum passo nem quando finalmente reparou em Aang e Zuko no meio de todos eles, ela cruzou as pernas, descansando o rosto na mão com um olhar entediado.

— Minha rainha, — um deles começou, não conseguindo esconder o tremor na voz — não pudemos deixar de notar que cossa majestade anda distante nos últimos dias.

Toph ergueu o queixo, se perguntando qual dos dois havia tido a cara de pau de entregá-la aos anciãos.

— Não tive as mesmas impressões. — ela se limitou a dizer, com algum tom de desdém na voz, se endireitando no trono.

O homem pigarreou, pensando nas palavras certas para convencer a rainha tão teimosa.

— Nós estivemos pensando, e estamos preocupados com seu estado de saúde, os cozinheiros disseram que vossa majestade está pulando suas refeições e notamos sua proatividade um tanto mais enérgica.

Toph suspirou, sabendo que havia Zuko que havia falado com os homens, provavelmente preocupado com as possibilidades entrar num estado igual ou pior do que o de Azula, seus olhos inevitavelmente reviraram quando ela pensou na possibilidade. Não, ela não estava ficando louca, tinha que admitir que seus hábitos haviam regredido aos de uma garota perdida de doze anos, mas ainda assim, ela só estava cansada de toda aquela besteira não era algo de fato preocupante. Momo desceu do seu ombro, deitando no seu colo.

— De fato, estou um pouco sobrecarregada. — Toph respondeu, um pouco incitada a ver até onde a ousadia daqueles homens ia — Oferecem-me algum sábio conselho?

Ela quis olhar para Aang e Zuko naquele momento, queria que entendessem que ela não precisava de conselho algum, que somente a saída de ambos do seu reino lhe traria tranquilidade. O homem começou a falar um cansativo monólogo sobre como eles entendiam sua situação e que deveria ser difícil para uma mulher tão jovem governar a segunda maior capital do reina da Terra, e que eles estavam admirados com sua força de vontade, Toph se perdeu depois daquilo, fazendo carinho em Momo, só voltando a ouvir quando os batimentos cardíacos do homem se alteraram, mostrando que ele estava prestes a dizer algo importante.

— ...e dada a nossa preocupação convosco e uma conveniente oferta que recebemos, tomamos a liberdade de convocar uma dama de honra para lhe fazer companhia e auxiliá-la em suas...

— Vocês o quê? — Toph o interrompeu, se endireitando no trono, a confusão e perplexidade tomando sua voz por apenas um momento, ela moveu a cabeça na direção de Zuko — Isso é coisa sua?

O Senhor do Fogo deu um passo a frente, engolindo a seco ao vê-la se enrijecer um pouco mais.

— Majestade, — ele começou sabiamente, se curvando a ela — o Avatar e eu estamos aqui há tempos e infelizmente não conseguimos resolver os problemas referentes aos rebeldes, embora o seu general seja extremamente eficiente, não achamos que sem sua ajuda poderemos...

Toph fechou os olhos, frustrada pelas pessoas nunca serem claras com ela.

— Responda a pergunta.

— Achamos que Azula pode estar tentando te dar um golpe psicológico. — Zuko disse sinceramente, a vendo arquear as sobrancelhas — Eu creio que você saiba, que minha irmã, dias antes de sucumbir a loucura foi tomada por um estado sério de desconfiança e paranóia, ela mais do que ninguém sabe como a pressão pode acabar com alguém em apenas um instante.

— Está sugerindo o que estou pensando? — a voz de Toph ficou séria, quase sombria enquanto ela apertava os dedos no apoio do trono — Escolha muito bem suas palavras Senhor do Fogo, eu não vou voltar a hesitar em te banir se você continuar a me comparar com uma...

— Com todo respeito, não estou fazendo comparações, majestade — Zuko a interrompeu, tentando manter um tom firme — Azula é perspicaz, ela provavelmente está planejando isso antes mesmo de imaginarmos que você subiria ao trono.

Toph abaixou a cabeça, irritada com todos, principalmente com Zuko, como ele havia ousado procurar os sábios antes de ir falar com ela? Ainda mais para espalhar teorias sobre seu estado mental, como ele queria que ela ficasse bem tomando aquelas atitudes? Ela estava tentando ser a droga de uma rainha, suceder um rei que havia governado por cem anos e seria amado e admirado para sempre, ela não precisava de uma dama de companhia, ela precisava ficar sozinha, respirar um pouco, não ter o maldito avatar no seu encalço. Ela se levantou, sentindo todos no salão enrijecerem, quando sua voz voltou a soar pelo salão, não saiu em um tom amargurado, ou de alguém que estava prestes a sucumbir a loucura, ela soou impassível, poderosa, sem ninguém de fato saber o que se passava por sua cabeça naquele momento.

— Você ofende a mim e meu reino fazendo essas suposições, Senhor do Fogo. — Momo subiu nos seus ombros — Ofende a memória do meu antecessor, o grande rei Bumi, quando questiona a minha integridade mental, porque caso não lhe foi informado, ele me escolheu em seus momentos finais, confiou Omashu a mim, e você tem a ousadia de me ofender desafiando minhas habilidades de comandá-lo.

O silêncio na sala perdurou por mais tempo do que Toph previu, ela sabia que a menção de Bumi era a única coisa que calaria os sábios, porque eles não tinham coragem de duvidar das escolhas do rei, e também sabia que Zuko estava temeroso naquele momento, ela não romperia o tratado de paz, mas naquele momento seu peito inflamava, não se raiva, era um sentimento esquecido para ela, talvez um pouco de orgulho misturado a juventude e ao mesmo tempo experiência. Talvez era como uma rainha de verdade deveria se sentir.

Ela se surpreendeu quando Aang deu um passo a frente, erguendo o queixo demonstrando que estava o vendo, de fato era surpreendente, ele não estava hesitando, ela pode sentir isso, desde que entrara na sala ela pode sentir que os olhos dele não saíram dela nem por um instante e somente naquele momento aquilo pesou nela. Seis anos haviam o tornado mais determinado e talvez um pouco mais ajuizado. Mesmo que ela duvidasse que alguém tentar falar com ela naquele momento fosse dotado de juízo.

— Minha rainha, — a voz dele, algo nela despertou quando ele a chamou daquela maneira, porque Aang não tinha direitos de dizer seu nome, mas Toph não teve tempo de dizer que ele também não tinha direito de chamá-la de "minha", ainda perdida no tom tão sereno e confiante — de forma alguma, o Senhor do Fogo e eu achamos que você não seja capaz de lidar com seus deveres, e lamentamos se te ofendemos com nossas deduções, no entanto, acreditamos que Azula fará de tudo para atormentá-la até que você atinja seu limite.

Momo decidiu que aquele era um bom momento para ver Aang, saltando do ombro de Toph e indo até o avatar em busca de carinho, seus dedos finos e com pequenas rachaduras batucaram imperceptíveis no tecido do vestido, fazendo uma pequena média nos problemas que Omashu enfrentou nas duas últimas semanas para tentar achar sentido em algo que eles falavam, ela deixou seu silêncio atormentar Aang por um instante.

— Está sugerindo que ela está causando problemas a toa no reino, somente para me provocar? — um sorriso sarcástico cresceu no seu rosto e ela pode sentir a apreensão chegar em todos do salão — Isso é pura idiotice, a começar com o fato de que eu duvido que Azula tentaria me enlouquecer causando rachaduras nas muralhas ou estragando um carregamento de repolhos e mesmo se estivesse, tenham a certeza de que eu posso lidar com isso sem enlouquecer. — seu sorriso esmoreceu — Mas claro, eu sou uma rainha, e tenho que levar as suposições de vocês a sério, naturalmente, eu estarei satisfeita se fizerem alguma coisa para me deixarem menos estressada.

Uma tensão se instalou na sala, a rainha parecia encarar severamente o avatar, o desafiando a ir embora, Zuko havia prometido a si mesmo que não iria mais se envolver, ele esperou que Aang abaixasse a cabeça e se afastasse, prometendo ir o mais rápido possível para deixá-la confortável, ele era um monge, era bom em dar o espaço que as pessoas precisavam para pensar. Mas não, naquele momento ele tinha que agir como o avatar e estragar tudo.

Toph arqueou uma sobrancelha quando ele deu um passo a frente.

— Farei o que estiver ao meu alcance. — ele disse severo, e fora os anciãos mais ninguém acreditou em suas palavras — O Senhor do Fogo terá que partir logo para retomar seus deveres com sua nação, mas eu, como seu avatar, ficarei até que consigamos capturar todos os rebeldes, entende isso, minha rainha?

O que pareceu uma simples e educada sugestão, soou como um desafio para Toph, afinal, ela poderia ser uma rainha, mas não tinha o direito de expulsar o próprio avatar do seu reino e ele havia feito questão de se proclamar como tal, sua boca amargou ao pensar que o status dele era mais alto que o dela. Toph abaixou o queixo milimetricamente, sem nada expressar.

— Está bem. — ela disse simples — Fique por quanto tempo precisar, tenho certeza que o avatar é capaz de lidar com alguns rebeldes.

Ela sentiu uma onda de energia se apossar de Aang, provavelmente o tentando a sair saltitando pelo salão como um idiota, mesmo que não visse, algo lhe indicou que ele estava sorrindo quando se limitou a se curvar a ela.

— E quanto a dama de companhia... — Toph se voltou para os sábios, que voltaram a temer pelas próprias vidas quando viram seu olhar severo, Toph tinha todo o direito de estar furiosa, afinal, quem eles acharam que eram quando contrataram alguém sem sua permissão? Ainda mais por acharem que ela estava ficando louca, a rainha colocou a mão na cintura — Livrem-se dela.

Um dos anciãos abriu a boca para falar algo, mas Toph já estava deixando o salão, Momo se despediu de Aang rapidamente com um aceno, antes de sair voando até ela.

• ❦ •

De volta a biblioteca, provavelmente já havia se passado um bom tempo desde que ela havia dito a Suki que havia ido dormir, Toph massageava o osso do braço, tentando inutilmente aliviar a dor da tensão causada pela dobra. Ela não podia ver Momo, o que a levava crer que ele estava voando pelo lugar abafado.

Seus olhos estavam fechados, ela estava um tanto indignada com o descaramento de Aang no salão, a desafiando na frente de todos, como se fosse uma figura a se temer, como se ela fosse fugir dele ou agir com arrogância... Seus olhos se reviraram ainda fechados, ela não era uma covarde, não era fraca, não precisava da complacência de Aang, nem de ninguém.

Ele logo acharia Azula e os dois estariam fora de Omashu o mais rápido possível, até lá ela só precisava seguir com seus deveres em silêncio.

A porta se abriu, a trazendo para a realidade, o móvel fechou, mas ela não recebeu nenhuma vibração de alguém entrando, pelo menos não no solo, já que uma brisa rodou a sala, fazendo os livros soltos e espalhados pelo chão se abrirem e se folhearam por si só, Toph se levantou e Aang finalmente colocou os pés no chão.

— Oi... — a voz dele soou incerta, mas ainda tinha resquícios da confiança dele no salão.

— O que quer aqui? — ela perguntou ríspida, não se deixando abalar com sua presença.

Aang saiu do chão por um momento, voltando a pousar no outro lado da biblioteca, o monge coçou a nuca, não conseguindo olhar nos seus olhos, de todos os lugares a biblioteca era o último que esperava encontrar Toph, era irônico até.

— Bem... — ele passou a mão no pescoço — Bumi tem... tinha uma coleção de pergaminhos dos nômades... e eu gosto de estudá-los quando venho aqui...

Toph ficou em silêncio, ela sentiu raiva ao ouvi-lo pronunciar o nome de Bumi, ele não tinha direito, ele nem ao menos estava lá. Aang começou a tremer a perna discretamente decidindo falar quando ela continuou calada.

— Eu posso voltar outra hora...

— Você vai aproveitar esse lugar melhor do que eu jamais faria. — ela resmungou o interrompendo, caminhando até a saída da biblioteca, preparando-se para atravessar o lugar pela primeira vez pela porta.

O desespero cruzou o corpo do avatar, Toph não parecia estar tão nervosa e eles não estavam cercados de pessoas, era uma oportunidade boa demais de conversar com ela para desperdiçar.

— Toph, espera!

Toph parou bruscamente quando ele segurou seu pulso, mais pelo susto do que realmente pela força dele. Ela sentiu o coração de Aang saltando como se ele tivesse acabado de correr uma maratona no peito.

— Vamos conversar. — Aang pediu, abaixando a cabeça e soltando seu braço — Por favor.

Ela quis falar para ele não pedir "por favor", quis expulsá-lo por ele ter a chamado pelo nome, mas mais do que rainha, ela era Toph Beifong, não Aang, não deveria se esconder no seu próprio castelo como se fosse uma criminosa, ela era uma dobradora de terra, deveria encarar as coisas de frente. Ela se endireitou, dando a volta e se afastando dele, seus pés vagaram silenciosamente entre as pilhas de livros.

— Sobre aquilo no salão... — Aang começou timidamente, se segurando para não persegui-la na sala — eu não quis te ofender ou desafiar, é só que...

Toph parou, sentindo o nariz coçar.

— Acha que estou ficando louca? — foi uma pergunta sincera e neutra, de fato, aquilo havia atiçado o pouco que restava da sua curiosidade.

Os pés de Aang saíram do chão quando ele a respondeu.

— Não. — ele voltou a pisar no solo, Toph notou que agora ele carregava algo — Não acho que está louca, mas... você está doente.

Toph esboçou um riso, um ruído inaudível brotou dos seus lábios e ela voltou a caminhar, indo até as cortinas grossas que cobriam as três vidraças da sala, Bumi costumava deixar as cortinas abertas, aquele lugar era abafado, quase sufocante sem a luz e o vento do exterior. Aang deu um passo na sua direção, folheando o livro que havia voado para pegar, sem nem mesmo olhar para o papel.

— Você não está comendo e nem dormindo. — ele disse calmamente, sua voz ganhando serenidade. — Eu acho que você não está bem.

— E sua primeira reação é ir até aqueles e contar tudo a eles?

— Eu não consegui falar com você. — Aang se explicou, ocultando o fato de que foi Zuko quem havia ido falar com os anciãos. — Foi um erro, eu sei, acredite se quiser os sábios que conheço não são muito melhores que os seus.

Um sorriso cresceu no seu rosto momentaneamente com o comentário, na tentativa de diverti-la.

Toph se voltou para ele, com os braços cruzados, os olhos refletindo a luz da lua, que brilhava timidamente atravéz de uma única fresta na janela.

— O que posso fazer para você se sentir melhor? — a pergunta fez um sorriso irônico brotar nos lábios de Toph, Aang deveria saber que só havia uma coisa que ele podia fazer por ela, mas ela nada disse, esperando para saber o que viria a seguir — Eu não vou embora.

Toph trincou o maxilar, fechando os olhos por um momento.

— Então não há nada que você possa fazer.

Aang voltou a se aproximar.

— Eu fiz isso com você, é meu dever consertar.

— Não se dê tanto crédito. — Toph voltou a se afastar sustentando um sorriso — Você nunca foi capaz de fazer nada comigo. E nunca será.

— Seu sorriso é triste. — Aang usou a dobra de ar para chegar até ela, não ousando tocá-la — Seus olhos estão vazios.

— Pessoas cegas tem olhos vazios, avatar. — ela ergueu o queixo para encará-lo.

— Você não. — Aang disse firmemente a encurralando — Você nem parece ser a mesma, você já teria me nocauteado nesse momento.

— Você está invadindo meu espaço pessoal. — Toph declarou, não em um tom de ameaça ou aviso, mas como se contasse um fato — Eu tenho todo o direito de te nocautear.

Aang se aproximou ainda mais, a desafiando.

— Faça.

Toph cerrou o punho, ela podia sentir a força de Aang, ele fazia jus ao título de avatar, com certeza estava mais forte, mas ela sabia que um soco seu não era algo para se levar na brincadeira.

Depois de alguns segundos parado, Aang se afastou.

— Você está diferente. — ele voltou a falar — Ainda é a pessoa forte que eu conheço, ainda é incrível, mas... a Toph Beifong que eu conheci já teria soterrado os anciãos, apareceria nas reuniões suja de lama, essas coisas.

— Já ouviu falar em amadurecimento? — Toph reuniu forças para provocá-lo — Deveria experimentar.

— Você amadureceu. — Aang constatou, se virando de costas para ela — Eu acho que você só está resistindo.

— Sabia que eu estava aqui? — Toph questionou, na intenção de saber se ele estava a provocando propositalmente.

— Não, eu só não consegui dormir e então vim para cá estudar um pouco. — ele se explicou, colocando o livro que havia pego em cima de uma pilha — Eu não sei porquê, mas agora faz todo sentido você estar aqui.

— É estranho para mim também. — Toph deixou escapar, contendo uma aproximação não intencional — Vocês realmente não encontraram os rebeldes?

— Achamos alguns rastros, mas só. — Aang respondeu simples, mas frustrado com as falhas nas buscas — Seria mais fácil se tivéssemos você lá.

Toph assentiu, não prometendo nada. Um período de silêncio se instalou na sala, Toph havia se esquecido como o silêncio sempre havia funcionado bem entre eles, era fluído, sem pesar, sem levitar, eles poderiam ficar em silêncio por horas, nunca houve a necessidade de dizer algo.

Mas Aang disse e o ar ficou pesado. Era engraçado como apenas uma simples pergunta podia causar mais dor do que todo o silêncio do mundo.

— Ele sofreu?

Um misto de emoções a tomou naquele momento, todas em sua maioria negativas, ela sabia que se fosse em qualquer outro momento teria ido até ele e o socado até ele ficar irreconhecível, a dor de lembrar os momentos finais de Bumi, suas perguntas incessantes sobre Aang, a raiva, frustração, tudo aquilo eclodiu silenciosamente dentro dela.

— Sim.

Foi uma palavra carregada, ela sentiu Aang assentir e seu corpo começar a tremer. O avatar colocou a mão no peito, sentindo o pesar enquanto se encolhia.

— Eu fiz tudo errado. — um soluço rasgou sua garganta, quase o impedindo de completar a frase.

Toph sempre foi sincera, aquilo era algo que Bumi e ela tinham em comum, Aang esperou que ela confirmasse sua última sentença, mas a Beifong não o fez, ele sabia que não era por pena ou porque ela não achava que era verdade, foi simplesmente porque ela não viu necessidade em incitar sua culpa.

— Eu vou te deixar sozinho.

Pela segunda vez ela tentou deixar a biblioteca e Aang voltou a impedi-la.

— Por favor... — a voz dele saiu em um sussurro — ele era tudo que tinha me restado... eu preciso saber...

Toph suspirou, ela não estava preparada, nunca estaria preparada para relembrar, quem dirá dizer em voz alta, o que havia passado com Bumi, contudo ela podia sentir pouco a pouco a agonia de Aang começar a transpassar para o seu corpo, aquele era o defeito dele, sua transparência. Toph suspirou, se mantendo de costas para ele.

— Ele perguntou de você todos os dias. — sua voz saiu antes que ela pudesse conter.

Aang caiu de joelhos atrás dela, um som oco, como se seu corpo fosse muito mais pesado do que realmente era, sem notar ele continuou segurando seu braço, o apertando com mais força do que o necessário.

— Eu... errei tanto...

Ele segurou sua mão, seus dedos trêmulos apertaram sua palma com alguma força.

— Ele me contou histórias. — Toph continuou, sentindo as próprias lágrimas molharem seu rosto — Sobre você e mais um garoto, Kuzon.

Aang apertou sua mão com mais força, mordendo os lábios para conter um soluço, um grito, qualquer coisa que amenizasse sua agonia. Toph continuou a falar, não por um desejo sádico de vê-lo sofrer, ela simplesmente não conseguiu parar, soltando frases soltas e muitas vezes desconexas, mas nenhum dos dois prestou atenção, em determinado momento Aang a virou para ele, agradecendo aos espíritos por Toph não resistir, colocando a cabeça no seu colo e soluçando mais uma vez, não se importando se seu objetivo era parecer menos patético para ela.

— Grita comigo... — ele pediu, a trazendo para realidade — Fica com raiva... por favor...

Toph apertou os olhos, sentindo o peso de cada uma daquelas palavras, Aang nem parecia um monge falando, ele não parecia com Aang, uma das mãos dele segurava sua cintura a impedindo de se afastar, enquanto a outra ainda apertava sua mão, a fechando em forma de punho.

— Por favor Toph... — ele implorou apertando o tecido do vestido, o amassando — qualquer coisa...

Toph não queria ficar com raiva dele, ela simplesmente não queria lidar com ele, mas naquele momento o desespero começou a assolar sua pele, o incapacidade, o simples fato que ninguém os interromperia porque simplesmente boa sabiam que eles estavam lá. Toph não conseguiu sair da biblioteca, por mais que seu corpo gritasse para que ela o fizesse, não porque ele a segurava, mas porque deixá-lo sozinho com toda aquela dor pareceu ser cruel demais, aquele era o papel de Katara, não dela, cada palavra que Aang dizia a machucava ainda mais, ela não sabia se deveria fazê-lo parar, como fazê-lo parar, ou se deveria deixá-lo continuar, não estava sentindo compaixão, raiva, pena, ou qualquer sentimento positivo ou negativo, ela estava imersa no próprio tremor para pensar em algo, sua dor já era suficiente.

— Eu vou sentir tanta falta dele... — Aang murmurou de repente, depois de uma onda de fortes soluços — Eu acho que vou morrer se continuar assim... eu me arrependo tanto...

Lentamente, Toph dobrou os joelhos, se abaixando com alguma dificuldade por Aang estar a segurando com tanta força. Toph mordeu o lábio inferior, odiando o quão desamparada ela era em lidar com as pessoas, Aang pareceu perceber aquilo, guiando suas mãos, colocando a direita no topo da sua cabeça e a esquerda na sua nuca, abraçando sua cintura em seguida, Toph não impediu nenhum dos seus movimentos tão gentis, trêmulos e desesperados ao mesmo tempo.

Os soluços voltaram, ainda mais fortes que os de antes enquanto Toph alisava sua pele com alguma insegurança, Aang ergueu um pouco o tronco, encaixando a cabeça no seu ombro e deixando marcas de molhado onde encostava no vestido.

— Eu não mereço seu perdão... nem o perdão dele...

Toph sabia que Bumi o perdoaria, que o rei era bondoso, que nunca se ressentiria de Aang, ela quis falar aquilo, mas o monge não lhe deu oportunidade. Ele não voltou a soluçar, mas ela ainda sentia as lágrimas caindo enquanto ele balançava a cabeça na curvatura do seu pescoço.

— Eu deveria ter estado aqui... talvez se eu...

Ele não terminou a frase, a respiração entrecortada o interrompeu enquanto os dedos dela tremeram levemente, indicando que ele não deveria continuar.

— Ele me entendia... — Aang continuou, com um tom ameno, ainda embargado, um riso fraco deixou sua boca — Ele nunca me tratou como avatar... e isso sempre foi tão... tranquilizador...

Bumi nunca tratava as pessoas em respeito aos seus títulos, e Toph também achava aquilo tranquilizador, demorou um pouco, mas a fama de ter lutado na guerra se tornou sufocante, quase tanto como pertencer a nobreza, ter alguém a desafiando, parando de agradecê-la a todo instante, era revigorante, ela sentia sua verdadeira identidade, não só uma lenda, um símbolo ou um enfeite, ela mesma, sua força, seu orgulho.

— Eu queria ter te ajudado... você não podia ter passado por tudo aquilo sozinha...

Toph fechou os olhos, uma pontada nos ossos indicando que seria uma péssima ideia abrir um buraco para sair dali, ela inclinou o corpo para frente, ficando tensa na tentativa de se controlar.

— Eu vou fazer o que precisar para te compensar... — Aang prometeu — Eu nunca mais vou te deixar sozinha...

Toph sentiu algo diferente no peito, a mesma coisa que sentiu quando fugiu com Aang pela primeira vez, era esperança, ela sempre achou esperança uma coisa irritante. Seu orgulho normalmente a faria se levantar e dizer que estava muito bem sozinha, mas não era verdade, e ela sabia como Aang poderia ser irritante e insistente quando queria, ela quis que ele tivesse sido insistente com ela durante seis anos. Sua voz se arrastou para fora da sua boca, como se ela não dissesse nada há horas.

— Por quê?

Aang segurou seu rosto, ela teve certeza que ele usou a dobra de fogo para aquecer as mãos, ela não precisou analisar suas vibrações para saber que ele estava escolhendo as palavras cuidadosamente.

— Porque você é única pessoa que me resta. — ele abaixou a cabeça — Porque você é sua única pessoa por quem eu quero lutar.

Toph não soube como responder aquilo, ela estava magoada, quebrada, com seu orgulho pisado e massacrado, ela não queria pular nos braços dele e dizer que estava tudo bem, tampouco queria que ele se fosse, não não tinha nem certeza se conseguiria sobreviver aquilo mais uma vez, não depois de ouvir aquilo. Ela odiava como ele a fazia se sentir perdida.

— Diz alguma coisa... por favor... — Aang pediu respirando fundo, aquele não era o momento para continuar a conversa sobre Bumi, mas ele precisava desesperadamente ouvir a voz dela, saber se Toph estava com raiva, feliz, tristeza satisfeita, mais irritada ainda com ele, Aang nunca conseguiu a ler.

— Estou olhando para você? — Toph questionou o pegando de surpresa, ainda ilegível.

Aang não soube como reagir aquilo, de todas as coisas que ela poderia se preocupar, ele analisou as orbes esbranquiçadas com um pouco de dificuldade no escuro.

— Um pouco para a esquerda.

Toph moveu a cabeça, na tentativa de alinhar o olhar com o dele, Aang sentiu um pequeno choque, segurando seu queixo quando ela o fez, na intenção de fazê-la parar.

— Você não pode ficar comigo, não para sempre... você é o avatar, seu dever é com o mundo, não comigo... — Toph sussurrou, Aang não conseguiu desviar os seus olhos, sentindo o peso de cada uma de suas palavras — e eu sou sua rainha, tenho um dever para com o meu povo e te perdoar faz parte desse dever...

— Minha rainha... — Aang repetiu, como se fosse a única coisa que tivesse ouvido, mas não foi — me perdoar não é sua obrigação, pelo contrário deve ser sua vontade e é isso que vou fazer, você irá me perdoar como Toph Beifong, como a mulher que eu conheci, até lá eu me comprometo a nunca mais te chamar pelo nome, eu não mereço. Eu irei recuperar minha honra, não só com você, mas com todas as pessoas que feri com meu egoísmo, eu te juro. — os dedos dele se emaranharam nos seus cabelos, Toph afastou os braços do corpo dele — Um dia, eu voltarei a te chamar pelo nome, e você será o meu dever.

Toph não tinha certeza se ela realmente era capaz de perdoá-lo, mas Aang atiçou nela algo que havia sido enterrado há muito tempo. A única coisa que era tão forte quanto o seu orgulho, que a desafiaria a acreditar nele mais uma vez, o que a fez fugir com ele pela primeira, segunda e todas as vezes subsequentes.

Sua imprudência.



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