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História A Reação Adversa do Caos - DEGUSTAÇÃO - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3


Algumas horas antes, muito longe da Terra…

 

— Eu vou perguntar mais uma vez. — No interior daquele laboratório osneano, frio e metalizado, aquela figura sombria e impetuosa encarava o velho cientista. — Onde está a pedra Aünder? — continuou Klaaoz com a voz fria e ameaçadora.

    Bok assistia à cena de seu esconderijo, percebendo que o cientista se mantinha firme, tentando não se deixar intimidar. Era evidente que jamais compactuaria com uma pessoa tão desprezível quanto Klaaoz Lynxzarsfeld.

    Klaaoz o encarou por alguns segundos, provavelmente fervendo por dentro, mas sem demonstrar um pingo de emoção. Depois, se virou para os guardas e disse: 

    — Revistem tudo. Está aqui em algum lugar.

    Os guardas imediatamente saíram na direção das outras salas do laboratório.

    — A Capital será informada sobre isso — disse o cientista.

    — É mesmo? E onde estão as provas? — perguntou Klaaoz com um leve sorriso no canto da boca.

    Ele levantou o olhar, e as câmeras começaram a se desprender das paredes. Em uma questão de milésimos de segundos, cacos de vidro voaram para todos os lados conforme as câmeras atravessavam os monitores dos computadores e acabavam com qualquer evidência da presença do Comando Omega ali.

    O velho observou a cena boquiaberto, com a expressão de tristeza que qualquer osneano assumiria ao ver anos de trabalho indo por água abaixo. Osneanos eram ensinados desde criança a valorizar a ciência e o conhecimento; assistir àquilo devia ser como ter seu coração arrancado do peito, Bok concluiu.

    — Sua mãe deve ter vergonha de você — o homem disse, claramente por impulso.

    Klaaoz estava de costas, se dirigindo para a saída, quando parou por alguns segundos, passou as mãos no cabelo e depois se virou.

    — Você não sabe nada sobre mim — disse com desprezo conforme todos os objetos que restavam no cômodo iam para o chão.

    As estantes foram viradas, derrubando tudo que antes acomodavam, os vidros foram estilhaçados em milhares de pedaços, máquinas explodiram, tudo foi ao chão em uma fração de segundo. O velho voou até a parede, o que provavelmente fez com que quebrasse uma ou mais costelas. 

    — O que vocês estão olhando? — Klaaoz vociferou para os guardas que vigiavam a porta, depois saiu, desviando da bagunça que fizera.

    Assim como os guardas, Bok também observava aquela cena de queixo caído. Então os boatos eram verdadeiros, ele realmente é gagrilyano, pensou.

    Já fazia quase uma estação que Bok estava espionando o Comando Omega, mas nunca vira Klaaoz tão irritado e descontrolado como naquele momento. Geralmente era arrogante, ardiloso, mas nunca costumava perder o controle. O que será que o aborrecia tanto sobre seu passado? Bok já ouvira algumas histórias sobre ele ter vindo de uma família muito nobre, de um planeta fora do Sistema, e sobre ter matado a todos. Outros relatos diziam que fora preso quando tinha apenas cinquenta anos aurelianos, depois havia fugido e feito uma cirurgia que modificara seu rosto.

Bok não sabia exatamente em qual acreditar, mas, depois do que presenciou, compreendia porque tantas pessoas o odiavam e o temiam. Ele possuía uma aparência completamente comum: jovem, alto, pálido, cabelos pretos. Porém, sua telecinesia não tinha absolutamente nada de comum.

    Depois que todos haviam se retirado, Bok saiu de seu esconderijo e foi até o coitado do velho.

    — Você está bem? — perguntou baixinho, sabendo que aquela era uma pergunta idiota. Quem é que ficaria bem depois de ser arremessado contra a parede?!

    O velho lançou um olhar sofrido para Bok e, com dificuldade, falou:

    — Melhor do que o mundo vai ficar caso eles encontrem a pedra Aünder.

    Bok estremeceu.

    — O que vai acontecer?

    — Tudo estará perdido. Todos estarão perdidos. — Suspirou.

    Bok achou que ele estava começando a delirar, pois não falava nada com nada.

    — Para que exatamente serve essa pedra?

    — A pedra Aünder possui poderes inimagináveis.

    — Certo, mas por que eles querem tanto encontrá-la? O que ela faz? —O velho não respondeu. — Escute, eu sou da GASP e estou aqui investigando o Comando Omega numa missão secreta. Existe alguma coisa que eu possa fazer para ajudar? — O velho levantou a sobrancelha, como se sentisse dificuldade em acreditar naquilo. — É sério — Bok insistiu.

    Ao ver a hesitação do velho, Bok retirou seu Holophone do bolso e mostrou sua credencial, fazendo o rosto sofrido do velho se iluminar.

    — A pedra foi colocada em uma cápsula transportadora e enviada para outro planeta há algumas horas.

    — Como eu faço para chegar até ela?

    — Nas buscas no laboratório, eles encontrarão uma bússola que é atraída pelos seus componentes. Mas, se você seguir direto para o Oeste, encontrará uma nave com uma dessas bússolas dentro. Ela está indo para o planeta mais próximo que possuir seus mesmos componentes. Você precisa encontrá-la antes deles e entregá-la ao presidente.

    Ótimo, Bok pensou. Tudo estava saindo bem, nem parecia que aquela era apenas sua segunda missão oficial. Sem contar que seria uma ótima chance de agradecer à primeira-dama por tudo que ela havia feito por ele.

    Saiu do laboratório discretamente e correu o mais depressa que conseguiu. Chegou ao local indicado e avistou várias naves. Enquanto a poucos quilômetros dali se encontravam vários guardas do Comando Omega, ali estava vazio. Guardas idiotas.

    Bok entrou em uma das naves, colocou a bússola para indicar o caminho e deixou no piloto automático.

 

***

 

Klaaoz conseguiu até ouvir seus batimentos acelerados quando pôs os pés naquele recém-redecorado saguão de entrada, que transbordava positividade de uma forma irritante. “Combina com a nova imagem do Comando Omega”, essa era a desculpa de Zuuvak, que decidira seguir uma ideologia idiota que dizia que melhorar o ambiente de trabalho, fazendo com que as pessoas esqueçam que estão trabalhando, melhora a produtividade. Devido a isso, havia frases motivacionais espalhadas por todas as paredes, foram criadas várias salas de descanso e de jogos e um andar inteiro do prédio fora transformado em um bar. Klaaoz achava aquilo patético e ficava irritado toda vez que passava lá embaixo, mas, como não podia fazer nada, apenas travou o maxilar e manteve a expressão séria e fechada de sempre. 

    Pessoas andavam apressadamente de um lado para o outro naquele ambiente claro, algumas faziam um leve cumprimento com a cabeça, outras desviavam do caminho quando o viam, mas tudo que ele mais queria naquele momento era se trancar em sua sala e ficar sem ter contato com alguém pelas próximas vinte e seis horas gagrilyanas.

    — Senhor Klaaoz — disse de maneira efusiva a recepcionista que estava no balcão, mas ele a ignorou, não só porque aquela sua alegria diária era profundamente irritante, mas também porque ele realmente precisava ficar sozinho. Desconsiderando o fato de ter sido ignorada, ela pateticamente se levantou e correu até ele. — O canal oito já chegou para a entrevista — informou com um sorriso grande demais.

    Klaaoz apenas revirou os olhos e suspirou. Não estava com cabeça para aquilo. Já estava até começando a sentir uma leve falta de ar, coisa que não acontecia há um bom tempo.

 

***

 

— Estamos aqui com Klaaoz Lynxzarsfeld, o diretor de transações do Comando Omega. O Comando Omega sempre existiu aqui em Vindemiatrix, sob o comando de Zuuvak Vontees, do qual vocês já devem ter ouvido falar. Mas recentemente eles decidiram ter mais participação no Sistema ao concorrer nas próximas eleições presidenciais. E apesar do seu passado um pouco… — o repórter parecia escolher cuidadosamente as palavras — extremista, eles vêm atraindo muitos simpatizantes. Klaaoz, como estão os preparativos para as próximas eleições? Estão confiantes?

    — Sim, estamos tendo bons resultados. Tivemos alguns contratempos, mas a tendência é aumentar a aprovação.

    — Mas e você? Pensei que você fosse se candidatar, já que tem o sobrenome de uma família bastante tradicional de… — Seu tom era de flerte, mas Klaaoz o ignorou, assim como a pergunta.

    O ar ficou rarefeito enquanto aquelas coisas, que ele deixava muito bem trancafiadas em um baú nas profundezas de seu inconsciente, vinham à tona porque aquele velho parecia tê-lo aberto.

    Klaaoz não se lembrava de quando havia sido a última vez que pensara em sua mãe. Será que ela estava o assistindo naquele momento? Ou teria mudado de canal assim que o vira? Será que ela preferia assistir a qualquer outro lixo que estivesse passando na HoloTV em vez de sua entrevista? E se o velho estivesse certo? E se ela realmente sentisse vergonha dele? 

    Bom, considerando as circunstâncias, era provável que sim. Em todos aqueles anos, ela nunca tentou entrar em contato com ele sequer uma vez. Não que isso fosse uma coisa fácil de fazer, claro. Ninguém sabia onde ele morava e para falar com ele era preciso ir até o Comando Omega, coisa que poucas pessoas se atreviam a fazer.

    Mas, àquela altura, ele não deveria se importar com isso.

    Klaaoz inspirou profundamente, sentindo um formigamento nas mãos, enquanto os assistentes de câmera olhavam curiosos para os refletores, que chacoalharam. Aquela droga de poder estava prestes a sair do controle mais uma vez.

    — Klaaoz? — chamou o repórter.

    Parecia que havia alguma coisa enforcando Klaaoz.

    — Não — respondeu simplesmente e foi embora, deixando-o olhando para as câmeras, sem reação.

 

***

 

Bok acordou com o piloto automático indicando que estava se aproximando da localização desejada. À sua frente, havia um enorme planeta azul, bem maior do que qualquer outro do Sistema Gamma Aurellius. Olhou nos dados do navegador da nave e descobriu que se chamava Terra. Também dizia que boa parte dos habitantes falava aureliano, mas existia uma lei proibindo a entrada direta de qualquer pessoa. Ok, então o que ele estava prestes a fazer tecnicamente era ilegal.

    Imagens de coisas exóticas apareceram no painel. Árvores gigantes com luzes coloridas brilhando ao lado de um velho gordo de barba branca que segurava um saco vermelho e vestia trajes da mesma cor; pessoas seminuas com penas na cabeça e brilho no corpo sorrindo e dançando; pessoas sorrindo com sangue no pescoço e uma faca atravessando a cabeça, segurando um objeto alaranjado semelhante a uma cabeça sorridente; pessoas vestidas elegantemente e segurando um pequeno homem dourado; uma pintura de uma mulher meio amarelada dando um sorriso muito exótico. Não, ela não estava sorrindo. Ou estava?

    Muitas imagens intrigantes depois, a bússola o guiou para um lugar que de longe parecia estar totalmente escuro, mas que, ao se aproximar, apresentou o brilho de luzes piscando. Ele aterrissou com cuidado no local aberto mais próximo, desceu e continuou seguindo a bússola.

    Bok se viu diante de vários tipos de construções incomuns, aparentemente muito antigas. Havia vários estabelecimentos fechados com as placas mais diferentes que já vira na vida. Viu uma placa de um local com um tipo de comida gigante usando uma coroa e se perguntou se aquela coisa chamada burguer era o líder daquele lugar.

Continuou seguindo a bússola, que o levou até uma casa em uma rua completamente vazia. Olhou pelo vidro, as luzes estavam apagadas. Não era uma casa, era um estabelecimento que possuía uma enorme quantidade de um tipo muito antigo de livro. Ele já havia ouvido falar que antigamente eles eram assim, mas nunca tinha visto um pessoalmente.

    Procurou alguma coisa em seus bolsos para tentar abrir a porta. Aquele tipo antigo de fechadura trouxe lembranças de seu planeta natal. Não ia a Kryk desde que entrara na academia da GASP, sua mãe iria matá-lo se ele não fosse naquele ano.

Quando Bok finalmente conseguiu entrar, observou o lugar por um segundo e depois tudo escureceu.



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