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História A Reconquista Daquilo Que Já Foi Nosso - Capítulo 3


Escrita por: ialariama e xiuminscafe

Capítulo 3 - Tser


A casa daquele liean era enorme e luxuosa, bem maior do que a que trabalhavam antes. Era possível perceber como cada móvel e item de decoração era caro só pelos mínimos detalhes, tudo banhado a ouro e algumas peças da mobília também continham algumas pequenas pedras preciosas incrustadas.

— Cevos oair balahtrar teprinmencipal uqia, an trape acedsotim, e aov arap o laborotoria uo arap a alovuar naqudo eels semaprecir ed jadau. (Vocês irão trabalhar principalmente aqui, na parte doméstica, e vão para o laboratório ou para a lavoura quando eles precisarem de ajuda.) — Explicou para os idosos sobre o trabalho deles na propriedade. — Sese iduqa est Baekhyun, mue helmor acresvo. (Esse daqui é Baekhyun, meu melhor escravo.) — Apontou para um rapaz que estava no caminho entre a sala de jantar e a sala. Baekhyun tinha uma estrutura baixa, cabelo ruivo acastanhado e uma aparência bem abatida, parecia que não dormia e nem se alimentava direito a dias. — Eel rai ostrram dotu ad dopradiepre arap cevos joeh. Anhama cevos cemocam. (Ele irá mostrar tudo da propriedade para vocês hoje. Amanhã vocês começam.) — Explicou algumas coisas.

— Venham… — Foi interrompido pelo olhar ameaçador de Snee, o olhar que Baekhyun era mais familiarizado pois já sabia o que acontecia se continuasse falando a língua natal na presença dele. — Nhavem gomico. (Venham comigo.) — Falou e os conduziu até a cozinha.

— Garoto, você tá' bem? — A idosa perguntou cochichando quando viu que não tinha nenhum liean por perto.

— Eu tô', não se preocupe. Trabalho aqui desde que nasci, praticamente, e já me acostumei. — Falou para tranquilizar. — Aqui é a cozinha. Alí é o fogão, nas gavetas tem os talheres, naquele armário tem os pratos e lá é a despensa. — Apontou para cada coisa respectivamente conforme falava. — Tem prato e talher pra’ situações especiais, mas não se preocupem, a mulher que fica aqui normalmente vai explicar direito depois.

Durante o dia, Baekhyun mostrou a sala de jantar, a de visitas, os lavabos, os banheiros e todos os quartos que ficavam no segundo andar. Já na área externa, mostrou para eles a senzala, a lavoura, o laboratório e o jardim, mas com flores mortas já que ninguém tinha tempo para cuidar.

Na hora do lanche da noite para os escravos, os recém-chegados receberam uma mesa com comida de qualidade, fatias de pães, umas amostras de geleias e de queijos, um bolo de chocolate e uma jarra de suco, ao contrário dos outros, que receberam um copo de água e uma fatia de pão velho.

— Olha essa geléia divina! — O homem ofereceu à esposa uma fatia de pão com geléia de cereja ao vinho.

— Esse queijo daqui é uma delícia, experimente! — A mulher deu um pedaço para ele. — Eu nunca comi algo tão delicioso como tudo o que tem nessa mesa! — Disse em êxtase.

— Espero que essa comida esteja matando a fome de vocês. — Baekhyun falou se aproximando deles e sentou no chão.

— Aqui tem muita comida para nós dois, pegue pra’ você e para os outros. — Junseo ofereceu preocupado com a situação dele. — Você não consegue trabalhar só com um pão velho e água no estômago.

— Obrigado, mas não posso. E é melhor pra’ vocês aproveitarem a comida boa enquanto tiverem. — Advertiu o mais novo.

— Como assim? — Jina indagou.

— Snee sempre manda dá esses lanches na hora das refeições aos escravos novos na fazenda durante uma semana e depois só envia esses pães e água. — Explicou para o casal. — Talvez ele de uma colher de chá pra’ vocês por serem pessoas mais velhas, mas não garanto que isso acontecerá.

— Mas por que ele faz isso?

— Porque ele é um filho da puta. — Respondeu se levantando. — Enfim, aproveitem.

— Antes de ir garoto. — O idoso chamou a atenção de Baekhyun antes dele se afastar. — Pegue alguma coisa da mesa. — Ofereceu a comida mas o outro se mostrou relutante, por mais que estava com fome.

— A gente promete que não vai contar pra ninguém. — Desta vez a velha foi insistente com ele.

— É muito generoso da parte de vocês dividir a comida com todo mundo. Eu não vou querer mas eu aviso os outros. — O mais novo recusou mais uma vez.

— Tem certeza que não quer? — Ela perguntou enquanto preparava um pão com geleia.

— Vocês não vão parar de insistir enquanto eu não comer, não é? — Redarguiu quase cedendo.

— Que bom que percebeu. Agora senta-se e coma. — O mais velho ordenou e apontou para o lado esquerdo da esposa, indicando o lugar para ficar. — Venham todos. — Deu sinal com a mão para os outros escravos se aproximarem, estes que estavam olhando para a mesa deles o tempo todo. — Aqui tem mais comida, dividam entre vocês pra’ matar a fome. — Explicou e depois foi embora junto com a sua esposa para o canto da senzala que fora reservado para eles.

Dito e feito. Conforme Baekhyun havia falado, os idosos só receberam a mesa farta de comida boa durante uma semana e começaram ganhar pão velho e água. Mas diferente dos outros que tem por refeição uma a duas fatias de pão, eles obtêm de três a cinco fatias.

Depois de dois meses trabalhando lá, chegou o dia da colheita de tomacco, um produto alimentício que passaria no laboratório e na fase de testes para depois ser exportado para WASP-1b. Seria o primeiro dia que os velhos, que a esta altura estavam muito fracos, iriam à lavoura trabalhar sob o sol a pino.

— Você ‘tá bem? — Preocupada, uma mulher perguntou cochichando para a mais velha, que estava ao seu lado trabalhando de forma muito lenta e sem prestar muita atenção.

— Eu tô’ bem menina, fica tranquila. — Respondeu dando um sorriso gentil para ela.

— Acla a obac cevos asdu, es noa o hocitec iva nactra! (Cala a boca vocês duas, se não o chicote vai cantar!) — Ameaçou um dos firetos que estava próximo das duas quando ouviu uns burburinhos. — Teprinmencipal arp’ cevo ehval, es noa freiz o blahtaor deiroti e dipora. (Principalmente pra’ você velha, se não fizer o trabalho direito e rápido.) — Se aproximou dela e encostou o chicote no seu rosto.

— Dotu meb. (Tudo bem.) — Falou com a voz trêmula devido ao medo e à exaustão.

Por mais que fizesse o esforço para trabalhar conforme tinha lhe ordenado, e mesmo que teve a ajuda dos outros que estavam próximos, quando não tinha ninguém prestando a atenção, a idosa não aguentou e desmaiou.

— Elnavat ehval capriesguo! (Levanta velha preguiçosa!) — Ordenou o liean depois de ter visto a situação.

— Rop ovfra, diexe a mahin helmur me zap! Ael ates imotu acfar, noa at’ denov? (Por favor, deixe a minha mulher em paz! Ela está muito fraca, não ‘tá vendo?) — Implorou o homem com uma voz chorosa.

— At’ acfar o acralho. Osis est dotu montigefin. (‘Tá fraca o caralho. Isso é tudo fingimento.) — Pegou o chicote e começou a desferir chicoteadas nela.

Vendo o cenário ao longe, Baekhyun se aproximou correndo e tentou parar o castigo da mulher se enfiando no meio.

— Alvot orp’ etu blahtaor, Baekhyun, es noa isrequ levra o casgoti bmatem. (Volta pro’ teu trabalho, Baekhyun, se não quiser levar o castigo também.) — Iria chicotear ela mais uma vez, mas foi interrompido por Byun tentando segurar o seu braço.

— Es isrequ casgarti glemau qeu jesa ue, sma diexe ael me zap, fhilo ad tupa. (Se quiser castigar alguém que seja eu, mas deixe ela em paz, filho da puta.) — Falou com um tom de raiva.

— Aj qeu diepu. (Já que pediu.) — Deu de ombros e derrubou Baekhyun no chão, logo em seguida rasgou a sua blusa na parte de trás, deixando as costas machucadas, pelas chicotadas de anos e pela marcação do símbolo “බා”, expostas e começou a chicoteá-lo.

Na madrugada chuvosa, a idosa já estava um pouco melhor, pois comeu um bocado a mais do que geralmente comia, e preparou o unguento para passar nas feridas de Baekhyun.

— O que ‘tá sendo feito? —  Questionou Byun ao homem mais velho, sentado ao seu lado, quando sentiu um cheiro amadeirado forte pelo ar.

— Unguento pra’ passar nessas feridas da tuas costas.

— Mas não precisava, tem os restos de pomadas em um pote perto do laboratório. — Explicou.

— As pomadas acabaram mês passado e o pote ‘tá agora onde tem a goteira. — O idoso falou.

— Mas o que que tem nessa pomada? Nunca senti esse cheiro antes e, que eu me lembre, não tem nada na fazenda que tenha esse aroma. — Baekhyun perguntou curioso.

— Gurjum e barbatimão. O que não tem aqui é o gurjum, peguei com um outro escravo que trabalha na fazenda vizinha. — Junseo respondeu deixando o outro surpreso por mencionar que falou com um escravo de outro lugar, coisa que era proibida ali.

— Não precisava passar por esse perigo por mim, mas obrigado. 

— Cheguei e tá’ pronto. — Jina chegou com uma vasilha com a pomada caseira e alguns panos.

— Era pra’ você estar descansando. — Byun reclamou com a mulher.

— Tá’ bom Baekhyun. — Respondeu não ligando para o que ele disse. — Eu vou passar isso nas suas costas. Se sentir algum incomodo, me desculpe, mas é pro’ teu bem.

— Por que vocês estão fazendo isso?

— Pra’ não infeccionar as feridas. — A mulher afirmou.

— Não é disso que eu estou falando. Por que vocês estão me ajudando? — Explicou para eles. — Se alguém souber do que vocês estão fazendo escondido, vão sofrer ainda mais. Vocês estão correndo perigo.

— A gente tá’ ajudando todos os escravos daqui como conseguimos. — O velho contou fazendo o outro ficar abismado.

— Já vivemos demais e já sofremos de tudo. Morrer de velhice ou no pelourinho não faz diferença pra’ nós agora. — A idosa falou terminando de colocar o unguento nas costas de Baekhyun.

— Mas nada é comparado com o que é sofrido aqui. Todo mundo é vítima do sadismo de Snee, nem os filhos dele escaparam. —  Baekhyun disse preocupado com o futuro do casal na fazenda.

— Mesmo assim, tentaremos ajudar vocês como conseguirmos e morremos com honra e felizes por ter feito o que queríamos, não importando se haverá sofrimento ou não no leito de morte. — O velho proferiu o seu futuro.

— O que aconteceu com o filho de Snee? — A velha perguntou retomando a fala anterior de Baekhyun.

— Snee já teve um monte de filhos com mulheres lieans e com humanas. Se fosse pra’ contar todos os filhos que já teve, acredito que daria 200, se contar também com os que nem chegaram a nascer, nasceram mortos ou morreram um pouco depois do parto passaria de 500. A maioria desses 500 filhos seriam híbridos, mas faleceram porque o corpo humano não é capaz ainda de gerar uma especie estranha dentro de si, por isso tiveram aborto instantaneo, perderam sangue pra’ caralho no parto e entre outras coisas. — O mais novo começou a contar. — Já os que sobreviveram são uns 3 e eles fugiram pro planeta natal. O resto foram brinquedinho de tortura do pai até morrerem quando ele não estava satisfeito com um escravo. Por exemplo, qual pai daria de presente de Natal chibatadas no pelourinho para o seu filho? O Snee. — Terminou de falar deixando os idosos assustados.

— Credo. — O homem mais velho fez o sinal da cruz sobre si. — Ainda bem que o nosso filho não tá' aqui.

— Enquanto vocês não morrerem, serão também os brinquedinhos de tortura dele. Isso só foi a primeira coisa que ele fez. — Baekhyun falou triste. — Tão’ vendo que tenho um símbolo marcado nas minhas costas? — Perguntou recebendo um sim com a cabeça de ambos. — Vocês podem ser marcados como eu a qualquer momento por uma desculpa extremamente banal. Não quero que vocês sintam a mesma dor que senti e quero protegê-los, mas não sei se vou conseguir por muito tempo.

— Vamos ficar bem garoto, não se preocupe. — A mulher assegurou para ele.



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