História A Redenção - Nian - Capítulo 17


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Categorias Ian Somerhalder, Nina Dobrev, Paul Wesley, Phoebe Tonkin
Personagens Ian Somerhalder, Nina Dobrev, Personagens Originais
Tags Nina Dobrev
Visualizações 63
Palavras 3.290
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela, Violência
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Galera perdão pela demora...
Devido às férias de minha filha a atenção ficou divida....
Mas voltarei com chave de ouro pra vocês...
Essa semana prometo postar 3 capítulos

Amando os comentários e vendo os favorites aumentando... tô muito feliz

Capítulo 17 - Meu herói...


Fanfic / Fanfiction A Redenção - Nian - Capítulo 17 - Meu herói...

Nina Dobrev 

Não pode ser...

- “Chris...”, eu senti como se cristais de gelo se formassem nas minhas veias. - Como você conseguiu meu número? O que você quer?

- Só quero saber como você está.

A voz dele era tão familiar. Aquele som pulverizou os últimos meses como se tivessem sido apenas um sonho. Se eu fechasse os olhos, poderia quase acreditar que estava de volta ao apartamento de Dallas e que ele logo chegaria do trabalho.

- Estou ótima, eu disse. - E você?

- Não tão bem. Uma pausa extensa. - Ainda tentando me convencer de que acabou mesmo. Eu estou com saudades, Roseh.

Ele parecia triste. Alguma coisa na voz dele puxou uma culpa pesada, sombria, do meu coração.

- “Meu nome é Nina”, respondi. “Não atendo mais por Roseh.”

Eu achei que isso fosse provocá-lo, mas ele me surpreendeu.

- Tudo bem, Nina, ele disse apenas.

- Por que você está ligando?, perguntei, abrupta. - O que você quer?

- Só conversar por um minuto, Chris parecia resignado e um pouco irônico.

- Nós ainda temos permissão para conversar?

- Acho que sim.

- Eu tive muito tempo para pensar. Eu quero que você entenda algo... eu nunca pretendi que as coisas saíssem do controle como saíram.

Eu acreditava nele. Nunca pensei que Chris quisesse ou planejasse ser como ele era. Devia existir alguma coisa em seu passado, em sua infância, que o transformou em uma pessoa problemática. Uma vítima, assim como eu fui. Mas isso não significava que ele podia se safar de todo mal que me fez.

- “Você me odeia, Nina?”, Chris perguntou, com a voz suave.

- “Não. Eu odeio o que você fez.”

- Eu também odeio o que eu fiz, ele suspirou. - Eu fico pensando... se nós tivéssemos mais tempo juntos, se tivéssemos tido a chance de resolver nossos problemas sem seu irmão aparecer para fazer essa porra de divórcio acontecer tão depressa...

- “Você me machucou, Chris”, foi tudo que eu consegui falar.

- Você também me machucou. Você mentiu para mim o tempo todo, sobre coisas pequenas, grandes... você não se abriu para mim.

- Eu não sabia como fazer para lidar com você. A verdade o deixava furioso.

- Eu sei, mas são necessárias duas pessoas para fazer um bom casamento. E eu tinha que lidar com muita coisa — ser rejeitado pela sua família, ter que trabalhar que nem um cachorro para te sustentar —, e você sempre me culpou por não ser capaz de resolver os seus problemas.

- “Não”, eu retruquei. - Talvez você se culpasse, mas eu nunca me senti assim.

- Você nunca esteve comigo de verdade. Nem quando fazíamos amor. Eu percebia que você não estava gostando. Não importava o que eu fizesse, você nunca reagia do modo que as outras mulheres reagem. Mesmo assim, eu tinha  esperança de que você melhorasse.

Droga! Chris sabia como me atingir, como despertar a sensação de insuficiência que eu me esforcei tanto para superar. Chris sabia coisas sobre mim que ninguém mais sabia. Nós estaríamos sempre ligados por nosso fracasso mútuo, que fazia parte das nossas identidades individuais. Aquilo nunca seria apagado.

- “Você está namorando alguém?”, eu o ouvi perguntar.

- “Não me sinto à vontade para falar disso com você.”

- “Isso quer dizer que sim. Quem é?”

“Não estou namorando ninguém. Eu não dormi com mais ninguém. Você não precisa acreditar, mas é verdade”, no mesmo instante eu me odiei por contar isso, e por sentir que ainda devia satisfações a ele.

Z “Eu acredito em você”, Chris disse. - Você não vai perguntar o mesmo para mim?

- Não. Não me importa se você está namorando. Não é da minha conta.”

Ele ficou em silêncio por um instante.

- Fico feliz que você esteja bem, Nina. Eu ainda te amo.

Isso fez meus olhos lacrimejar. Fiquei tão feliz que ele não pudesse me ver.

- Eu gostaria que você não me ligasse mais, Chris.

- “Eu ainda te amo”, ele repetiu e desligou.

Eu recoloquei o telefone na base lentamente e enxuguei as lágrimas enfiando o rosto no sofá. Fiquei nessa posição até que comecei a sufocar, e então ergui a cabeça e inspirei fundo, puxei o ar, respirei fundo.

- “Eu pensei que te amava”, eu disse em voz alta, embora Chris não pudesse me ouvir.

Mas eu não sabia o que era amor. E me perguntei se é possível ter certeza, quando nós pensamos amar alguém, que isso seja verdade.

E assim eu durmo.

No dia seguinte, choveu.

Mas quando chovia, chovia de verdade. E, como qualquer cidade praticamente plana construída ao redor de um pântano, Houston tinha sérios problemas de escoamento de água.

Durante um aguaceiro, a água subia nas ruas e escorria pelos bueiros, galerias e rios que a conduziam até o Golfo do México. Às vezes, as inundações arrebentavam oleodutos, a rede de esgoto, derrubavam pontes e tornavam inacessíveis algumas vias principais.

O alerta de enchente foi anunciado depois do almoço, e mais tarde veio a enchente de fato. As pessoas receberam a notícia com calma, já que os  moradores de Houston estavam acostumados com enchentes e, de modo geral, sabiam que ruas evitar durante a volta para casa à noite.

No fim do dia, eu fui a uma reunião na Torre Buffalo para discutir um novo sistema on-line para processar pedidos de manutenção. Vanessa, a princípio, pretendia ir à reunião, mas ela mudou de ideia e me mandou em seu lugar. Ela me disse que a reunião era mais para recolher informações, e ela tinha coisas mais importantes para fazer do que conversar sobre software. 

- “Descubra tudo sobre esse sistema, ela me recomendou. - E amanhã eu lhe faço algumas perguntas. 

Tive certeza de que seria um inferno se eu não soubesse responder  alguma pergunta dela. Então resolvi descobrir cada detalhe desse programa, decorar o código-fonte se fosse preciso.

Fiquei aliviada, embora intrigada, que Vanessa não tivesse dito nem uma palavra sobre nosso encontro no Harrisburg, na noite anterior. E ela não perguntou nada sobre o Ian. Eu tentei interpretar o humor dela, mas isso era como tentar prever o tempo, uma empreitada incerta, na melhor das hipóteses.

Embora a Torre Buffalo ficasse a poucos quarteirões do Place 1800 Main, eu fui de carro, porque chovia a cântaros. O edifício era um dos arranha-céus mais antigos, uma estrutura revestida de granito vermelho que me lembrava o estilo de prédios dos anos 1920.

Depois de estacionar em um dos níveis mais baixos da garagem subterrânea, verifiquei minhas mensagens no telefone. Vi que Ian tinha ligado e senti um frio na barriga. Apertei o botão para ouvir a mensagem.

- “Oi.” O tom dele era brusco. “Precisamos conversar sobre a noite passada. Ligue para mim quando sair do trabalho.

Era tudo. Eu ouvi a mensagem de novo, e desejei poder cancelar a reunião e  ir encontrá-lo naquele momento. Mas não iria demorar. Eu encerraria o compromisso o mais rápido possível e depois ligaria para ele.

Quando eu e a consultora do software, Kelly Reinhart, terminamos, passavam alguns minutos das seis. Poderíamos ter demorado mais, só que recebemos uma ligação da segurança do prédio dizendo que o nível mais baixo da garagem estava inundando. O andar estava quase vazio, pois a maioria das pessoas já tinha ido embora, mas ainda havia um ou dois carros lá, e era melhor tirá-los.

- “Droga, um deles é o meu”, eu disse para Kelly, fechando o notebook e guardando-o na minha pasta. - É melhor eu ir ver o meu carro. Tudo bem se eu ligar para você amanhã, para esclarecer os últimos itens que nós não vimos hoje?

- “Claro”, Kelly disse.

- E você?... também vai para a garagem?

- Eu não vim de carro hoje. Está na oficina. Meu marido vai me pegar às seis e meia. Mas eu desço de elevador com você, se quiser companhia... 

- “Não, não...”, eu sorri e peguei minha pasta. - Está tudo bem.

- Ótimo. Tudo bem então. Pode ligar aqui ou vá até a sala da segurança na recepção se tiver problemas. Do jeito que este prédio velho tem infiltrações, seu carro deve estar debaixo d’água a esta altura, Kelly fez uma careta.

- “Que sorte a minha”, eu ri. O carro é novo.

Os trovões bombavam lá fora, fazendo com que eu estremecesse dentro do meu tailleur. Fiquei feliz de estar indo para casa. Um dos meus sapatos estava incomodando, e o zíper da minha calça com fecho lateral arranhava minha pele. E eu estava com fome. Acima de tudo, era grande minha ansiedade para encontrar Ian e lhe pedir desculpas pela noite anterior. E eu iria lhe explicar... alguma coisa mas ia me explicar da melhor forma.

Eu entrei no elevador e apertei o botão do nível mais baixo da garagem. As  portas fecharam e a descida foi suave. Mas quando cheguei lá embaixo, o  elevador deu um solavanco estranho, eu ouvi alguns estalos e tudo pareceu morrer. As luzes, o sistema hidráulico, tudo parou. Eu soltei um ganido assustado por ficar na completa escuridão. Pior, eu ouvi a água correndo, como se alguém tivesse ligado uma torneira dentro do elevador.

Preocupada, mas não em pânico, eu tateei o painel ao lado da porta, apertei alguns botões, mas nada aconteceu. 

- “Telefone”, eu disse em voz alta, tentando me tranquilizar com o som da minha própria voz. - Estas coisas sempre têm um telefone. Meus dedos encontraram o botão de um telefone viva-voz embutido na parede. Eu apertei o  botão, segurei, mas não tive resposta.

Eu me considerei com sorte por não ser uma daquelas pessoas que tem fobia de elevador. Eu estava mantendo a calma. E com calma comecei a procurar meu telefone celular dentro da pasta. Alguma coisa gelada passou pelo meu pé.

A princípio eu pensei que fosse uma corrente de vento, mas um segundo depois eu senti o frio molhado nos meus scarpins, e me dei conta de que havia alguns centímetros de água dentro do elevador.

Com cuidado, peguei o celular e o acionei. Usando-o como uma lanterna improvisada, apontei a telinha brilhante para o meu entorno para ver por onde a água estava entrando.

Uma água de aspecto oleoso esguichava pela abertura entre as portas fechadas. Isso já era bastante ruim. Mas quando movi a luz do celular para cima, vi que a água não vinha só pela parte de baixo das porta. Ela vinha também do alto.

Como se todo o elevador estivesse submerso. Mas isso não era possível. Não tinha como o poço estar inundado por quase três metros de água... isso não significaria que todo o andar da garagem estava inundado? Isso não poderia ter acontecido no tempo que passou desde que eu cheguei no prédio. Mas, merda... um poço de elevador cheio de água explicaria  por que todos os sistemas elétricos pareciam ter sofrido um curto-circuito.

- “Que loucura”, eu murmurei, e o ritmo do meu coração acelerou com a ansiedade enquanto eu digitava o número da central telefônica do prédio. Depois de chamar duas vezes, entrou uma mensagem gravada listando os números dos ramais principais. Assim que ouvi os três dígitos da segurança, eu os digitei. Mais dois toques... sinal de ocupado.

Praguejando, eu digitei novamente o número da central e tentei o ramal da Kelly. A secretária eletrônica atendeu. “Oi, aqui é a Kelly Renar. Estou fora da minha mesa, mas se você deixar uma mensagem depois do toque, eu retorno sua ligação assim que possível.

Eu deixei uma mensagem, tentando parecer profissional, mas urgente. “Kelly, aqui é a Nina. Estou presa dentro de um dos elevadores na garagem e a água está entrando. Você pode me fazer um favor e avisar à segurança que eu estou aqui embaixo?"

A água continuava entrando e rodeava meus tornozelos. Quando terminei a ligação, vi que o sinal de bateria fraca do telefone começou a piscar. Com pouca carga restando, resolvi que não iria me arriscar.

Telefonei para a emergência da polícia. E eu escutei, incrédula, a ligação ser atendida e direcionada para uma mensagem gravada. “No momento, estamos recebendo um volume grande de ligações. Todos os circuitos estão ocupados. Por favor, continue na linha até um operador ficar disponível.” 

Eu esperei cerca de um minuto, o que me pareceu uma eternidade, e encerrei a ligação quando ficou claro que ninguém iria atender. 

Meu telefone emitiu um sinal sonoro para me fazer saber que a bateria estava quase no fim.

Com a água já batendo nas minhas panturrilhas e entrando sem parar, eu parei de fingir que continuava calma. De algum modo, eu consegui fazer aparecer a lista de chamadas recentes na tela do telefone. Eu apertei o número do Ian.

Tocou. Uma vez... duas... arfei de alívio quando ouvi a voz dele.

- “Somerhalder”, ele atendeu.

- “Ian”, eu engasguei, incapaz de pronunciar as palavras rápido o suficiente.

- “Sou eu. Preciso de você. Preciso de ajuda.

Ele não perdeu tempo.

- “Onde você está?”

- “Torre Buffalo. No elevador. Estou presa em um elevador na garagem, e a água está entrando, muita água..., o telefone bipou outro aviso de bateria fraca.

- “Ian, está me ouvindo?”

- Repita.

- “Um elevador na Torre Buffalo. Estou presa na garagem, dentro do elevador, e está enchendo de água, e eu preciso de..., o telefone bipou e morreu. 

Eu estava de novo na escuridão. “Não”, eu gemi alto, quase gritando. “Droga. Ian ? Ian ?”

Nada além de silêncio. E o som da água jorrando. Senti o desespero crescendo, e cheguei a pensar se não deveria me entregar a ele. Mas como isso não ajudaria em nada, e eu tinha certeza de que também não me sentiria melhor, eu engoli o sentimento e inspirei profundamente.

- Ninguém se afoga em um elevador, eu disse em voz alta.

A água alcançou meus joelhos, e estava gelada. O cheiro dela também era ruim, parecia uma mistura de óleo, produtos químicos e esgoto. Eu tirei o computador da pasta, abri e tentei, em vão, conseguir algum sinal de internet.

Pelo menos, com a tela iluminada, o elevador não estava completamente no escuro. Eu olhei para o teto, revestido por um painel de madeira com luzinhas embutidas, todas apagadas. Não deveria haver um alçapão ali? Talvez estivesse escondido. Eu não consegui pensar em um modo de subir até lá e procurar.

Eu tirei um dos meus sapatos e usei o salto para bater nas paredes enquanto gritei pedindo ajuda por alguns minutos. Quando eu cansei de bater, já estava com água nos quadris. Eu sentia tanto frio que meus dentes batiam e os ossos das pernas doíam. A não ser pelo barulho da água entrando, tudo o mais era silêncio. A tranquilidade imperava na garagem, menos na minha cabeça.

Eu percebi que estava em um caixão. Eu iria morrer naquela caixa de metal. Eu li em algum lugar que afogamento não era um modo ruim de se morrer. Havia modos piores. Mas aquilo era tão injusto. Eu nunca tinha feito nada com a minha vida que valesse a pena colocar no obituário. Eu não realizei nenhum dos objetivos que tinha na faculdade. Nunca me entendi com meu pai, não de verdade. Eu nunca ajudei os menos afortunados. E nunca nem tinha feito um sexo decente. Comecei a ficar paranóica.

Eu acreditava que as pessoas, diante da morte, ocupavam-se com pensamentos nobres, mas eu me vi pensando naqueles momentos na escada do teatro com Ian. Se eu tivesse ido em frente, pelo menos teria tido uma experiência sexual boa na vida. Mas até isso eu estraguei. Eu o queria. Eu o queria tanto. Nada estava concluído na minha vida. Eu fiquei ali, esperando meu afogamento, não com resignação, mas com uma raiva corrosiva.

Quando a água chegou ao meu sutiã, fiquei cansada de segurar o computador e o deixei afundar. Ele foi descendo, flutuando, e chegou ao chão do elevador em meio a uma água tão poluída que mal dava para ver o brilho da tela antes que um curto-circuito a apagasse de vez. Era tão desorientadora, a escuridão fria à minha volta. Encolhida em um canto, eu apoiei minha cabeça na parede, suspirei e  aguardei. Eu imaginei como seria a sensação quando o ar acabasse e eu tivesse que puxar água para os meus pulmões.

O som de uma pancada forte no teto me fez estremecer como se tivesse sido atingida por uma bala. Eu virei a cabeça de um lado para outro, sem ver nada, com medo. Algo raspava no teto, produzia ruídos de ferramentas contra metal. O teto rangeu e o elevador todo balançou como se fosse um barco a remo.

- “Tem alguém aí?”, eu gritei, meu coração bombando no peito.

Ouvi o som abafado e distante de uma voz humana. Estimulada, esmurrei a parede do elevador com meu punho.

- “Socorro! Estou presa aqui embaixo!”

Houve uma resposta que não consegui ouvir. Quem quer que fosse, continuou trabalhando no teto do elevador, batendo e empurrando até um chiado metálico preencher o ar. Uma parte do painel de madeira foi puxado para trás. Eu me encolhi contra a parede enquanto ouvia coisas quebrando e se partindo e detritos caindo na água. Então, o facho de luz de uma lanterna penetrou na escuridão do elevador e refletiu na água.

- “Estou aqui”, eu disse com um soluço, saindo do meu canto. - Estou aqui embaixo. Tem como você me tirar daqui?

Um homem se debruçou sobre o buraco do teto, e então eu pude ver seus ombros e o rosto iluminados pela luz refletida.

“É bom você saber logo”, disse Ian, alargando a abertura com um gemido de esforço, “que eu cobro caro por resgates em elevadores.

“Ian! Ian...”

Ele tinha ido me salvar. Eu quase perdi as estribeiras naquele instante. Em meio à torrente desesperada de alívio e gratidão, havia pelo menos uma dúzia de coisas que eu queria dizer para ele naquele momento. Mas a primeira coisa que saiu foi um fervoroso:

- “Eu sinto tanto não ter feito sexo com você!”

Escutei Ian rir baixo.

- Eu também. Mas querida, tem uns caras da manutenção comigo, e eles podem ouvir tudo que estamos dizendo.

- “Não me importa”, eu disse, desesperada. - Me tire daqui que eu juro que vou transar com você.

Eu ouvi um dos funcionários da manutenção oferecer, com sotaque espanhol:

- “Pode deixar que eu tiro a moça daí.”

- “Esta aqui é minha, amigo”, Ian disse, bem-humorado, e se projetou mais para dentro do elevador, com um braço estendido. - Consegue pegar minha mão, Nina?

Ficando na ponta dos pés, eu me estiquei toda. Nossas mãos se encontraram e os dedos dele desceram para se fechar em torno do meu pulso. Mas minha pele estava recoberta daquela mistura escorregadia e minha mão deslizou por entre os dedos de Ian. Eu caí com as costas na parede.

- “Não consigo”, tentei parecer calma, mas minha voz estava esfiapada. Tive que sufocar um soluço. - A água está oleosa.

- “Tudo bem”, ele disse rapidamente. - Está tudo bem. Não, não chore, querida, eu vou descer. Fique de lado e segure no corrimão.

- “Espere, você também vai ficar preso aqui...”, eu comecei, mas Ian já estava baixando os pés e as pernas. Segurando na estrutura do teto, ele desceu suavemente e ficou pendurado um instante. Quando ele desceu na cabine com uma queda controlada, o chão se mexeu e o nível da água subiu. Eu chafurdei na água suja e pulei nele, subindo em seu corpo antes mesmo que ele conseguisse se mover.

Ian me pegou com firmeza, passando um braço por baixo do meu traseiro e o outro, forte e sólido, pelas minhas costas.

- “Peguei você”, ele disse. - Minha garota corajosa.

- “Nem tão corajosa”, travei meus braços atrás de sua nuca e enterrei meu rosto nele, tentando acreditar que Ian realmente estava ali comigo.

- Você é, sim. A maioria das mulheres estaria histérica a esta altura.

- “Eu ia ch-chegar lá”, falei com a boca no colarinho dele. - Você s-só me pegou antes do processo começar.

Ele me puxou para mais perto.

- Você está salva, querida. Está tudo bem agora.

Continua....



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