1. Spirit Fanfics >
  2. A redenção de Severo Snape >
  3. Felix Felicis

História A redenção de Severo Snape - Capítulo 13


Escrita por: anigel

Capítulo 13 - Felix Felicis


Alguns dias depois da visita de Dumbledore, Emily recebeu o resultado dos NOMs. Não ficou plenamente satisfeita, obteve oito “ótimo” e dois “excede as expectativas”. Já esperava por isso, de fato teve uma certa dificuldade com a fauna mágica europeia em trato das criaturas mágicas e não conseguiu completar a prova de Astronomia, diante do ataque a McGonagall. Em contrapartida, estava bem orgulhosa com História da Magia, as centenas de livros que leu valeu a pena o esforço.  

Os dias se seguiram sem muitas novidades, não teve notícias de Garret e a loja continuou fechada. Agora, passava muito mais tempo ajudando os irmãos Weasley, que lhe davam muitas coisas de graça. Aproveitou também para conhecer os pontos turísticos de Londres e saía com Dafne e Kris aos finais de semana. Tentava ocupar seu tempo ao máximo, dessa forma conseguia evitar de pensar em Snape. 

Se encontrou com as meninas, na estação de King Cross para irem à Hogwarts juntas. Embarcaram sem nenhum problema. As garotas subiram no trem e já começaram a procurar uma cabine vazia, o corredor estava lotado; Emily esperava pacientemente a fila andar para seguir as amigas que estavam a sua frente. Ao passar por uma das cabines escutou alguém chamar. 

— Ei! — Emily e a menina à suas costas olharam ao mesmo tempo. — Quer sentar aqui com a gente? — perguntou Draco olhando diretamente para ela. 

— Ah eu quero! — respondeu Pansy atrás de Emily já entrando, e se sentando ao lado de Draco. 

O garoto olhou para a menina com uma certa decepção e voltou os olhos para Emily novamente que sorria. 

— E aí, como foram as férias? — ela perguntou para Draco, esperando a fila a sua frente andar. 

— Foram ótimas. — respondeu sem muita emoção. — E a suas?  

Kris a sua frente começou a andar, se ela ficasse ali acabaria empacando o caminho. 

— Foram ótimas também. Preciso ir! — disse sumindo de vista.  

Acharam uma cabine vazia quase ao final do trem, entraram guardando as mochilas na parte de cima. Emily sentou na janela e puxou uma revista Capricho mandada pela sua avó.  

— Você não vai ler agora, né? — perguntou Dafne brava. 

— Calma, minha avó mandou. Falou que tem uma reportagem que cita meu nome. Quero ver...  

— Oooii aqui tem lugar, senta com a gente. — Comunicou Kris para uma menina que passava pela porta. 

— Ah eu vou aceitar sim. — respondeu ela entrando. 

Emily abaixou a revista e olhou para a menina, elas se encararam descontentes. Era Milla.  

— Acho melhor eu procurar outra cabine. — chateou-se a menina ainda parada na porta. 

— Não seja besta, — ralhou Kris a puxando pelo braço que se desequilibrou sentando no sofá. — Me conta como foi suas férias, você terminou mesmo com o Logan?  

Emily voltou a encarar a sua revista, mas não conseguia mais ler uma palavra se quer. 

— Eu... terminei sim. — respondeu coagida. — Ele não me fazia bem. — sua voz chegou a tremer de nervosismo. 

A garota fechou a revista com força. Não aguentava ficar ali, se levantou indo para a porta. 

— Espera! — Milla chamou. — Eu vou, e você fica.  

— O que está acontecendo? — perguntou Dafne sentindo a tensão entre as duas.  

— Fui eu que a coloquei no banheiro, ano passado. — Contou sem pudor. 

Dafne e Kris arregalaram os olhos para ela, Emily se encostou na porta cruzando os braços. 

— É sério isso? — Kris perguntou para Emily não acreditando.  

A menina olhou para o chão e concordou com a cabeça, era uma situação bem constrangedora.  

— Vou dar uma volta por aí, o clima está meio pesado. — falou Emily 

— Não vá! — respondeu Milla tocando em seu braço. — Eu ainda... me sinto culpada, entende? Sei que me disse para esquecer, mas não consigo. 

Emily olhou para a mão da menina em seu braço que retirou no mesmo instante.  

— É um saco você ficar me olhando com essa cara de velório, eu não morri! — respondeu um pouco ríspida. — Se eu que me ferrei já esqueci, porque você não pode esquecer? 

— Isso! Isso! Vamos esquecer tudo. —  Dafne tentou amenizar as coisas. — Olha a moça do doce passando. A gente senta, conversa, come alguma coisa. Ok? 

Dafne puxou Emily para se sentar de novo em seu lugar. As meninas agora do sétimo ano conduziram toda a conversa tentando fazer as duas dialogarem cordialmente. O expresso não tardou a chegar na plataforma, trocaram de roupa rapidamente e saíram seguindo o fluxo de alunos. A tensão entre as duas não tinha sumido, mas diminuiu consideravelmente. 

Durante o jantar, estava sentada perto de Draco e pôde escutá-lo se gabando que tinha quebrado o nariz de Potter no trem. Devia ser verdade, o menino chegou um tempo depois com a cara toda suja de sangue, acompanhado de Snape.  

— Professor... — sussurrou ela para si mesma. 

Seu coração palpitou mais forte. Se esforçara tanto a não pensar nele durante as férias, mas ao vê-lo ali passando, sentia borboletas no estômago. Dumbledore anunciou o novo professor de poções, a comoção positiva foi geral em todas as mesas. Não ficou muito animada com isso, era uma de suas matérias preferidas e ficou preocupada com a competência daquele professor que não conhecia. Em compensação, agora Snape daria as aulas de defesa contra as artes das trevas. Podia ver que essa notícia tinha alegrado apenas a mesa da Sonserina, pôde até escutar algum aluno da grifinória se lamentar por isso. 

Ao primeiro dia de aula, todos os alunos do 6º ano deveriam se encontrar com o diretor da casa, para decidir as matérias que poderiam tomar conforme o resultado dos NOMs.  

— Lobo, Emily. — Chamou Snape sentado à mesa puxando os resultados dela. Não tinha muito o que olhar com a quantidade de “O”. 

— Já sabe o que quer estudar? — perguntou o professor evitando olhar para ela.  

— Sim. Feitiços, Transfiguração, Herbologia, Aritmancia, Runas antigas e Poções.  

— Só isso? — finalmente ele a encarou, Emily sorriu maliciosamente.  

Achou que estava livre do poder que ele exercia sobre ela, mas todas às vezes que o via não conseguia evitar. Seu coração chamava por ele, seu corpo implorava por seu toque. E gostava de usar esses joguinhos para provocá-lo.  

— Acho que não. — respondeu ela ainda sorrindo.  

— Certo.  

Tocou com a ponta da varinha o formulário em branco que começou a se preencher sozinho.  

— Malfoy, Draco — o professor chamou entregando o papel para ela. 

— Não! Espera! — disse Emily aflita colocando as mãos em cima da mesa prendendo o formulário que Snape tentava lhe entregar. — Falta defesa contra artes das trevas.  

— Falta? — perguntou ele lhe dando o mesmo sorriso malicioso.  

Emily olhou o documento e pôde ver claramente que estava matriculada em DCAT. Recolheu o formulário derrotada, tentou brincar com o professor e ele que acabou brincando com ela. 

Se apressou para a classe de Runas, a professora terminou passando um dever enorme já para a semana que vem. Seguiu para a próxima aula que era DCAT, geralmente se sentiria ansiosa, mas como já havia visto o professor e passado vergonha, não estava tão ansiosa assim. 

Snape aparentava estar mais sombrio do que o habitual, começou dissertando sobre as artes das trevas, o que fez Emily ficar com um certo ciúmes, ele se referia a ela como se fosse uma amante. A classe foi dividida em pares, deveriam treinar feitiços não verbais. Draco a chamou para fazer dupla com ele, causando um olhar de desgosto em Pansy. Emily lançou um feitiço não verbal em Malfoy que fez seus cabelos crescerem até os ombros, sabia que o objetivo era azarar o colega, mas dessa forma era bem mais divertido para ela. 

— Protego! — gritou Harry Potter. 

Emily virou a cabeça em tempo de ver o professor bater em uma carteira. 

— Você está lembrado que eu disse para praticar feitiços não verbais, Potter? — disse Snape para o menino. 

— Sim. — respondeu Harry inflexivelmente.  

— Sim, senhor. — Completou Snape. 

— Não é preciso me chamar de “senhor”, professor.  

Emily prendeu a respiração, não podia deixar entrar um fio de ar nos pulmões pois iria rir. E aquele com certeza não era o momento para isso, olhou para Draco que olhava para o chão, provavelmente também segurando uma risada. 

— Detenção, sábado à noite, meu escritório. 

A menina começou a soltar o ar lentamente se acalmando, seus olhos pousaram em Ronny Weasley, o garoto para conter a risada, enfiou os beiços dentro da boca parecendo uma velha sem dentaduras. Emily não aguentou e soltou uma gargalhada pelo nariz; alguns garotos, inclusive Rony, também não aguentaram e começaram a gargalhar. 

— Achou engraçado, senhorita Lobo? Vai fazer companhia ao Potter na detenção. 

Emily olhou para baixo porque ainda se lembrava da cara de Rony e continuava querendo rir. Tinha certeza que Snape estava muito bravo com ela, mas essa cena foi imperdível, a detenção valera a pena. 

Ao final das aulas, alguns alunos vieram procurá-la perguntando quando retornaria o clube de dança. Ficou feliz de saber que ainda tinham pessoas interessadas. Afixou um cartaz na casa comunal, informando que o clube voltaria todas as terças a partir da próxima semana. 

Não estava muito empolgada para a aula de poções, se surpreendeu que houvesse tão poucos alunos nessa classe. Os quatro da Sonserina sentaram-se juntos, inclusive Malfoy. O professor entrou na sala com sua enorme pança, cumprimentando os alunos com um aceno de cabeça. 

— Alguém sabe me dizer que poção é essa? — perguntou apontando um caldeirão fumegando com um líquido muito transparente. 

— Veritaserum — disse Emily baixinho que somente Draco escutou. 

Hermione levantou a mão instantaneamente respondendo: 

— Veritaserum, uma poção que faz as pessoas dizerem a verdade. 

— Muito bem! E essa outra aqui? Apontou o caldeirão ao lado. 

— Polissuco — respondeu Emily novamente quase em um sussurro. 

— Fale em voz alta — ralhou Draco para ela.  

Emily negou com a cabeça. 

— Não quero me passar por sabe tudo. — Cochichou. 

Hermione continuou a responder certo, garantindo 20 pontos para a grifinória. Draco olhou bravo para Emily. 

— Era para ser ponto nosso.  

— Você, senhorita. — O professor disse olhando para Emily que desviou a atenção do garoto. — Acho que não nos conhecemos. Qual o seu nome? 

— Emily Lobo, senhor.  

— Emily Lobo... Seu nome me parece muito familiar. 

— Sou dançarina, senhor. — respondeu sem muita emoção.  

— Lobo... — O professor tentava puxar na memória onde escutou esse nome antes. — Arrá! Já sei, mas não seria possível... Por acaso você não é a neta de Mary Poppins? 

— Sou sim. — respondeu Emily muito tímida. 

— Eu sabia! — exclamou Hermione alto. — Tinha certeza que Mary Poppins foi inspirada em uma bruxa de verdade.  

Emily sorriu timidamente.  

— Que magnífico! — comentou o professor. — Ela é uma bruxa excepcional, muito talentosa. 

— O que a sua avó fez de interessante? — perguntou Draco. 

Emily olhou para ele sem saber exatamente o que responder, dando de ombros. 

— Escreveram um livro sobre ela no mundo dos trouxas. — respondeu ainda incerta de sua resposta.  

— E? — perguntou o menino com deboche que já fazia parte dele. 

— E sei lá. Ela é famosa.  

— Oh não minha cara. — Interveio o professor — Sua avó fez muito mais do que isso. Ela foi a pioneira em desenvolvimentos de feitiços para a vida doméstica.  

— Como assim? — perguntou a menina curiosa, a avó nunca lhe contou nada sobre isso. 

— Nem todos podiam ter elfos domésticos. Então ela desenvolveu feitiços que ajudou os bruxos com essas tarefas. Foi uma evolução na época para a comunidade bruxa.  

Emily não tinha ideia dessa informação, e sempre foi muito próxima de sua avó. O resto da aula não foi muito agradável para ela. Tiveram que fazer uma poção morto vivo, Emily sempre competia com Hermione pela melhor poção da classe, mas quem ganhou dessa vez foi Harry Potter. E se perguntava, como ele conseguiu? As poções dele eram sempre na média, e de repente, conseguiu fazer uma quase perfeita. Queria muito ter ganhado a Felix Felicis; mais pelo fato de ser um prêmio de primeiro lugar, do que realmente pelo efeito da poção. Pela cara de Hermione, ela pensava o mesmo. 

Naquele final de semana, o dia estava bonito e ensolarado, acordou cedo e decidiu assistir a seleção dos candidatos para o time de quadribol. Não que gostasse do esporte, considerava-o tão chato quanto uma partida de futebol. Contudo, assistir pessoalmente era outra emoção, mas levou um livro para garantir. A arquibancada estava cheia, principalmente pelos alunos do 1º e 2º ano que estavam muito empolgados. Avistou Draco a poucos metros dela e caminhou até ele esbarrando nas pernas dos alunos a sua frente. Ao chegar mais próxima, podia escutar que falava do lorde das trevas e de como ele ia dominar o mundo. 

— Posso sentar aqui? — perguntou ela acenando o lugar vazio ao lado dele.  

— Claro, senta aí. Vamos ver esses patetas arruinarem o time. 

— Porque você não está lá também? 

— Não vou participar esse ano. — O menino realmente não parecia se importar.  

— Escuta, queria te perguntar uma coisa. — falou um pouco mais baixo. O menino assentiu, prestando atenção. — Qual o lance da Milla? Só vejo ela sozinha agora.  

— Ah... — Draco parecia desapontado — Ela terminou com o Logan e ele saiu falando umas coisas.  

— Ele tem até foto — Zabini se intrometeu na conversa — Ela é uma vagabunda. 

Milla não era uma das suas pessoas favoritas, mas escutar esse tipo de comentário a deixava furiosa, já viu algumas amigas passarem por situações assim e sempre era “culpa” delas. 

— Draco, vamos dar uma volta? — disse um pouco irritada. 

O menino quis disfarçar um sorriso que insistiu em sair. Emily caminhou em direção ao jardim que dava para a orla do lago.  

— Você acredita mesmo que aquele que não deve ser nomeado vai prosperar? — Não sabia porque perguntou isso, mas tinha uma intuição que deveria fazê-lo. 

— Claro que sim! — respondeu rapidamente — E todos aqueles que forem contra ele irão sofrer. 

— Então é isso? Temos que escolher um lado, ou a favor dele ou contra ele. Não existe um meio termo. 

— Não existe. Vai me dizer que você é contra ele e a favor de Dumbledore? 

Emily deu uma risada, queria enfiar um juízo na cabeça do menino a base de tapas. 

— Você já estudou a histórias dos trouxas?  

Foi a vez de Draco rir. 

— Claro que não. Porque eu estudaria sobre esses vermes? 

— Certo... Vou te dar uma aula de história, se não se importa. — o menino se importava, mas mesmo se Emily dissertasse sobre bombas de bosta ele escutaria com interesse. 

— Os trouxas também tiveram pessoas como você sabe quem; pessoas que assassinaram em massa. A lista é enorme, Mao Zedong, Gengis Khan, Hitler, Stalin... Enfim, sabe o que todos eles tiveram em comum?  

— Como vou saber?  

— Todos eles caíram! Em algum momento foram destronados ou mortos. 

— Não acredito que você está nos comparando com essa escória. 

— Tudo bem, não seja por isso. Rasputin, Sauron, Grindelwald, Herpo, Emérico. Todos foram grandes bruxos das trevas que caíram. 

— Mas lorde Voldemort é diferente. — disse ele teimosamente e orgulhoso. 

— Ele caiu uma vez, não?  

— Ele poderia te matar só por se atrever a falar isso! — vociferou Draco.  

Emily colocou a mão na cintura e abaixou a cabeça desapontada. Sabia que essa era uma batalha perdida, Malfoy estava cego.  

— Venha, me dê um abraço. Não quero que fique bravo comigo.  

Emily abriu os braços, Draco hesitou por um momento, mas foi de bom grado encaixando a cabeça no ombro dela, ele era bem mais alto.  

— Eu sei que as coisas estão difíceis para você. — o menino estreitou mais o abraço, ao escutar aquelas palavras. 

Bem acima deles, na janela do escritório, Snape com os braços cruzados, assistia à cena e não estava nenhum pouco feliz. 

— Que comovente! — disse alto para si mesmo. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...